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domingo, 2 de março de 2014

Cidade japonesa recebe exemplares de 'O diário de Anne Frank' após vandalismo em bibliotecas.


Uma recente notícia sobre vandalismo chocou o Japão e o mundo. Em vários distritos da cidade japonesa de Tóquio, vândalos destruíram exemplares do clássico 'O diário de Anne Frank', livro que relata os dias de claustro da menina Anne Frank que, infelizmente, não sobreviveu ao campo de concentração de Bergen-Belsen.
Considerado um clássico por sua intensidade e pela abordagem tensa, dramática e triste das agruras que o nazismo trouxe, em especial à menina e sua família, 'O Diário' é uma obra obrigatória quando o assunto é a perseguição aos judeus pelo regime nazista.
A ação dos vândalos mostrou que a sombra de pensamentos arcaicos e preconceituosos ainda paira sobre a humanidade. Não se trata apenas da destruição de livros, mas do desrespeito aos que querem  ter ciência sobre o que está relatado nas obras. Ninguém tem o direito de queimar livros, pois tal atitude sempre foi o primeiro pensamento de ditadores e dominadores que queriam apagar as culturas dominadas: eliminar a fonte de cultura  - leia-se bibliotecas - dos povos.
Vejo muito mais que um ato de vandalismo na destruição dos livros. Vejo uma afronta ao pensamento livre e ao direito de expressão. Muitos tentaram censurar e tirar essa e outras obras de circulação, mas nunca sairão vitoriosos.
Uma prova disso foi o envio de um quantitativo suficiente de obras para suprir aquelas que foram atacadas nas bibliotecas dos ditritos. Os livros foram enviados para Tóquio através de uma iniciativa da embaixada israelense no Japão.


quinta-feira, 10 de maio de 2012

A prepotência de um colunista: os 10 livros mais lidos do mundo.


O que vocês lerão abaixo é a íntegra de um artigo publicado pelo jornalista André Forastieri. no site da  Record (R7). Esse artigo é baseado em uma lista com os 10 livros mais lidos no mundo desde a década de 1950. Era para ser um artigo interessante, comentado pelo autor com base em sua opinião sobre os livros ou, no máximo, com informações de quem os leu, seja crítico ou não. Infelizmente, o que me deparei foi com um texto escrito pelo suposto dono da verdade, movido por um rancor literário gigantesco. Embasado ou não, o descaso dele por algumas das obras citadas é extremamente deselegante, para não chamar de preconceituoso. 
Agora publico o artigo para que tirem suas próprias conclusões. Após o término das palavras de Forastieri, farei as minhas observações sobre os livros, porém antecipo que o colunista esqueceu que, bom ou ruim, clássico ou não, o papel principal de um bom livro é levar à leitura de outro.

Você vê a lista de dez livros bestseller da semana e se sente na obrigação de ler? A lista das dez canções que estão bombando, e acha que devia ouvir? As maiores bilheterias do momento te fazem correr para o cinema?
Como reagir, então, à lista dos dez livros mais vendidos? Do planeta? Nas últimas cinco décadas? Eu não li todos. Desconfio que pouquíssima gente leu todos. Você pode encontrar a lista original aqui.
Eu li a Bíblia, primeiríssimo lugar, 3.9 bilhões de exemplares vendidos! Foi entre a quarta e a sexta série, quando eu ainda ia na missa. Pulei uns pedaços. Mas alguns trechos reli várias vezes, da última vez já no século 21. Uns pelos outros, considero que li inteira.
É um livro longo, escrito por muitas pessoas diferentes, em um período de centenas de anos, e editado durante outro longo tempo por outras tantas pessoas. A versão definitiva ou quase é de 393 D.C., em grego, resultado do Sínodo de Hipona, África, Agostinho presente. Deu origem à posterior Vulgata, primeira Bíblia em latim, ainda a versão usada pela Igreja Católica, com uns aparinhos. Pouco menos de um terço dos seres humanos vivos acreditam que a Bíblia tem inspiração divina.
Li o Livro Vermelho de Mao-Tsé-Tung, um segundo lugar distante, 820 milhões de exemplares. Incrivelmente, ele teve status quase divino enquanto reinou na China vermelha. Li na faculdade, e reli depois comparando com uma coletânea de ensinamentos de Confúcio. Pensando bem, vale outra releitura:  deve ser bem útil para entender a China moderna, o que todo mundo deveria tentar.
Harry Potter, fucei as primeiras 40 ou 50 páginas do primeiro livro. Deu para entender o apelo daquele primeiro estouro. Não deu para entender o tamanho ou permanência do sucesso: 400 milhões de exemplares vendidos (a série toda). O Senhor dos Anéis, para surpresa dos amigos, só encarei o primeiro trecho de O Retorno do Rei, o último da trilogia, edição porcalhona da Artenova, aos 17 anos. Não entendi nada e nunca me ocorreu ler a série completa.
O Alquimista (enfim, o Brasil chega ao pódio!) eu li ano passado. Foi o primeiro Paulo Coelho que terminei. É uma fábula, e se insere organicamente numa longa tradição, que vem de tempos ágrafos. Está no território das Mil e Uma Noites, de Jorge Luiz Borges e das historinhas que todo pai inventou para ninar seu filho. Por isso, não adianta se encher de orgulho nacionalista: O Alquimista não é brasileiro, é universal.
O Código Da Vinci detonei do começo ao fim em uma tarde. Parece um filme de Hollywood, ou seja, previsibilíssimo. Eu já sabia um monte de coisas sobre a lenda da linha sanguínea de Cristo, Templários, Sang Real etc., então as grandes surpresas não me surpreenderam em nada, e adivinhei quem era o vilão na página que ele apareceu.
A Saga Crepúsculo, bem, não sou menina e não tenho 12 anos, reais ou imaginários. E o Vento Levou, visto o filme, o que resta? Melhor que Clark Gable e Vivian Leigh, não será. Think and Grow Rich, de Napoleon Hill, eu nunca ouvi falar! Soa autoajuda pra americano. Quem pensa, não tem tempo para ficar rico... vou dispensar.
Finalmente, O Diário de Anne Frank: penso ter lido, mas só lembro das desgraças, e nada da história. Vi o filme? Tenho a sensação horrível de claustrofobia, Anne e a família se escondendo dos nazistas no sótão. É história real do começo ao fim, com pouco ou nenhum espaço para interpretação ou fantasia, e dolorosamente real. Felizmente esqueci todos os detalhes.
Leio dois, três livros por mês, fora as coisas de trabalho. É pouquíssimo perto do que já foi. É o que a vida e as prioridades permitem. Se cabeça e olhos permitirem, me resta tempo para ler mais uns mil livros nos próximos quarenta anos (não morro antes dos 87!). A perspectiva já me intimidou; seleção rigorosa parecia obrigatória. Logo relaxei e voltei a ler por prazer. Voltei a frequentar sebos. Leio livre. Ignoro canônes, buchichos, listas dos mais vendidos. É um dos meus maiores prazeres.
Temo por um futuro sem livros. Ou mesmo um futuro em que eles sejam pouco importantes. As novíssimas gerações não parecem ter paciência para atravessar centenas de páginas sem botões para premer, em especial os meninos. Bem, os livros chegaram às massas a menos de cem anos; a maioria das pessoas continua passando bem sem eles.
Meus poderes proféticos não são capazes de delinear um mundo em que livros serão só peças de colecionador. Mas minha bola de cristal garante: daqui a um século, no início do século 22, destes dez, só um continuará sendo lido e continuará influente. E você não precisa acreditar em Deus para acreditar em mim.

Concordam com o colunista? Bem, em muitos pontos eu discordo ou tenho algo a acrescentar ou excluir. Eis a minha visão sobre a lista (já

A Bíblia é um verdadeiro manual de comportamento. Contudo, a compilação do Velho e do Novo Testamento acabam por se contradizer. Um prega o rigor ao punir, ao passo que o outro livro prega o amor ao pecador. Há explicações para estas divergências (principalmente por se tratar do mesmo Deus), mas o que mais me preocupa é a atribuição de "verdade absoluta e incorrigível" que o livro ganhou. Caso você seja cristão, certamente irá afirmar que a Bíblia É a palavra de Deus e, por fim, você está certo. Entretanto, é preciso que saiba que o fato de estar correto sobre o que acredita ser a Bíblia não implica em dizer que os que cultuam outros livros (livro de Buda, o livro dos espíritos, o Talmude, etc) estejam errando. 
Tenha sua crença e não "crucifique" as outras. Cada uma das religiões - e suas leis - tem um papel especial no plano de Deus.
Não li o Livro Vermelho de Mao Tsé, mas concordo com sua importância para ajudar a  compreender a atual China, ainda que ele não seja uma referência única.
A série sobre o bruxo Harry Potter foi abordada pelo jornalista com base em 50 páginas lidas. Não vou sequer discutir com alguém que critica tendo por base "impressões". A saga do bruxo que cresceu junto com seus fãs foi muito bem estruturada, mas tem suas lacunas, o que não tira o brilho e a importância de livros que influenciaram uma geração a gostar de leitura. 
A trilogia Senhor dos Anéis foi outra crítica que me surpreendeu pelo vazio de conteúdo. O carinha pega o último livro, lê uma meia dúzia de páginas e espera compreender algo. Como diria o Capitão Nascimento: "O senhor é um brincalhão".
André critíca O Alquimista dizendo tratar-se de literatura universal, não uma produção brasileira. Usar referências não tira o mérito de quem produziu a história ou a parábola. O que dizer então de Drácula, baseado na vida de Vlad Tepes e também em mitos de várias partes do mundo sobre o vampiro? O uso desta mitologia universal tira o mérito de seu autor, Bram Stoker? 
O Código da Vinci teve uma das análises mais engraçadas que já li. Forastieri afirma que o livro é previsível e que ao usar de informações acessíveis, acabou perdendo muito de sua graça. Eu acredito que, mesmo com informações já divulgadas, o grande público não sabia nada sobre estas curiosidades. O livro foi bem elaboradao e tem como principal mérito o incentivo ao estudo de História da Arte e o aumento das visitas e pesquisas sobre os pontos turísticos citados.
Crepúsculo é algo que também não vou comentar, uma vez que não li os livros -  porr ser realmente uma literatura mais voltada ao público adolescente - e não me interesso pela abordagem da autora sobre os vampiros. Mas volto a frisar que ela atingiu seus objetivos ao vender excepcionalmente e ao estimular a leitura e a imaginação de jovens leitores.
Quanto ao livro E o vento levou, outro que não li, mas vi o filme, fico ainda com a máxima de que dificilmente um filme irá superar o livro em que foi inspirado.
Think and grow rich é algo que parece realmente ser de auto-ajuda. 
Finalizando as comparações, o jornalista disserta sobre O Diário de Anne Frank que é um livro realmente difícil de ser lido, não em função do que está escrito, mas por aquilo que é revelado: a maldade do ser humano em toda a sua essência.
Mas o texto dele tem um ponto muito importante, onde Forastieri enfatiza que a leitura deve vir do prazer, da vontade de ler. Leituras obrigatórias, movidas por "listas" e determinações, acabam se tornando enfadonhas, chatas. Um livro deve gerar prazer e cultura, nunca tédio.
Quanto à permanência da Bíblia na relação do século vindouro, isto é algo previsível em um mundo com maioria cristã. Mas alguém esqueceu de citar que o Islamismo é a religião que mais cresce no mundo...
Porém tenho que admitir uma coisa: André Forastieri estimulou a leitura e provocou a polêmica, atingindo o objetivo que ele queria.
Franz Lima
 



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