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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Calvin e Haroldo: as últimas palavras. Via Geek Vault.



Fonte: Geek Vault
Comentários: Franz Lima.

Uma emocionante história onde o fim da vida de Calvin é mostrado da forma mais impactante e poética possível. Lágrimas cairão, principalmente se você for, assim como eu, fã da famosa e saudosa dupla.
Senhoras e senhores, com vocês: Calvin e Haroldo - As últimas palavras.


“Calvin? Calvin, meu amor?”

Da escuridão Calvin ouviu o chamado de Susie, sua esposa há 53 anos. Deus, ele estava tão cansado e foi tão difícil abrir os olhos. Vagarosamente, a luz substituiu a escuridão, e logo e visão estava completa. No pé de sua cama estava sua esposa. Calvin molhou seus lábios secos e falou com a voz rouca, “Você…você o…encontrou?”
“Sim querido,” Susie respondeu com um triste sorriso, “Ele estava no sótão.”

Susie pegou dentro de sua bolsa e retirou um suave, velho e laranja tigre de pelúcia. Calvin não conseguiu evitar uma risada. Já fazia tanto tempo. Muito tempo.

“Eu lavei ele para você,” Susie falou, sua voz quebrando um pouco enquanto ela colocava o tigre de pelúcia perto de seu marido.

“Obrigado Susie.” Calvin respondeu.

Alguns momentos se passaram enquanto Calvin apenas deitava em sua cama no hospital, sua cabeça virada para o lado, olhando o antigo brinquedo com nostalgia.

“Querida,” Calvin finalmente falou. “Você se importaria me deixar sozinho com Haroldo por um tempo? Eu gostaria de conversar com ele.”
“Sem problemas,” Susie respondeu. “Eu vou comer algo na cafeteria. Volto logo.”

Susie beijou seu marido na testa e se virou para ir embora. Com uma repentina, mas suave força, Calvin a parou. Amorosamente ele puxou sua esposa e a deu um beijo apaixonado em seus lábios. “Eu te amo,” ele disse.

“E eu amo você,” responde Susie.

Susie virou e saiu. Calvin viu lágrimas saindo de seus olhos quando ela saiu pela porta.

Calvin finalmente virou para ver seu mais antigo e querido amigo. “Ola Haroldo. Faz um bom tempo não faz amigo?”

Haroldo não era mais um tigre de brinquedo, mas o antigo e peludo tigre que Calvin sempre se lembrou. “Sem dúvida faz, Calvin.” foi a resposta de Haroldo.

“Você…você não mudou nada.” Calvin sorriu.

“Já você, mudou muito.” Haroldo disse tristemente.

Calvin riu, “Verdade? Eu nem tinha reparado.” Teve uma longa pausa. Apenas o barulho de um relógio contando os segundos ecoando no quarto estéril do hospital.

“Então…você casou com Susie Derkins.” Haroldo falou, finalmente sorrindo. “Eu sempre soube que você gostava dela.”

“Fique quieto!” Calvin disse, seu sorriso maior que nunca.

“Me conte tudo que perdi. Eu adoraria ouvir tudo que você fez!” Haroldo disse, empolgado.

Então Calvin contou tudo. Ele contou como ele e Susie se apaixonaram no colegial, como eles se casaram logo após a faculdade, contou sobre seus 3 filhos e seus 4 netos, como ele transformou Space Spiff em uma das mais populares novelas de ficção científica, e por aí vai.

Depois que ele disse tudo isso para Haroldo, ocorreu mais um silêncio impregnante.

“Você sabe…eu te visitei no sótão várias vezes.” Calvin disse.

“Eu sei.”

“Mas eu nunca consegui te ver. Tudo que eu via era um animal de pelúcia.” a voz de Calvin estava quebrando e lágrimas de arrependimento começaram a cair de seus olhos.

“Você cresceu amigão.” disse Haroldo.

Calvin começou a soluçar, abraçando seu melhor amigo. “Me desculpe! Por favor me desculpe por quebrar a minha promessa! Eu prometi que nunca ia crescer e que iríamos ficar sempre juntos!”

Haroldo  acariciou o cabelo de Calvin, ou o pouco que ainda restava. “Mas você não quebrou.”

“O que você quer dizer?”

“Nós sempre estivemos juntos…em nossos sonhos.”

“Nós estivemos?”

“Nós estivemos.”

“Haroldo?”

“Sim amigão?”

“Estou tão feliz por poder te ver assim….uma última vez…”

“Eu também Calvin, eu também.”

“Amor?” A voz de Susie veio do outro lado da porta.

“Sim querida?” respondeu Calvin.

“Posso entrar?” perguntou Susie.

“Só um minuto.”

Calvin virou para ver Haroldo uma última vez.

“Adeus Haroldo. Obrigado…por tudo…”

“Não, eu que te agradeço Calvin.” respondeu Haroldo.

Calvin virou para a porta e falou, “Pode entrar agora.”

Os filhos e netos de Calvin seguiram Susie no quarto dele. O neto mais novo correu por todos eles e abraçou o seu avô de uma forma forte e empolgada. “Vovô!” gritou a criança.

“Francis!” gritou a filha de Calvin, “Seja gentil com seu avô.”

A filha de Calvin virou para seu pai e disse “Me desculpe papai. Francis não está se comportando esses últimos dias. Ele apenas corre fazendo bagunça e vindo com histórias estranhas.”

Calvin riu e disse, “Ora, isso está parecendo como eu era na sua idade.”

Calvin e sua família conversaram mais um pouco até quando a enfermeira chegou e disse, “Me desculpem, porém a hora de visita está praticamente terminando.”

A amorosa família de Calvin disse tchau e prometeu voltar no dia seguinte. Assim que eles estavam saindo Calvin disse, “Francis. Venha aqui um segundo.”

Francis ficou ao lado de seu avô, “O que foi vovô?”

Calvin pegou o antigo tigre de pelúcia e o entregou, tremendo para seu neto, que era extremamente parecido com ele tantos anos atrás.

“Esse é Haroldo. Ele foi meu melhor amigo quando eu tinha sua idade. Gostaria que você o tivesse.”

“Mas ele é apenas um tigre de pelúcia.” Francis disse.

Calvin riu, “Bom, deixe-me te falar um segredo.”

Francis chegou mais perto de Calvin. Calvin sussurrou, “se você o pegar em uma armadilha para tigres, utilizando um sanduíche de atum como isca, ele vira em um tigre real.”

Francis olhou com admiração. Calvin continuou, “Não apenas isso, ele será seu melhor amigo para sempre.”

“Wow! Obrigado vovô!” Francis disse, abraçando seu avô fortemente novamente.

“Francis! Nós precisamos ir agora!” chamou a filha de Calvin.

“Okay!” Francis gritou.

“Cuide bem dele.” disse Calvin.

“Eu vou.” Francis disse, antes de correr com o resto de sua família.

Calvin deitou e ficou olhando para o teto. O tempo estava chegando. Ele conseguia sentir em sua alma. Calvin tentou lembrar uma frase que ele leu em um livro uma vez. Falava algo sobre a morte ser apenas a próxima grande aventura, ou algo do tipo. Seus olhos ficaram pesados e sua respiração ficou mais lenta. Enquanto ele ia finalmente para seu sonho final, ele ouviu Haroldo, como se estivesse logo ao lado dele na cama. “Eu vou cuidar dele, Calvin…” Calvin deu seu primeiro passo para mais uma aventura e teve seu último respiro com um sorriso em sua face.

Texto atribuído a Interciso Mateus

sábado, 30 de agosto de 2014

Christopher Reeve & Robin Wiliams. Cenas de uma amizade real.



Infelizmente a morte alcançou estes dois ícones do cinema. Mas as imagens deste post servem para ilustrar uma amizade que não foi rompida pela distância ou barreiras. Robin e Christopher foram grandes amigos e estiveram lado a lado, mesmo nos momentos mais difíceis. Belo exemplo!












quinta-feira, 18 de julho de 2013

Resenha da Graphic Novel 'Turma da Mônica: Laços", por Filipe Gomes Sena.



Por: Filipe Gomes Sena.

No ano passado uma das minhas contribuições para o Apogeu foi uma resenha sobre a primeira publicação do selo Graphic MSP: Astronauta – Magnetar. Lembro que na época eu desejei muito que saísse logo a próxima graphic novel do selo. Eis que no fim do mês passado a espera acabou. Foi lançada a mais nova releitura dos personagens mais famosos de Maurício de Sousa. Estou falando de Turma da Mônica – Laços, dos irmãos Victor e Lu Cafaggi.
A primeira coisa que devo dizer é que a qualidade excepcional dos volumes continua. Como aconteceu com o Astronauta, a história da Turma vem em um volume de pouco mais de 80 páginas com capa dura ou capa cartonada. Como da outra vez eu adquiri o volume em capa cartonada pelo justíssimo preço de R$19,90.
Laços é uma história emocionante. Tentei arrumar outras formas de definir, mas não consegui encontrar palavras melhores. A sensação que eu tive ao ler essa HQ não lembro de ter tido com qualquer outro quadrinho. O enredo é muito simples: Floquinho, cachorro de estimação de Cebolinha foge e se perde, a Turma então decide sair pra encontrá-lo, se metendo em uma aventura no maior estilo dos filmes oitentistas. Mas, como em Magnetar, o enredo simples não é o maior mérito da obra. Mas sim a forma como ela é contada. Digo mais, em Laços tudo é contado da forma mais simples e pura possível, por que aqui a verdadeira joia são justamente Mônica, Magali, Cascão e Cebolinha.
Apesar de conhecermos esses quatro personagens desde sempre, somos apresentados a uma visão diferente de cada um. Mas por mais diferentes que eles possam parecer à primeira vista, eles nos são extremamente familiares. Eu mesmo nunca parei pra pensar que por trás dos infinitos planos infalíveis de Cebolinha estava uma criança extremamente inteligente e criativa que, com muito poucos recursos, consegue fazer armações mirabolantes só pra conseguir dar fim a um coelho. Cebolinha é inteligente, mas também é retratado como um menino um pouco introspectivo e tímido, características comuns em muitas pessoas inteligentes. E essas características dialogam muito bem com as do seu inseparável amigo. Cascão é um sidekick no melhor sentido da palavra. A função dele não é só ajudar Cebolinha com os planos infalíveis, fica claro que, em várias ocasiões, a presença dele foi fundamental pra que Cebolinha não desanimasse, inclusive pra não desistir de ir atrás de Floquinho.
Outro personagem que ficou muito interessante foi Magali. O jeito distraidamente gentil da menina chama a atenção, justamente por ser uma menina meio desligada a dinâmica dela é muito boa com todo o grupo, fazendo o contraponto com a preocupação excessiva de Cebolinha, os momentos de falta de coragem de Cascão e o jeito mal humorado da Mônica. Inclusive ao conhecer essa Mônica abri meus olhos para um detalhe: de como essa garotinha mal humorada, com temperamento explosivo e fisicamente mais forte que as outras crianças pode ter problemas pra se socializar. Em alguns momentos fica claro que Mônica não se dá tão bem com as outras crianças como com os amigos. Isso fica mais evidente no final, quando aparece um flashback mostrando como os quatro se conheceram, não só isso, no final fica claro por que todos se esforçam tanto pra achar o cachorro perdido.

Mas é com absoluta certeza que eu afirmo: Laços não seria tudo isso se não fosse pela arte dos irmãos Cafaggi. Ela se combina maravilhosamente bem com a história . Toda a arte foi feita pelos dois, com as cores de Priscilla Tramontano (também conhecida nas internets como Pr1ps), mas na história principal quem assume a arte é Victor, com sua irmã trabalhando na finalização. Lu assume nas páginas dos flashbacks, e foi nelas que eu me emocionei mais. Eles não servem só pra contar o que se passou antes, eles servem pra conectar emocionalmente o leitor com o resto da história.

Além disso, Laços é carregado de referências e easter eggs. Também traz de uma forma um pouco mais realista coisas como o medo que Cascão tem de banho e o fato de apenas Cebolinha aparecer o tempo todo de sapatos. Isso somado com a aparição de alguns personagens secundários muito conhecidos, como Jeremias e Xaveco, além de boas doses do bom humor que deixou famosas as histórias da Turma. E no final ainda tem algumas páginas de material extra com as primeiras versões dos personagens, rascunhos e algumas coisas sobre as primeiras versões do roteiro.
Por fim eu posso dizer que Turma da Mônica - Laços é uma HQ excelente que ultrapassou todas as expectativas que eu poderia ter e me deixou querendo mais. Não faço ideia de quando a próxima graphic novel do selo Graphic MSP vai sair, mas eu posso arriscar que vai ser mais uma obra espetacular, restanto-nos, como sempre, só esperar e comprovar.... e eu, logicamente, comentar aqui.



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