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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Breaking Bad. Review da segunda temporada.



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Sejam bem-vindos a mais uma resenha de Breaking Bad. Segunda temporada, novas emoções... e muito mais tensão e violência.

Só para relembrar, eis o link para a análise da primeira temporada: Breaking Bad Season 1.

Ok, hora de retomar o carro da montanha russa, pois as vidas de Walter White e Jesse Pinkman estão fincadas em um desses carrinhos, talvez com a trava ruim. E o que é pior: eles levam muitas pessoas nesse brinquedo fatal.
O que vocês verão é a exata sequência dos fatos da primeira temporada. A palavra correta seria “consequências”. Para cada ato, seja da dupla de desajeitados traficantes ou de Hank, Marie ou Skyler, não importa, haverá uma consequência. Acredito que a segunda temporada aborde, talvez propositalmente ou não, a consequência como uma lição, algo a ser aprendido, já que uma das leis da física é levada ao extremo em cada episódio: para cada ação, uma reação de igual intensidade.
Antes, contudo, uma observação que mostra o quanto a produção de Breaking Bad é apurada. Os episódios são iniciados com cenas que informam aos espectadores o que os aguarda no futuro. Como quase sempre não sabemos do que se trata, a tensão só aumenta. Nesta segunda temporada, o fantasma que nos acompanha – como se fosse o Natal Futuro – é um maldito urso de pelúcia com metade de seu corpo carbonizado. Então, preparem-se para agonizar até descobrir do que se trata. Mas, honestamente, essa espera é válida.

As continuidades são pontos altos da trama.

Esse é um ponto crucial da temporada: os vínculos entre personagens e os atos por eles tomados. O que é aparentemente aleatório acaba ganhando importância mais à frente, fato que deixa mais sólida a narrativa e evidencia o apuro do produtor e dos roteiristas.  Esse zelo pelo espectador é algo a se acrescentar ao rol de elogios que a premiada série merece.
Até aqui, cada ponta que surge recebe sua contraparte para que o nó seja feito. Os lapsos de memória comuns em alguns roteiros mais fracos são, felizmente, inexistentes.
E como andam nossos amigos e suas aventuras pela série?

Walter e Jesse.

Esse dois são moldados episódio por episódio. A vida de Walter ganha ares de desgraça por ter dinheiro para seu tratamento, ainda que seja dinheiro oriundo do tráfico. Para piorar, Walter Jr, agora Flynn, encontra um meio de arrecadar grana para seu pai e isso, acreditem, castiga a consciência de Walter a cada segundo.
E isso é apenas o começo das desgraças na vida de Walter.
Ele obtém muito dinheiro através de uma parceria com um sombrio e potencialmente perigoso distribuidor de drogas: Gus. Sua aparência calma e confiável esconde um perigosíssimo traficante, capaz de tudo para manter sua rede. Pouco do poder real de Gus é mostrado, o que não impede o espectador de temê-lo a cada nova aparição. Sua influência é descomunal, seja como traficante ou como cidadão de bem. Ele é um indivíduo com várias faces. Todas elas escondem seu verdadeiro lado ruim, a verdadeira face do mal.
Walter ainda tem que lidar Walter Jr, agora chamado de Flynn, interpretado pelo ator R J Mitte. Os esforços de Flynn para ajudar o pai são verdadeiros socos no estomago do pai que não sabe lidar com a situação e tem vergonha de seus atos quando comparados com os de Flynn. Ele é um ponto de apoio para o químico, mas também serve como uma constante acusação de seus atos errados, um lembrete.
Skyler é outra confusão de sentimentos. Fruto direto dos erros da primeira temporada, sua confiança em Walter só tem diminuído. Mas ela é uma boa mulher e isso pode pender a favor de White. A pergunta é: até quando ele conseguirá manter as mentiras longe de sua família?

Já Jesse, nesse intervalo, conhece uma linda mulher. O passado dela é revelado aos poucos, apenas o suficiente para percebermos, como espectadores, que ele e ela têm muito em comum. São esses pontos coincidentes que os aproximam. Essa mulher, Jane Margolis,  se torna a obsessão de Jesse e ela o influencia cada vez mais. Logo essa influência coloca Jesse e Walter em rota de colisão. É nesse ponto que Walter mostra o quanto está disposto a manter seu dinheiro e a vida de traficante, assim como fica bem claro seu apreço pelo jovem Jesse.
Definitivamente, é hora de sacrifícios.

P.S.: se não conhecem Krysten Ritter, basta dizer que ela é a Jessica Jones do seriado homônimo.

A temática das drogas.

Apesar de serem temas comuns, a venda e o uso de drogas ainda dão fôlego à narrativa. Aliás, vale evidenciar, são as nuances desse mercado negro que dão fôlego a alguns episódios. Afinal, ser traficante não é apenas vender drogas. É preciso estabelecer e ampliar territórios, criar uma rede de distribuição, prever possíveis baixas e novas “contratações” e, sobretudo, ter um bom advogado para cuidar das peculiaridades da lei.
Bem, esse é outro ponto alto da segunda temporada. Apresento-lhes Saul Goodman.
A participação desse advogado sem escrúpulos foi tão boa em Breaking Bad que acabou lhe rendendo uma série só sua. Preparem-se para uma falta de escrúpulos absurda e, ainda, corrupção, manipulação da lei, lavagem de dinheiro e tudo mais que um “bom” advogado sabe lidar. Saul é um personagem inesquecível, assim como seu slogan: “Better call Saul”.

Descida da montanha-russa.

Eis um ponto inevitável. Ao subir uma montanha, cedo ou tarde terá que encarar a descida. E descer pode ser mais rápido, porém isso não é sinônimo de facilidade.
Walter e Jesse se deparam com os frutos de seus atos. Suas vidas são sacudidas de forma brutal e impiedosa e eles descobrirão, do jeito mais doloroso, que lidar com drogas e mentiras é muito mais difícil do que parece. E o que é pior, o preço sempre será cobrado.

Volto a afirmar que Breaking Bad é uma série que merece ser vista por suas inúmeras qualidades e, sobretudo, pela coragem em abordar o lado humano (e nem por isso inocente) do tráfico de drogas.
Há outros fatos nessa temporada. Não vou expô-los para não estragar os muitos pontos interessantes e importantes da trama.

Músicas.

A trilha sonora da série é um universo à parte. Agora, nessa segunda temporada, o destaque ficou pela música de entrada (um videoclip) do episódio 7. Confiram o clip e estejam preparados para nunca mais esquecer a canção.



Lista de episódios:

S02E01 - Seven Thirty-Seven;
S02E02 - Grilled;
S02E03 - Bit by a Dead Bee;
S02E04 - Down;
S02E05 - Breakage;
S02E06 - Peekaboo;
S02E07 - Negro y Azul;
S02E08 - Better Call Saul;
S02E09 - 4 Days Out;
S02E10 - Over;
S02E11 - Mandala;
S02E12 - Phoenix; e
S02E13 - ABQ.
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Breaking Bad. Review da primeira temporada.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

O que esperar de uma série sobre tráfico de drogas? Já vimos muitas com esse tema. Algumas mais pesadas, outras mais leves, mas, via de regra, todas seguiram um padrão.
Breaking Bad é inovadora em um ponto: ela mostra a ascensão de um anti-herói como ainda não havíamos visto. Walter White é o típico cidadão de meia-idade. Seus complexos e problemas são comuns à maioria dos homens de sua idade. Ele é um homem que acaba de completar 50 anos, será pai em breve e vive a dura rotina de ter dois empregos para sustentar a família. Até aí, tudo ok. Mas nem só de alegrias vive o professor de química Walter White. 
Walter tem a desgastante rotina de ministrar aulas para alunos que não se importam com os ensinamentos que ele passa. Também há o desprezo de seu patrão do segundo emprego, onde a função de caixa é sempre posta de lado para que ele assuma outra mais braçal. Não bastassem esses problemas, o químico ainda tem que lidar com as dificuldades de seu filho, um jovem que aparenta ter sofrido paralisia, limitando não só seus movimentos físicos como também a fala.
Enfim, o que dizer de uma rotina tão estressante? Porém, pela família, vale a pena.
Claro, nem só pedras são dadas a ele para carregar. A família traz pequenas alegrias ao professor. Sua esposa o ama, seu filho tem um raciocínio rápido, os cunhados estão presentes e servem de base para ele. Entre tantos entraves, ainda resta um pouco de alegria e esperança.
Ou não.
O professor descobre que é portador de um câncer no pulmão. Os custos para efetuar uma quimioterapia são altíssimos e não há dinheiro suficiente ou um plano de saúde para ampará-lo. Mesmo com o apoio dos familiares, a escassez de dinheiro e as preocupações com o que ocorrerá após sua morte deixam Walter em depressão. 
Durante seu aniversário, ele assiste a uma reportagem sobre a apreensão de drogas e a prisão dos traficantes. Curioso, Walter questiona seu cunhado, o investigador da Divisão Antidrogas Hank Scharader, sobre quanto dinheiro havia no local. As informações de Hank incitam ainda mais a curiosidade do professor que pede a ele a oportunidade de participar de uma dessas apreensões. E é aí que os caminhos de Walter se cruzam definitivamente com Jesse Pinkman, um ex-aluno dele.
Jesse é um pretenso traficante, mas com pouco talento. Entretanto, Walter vê nele a chance de ganhar o dinheiro para seu tratamento. Juntos, eles podem produzir metanfetamina suficiente para custear os remédios e, em breve, não será necessário pedir dinheiro emprestado.
Nesse ínterim, Walter e Skyler, sua esposa, vão até uma festa de aniversário de um amigo antigo. Skyler desabafa com esse amigo, muito rico, e ele se propõe a custear o tratamento. Há, porém, um fato que impede-o de aceitar, um fato ligado ao passado de Walter e a esposa desse amigo do passado.
 No meio dessa bagunça generalizada, vamos percebendo uma gradual mudança de comportamento no professor de química. De um pacato e reprimido homem ele vai, aos poucos, se tornando alguém mais destemido. Seja motivado pela morte próxima devido ao câncer, seja por querer se distanciar de sua personalidade submissa, Walter White cede lugar, lentamente, ao seu alter ego, o produtor de metanfetamina Heisenberg. 
O que será dele e de Jesse, principalmente quando Hank entra na história para investigar esse novo traficante? Só o tempo dirá. Garanto, porém, que esses sete primeiros episódios da temporada inicial são tensos, depressivos e até divertidos, dando-nos uma clara impressão de que o futuro de Walter/Heisenberg não será fácil. 

O elenco.

A escolha do elenco está excelente. Desde personagens menos presentes (como o dono do lava a jato Bogdan) até o próprio White, interpretado pelo brilhante Bryan Cranston, todos estão muito bem encaixados em seus papéis.
As representações são convincentes e marcantes, oscilando entre o humor e o drama de modo bem convincente.
Breaking Bad conta com os seguintes atores em sua primeira temporada: Bryan Cranston (Walter White), Aaron Paul (Jesse Pinkman), Anna Gunn (Skyler White), R. J. Mitte (Walter Jr.), Dean Norris (Hank Scharader), Betsy Brandt (Marie Scharader), Raymond Cruz (Tuco Salamanca), Marius Stan (Bogdan Wolynetz) e outros.


Lista de episódios:
Ep. 1 : Pilot
Ep. 2 : Cat's in the Bag
Ep. 3 : ...And The Bag's In The River
Ep. 4 : Cancer Man
Ep. 5 : Gray Matter
Ep. 6 : Crazy Handful of Nothin'
Ep. 7 : A No-Rough-Style-Type Deal

Aguardem as resenhas das próximas temporadas. Breaking Bad se tornou uma referência não à toa. E é por isso que ela será o foco nas próximas análises do Apogeu.

Atualizado: Review da Segunda Temporada.

Curtam o trailer da primeira temporada e até o próximo review.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Novo conto: A pedra.


Por: Franz Lima.

Quase nove da noite. O tempo está frio de novo. De novo também estou sem agasalho.
As pernas doem. Passei o dia catando sucatas. Só comi uma coxinha e bebi água. Nada mais.
Cheguei cedo ao beco. Cumprimentei uns conhecidos e me sentei no lugar de sempre. Há regras aqui e uma delas é muito respeitada: o lugar onde alguém vai fumar, depois de marcado, não pode ser tomado.
Já deve ter uns oito meses que estou nessa. Não vou culpar a pobreza ou a família que não me ama. Nunca fui pobre e amor não faltou. Mas o pó já não bastava. A pedra era a única coisa que me dava onda. Então, um dia, eu me dei conta de que havia abandonado tudo. Foda-se tudo. Só fumar me interessava.
Sei onde minha família está. Já passei em frente da casa umas dez vezes, de madrugada, só para ver se a coragem de voltar batia, mas a vergonha sempre foi maior. Eu decepcionei tudo e todos.
Uma garoa bem fina começa. O frio aumenta e dá pra ver os cachimbos sendo acesos. Algumas pedras para dormir e sonhar.
Meu amigo mais chegado apareceu. Está muito mais magro que eu. A fome estampada nos olhos. Mas, como já disse, fumar é prioridade.
Acendemos juntos. Isso é o mais próximo de amizade que me restou.
Alguns passam na nossa frente e olham. Eles querem fumar, porém terão que batalhar a grana pra isso. Uns roubam nas redondezas, outros matam. Tudo é questão do nível do vício. Eu, confesso, só roubei uma vez.
Dou a primeira tragada e a onda me arrasta para um lugar mais calmo. A fome e a vergonha somem por breves momentos. Não vejo mais meu amigo, apesar de saber que ele também embarcou.
A luz do cachimbo ilumina meu rosto. A alma continua escura.
O resto aconteceu muito rápido. Um cara chegou e tentou tomar as pedras que não usei. Eu resisti, mas algo furou minha barriga. A dor é breve. Olho para o lado e meu amigo está morto. Os outros não fazem nada para nos ajudar. Os ladrões são rápidos e covardes. Péssima decisão a nossa de ficar no canto mais isolado. Péssima decisão.
Olhei para a camisa e percebi a mancha vermelha aumentando. Mijei de medo. Nestes rápidos minutos, mesmo tão perto da morte, percebi que as luzes dos cachimbos continuavam a oscilar, iluminando as faces dos desesperados. Ainda assim, lamentei não poder dar mais uma tragada.
Logo, todas as luzes cessaram.

Acordei com a chuva no rosto. O frio estava muito mais forte e eu tremia. Não olhei para baixo por longos segundos. O furo seria muito grande? Não sentia as pernas. Olhei e não havia buraco ou sangue. Então, percebi que algo estava em cima da minha mão. Olhei para o lado e vi meu amigo, realmente morto. A barriga cortada e sem suas coisas, assim como eu. Fomos roubados e, por algum motivo, me pouparam.
Afastei minha mão da dele. O frio do seu corpo era maior que o da chuva.
Levantei e olhei ao redor. Desolação e sujeira sem fim. A morte me visitara.
As mãos tremeram e uma tontura forte me atingiu. Vomitei. Melhorei.
Meu amigo estava no chão e, enfim, em paz.
Saí do beco e andei sem rumo. Fui poupado da morte, porém vivi cada segundo da agonia dele. Eu vivi sua partida, talvez quando em desespero ele agarrou minha mão.
Caí numa calçada e lá chorei por tudo que perdi. Chorei pela família, por meu amigo assassinado a troco de nada, por minha dignidade e o futuro abandonados.
Será que ainda haveria esperança?
Caminhei bastante, mesmo fraco e com fome. Parei em frente a uma porta branca e lá fiquei por longos minutos. Adormeci.
Uma mão me tocou e despertei com medo. Será que os assassinos voltaram?

Ouvi uma voz suave e a reconheci na hora. Acima de mim, olhando para meus olhos, estava minha mãe. Ela tinha no rosto a expressão de quem não acreditava no que via. A dó estava entranhada em cada centímetro de sua face.
O que fez a você? - ela sussurrou.
Suas mãos tocaram meu rosto e removeram uma parte da sujeira. Eu chorei e me senti algo desprezível. Ela, contudo, só sentia pena, pois as mães sempre sentirão compaixão por seus filhos.
Sem que precisássemos dizer uma única palavra a mais, ela me ajudou a levantar e me pôs para dentro da casa. Muito havia para ser dito. Muito havia para ser consertado. 
Nos braços dela, finalmente protegido, lamentei a morte do único amigo que tive naquele inferno. Sua jornada havia acabado, mas a minha apenas começara. Seria um longo e tortuoso caminho para sair do vício. Eu agradeci por mais esta oportunidade. E eu não retornaria ao valão de onde vim, isso era uma promessa...

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terça-feira, 11 de março de 2014

Quando o governo autoriza a morte de pessoas em troca de impostos



Por: Franz Lima
Somos críticos naturais do uso da maconha, crack ou outras drogas ilícitas. É errado consumir tais substâncias devido aos males por elas provocados. Esse é o senso comum sobre o assunto. E há algo de errado nisso? Não, não há nada de errado em criticar e se opor aos entorpecentes, pois eles são potencializadores do lado negro do ser humano. 
Caso tenha estômago e coragem, analise algumas das estatísticas de mortes de jovens no país e verá que a maioria - e não estou exagerando - ocorre após o uso de produtos que tiram o ser humano de seu estado normal. Drogas são um câncer e matam mais do que guerras.
Mas o que diferencia essas drogas ilícitas das que são comercializadas normalmente? Por que é correto comprar o cigarro, a cerveja, o whisky ou a cachaça? O fato de pagarem impostos e serem comercializadas em estabelecimentos como bancas de jornais, bares ou restaurantes dimunuem os estragos produzidos por elas?
Os acidentes provocados em estradas e nas cidades por causa do uso do álcool são cada vez mais frequentes. Vidas são destruídas em fração de segundos. Acrescentemos a isso os incontáveis prejuízos dos que passarão por anos de fisioterapia ou tratamento para recuperarem-se dos estragos sofridos. 
Junte a esses problemas os inúmeros traumas psicológicos gerados pelo descontrole causado pelas bebidas alcoólicas: famílias desestruturadas, brigas, violência, dependência química, péssimos exemplos aos filhos e até a morte. Mesmo pagando seus impostos e não recebendo o título de 'droga', as bebidas alcóolicas, tão comuns nas baladas e comemorações, são responsáveis diretas pela morte de milhares de pessoas todos os anos. Acrescente outros milhares de homens e mulheres com sequelas provocadas pelos atos descontrolados dos usuários.
E o que falar dos cigarros? Hospitais recebem, tratam e, eventualmente, perdem milhares de pacientes que fizeram uso do cigarro. Eles são tão viciados quanto os usuários de crack, cocaína e maconha. Entretanto, seus fornecedores não sofrem quaisquer represálias da polícia ou de qualquer órgão repressor. São vendidos livremente e até para crianças, mesmo diante de uma lei que proíba tal ato. O fato é que existe uma fiscalização forte, porém nem sempre eficiente, contra o tráfico de drogas e, em contrapartida, não há quaisquer impecilhos para comprar, vender e usar o cigarro. 
E quais conclusões pode-se tirar disto? O Governo não reprime quem lhe dá lucro. As rídiculas propagandas no fundo dos maços de cigarro de nada servem. As Operações da Lei Seca tornaram-se grandes fontes de renda para os governantes, ainda que essa ação seja louvável e tenha obtido ótimos resultados. Nossos jovens continuam tendo acesso em baladas a todo tipo de bebida, drogas e cigarro. Esse acesso tem seu preço: morte, brigas, vício, acidentes, estupros e uma infinidade de problemas de igual porte ou piores. Esse é o preço que a sociedade paga quando os governos recebem para não proibir. 
Não pensem que sou um repressor. Não apóio as proibições, contudo é inegável que o câncer, o alcoolismo e a morte rondam as famílias dos usuários desses produtos que cumprem com seus deveres e pagam aquilo que a lei cobra. São legais perante as leis, porém são tão criminosas quanto um indivíduo que pega uma arma e atira contra um inocente.
São palavras duras e que poderiam ser evitadas, já que irão ofender muitos. Mas a verdade é uma: a omissão também é um crime.




sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Nyaope, a nova droga africana, é a comprovação de que o vício pode ser fatal.



Texto: Franz Lima

Uma droga com potencial destrutivo gigantesco, poder de viciar muito maior que a heroína e a maconha, além de efeitos alucinógenos capazes de fazer um ser humano se equiparar a um zumbi é a nova praga que infesta a África. Chamada de Nyaope, a droga é uma mistura de heroína, maconha, veneno para ratos e até resquícios de remédios para portadores de HIV. 
Essa nova droga ainda não foi classificada como substância ilegal pelas agências de saúde africanas, fato que dificulta o trabalho das autoridades para combater o tráfico e a propagação da mesma. Logo, ver pessoas se dopando em plena rua não é uma cena incomum. Tal como acontece com um domador que menospreza o poder de destruição do leão, os usuários de Nyaope iniciam o consumo com a crença de que podem sair a qualquer momento, mas isso é um engano fatal. O composto tem índice de dependência incomensurável. Usuários sofrem sequelas e ficam à beira do abismo por conta do vício. Não é difícil encontrar famílias que já sofrem em larga escala por causa de parentes que não mais conseguem controlar o vício. Mesmo relativamente barata, chegará uma hora onde o dinheiro acabará e, infelizmente, o viciado não medirá esforços para obter a droga. 

"Eu preciso fumar esta coisa. É nosso remédio. Não podemos viver sem. Se eu não fumar, fico doente", diz outro usuário, que prefere não dar seu nome, entre baforadas da droga.
Para piorar a situação que já é gravíssima, o Governo promete estabelecer Centros de Recuperação que, infelizmente, irão de encontro ao crescente número de usuários. Tal como zumbis, os viciados em Nyaope e outras drogas similares surgem quase em progressão geométrica. Assim, combinando o rápido crescimento de usuários com o marasmo político, temos perspectivas mais do que preocupantes.



O que fica de lição com essa alarmante notícia? Não há ser humano capaz de resistir ao vício, principalmente quando temos novas e mais potentes drogas, destinadas a aprisionar o usuário e, aos poucos, matá-lo. A melhor forma de combater esse tipo de mal é distanciar-se dele e aproximar-se dos que são dependentes. Vidas precisam ser removidas deste verdadeiro abismo antes que não haja mais volta.

Maiores informações: G1 via BBC

domingo, 19 de maio de 2013

O cigarro e seus malefícios evidenciados em propagandas.


Quando as imagens realmente valem por mil palavras...

Com cigarro, tudo vira cinza



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Batman e Drácula: 20 anos de uma ótima minissérie.



Por: Franz Lima

Atualmente existem dois indivíduos que estão vinculados à imagem do morcego e são mundialmente conhecidos: Drácula e Batman. Criados respectivamente por Bram Stoker e Bob Kane, eles existem há muitos anos, porém em "realidades" diferentes. Além disso, Drácula é a antítese do Batman: ele mata sem piedade, é cruel e imortal.
Entretanto, mesmo tão diferentes e de mídias também distintas (o vampiro é oriundo da literatura), não havia impedimentos para a junção, o encontro entre os dois ícones (o hoje popular crossover), porém em 1992, ano de lançamento da minissérie, essa "união" ficou conhecida como uma das mais sombrias HQ da época.
E quais seriam os diferenciais?
Cito, para começar, o ótimo roteiro de Doug Moench que somado aos desenhos de Kelley Jones (consagrou-se com Hellboy) e as cores de Malcom Jones III e Les Dorscheid, geraram a melhor história do Batman do gênero (terror).
Para esclarecer melhor, vamos ao que se passa na minissérie.
Batman vive na querida e doentia Gotham. Não há indícios dos vilões clássicos, apenas ladrões, arruaceiros, prostitutas, bêbados e mendigos (esqueçam o politicamente correto 'moradores de rua') que usam drogas quase como alimento. Em uma nítida crítica ao descaso das autoridades por esses "indigentes", a trama evolui mostrando o assassinato dos marginalizados acima citados. Porém, por serem de uma parcela miserável da população, tais mortes são investigadas com lentidão, sob sigilo, para evitar o pânico e a queda da popularidade do Prefeito. Sob ordens restritas, pouco resta ao Comissário Gordon fazer.
É no meio desse jogo político que está o Homem Morcego. Sem o jugo da ganância eleitoral e da hierarquia, Batman passa a investigar tais crimes. 
com o decorrer da investigação, uma conclusão é obtida: o número de mortos é muito, muito maior. Também constata-se outro fato importante que é a presença de um matador que antes só habitava os livros, um predador que saiu da mente de um escritor para a vida real. 
No meio desse conflito mental, Batman depara-se com o imortal Drácula e as consequências são terríveis. 
Com um inesperado apoio, vital para não só combater o Mal que ganha vulto, como também para mantê-lo vivo, Bruce Wayne opta por uma nova abordagem, pois sua vida também está mudando radicalmente.
O restante das revistas mostra um vampiro lendário que sobre as sequelas do vício daqueles que ele considera alimento. É aqui que Doug Moench aborda - com maestria - o problema das drogas. Elas afetam não são os usuários. Afetam todos que estão ao redor de quem vive esse vício... inclusive o próprio Drácula.
A arte, as cores e o roteiro contribuem para uma épica conclusão onde todos os temas polêmicos abordados durante a obra mostram suas sequelas, seus resultados. Drácula e Batman são lendas em rota de colisão e vale cada segundo aguardado até o impacto. Quem será vivo dessa história é o menos importante. O que conta é "como" sairá...
Garanto que vocês concordarão comigo quando digo que este é o melhor crossover entre um super-herói e o vampiro. Eu comemorei estes 20 anos de publicação da HQ relendo-a... mas sei que logo voltarei a tê-la em mãos.






segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A legalidade que mata... fumo e bebidas.



Por: Franz Lima
Cheguei a um ponto da vida onde não dá mais para ser democrático ou tolerante, principalmente diante das calamidades provocadas pela imprudência, desrespeito e irresponsabilidade das pessoas. Honestamente, não há como sentir pena de um cidadão honesto e trabalhador que, motivado pelo álcool, mata. Por melhor que o indivíduo seja, sua irresponsabilidade gerou a perda de uma vida e isso não pode passar em branco. Quem perde um parente ou amigo sabe a dor provocada. Não há retorno para a morte, mas a justiça para quem foi o agente causador de tal fato já é um peso a menos nos ombros dos entes queridos. 
Nem todos presos pelo álcool são alcoólatras.
A Lei Seca é uma ótima ideia e tem gerado bons resultados. Entretanto, na minha opinião, isso não basta. Multas e prisão não são suficientes para amenizar as dores que a covardia de um bêbado ao volante pode causar. Sou categórico ao afirmar que apenas a TOTAL proibição de bebidas alcóolicas pode reduzir drasticamente as estatísticas tristes que temos diariamente. Rigor extremo para um problema extremo. Fim das drogas legalizadas é o minimo que os políticos preocupados com seu recesso, férias e aumentos poderiam lutar para que a sociedade melhore. 
Agora, antes que alguém diga "e meus direitos, onde ficam?", vou relembrar que o direito de um cidadão termina onde começa o de outro. Ponto. Que direito você quer? O de ingerir bebidas e perder o controle de suas ações? O direito a pegar um carro e sair sem qualquer controle? O direito de beber até não ter ciência do certo e errado e, por tal motivo, espancar alguém mais fraco? Sim, essas são as situações mais comuns em famílias onde há alcoólatras: violência familiar, abuso, doenças provacadas pelo consumo do álcool, descontrole, brigas e muito mais. Não há o tal do "bebo socialmente". Quem não bebe socialmente está isolado em um deserto, na floresta ou outro lugar ermo. Todos bebem socialmente e todos pagam por isso. 
Estou sendo exagerado?
Admiro o trabalho dos Alcoólicos Anônimos, porém ainda penso em uma sociedade onde não haverá necessidade de tal grupo. Utopia? Talvez... o que não implica em dizer que tal sonho seja menos importante.
Somem os estragos gerais (tratamento, hospitalização, transporte, acidentes, mortes, psicólogos, propagandas...) e verão o tamanho da despesa geral provocada pelo uso de bebidas alcóolicas. 
Opa! Alguém aí falou que esse mercado gera emprego? Sim, sem dúvida. Também gera muitos empregos o mercado das funerárias, floriculturas, bombeiros, polícia e tudo o mais relacionado ao problema e, tenho certeza que todos os profissionais citados iriam ficar satisfeitos com um corpo a menos, uma morte a menos nos gráficos. Ou estou errado?
Chega de campanhas milionárias com mensagens leves. Precisamos de atitude, força e determinação para extirpar esse mal. E não me venha dizer que na Holanda e em outros países as coisas fluem diferente, mesmo com total liberdade para usar bebidas e drogas. Lá também morrem pessoas por conta disso e, honestamente, é preciso tomar conta primeiro do seu próprio terreno para - somente - depois cuidar do terreno vizinho. São realidades diferentes. Aliás, quantos holandeses você conhece?
O mesmo que eu disse se aplica também aos cigarros. Outra droga "legal" que mata a longo prazo. Pessoas tem suas expectativas de vida reduzidas, gastam o que não tem e ainda diminuem a qualidade de vida para sustentar um vício. Cigarro e bebida matam, cada um com seu método, mas com eficiência comprovada. 
Então, após tanto falar, ficaremos rindo quando um amigo ficar bêbado ou fumar um Gudang? Qual a graça em ver uma pessoa morrendo lentamente? O que há de hilário em saber que alguém irá matar por ter bebido? Por que é engraçado dizer que vai 'fumar um cigarrinho' ou 'pegar uma bebidinha'? Usar as palavras no diminutivo irá minimizar as desgraças provocadas pelo vício?
Não há legislação do mundo que me convença que o direito ao uso de tais drogas é lícito, principalmente quando ele tira alimento de mesas, diminui a qualidade de vida, estraçalha famílias, mata pessoas e, em contrapartida, enriquece empresários despreocupados com todas essas desgraças.
A democracia pode ser contrária ao que digo, isso é fato. Contudo, a preservação da vida é favorável às minhas palavras. 

Concorde ou não, peço que deixe seu comentário sobre esse artigo.  Sua opinião é muito importante.

O vídeo abaixo é uma campanha antitabagista  inglesa. Ela procura chocar, mas imagens e sons são esquecidos. É preciso extirpar esse 'câncer' do nosso convívio.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Benício Del Toro será Pablo Escobar.


Benício Del Toro
Fonte: Empire.
Várias tentativas de transpor para o cinema a história do tráfico de drogas da Colômbia - na figura de Pablo Escobar - resultaram em filmes de qualidade duvidosa. Agora o ator-diretor Andrea di Stefano está definido para ser o responsável pelo novo projeto, e já escalou Benicio del Toro para o papel principal em Paradise Lost.
O diretor também escreveu o roteiro, que tem uma abordagem original para retratar Escobar.
Ele vai se concentrar em Nick, um jovem surfista que vai visitar seu irmão na Colômbia e se apaixona por uma garota local chamada Maria. Mas há um problema com Maria que Nick não pode resolver facilmente: seu tio é Pablo Escobar.
Assim, o filme é descrito mais na veia de O Último Rei da Escócia: não é um filme biográfico sobre Escobar, mas em vez disso tecerá a história dos jovens amantes em torno das ações do narco-traficante.
Di Stefano planeja começar a filmar em março do ano que vem, no Panamá. Como ator, ele também vai ser visto nas telas em "As aventuras de Pi", que tem estreia prevista em circuito americano para o dia 20 de dezembro.
Del Toro estará no elenco de "Jimmy Picard" e um dos novos filmes de Terrence Malick, projetos ainda sem título.

Franz says: As interpretações de Del Toro são, em sua maioria, muito boas. A única preocupação em relação a esta produção é um provável desvio no roteiro que, infelizmente, pode tender ao romance e deixar em segundo plano a relevância de Escobar, minimizando a participação do ator. Resta apenas aguardar mais notícias sobre o filme.  

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Autora de 'Harry Potter' cogita novas versões para livros escritos 'às pressas'


Fonte: BBC Brasil.

A autora da série de livros protagonizados pelo mago Harry Potter, JK Rowling, afirma que cogitaria fazer novas versões para diferentes livros da série.
Em entrevista à BBC, a autora, que está lançando um novo livro, The Casual Vacancy, conta que teve de ''escrever às pressas um (livro da série Harry Potter) no começo e outro mais para o final'' e acrescentou que alguns destes livros precisavam de mais um ano de gestação. 
''Eu os reli e pensei: 'Oh, Deus, talvez eu faça uma versão de diretor, não sei'.''
''Mas tenho orgulho de ter escrito nas condições em que escrevi, ninguém jamais saberá o quanto foi duro.''
A autora acrescentou, no entanto, que não cogita criar um novo título da série. ''Foi como um assassinato dizer adeus (a Harry Potter). No que diz respeito a Harry, já deu para mim. Se eu tivesse uma ideia fabulosa que saísse daquele mundo, como eu adoro escrever sobre ele, eu o faria.''
Mas ela destacou que teria de ter uma grande ideia, ''porque não posso agir mecanicamente, juntar pedaços e dizer: 'vamos lá, vamos vender isso'. Seria debochar do que aqueles livros representam para mim''.

'Livro pessoal'

A autora está divulgando na Grã-Bretanha sua obra mais recente. The Casual Vacancy é um livro adulto com temas fortes, como consumo de drogas e sexo adolescente, um universo muito distinto das aventuras de Harry Potter.
A história se passa em uma pequena cidade inglesa e trata de um conjunto habitacional mal frequentado que se torna uma fonte de divisões em uma sociedade marcada pelo preconceito, o ódio e a exclusão social.
''É um livro muito pessoal, que fala de coisas sobre as quais penso muito a respeito. É pessoal no sentido de que lida com problemas que afetaram a minha vida em um sentido muito real, como pobreza, por exemplo.''
Indagada pela BBC se algumas das experiências vividas pelos personagens refletem a sua própria história pessoal, ela afirma que ''não gostaria de entrar muito nisso'', mas acrescenta que:
''Como já foi fartamente documentado, já tive problemas com questões de saúde mental, já sofri de depressão e, na minha adolescência, tive problemas com ansiedade'', relata.
Jk Rowling se tornou uma das autoras de maior sucesso mundial graças à série Harry Potter, que vendeu cerca de 450 milhões de cópias em todo o mundo.

Franz says: A vida dela só comprova que todos temos altos e baixos, o que não nos impede em prosseguir. Seu novo trabalho merece nosso prestígio, principalmente por conta do tempo que ela teve para concluí-lo. As outras obras, da série Harry Potter, foram prejudicadas pela pressão editorial e dos fãs para que apressasse a publicação, fato que está mais visível, na minha opinião, no último livro.
Boa sorte à autora...


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

10 anos sem Cássia Eller: MTV e Universal prestam homenagens


Gravadora Universal e MTV preparam especiais para lembrar uma década sem a cantora

São Paulo - Eram 18h quando uma multidão formada por 85 mil pessoas assistiu àquela mulher subir no palco, com uma faixa no cabelo, acompanhada por seu inseparável violão. O ano era 2001. Cássia Eller, aos 39 anos, estava no auge. Ela abria a segunda noite da terceira edição do Rock in Rio com a missão de tocar rock - no dia anterior, Gilberto Gil, James Taylor e Sting tiveram seu apelo, mas falharam no quesito roqueiro.

Meio travessa, meio ensandecida, a cantora não poupou esforços para fazer valer o rock que dá nome ao festival. Até os seios mostrou. Fez versões pesadas de "Partido Alto", de Chico Buarque, a "Come Together", dos Beatles. Contou com a participação especial da Nação Zumbi, para dar o tempero brasileiro na festa toda, que, naquela noite, teve também Fernanda Abreu, Barão Vermelho, Beck, Foo Fighters e R.E.M.

Dez anos depois, o festival voltou ao Rio. Mas Cássia, não. No fim daquele ano, em 29 de dezembro, há exatos 10 anos e dois dias antes de se apresentar na virada de ano na Barra da Tijuca, a carioca não resistiu a um fulminante enfarte do miocárdio - as suspeitas do uso de cocaína e álcool foram rechaçadas pelos médicos legistas. O mundo perdia aquela que talvez só fosse uma garotinha crescida.

Cássia Eller se foi quando vivia a melhor fase da carreira. Além do show irrepreensível no Rock in Rio, em 2001, a cantora lançou o seu mais rentável disco, "Acústico MTV", que vendeu 1,1 milhão de cópias. Foram 95 apresentações em um ano.

Para lembrar uma década sem Cássia Eller, a MTV - que, aos poucos, volta a focar no melhor da sua programação, ou seja, na música - dedicou 24 horas da sua grade a ela. Das 7h de ontem até 7h de hoje, foram exibidos o Acústico e o programa Luau MTV, gravado pouco antes de sua morte e exibido apenas em 2002, além de outros programas e entrevistas.

Tributo maior, no entanto, vem da gravadora Universal, ao colocar nas lojas o box "O Mundo Completo de Cássia Eller", uma compilação com seus seis discos de estúdio, de "Cássia Eller", de 1990, ao póstumo "Dez de Dezembro", lançado no ano seguinte à sua morte. Há também dois discos ao vivo, o Acústico e um DVD, "Violões", uma reunião de suas aparições em programas da TV Cultura entre 1990 e 1999.

É a melhor maneira de conseguir entender como funcionou a meteórica carreira de Cássia Eller. Do som cru, uma voz ainda vacilante. Era mais rock, menos violões. Mais gritos, menos melodias. Ainda assim, logo a cantora chamou a atenção. O ponto de mudança veio em "Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo", de 1999. Graças ao filho Chicão, que disse que ela mais berrava do que cantava. Rapidamente, Cássia se tornava pop, suave, sem perder sua ousadia. As informações são do Jornal da Tarde.

Fonte: Exame.com

Leia abaixo o texto da Folha publicado na data da morte  da cantora (29/12/2001):

Aos 39 anos, a cantora Cássia Eller morreu hoje às 19h05 após sofrer três paradas cardíacas na clínica Santa Maria, no bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro.

A cantora tinha sido internada às 13h e chegou a ficar no CTI (Centro de Terapia Intensiva).

Segundo seu empresário, a cantora estava sentindo-se mal e reclamando de enjôos, devido ao excesso de trabalho. Os sintomas, segundo ele, seriam resultado de estresse provocado por excesso de trabalho. "Ela está trabalhando muito. Em sete meses, fez mais de cem shows", dizia.

Ao chegar à clínica, Eller foi internada na unidade coronariana. Mas o empresário minimizava o fato. "Não havia quartos disponíveis na clínica. Eu pedi que ela fosse internada lá. Se só houvesse vaga no CTI (Centro de Tratamento Intensivo), ela seria internada lá."

O boletim médico, assinado pelo diretor da clínica, Gedalias Heringer Filho, informa que Cássia Rejane Eller chegou à clínica "com quadro de desorientação e agitação, tendo evoluído rapidamente para depressão respiratória e parada cardiorrespiratória".

O único boletim médico divulgado confirmou a morte da roqueira, mas não revelou a causa. A família ainda não se manifestou. A equipe médica, informou o boletim, fez três manobras de ressuscitação na cantora. Às 18h, o quadro se agravou, e Eller morreu uma hora depois.

De acordo com informações extra-oficiais, a morte da artista teria sido consequência de intoxicação exógena, o que significaria consumo em excesso de algum tipo de droga. Essa informação não havia sido confirmada pela clínica até o encerramento desta edição. O caso está sendo investigado pela 10ª DP (delegacia de polícia) de Botafogo.

Em entrevista em abril, Eller afirmava que já havia sido dependente de cocaína, mas que havia conseguido se livrar do vício. "Fiz um tratamento de desintoxicação, que durou de 1998 a 2000. Encontrei Jesus, sigo com ele, limpinha", disse então a cantora.

Em seguida, contou como a droga estava interferindo em sua vida. "Estava me atrapalhando muito, a ponto de perder compromissos. Tinha criança dentro de casa, minha mulher não estava gostando. Fui eu mesma que quis fazer, foi legal."

Homossexual assumida, Cássia deixa um filho de oito anos, Francisco Ribeiro Eller, a quem ela chamava carinhosamente de Chicão. A roqueira vivia há 14 anos com Eugênia Vieira Martins (foto acima). As duas se conheceram quando Eugênia estudava Letras na UnB (Universidade de Brasília) e trabalhava no Tribunal Superior do Trabalho.

O pai do menino era o baixista Otávio Fialho, morto em um acidente de automóvel, alguns dias antes do nascimento de Chicão.

Antes de iniciar a carreira artística, Cássia teve uma vida profissional bastante diferente. "Quando criança, queria fugir com o circo, mas acabei sendo garçonete e cozinheira, aos 18 anos, em Brasília."

Um ano mais tarde, ela foi para Minas Gerais e trabalhou como servente de pedreiro. "Fiz massa e assentei tijolos."

Quando voltou para Brasília, substituiu uma amiga como secretária no Ministério da Agricultura. "Fui demitida no terceiro dia. Aí resolvi só cantar." 
 

 


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