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terça-feira, 20 de junho de 2017

Review de "Tinha que ser ele?". Quando as aparências enganam...


Fazer humor é algo bem difícil. É preciso ter consciência para não ultrapassar a fronteira entre a diversão e a baixaria. Afinal, muitos se valem das piadas mais escatológicas ou explicitamente voltadas ao sexo para tentar tirar risos da plateia.
“Tinha que ser ele?” é uma comédia do início ao fim. Mas, felizmente, não se restringe ao humor para entreter. Há uma bela lição que o espectador irá perceber ao longo da trama. Claro, os risos são garantidos.
Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

NÃO JULGUE UM LIVRO…

A trama é bem simples e já vimos em outras produções similares. Os pais da jovem Stephanie Fleming (a linda Zoey Deutch) descobrem do jeito mais inesperado possível que ela tem um novo namorado. A família da garota decide conhecer esse namorado e se depara com o desbocado Laird Mayhew (James Franco), um milionário desenvolvedor de games responsável pelo sucesso Ape Assassins. Cheio de tatuagens, excêntrico e rico de doer, Laird desperta logo de cara a desconfiança do pai de Stephanie, o ranzinza e superprotetor Ned (Brian Cranston). Apesar disso, o restante da família é logo absorvida pelo carisma e o jeito espontâneo de Laird.
Mesmo com todo o esforço, Laird não consegue ganhar a confiança de Ned. No meio desse impasse ficam Barb (Megan Mullally) a esposa de Ned (cujo instinto diz que o jovem é uma boa pessoa), o filho mais novo da família, Scotty Fleming (Griffin Gluck), cujo potencial é reprimido pelo pai e, claro, a própria Stephanie que tem suas vontades desconsideradas por Ned.
Será que realmente há motivos para temer tanto a presença de Laird na família?

LOUCURA OU HONESTIDADE EXCESSIVA?

Durante todo o filme nós ficamos entre a decisão de que Laird é meio doido ou um cara cuja honestidade em demasia.
A verdade é que preferimos julgar alguém pela aparência. Laird Mayhew é um cara sincero, direto e com um linguajar muitas vezes baixo, o que não implica em dizer que seja alguém ruim. Suas atitudes são, via de regra, baseadas em boas intenções. Ele quer agradar a família da mulher que ama, a todo custo, porém esses ‘excessos’ nem sempre são bem compreendidos.
Assim, por teimosia de um lado (o de Ned) e por falta de noção do outro (o de Laird), um conflito velado tem início. Ned e Laird querem simplesmente agradar a mulher que amam, Stephanie, sem se importarem com a opinião dela. Tudo pra dar errado, concordam?

DIVERGÊNCIAS DE GERAÇÕES.

A falta de diálogo e as diferenças entre gerações são as fontes do entrave entre pai e genro. Ned é muito protetor por enxergar em sua filha a menininha de outrora. Laird está disposto a sacrificar sua própria privacidade para ter por perto as pessoas que sua namorada ama. Nenhum deles está errado, exceto pelo detalhe de ignorarem a opinião de Stephanie.
Em paralelo a isso, na mansão do milionário, a esposa de Ned e seu filho vão redescobrindo a liberdade de agir por conta própria e tomar suas próprias decisões. Não se trata de rebeldia ou afronta ao “modus operandi” de Ned, apenas a recuperação da individualidade em si. Isso porque Barb é uma mulher que descartou algumas das coisas e atitudes que amava em troca da manutenção da família. Seu filho Scotty é uma cópia do pai, porém sem voz ativa e cujos pensamentos e sugestões são descartados.
Ao entrarem em contato com o mundo de Laird – e a liberdade que ele lhes proporciona – os dois ganham espaço e partem para uma retomada de suas individualidades.

MÁSCARAS.

Ned e Stephanie têm uma relação muito forte. Pai e filha se amam, o que não os impede de esconder certos aspectos de suas vidas. Essas “mentirinhas” são o estopim para algumas confusões que podem arruinar o Natal da família e os planos de Laird. Esclarecer os motivos para tais segredos será uma tarefa árdua, cujos resultados podem reforçar os laços familiares ou jogar um balde d´água nessa relação tão bela entre pai e filha.

EXCESSOS NO FILME.

Alguns podem considerar ofensivas as passagens onde palavrões e insinuações sexuais surgem, mas elas estão contextualizadas com a personalidade do personagem Laird. Há pessoas assim que só se manifestam através do exagero, do choque. Apesar disso, logo percebemos que esse traço de sua personalidade não sobrepõe o carisma e a verdade em seus atos.

COADJUGANTES MAIS DO QUE ESPECIAIS.

A presença do divertidíssimo Gustav (Keegan-Michael Key), um governante de luxo da mansão de Lair e também seu personal trainer, é uma diversão à parte no filme. Gustav é um cara supereducado que faz de tudo para ajudar seu patrão e amigo a conquistar a família de Stephanie. Ele e Laird adicionam elementos de comédia pastelão em doses corretas, o que garante ótimos momentos para o público.
A segunda presença especial ficou por conta da secretária eletrônica (ou digital, se preferirem) Justine (a voz da atriz Kaley Cuoco). Ela também é uma âncora para bons momentos da narrativa.
A galera que curte o bom e velho Metal irá pirar com os roqueiros que aparecem no final.

NOTA FINAL.

Tinha que ser ele? é uma comédia bem dosada que cumpre com seu papel de entreter e divertir. Risadas garantidas, reflexões e boas lições permanecem como qualidades do longa-metragem. Apesar de algumas passagens overactor de James Franco, ele é um Laird ideal. Sua parceria com Brian Cranston – o eterno Heisenberg, de Breaking Bad – deu certo demais, assim como a harmonia com os demais integrantes do elenco ficou evidente.
Filme recomendado para acalmar o coração das tensões e dos problemas diários. Vá assistir e rir com essa família sensacional e tão parecida com as famílias da vida real.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

Abraçar e ser abraçado. Aprenda a dar esse presente!



Muitos ainda se questionam sobre os sentimentos e a intensidade deles. Mas a verdade é que nos distanciamos muito da presença de quem amamos, confiantes na proximidade digital.
Que tal esquecer um pouco o virtual e se reaproximar, de verdade, caso possível, das pessoas que ama? Mais do que isso, o vídeo abaixo propõe - e não custa tentar - uma ótima forma de demonstrar carinho e amor. Abrace! Abrace como se não houvesse amanhã a pessoa que ama, o amigo, a namorada... abrace quem lhe é caro. Vamos tornar nossas vidas melhores com um gesto tão simples, porém tão em desuso.
Feliz dia do Abraço! 


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Meu corpo? Minhas regras? Por Isabela Niella.



Por: Isabela Niella. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo

Muitas mulheres dão como desculpa para o aborto o fato de se considerarem donas de seus corpos, por isso teriam direito de fazer e desfazer deles como quisessem.
Mas como alguém pode se considerar dona de algo que na maioria das vezes funciona sozinho, automaticamente, sem que nem se dê conta? Como se dizer dona de um corpo que não terá direito de levar ao morrer? Se formos analisar, nada que seja material nos pertence, muito menos nossos corpos. Eles nos são dados como empréstimo e servem de morada para nós (espíritos que somos) e um dia, ao fim dessa lida, nós os devolveremos. E o que devemos fazer com algo que pegamos emprestado? Cuidar para que, ao devolvê-lo, esteja na melhor condição possível (salvo o desgaste do tempo).
Então, se os corpos não nos pertencem, as regras que os envolvem não são nossas! E o único direito que temos é de usá-lo, sabendo que teremos que dar conta de tudo que fizermos com ele e a ele. E isso se aplica aos exageros de todas as espécies.
Voltando ao aborto, podemos concluir que se o corpo que utilizamos não é nosso, o corpo do bebê nos pertence menos ainda. A criança necessita da mãe para nascer, mas ela é um indivíduo, um espírito que também irá utilizar um corpo e que está vindo ao mundo com o objetivo de resgatar débitos ou cumprir alguma missão e precisa dessa oportunidade para evoluir. Imagina a prestação de conta de quem praticou o aborto tem que dar ao morrer! Ela não só prejudicou “seu” corpo com os métodos abortistas nada seguros, mas também impediu que outro espírito pudesse ter as mesmas oportunidades de crescimento espiritual que ela teve.
À grosso modo, essa é a visão espírita do aborto, claro que nem todos pensam igual e que muitos podem discordar, mas uma coisa é certa, a vida não é um achismo na qual cada um faz a regra que desejar e com certeza, nada é em vão! Tudo que fazemos tem um retorno, se positivo ou negativo vai depender das nossas atitudes, por isso a importância de abolir a prática do aborto que no mínimo é algo cruel que se faz a uma criatura indefesa.

Finalizando, convido a todos a assistirem o filme Deixe-me Viver  que em breve será lançado e que tem como temática o aborto na visão espiritual daqueles que sofreram com essa prática.  O filme é baseado em um dos livros do espírito Luiz Sérgio e psicografado pela médium Irene Pacheco Machado. Essa é minha dica para um programa familiar muito edificante.  
Links relacionados ao filme:

quarta-feira, 2 de março de 2016

Por que nós mulheres? Texto de Isabela Niella.


Por: Isabela Niella. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo 
 
Eu gostaria de saber o que passa na cabeça dos homens para acreditarem que toda a responsabilidade de manter uma casa, física e economicamente é das mulheres.
Nos dias atuais, vemos cada vez mais mulheres exercendo o papel de chefe da família, mesmo que elas sejam casadas. Se de um lado elas trabalham fora, pagam as contas e ao chegar em casa precisam gerenciar os problemas domésticos, lavar, passar, cozinhar e cuidar da casa e das pessoas de um modo geral, estando cansadas ou não, doentes ou não; do outro lado, os homens... O que eles fazem mesmo?
Eu achava que certas coisas só aconteciam comigo e com isso me culpava por não tomar determinadas atitudes, mas venho percebendo, em conversas com amigas, que não sou a única e que o comportamento masculino mudou radicalmente nos últimos anos. Claro que não posso generalizar, creio que existam homens que são companheiros de suas esposas (só não tenho provas dessa existência), mas se observarmos bem, em sua maioria e de formas variadas, os homens vêm fugindo de suas responsabilidades. Se antigamente ele era o chamado provedor e fazia da mulher sua empregada particular, no qual os papéis estavam bem divididos, hoje em dia com toda essa modernização, com a entrada maciça da mulher no mercado de trabalho, eles resolveram que não precisam fazer mais nada, ou fazer o mínimo possível.
Podem estar dizendo agora: lá vem mais uma feminista! É uma mal amada! Não é isso. Todos sabemos que quando uma equipe trabalha com união e em harmonia todos ganham. Ninguém se sobrecarrega, cada um faz o que lhe cabe, mas tem o discernimento de ajudar o outro se sua tarefa já tiver sido concluída. Se num ambiente de trabalho no qual todos contribuem para o objetivo final da empresa, a sensação de dever cumprido e a satisfação pessoal e profissional é garantida, imagine se o mesmo ocorresse dentro de nossos lares? Imagine um lar no qual todos estão unidos nas melhores e nas piores situações, sem ninguém reclamando de excesso de trabalho ou de estresse. Vivendo em harmonia, paz, comemorando juntos e secando as lágrimas juntos, abraçados e felizes independente dos problemas.
As sociedades são formadas de pequenas células chamadas família que independente de sua constituição (pessoas pertencentes), vão determinar se essa mesma sociedade é saudável ou não. Não há sociedade próspera sem que suas células estejam trabalhando em harmonia. Acredito que a maioria dos problemas atuais, a violência, a corrupção, o adultério, entre outros que degradam tanto a nossa sociedade, advém de células que doentes, expelem indivíduos capazes de desarmonizar e prejudicar o todo.
Mas como ser feliz em família? Não existe uma regra ou uma fórmula para isso, o que podemos fazer é trabalhar em equipe, valorizar mais cada membro da família. E tudo começa quando nos perguntamos: qual o meu papel? Que posso fazer para contribuir? O que eu faço que prejudica ou adoece minha família? Sou egoísta? Sou orgulhoso(a)?
Quando eu passo a me conhecer melhor consigo distinguir os meus equívocos e meus acertos. E não preciso tecer explicações de como tudo passa a funcionar corretamente quando cada um cumpre com suas responsabilidades e todos se ajudam mutuamente.

Por que então somente nós mulheres temos que nos sobrecarregar? Acho que já passou da hora de todos nós adquirirmos a maturidade necessária para tornar saudáveis estas células tão importantes para nossa sociedade. Chegou a vez de crescermos juntos em prol de um bem maior.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Análise da animação Os Croods, por Isabela Niella




Antes de expor minhas impressões sobre o filme, não poderia deixar de agradecer a oportunidade de escrever novamente para o Apogeu, ainda mais por ter um estilo de texto diferente daquele que os leitores do Blog estão acostumados pois, costumo escrever sobre meus sentimentos e minha percepção do mundo que me rodeia.
Abaixo, seguem minhas impressões sobre o filme, o que pude ver, perceber e sentir:
O que eu vi no “Os Croods”
Em primeiro lugar e por estar tratando de um entretenimento, não há como não falar o quanto essa animação é divertidíssima. Assisti ao filme no cinema e ri muito; não somente eu, todos que estavam lá se surpreenderam com as aventuras de uma família do tempo das cavernas, com todas as suas dificuldades para sobreviver, em uma época na qual nada era fácil e a vida se resumia em sobreviver escondido nas cavernas, saindo apenas para se alimentar. Até que tudo muda e eles são obrigados a sair de sua zona de segurança e explorar o mundo com o objetivo de se manterem vivos e encontrar um novo lar. Tudo isso com a ajuda forçada de um viajante que possuía uma mente muito a frente do seu tempo, detentor da crucial informação que o mundo estava acabando...
Família: A base de tudo no filme. O pai que se sacrifica e se esforça para manter todos unidos e vivos. De início, ditando regras para evitar que algum membro pudesse se machucar ou até mesmo morrer. Forte, sustentava e protegia a todos agindo pelo instinto de sobrevivência. O medo os mantinha vivos, o trabalho em grupo ajudava-os a comer e evitava que os animais maiores os comessem. Mais tarde, o reconhecimento mútuo dos valores individuais e também o amor, a esperança vencendo o medo e fazendo com que a união se fortaleça.
Sonho: Os jovens, sempre prontos para ir além. Em todos os tempos, sempre houve quem desejou viver mais e conquistar o novo. Pessoas muitas vezes reconhecidas como rebeldes ou visionárias ou até mesmo loucas, mas que são capazes de perceber o que outras não percebem, veem além e seguem seus caminhos em busca do desconhecido, vencendo o medo de errar. Essas pessoas não passam pela vida sem transformar o caminho que percorrem, trazem novas ideias e ideais, mexem com conceitos, desfazem fórmulas.

Superação
: Na vida, todos nós temos uma ou várias missões a cumprir, mas algumas vezes é mais fácil nos mantermos dentro de uma zona de segurança e conforto do que cumprir nossas missões, até que algo acontece e nos força a superar a preguiça ou o medo. No filme, o mundo estava se transformando, estavam na Era do fogo, das divisões continentais e foi preciso que a caverna tivesse sua entrada obstruída para que toda a família saísse em busca de um novo lar. Por conta dessa mudança brusca, precisaram se adaptar ao mundo até então desconhecido, também foi preciso confiar em alguém diferente deles em tudo. Durante esse tempo, cada um teve seu momento de solidão para superar seus próprios medos e se descobrir mais forte, bonito e capaz. Sua superação não ficou apenas no medo, superaram também o preconceito com o que era novo e desconhecido, aprenderam a observar o mundo em volta e aproveitá-lo ao máximo. A vida continuava difícil, mas eles não mais sobreviviam, eles aprenderam a vivenciar cada momento e a companhia uns do outros.
Amor e União: Unidos na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, sempre unidos. Uma família em comunhão, unida pelo amor e respeito é sempre mais capaz, forte e estável. E uma família com bases sólidas não é destruída pelas dificuldades, pois consegue se superar e vencer os obstáculos. O amor é retratado de diversas formas no filme: entre o casal, o amor maduro no qual encontramos o respeito e o carinho e posteriormente o renascimento da paixão; entre pais e filhos, a confiança dos filhos ao saber que estavam protegidos e que não estavam sozinhos; entre os jovens, o amor inocente, vivendo seus primeiros dias; e, por fim, amor pelos mais velhos que, mesmo nas dificuldades, não foram deixados para trás. Não há vida sem amor, não há união sem amor.
Enfim, mesmo que no filme, não exista nenhuma menção a Deus eu não poderia deixar de dizer que nas nossas vidas, estar em família e em comunhão com Deus vai além do mundo que conhecemos e nos prepara para a vida futura.
Há, ainda, uma clara alusão ao Mito da Caverna, de Platão, onde as pessoas saem da comodidade da ignorância para descobertas de um mundo diferente, porém pleno de opções para mudanças que tendem a melhorar a vida. Um mundo que sempre esteve diante delas, mas foi ignorado pelo temor e a acomodação.
Uma animação para pais e filhos assistirem. União de diversão e boas lições para a vida.

Franz diz: a colaboração da Isabela no blog é uma grata surpresa, já que seus trabalhos sempre têm uma temática diferente. Deixo aqui meu agradecimento pelo tempo e a dedicação dispensados. Espero que tenham curtido essa análise e a participação dela.

* Isabela retornará em breve para novas colaborações com o Apogeu. Entretanto, vocês poderão ler seus textos no blog dela, o Desabafo Feminino.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Onde começam e terminam os direitos dos LGBT.


Por: Franz Lima
Honestidade é uma marca em todos os textos que produzo para o Apogeu. São quase três anos publicando resenhas e matérias onde nunca tive medo de opinar com verdade.
Então, eis uma matéria que pode parecer polêmica, porém não vejo motivos para não falar sobre o assunto.
Recentemente o candidato à presidência Levi Fidelix abordou a temática gay de forma extremamente preconceituosa. Suas palavras surtiram o efeito contrário ao que ele talvez esperasse e, hoje, o político tornou-se uma das figuras públicas mais odiadas.
Bem, vamos aos fatos...
O gay, a lésbica ou qualquer outra denominação a um indivíduo que tenha uma vida sexual diferente da heterossexual jamais deixará de ser um cidadão e um ser humano como outro qualquer. Eles pagam impostos, trabalham, vivem e sonham como qualquer outra pessoa. São homens e mulheres que obtém prazer de uma forma não tradicional, porém merecem nosso respeito e amizade.

Eis dois exemplos para ilustrar a incoerência do preconceito:
Em uma sala, hipoteticamente, há quatro pessoas. Entre elas há um homossexual, mas o fato é que sua vida depende, naquele momento, das bolsas de sangue que eles doarão. Não há outros doadores. Você irá descartar essa doação por ser um dos doadores gay? Ele negará o sangue e irá preferir morrer, mesmo sabendo que todos os quatro estão com o sangue em condições perfeitas para a doação? Creio que não.
Você está em um ônibus lotado e uma mulher grávida para em frente ao seu banco. Ela sofre com o calor e a movimentação intensa do carro e passageiros. Ela fala ao telefone com a namorada. Diz claramente "Te quero, minha linda. Vamos ser felizes com nosso filho" para a mulher do outro lado da linha. Isso o impedirá de ceder a vaga, apenas por ela ser lésbica?
Homens e mulheres integrantes do movimento LGBT não são monstros. Não estamos falando de assassinos ou pessoas de sangue frio. Eles não jogaram a filha de uma janela, não mataram os próprios pais com pancadas, não ocultaram o corpo da namorada em um rio. Eles merecem nosso respeito. 
Não gosta? Então basta levar sua vida do mesmo modo que antes. A "invasão" gay é fruto de uma maior liberdade de expressão e tolerância, o que não significa 'liberalidade' ou 'libertinagem'.
Muitos ainda se chocam quando alguém fala um palavrão ou beija com tesão seu parceiro(a).  Mas estas mesmas pessoas não fazem alarde quando essas atitudes ocorrem em um canal do youtube ou quando o contexto é o humor.  Uma celebridade fazendo sexo com alguém do mesmo sexo choca mais do que a situação de desespero em que se encontram os reservatórios de água na região sudeste. E o que eu quero dizer com isso tudo? Simples. Temos um senso de moral muito afiado para o imediatismo, para o que está na moda. Não há uma preocupação a longo prazo com aquilo que realmente importa. Somos direcionados pela mídia e as redes sociais. Sim, somos manipulados a todo instante.
A causa gay tem inúmeros defensores, fruto de um longo período de perseguição, bullying, tortura e morte. Esse grupo deve ter direitos. Fato. Entretanto, esses direitos cessam quando começam os das outras pessoas. Não é aceitável que um casal gay troque carícias íntimas em locais públicos, assim como um casal hetero também não deve fazê-lo. Excesso de zelo da minha parte? Não, apenas devemos ter em mente que certos comportamentos devem ser ÍNTIMOS. As pessoas ao redor não precisam saber que o casal X ou Y está quase enlouquecido pela vontade de transar. No momento certo eles irão se satisfazer, mas nunca em público. Isso não é pudor. Isso é respeito pelo próximo que, invariavelmente, não deve ser agredido pelos impulsos sexuais ou afetivos de casais, sejam quais forem as orientaçõe sexuais deles. 
Outras atitudes podem ser citadas, mas a acima serve para ilustrar o que desejo evidenciar. O excesso de liberdade é agressivo. E isso se torna ainda mais agressivo quando fica claro que um grupo age tendo como base o temor imposto ao grupo antagônico, cujos bloqueios são fruto de leis ou normas que podem ser usadas de forma equivocada. Um claro exemplo disso está na autoridade que se cala diante de um grupo cujas atitudes chocam (palavras ditas em voz alta em locais impróprios, atos libidinosos, afronta evidente contra os presentes, carícias excessivas em locais públicos, uso de drogas, etc.). Esse silêncio é o resultado do medo de ser enquadrado por "perseguição às minorias". A justiça tem que ter como base a essência de seu próprio nome. Punição para os perseguidores, matadores e torturadores dos gays. Punição para quem se vale de sua condição sexual para ofender e chocar. Pesos iguais, medidas iguais.
Homens, mulheres e crianças devem ter seus direitos respeitados. Também devem respeitar os direitos alheios para que a balança da igualdade não penda favoravelmente para grupos isolados. Seja qual for sua orientação sexual, sua religião, sua cor ou região onde nasceu, ninguém pode taxá-lo por isso. Porém seus direitos são limitados pelo princípio da igualdade. A lei deve tratar a todos como iguais, sem distinções. Claro que isso ainda é utopia, porém não podemos parar de lutar por esse sonho.
Muito mais pode ser dito sobre o assunto, indubitavelmente. Creio na liberdade de expressão, nos direitos que a lei nos dá. Creio, sobretudo, no direito à vida, no direito à felicidade, independentemente de credo, cor, religião ou opção sexual. 
Nós nos preocupamos demais com as intimidades dos outros, com suas escolhas, sem que isso implique em significar auxílio ou compreensão ao próximo. Triste realidade.
Que cada um viva sua vida, seja feliz e tenha direito a fazer as escolhas que melhor lhe aprouver, desde que essas escolhas não sejam maliciosas e ofensivas contra aqueles que o cercam. Liberdade é um direito. Respeito ao próximo é um dever.


 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Uma animação para emocionar pais e filhos: O Farol. Obra de Po Chou Chi



Texto: Franz Lima.

Lighthouse (O Farol) é uma animação de 2010, produzida por Po Chou Chi e com composições de Chien Yu Huang que conta a história de um pai e seu filho. Moradores de um farol, os dois vivem um intenso relacionamento que mostra o quanto é importante a presença de um pai na vida de seu descendente. Com lições intensas, o pai demonstra um amor grande e puro por seu pequenino, mas isso não o impede de preparar o filho para vida fora do farol (ou da proteção que ele oferece). 
As cenas são de uma beleza ímpar, simples e tocantes. O menino cresce e a cada nova mudança também modifica o tamanho da embarcação que usa para ir a outros lugares. Há uma mensagem intrínseca nessa evolução e a passagem dos anos mostra que a evolução do menino corresponde à involução (envelhecimento) do pai.
A distância provocada pelas constantes e cada vez mais longas viagens do filho dão uma clara ideia de que devemos nos preparar para um afastamento - involuntário, porém inevitável - de nossa prole. 
Vejam essa obra-prima e deleitem-se com o lirismo presente em um trabalho indispensável para todas as idades. 
E que o ciclo da vida não dê continuidade...



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O hipócrita deu cria: a essência da Ditadura se chama Jair Bolsonaro.


Por: Franz Lima.


Jair Bolsonaro foi (nunca mais será) um militar. Oficial do Exército, linha dura, ele obteve o que hoje muitos lutam para alcançar: um cargo político que dê voz aos militares. Já se passaram anos desde sua primeira eleição e, honestamente, nada mudou para a classe militar, da qual faço parte.

Resumidamente, militares são mal remunerados, sujeitos a extenuantes horas de trabalho, são proibidos de fazer greve (fato que tira a força política) e estão sujeitos à prisão no caso de se expressarem como faço agora.

Há pontos positivos dentro do militarismo, claro. Vocês certamente podem comprovar que um militar ou ex-militar tem um comportamento diferente, mais rígido em alguns pontos, porém quase sempre mais educado. A disciplina adquirida nos quartéis é para sempre e nosso país precisa de disciplina.
Voltando ao deputado, o fato é que Bolsonaro criou uma família de políticos que só voltam à tona nas vésperas de eleição. Por meio da polêmica, o clã tenta se manter no poder por mais quatro anos, aumentando a força política e não contribuindo com seus supostos eleitores, os militares. Sim, há civis que simpatizam com suas palavras ríspidas e o preconceito por vezes incubado em frases escritas por doutores das letras.
Palavras não mudam a situação. Omissão, entretanto, também não contribui para mudanças.
Hoje, falo por mim. Não suporto ouvir promessas de um futuro melhor, principalmente quando elas vem de um indivíduo que está afastado da realidade militar e que pretende radicalizar a vida civil. Além disso, a renovação é necessária. Os mandatos seguidos transformaram uma promessa em algo fútil, viciado no poder. Quem ainda não percebeu que os únicos beneficiados no cargo de Bolsonaro foram seus familiares, suplentes e pessoas próximas?
Ele é uma mancha que ajuda a propagar a péssima imagem que a população civil tem dos militares, ainda resquício da Ditadura. Bolsonaro mostra que não há limites para seu racismo e a crescente demonstração de sua "superioridade" racial e, agora, de classe (os políticos são os 'intocáveis', assim como foram os senhores de engenho).
Não somos assassinos, torturadores ou perseguidores das minorias. Não estou de acordo com a pseudo-moralidade do deputado que não representa os militares de hoje, apenas uma minoria que só vê a força como meio de diálogo (unilateral, claro).
Mas há outros que agem às escondidas, ocultos em discursos amenos que mascaram um rigor pior que a ditadura. Não se enganem... os piores torturadores são os que propagam a falsa sensação de segurança e minam nossas vidas dia a dia. Bolsonaro é um destes males e é por isso que evidencio as sequelas de sua influência como político. 
Não colaborem para que ele e seus iguais perpetuem e propagem o veneno que flui por suas palavras. Afinal, para um indivíduo que se diz moralista, qual a moral em beneficiar apenas a própria família quando ele dá as costas aos que o apoiaram por tantos anos? Qual a moral em trocar os valores éticos pelos valores monetários? 
Assim como foi proibido o uso de máscaras no Rio de Janeiro, espero que nós, eleitores, proibamos o uso das facetas que quase a totalidade dos políticos mantém para atrair os votos. A era da mentira tem que acabar.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Conto de terror: Sorrir é o que me resta


Por: Franz Lima
Será que um dia irão esquecer o que fiz? Creio que sim, pois a humanidade sempre terá outros casos mais malignos que o meu. E o passado, além disso, não dá lucro. Meu tempo aqui, presa, prova-me diariamente que nada melhor que um dia após o outro. Com o passar dos dias, meses e anos eu me tornarei uma pálida lembrança, algo a se esquecer, algo que não dá mais lucros para a imprensa ou aos advogados. Reclusa estou e é assim que provavelmente morrerei.
Mas nem tudo foi sempre assim. Houve uma época em que eu era bela, rica, cobiçada. Meus dias eram um conto de fadas, mesmo com todos os problemas que há em uma família. Eu era feliz e nunca valorizei de verdade essa felicidade. Aliás, praticamente todos nós jamais damos o devido valor ao que temos, até que o perdemos...

Eu não perdi minha felicidade. Eu a extirpei da minha existência. Agi como um cirurgião e removi, definitivamente, a alegria da vida. Por impulso, medo, covardia, ganância... não importa o motivo, pois os resultados são irreversíveis.
Assisto o que fiz todos os dias. Não há como evitar. Não há como esquecer. Ao contrário dos espectadores lá de fora, meus erros me perseguem como um animal que precisa matar para sobreviver. E, cedo ou tarde, serei alcançada.
E o que fiz? Eu dei fim a quem me pôs no mundo. Matei, com a ajuda de outros, meus pais. Não mais importam os motivos, já que os resultados são inalteráveis. Não vou me justificar. Não vou amenizar. Mesmo que saia daqui, a culpa me acompanhará. E esse é um castigo doloroso.

Não sintam pena de mim. Não sou inocente. Mesmo que o sangue deles não tenha respingado em minhas mãos, minha boca ainda sente o gosto. Eu sorvi o sangue de meus pais indiretamente. Eu vi os últimos segundos de suas vidas e ainda posso ouvir o som de seus ossos sendo amassados, quebrados. Mas o pior, o que mais me atormenta, é a última palavra de meu pai: "filha".
Preciso falar mais? O que querem que eu faça? Suicídio? Não, isso não acabaria com o que está acontecendo, não diminuiría o meu crime. Sim, o crime é meu pois, mesmo não tendo batido neles, a ideia é minha. A mente por trás de cada movimento é a minha. O erro é meu.
Alguns podem julgar que já estou pagando. Presa, sem meu luxo, o dinheiro, os parentes, o irmão. Perdi quase tudo que me mantinha ligada a este mundo. Perdi a liberdade e o amor. Entretanto, tudo isso não me foi tirado, já que eu mesma arremessei cada coisa e pessoa que amava em um precipício. Eu me despi dos pudores e do convívio, joguei ao chão o respeito e a piedade. Eu fui meu próprio carrasco.
Agora, condenada, passarei muitos e muitos anos enjaulada, longe do mundo real. Aqui, entre outras feras, lutarei dia a dia por um pouco de ar e pela vida, mas cada noite é pior que a outra. Não há como dormir em paz. Não há como repousar. Tenho medo de ser morta pelos mesmos monstros que convivem diariamente comigo.
Eu acredito que alguns de vocês devem estar pensando que isso já é um grande castigo. Não sabem como estão errados.
O pior de tudo chega com a noite. Não bastasse a hipótese de morrer no fia da faca de outra detenta, eles insistem em me abordar. É por isso que tenho plena certeza de que não morrerei velha. Ouço seus lamúrios.
Todas as noites eles voltam. As faces marcadas, deformadas e os dedos em riste indicando que eu preciso pagar. Eles não estão satisfeitos com a justiça dos homens e eu sei que estão corretos. Mas não tenho coragem.
A mim, maldita e culpada, resta-me apenas sorrir. Contudo, não é um sorriso de felicidade. Estou morta em vida. Os lábios que se expandem em um largo sorriso não refletem alegria ou esperança. Em cada expressão de alegria se escondem o medo, a culpa, as acusações e, principalmente, as palavras de meus pais que pedem incessantemente: "junte-se a nós, filha. Ainda a amamos..."


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