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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Westworld: Fan Arts de rara beleza.





O sucesso de uma série do porte de Westworld não poderia jamais passar em branco no mundo das ilustrações. Logo, uma série de artistas espalharam suas obras em homenagem a um dos mais promissores seriados dos últimos anos. O sucesso é certo e só dependerá da coerência de diretores e roteiristas para manter a mesma narrativa de qualidade.
Até 2018! 
















sábado, 10 de dezembro de 2016

Westworld sexto episódio: quando o inimigo mora ao lado.


O ciclo narrativo de Maeve se repete. Mas há algumas coisas diferentes nela. A persistência de sua memória é visível, inclusive no destemor ao provocar um convidado a matá-la. Tudo, porém, tem um propósito em suas ações e ela alcança seu intento.

Leiam antes as resenhas dos episódios anteriores:  S01E01S01E02S01E03, S01E04 e S01E05.

O desenrolar do anfitrião perdido comprova a teoria de que há espiões desviando dados do parque. O propósito? Nada é esclarecido, mas Bernard e Elsie sabem como rastrear quem está por trás dessa traição.

Texto: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.
Nesse ponto, o espectador mais atento provavelmente notou uma homenagem ao filme homônimo de 1973. Um androide parado no canto de uma parede usa as mesmas roupas e pose do androide da produção original, interpretado por Yul Brynner.


A história prossegue e mostra o conflito de Felix, um dos responsáveis pela manutenção e recuperação dos androides, com Maeve. Esse é um conflito de ideias, pois Felix não compreende as mudanças que ela apresenta. Como, questiona-se, é possível ela despertar sozinha e manter suas memórias? Apesar disso, Felix não resiste ao encanto de Maeve. Seja por medo ou por carência, ele decide levá-la aos principais locais de construção dos anfitriões. A cena é triste, tendo ao fundo o som de um violino, cheia de insensibilidade por parte dos que constroem e fazem a manutenção. O lugar é frio, indiferente às “vidas” que estão nele contidas. A interpretação de Thandie Newton é impecável. O choque ao se deparar com a mentira vivida, o horror em seus olhos quando compreende que sua história é uma farsa. Essas cenas são mais impactantes que a violência comum ao seriado, já que a dor da personagem está estampada em seus traços e olhos. É a constatação de que nada estava sobre seu controle. 

E por falar em controle, voltamos a nos deparar com o Homem de Preto e Ted. Eles estão juntos na caça por Wyatt, cada qual com seu motivo, e são surpreendidos quando entram disfarçados em um acampamento militar. Entretanto, a surpresa maior está no surgimento de uma faceta de Ted que ninguém imaginava. E dúvida surgem com essa nova personalidade. Será que Ted é Wyatt? As lembranças vem e voltam com rapidez, confundindo o espectador a todo instante. Tal como acontece com Dolores, Ted também tem lampejos de sua vida passada ou ao menos é o que o diretor quer nos incitar a acreditar.

Descobertas acontecem em um ritmo que choca. Bernard e Elsie encontram a fonte de transmissão de dados usada pelos espiões. Bernard também encontra um local que é reservado apenas para Ford, uma espécie de retiro onde o criador do parque passa alguns momentos perto de pessoas que lhe são caras. É nesse ponto que percebemos que Arnold não é o homem apontado na foto antiga com Ford. Logo, quem será o misterioso sócio de Ford, falecido há anos? E por que ele não apareceu na foto?

Theresa e Bernard se reencontram após encerrarem de forma abrupta o caso que tinham. O motivo está na desconfiança de Bernard sobre certas ações de Ford. Segredos surgem e mostram que as aparências enganam e, além disso, evidenciam que é difícil confiar quando interesses são postos acima do dever. Bernard é um homem de princípios e ele não aceita atitudes incompatíveis com a ética de seu trabalho. Já Theresa se mostra uma mulher decidida, forte e ciente de seus atos... certos e errados.

Novas entrelinhas são apresentadas ao público e confirmam a presença de Arnold até em anfitriões teoricamente sob o controle de Ford. Essa constatação deixa no ar uma questão: será Arnold um programa residente capaz de controlar os anfitriões e burlar os sistemas de segurança do parque? E se for, o que o impede de desvincular os androides de suas seguranças digitais e permitir que tomem o parque?

Retornamos à cena em que Elsie vasculha o ponto de envio de dados. Lá, ela descobre um fato assombroso, mas ela não é a única pessoa nesse lugar remoto.

Maeve está decidida a remover suas amarras. Com a ajuda de Felix e Sylvester, este não tão cooperativo, ela recebe um upgrade em sua programação comportamental e cognitiva. Uma nova Maeve surge para dar um ar ainda mais caótico à narrativa de Westworld.





quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Westworld - quinto episódio.Saindo do cárcere digital.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leiam antes as resenhas dos episódios anteriores:  S01E01S01E02S01E03 e S01E04.

Um pouco mais da vida de Ford é revelado através de um inteligente diálogo com o velho cowboy que permanece isolado no porão, o local do descarte dos androides.
Reencontramos também Dolores, William e Logan. A menina frágil que busca por respostas está agora aliada ao cowboy bom e ao desprovido de caráter Logan. Eles resolveram ir a uma cidade chamada Pariah (pária) em busca de novas aventuras (Logan e William) e respostas (Dolores). Eles estão prestes a encontrar um bandido famoso chamado de El Lazo.
A cidade é uma espécie de nível mais elevado para os convidados, algo próximo de uma fase difícil em um jogo. Para Logan, tudo se resume a isso: um jogo. E essa é a visão da maioria dos convidados que pensam estar em um imenso parque onde seus instintos mais contidos poderão ter voz, liberdade.
O Homem de Preto continua sua jornada com Lawrence e Teddy, este último mortalmente ferido. A única solução encontrada para salvá-lo contará com a ajuda, inopinada, de Lawrence. Lawrence e o Homem de Preto têm uma estranha conversa sobre destino e os motivos que os levaram ao reencontro, fato que comprova o conhecimento mútuo de ambos.
A partir daí o espectador retornará à sede de Westworld. Bernard e Elsie ainda perseguem a história por trás do anfitrião que queria fugir. Elsie é mais esperta do que aparenta e começa a manipular funcionários da empresa para ter acesso às informações que deseja. Parece que todos, sem exceção, são vigiados, inclusive dentro da própria empresa. Antiético, sem dúvida, mas muito eficiente quando necessário. O anfitrião em fuga era, enfim, muito mais do que um simples problema técnico.
Por estarem em um nível mais complexo, Logan, Dolores e William descobrem que os problemas também são mais intrincados. Eles finalmente chegam a El Lazo e vocês, espectadores, terão um surpresa ao descobrir de quem se trata e a ironia por trás de seu nome. O trio dá um passo a mais em suas jornadas, o que mostra a gradual transformação por que passam.
O lugar onde eles estão é um enigma por si só. Uma cidade isolada de todas, cheia de proscritos e pessoas cujos passados só interessam a elas mesmas. Mulheres e homens que se entregam à sodomia sem qualquer problema, pois tudo é permitido. Comparativamente, há cenas que lembram a cidade romana retratada no filme de 1973, algo que pode ser uma simples homenagem ou a dica de que muito ainda se esconde nas áreas inexploradas de Westworld.
Logan e William se confrontam ideologicamente. Logan é um homem rico e faz questão de deixar clara a posição real de William, principalmente junto a sua irmã, a futura esposa deste. O clima é péssimo e desperta ainda mais o verdadeiro William. Dolores é perturbada por devaneios que indicam ser o labirinto o seu destino. Juntos, os dois abandonam a brincadeira (ou os papéis que a interpretação do parque obrigava-os) para viverem uma aventura. Não há mais limites para o casal que dá indícios de um amor latente.
Chegamos a um impressionante e revelador encontro. Nele, nós temos uma clara demonstração do poder de Ford dentro do parque. Ele é protegido por tudo e todos, a qualquer custo. Nesse encontro, descobrimos um pouco mais sobre quem é o Homem de Preto e sua busca. Ironia e sarcasmo em doses equilibradas dão a esse diálogo o peso de uma sentença de morte... ou a ameaça de algo próximo a isso.
Enfim, o papel do técnico que repara os androides no início do episódio (Felix) ganha amplitude. Sua participação não ficará limitada a de um simples figurante. Nem ele e nem o passarinho robótico. Tudo tem seu encaixe nessa intrincada peça que é Westworld. Tudo.

sábado, 15 de outubro de 2016

Westworld: review do segundo episódio. Dilemas e mistérios.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leiam antes a resenha do primeiro episódio: S01E01.
Dilemas.
Westworld é, antes de qualquer coisa, uma terapia para refletirmos sobre nossos problemas interiores, questionarmos as motivações que nos levam a agir, seja com amor ou ódio. É impossível passar incólume a essa série e suas várias questões morais, sociais e religiosas nela embutidas.
O que encontramos nesse segundo episódio é a retomada das histórias. Os visitantes são apresentados de forma mais explícita.
Somos novamente transportados para o Velho Oeste. Prostitutas, cowboys, assassinos, vendedores, jogadores, mães... todos estão prontos para propiciar a mais intensa incursão em um mundo que não mais existe. Mas o preço para se viver essa aventura é alto, já que o dinheiro para adentrar esse universo é possível ter; o difícil é sair ileso dessa imersão. Não há como apagar erros, esse é um dos ensinamentos de Westorld.
Reencontramos personagens que já causaram impacto no primeiro episódio: Dolores e as dores que acompanham sua existência, assim como o próprio nome sugere; Dr. Ford que revela sutilmente um segredo de seu passado; Maeve, a prostituta que viveu muito mais (e sofreu) do que aparenta; o Homem de Preto, insaciável e incansável em sua busca pelo labirinto; Bernard Lowe e Theresa Cullen, cujas relações trabalhistas e discordantes escondem muito mais; e, por último, o surgimento de William (Jimmi Simpson), um homem que pagou para viver a experiência única de Westworld, porém parece não combinar com o ambiente e a escolha que fez.
Novas revelações sobre como homens e máquinas interagem são apresentadas. O grande teatro tem ainda muito a mostrar e, a cada vez que algo é exposto ao espectador, tudo indica para um caos crescente. A sensação de poder que atinge os criadores do parque é enorme e, talvez por isso, pequenos detalhes vão sendo desprezados.
São tantas incógnitas que poderiam deixar um matemático louco. Lidar com isso é perigoso, como cada episódio deixa transparecer.
Por fim, peço que atentem para a mensagem embutida nos diálogos e na narrativa: o homem é capaz de tudo para obter satisfação. Escravidão, estupro, abuso, violência, mortes, tortura... tudo isso está no DNA do ser humano, mas ganha força quando ele detém o tempo, a força e o dinheiro para exercê-los.


Até a próxima resenha, amigos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Westworld. Uma das mais promissoras séries da HBO. Análise do primeiro episódio.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.



Uma localidade do Velho Oeste norte-americanto. Uma mulher cercada de aparatos tecnológicos avançados. O que têm em comum? Esse é o mistério inicial de Westworld.

A narrativa é feita em off por uma mulher que é questionada, interrogada por alguém. Essa mulher é um dos alicerces da trama. Atenção à participação dela.

Cuidado! Spoilers em profusão a partir de AGORA.

Westworld é um parque de diversões. Sim, um parque onde ciborgues (esse é o termo mais próximo daquilo que são, já que não há um organismo vivo anexado à máquina, mas uma máquina moldada pelo homem para imitar à perfeição um ser humano) dão aos visitantes a ilusão de estarem de volta ao Velho Oeste. Uma terra sem lei, governada por mãos de aço (como diria o Pica-Pau). A diversão consiste, basicamente, em desfrutar de uma era extinta. Ser um cowboy, um rancheiro, uma madame, uma prostituta, um ladrão... são muitas as possibilidades por trás desse universo recriado.
A reconstrução desse mundo passado é dispendiosa, cara e moralmente discutível. Homens e mulheres pagam para ter seu dia nesse mundo. Uma vez lá, são intocáveis para os habitantes costumeiros e podem, literalmente, fazer o que lhes aprouver. Desde um simples contato, uma conversa ou até mesmo estupro e assassinato. Não há limites morais para os “visitantes” de Westworld.
As máquinas interagem e se adaptam aos visitantes. Eles não têm consciência de sua real condição, fato que promove uma maior imersão aos visitantes. A diferenciação entre um humano e um “anfitrião” é  praticamente impossível.
O que é ético ou não fica em suspensão todo o tempo. Ver máquinas com aspecto 100% humano é algo impactante. Como tratar alguém que é, aos olhos, tão humano quanto nós? O grau de interação entre homens e seres com inteligência artificial é uma opção que pode ser controlada. O que não pode ser previsto é o grau de adaptabilidade das máquinas, os limites da inteligência artificial, sua capacidade de armazenar experiências e, principalmente, os freios morais (ou a inexistência deles) das pessoas.
Nesse primeiro episódio é preciso destacar a presença de Anthony Hopkins, interpretando o Dr. Ford (talvez uma homenagem ao gênio industrial Henry Ford), o responsável pela criação dos ciborgues. Ele vive em um mundo tão isolado quanto as criaturas com IA. Há, aparentemente, uma dependência dele para com as máquinas. Isso deverá ser mais explorado nos episódios seguintes.

Nota: assistir Westworld e não lembrar de Blade Runner e os replicantes é quase impossível. Desde o primeiro segundo da narrativa é possível sentir o cheiro adocicado da tragédia. Aliás, a abertura já anuncia que nada é tão perfeito. Vejam abaixo:



O que se segue não difere, como disse acima, da trama de Blade Runner. Os anfitriões – ciborgues com maior poder de interação – passam a apresentar pequenos problemas. Até onde esses erros podem ir é algo que não fica explícito. Mas o potencial destrutivo disso fica pairando na atmosfera. 


Um ponto desprezado pelos idealizadores do projeto está em um ser humano (?): Ed Harris. Ele interage diariamente como um vilão, um bandido. Seu prazer está em praticar o mal contra os ciborgues.  Ele quer se aprofundar no “jogo” e isso é uma variante com a qual os criadores de Westworld não contavam. O personagem de Harris é frequentador do “parque” Westworld há trinta anos.
O dilema moral de Westworld é sobre a velha mania do homem de brincar de ser Deus. Dolores é uma das personagens que mais sofre com as brincadeiras nesse universo criado. Ela sofre por amor, por medo, violência e pela constante perda de tudo que ama. Essas perdas vão, ao longo dos tempos, marcando o inconsciente dela. Mesmo sendo uma criatura feita pela inteligência do homem, hipoteticamente insensível aos males que passa, ela sofre.
Tal como vimos e lemos em Frankenstein, a criatura não está e nunca estará sob o total controle do criador. Essa é uma regra que os homens deveriam ter aprendido há muito tempo, porém fazem questão de esquecê-la.
Não há programação perfeita. Com tempo e esforço, as barreiras e códigos podem ser quebrados ou alterados. Essa é uma verdade com a qual nós, humanos dessa era, convivemos e aprendemos a lidar. Essa controvérsia também é bem explorada no primeiro Matrix e em alguns episódios de Animatrix. Máquinas com comportamento e sentimentos humanos são controláveis até que ponto?

Nota: prestem atenção à reação dos anfitriões quando moscas pousam neles. Essa é uma dica bem legal para entender um pouco da amplitude da inteligência artificial e sua adaptação aos fatos novos...


P.S.: A presença de Rodrigo Santoro ficou muito boa. Ele é um dos vilões da trama (Hector Escaton), porém, se raciocinarmos um pouco, todos os seres criados só são bons ou maus conforme assim lhe determinam. Então, o que dizer da maldade humana cujo alcance está limitado pela moral existente na pessoa?
P.S.2: Westworld é baseado na obra homônima de Michael Crichton – com o subtítulo “onde ninguém tem alma”, escrita e dirigida por ele em 1973. O filme é estrelado por Yul Brynner, ator consagrado no gênero de Faroeste. A trama, apesar de ser mais resumida, mostra pessoas interagindo com máquinas que simulam ambientes e situações históricos. Além do Velho Oeste, há também Roma e a Idade Média. A trama original dá indícios do caos que nos aguarda na série.
P.S.3: A equipe que gerencia, cria e programa tudo para as encenações de Westworld também é afetada pela presença dos humanos por eles construídos. É impossível se manter apático diante de seres tão perfeitos. O Dr. Ford e Bernard, um dos principais responsáveis pela manutenção do projeto, são discretamente ‘modificados’ pela interação direta e indireta com os ciborgues. Isso, certamente, ainda dará muito pano para a manga. Um fato interessante está no jogo disputado entre os integrantes da equipe; um jogo por poder.

Nota final: a HBO mostra coragem e adequação ao apresentar o processo de construção e descarte dos humanos cibernéticos. As cenas de nudez são adequadas ao contexto e evidenciam, sobretudo, a escolha correta do elenco. Não é fácil encenar ser uma máquina sem sentimentos... ou uma que está começando a tê-los.

Elenco da produção da HBO:
Anthony Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood, James Marsden, Thandie Newton, Jeffrey Wright, Jimmi Simpson, Rodrigo Santoro, Shanno Woodward, Ingrid Bolsø Berdal, Ben Barnes, Angela Sarafyan, Clifton Collins Jr.


Direção: Jonathan Nolan.



quarta-feira, 23 de abril de 2014

Hannibal, a série: degustando a sutil arte de matar.


Arte por Darya Kuznetsova
Por: Franz Lima
 
Recordo com muita clareza da primeira vez em que assisti o filme 'O silêncio dos inocentes'. Tenso, dramático e... envolvente. É inegável o apelo de uma trama onde o herói é um assassino canibal, frio e inteligente. Era um período onde aquilo surpreendeu positivamente. Hannibal Lecter, interpretado por Anthony Hopkins, ajudou a agente Clarice a capturar um predador igual a ele, mas estava faltando algo. O que motivou Hannibal a abandonar a civilidade e a moral? Quem ele foi antes de se transformar em um matador irrefreável?
Os anos se passaram e outros filmes surgiram, todos baseados na obra de Thomas Harris. Apesar de algumas partes serem elucidadas, a sensação era de que faltava algo. E é aí que entra a série televisiva 'Hannibal'.

Sobre a morte e o morrer.

Elizabeth Kübler-Ross escreveu um livro com o título 'Sobre a morte e o morrer'. Como admirador do tema, logicamente que li a obra. Foi interessante conhecer um pouco mais sobre o rito de passagem para a morte. Há tristeza e uma infinidade de sentimentos que envolvem os que estão próximos do fim, porém, apesar de tudo, o livro mostra um lado quase poético do fim da vida. 
Hannibal - a série - é o inverso disso. As mortes não são fruto de um leito onde um paciente terminal aguarda por seu fim. A morte, nesse caso, vem através das mãos de assassinos cruéis, movidos pelos motivos mais torpes possíveis. Contudo uma coisa fica bem clara: eles acreditam piamente estar fazendo o correto. Não há remorso ou sentimentos. Só resta a colheita de uma plantação regada a sangue. 


O Hannibal Lecter dos filmes mostrou essa ausência de compaixão. Ele matou e devorou vítimas. Ele ganhou vida pela interpretação marcante de Anthony Hopkins. Mas o tempo passa e, infelizmente, o ator não mais voltou a viver Lecter.
Por anos eu acreditei que a franquia estava tão morta quanto as vítimas do psiquiatra, já desgastada pelo suco gástrico. Felizmente, como hoje comprovamos, eu errei.
Bryan Fuller reuniu um elenco competente e uma equipe de produção absolutamente dedicada em comprovar que o canibal não havia interrompido seu caminho, como muitos fãs temiam. Com muita competência e um destemor diante do macabro, a nova série surgiu para mostrar-nos o passado de Lecter e seu principal antagonista, Will Graham.


O reflexo.

Hannibal é um assassino e isso não é privado do público. Desde o começo a verdadeira face dele é exposta, o que poderia resultar em uma trama rasa ou abordada de forma equivocada, mas isso não acontece em momento algum. As expectativas de uma narrativa forte, compatível com aquilo que Thomas Harris descreveu em seus romances foram gentilmente atendidas. 
Por se tratar intrínsecamente do início turbulento do relacionamento de Graham e Lecter, a trama precisaria de algo mais que mortes violentas para se sustentar. Sem a inteligência de um enredo bem amarrado e de artistas capazes de mergulhar no sangue, a série estaria condenada ao fracasso. Claro, isso não aconteceu e é por isso que ofereço-lhes este jantar em comemoração à segunda temporada. 
Volto à dupla que é responsável pelo entrelaçamento das tramas: Will e Hannibal. Will Graham (Hugh Dancy) é um professor do FBI dotado da capacidade de entrar na mente dos assassinos. Ele não só reconstrói a cena de um crime, ele passa a ser o assassino por alguns minutos. 
Esse talento não passou em branco. Jack Crawford (Laurence Fishburne) é o encarregado do Departamento de Ciências Comportamentais do FBI e recruta Will para que trace os perfis de matadores. É aí que Will demonstra conhecer tanto de serial killers quanto eles mesmos. É aí que seus talentos chamam a atenção de Lecter. Uma amizade tem início...

Arte por Granpappy-Winchester

Caçadores.

Os dois principais protagonistas são idênticos em um ponto extremo. Eles são caçadores. Os roteiristas obviamente pegaram essa visão para criar o vínculo entre ambos, uma vez que os iguais tendem a mostrar respeito mútuo.
A admiração de Lecter por Will é mostrada desde o início da série. A inteligência de Will trouxe à tona um sentimento que Hannibal não nutria há muito tempo: a admiração por alguém. Deste modo, os dois vão estreitanto uma amizade baseada na confiança. Esses laços ficam ainda mais fortes quando o psiquiatra passa a 'aconselhar' Will informalmente. Também esse é um meio sutil de obter maiores informações sobre a mente por trás do caçador de serial killers. Claro que o canibal irá tirar algum proveito de seu conhecimento sobre o maior especialista em assassinos do FBI.
Esta aberta a temporada de caça.


Tramas paralelas.

O que traz mais empolgação à série são as tramas paralelas. Ficou interessante a abordagem de partes da vida pessoal de alguns personagens, incluindo Jack Crawford, Alana Bloom, Bella, Will, Bedelia du Maurier e o próprio Hannibal.
O entrelaçamento dessas tramas dá um dinamismo muito bom e reforça a narrativa, além de evitar que a série caia no erro de só manter-se com foco nos assassinatos.
Alguns pontos sobre as motivações dos serial killers também são bem abordados, fato que aumenta a credibilidade dos acontecimentos. É visível a pesquisa sobre o comportamento desta aberrações sociais.


A morte como companheira.

Em 'Hannibal' eu pude ver as mais elaboradas mortes que a mídia televisiva já produziu. Não só o personagem principal demonstra usar arte para matar, mas outros matadores surgem, plenos de maldade e uma criatividade como há muito não via.
Entretanto, novamente a produção da série surpreende ao não abusar da exposição da degradação humana pelo simples apelo que isso tem. Há uma complexa teia tecida entre as mortes e as motivações. Os flashbacks são magníficos, elucidando para o espectador o quanto o mal pode ser gratuito em algumas situações, porém intrincado e complexo em outras.
No meio desse tsunami de sangue está Will Graham. O colaborador do FBI é, indubitavelmente, o mais afetado por todas essas mortes, principalmente quando consideramos que ele é forçado a reviver cada uma dessas atrocidades. Poucos permaneceriam são diante de tal carga emocional. Será que ele conseguirá manter sua sanidade?

Duelo de mentes

Guardadas as devidas proporções, Will e Lecter são quase gêmeos. Há uma genialidade latente em cada um deles. São como peças de xadrez idênticas, exceto pelas cores. Lecter representa, obviamente, a escuridão contida nas peças negras e, em contrapartida, Graham luta em prol das peças brancas, mas é bom evidenciar que em um guerra a cor de seu uniforme é o que menos importa, já que o sangue sempre terá a mesma cor.

Atuações sólidas.

Este é outro ponto favorável à série. Todo o elenco, mesmo os mais inexperientes, demonstra grande respeito pelo público através de atuações fortes, convincentes. A escolha destes atores e o roteiro que os guia parecem ser uma combinação perfeita.
É impossível não gostar de algo tão belo, conciso e terrível.
Com base em tudo o que foi exposto, espero que tenham se animado para conhecer e aproveitar cada pedaço dessa magnífica e chocante série, a melhor homenagem feita até o presente momento à obra de Thomas Harris, excetuando-se, claro, O Silêncio dos Inocentes.





quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Novo pôster de Noah (Noé) mostra Russell Crowe com machado na mão em um clima sombrio.



Sinopse oficial de  Noé, via Collider :

Vencedor do Oscar ® Russell Crowe estrela como Noé, um homem escolhido por Deus para uma grande tarefa diante de uma inundação apocalíptica que destruirá  o mundo.




O Dilúvio em uma versão aparentemente magnífica: Noé, com Russel Crowe. Veja o trailer.



A bíblica história de Noé povoa as mentes e corações de centenas de milhões de pessoas do mundo inteiro. A narrativa do desastre que desolou o mundo e trouxe a redenção para um grupo de pessoas já foi filmada, porém ainda não fora elaborada com tamanho realismo.
Estrelada por Russel Crowe, Noah (Noé) traz, aparentemente, uma versão inovadora não só do Dilúvio, como também dos fatos que antecederam o desastre. 
No elenco dessa produção estão Emma Watson, Sir Anthony Hopkins, Jennifer Connelly e outros grandes atores. A direção é de Darren Aronofsky - que também dirigiu Cisne Negro - e conta com locações simplesmente inacreditáveis.
Grandes expectativas cercam esta nova obra. E eu tenho certeza de que a espera valerá a pena.



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Concorra ao livro 'O Silêncio dos Inocentes', de Thomas Harris.


Iniciando - atrasado - as comemorações pelo segundo ano do Apogeu do Abismo, nada melhor do que uma promoção de livro.
Consagrado como auto, Thomas Harris ampliou sua fama com a adaptação cinematográfica de sua obra 'O silêncio dos inocentes'. O sucesso foi tão grande que gerou novos filmes e alavancou as carreiras de Jodie Foster e Anthony Hopkins. Até hoje é considerado um dos melhores livros sobre serial killers.
Mas que tal ganhar esse fantástico  pocket book? É simples.
Para concorrer, basta seguir-me pelo twitter (perfis exclusivos para promoções serão descartados) e twittar diariamente a frase: 

Esse livro até Hannibal Lecter vai querer. Eu sigo o @franzescritor e ganharei O Silêncio dos Inocentes - http://kingo.to/1jtF 
O resultado será divulgado no dia 02 de dezembro pelo twitter e facebook. Participem e concorram a mais um ótimo livro pelo Apogeu do Abismo.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Novo pôster de Thor: o mundo sombrio.




Thor 2: O Mundo Sombrio é a aguardada sequência do filme que contou os primeiros passos do asgardiano em nosso mundo. Nessa continuação, o herói irá se defrontar com inimigos de poder inimaginável, o que irá levá-lo a sacrifícios de proporções cósmicas. 
Com estreia prevista para o dia 8 de novembro de 2013 no Brasil, a produção contará com as presenças de Chris Hemsworth, Natalie Portman, Tom Hiddleston, Anthony Hopkins, Jaimie Alexander e outros. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

As duas melhores versões de Drácula. Análise crítica e completa..


Por: Franz Lima
Drácula, o mitológico vampiro criado por Bram Stoker, foi inspirado na vida de Vlad, o empalador. O mito do vampiro é muito mais antigo, contudo nossa sociedade e mais precisamente o século XX foi dominado pela associação da palavra Drácula à lenda ancestral. A criatura criada por Stoker é parte da cultura de inúmeras pessoas no globo e isso se refletiu na literatura, no cinema, no teatro, música e em outras áreas. Seu vampiro é realmente imortal...

Entretanto, muitas versões desse bebedor de sangue são realmente fracas. A modificação do personagem, a inclusão dele em tramas paralelas, desconexas da original, novas características, a adaptação aos novos tempos... tudo isso foi minando a "vida" de uma criatura que, teoricamente, já está morta. O que Van Helsing lutou para conseguir foi, gradualmente, depredado. Poucas são as obras fiéis (ou quase isso) ao original. Assim, além do livro original, escolhi mais duas obras para analisar e comparar com a obra-prima de Bram Stoker.


A primeira a ser citada é a adaptação para os quadrinhos. Trata-se de "Drácula: uma sinfonia de pesadelos ao luar", escrita e pintada por Jon J. Muth. Feita exclusivamente com pinturas e um texto baseado na obra original, esta é a melhor Graphic Novel sobre o imortal. Fiel, dentro da limitação que uma HQ impõe, Muth criou a mais magnífica versão quadrinizada da lenda de Drácula. Mas, cuidem incautos, não é uma réplica da obra-prima. Há pequenas e sensíveis alterações que dão força à história. Mesmo contrariando a versão original, tais artimanhas são bem recebidas por conta de sua criatividade e pelas pinturas que dão molde ao sonho. Ler esta Graphic é algo muito próximo de um pesadelo, onde a sensação de trânsito entre os mundos é quase tátil. 
As alterações ficam por conta da paternidade de Mina e o vínculo entre Lucy e Drácula. Contudo, repito, mesmo tais mudanças (mais evidentes) não denigrem o trabalho original, criando uma nova ideia para o que poderia ter sido o livro. Devaneios com conteúdo.
Minha versão de algumas pinturas de Jon J. Muth
A trama é feita toda com base em extratos dos diários de Lucy, Mina e John Seward. Jonathan surge, porém não é uma peça-chave. Reinfield também se faz presente, como um bom assecla deve ser. Tomem esta HQ - ou seria uma galeria de arte? - como uma homenagem extremamente bem elaborada. E extremamente prazerosa ao ser lida e apreciada.
A segunda é, para mim, óbvia. Trata-se de Drácula de Bram Stoker, a versão cinematográfica de 1991, dirigida por Francis  Ford Coppola. Definitivamente, a melhor versão do cinema para o livro homônimo. Melhor dizendo, a melhor adaptação para a obra de Stoker até hoje feita em todas as mídias.
Valendo-se de um elenco de primeiríssima linha e do consagrado diretor Francis Ford Coppola,  esta versão do livro conseguiu incorporar com primor o clima do início do século XX e as mudanças oriundas dessa nova era. A ambientação e o figurino são incríveis, mas o diferencial está nas técnicas usadas para se obter a percepção de um vampiro de poder incomensurável. Coppola e seu filho usaram de recursos que remontam aos primórdios do cinema e criaram - ao custo de muito suor - cenas memoráveis que são impossíveis de desvincular do livro.
A visão do diretor e as atuações impecáveis trazem a sensação de que estamos realmente acompanhando uma história que está se desenrolando, em tempo real. É fácil apegar-se a um ou outro personagem e torcer para que nada dê errado durante o decorrer da trama. São passagens fortes que vieram diretamente da mente do autor, mas que recebem uma maior carga dramática com o auxílio das interpretações, da reconstituição ímpar dos ambientes e cenários, da direção e da trilha sonora. Enfim, um conjunto harmonioso e que dificilmente será superado por muitos anos. 

 A trama:

Basicamente temos a mesma premissa da obra literária. 
Drácula é um guerreiro a serviço da Igreja Católica. Sua terra natal,  atacada por invasores turcos, é defendida às custas de inúmeras mortes. Com a honra e a vitória, Drácula retorna a seu lar e descobre que perdeu a noiva por suicídio. O clero recusa-se a abençoar o corpo e ainda condena-a ao Inferno pelo pecado de tirar a própria vida. É nesse instante que Drácula vira as costas à Igreja e a Deus, sendo amaldiçoado a viver do sangue.
Séculos depois, o destino irá se encarregar de reatar o amor há tanto tempo perdido...

Mina é uma jovem e recatada mulher que está noiva do ambicioso Jonathan, um trabalhador de uma grande imobiliária. Jonathan é designado para viajar até uma área remota da Romênia onde um Conde deseja negociar a compra de uma grande área em Londres. 
A viagem transcorre com um clima soturno e ao chegar, o jovem empreendedor é convidado a passar um longo período no castelo do Conde. Por trás de tanta hospitalidade está, na verdade, o desejo de Drácula em eliminar Jonathan e partir em busca da bela Mina. 
O vampiro parte, consciente que sua vítima morrerá nas mãos de suas noivas, mulheres belas e amaldiçoadas pelo dom da imortalidade que brincam com a vida e o sangue de Harker. Neste intervalo, Mina é seduzida pelo vampiro que também quer outra vítima: Lucy, a melhor amiga e protetora da noiva de Jonathan.
O filme usa de um tom sombrio que permanece até o fim do filme. Há uma certa alusão à reencarnação, além de grandes doses de sensualidade e sexualidade, empregadas com muito bom gosto. É nesse clima de sexo, morte e sobrenatural que Jonathan, Van Helsing e os três pretendentes de Lucy irão buscar resgatar Mina dos encantos e poderes do vampiro, gerando confrontos memoráveis e cenas de grande apelo visual. 
A épica conclusão reforça a tese de que temos o livre arbítrio para escolhermos nosso próprio caminho.

Pontos fortes: 

A fotografia, o uso de efeitos especiais simples (em comparação aos atuais feitos por computador), a maior proximidade da obra original e o elenco são as bases que transformaram essa produção em um sucesso arrebatador. Aclamado por fãs de outras versões do vampiro e também pelos mais tradicionalistas, essa nova roupagem do Drácula dirigida por Coppola foi a responsável pela retomada do tema da imortalidade às custas do sangue. Outras versões foram feitas a partir desse filme, porém nenhuma com o grau de apuro e dedicação mostrados nele. 

Adaptação:

O livro é um clássico idolatrado (indiscutivelmente) no mundo, porém a visão de Drácula foi sendo alterada até que tivéssemos um vampiro moldado pelo cinema, muito diferente do que Bram Stoker concebeu. 
Com essa visão mais tradicional, fruto não só da direção impecável de Francis Coppola e seu filho, como também da interpretação e caracterização dos atores (destaque para Gary Oldman), o imortal recebeu o que hoje é considerada a versão definitiva para as telas.

O enfoque histórico está presente desde a primeira cena até a última, o que dá maior credibilidade à trama. Nessa adaptação, o destaque fica por conta das várias faces do vampiro, oscilando entre um velho decrépito até um moderno senhor de óculos escuros. 
Para que a fidelidade ao que Stoker descreveu realmente viesse a ocorrer, a equipe de maquiagem e figurino trabalhou incansavelmente até atingir a perfeição. Roupas estilizadas, armaduras, monstros e cenários de época reforçam a sensação de que realmente estamos no livro do escritor irlandês. 
Uma outra curiosidade está no fato de que Drácula pode andar durante o dia, ficando apenas mais fraco do que quando anoitece. Mas o sol não é fatal para ele.


Interpretações:

Valendo-se de um elenco dedicado e de um diretor que cobrou apenas o máximo de seus atores, o filme ganhou interpretações imortalizadas. Gary Oldman mostrou oscilações entre um bom homem e um verdadeiro monstro, um assassino. Winona Ryder provou que é possível ser frágil e, mesmo assim, oferecer perigo. Keanu Reeves deu vida a Jonathan Harker que, tal como Mina, cresce no decorrer  da obra. O trio de amantes de Lucy - inicialmente estereotipado - recebe ares de guerreiros, com especial destaque para a representação do Dr. Seward, onde Richard Grant lhe atribui um fascínio mórbido pela loucura e a morte. Van Helsing, o professor, exibe traços de um verdadeiro gênio que tem dentro de si um predador adormecido, um inimigo à altura da malignidade de Drácula. Sir Anthony Hopkins foi a mais perfeita escolha para o papel do erudito que batalha pela vida de Mina. Sadie Frost incorpora a quase leviana menina-mulher dona de uma sedução incomparável, mas que paga por seus "pecados". Já com Renfield, Tom Waits dá um show de interpretação como um louco obcecado por seu mestre, fazendo uma clara alusão aos fanáticos (religiosos ou não) que são capazes de morrer pelo que creem ser verdadeiro.

Elenco: 

Gary Oldman - Vlad Tepes / Drácula  
Winona Ryder -Elisabetha / Mina Harker
Keanu Reeves - Jonathan Harker 
Richard E. Grant - Dr. Jack Seward
Cary Elwes - Lorde Arthur Holmwood
Bill Campbell - Quincey P. Morris 
Anthony Hopkins - Padre / Professor Abraham Van Helsing
Sadie Frost - Lucy Westenra 
Tom Waits - R.M. Renfield 
Monica Bellucci - Noiva de Drácula


Direção: Francis Ford Coppola
Ano de lançamento: 1992
Gênero: Terror/Suspense





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