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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Westworld: Fan Arts de rara beleza.





O sucesso de uma série do porte de Westworld não poderia jamais passar em branco no mundo das ilustrações. Logo, uma série de artistas espalharam suas obras em homenagem a um dos mais promissores seriados dos últimos anos. O sucesso é certo e só dependerá da coerência de diretores e roteiristas para manter a mesma narrativa de qualidade.
Até 2018! 
















quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Westworld - quinto episódio.Saindo do cárcere digital.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leiam antes as resenhas dos episódios anteriores:  S01E01S01E02S01E03 e S01E04.

Um pouco mais da vida de Ford é revelado através de um inteligente diálogo com o velho cowboy que permanece isolado no porão, o local do descarte dos androides.
Reencontramos também Dolores, William e Logan. A menina frágil que busca por respostas está agora aliada ao cowboy bom e ao desprovido de caráter Logan. Eles resolveram ir a uma cidade chamada Pariah (pária) em busca de novas aventuras (Logan e William) e respostas (Dolores). Eles estão prestes a encontrar um bandido famoso chamado de El Lazo.
A cidade é uma espécie de nível mais elevado para os convidados, algo próximo de uma fase difícil em um jogo. Para Logan, tudo se resume a isso: um jogo. E essa é a visão da maioria dos convidados que pensam estar em um imenso parque onde seus instintos mais contidos poderão ter voz, liberdade.
O Homem de Preto continua sua jornada com Lawrence e Teddy, este último mortalmente ferido. A única solução encontrada para salvá-lo contará com a ajuda, inopinada, de Lawrence. Lawrence e o Homem de Preto têm uma estranha conversa sobre destino e os motivos que os levaram ao reencontro, fato que comprova o conhecimento mútuo de ambos.
A partir daí o espectador retornará à sede de Westworld. Bernard e Elsie ainda perseguem a história por trás do anfitrião que queria fugir. Elsie é mais esperta do que aparenta e começa a manipular funcionários da empresa para ter acesso às informações que deseja. Parece que todos, sem exceção, são vigiados, inclusive dentro da própria empresa. Antiético, sem dúvida, mas muito eficiente quando necessário. O anfitrião em fuga era, enfim, muito mais do que um simples problema técnico.
Por estarem em um nível mais complexo, Logan, Dolores e William descobrem que os problemas também são mais intrincados. Eles finalmente chegam a El Lazo e vocês, espectadores, terão um surpresa ao descobrir de quem se trata e a ironia por trás de seu nome. O trio dá um passo a mais em suas jornadas, o que mostra a gradual transformação por que passam.
O lugar onde eles estão é um enigma por si só. Uma cidade isolada de todas, cheia de proscritos e pessoas cujos passados só interessam a elas mesmas. Mulheres e homens que se entregam à sodomia sem qualquer problema, pois tudo é permitido. Comparativamente, há cenas que lembram a cidade romana retratada no filme de 1973, algo que pode ser uma simples homenagem ou a dica de que muito ainda se esconde nas áreas inexploradas de Westworld.
Logan e William se confrontam ideologicamente. Logan é um homem rico e faz questão de deixar clara a posição real de William, principalmente junto a sua irmã, a futura esposa deste. O clima é péssimo e desperta ainda mais o verdadeiro William. Dolores é perturbada por devaneios que indicam ser o labirinto o seu destino. Juntos, os dois abandonam a brincadeira (ou os papéis que a interpretação do parque obrigava-os) para viverem uma aventura. Não há mais limites para o casal que dá indícios de um amor latente.
Chegamos a um impressionante e revelador encontro. Nele, nós temos uma clara demonstração do poder de Ford dentro do parque. Ele é protegido por tudo e todos, a qualquer custo. Nesse encontro, descobrimos um pouco mais sobre quem é o Homem de Preto e sua busca. Ironia e sarcasmo em doses equilibradas dão a esse diálogo o peso de uma sentença de morte... ou a ameaça de algo próximo a isso.
Enfim, o papel do técnico que repara os androides no início do episódio (Felix) ganha amplitude. Sua participação não ficará limitada a de um simples figurante. Nem ele e nem o passarinho robótico. Tudo tem seu encaixe nessa intrincada peça que é Westworld. Tudo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Westworld. Uma das mais promissoras séries da HBO. Análise do primeiro episódio.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.



Uma localidade do Velho Oeste norte-americanto. Uma mulher cercada de aparatos tecnológicos avançados. O que têm em comum? Esse é o mistério inicial de Westworld.

A narrativa é feita em off por uma mulher que é questionada, interrogada por alguém. Essa mulher é um dos alicerces da trama. Atenção à participação dela.

Cuidado! Spoilers em profusão a partir de AGORA.

Westworld é um parque de diversões. Sim, um parque onde ciborgues (esse é o termo mais próximo daquilo que são, já que não há um organismo vivo anexado à máquina, mas uma máquina moldada pelo homem para imitar à perfeição um ser humano) dão aos visitantes a ilusão de estarem de volta ao Velho Oeste. Uma terra sem lei, governada por mãos de aço (como diria o Pica-Pau). A diversão consiste, basicamente, em desfrutar de uma era extinta. Ser um cowboy, um rancheiro, uma madame, uma prostituta, um ladrão... são muitas as possibilidades por trás desse universo recriado.
A reconstrução desse mundo passado é dispendiosa, cara e moralmente discutível. Homens e mulheres pagam para ter seu dia nesse mundo. Uma vez lá, são intocáveis para os habitantes costumeiros e podem, literalmente, fazer o que lhes aprouver. Desde um simples contato, uma conversa ou até mesmo estupro e assassinato. Não há limites morais para os “visitantes” de Westworld.
As máquinas interagem e se adaptam aos visitantes. Eles não têm consciência de sua real condição, fato que promove uma maior imersão aos visitantes. A diferenciação entre um humano e um “anfitrião” é  praticamente impossível.
O que é ético ou não fica em suspensão todo o tempo. Ver máquinas com aspecto 100% humano é algo impactante. Como tratar alguém que é, aos olhos, tão humano quanto nós? O grau de interação entre homens e seres com inteligência artificial é uma opção que pode ser controlada. O que não pode ser previsto é o grau de adaptabilidade das máquinas, os limites da inteligência artificial, sua capacidade de armazenar experiências e, principalmente, os freios morais (ou a inexistência deles) das pessoas.
Nesse primeiro episódio é preciso destacar a presença de Anthony Hopkins, interpretando o Dr. Ford (talvez uma homenagem ao gênio industrial Henry Ford), o responsável pela criação dos ciborgues. Ele vive em um mundo tão isolado quanto as criaturas com IA. Há, aparentemente, uma dependência dele para com as máquinas. Isso deverá ser mais explorado nos episódios seguintes.

Nota: assistir Westworld e não lembrar de Blade Runner e os replicantes é quase impossível. Desde o primeiro segundo da narrativa é possível sentir o cheiro adocicado da tragédia. Aliás, a abertura já anuncia que nada é tão perfeito. Vejam abaixo:



O que se segue não difere, como disse acima, da trama de Blade Runner. Os anfitriões – ciborgues com maior poder de interação – passam a apresentar pequenos problemas. Até onde esses erros podem ir é algo que não fica explícito. Mas o potencial destrutivo disso fica pairando na atmosfera. 


Um ponto desprezado pelos idealizadores do projeto está em um ser humano (?): Ed Harris. Ele interage diariamente como um vilão, um bandido. Seu prazer está em praticar o mal contra os ciborgues.  Ele quer se aprofundar no “jogo” e isso é uma variante com a qual os criadores de Westworld não contavam. O personagem de Harris é frequentador do “parque” Westworld há trinta anos.
O dilema moral de Westworld é sobre a velha mania do homem de brincar de ser Deus. Dolores é uma das personagens que mais sofre com as brincadeiras nesse universo criado. Ela sofre por amor, por medo, violência e pela constante perda de tudo que ama. Essas perdas vão, ao longo dos tempos, marcando o inconsciente dela. Mesmo sendo uma criatura feita pela inteligência do homem, hipoteticamente insensível aos males que passa, ela sofre.
Tal como vimos e lemos em Frankenstein, a criatura não está e nunca estará sob o total controle do criador. Essa é uma regra que os homens deveriam ter aprendido há muito tempo, porém fazem questão de esquecê-la.
Não há programação perfeita. Com tempo e esforço, as barreiras e códigos podem ser quebrados ou alterados. Essa é uma verdade com a qual nós, humanos dessa era, convivemos e aprendemos a lidar. Essa controvérsia também é bem explorada no primeiro Matrix e em alguns episódios de Animatrix. Máquinas com comportamento e sentimentos humanos são controláveis até que ponto?

Nota: prestem atenção à reação dos anfitriões quando moscas pousam neles. Essa é uma dica bem legal para entender um pouco da amplitude da inteligência artificial e sua adaptação aos fatos novos...


P.S.: A presença de Rodrigo Santoro ficou muito boa. Ele é um dos vilões da trama (Hector Escaton), porém, se raciocinarmos um pouco, todos os seres criados só são bons ou maus conforme assim lhe determinam. Então, o que dizer da maldade humana cujo alcance está limitado pela moral existente na pessoa?
P.S.2: Westworld é baseado na obra homônima de Michael Crichton – com o subtítulo “onde ninguém tem alma”, escrita e dirigida por ele em 1973. O filme é estrelado por Yul Brynner, ator consagrado no gênero de Faroeste. A trama, apesar de ser mais resumida, mostra pessoas interagindo com máquinas que simulam ambientes e situações históricos. Além do Velho Oeste, há também Roma e a Idade Média. A trama original dá indícios do caos que nos aguarda na série.
P.S.3: A equipe que gerencia, cria e programa tudo para as encenações de Westworld também é afetada pela presença dos humanos por eles construídos. É impossível se manter apático diante de seres tão perfeitos. O Dr. Ford e Bernard, um dos principais responsáveis pela manutenção do projeto, são discretamente ‘modificados’ pela interação direta e indireta com os ciborgues. Isso, certamente, ainda dará muito pano para a manga. Um fato interessante está no jogo disputado entre os integrantes da equipe; um jogo por poder.

Nota final: a HBO mostra coragem e adequação ao apresentar o processo de construção e descarte dos humanos cibernéticos. As cenas de nudez são adequadas ao contexto e evidenciam, sobretudo, a escolha correta do elenco. Não é fácil encenar ser uma máquina sem sentimentos... ou uma que está começando a tê-los.

Elenco da produção da HBO:
Anthony Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood, James Marsden, Thandie Newton, Jeffrey Wright, Jimmi Simpson, Rodrigo Santoro, Shanno Woodward, Ingrid Bolsø Berdal, Ben Barnes, Angela Sarafyan, Clifton Collins Jr.


Direção: Jonathan Nolan.



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