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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O hipócrita deu cria: a essência da Ditadura se chama Jair Bolsonaro.


Por: Franz Lima.


Jair Bolsonaro foi (nunca mais será) um militar. Oficial do Exército, linha dura, ele obteve o que hoje muitos lutam para alcançar: um cargo político que dê voz aos militares. Já se passaram anos desde sua primeira eleição e, honestamente, nada mudou para a classe militar, da qual faço parte.

Resumidamente, militares são mal remunerados, sujeitos a extenuantes horas de trabalho, são proibidos de fazer greve (fato que tira a força política) e estão sujeitos à prisão no caso de se expressarem como faço agora.

Há pontos positivos dentro do militarismo, claro. Vocês certamente podem comprovar que um militar ou ex-militar tem um comportamento diferente, mais rígido em alguns pontos, porém quase sempre mais educado. A disciplina adquirida nos quartéis é para sempre e nosso país precisa de disciplina.
Voltando ao deputado, o fato é que Bolsonaro criou uma família de políticos que só voltam à tona nas vésperas de eleição. Por meio da polêmica, o clã tenta se manter no poder por mais quatro anos, aumentando a força política e não contribuindo com seus supostos eleitores, os militares. Sim, há civis que simpatizam com suas palavras ríspidas e o preconceito por vezes incubado em frases escritas por doutores das letras.
Palavras não mudam a situação. Omissão, entretanto, também não contribui para mudanças.
Hoje, falo por mim. Não suporto ouvir promessas de um futuro melhor, principalmente quando elas vem de um indivíduo que está afastado da realidade militar e que pretende radicalizar a vida civil. Além disso, a renovação é necessária. Os mandatos seguidos transformaram uma promessa em algo fútil, viciado no poder. Quem ainda não percebeu que os únicos beneficiados no cargo de Bolsonaro foram seus familiares, suplentes e pessoas próximas?
Ele é uma mancha que ajuda a propagar a péssima imagem que a população civil tem dos militares, ainda resquício da Ditadura. Bolsonaro mostra que não há limites para seu racismo e a crescente demonstração de sua "superioridade" racial e, agora, de classe (os políticos são os 'intocáveis', assim como foram os senhores de engenho).
Não somos assassinos, torturadores ou perseguidores das minorias. Não estou de acordo com a pseudo-moralidade do deputado que não representa os militares de hoje, apenas uma minoria que só vê a força como meio de diálogo (unilateral, claro).
Mas há outros que agem às escondidas, ocultos em discursos amenos que mascaram um rigor pior que a ditadura. Não se enganem... os piores torturadores são os que propagam a falsa sensação de segurança e minam nossas vidas dia a dia. Bolsonaro é um destes males e é por isso que evidencio as sequelas de sua influência como político. 
Não colaborem para que ele e seus iguais perpetuem e propagem o veneno que flui por suas palavras. Afinal, para um indivíduo que se diz moralista, qual a moral em beneficiar apenas a própria família quando ele dá as costas aos que o apoiaram por tantos anos? Qual a moral em trocar os valores éticos pelos valores monetários? 
Assim como foi proibido o uso de máscaras no Rio de Janeiro, espero que nós, eleitores, proibamos o uso das facetas que quase a totalidade dos políticos mantém para atrair os votos. A era da mentira tem que acabar.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Médico ou Monstro? Quais as lacunas no programa Mais Médicos?


Por: Franz Lima.

Eu tive um sonho que foi se dissipando com o tempo e os valores altíssimos atados a ele: ser médico. 
Poucas profissões são tão gratificantes. Salvar vidas, curar, estar próximo de quem realmente precisa. Dons quase divinos concedidos a simples humanos.
Mas a realidade é dura. Muitos médicos vocacionais tombaram pelo caminho. Também abandonaram o sonhar em prol de problemas, falta de dinheiro e tempo... talvez até a falta de um ensino de base que fosse capaz de mantê-los no árduo caminho de se tornar um doutor.
Encarar a realidade não é fácil, mas necessário.
Ao menos outros continuaram e venceram todas as etapas para chegar lá. São esses homens e mulheres que ganharam meu respeito e admiração, além de uma confiança enorme. Raras foram as vezes nas quais debati com um médico. Afinal, eles passam quase uma década para obter o título que merecem. Doutores com "d" maiúsculo, bem ao contrário de outros cujos títulos são fruto de tradições, jamais pelo mérito.
Só há um porém: temos poucos médicos para uma população continental. Some-se a isso a extensão territorial brasileira, a remuneração incondizente e o longo período de formação. Todos esses pontos colaboram para uma defasagem cada vez maior na proporção médico/paciente. Mas problemas não param por aí...
Temos regiões do país com um alto índice de doutores, ao passo em que outras são deficitárias. Temos o êxodo nas regiões mais pobres, provocado pela péssima remuneração, condições subumanas de atendimento e equipamentos velhos ou quebrados. É, infelizmente, uma equação com resultados sempre negativos, principalmente quando o prejudicado faz parte das classes menos favorecidas. 
Foi então que milhares de pessoas motivadas pela insatisfação foram às ruas para protestar contra essa realidade (desculpem o trocadilho) doentia, entre outros problemas.
Às custas de muita pressão, o Governo Federal optou por minimizar essa drástica situação com a ideia de contratar profissionais de outros países. Entendam, contudo, que essa medida só foi adotada por causa dos protestos populares, sem os quais tudo continuaria como antes. Ah! Vale lembrar que também se aproximam as eleições.
Povo insatisfeito e com a memória e o rancor atiçados são algo ruim para a conservação do status quo do poder.
Mesmo com as motivações erradas, a atitude do governo da Presidente Dilma foi acertada. É claro que há motivação política, eleitoreira, mas isso não torna a convocação de médicos estrangeiros um erro.

Chegamos filnalmente ao olho do furacão. Os primeiros médicos iniciaram um estágio que, teoricamente, irá lhes proporcionar mais base e confiança para atender em áreas praticamente esquecidas pela saúde pública. Palmas para eles? Não! Contrariando todas as expectativas, um grupo de médicos recepcionou seus colegas de profissão com palavras de ódio, racismo e descaso. Os mesmos que se recusam a atender populações carentes resolvem rechaçar quem veio para ajudar. Qual a lógica nesses atos tão mesquinhos e incoerentes?
Sou categórico ao afirmar que a convocação de doutores estrangeiros tem fins políticos, tem a missão de melhorar a popularidade de um governo desacreditado e fragilizado por inúmeros escândalos. O que também não pode ser descartada é a importância de programas como esse, pois vidas de milhões de brasileiros dependem de alguém que não os deixem isolados pela distância ou o mau uso da política e dos recursos públicos.
O Mais Médicos pode ter começado de forma equivocada, motivado por protestos e pelo temor do governo diante do povo revoltado, porém isso não minimiza a importância do projeto. Duvida? Basta questionar qualquer habitante das áreas que estão legadas ao esquecimento.
Respeito cada minuto empregado na absorção do complexo conhecimento necessário para que um cidadão comum vire um médico. Entretanto, nenhum diploma dá direito a alguém para menosprezar o valor de uma vida. Não é fácil ser um doutor em uma região erma e hostil, tenho certeza. Todavia, também tenho certeza que nenhum habitante aprecia sua condição e seu sofrimento. Não há apenas o juramento de Hipócrates em pauta: há uma tênue linha entre viver e morrer. 
Médicos de outros países são muito bem-vindos. Eles serão mais soldados em um guerra que o país perde há muitos anos. O front é cruel e é preciso ser mais do que patriota, é necessário ter amor ao próximo.
Que a convocação continue, mas que também os líderes desse Governo façam jus a cada centavo que recebem e, com o máximo de brevidade, usem de suas influências e poder para direcionar verbas para as centenas de unidades hospitalares sucateadas. Que tais contratações não sejam mais uma forma de lavagem de dinheiro e desprezo pelas centenas de milhares de famílias que aguardam há gerações por algo que todos merecem: respeito.
A história não irá parar por aqui...



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