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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Anabela. Conto de Filipe Gomes Sena.



Por: Filipe Gomes Sena. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

“Nunca escreva quando estiver cansada, nem quando estiver doente e principalmente: nunca escreva enquanto o relógio estiver marcando três da manhã”.
Foram as palavras ditas pelo avô de Anabela quando ela disse, ainda criança, que queria virar escritora. O avô dela era escritor, assim como o avô dele e assim como a paixão pela escrita sempre pulava uma geração, aquele aviso era dito pelos avós para seus netos.
A voz do avô de Anabela foi o último bastião de ordem no caos dos sonhos febris. A moça tinha passado as últimas quatro noites delirando de febre. Ela tinha passado as últimas quatro noites ouvindo os avisos do avô e nos últimos quatro dias ela tinha acordado sentada na escrivaninha, poucos segundos antes de encostar a caneta no papel… Com o relógio marcando três e meia da manhã.
Anabela estava esgotada. Os dias de febre tinham consumido todas as suas energias e o sono não apareceria enquanto o Sol ainda estivesse no céu. A pouca fome dos últimos dias tinha desaparecido naquele domingo. Seja qual fosse a batalha que estava sendo travada ali, não era Anabela que estava ganhando.
“Quando estamos cansados não conseguimos perceber o mal que nos ronda”.
O relógio marcava dez da noite quando o sono chegou. Ela engoliu dois comprimidos antes de deitar. O sono sempre chegava antes da febre e os comprimidos conseguiam ao menos deixar a temperatura controlada.
“Quando estamos doentes temos seres estranhos no nosso corpo, alguns deles gostam de nos fazer escrever o que eles não podem falar”.
Algo estava diferente naquela noite. Anabela nunca estivera tão lúcida durante os sonhos que a febre trazia. Várias cores dançavam na frente dos seus olhos, as estrelas dançavam no céu caleidoscópico e o vento cantava no vazio que a cercava. De tanto tremer, por causa do vento ou da febre, caiu de joelhos e encarou a explosão de cores que a cercava.
“Quando o relógio marca três horas e o Sol não está no céu, as passagens para outros mundos são abertas, dentro e fora da gente”.
O vento deitou Anabela no chão. As cores mergulharam por baixo dela para fazer uma cama, as paredes e a escrivaninha. Uma versão multi cromática do seu próprio quarto. O braço direito se debatia compulsivamente como se procurasse algo, as pernas escorregaram para fora da cama e com um impulso colocaram Anabela de pé. Passos trôpegos levaram a pobre moça para a mesa, a mão direita finalmente encontrou pela pena que procurava. A cama se jogou em forma de cadeira para sustentar a moça enquanto a pena dançava sobre o papel e os avisos do avô ecoavam pelo vazio.
Uma eternidade depois as cores se apagaram. a cadeira largou Anabela no chão gelado, o vento rasgou-lhe a pele e a dor encerrou a alucinação.

Quando acordou, Anabela estava no chão do quarto. A febre tinha passado e a sensação de esgotamento era menor. A cadeira tombada serviu de apoio para que ela se levantasse. Na mesa estava um caderno com meia página escrita e um despertador que marcava dez minutos depois das três e meia da manhã. Ainda desorientada, a moça rasgou o parágrafo escrito do caderno e leu. A língua era desconhecida, mas ela conseguia compreender as palavras malditas que ali estavam escritas. Palavras tão hediondas que as últimas forças da jovem foram exauridas. Por horas ela esteve desmaiada. Quando acordou o Sol já iluminava a janela do quarto, mas o pedaço de papel rasgado do caderno não estava mais lá.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Conto: Perda - Parte Final



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leiam antes a primeira parte: Perda I; a segunda: Perda II, a terceira:Perda III e a quarta: Perda IV.
Meu corpo teve duas paradas cardíacas em um curto intervalo de tempo. Fui salva por um esforço brutal da equipe médica. E, mesmo assim, já não podem fazer muita coisa por mim. O médico chefe conversa com meu irmão, dizendo não compreender bem o que ocorre. Ele diz que, em sua carreira, já vira coisas diferentes, muito estranhas. Nesta, contudo, algo mais estranho ocorria. Era como se a mulher tivesse desistido de viver, explica.
Estou ao lado de meus parentes mais queridos. Todos choram.
Estou ao lado de meu amor. Ele não pode chorar, mas é o mais triste entre todos que aqui estão.
Logo, estarei ao lado daqueles amados que se foram. Logo, estarei em paz. Logo todos estarão...
O que se passou a seguir foi dramático e rápido.
Ana teve uma última parada cardio-respiratória. Antes disso, contudo, ela já estava em total isolamento. Os parentes não puderem sequer ficar próximos do vidro da Unidade. Eles ficaram isolados por uma cortina que os impedia de ver. Creio que assim foi melhor.
Ana teve uma morte rápida. Houve dor, muita dor. E essa onda de sofrimento se espalhou por todos aqueles próximos a ela. Não havia como não sentir aquela perda. Não havia como evitar chorar por alguém tão especial.
Agora, sua morte poderia ser o decreto de vida para Hans. Só o tempo estava contra ele. E o tempo é sempre impiedoso com todos.
 Ela se foi. Simples assim. Ela se foi para sempre. Não posso mais senti-la e isso me traz uma vontade incontrolável de gritar. Gritar até minha garganta sangrar. Gritar até que Deus me ouça e olhe para mim. Queria que seus olhos fitassem os meus e vissem o arrependimento e a angústia neles. Queria sentir o peso de sua fúria por eu ter errado tanto.
Todavia, acho que sequer sou digno disso. Não terei este prêmio concedido. Não poderei acompanhar minha amada em sua nova jornada.
Agora, sinto um torpor invadir meu espírito. Estou vendo tudo se tornar enegrecido. Estou voltando ao meu corpo, sem saber as conseqüências disso.
Caso consiga fugir de minha atual condição, sei que julgamentos me aguardam. Caso consiga regressar, quero ser condenado por tirar a vida da única pessoa por mim amada e que me amou.
16/05/2004 – Domingo – 21:50h

Eles tentam a todo custo me ressuscitar. Aplicam choques e injetam substâncias químicas em minhas veias. Eles realmente se esforçam.
Do lado de fora da sala, sinto o pesar tomando conta dos corações daqueles que me amam. Aqui dentro, vejo uma última vez aquele que amo.
Eles ainda tentam me salvar.
Atravesso o corpo onde habitei e toco o coração. Ele está parado. Concentro toda a minha força de vontade nas mãos e comprimo o músculo cardíaco. Agora estou certa de que ele jamais voltará a pulsar.
Olho para o corpo, já sem vida, e lembro de muitas coisas boas pelas quais passei. Neste momento, fico com medo do que está por vir, mas, independente disto, sei que agi corretamente.
 - Lamentamos a morte de sua filha, senhor. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Usamos...
- Não importa. – interrompe o pai de Ana. – Ela se foi e essa é a realidade. Quer dizer algo?
O cirurgião olha para o homem e tem compaixão por ele. O que virá não será fácil, ele sabe, contudo é a decisão dele a única capaz de evitar uma tragédia completa.
- Já lhe falaram sobre o transplante, acredito. O senhor já tem uma decisão? A vida de seu genro depende do tempo. E, para ser sincero, tempo é o que não temos.
O velho olha com interesse para o médico. Ele lembra que sua filha um dia quis ser médica.
- Eu já tomei a decisão. Só peço para me dar um único minuto. Preciso acalmar meu coração. Preciso de serenidade para ser justo. Justo comigo e com ele.
- Espero que sua decisão seja a mais acertada – disse o cirurgião, já se distanciando.
- Eu também. – sussurrou o pai de Ana.
Três meses mais tarde

Respiro ainda com dor. Em meu peito, os pulmões da minha mulher arfam por mim. Tenho sua alma viva. Suas imagens, sua voz, enfim, ela por inteiro em meu íntimo. Cada vez mais viva.
Perdi o contato com o pai de Ana. Sei bem o que ele pensa e não vou lhe dar o desprazer de minha presença. Ele optou por me salvar. Não por mim, mas pela filha. Optou me salvar e, desta forma, manter sua filha e sua memória vivas. Porém nunca optou em me perdoar. Não tiro sua razão. Não o culpo.
Já se passaram três meses e pouco da morte dela. Ainda estou em observação pelo transplante e, segundo os médicos, a rejeição ainda é uma hipótese. Não me disseram qual seria minha expectativa de vida e, sinceramente, não me importa. O que é viver, quando não se tem mais um motivo?
Todos os dias choro a perda. Todos os dias peço perdão por meu erro. Todos os dias peço a paz. Todos os dias peço para reencontrá-la e, em um abraço, lhe pedir desculpas. Gostaria de ter partido no lugar dela, só que não tenho poderes para decidir isso, infelizmente.
Hoje, sinto sua presença. Não algo fantasmagórico. Não algo sobrenatural. Sinto-a próxima de mim como jamais esteve. Sinto-a como parte integrante de minha alma e meu coração. Pressinto ter pouquíssimo tempo de vida e, durante ele, irei me dedicar ao máximo para a correção dos estragos que provoquei. Perdi minha amada, perdi minha dignidade e matei pessoas com um carro. Tudo isso eu assumo. Mas ainda hei de provar minha capacidade em buscar uma correção (é possível?) do que fiz. Ainda provarei não ser o monstro descontrolado de que fui acusado. Errei e pagarei. Errei e assumo. Errei e sofro. Sofro como só um condenado é capaz de saber.
Que a punição venha e limpe meu espírito. Que um dia, esse fardo se torne mais leve.
Espero ter tempo suficiente para provar ser algo melhor do que fui rotulado pela família de Ana, alguns amigos e outros. Espero fazer jus ao seu sacrifício, meu amor. Em breve estaremos juntos. Muito em breve.
A noite chega. Hans dorme calmamente, apesar do incômodo em seu peito. Ao seu lado, uma bela mulher o contempla. Ela passa as mãos no rosto dele e seca uma lágrima. Ela pode ver seus sonhos e sabe de seu martírio. Ela está ali para guiá-lo a um lugar melhor, a um lugar onde o perdão é uma realidade, não uma promessa.
Suavemente, ela deita-se ao lado dele, passando a perna por cima da dele e abraçando-o. Ele não percebe nada.
Os lábios de Ana se aproximam da face dele e ela sussurra:
- Vamos amor, o tempo do sofrimento e do pesar acabou. Hoje, estaremos juntos como nunca estivemos. Hoje, sua redenção chegou.
Ainda dormindo, ele movimenta os lábios entorpecidos e diz:
- É tudo que mais quero.
Na manhã seguinte, o corpo é encontrado sem vida. Os médicos não se surpreendem. Pouquíssimos pacientes chegam a um ano de vida em um caso como este. Pouquíssimos.
No entardecer do mesmo dia, Hans é sepultado. Ele não tem parentes para chorar sua morte. Apenas um homem solitário está ao lado de sua cova, chorando. Apenas o pai de Ana o acompanha até sua última morada.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Conto: Perda - Parte IV de V


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leia antes a primeira parte: Perda I; a segunda: Perda II e a terceira: Perda III


Suaves mãos tocam minha face. Meus olhos estão pesados e abro-os com esforço, tão pesadas estão minhas pálpebras.
A visão está enevoada e demoro a focar quem está à minha frente. A surpresa é grande.
- Ana? – digo, sem acreditar. – O que é isso? Um sonho?
Ela nada diz. Calmamente, seus dedos roçam os lábios dele, provocando um leve torpor. Ela, então, diz:
- Olá, amor. – e sorri. – Estava com saudades. Parece que estamos afastados há anos, não é?
- Bom... achei que você estivesse morta. Foi um pesadelo, não? Ou estou ainda sonhando? Estou confuso com isso tudo.
Ela olha para ele com pena. Há pesar em seus olhos. Há amor em seus olhos. Sobretudo, há verdade neles.
- A confusão irá passar em breve. Não tenho permissão para lhe dizer o que ocorrerá, porém tenho permissão para lhe dizer o que sinto. E, mais do que nunca, o que sinto é paixão por você, amor por tudo que representa... por tudo que vivemos. Não deixe que o tempo apague isso, por favor.
Os olhares se encontram mais uma vez. Desta vez, contudo, eles sabem o quanto este contato é importante.
- O tempo não tem forças suficientes para me fazer esquecê-la. Eu prometo.
- Bom. Agora – ela seca suas lágrimas com as mãos – volte a deitar e não se preocupe comigo. Eu sempre estarei bem enquanto você estiver feliz. Deite e durma...
E o peso do sono o abraça mais uma vez. Contudo, este foi o mais reconfortante sono de sua vida. Não havia cansaço. Havia paz.
Chego até meu pai enquanto ele dorme. Há uma calma tão boa em seu semblante. Uma calma tão ampla e contagiosa. Apesar de seus problemas, ele sempre teve a face de um homem tão calmo. Eu, quando pequena, achava que ele era incapaz de sentir raiva, tamanho seu controle diante das adversidades. Penso ter herdado isso dele.
Sua respiração está suave. Sinto uma pontada de angústia ao ver a posição em que dorme. Seu pescoço deve estar doendo, de tão torto que está.
Ainda não me acostumei com minha condição. Chego até ele com uma velocidade inacreditável. É como se flutuasse em partículas. E estas mesmas partículas fossem impulsionadas por uma explosão de supernova. Não há como descrever com exatidão meu estado.
Atravesso suas pálpebras e avanço por seus olhos. Os olhos sempre serão a janela da alma, sempre. Há trevas e medo. Há dúvidas e certezas. Há uma infinidade de sentimentos e anseios, todos conspirando em sua alma. Espero ter forças para dirimir um pouco deste conflito.
Conversamos por horas intermináveis. Pelo menos, esta é a sensação que ele terá ao despertar.
Conversamos e, juntos, chegamos ao melhor resultado que um diálogo pode trazer. Agora, só me resta esperar e rezar. Farei minha parte e, ainda que triste, ele fará a dele.
Foi bom ficar mais um pouco no colo de meu pai e receber dele o carinho que só o amor pode trazer. Foi bom.
 Tenho um nome, mas tenho vergonha dele. O que vou fazer é algo impensável para um pai. Sei que é certo. Sei o quanto é importante tomar esta atitude. Porém, mais importante é não recuar diante da minha decisão.
Caminho por corredores brancos e, neles, apenas ouço o burburinho de comentários abafados. Decisões (como a minha) são tomadas e vidas são poupadas ou ceifadas. Homens de branco passam apressados e, pouco depois, ouço apenas o som de seus passos. Em segundos estarei de frente com um deles. Não será uma rota de colisão, será um momento onde um único homem falará, enquanto o outro ouve. Direi o que sinto. Direi o que penso. Direi, infelizmente, para desligar os equipamentos caso ela tenha que viver sob a dependência das máquinas. Não quero ter uma planta para aguar dia a dia. Quero minha filha de volta.
Encontramos-nos. O médico se surpreende com a minha abordagem. Agarro seu braço e, apertando-o, digo tudo o que (minha filha mandou dizer) sinto. Não vejo bem seu rosto, já que meus olhos estão tomados pelas lágrimas. Falo sem parar e ele ouve. Sinto que ele percebe meu desespero. Sinto que ele percebe a verdade em minhas palavras.
Meus lábios se movem incessantemente, proferindo palavras as quais jamais deveriam ser ditas.
Tenho um nome, mas não importa mais. O que interessa é salvar ao menos a memória de Ana. Salvar a alma de minha filha amada.
A dor é forte. Agora, é só aguardar o momento certo. Todos estão preparados, inclusive eu mesma. Os minutos transcorrem incessantemente. No fundo, eu gostaria muito de ver acontecer tudo de outra forma. Mas quem sou eu para querer algo? Quem sou eu para desejar algo além do que já me foi concedido? Nada, não sou mais nada e, em breve, serei uma lembrança.
Espero que uma lembrança boa...
Estou contemplando meu corpo. É a coisa mais estranha dentro da minha existência. Contudo, não é tão perturbador como já havia pensado. Todos, creio, já pensaram em sua própria morte, e eu não sou uma exceção a esta regra. Morrer, agora, não me parece tão terrível. Não estou vendo o esqueleto, vestido de preto e com sua foice na mão. Estou vendo apenas meu corpo e o de minha mulher, deitados em um leito frio, cobertos por finos lençóis brancos. Ela não me parece tão mal. Mas o que são aparências? Estou vendo apenas a aproximação do fim, sem saber com certeza se será um fim ou um começo. Dúvidas torturando minha alma. Dúvidas de um futuro, incertezas de um passado e um presente onde o movimento dos ponteiros dos segundos pode trazer a dor a qualquer instante.
Tudo isto me atingindo de uma só vez. Será, penso, que quando despertar, se despertar, conseguirei me lembrar de alguma coisa? Acho que não. Na verdade, não estou preocupado com isto. Na verdade, estou preocupado é com Ana. Eu não posso vê-la, apenas senti-la. E, dela, emana uma tristeza muito forte. A tristeza que só a perda e a separação podem trazer.
Aconteceu algo que inesperado. Em pé, à minha frente, está Hans. Não seu corpo. Eu vejo seu espírito, vejo suas mãos se agitarem no ar, inquieto por não me ver. Ele pode me sentir, porém só eu posso vê-lo. E, para piorar, ele está sentido, não sei como, minha aproximação. É visível seu transtorno por estar preso a este problema. É visível seu transtorno e decepção por não ter como me alcançar. Coisas intrigantes e intangíveis. Decisões tomadas por alguém muito acima de nós. Decisões que aceito passivamente. 
CONTINUA...



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Conto: Perda - Parte III de V





Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leia antes a primeira parte: Perda I; e a segunda: Perda II.

As duas últimas partes serão publicadas amanhã.

              
Hoje, vi meu pai. Havia lágrimas em seus olhos. Um jovem médico conversava com ele, sem que conseguisse ouvi-los. Suas lágrimas, contudo, indicavam a realidade em que me encontro. Não posso tocar meu amor nem meu pai. Estou em um limbo. À mercê dos acontecimentos futuros.
Presa aqui, estou entendendo melhor. Mas ainda resta algo a resolver. As dores cessarão. As dores do corpo, pois a alma está em paz.
Algumas horas mais se passam e os dois são transferidos para um hospital na Barra da Tijuca. Em estado grave, ambos são alvos da máxima atenção por parte da equipe médica. É primordial evitar o agravamento do problema e, mais importante ainda, mantê-los vivos.
Os médicos não querem dizer, mas Ana não vai resistir. Hans, por sua vez, está em estado gravíssimo, sua vida dependendo exclusivamente de um transplante de pulmão. Mas onde encontrar o doador? – é o principal questionamento por parte da equipe médica.
O pai de Ana já se manifestou contra a tomada de órgãos de sua filha. Ele deseja que ela sobreviva, mas em caso de falecimento, ninguém irá ter argumentos fortes o suficiente para lhe fazer mudar de idéia. Está intransigente.
O casal permanece na UTI, sob total observação. O tempo para os dois é curto e decisões precisam ser tomadas.
Marcus, um dos chefes da Unidade, encaminha-se até o pai de Ana e lhe dá o seguinte panfleto com os dizeres:
O transplante de pulmão melhorou consideravelmente nos últimos anos. Habitualmente, é transplantado um pulmão, mas em algumas vezes, ambos os pulmões são substituídos. Quando a doença pulmonar também provocou lesão cardíaca, o transplante de pulmão é algumas vezes combinado com um transplante de coração. A obtenção de pulmões é um problema, pois a sua preservação para transplante é difícil. Por essa razão, o transplante deve ser realizados o mais breve possível após a obtenção do órgão.
Os transplantes de pulmões podem ser oriundos de um doador vivo ou de alguém recentemente falecido. De um doador vivo, não é possível se obter mais que um pulmão inteiro e, geralmente,somente um lobo é doado. De um indivíduo recém-falecido, podem ser retirados os dois pulmões ou o coração e os pulmões.
Aproximadamente 80 a 85% dos indivíduos submetidos a um transplantes de pulmão sobrevivem por pelo menos um ano e aproximadamente 70% sobrevivem por cinco anos. Várias complicações podem ameaçar a sobrevivência dos receptores de transplantes de pulmão e de coração-pulmão.
O risco de infecção é alto, pois os pulmões estão continuamente expostos ao ar, o qual não é estéril. Uma das complicações mais comuns é a má cicatrização do local onde a via respiratória é suturada. Em alguns indivíduos submetidos a um transplante de pulmão, as vias aéreas tornam-se parcialmente obstruídas por tecido cicatricial, o que exige um tratamento adicional.
A rejeição de um transplante de pulmão pode ser difícil de ser detectada, de ser avaliada e de ser tratada. Mais de 80% dos receptores apresentam algumas evidências de rejeição no mês que sucede a cirurgia. A rejeição causa febre, falta de ar e fraqueza. A fraqueza ocorre devido à baixa concentração de oxigênio no sangue. Como ocorre com outros órgãos transplantados, a rejeição do transplante de pulmão pode ser controlada por uma alteração do tipo ou da dose das drogas imunossupressoras. Uma complicação tardia do transplante de pulmão é a oclusão das pequenas vias respiratórias, a qual pode representar uma rejeição gradual.
O velho pai pára e reflete. Então, o médico sussura:
- A vida dele vai depender disso. Se sua filha falecer, ela poderá salvá-lo, mas estamos com as mãos atadas, dependendo exclusivamente de sua autorização. Pense nisso.
E o idoso senhor se senta. E, sentado, põe as mãos no rosto e chora. Chora por ter tanto peso apoiado em seus ombros. Chora pelo que está por vir.
CONTINUA...


Conto: Perda - Parte II de V



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leia antes a primeira parte: Perda I.


HOSPITAL DO ANDARAÍ – RIO DE JANEIRO...
- E então, o que acha? – questionou o médico ao seu amigo.
- Sinceramente... – olhou o outro nos olhos e, vendo a dúvida, respondeu: - Sinceramente, acho que a melhor coisa a fazermos, é comunicar a família e aguardar os acontecimentos. Para mim, a situação já não depende de nós.
Os dois médicos ficam em silêncio. Há dúvidas atingindo suas mentes. E, em situações como esta, isto não é bom.
- Façamos então isto. – quebrou o silêncio o médico mais velho. – Vamos contatar os familiares e, após, iniciar o processo de transferência deles para a Barra da Tijuca. O pronto atendimento já foi feito e, ao meu ver, o resto cabe aos médicos com mais recursos.
- E a transferência?
- Isso só ocorrerá assim que os familiares autorizarem. Mas tenho plena certeza de que não passará de hoje.
- Deus te ouça. Veja, eles são famosos e ricos e, por isso, daqui a pouco estaremos tomados por repórteres. A situação está precária e, com este alarde, a visão negativa sobre nosso hospital aumentará e, com ela, os recursos diminuirão. Temos poucas verbas e, por Deus, não colaborarei com a perda do pouco que resta.
- Entendo. – disse o médico mais novo, com o olhar de quem não dorme há dias. – Entendo perfeitamente.
- É o que eu espero. Colaboração. – ameaçou.
OS FATOS:
Relato retirado do Jornal do Brasil – Rio de Janeiro – publicado em 15/05/2004-Sábado.
Acidente na Av. Presidente Vargas.
Foram retirados com vida, os dois ocupantes de um Kadett vermelho que, na madrugada de sexta para sábado, chocou-se contra um Ford Ka. Os ocupantes do Ka (dois homens) faleceram ao dar entrada no hospital e ainda não tiveram seus nomes divulgados. Já o motorista e a acompanhante (identificados apenas por Hans e Ana) deram entrada no Hospital do Andaraí, onde estão até o momento, recebendo tratamentos no Serviço de Terapia Intensiva (STI). Segundo relatos ainda não confirmados, a mulher encontra-se em estado gravíssimo e o motorista teve os pulmões queimados ao aspirar a fumaça do incêndio. A probabilidade de sobrevivência é pequena para ambos, mas o homem depende exclusivamente de um transplante de pulmão para tentar aumentar suas esperanças.
É a tragédia provocada pelo excesso de velocidade tão comum em nossos finais de semana, comentou o autor da matéria.
 15/05/2004 – Sábado – 15:13h.
Nunca pensei em vê-los dessa forma. – desabafa o pai de Ana. – Meu Deus, eles não merecem isso. Não merecem.
- Senhor? – alguém o chama, tocando seu ombro.
- Sim?
- Precisamos conversar sobre a transferência de sua filha e o rapaz para outro hospital. Vocês têm conhecimento do quadro dos dois? – inquiriu o médico.
Com a cabeça baixa, o pai de Ana responde com desânimo: - Sim, já fomos informados...
Ana e eu sempre fomos ligados. Mas, por mais estranho que isso pareça, esse laço parece ter aumentado após sua morte. É tão estranho, sinto-a sempre tão junto de mim. Já não sinto saudades, apenas conforto por tê-la viva em meu coração.
Minhas dores amenizaram. As corporais e as da alma.
 Não consigo mais vê-lo indo ao trabalho, andando ou mesmo triste. Meus olhos só vêem seu corpo deitado no leito do hospital, entubado e respirando por uma máquina.
Estou confusa. O que acontece, não tenho idéia. Vagas lembranças surgem aleatoriamente e, ocasionalmente, uma nova peça do mistério é posta no lugar correto.
Vejo a imagem de meu namorado correndo com o carro. Não estava com medo. Estava até gostando. Daí, só me lembro de um pequeno automóvel à nossa frente. Dor e escuridão.
 CONTINUA...


domingo, 2 de outubro de 2016

Conto: Perda - Parte I de V


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.
     
               Amigos...
            Este é um trabalho meu já bastante antigo. O tema principal é a perda. Mas como definir perda? Morrer pode ser uma destas definições, porém há muitas vidas que ficam ligadas, mesmo com o advento da morte. Afastamento também é um tipo de perda, mas há quem transforme a distância em laços. Há os que moldam os problemas e dão a eles um novo significado, aprofundando o amor ao invés de valorizar a dor. 
             A história a seguir é uma das melhores formas que encontrei para dizer que, longe ou perto, vivos ou mortos, felizes ou não, o que basta para que jamais nos desliguemos das pessoas importantes em nossa vida é, sobretudo, tê-las em nossos corações. Amar é um sentimento capaz de ultrapassar o inimaginável. E é sobre isso que escrevi... 
                O conto está dividido em 5 partes.

"Perda"

Acordo e toco, instintivamente, o travesseiro ao lado. Não há nada, além do frio de sua ausência lá. Nada além de lembranças. Lembranças.
Sinto o peso das lágrimas que não se importam em chegar sem aviso. A visão fica turva e, pouco depois, sinto o gosto salgado de lágrimas em meus lábios. Lágrimas.
          Oh, bom Deus – clamo – o que fiz para sofrer tanto? Por que ela teve que ser tão brutalmente levada de mim? – questiono, como se fosse receber uma resposta. Fico mais alguns segundos em silêncio e, abatido, me levanto para mais um dia de trabalho. O mesmo trabalho que acabou virando a minha razão de continuar vivo. Sem ele, já teria me juntado a ela há muito tempo.
Ou será apenas a covardia a responsável por me manter entre os vivos? Não sei responder com exatidão. Além do que, responder, não mudará em nada. Não trará nem levará nada. Nada.
Meus pés tocam o piso frio. Dias antes, minhas mãos tocavam a terra fria para lhe prestar uma última homenagem. A todo instante sinto a alma presa em uma cela fria de solidão. Fria.
E, desta forma, os dias se passam...
Eu o vejo, mas não posso tocá-lo. Sinto seus pensamentos e não posso expressar os meus. Sei de seu amor e, em contrapartida, sei de sua dor. Dor silenciosa e infinita. Dor por minha partida. Dor por uma senda cruel e drástica. Dor por ter de encarar a realidade.
Ele se levanta e toca o chão frio com os pés. Seus pêlos se arrepiam quando lhe digo para se agasalhar. Ele pensa ser o gélido do piso que lhe fez se arrepiar, porém minhas palavras lhe trouxeram tal sensação.
Dias atrás, meus beijos lhe trariam conforto. Dias atrás, meus dedos tocariam sua pele e trariam prazer. Hoje, trago comigo apenas lágrimas sem sabor. Lágrimas escorrendo por minha face e passando por meus lábios, sem qualquer sabor, tão intangíveis quanto eu.
Aumenta minha dor, saber de seus pensamentos maus. De sua vontade em estar comigo. Aumenta minha dor acompanhar seu sofrimento e, por ele, permanecer aqui presa. Presa por algo que deveria libertar, algo puro e iluminado, por muitos chamado de amor. Contudo, algo está me impedindo de ir e, a cada instante, as coisas ao meu redor assumem um aspecto ainda mais sombrio. Ou parto ou vagarei em um limbo de escuridão, silêncio e dor. É o que meus instintos dizem.
Busco de todas as formas com ele falar. Sem resultados, os dias apenas passam...
E, com o passar dos dias, mais definho. Mais fraco estou. Tudo, dizem os médicos, fruto de um problema emocional grave, uma depressão profunda provocada pela morte de minha mulher.
Tenho um batalhão de medicamentos na cabeceira da minha cama. Todos inúteis. Nenhum capaz de aliviar minha dor.
E o que é o tempo para quem já está morto? Sei que poucos dias se passaram desde minha morte. Sei que é cedo para que ele se recupere, mas não sei quanto tempo agüentarei. Meu horizonte está mais escuro a cada novo segundo. Logo, estarei realmente morta. Logo, minha alma será sugada para o caos. E o pior, sei que ele, caso continue assim, estará mais próximo de morrer do que imagina. Ver sua agonia é mais triste e doloroso que a própria morte.
Ainda pior: morto, ele estará ainda mais fragilizado do que eu. Ainda mais suscetível aos ataques das trevas. É uma batalha que só terá a vitória como certa através de minha intervenção. Uma intervenção conjunta com ele. Caso contrário...
Estou definhando. Perdi mais de 15 quilos em poucas semanas. Perdi uma grande parte da minha dignidade, já que estou sendo escorraçado em todos os lugares de meu trabalho. Descobri que tenho valor enquanto produzo. Descobri que fraco, sou uma pedra impedindo, não um degrau que facilita o acesso. E para onde foram os amigos? Em que labirinto estarão se escondendo de mim?
Mais dois dias se passam. Agora, uma espécie de luminosidade está começando a despontar. Sinceramente, não tenho a menor idéia do motivo, mas é muito bem vinda, já que afasta os maus que residem na escuridão. As marcas que surgiram em meu corpo estão começando a esvanecer. Pelo visto, algo de bom está para ocorrer.
Voltei do trabalho, apreensivo. Não tive muitos contratempos, mas estou com uma sensação estranha. É uma mistura entre a saudade e o medo do desconhecido. Não sei bem se estou descrevendo o que sinto corretamente... porém, é o mais próximo possível.
Hoje pela manhã, ao acordar, tive uma visão, originada pelo cansaço. Nela, vi minha esposa repousando em um leito branco, adormecida. Não sei direito, mas estou com medo do que está para ocorrer.
Estou acordada. Há pessoas ao meu redor e todas falam baixinho, como se ouvi-las fosse me incomodar. Tento ouvir o que dizem e não obtenho sucesso. Percebo uma delas com lágrimas nos olhos. A mulher chora e eu não sei o motivo. Isso me deixa agoniada, nervosa por não saber o que se passa. Olho para todos e sinalizo, sem obter qualquer resposta.
Subitamente, recordo-me de um detalhe aterrador. Não os ouço e nem posso me mostrar a eles por estar morta. Morta e, se não me engano, já em decomposição. Então, o que estou fazendo neste... hospital?
Viro a cabeça e grito com força suficiente para doer minhas cordas vocais. Ao meu lado, está meu corpo. Contudo, não estou morta. Há eletrodos presos ao meu corpo, tubos em minhas narinas e minha garganta. Minha cabeça está raspada e meu rosto inchado. Mas estou viva!!!
 Tive um pesadelo terrível. Nele, eu e minha mulher estávamos internados em um hospital. Não lembro o nome do lugar e não sei o motivo de estarmos lá. Lembro, entretanto, de um diálogo entre os médicos. Eles discutiam, entre si, quais procedimentos adotar. Queriam conversar com nossos familiares. Queriam informar que um de nós dependia demais do outro. Um de nós estava condenado a morrer e o outro era sua salvação.
Não sei se recordo direito, mas acho que, no sonho, meus pulmões haviam sido afetados por fumaça. E o mais estranho está ocorrendo agora, quando sinto um ardor intenso ao respirar. Tudo, talvez, fruto do impressionismo provocado pelo susto do pesadelo, acredito. Mas o primordial é estar vivo. Vivo e longe de um leito de hospital.

CONTINUA...




domingo, 25 de setembro de 2016

Palavras.



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Vivi muitos anos ao custo da mentira. Balbuciei palavras de amor, orei e pedi perdão... sem que nada fosse real. Falei com a eloquência de quem está à beira da condenação, e dela fugi por incontáveis vezes. Dizer o que queriam ouvir, na hora em que mais necessitavam.
Destilei um lento veneno nas vidas de pessoas que me amaram. Pela boca vivi e por ela sentenciei alguns à morte.
Sempre tive respostas para tudo, mesmo que isso não seja sinônimo de verdade. O que sei, honestamente, é que algumas pessoas insistem em passar seus temores, sonhos e esperanças. E o que acontece quando alguém como eu capta essas informações? Usa-se contra os que apenas queriam um alento. Vã credulidade.
Porém é preciso lembrar que até o mais mortal escorpião pode ser envenenado. O tempo, inimigo dos ímpios e companheiro dos justos, chegará aos que se vangloriam da oratória. Nenhuma mentira é eterna, já que mesmo quando não descoberta ela pode matar quem a proferiu. Isso se chama remorso. Isso é fatal.
Como vivi pelas palavras, hoje morrerei por elas. Não suportei a carga de tantas tragédias, incontáveis vidas destruídas. Hoje, diante de meus acusadores, confesso cada um de meus crimes, nomeio cada vida que foi encerrada por meio de minha língua. Vivi pelas palavras, matei através delas e, finalmente, ao assumir meus erros, ganhei a condenação à morte. Mas, de verdade, eu já estava morto há muitos anos.
O

quinta-feira, 31 de março de 2016

Conto escrito por Inteligência Artificial é selecionado em concurso literário japonês.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Divulgada pela Superinteressante, esta é uma notícia que surpreende e acende a polêmica sobre o uso da Inteligência Artificial. Entretanto, a verdade é que um computador, programado por humanos e com diretrizes e palavras-chave específicas para um fim único, obteve a seleção entre mais de 1400 contos em um concurso literário. Mesmo não tendo prosseguido para as fases seguintes, a notícia é espantosa, principalmente se considerarmos o processo de criação do texto: 
Os cientistas selecionaram palavras e frases que seriam usadas na narrativa, e definiram um roteiro geral da história, que serviria como guia para a inteligência artificial. A partir daí, o computador criou o texto combinando as frases e seguindo as diretrizes que os cientistas impuseram.
Ainda assim, um conto feito exclusivamente por Inteligência Artificial estar entre os primeiros trabalhos selecionados é muito animador. 
As possibilidades da IA são infinitas, mas estamos muito distantes ainda do androide David  de A.I., o homem bicentenário Andrew, os androides de Blade Runner ou os Agentes da Matrix. Seja como for, esse é um passo que pode provocar desconforto nos divulgadores das teorias de conspiração, porém é algo a ser comemorado com estardalhaço. É bom lembrar que a IA pode ser aplicada em automóveis, cirurgiões-robô, trânsito, pesquisas científicas e uma infinidade de aplicações benéficas à humanidade. 
Pena que o conto "O Dia em que um Computador Escreveu um Conto" não foi disponibilizado para leitura. 


terça-feira, 22 de março de 2016

Com você... até o fim.


Oi. Que tal estou?
Sabe, faz anos que nos conhecemos e ainda não compreendo nossa relação. Afinal, o que quer de mim? Já não lhe dei meus suspiros e lágrimas? Acaso isso foi pouco? Diga-me o que mais deseja, pois temos pouco tempo juntos.
Eu toco meu peito e sinto você em mim. Nem o sono mais pesado consegue nos manter distantes. Afinal, o que quer de mim?
Olho para o espelho e vejo outra pessoa, uma mais madura e, infelizmente, frágil. Tanta fragilidade gerada por nosso relacionamento. Cada segundo juntos trouxe dois sentimentos: o temor e o amor. Temor por nossa separação. Amor próprio. Sei que nunca mais serei a mesma sem você, porém quero o fim. Não podemos continuar juntos ou, do contrário, morreremos. Você é ácido, frio e mal, ainda que não perceba. Sua natureza é essa. Mas eu preciso de mais tempo para reparar erros, viver aquilo que você manteve distante de mim e, sobretudo, amar as pessoas que realmente me amam.
A luz está diminuindo. Meus olhos pesam e todos me olham. Alguns estão confiantes no fim dessa controversa relação, mesmo a um preço tão alto. Eu? Eu quero viver...


Maria morreu em um sono profundo, cheia de paz, esperança e isenta de dores. Ela não resistiu ao câncer, porém sobreviveu ao medo. Ela permanecerá viva em nossos corações.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Caçador e a Rainha do Gelo. Trailer comentado...



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Essa é uma continuação que explicará um pouco mais sobre as origens da Rainha Má e do Caçador, personagens vistos antes em Branca de Neve e o Caçador.
Visivelmente esse prequel focará em Chris Hemsworth, fato que se deve ao destaque do ator como Thor. Mas isso não impedirá que possamos compreender também um pouco mais sobre a Rainha Má e sua irmã, a Rainha do Gelo. 
Para quem ainda não viu o filme inicial, saiba que ele é baseado na história da Branca de Neve, porém com alguns adicionais que o transformaram em algo mais aceitável ao público jovem. Nele, a inserção de atores amados pelos jovens (Kirsten Dunst e o próprio Chris), além da presença da atriz ganhadora do Oscar, Charlize Theron, catapultaram a produção. Claro que uma nova visão do clássico conto também contribuiu muito para o sucesso.
Bem, a óbvia vitória da Branca de Neve na trama inicial não impediu o ressurgimento da Rainha Má nessa continuação que se passa antes. O trailer mostra que a Rainha do Gelo (Emily Blunt), Freya,  é a irmã mais nova de Ravenna (Charlize Theron). Freya criou um exército de caçadores, guerreiros hábeis e assassinos treinados. Ela busca o poder do espelho, aquele que Ravenna usa no primeiro filme.
Freya, no trailer, avisa que não se trata de um conto de fadas. Trata-se de guerra, guerra contra um de seus caçadores.
O Caçador (cujo nome ainda não foi citado) une-se a uma Guerreira chamada Sara, interpretada por Jessica Chastain. A dupla e seus guerreiros querem acabar com o reinado de medo de Freya, porém não contavam com a união dela a sua irmão, a Rainha Má. Juntas, seus poderes são inimagináveis e devastadores, mas é bom lembrar que estamos falando de uma história inspirada em um conto de fadas, cujos finais, principalmente após o advento Disney, não costumam ser trágicos.
As cenas da Guerreira lembram bastante a performance de Scarlett Johansson como a Viúva Negra. Acrobacias e efeitos especiais estão por todo o trailer. Isso, entretanto, não é garantia de algo grandioso. Espero que o roteiro seja coerente a ponto de não precisar se sustentar só com ação.
Eu vejo um filme cuja capacidade de entretenimento é grande. No mais, mesmo tendo um elenco com boas e lindas atrizes e o carisma de Hemsworth, fica difícil aguardar algo além de um blockbuster.
Claro que eu espero estar muito enganado...
Vejam o trailer e teçam suas próprias conclusões.



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