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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Descanso e diversão. Por Isabela Niella.


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Aguardamos com ansiedade os finais de semana ou as férias para descansarmos dos dias atribulados, mas ao iniciarmos a nova semana ou ao voltarmos das férias estamos mais cansados e estressados do que quando começamos. Por qual motivo isso acontece? Será que não descansamos o suficiente ou será que fizemos mau uso dos nossos dias?
Qual o nosso conceito de descanso e diversão? Será que só me sinto feliz se tiver passado meus dias bebendo e curtindo a vida loucamente? Preciso esbanjar a alegria e a energia que tanto faltam para os dias de trabalho? Ou eu faço o tipo que perde a noção do tempo dormindo e assistindo programas que não me trazem nada de novo ou que eu possa aproveitar?
Sei que cada um faz o que quer da vida e não estou aqui para criticar ninguém, mas quero relembrar que não estamos na Terra a passeio, temos trabalhos a fazer e a cada dia que vivemos o tempo passa mais rápido. Evidente que o corpo necessita de descanso e nossas mentes precisam de momentos de lazer, nada contra isso, ao contrário, tudo a favor! Mas será que a maneira como fazemos as coisas poderão, no futuro, ser o motivo de nossa tristeza e conflitos? Tenho certeza que sim. Todos os nossos atos, pensamentos e sentimentos ficam guardados em nossa consciência e ela nos cobrará pelas nossas más posturas, assim como teremos o retorno de tudo que de bom fizermos. Não dá para viver como se não existisse o amanhã ou como se nossas vidas não fossem o reflexo do nosso passado. Recentemente passamos pelo período de carnaval do qual as pessoas literalmente perdem a noção do valor das suas vidas, para viverem prazeres momentâneos, que podem trazer grandes prejuízos e dificuldades. Será que nos dias de hoje, com tantas informações, com tantas opções saudáveis e por que não dizer cristãs, nós não podemos aproveitar melhor nosso tempo?
A vida é uma só e mesmo que tenhamos várias existências ou passagens aqui na Terra, precisamos lembrar sempre que o objetivo é evoluir, crescer, amadurecer e enquanto insistirmos em desperdiçá-la ficaremos estagnados e sentiremos o peso de nossas ações. Viver equilibradamente não é fácil, mas é a melhor opção para termos dias melhores e um futuro mais feliz.

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Twitter: @isabelaniella



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Lista de Compras: o último Fantasma. Via editora Mythos.





Um personagem que já havia perdido popularidade é resgatado de forma surpreendente em uma Graphic Novel muito interessante. 
O Fantasma, talvez o último, está de volta!!! Com um visual diferente, mais violento e muito próximo daquilo que imaginamos de um herói com um nome tão sugestivo, o Fantasma ganha uma edição de luxo pela Mythos editora

Eis a sinpose da obra:

O próximo Fantasma pode muito bem ser o último! Por mais de vinte gerações os filhos de Kit Walker assumiram as armas e os anéis do Espírito que Anda para defender a indefesa Bengala e todo o mundo. Por razões a serem reveladas, o mais jovem Kit Walker - último filho de sua linhagem heroica - optou por afastar-se da missão autoimposta do Fantasma.
Porém, à medida que forças externas e internas conspiram para controlar Bengala, Kit descobre que ele e todos os seus entes queridos agora são alvos! Ser o Fantasma é uma escolha ou um destino inescapável? Para o último Kit Walker, as respostas se revelarão como espectros saídos de túmulos recém-escavados à medida que ele embarca na longa "Jornada do Espírito" para descobrir onde verdadeiramente repousa seu destino!  
Neste volume que reúne as seis primeiras edições da recente série da Dynamite, concebida por Scott Beatty e pelo desenhista brasileiro Eduardo Ferigato, o leitor encontra ainda uma galeria completa com todas as capas produzidas por Alex Ross, Joe Prado e Fabiano Neves, esboços e designs de personagens por Alex Ross e Eduardo Ferigato.

O preço indicado pela editora ainda está salgado: 60 pratas.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Conto de Halloween: Em meu leito. Por Franz Lima.


Para comemorar este dia pagão, um conto sombrio, mas com uma mensagem para todos. Tema sobrenatural, porém não enquadro como terror. Espero que gostem e comentem...
 
Autor: Franz Lima
Em meu leito
 
Tortura. Talvez esta seja a única palavra capaz de definir o que se tornou meu viver. Cada novo dia é um tormento inenarrável pelo qual tenho que passar.
Por que deixam que isto ocorra comigo? Pena e compaixão são justificativas plausíveis para me manterem inerte, praticamente morto, sujeito a seus caprichos e vontades, mesmo com boas intenções?
Sou incapaz de ter qualquer sensação, exceto a de ouvir. Sequer sei se já descobriram que estou cego, isento da maravilhosa benção de distinguir cores e formatos. Minhas visões são apenas turvas lembranças do passado.
Sereno e repleto de coisas boas, este seria o real retrospecto do que vivi.
Agora, tudo isso se foi, apesar dos esforços para trazê-los novamente.
Tenho pena de vocês que sofrem ao compartilhar comigo minhas dores. Gostaria de poder dizer-lhes o quanto isto é inútil.
Tê-los, dia a dia, lutando em prol de meu restabelecimento é maravilhoso, mas será que não percebem que jamais serei de vocês outra vez?
Cuidam de uma casca que apenas pensa. Sou incapaz de esboçar um sorriso ou deixar uma lágrima rolar de meus olhos. Acho que me tornei uma espécie de ornamento que necessita de constantes cuidados, uma peça que não pode empoeirar-se.
Fico feliz ao ouvi-los dizer o quanto me amam e de suas saudades. Isso, contudo, não é suficiente. Nosso convívio não poderá eternamente limitar-se aos cuidados dos familiares com o infeliz em coma, estático.
Resolvo partir. Vocês não percebem de início, porém vou decaindo gradativamente. Meu corpo já não consegue sintetizar os nutrientes e, por isso, definha.
Irei, mesmo sabendo o quanto amam este invólucro sem funções. Foi ótimo ter tanto tempo a refletir e perceber que seus sentimentos são puros e verdadeiros.
Penso em todo este tempo ao lado de vocês e o vejo como um presente de Deus, uma forma de mostrar-me, antes de partir, que realmente me valoriza.
Assim, de forma calma, vou sentindo o coração retardar-se, diminuir seu ritmo lenta e progressivamente, como se estivesse reservando-me os últimos instantes ao lado dos que amo.
As batidas cessam e sinto-me leve, quase a flutuar. Posso vê-los novamente e sinto-os tristes, porém confiantes em meu novo destino. Sei que serão felizes e posso garantir-lhes que também serei. Jamais esquecerei o quanto foram bons para mim e estarei sempre próximo a vocês, no coração de cada um.
Não chorem por meu corpo em seu leito.
Meu espírito repousa em paz e reza por vocês.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Possessão. Conheça o filme e os pôsteres (inspirados em O Exorcista).



A caixa é real, sua maldição é lendária. O premiado Ole Bornedal dirige o conto do pesadelo horrível desencadeado sobre uma família que inconscientemente traz uma caixa amaldiçoada para sua casa. A caixa da vida real ganhou notoriedade em 2004, quando foi vendida no eBay depois de causar má sorte inexplicável para seus proprietários, atribuída a um dibbuk - um espírito malévolo do folclore judaico preso na caixa mal-assombrada. Dirigido por Ole Bornedal. Roteiro por Juliet Snowden e Stiles White. A Lionsgate e Ghost House Pictures apresentam. (Sinopse via Cinema Blend)

Pôster do filme A Possessão, claramente inspirado em O Exorcista


O Exorcista. Compare as similaridades visuais dos dois pôsteres



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Conto: Mais uma dose. (Parte 2 de 7)



Capítulo II

Depois que os pedaços do bilhete já estavam tomando seu rumo aleatório pelo mundo e Diogo ter esfregado o rosto com tamanha força que em alguns pontos estavam formados pequenas áreas de vermelhidão, passou a massagear quase ritualisticamente as suas têmporas com as pontas dos dedos indicadores e médios. Sua cabeça pesava muito, como se cada tentativa de assimilar as anomalias tornasse mais difícil mantê-la levantada. Seus cotovelos ficaram apoiados nos joelhos, onde sua calça jeans estava mais desgastada.
Um ônibus vinha do lado esquerdo da rua, lentamente foi desacelerando até parar em frente ao ponto. A porta traseira estava abrindo e uma mulher que possuía uma pele que tremia a cada movimento, tamanha a sua quantidade de gordura no corpo, estava saindo reclamando sozinha acerca do calor que estava fazendo. As palavras ofegantes dessa mulher, que o fez imaginar uma versão obesa de Hulk Hogan, puxaram sua atenção para o ônibus e um pouco desajeitado levantou-se, correu até a entrada do coletivo, pois este era um dos ônibus que poderia pegar para o seu destino, e bateu na porta para chamar a atenção do motorista. A porta foi aberta e cumprimentando o motorista com um simples e sem muito ânimo “Oi” foi entrando no ônibus, enquanto ele já retomava sua marcha pela selva de pedras. Com um rápido olhar constatou que só havia mais cinco passageiros, ainda bem já que assim haveria mais espaço entre ele e qualquer outra pessoa. Retirou o cartão eletrônico do seu bolso direito da calça e o entregou à cobradora que depois de algumas tentativas voltou-se para ele e disse:
O cartão não tem crédito – falou em tom de deboche.
Não tem crédito? Como? Eu coloquei crédito ontem – será que colocou mesmo? Agora sua memória parecia vacilar como se alguém tivesse passado uma borracha nesse exato instante no dia de ontem.
Não sei como senhor, mas aqui tá mostrando que não há crédito – o tom de deboche era claríssimo agora. Pelo visto ser um pé no saco era o passatempo favorito dessa mulher que, aliás, tinha um bigode, fato que gerou asco em Diogo.
Depois de pensar um pouco sobre as possíveis saídas para esse pequeno problema disse:
Será que poderia ficar aqui na frente mesmo? Vou descer daqui há oito pontos – o tom de voz era extremamente paciente, todavia na verdade estava com muita raiva do desprezo dessa mulher que parecia ver no jovem à sua frente um marginal qualquer.
Tudo bem, mas só dessa vez – ao terminar de falar virou seu rosto para a parte de trás do ônibus.
Muito obrigado – ‘sua vaca’ completou mentalmente.
Decidiu ficar numa cadeira perto da janela. Como não havia trazido seus fones de ouvido para escutar música no caminho para a livraria optou pela distração mais simples do mundo das pessoas que costumam utilizar os transportes coletivos, olhar pelas janelas. A rua lhe parecia um filme sendo rodado em alta velocidade. Por um breve espaço de tempo Diogo ficou de olhos fechados devido ao pouco sono que vinha persistindo em sua vida durante este mês, quando começou a ficar mais desperto teve mais uma surpresa ao visualizar a rua. O que enxergava agora era um céu escuro como piche no qual, mesmo sem nuvem alguma, raios surgiam causando clarões que lhe gelavam a espinha e inspiravam unicamente pensamentos sobre morte. O ar cheirava à carne decomposta e absorver aquilo ao fazia sentir um gosto muito estranho, essa não era a palavra certa, a palavra certa era angustiante. O ar parecia dotado do sabor de todos os fetos abortados, todos os amores destruídos, cada suicídio cometido, cada ser humano assassinado, cada animal morto por um capricho cruel de algum lunático em inicio de carreira. Nossa, parecia que isto era alguma história do Poe e ele fosse o protagonista. Depois de sentir o ar e perceber o céu olhou para a direção das construções e viu um cenário de guerra, provavelmente depois da queda de uma bomba poderosa. Havia carros abandonados por toda a parte, alguns capotados e outros reduzidos a carcaças totalmente retorcidas. Os prédios, casas e pontos comerciais estavam todos cobertos por fuligem e possuíam buracos em suas faixadas. A pista estava com várias rachaduras. O mais estranho ainda era o fato de não ver pessoas. Com uma varredura feita pelos seus olhos viu que o ônibus era a única coisa nova e intacta nesse quadro pintado por algum sádico pintor. Agora que estava concentrado no local em que estava notou que o veículo estava parado, então com uma pequena força de vontade levantou-se e não viu ali também qualquer outra pessoa.
Com um esforço ainda maior de sua força de vontade, que agora brincava de cabo de guerra com as suas pernas, começou a avançar centímetro por centímetro até a porta de saída que estava fechada. Para ter certeza de que nenhum perigo o espreitava do lado de fora sondou o espaço exterior mais uma vez pelas janelas. Se havia algum perigo ainda não estava por perto ou era astuto o suficiente para se ocultar, aguardar sua presa parar para um descanso ou se alimentar e então ‘Zaz’ o ataque rápido e as presas no pescoço do incauto animal.
Quando colocou os pés, que usavam all stars, em contato com o asfalto viu a fachada da livraria à sua frente. Afinal havia outra coisa nesta ópera dedicada à morte, decadência e aos vermes que consomem a carne de todos que tem suas pálpebras fechadas por mãos de qualquer outra pessoa, seja algum que nutria amor ou ódio pelo aglomerado de carne que agora esfria e endurece. Considerando sua atual situação no esquema das coisas o mais lógico era ir ao porto-seguro que estava gritando, com a sua própria voz como se ele fosse um daqueles mestres em ventriloquismo. ‘venha, entre, tome um café, compre um livro, talvez até você consiga esquecer a insanidade que está flertando com você, fugir do bicho-papão embaixo de sua cama’. O pedido da voz foi atendido, porém antes de entrar, viu na placa de madeira que ficava acima da porta o nome ‘Livraria...’ o resto não dava para ser lido, as letras estavam embaçadas, na verdade pareciam estar brotando neste exato momento. Parecia até que tudo estava sendo construído agora, o mundo estava nascendo lentamente como se fosse fruto de uma mente distante dele, não somente distante, mas literalmente de outro mundo. Com uma proximidade maior da placa conseguiu ler ‘Livraria virá-página’ com uma pequena frase abaixo ‘Livros baratos é o nosso trato’. Sim, livros baratos eram o sedativo de que precisava nessa louca narração que estava sendo escrito ao seu redor!
A iluminação da livraria funcionava perfeitamente, indiferente às ruínas na vizinhança e a falta de pessoas para comprar ou matar algumas horas folheando algum livro ou até mesmo uma revista. As cadeiras de madeira, sem dúvida alguma para dar uma atmosfera mais aconchegante e clássica ao espaço, estavam em seus lugares habituais, juntas às mesas. O lugar tinha cerca de trinta metros de comprimento e quinze de largura, os dons matemáticos nunca foi o forte de Diogo. O lugar era organizado deveras metodicamente, várias mesas e cada mesa com quatro cadeiras, um tapete persa na entrada, numa área, pouco depois do tapete do lado direito, tinha um balcão singelo que era onde as pessoas poderiam pedir um café, qualquer tipo dessa bebida tão frequentemente associada ao hábito da leitura, ou talvez um pequeno lanche, o individuo que abriu esta livraria deve ter pensado ‘Se vou oferecer alimento para a alma das pessoas que por aqui transitarem, então devo oferecer igualmente um café para que eles possam deglutir melhor as palavras e também conceder à preços camaradas sustento para os seus corpos’, ao lado de cada mesa ficava uma lixeira, as estantes com os livros ficavam junto às paredes, elas eram organizado por sessões, gêneros, e cada sessão era disposta em ordem alfabética. O balcão para pagamentos de livros ficava no fundo. Enfim, era um verdadeiro paraíso para os admiradores da arte de criar mundos, universos, deuses, sonhos etc. Diogo estava perdido em seus pensamentos, observando onde estava, um lugar que parecia dotado de magia ainda mais agora, quando teve a impressão de que alguém tinha entrado também e estava caminhando para perto dele, mas ao dar um giro de 180º graus com o corpo soube que ninguém além dele tinha adentrado. Estava caminhando para o balcão dos fundos quando começou a ouvir sussurros, um som que se assemelhava à várias pessoas falando ao mesmo tempo num tom baixíssimo, tentou determinar de onde estava vindo, talvez fosse algum sistema de som que existisse na livraria, mas pelo que lembrava ai não havia sistema de som, mas tão pouco havia uma cidade em ruínas da última vez que resolveu sair do seu apartamento, então percebeu de onde vinha o burburinho, isso era um problema dos grandes, pois as vozes vinham dos livros de todas as estantes!


Leia a parte 1 de "Mais uma dose"

sábado, 11 de fevereiro de 2012

É possível unir a saúde física e a mental?


Fonte da imagem: Livros e Pessoas.
Por: Franz Lima
Mens sana in corpore sano*. As palavras são tão antigas quanto a verdade nelas contida. O homem é uma "máquina" perfeita, mas o descaso com algumas partes desta complexa obra de engenharia divina pode minimizar a vida útil.
Para que possamos nos aproximar da centelha de Deus, é preciso por a mente e o corpo em sintonia. Quando dedicamos absoluta atenção a apenas uma área, tendemos a esquecer a outra e, resultante disso, teremos a evolução de uma e a involução de outra. Porém é preciso sempre lembrar que o corpo e a mente trabalham juntos: se um falhar, o outro também ruirá.
Eu tenho a firme convicção de que a conciliação, o trabalho em conjunto do físico e o mental pode ocorrer. Os resultados de uma união como essa são inimagináveis, pois o potencial humano é tão infinito quanto sua vontade. Outra vantagem de um indivíduo que tem "a mente sã em um corpo são": ele estará mais apto a buscar o terceiro elemento da perfeição - a saúde espiritual. Una o corpo, a mente e o espírito, todos no auge e, certamente, terá um indivíduo muito próximo ao ideal.
Que as palavras acima não os iludam, já que mesmo tão próximos da perfeição, ainda assim somos humanos e, como tal, sujeitos à morte. Sim, morreremos como qualquer outro, talvez até mais cedo, porém teremos uma vantagem em relação aos que não buscaram a harmonia dos três elementos que citei: estaremos preparados.
Pense nisso...

Abaixo, disponibilizo um extrato da definição da frase em latim com a qual iniciei o texto. A fonte é a Wikipedia:
* Mens sana in corpore sano ("uma mente sã num corpo são") é uma famosa citação latina, derivada da Sátira X do poeta romano Juvenal. No contexto, a frase é parte da resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida (tradução livre):
Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são.
Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte,
que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza,
que suporte qualquer tipo de labores,
desconheça a ira, nada cobice e creia mais
nos labores selvagens de Hércules do que
nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental.
Revelarei aquilo que podes dar a ti próprio;
Certamente, o único caminho de uma vida tranquila passa pela virtude.
orandum est ut sit mens sana in corpore sano.
fortem posce animum mortis terrore carentem,
qui spatium uitae extremum inter munera ponat
naturae, qui ferre queat quoscumque labores,
nesciat irasci, cupiat nihil et potiores
Herculis aerumnas credat saeuosque labores
et uenere et cenis et pluma Sardanapalli.
monstro quod ipse tibi possis dare; semita certe
tranquillae per uirtutem patet unica uitae.
(10.356-64)
A conotação satírica da frase, no sentido de que seria bom ter também uma mente sã num corpo são, é uma interpretação mais recente daquilo que Juvenal pretendeu exprimir. A intenção original do autor foi lembrar àqueles dentre os cidadãos romanos que faziam orações tolas que tudo que se deveria pedir numa oração era saúde física e espiritual. Com o tempo, a frase passou a ter uma gama de sentidos. Pode ser entendida como uma afirmação de que somente um corpo são pode produzir ou sustentar uma mente sã. Seu uso mais generalizado expressa o conceito de um equilíbrio saudável no modo de vida de uma pessoa.


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