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terça-feira, 17 de julho de 2012

Parte do acervo de obras de arte de Hitler é redescoberto em um convento em Doksany, República Tcheca




A pesquisa de cinco anos feita pelo tcheco Jiri Kuchar revelou que 16 pinturas na República Checa eram parte do acervo possuído por Adolf Hitler. As obras de arte, que Hitler comprou na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, foram transferidas para a Tchecoslováquia depois desta ter sido ocupada pelos nazistas, para evitar que fossem danificadas pelos ataques aliados.
Jiri Kuchar colocou sete das pinturas em exposição para jornalistas no convento em Doksany no norte da República Checa, onde as identificou. Hoje, disse ele, elas valem cerca de 50 milhões de coroas (R$ 1,7 milhão). "Ninguém acreditou em mim que poderia ser verdade", disse Kuchar de suas descobertas. O autor, que se autodenomina "um amador e entusiasta", escreveu sobre suas descobertas.
Kuchar disse Hitler comprou as 16 pinturas - de artistas alemães, como Franz Eichhorst, Herrmann Paulo, Hilz Sepp, W. Friedrich Kalb, Oestreicher Oscar, estepes e Edmund Reumann Armin - em 1942 e 1943 nas grandes exposições de arte alemãs que foram realizadas anualmente em Munique a partir de 1937 até 1944. O instituto alemão, cujo banco de dados inclui as obras e os seus compradores - Zentralinstitut fur Kunstgeschichte em Munique - confirmou a propriedade de Hitler.
Como um ex-artista, Hitler era um amante da arte e colecionador. Incontáveis ​​pinturas, muitas feitas por grandes pintores europeus, foram apreendidas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Em um ponto, a coleção particular de Hitler, conhecida como a "Coleção Linz," incluiu quase 5.000 obras, e os nazistas tinham um projeto para criar um museu para elas em Linz, na Áustria.
Além das sete obras identificadas no convento, Kuchar encontrou mais sete que Hitler tinha possuído uma vez no norte da República Tcheca. Algumas contêm sinais evidentes de propaganda nazista, disse Kuchar.
Durante a ocupação, acredita-se que as 16 obras faziam parte da coleção de Hitler de mais de 70 peças de arte contemporânea alemã que o Terceiro Reich armazenou em um mosteiro na cidade sulista tcheca de Vyssí Brod, juntamente com as maiores coleções de pinturas valiosas roubadas de famílias judias da Europa.

Uma pintura de 1943 feita pelo pintor alemão Franz Eichhorst nomeada "Reminiscência em Stalingrado"
Após a guerra, valiosas pinturas possuídas pelos nazistas foram confiscadas pelo Exército dos EUA e levadas para o Ponto de Coleta de Munique Central em um esforço para devolvê-las aos seus donos originais. Muitas obras de menor valor foram deixadas para trás após a libertação em 1945 da Tchecoslováquia e acabaram espalhados pelo país.








Franz says: apesar de algumas das obras não retornarem às famílias dos donos originais ou estarem disponibilizadas em museus, é inegável o valor da descoberta, principalmente no tocante ao apuro artístico do próprio Hitler que foi reconhecido historicamente como um artista frustrado. A coleção reflete uma parcela da personalidade do líder nazista que, reconhecidamente, era um admirador das artes mais conservadoras.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Esculturas em papel - 3D. Faces que parecem reais...


Usando uma técnica idêntica à de captura de movimentos ponto a ponto - a mesma de filmes como King Kong e Senhor dos Anéis -, o artista alemão Bert Simons mostra que criatividade e inteligência estão sempre unidas. A técnica consiste na captura da face em diversos ângulos e fragmenta-as em inúmeros pedaços que, após minuciosa colagem, resultam em algumas das imagens de estátuas feitas somente com papel. O realismo do trabalho impressiona. Conheçam mais e divulguem este incrível trabalho.




Caso queira imprimir um modelo de face e montá-lo, eis o link para baixar o arquivo: face Bert.



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Resenha: Máfia - Padrinhos, pizzarias e falsos padres


Um assunto que já esteve mais em evidência, a Máfia italiana volta a ser abordada com seriedade neste livro.
Com uma escrita de fácil leitura (onde a narrativa assume um perfil de romance mesclado à reportagem), a autora traça um perfil da influência atual das máfias italianas (Camorra, ´Ndrangheta, Sacra Corona Unitá e a Cosa Nostra) não só em boa parte da própria Itália, como também na Alemanha. Ao contrário do país “governado” pelo Primeiro-Ministro Silvio Berlusconi e seu partido Forza Italia (apontado inicialmente como “colaborador” dos mafiosos e, ao final, como um deles) onde as leis são rigorosas contra criminosos envolvidos nestes clãs, a Alemanha mostra-se o palco ideal para a lavagem de dinheiro proveniente de cassinos, prostituição, tráfico de drogas, falsificação de roupas, assassinatos e outros crimes tão ou mais bárbaros. Evidencia-se que isso ocorre não em prol de uma possível aceitação da Máfia na Alemanha, muito ao contrário, mas por existir uma morosidade no sistema penal, onde, ainda que condenado, o indivíduo pode recorrer em diversas instâncias, em liberdade, o que leva o processo a arrastar-se por anos. Além disso, há certa descrença no poder político e financeiro das Máfias em solo alemão, motivando mais o avanço das “famílias”.
O livro descreve as perseguições pela qual a autora passou e ainda passa, o assassinato do juiz Giovanni Falcone, um dos maiores opositores ao crime organizado – passagem que choca pelo planejamento e o destemor dos assassinos -, a colaboração dos políticos, intimidação, colaboração da Igreja Católica (a maioria esmagadora dos mafiosos é católica), encontros com alguns boss e até a censura imposta ao livro (tarjas pretas em alguns trechos) por influência mafiosa, inclusive na edição brasileira.
Destacam-se, ainda, os depoimentos de familiares de mafiosos, ex-mafiosos (desertores) e até padres que apóiam os chefes, mostrando um intricado código de honra e a famosa lei do silêncio, a Ommertá, além de evidenciar os inúmeros colaboradores e sua influência em tribunais, na política, comércio e religião e, principalmente, as conseqüências de se opor a eles. Especial atenção é dada ao papel das mulheres nas “famílias”, onde além de mães e esposas, elas também são as responsáveis por transmitir os valores do clã e, em última instância, podem até influenciar na ordem de um assassinato.
Esqueça os estereótipos da Máfia. Aqui a verdade é vista sem maquiagens. O alerta dado é muito claro: o crime organizado italiano se expande e assume faces aparentemente legais, sem que isso implique em menos violência e mortes. O pior é saber que, tal qual na Alemanha, temos um sistema político corrupto, polícias mal remuneradas e leis vagarosas, tornando-nos um território mais do que propício para a proliferação dos negócios escusos.
Petra Reski, assim como Roberto Saviano, está sob ameaça de morte. Isto, contudo, não a impede de exercer ao máximo seu papel como repórter e, com coragem, apontar uma realidade cruel onde o poder e o dinheiro ditam as regras.
Por fim, devo dizer que este livro é indispensável para compreender um pouco mais dessa realidade vergonhosa e prevenir o leitor e as autoridades deste câncer que se espalha pelo mundo.
A autora nascida em 1958, na Alemanha, é jornalista e escritora. Recebeu em 2009 o prêmio Civitas por agregar valores ao jornalismo alemão.
Franz Lima
TÍTULO: MÁFIA: PADRINHOS, PIZZARIAS E FALSOS PADRES
ISBN: 8563876015
IDIOMA: Português. 240 páginas.
ANO EDIÇÃO: 2010
AUTORA: PETRA RESKI
PREÇO: R$ 39,90

domingo, 29 de abril de 2012

Artista cria livros-escultura cortando página por página


Der freund aus der vierten dimension
Fonte: BBC

O artista alemão Alexander Korzer-Robinson passou quase um ano desenvolvendo uma técnica para transformar livros antigos em obras de arte, cortando página por página para formar uma escultura em 3D.
Ele recorta o contorno de algumas ilustrações e remove outras, formando sua composição usando apenas imagens contidas no volume em que está trabalhando.
"Eu passo muito tempo em sebos e antiquários procurando livros que me inspirem. Sempre que viajo, tento descobrir onde ficam as lojas de livros usados", disse Korzer-Robinson à BBC Brasil.
Depois de prontos, os livros-esculturas são selados e não podem mais ser abertos. O artista diz que o objetivo é que eles sejam pendurados na parede ou expostos em uma prateleira, como um objeto de arte.
"Esses livros, que perderam sua utilidade com a passagem do tempo, ganham um novo propósito. Eles não são mais ferramentas de aprendizado sobre o mundo, mas uma maneira de se conhecer a si mesmo."
"Uma enciclopédia pode se transformar em uma janela para um mundo alternativo, da mesma forma em que a realidade vivida se transforma quando vira uma experiência lembrada", diz ele.
O artista já expôs duas obras nos Estados Unidos e Grã-Bretanha, onde vive, e terá uma exibição na Suíça, este ano.
Old Garden

Agenda do artista para 2012:

13 de maio e 12 de agosto, Trait Paper, Musée Des Beax Art, La Chaux-de-Fonds, Switzerland (Suíça).
18 a 20 de maio, The Affordable Art Fair Bristol, Bristol, Inglaterra, representado pele Galeria Liberty.
1º a 3 de junho, Untitled Art Fair, Chelsea Old Town Hall, Londres, Inglaterra.
4 a 8 de julho, The Henley Festiva, Henley-On-Thames.
20 a 23 de setembro, Brighton Art Fair, Brighton, Inglaterra.
Site do escultor: Alexander Korzer-Robinson





Vanity Fair

Nouveau Larrousse Illustre - Vol. 1

Apparition



sexta-feira, 9 de março de 2012

Contos de fadas inéditos são descobertos na Alemanha


Os contos são parte de uma coleção de mitos, lendas e contos de fadas reunidas pelo historiador Franz Caver von Schönwerth (1810-1886), na mesma época dos famosos irmãos Grimm.
Cerca de 500 contos de fada inéditos foram encontrados na cidade de Regensburg, na Alemanha. Estima-se que as histórias estavam guardadas há 150 anos. Os contos são parte de uma coleção de mitos, lendas e contos de fadas reunidas pelo historiador Franz Caver von Schönwerth (1810-1886), na mesma época dos famosos irmãos Grimm.
Von Schönwerth passou décadas da sua vida entrevistando camponeses e trabalhadores rurais sobre hábitos, tradições, costume e história da região e transcrevendo tudo que lhe era contado. O historiador reuniu toda a sua pesquisa em um livro chamado Aus der Oberpfalz – Sitten und Sagen, que foi publicado em três volumes em 1857, 1858 e 1859, caindo na obscuridade logo depois disso.


Dos 500 contos de fadas descobertos, alguns são totalmente inéditos. Outros, são versões modificadas de contos famosos, como da Cinderela ou de Rumpelstiltskin.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A arte alemã através da tatuagem.


Fonte: Buena Vista Tattoo Club

As tatuagens abaixo são o resultado da pura arte. Os tatuadores Volko Merschky & Simone Pfaff estabeleceram uma nova estética de tatuagem, lembrando bastante algumas capas de HQ da atualidade ou, ainda, grafites de alta qualidade. O uso quase que religioso da cor preta e a aplicação de figuras geométricas, palavras (às vezes textos complexos), além de manchas e traços vermelhos tornam as obras únicas, donas de uma beleza diferente e cativante. Vejam e formem suas próprias opiniões. Caso gostem, vale a pena juntar uma graninha para viajar à Alemanha e, quem sabe, obter uma dessas:
















domingo, 15 de janeiro de 2012

Viajando pela leitura: conheçam 80 obras literárias (ou mais) pelo mundo


As culturas européia e estadunidense são muito influentes em nosso país. Lemos, assistimos e ouvimos o que é produzido por lá de forma massificante, tirando de nossa visão outras culturas tão ou mais interessantes. 
Visando divulgar um pouco mais do que existe pelo mundo (já disponível em nossas livrarias, em sua maioria), localizei uma iniciativa fantástica da Abril, onde vocês poderão descobrir novos títulos literários de várias regiões do planeta e, posteriormente, adquirir ou pesquisar mais sobre as obras. Acessem o link abaixo e divirtam-se nesta viagem empolgante e maravilhosa que, certamente, irá ampliar horizontes e mostrar que existe vida e cultura em outras partes do mundo (ao contrário do que muitos pensam).
Cliquem aqui: Educar para Crescer.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A invenção da paranoia


Umberto Eco mostra sua versão romanceada para a criação dos Protocolos dos Sábios de Sião


Em um romance, Umberto Eco traça a gênese do texto antissemita que influenciou o nazismo e o Hamas

Autoria: Nelson Ascher

Nada é o que parece, e todos sabem que até países aparentemente democráticos são de fato governados não por seus representantes eleitos, mas pelos verdadeiros donos do poder, que manipulam as finanças e a opinião pública por meio dos bancos e dos meios de comunicação. Trata-se de uma casta secreta e todo-poderosa que se reúne periodicamente para submeter a maioria e decidir os rumos do planeta. Essa é uma visão de mundo que, difundida à esquerda e à direita, não nasceu do nada. Tem origem e genealogia. Os suspeitos de integrar a casta em questão podem ser os membros de uma classe social, de um ou vários ramos profissionais (banqueiros e donos de jornal são hoje os favoritos), de um grupo nacional, regional, étnico, religioso. No último século e meio, ninguém foi tão insistentemente acusado quanto os judeus. E a peça-chave dessa acusação é um livrinho produzido pela polícia secreta da Rússia czarista e publicado no início do século XX: Os Protocolos dos Sábios de Sião, texto composto das supostas minutas de uma reunião na qual líderes judeus de toda parte traçam um plano comum de dominação global. O local dessa reunião é o cemitério judeu da capital checa, Praga, que dá título ao novo romance do italiano Umberto Eco, de 79 anos. A gestação dos Protocolos constitui o fio narrativo central de O Cemitério de Praga (tradução de Joana Angélica d´Avila Melo; Record; 480 páginas; 49,90 reais).
Eco faz questão de declarar que a maioria dos personagens e fatos com que trabalha são reais. Sua principal criação ficcional é o protagonista, um falsário natural de Turim chamado Simone Simonini, cujos diários autobiográficos, datados de 1897, recontam sua vida, desde a infância marcada por um pai revolucionário empenhado na unificação italiana até a velhice de gourmet na França. O personagem passa por eventos históricos como a Comuna de Paris e convive com personalidades como Sigmund Freud e o escritor Alexandre Dumas. A capacidade de forjar documentos de todo tipo o aproxima dos serviços secretos de diversas nações européias, bem como de militantes e conspiradores variados – os quais ele alternadamente auxiliará e trairá. E a tudo isso subjaz sua mentalidade paranóica e delirante, em parte herdada de um avô que via na Revolução Francesa a mão de conspiradores demoníacos, e em outra parte derivada de sua leitura apaixonada de autores românticos como Eugène Sue e o próprio Dumas.
 
Foi Sue que, ao imaginar em um de seus folhetins uma reunião conspiratória de jesuítas, criou o cenário que seria adaptado para outros objetivos pelo escritor Maurice Joly num livro que atacava Napoleão III – e o livro de Joly, por seu turno, serviria de base para a redação dos Protocolos. A farsa foi exposta pelo jornal inglês The Times já em 1921, quando Protocolos se espalhava epidemicamente pela Europa e pelos Estados Unidos (com 
o apoio ativo do industrial Henry Ford), servindo inclusive ao emergente movimento nazista. No entanto, para os que querem acreditar numa conspiração judaica internacional, nenhuma prova racional bastaria para invalidar os Protocolos. O livro é hoje um best-seller em países islâmicos, e a carta de fundação do grupo terrorista Hamas o cita como fonte cuja autoridade só é menor que a do Corão.

O Cemitério de Praga não se limita, claro, apenas à gênese dos Protocolos, tampouco é um tratado ou uma tese. É, antes, um romance criativo e habilmente estruturado, no qual Eco combina sua paixão antiga pelos folhetins românticos com a capacidade (refinada desde O Nome da Rosa) de escrever de acordo com estilos de outros tempos. E essa habilidade serve, afinal, para ressuscitar uma realidade histórica que, em nada alheia à nossa, contribui para desmascarar uma perigosa e destrutiva visão de mundo.

Esta resenha foi publicada originalmente na revista Veja, edição nº 2241, de 2 de novembro de 2011.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Conto: A experiência


Autora: Priscilla Rubia

 O martelo desceu mais uma vez.
         Voltou a chorar. Estava preso e não podia se mexer, mas pelo menos ainda podia chorar.
         Mais uma vez sentiu o martelo.
  Onde estava? – perguntou-se mais uma vez. Era um galpão? Um quarto? Estava escuro, não podia ver.
         Sentiu a pancada na cabeça de novo e de novo.
         Gritou. Como das outras vezes nada aconteceu. Respirou fundo e sentiu um odor. Um cheiro de coisa podre. De onde vinha esse cheiro? Por um segundo teve certeza de que o cheiro era dele mesmo.
         Sentiu as lágrimas descendo pelo rosto e em seguida mais uma pancada do martelo em sua cabeça.
         Estava no inferno, não estava? Não poderia pensar em outra explicação. Onde mais ficaria preso, sentado sem se mexer e tudo o que podia sentir era a dor, angústia e desespero? Só não podia entender porque estava no inferno. Não se lembrava de um motivo para isso. Tinha sido um bom menino, não tinha? Obedecia a mãe, bem, na maioria das vezes, mas isso era normal, não era? Às vezes mentia também, mas ora, todos mentem. Lembrou-se do dia que empurrou um amigo no lago. Só queria lhe pregar uma peça. Não sabia que o amigo não podia nadar. Graças a Deus que alguns adultos estavam por perto e salvaram o menino. Tomou uma bela surra do pai naquele dia, mas isso era normal também, não era? Não sabia.
         — Deus, por favor, me perdoe, não tive a intenção - mas tudo que obteve como resposta foi a pancada repetida em sua cabeça.
         Foi tomado pelo ódio. Se estava no inferno, onde estavam os malditos nazistas? Haviam o tirado de casa em uma noite e desde então não viu a mãe ou o pai. Se estava no inferno, eles teriam de estar ali. Eles mereciam, e como mereciam. Porém, estava sozinho. A sua única companhia era o barulho do martelo contra seu crânio.
         Gritou mais uma vez, só que não parou. Gritou o mais alto que pôde e depois disso gritou mais. Gritava o nome da mãe, do pai, gritava até os nazistas. Ver qualquer um seria bom. Ver uma luz qualquer vinda de uma abertura naquela negritude. Gritava enquanto chorava, enquanto o martelo ia e vinha, ia e vinha e nunca se cansava.
         Gritou e percebeu depois de um tempo que também estava rindo.
    Quando os nazistas deram-se por satisfeitos, pararam o equipamento e retiraram o menino da cadeira. Nos olhos da criança judaica, nada viram que representasse sanidade.
         Bom, o experimento estava completo.
         Ajoelharam o menino e o mataram.

A literatura brasileira em busca de difusão mundial


Publicado originalmente no Yahoo

Historicamente defasada, a difusão da literatura nacional no exterior ganhou um incentivo em 2011, com a reformulação do programa de estímulo à tradução da Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Anunciado em julho, durante a nona edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o novo programa prevê investimentos de R$ 12 milhões até 2020 na edição de obras brasileiras em outros países. Um dos objetivos imediatos do projeto é alavancar a participação do país em grandes eventos internacionais: nos próximos anos, o Brasil será convidado de honra das feiras de Bogotá, em 2012, Frankfurt, em 2013, e Bolonha (maior feira de livros infantis do mundo), em 2014.O primeiro edital do novo programa (com inscrições abertas no site www.bn.br) oferecerá R$ 2,7 milhões para a edição de obras nacionais no exterior até agosto de 2013, dois meses antes da presença do Brasil como país convidado no maior evento editorial do mundo, em Frankfurt.
Articulação entre instituições
Em entrevista ao GLOBO em julho, o presidente da feira, Juergen Boos, elogiou o programa de tradução, mas ressaltou que o sucesso da participação brasileira ainda exige mais articulação entre governo e editoras e intercâmbio com instituições culturais alemãs.
A internacionalização da literatura brasileira foi discutida também na 25ª Bienal do Livro do Rio, quando a FBN organizou uma exposição sobre a tradução de clássicos como Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Mas o tamanho do desafio foi ilustrado pela informação, divulgada durante o evento pela organização da Feira de Frankfurt, de que as editoras alemãs têm hoje apenas 61 títulos brasileiros em catálogo – 30 deles de Paulo Coelho.
Veja mais alguns destaques do meio editorial em 2011:

BIENAL NO LIMITE: Realizada em setembro, a 25ª Bienal do Livro do Rio teve o maior público de sua história, 670 mil visitantes em 11 dias. A feira teve faturamento recorde de R$ 58 milhões (12% a mais que a anterior), mas a confusão e os problemas de infraestrutura nos dias mais movimentados levaram a organização a afirmar que o evento atingiu sua capacidade máxima.

PENGUIN NO BRASIL: Em dezembro, a Companhia das Letras anunciou que a britânica Penguin, com a qual é associada desde 2009, comprou 45% das ações da editora brasileira. O acordo segue uma tendência de participação crescente de grandes grupos editoriais estrangeiros no Brasil: nos últimos anos, aportaram no país as espanholas Planeta e Santillana e as portuguesas Leya e Babel. O impacto da parceria no mercado brasileiro poderá se fazer notar sobretudo nas áreas de e-books e didáticos, dois focos do conglomerado editorial Pearson, dono da Penguin.

RUBENS FIGUEIREDO: Um dos principais tradutores do país, Rubens Figueiredo obteve reconhecimento também como escritor neste ano. Seu romance “Passageiro do fim do dia” (Companhia das Letras) recebeu duas das maiores distinções literárias nacionais: o Prêmio São Paulo de Literatura e o Portugal Telecom. Além disso, Figueiredo publicou em dezembro, pela Cosac Naify, a primeira tradução brasileira feita diretamente do russo de “Guerra e Paz”, de Tolstói.

CECÍLIA MEIRELES: Com reedições paralisadas há anos por uma disputa judicial entre herdeiros, a obra de Cecília Meireles pode voltar às livrarias em 2012. A editora Global anunciou em dezembro a compra de parte do catálogo da poeta – e ainda dos de Manuel Bandeira e Orígenes Lessa. Depois do anúncio, porém, o advogado de uma das filhas de Cecília contestou o acordo e afirmou que a questão não está resolvida nos tribunais.

P.S.:  a previsão para a próxima Bienal do livro no Rio de Janeiro é de 29 de agosto a 08 de setembro de 2013. Mantenham-se informados sobre o evento pelo site da Bienal do Livro.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Michael Fassbender conversa sobre participação em Robocop


Por Kíssila Machado 
 
Após o anúncio da MGM de que o estúdio faria um remake do clássico oitentista “Robocop – O Policial do Futuro” e a subsequente divulgação de que o brasileiro José Padilha (“Tropa de Elite“) seria o responsável por dirigir o longa, a especulação passou a ser sobre quem tomaria o manto do policial Alex Murphy. Em setembro deste ano, Padilha expressou em uma entrevista seu desejo de ver o ascendente ator Michael Fassbender (intérprete do vilão Magneto em “X-Men: Primeira Classe“) no papel principal, mas até então isso tudo era apenas um desejo do diretor.
Agora as especulações começam a tomar forma: durante uma entrevista ao site de entretenimento Collider para divulgar seus novos filmes “A Dangerous Method” e “Shame”, Fassbender falou sobre a possibilidade de interpretar o icônico personagem no filme da MGM e afirmou que irá ler o roteiro e conversar com o diretor, mas que nada é certo e a participação pode não acontecer. O ator também afirmou que esse não é um personagem que ele sente um profundo desejo ou necessidade de interpretar nos cinemas, e que isso nunca aconteceu com ele em relação a nenhum personagem, mas que está sempre aberto a novos projetos contanto que tenham um roteiro interessante.

Leia a reportagem na íntegra em Cinema com Rapadura

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Cinco livros para iniciar o estudos sobre o nazismo


Debruçar-se sobre livros é regra para quem deseja estudar um conteúdo histórico. Contudo a tarefa não precisa se restringir a livros didáticos e apostilas escolares. O professor de História Cristiano Catarin explica que a leitura de romances é um ótimo aliado para os alunos, que podem entender melhor o contexto da época estudada de uma forma agradável. "Os romances também são importantes fontes para estudar e investigar a História, desde que sejam tratados com critério e não considerados, pelos alunos, professores e pelos próprios historiadores, como recurso exclusivo", afirma ele, que também é criador do blog História para Estudantes.
O professor da rede pública de São Paulo considera a literatura uma boa alternativa para atrair os estudantes a visitar o cotidiano de personagens não emblemáticos ou popularizados pelas publicações didáticas mais específicas. De acordo com ele, o nazismo é tema de um vasto número de títulos. Confira algumas dicas de livros sobre esse período da história que podem ocupar aquele espaço vazio na sua cabeceira:
A Menina que Roubava Livros
Publicado em 2006 pelo australiano Markus Zusak, o livro conta a história de uma garota que fora adotada em 1939 por uma família alemã que residia na cidade de Molching, na Alemanha, antes de ser atingida pelos horrores da guerra. Neste contexto, a menina Liesel procura entender, dentre outras questões, a presença de um homem judeu que vivia escondido no porão da casa.
Para o professor Cristiano Catarin, o romance é importante pois revela que nem todos os alemães eram a favor do movimento nazista. Além disso, a partir do olhar de Liesel, o leitor consegue compreender o cotidiano de uma família que era contra o nazismo e a vida de uma pessoa pertencente a uma etnia que fora terrivelmente perseguida pelo sistema. "Esses aspectos contribuem para a assimilação dos estudos históricos desta temática", diz o professor. Para fugir de uma realidade sofrida e cheia de bombardeios, Liesel busca refúgio na leitura, e é a partir daí que ela começa a roubar livros.


1984
Apesar de não falar do nazismo diretamente, o professor Catarin considera o romance de George Orwell como uma boa metáfora para os estudantes entenderam como funcionava a dominação do governo no período nazista. O livro conta a história de Winston Smith, um membro do partido totalitário IngSoc que tomou o poder da Oceania (país criado pelo autor) a partir da figura do Grande Irmão (Big Brother), personalidade maior do partido político.
O trabalho de Winston como funcionário do Ministério da Verdade é reescrever e alterar dados históricos de acordo com o interesse do partido. Dessa forma, o Grande Irmão conseguia manipular o pensamento do povo, fazendo-o odiar o inimigo que o partido quisesse. "O autor também retrata o pessimismo contido na humanidade do pós-guerra", destaca Catarin.

A Estrada de Flandres
Publicado pela primeira vez em 1961, o autor Claude Simon aborda em seu romance a morte de um aristocrata e capitão da cavalaria na Segunda Guerra Mundial. O Capitão de Cavalaria De Reixach foi morto por um atirador alemão na Estrada de Flandres. Antes, indiferente ao perigo que o cercava, o capitão seguia passo a passo com o que restava de sua tropa: ele, um suboficial, o ordenança e um cavalariano, narrador deste romance.
Para o professor, o romance é uma ótima leitura, pois mostra a derrota da França pelos nazistas em 1940. "A obra considera ainda concepções e perspectivas sobre o suicídio, o morrer, o criar, o procriar, a memória, etc. Algo denominado pelo autor como aprendendo a viver e aprendendo a morrer", afirma.

O Menino do Pijama Listrado
Do autor John Boyne, o livro mostra a história de uma família nazista sobre a perspectiva de um menino de 9 anos, Bruno. Filho de um oficial nazista, Bruno não sabe nada sobre o Holocausto, apenas lamenta que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa de Berlim e mudar-se para uma região isolada (onde seu pai podia controlar um campo de concentração). Da janela do seu quarto, o menino conseguia ver uma cerca, onde viviam centenas de pessoas vestindo sempre uniforme. Ao ir até lá escondido, Bruno começa uma amizade com um menino "de pijama listrado".
Ao mesmo tempo em que mostra a vida da família do oficial nazista, o romance narra as descobertas de uma criança sobre os horrores da guerra. O sucesso do livro foi tanto que a história saiu das páginas e foi parar nas telas: o livro foi adaptado para o cinema pelo diretor Mark Herman, em 2008.


O Diário de Anne Frank
O livro não é ficção, e sim um pedaço da realidade judaica em tempos de guerra. Escondida com sua família e outros judeus em um porão em Amsterdam durante a ocupação nazista nos Países Baixos, Anne Frank conta em seu diário a vida deste grupo de pessoas. Pelo olhar dessa menina de 13 anos, o leitor consegue entender os anseios de um judeu durante a Segunda Guerra Mundial.
O esconderijo foi descoberto em 1944, e Anne Frank morreu em um campo de concentração. Otto Frank, seu pai e único sobrevivente da família, publicou o diário da filha em 1947.


Relembro que estes livros são apenas o início de um estudo sobre o nazismo, sendo quase todos ficção, ainda que com conteúdo. Caso queira um aprofundamento maior, procure obras de Eric Hobsbawn, Leon Goldensohn – As entrevistas de Nuremberg e outros títulos do gênero, preferencialmente escritos por historiadores. Nas HQ, Maus é um ótimo exemplo de história em quadrinhos com boa base histórica. Além disso, para os usuários de TV paga, há o canal History. Contudo, lembre-se que os melhores materiais são os produzidos por profissionais da área de História, pois os livros citados são uma forma de incentivar a pesquisa.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Resenha Livro - Máfia: padrinhos, pizzarias e falsos padres




Um assunto que já esteve mais em evidência, a Máfia italiana volta a ser abordada com seriedade neste livro.
Com uma escrita de fácil leitura (onde a narrativa assume um perfil de romance mesclado à reportagem), a autora traça um perfil da influência atual das máfias italianas (Camorra, ´Ndrangheta, Sacra Corona Unitá e a Cosa Nostra) não só em boa parte da própria Itália, como também na Alemanha. Ao contrário do país “governado” pelo Primeiro-Ministro Silvio Berlusconi e seu partido Forza Italia (apontado inicialmente como “colaborador” dos mafiosos e, ao final, como um deles) onde as leis são rigorosas contra criminosos envolvidos nestes clãs, a Alemanha mostra-se o palco ideal para a lavagem de dinheiro proveniente de cassinos, prostituição, tráfico de drogas, falsificação de roupas, assassinatos e outros crimes tão ou mais bárbaros. Evidencia-se que isso ocorre não em prol de uma possível aceitação da Máfia na Alemanha, muito ao contrário, mas por existir uma morosidade no sistema penal, onde, ainda que condenado, o indivíduo pode recorrer em diversas instâncias, em liberdade, o que leva o processo a arrastar-se por anos. Além disso, há certa descrença no poder político e financeiro das Máfias em solo alemão, motivando mais o avanço das “famílias”.
O livro descreve as perseguições pela qual a autora passou e ainda passa, o assassinato do juiz Giovanni Falcone, um dos maiores opositores ao crime organizado – passagem que choca pelo planejamento e o destemor dos assassinos -, a colaboração dos políticos, intimidação, colaboração da Igreja Católica (a maioria esmagadora dos mafiosos é católica), encontros com alguns boss e até a censura imposta ao livro (tarjas pretas em alguns trechos) por influência mafiosa, inclusive na edição brasileira.
Destacam-se, ainda, os depoimentos de familiares de mafiosos, ex-mafiosos (desertores) e até padres que apóiam os chefes, mostrando um intricado código de honra e a famosa lei do silêncio, a Ommertá, além de evidenciar os inúmeros colaboradores e sua influência em tribunais, na política, comércio e religião e, principalmente, as conseqüências de se opor a eles. Especial atenção é dada ao papel das mulheres nas “famílias”, onde além de mães e esposas, elas também são as responsáveis por transmitir os valores do clã e, em última instância, podem até influenciar na ordem de um assassinato.
Esqueça os estereótipos da Máfia. Aqui a verdade é vista sem maquiagens. O alerta dado é muito claro: o crime organizado italiano se expande e assume faces aparentemente legais, sem que isso implique em menos violência e mortes. O pior é saber que, tal qual na Alemanha, temos um sistema político corrupto, polícias mal remuneradas e leis vagarosas, tornando-nos um território mais do que propício para a proliferação dos negócios escusos.
Petra Reski, assim como Roberto Saviano, está sob ameaça de morte. Isto, contudo, não a impede de exercer ao máximo seu papel como repórter e, com coragem, apontar uma realidade cruel onde o poder e o dinheiro ditam as regras.
Por fim, devo dizer que este livro é indispensável para compreender um pouco mais dessa realidade vergonhosa e prevenir o leitor e as autoridades deste câncer que se espalha pelo mundo.
A autora nascida em 1958, na Alemanha, é jornalista e escritora. Recebeu em 2009 o prêmio Civitas por agregar valores ao jornalismo alemão.

Franz Lima
TÍTULO: MÁFIA: PADRINHOS, PIZZARIAS E FALSOS PADRES
ISBN: 8563876015
IDIOMA: Português. 240 páginas.
ANO EDIÇÃO: 2010
AUTORA:  PETRA RESKI
PREÇO: R$ 39,90

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