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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Yamishibai: japanese ghost stories. Review do anime onde o medo é a força motriz...


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Yamishibai (também grafado como Yami Shibai - Japão, 2013) é um anime cuja proposta é mostrar histórias de terror japonesas. Seus episódios são curtos e cumprem à risca com o que propõe: impor o medo.
As tramas são muito curtas, algo em torno de 4 minutos e meio por episódio, porém isso não diminui a qualidade e as doses de terror. O uso das lendas urbanas é algo que impacta, pois algumas delas foram transmitidas e chegaram até nós de formas diferentes e tão incômodas quanto no Oriente. 
Aliás, quando dizem que o terror oriental é melhor que o nosso, não tenham dúvidas. Eles exploraram as raízes do medo de uma forma diferente, mais próxima dos temores que escondemos do mundo.
A cada novo capítulo vocês verão de tudo que há quando o assunto é sobrenatural: possessão, espíritos errantes, mortes, suspense, maldições. Tudo colabora para que a sensação de incômodo amplie a cada segundo do anime. Por fazer uso de desenhos relativamente simples, animados com técnicas também simplórias, Yamishibai pode aparentar ser fraco. Não se deixem enganar. O simples fato de esse anime estar no Apogeu é sinal de que tem um ótimo conteúdo e, principalmente, atender as expectativas do espectador.



As personagens não têm uma animação como a que conhecemos. O deslocamento é quase quadro a quadro. Algumas cenas com diálogos sequer mostram os lábios em movimento e, ainda assim, você irá olhar atentamente para cada uma das histórias.
O anime mantém as falas no idioma japonês. São elas, além da trilha sonora, que dão vida aos desenhos. É possível sentir o medo e as demais emoções de forma muito mais ampla com a ótima dublagem japonesa. 
São apenas 13 episódios na primeira temporada (não são interligados), o que dá menos de 1 hora para ver tudo. Veja! Duvido que você se arrependerá. Mas é melhor manter as luzes acesas antes de dormir... só por precaução. 

Os episódios dessa primeiro temporada são:
1) A mulher-talismã
2) Zanbai
3) A regra familiar
4) Cabelo
5) O próximo andar
6) O apoio
7) Contradição
8) A deusa do guarda-chuva
9) Maldição
10) A lua
11) Vídeo
12) Tomonari-kun
13) Atormentador

P.S.: esta é a música ao final de cada episódio. Vejam como é singela a letra:
Ali dentro está uma criança prestes a explodir
Coberta em sangue, puxando e empurrando.
Vínculos só trazem lamentações.
Aquele bebê está de mau humor
Será aquela a fonte de tanta inveja?



sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Lista de Compras: o último Fantasma. Via editora Mythos.





Um personagem que já havia perdido popularidade é resgatado de forma surpreendente em uma Graphic Novel muito interessante. 
O Fantasma, talvez o último, está de volta!!! Com um visual diferente, mais violento e muito próximo daquilo que imaginamos de um herói com um nome tão sugestivo, o Fantasma ganha uma edição de luxo pela Mythos editora

Eis a sinpose da obra:

O próximo Fantasma pode muito bem ser o último! Por mais de vinte gerações os filhos de Kit Walker assumiram as armas e os anéis do Espírito que Anda para defender a indefesa Bengala e todo o mundo. Por razões a serem reveladas, o mais jovem Kit Walker - último filho de sua linhagem heroica - optou por afastar-se da missão autoimposta do Fantasma.
Porém, à medida que forças externas e internas conspiram para controlar Bengala, Kit descobre que ele e todos os seus entes queridos agora são alvos! Ser o Fantasma é uma escolha ou um destino inescapável? Para o último Kit Walker, as respostas se revelarão como espectros saídos de túmulos recém-escavados à medida que ele embarca na longa "Jornada do Espírito" para descobrir onde verdadeiramente repousa seu destino!  
Neste volume que reúne as seis primeiras edições da recente série da Dynamite, concebida por Scott Beatty e pelo desenhista brasileiro Eduardo Ferigato, o leitor encontra ainda uma galeria completa com todas as capas produzidas por Alex Ross, Joe Prado e Fabiano Neves, esboços e designs de personagens por Alex Ross e Eduardo Ferigato.

O preço indicado pela editora ainda está salgado: 60 pratas.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Resenha do filme de terror 'Mama': amor de mãe é eterno



Poucos são os filmes que realmente assustam. Infelizmente, a tendência é a de produções que abusam do gore, aqueles onde o excesso de sangue e violência beiram o mau gosto.
Sou um apreciador há longa data dos filmes do gênero, porém a frequência com que vejo tais filmes caiu, seja pela baixa qualidade das novas safras ou pelos enredos repetitivos e fracos.
Mas nem tudo são pesadelos...
Recentemente tive o prazer de assistir ao filme 'Mama'. Dirigido por Andrés Muschietti e produzido por Guillermo del Toro. Honestamente, a citação do nome de del Toro foi o fator que me levou a buscar conhecer a obra que, para mim, é uma das melhores dos últimos anos no gênero terror.

A trama


Basicamente não há muito de original na história. Um homem assassina sua esposa e leva as filhas para uma cabana no meio da floresta. Ao chegar lá, o desespero toma conta de sua mente quando percebe o erro que cometeu. Sem esperanças, o pai das crianças decide matá-las e, posteriormente, se matar. Mas há algo que não irá permitir essa atrocidade.
Cinco anos se passam. Um grupo de caçadores, contratado pelo tio das meninas, acaba por localizá-las na mesma casa na floresta. Tudo aponta para um final feliz... que está longe de ocorrer.
A partir daí, a reintegração das meninas ao âmbito familiar, a luta pela convivência pacífica entre elas, o amparo do tio delas e sua mulher, além da presença de uma entidade que jamais abandona as garotas, são uma pequena parte do que ocorre. Tudo envolto em mistério e medo...



Aparição

A narrativa leva a entendermos que a entidade acompanha as crianças, não importa para aonde vão. Entretanto, as formas como ela surge é que dão o tom de medo quase insuportável em muitas cenas. Outro ponto assustador é o convívio "normal" entre as garotas e a entidade que chamam de 'Mama'. Aos poucos percebemos que Mama é uma criatura possessiva, tal como uma mãe verdadeira. Ela irá lutar por suas 'filhas' com todas as forças. E o que não lhe falta é força.


Suspense

O ponto alto da trama não é o final. Ao contrário de muitos filmes que apostam tudo no fim (que ainda assim, nesse filme é ótimo), Mama prima pelo desenvolvimento de uma história coerente. Assim, logo somos levados a acreditar que a entidade realmente ama as meninas. Há uma interação entre as garotas e o fantasma que chega a - literalmente - assombrar. É suspense em quase todas as cenas, o que, novamente, me surpreendeu demais.


 Atuações

Percebi que a escolha do elenco ocorreu com base em uma seleção criteriosa. Atores famosos como Nikolaj Coster-Waldau que é o Jamie Lannister em Game of Thrones e Jessica Chastain, de Zero Dark Thirty são boas escolhas, mas a representação das meninas é o ponto alto do filme, principalmente a atriz Isabelle Nelisse. Podem acreditar que haverá momentos em que vocês irão ter pena da menina e, em contrapartida, a odiarão.
Mesmo para um filme de terror (onde geralmente os atores não são o que podemos chamar de concorrentes ao Globo de Ouro) a coerência dos atores é surpreendente.


Avaliação Final

Mama é a grata surpresa do terror atual. Contrariando a tendência dos filmes 'gore', onde o suspense é posto de lado em função do sangue jorrando, este longa-metragem abdica do comum para um agradável retorno às tramas macabras. Ponto positivo para o diretor e seu elenco que mostraram uma interação grande, sem que o estrelismo falasse mais alto. A direção de Andrés Muschietti mostrou competência e a produção de Guillermo del Toro certamente acrescentou muito ao filme.
Recomedado! 
Assista agora ao trailer: 



terça-feira, 29 de outubro de 2013

Corey Taylor - Slipknot: sobrenatural faz parte da banda e novo disco é prometido.


Fonte: Estadão. Texto: Jotabê Medeiros. Comentários: Franz Lima.

O visual do grupo Slipknot sempre sugeriu um portal para o purgatório, mas a relação deles com o Além vai bem mais longe do que se pensava. Corey Taylor, cantor e líder da banda, principal atração da primeira noite do festival Monsters of Rock, no sábado, às 21h40, é um cara escolado nas vivências paranormais. “Para mim, a alma é a chave do que somos e ela continua além da nossa vida. É energia e define o que somos e o que escolhemos ser. Muitas vezes, a alma encontra outro hospedeiro”, disse Taylor, falando ao Estado por telefone, na semana passada. Ele acaba de publicar o livro A Funny Thing Happened on the Way to Heaven (Uma coisa engraçada aconteceu no caminho do Paraíso), no qual narra suas experiências com fantasmas e seres do mundo supernatural. 
No seu livro, Corey Taylor conta como viu o primeiro fantasma quando tinha 9 anos e diz que espectros de crianças habitam a atual casa onde vive. Também sobrou para o Slipknot: a banda inteira já foi aterrorizada por uma revoada de fantasmas durante uma sessão de gravação de um disco, em Laurel Canyon, Los Angeles, segundo o relato do cantor. 
“Eu não acredito em Céu e inferno, mas na alma que permanece. Não acredito em punição, mas acredito em karma: uma pessoa muito má cedo ou tarde terá a retribuição daquilo que faz em vida. Pessoas ruins atraem as coisas ruins de volta para si mesmas. Já vi a repercussão de algo que aconteceu a uma pessoa muito ruim, que passou a vida fazendo malvadezas”, disse Taylor, que também é vocalista do grupo Stone Sour. 
“Os cínicos vão dizer que minhas contagens testemunhais podem facilmente ser descritas como ‘voos fantasiosos’ ou ‘armadilhas de uma mente hiperativa’. O que eu odeio mais do que todos os outros é: ‘Você viu apenas aquilo que queria ver e nada mais que isso’”, escreveu. 
Uma das bandas mais pesadas e insanas do heavy metal, o Slipknot volta ao Brasil dois anos após sua passagem pelo Rock in Rio, em uma jornada de labaredas e mergulhos no meio da plateia. Sua primeira apresentação no País foi em 2005, no Anhembi, no festival Chimera. Não era a primeira banda de mascarados do metal, mas era uma das mais feias (o grupo Ghost B.C., que veio ao Rock in Rio, parece que segue seus passos dramatúrgicos). 
O disco mais recente da banda, All Hope is Gone (2008), já tem 5 anos, No ano passado, lançaram a coletânea Antennas to Hell. E um dos integrantes do grupo, Joey Jordison, acaba de lançar um disco solo. Duplo. Mas, agora, Corey Taylor acha que já é chegado o momento de lançar material novo da banda-mãe. 
“Há dois anos, não estávamos muito preocupados com um disco novo, porque as músicas ainda soavam tão frescas e potentes. Mas, agora, é chegada a hora, sabemos que temos de fazer. Estamos fazendo sem pressa, de forma natural. Já temos quatro músicas novas, e elas mostram uma direção muito sombria e muito pesada. Também há um senso de melodia que flui da música. Eu definiria com uma combinação de dois álbuns nossos, Iowa (2001) e Volume 3: The Subliminal Verses (2004). É denso, mas as belas melodias estarão lá, como um próximo capítulo”, afirmou. 
A vida do Slipknot não é mole. Sua agressividade cênica cria problemas. Em junho de 2005, durante sua turnê pela Europa, foram acusados pela Igreja Ortodoxa de Atenas, na Grécia, de “promover o demônio e o satanismo”. Na época, o compositor e percussionista Chris Fehn, um dos nove músicos sem rosto do Slipknot (os outros são Clown, Corey, James, Joey, Mick, Paul, Sid e 133), declarou: “O nosso show é apenas uma grande diversão, e nunca ninguém se machucou. Nós promovemos a música, não um culto ao ocultismo”. 
Corey Taylor fala pausadamente, com clareza, e escreve com bastante jeito para se tornar best-seller. Está em seu segundo livro (o primeiro foi Seven Deadly Sins, sete pecados capitais, sempre na seara do sobrenatural). Ele se diz influenciado pelos beatniks, especialmente os três grandes – William Burroughs, Allen Ginsberg e Jack Kerouac. 
Ele conta que se lembra de ter visto imagens de Kerouac lendo On the Road no programa de TV de Steve Allen, e acha que o ritmo, a batida, a cadência daquilo são coisas que podem tê-lo influenciado como autor. Mas, como frontman, cadência é zero: ele é um selvagem.
“Qualquer chance para tocar aí no Brasil e a gente aceita. Nós adoramos, é um lugar em que os fãs são mais apaixonados, participativos. É um local para onde irei enquanto estiver em uma banda”, disse ele.

Franz says:  estas são ótimas notícias sobre a banda. Faz muito tempo que o Slipknot não produz algo inédito e com o peso dos discos anteriores, fato que os fãs sentem. 
Ainda fico surpreso com pessoas que não conseguem distinguir promoção - no caso o uso de máscaras sinistras - de satanismo. Caso haja realmente algum praticante do satanismo ou qualquer coisa parecida, será que iria usar uma banda de rock para divulgar seus ensinamentos e doutrina? Essa história de que o mal vem disfarçado, principalmente em grupos de rock, é uma verdadeira demonstração de preconceito e falta de conhecimento. Em alguns casos, como Marilyn Mason, é pura promoção. Muitos dos ditos 'roqueiros do mal' são pessoas com uma vida social tranquila, incapazes de fazer o mal a quem quer que seja.
Concordo com o autor do texto ao afirmar que a banda é pura dramaturgia. Nós que conhecemos e acompanhamos a história do Slipknot, sabemos que os integrantes podem ter alguns traços de instabilidade, mas quem é 100% normal? 
Quanto aos fenômenos sobrenaturais, todos estamos sujeitos a isso. Para quem não sabe, até o mestre do terror moderno, Stephen King, já teve contato com o sobrenatural. Não vou questionar a veracidade dos relatos... cada sabe o que vivenciou.
O importante - para o rock - é que um novo disco da banda está em planejamento. 


sábado, 26 de outubro de 2013

Mais um conto de terror. Leia, se for capaz.... 'A Cobrança. '




Eu vivi por alguns anos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com uma família muito boa. Sou de São Paulo e vim para o RJ em função da morte de meus pais. Destino...
         Nesta família todos eram unidos, independente dos problemas (que não eram poucos) e levávamos uma vida bem comum.
Eu, como membro mais novo da família, dividia o quarto com o filho mais velho deles, sem tumultos, por mais difícil que possa parecer.
Nesta casa havia uma senhora bastante idosa, talvez com mais de 80 anos, se não me engano. Era uma mulher doce e extremamente protetora. Também gostava demais de seu pequeno quarto onde guardava todos os seus poucos pertences, na maioria lembranças de épocas passadas.
Contudo, o tempo não poupa bons ou ruins. Todos cedem ao seu peso. E com ela não foi diferente.
Numa manhã chuvosa, encontramos seu corpo já frio. Ela havia falecido durante o sono.

Houve comoção por parte de todos e o velório e o enterro mostraram o quanto ela era querida.
Quando regressamos do velório, o chefe da família se dirigiu a mim e disse:
- Agora que ela se foi, teremos que deixar o quarto vago, retirar suas coisas e doar o que não nos tiver utilidade. A partir de hoje, você dormirá no quarto dela que, aliás, será seu para lhe dar mais conforto e ao meu filho. Cada qual no seu quarto, que tal?
Pensei em dizer que não achava muito legal, mas não o disse por acreditar que ele queria apenas o meu bem. Concordei com uma certa relutância...
Anoiteceu e, ainda abatidos pela morte, pouco conversamos. O jantar foi envolto pelo silencio, apenas interrompido pelos prantos da dona da casa. Prantos silenciosos, abafados pela vergonha que sentimos ao chorar...
Nos despedimos e cada um foi para seu quarto, desejosos de que o novo dia revelasse que aquilo era apenas um pesadelo e a velhinha estaria ali, a passos lentos e firmes. Desejos... quem pode atendê-los?
Fui para o quarto. O cheiro dela estava impregnado em cada átomo daquele lugar. Suas fotos, seus perfumes, a Bíblia lida com dificuldade, suas anotações, enfim. Abri o guarda-roupa e vi suas vestes. Vestidos, nem uma calça sequer, revelando o apego aos velhos costumes. Seus sapatos eram extremamente pequenos, capazes de indicar aos que não a conheciam, seu verdadeiro tamanho.
Não havia uma TV. Ela só tinha um velho rádio (Philco-Ford) onde sempre ouvia as orações católicas por volta das 05:00 da manhã. Hábitos: todos somos dominados por eles, concluí.
Revirei mais algumas coisas. Não estava muito confortável com o que fazia, porém não estava com sono e nada mais me restava a fazer. Distraindo-me, eu iria cansar e, logo, dormir, pensei.
E o mais incrível é como um quarto tão pequeno podia compartimentar tanta história. Ela tinha diários, álbuns de fotos e uma notável coleção de cartões postais. Tudo muito antigo, denotando seu desligamento com os dias atuais. É algo, creio, muito comum aos idosos: eles se prendem ao passado (apagando tudo de ruim que aconteceu) e nele passam a viver todos os dias que lhes restam. Pura nostalgia.
E foi assim que, olhando uma vida que se fora, adormeci...
Minha cama estava mais macia do que quando deitei. Era como se ela fosse um colchão d´água, onde meu corpo oscilava, embalando ainda mais meu sono. Porém, eu não estava mais dormindo. A sensação de paz era total e minha respiração suave me fazia sentir um conforto muito grande.
Levantei e olhei ao redor; não reconheci onde estava. O lugar era muito grande e o céu tinha cores mudando constantemente. O interessante, o mais interessante para ser mais específico, era a ausência total de som. Aquela sensação de pressão no ouvido que só o silêncio total traz. Fiquei surpreso com isto, já que havia vento no lugar, pássaros voando. Por que não havia som? Meus próprios passos não produziam qualquer barulho.
Andei e fui tentar descobrir onde estava. O lugar também sofria mutações, mas sempre me trazia a sensação de ser um lugar muito, muito antigo, fora da minha realidade. Eu estava dentro de um passado que não me pertencia. Algo não vivenciado por mim e, por isto, me senti como se estivesse violando a privacidade de alguém.
Afinal, onde eu estava??? E o que era mais importante, o que me mantinha ali?
Desnorteado, busquei uma fuga de lá. Vi uma casa bem pequena, um tanto quanto distante, porém passava segurança. Andei muito. Contudo, quanto mais eu andava, mais distante a casa ficava. Era como se ela não me quisesse próximo. Uma repulsa, talvez.
E apesar de tanto andar, reparei que não havia suor em meu rosto, mesmo com tanto esforço. Qual o motivo nunca soube dizer.
Parei e apoiei as mãos nos joelhos. Já estava cansado e à beira do desânimo.
        Abaixei a cabeça e olhei para o chão. Respirei fundo e quando voltei o olhar para a casa distante, recuei atônito. Ela estava bem à minha frente. Louco, estou ficando completamente louco, refleti.
Ah, mas seria bem melhor a loucura do que aquilo que eu estava vivendo. Meus tímpanos doíam de tanto silêncio e meu coração batia com tanta força provocando dores em meu peito. Eu já conhecia esta situação: medo, o terror que só o desconhecido pode nos impôr. Era por isso que eu suava sem parar, mais temor do que esforço, conclui.
        Subi os três degraus que levavam até a pequena varanda da casa. Seus tijolos estavam já desbotados, mostrando palidamente sua cor vermelha. Toquei a maçaneta e a forcei para baixo, provocando um estalo que indicava a abertura da porta. Empurrei-a para frente e não pude ver nada. Lá dentro, a escuridão tomava conta e, receoso, adentrei lentamente, esperando meus olhos se adaptarem às trevas.
Uma coisa me alertou... o cheiro de perfume, um perfume que não me era desconhecido, sem que isso implicasse em lembrar qual era. Qual o motivo para ficar tão tenso não soube dizer.
Fiquei preocupado com uma daquelas cenas de filmes de terror e olhei para trás. A porta não se fechou sozinha rangendo, como eu esperava. Tudo estava normal, dentro do possível.
Não havia muitos cômodos na casa. Eram quatro pelo que pude constatar: uma sala, um quarto, uma cozinha e um banheiro. Todos eram muito pequenos. Conclui que ou a pessoa que morava lá era muito humilde ou pequena, quem saberia dizer?
As luzes não funcionavam e a luz do lado de fora não tinha poder para iluminar sequer o batente da porta de entrada. Era como se a casa não aceitasse ser clareada, como se ela estivesse bem nas sombras, tal qual uma pessoa que se tranca em um quarto escuro, após tomar uma Aspirina para passar sua dor de cabeça.
Havia algo nas trevas que me atraia. Não era uma coisa má, mas a tensão ampliava. Parei em frente ao quarto e vi (ainda que com dificuldade) o que lá havia. Pouco para ser sincero. Cama, um guarda roupa, uma cômoda e um espelho. No chão, um balde bem raso, talvez usado para urinar, deduzi. Entrei e tentei achar uma vela ou alguma outra coisa capaz de iluminar. Parei diante da cômoda e abri uma de sua gavetas. Havia fotos. Forcei a visão para tentar ver quem eram as pessoas das fotos e, apesar do esforço, não pude distingui-las. Suas roupas, entretanto, eram muito antigas. Roupas do início do século passado. Trajes que denunciavam um pudor excessivo e o rigor típico da época. Guardei-as.
Quando fui abrir a segunda gaveta, ouvi um som bem suave. Levanto a cabeça e meu reflexo não mostra meu rosto. Fico estático aguardando a continuidade do som. Nada... nada mais ouço. Talvez tenha sido apenas minha imaginação.
Então recordo que talvez tudo aquilo seja mesmo minha imaginação. - Não posso estar passando por isto realmente – digo-, como que me alertando.
Decido sair da casa e acabar de uma forma ou de outra esta insanidade. Ao virar, mais um som. Sinto o ar mais frio. Sinto meu sangue mais frio.
O som atrás de mim está mais forte e me esforço para não olhar para trás, ciente de que não pode ser nada de bom.
Algo, repentinamente, toca minha nuca. Sinto o pânico tomar conta sem demonstrar. Minha vontade é correr, mas seja lá o quer for, está em vantagem. Eu não sei o que é, mas sabem quem sou, sem dúvida.
Viro e vejo meu reflexo sombrio novamente. As gavetas da cômoda estão fechadas, mesmo eu tendo plena certeza de tê-las deixado abertas. Movo meu rosto para a direita e tenho a atenção atraída por algo captado por minha visão periférica. Penso ter visto meu reflexo se movido na direção contrária, mas isto é impossível. Tem que ser impossível.
Quando viro os olhos e encaro meu reflexo, ele já não me pertence. Há uma mulher no espelho e olho para trás pensando que ela está realmente atrás de mim. O risinho que ouço confirma meu engano. Pude sentir cada fração da minha coluna doer. Doer pelo mais puro pânico.
O reflexo se move e diz:
- Achou mesmo que iria ficar bisbilhotando minha vida e sair impune? Quem lhe deu permissão? Quem disse que eu quis sair? Responde! Não esconda o rosto, moleque. Sua vergonha não vai diminuir sua afronta.
A voz da mulher era tétrica. Minha visão nublou e cheguei a pensar que iria desmaiar. Enquanto pensava em uma resposta, a mulher gritou, enfurecida:
       - Aqui sempre será meu lar e vou fazer o que for possível para ficar. Ninguém tem o direito de tomá-lo de mim, ninguémmmmmmmm...
Então, ela recua e soca o espelho de dentro para fora, fazendo cacos de vidro atingirem meu rosto. Foi a gota d´água. Corri como jamais fiz em minha vida. E quanto mais corria, mais a casa aumentava. A porta de saída já estava fora do meu alcance quando tropecei.
Levantando, mais movido pela vontade de fugir do que pela agilidade, passei por algo úmido, como se fosse um filete de água. Ou melhor, era algo viscoso, como o rastro que uma lesma deixa ao passar.
Passei as mãos no rosto, sentindo uma repulsa enorme. Meus lábios tocaram a substância e isso foi o suficiente para vomitar. Minha visão nublou e senti vertigem. Fraco, tentei buscar apoio em alguma coisa e acabei caindo. Apoiando o joelho no chão, tentei levantar quando a face da mulher ficou a menos de 10 centímetros da minha. Seu olhar queimava minha pele, não pelo calor, e sim pelo frio. Eu a incomodava e ela não fazia qualquer questão de esconder isso de mim. Vi seus lábios se moverem e, ouvi o seguinte:
- É só isso? – riu. – Pensou mesmo que ia tomar o que é meu e ficar ileso, criança? Sua inocência me comove – disse, passando sua mão fria em meu rosto, deixando o mesmo líquido viscoso pelo qual eu passara.
- Eu sequer sei o motivo de estar aqui, senhora – respondi com uma voz tão baixa que mal pude me ouvir. – Não quero nada da senhora, não vim roubar, juro!
Ela abriu os lábios revelando os poucos dentes. Elevou os olhos nas órbitas, simulando estar pensando. Na verdade, estava me torturando. Eu até pensei em fugir, porém minhas pernas não tinham condições de acompanhar o raciocínio.
Ela suspirou e, com calma, perguntou:
- Não veio me roubar ou tentar me enganar? Não quer absolutamente nada de mim? Diga.
- Verdade, só quero ir embora... por favor.


Um odor pútrido me atingiu em cheio. Era a mulher respirando pela boca. Seu peito arfava enquanto decidia o que fazer comigo. De repente, tocou meu ombro esquerdo e, sem dizer uma palavra, elevou a mão direita. Recebi um golpe duro no peito. A dor foi muito rápida e intensa. Pensei estar tendo um ataque cardíaco. Ledo engano... abaixei o rosto e vi sua mão esmagando ossos e cortando tecidos e órgãos meus. Ela apertou dentro do meu peito e puxou.
Não senti mais nada.
Cai, respirando sangue e tendo espasmos. Meu corpo gelava muito depressa e a sede chegou com força. Eu estava morrendo. Lágrimas escorreram de meus olhos. Lágrimas de dor e temor pela partida. O que fiz? – questionei em pensamentos.
Tudo se turvou e o silêncio, já tão grande, me abraçou.

Despertei. Despertei de um pesadelo como jamais havia tido em toda a minha vida. O medo de que aquilo fosse real estava estampado não só em meu rosto, como no corpo todo. Eu estava suando frio, trêmulo. Sentia os batimentos cardíacos acelerados pelo ocorrido.
Respirei fundo e fui até o interruptor para acender a luz. Para meu azar, a lâmpada estava queimada. Nada de mais, já que a luz da lua iluminava debilmente o quarto. Sentei na cama e fiquei aguardando o sono voltar. Para ser sincero, eu não queria que ele voltasse. Pelo menos não daquele jeito.
Minutos depois eu já estava deitado. Meu olhar encarava o teto, branco, sem nada de atrativo, apenas aquele olhar vazio típico de uma pessoa sonolenta. Eu iria dormir, pensei...
Mal as pálpebras fecharam, senti um movimento estranho. Ainda entorpecido pelo sono, pensei ser apenas mais um sonho e não dei atenção. Eu ia adormecendo quando senti um solavanco. Meus sentidos entraram em sintonia quase que automaticamente. Fiquei alerta. Havia algo de errado. Estaria eu sonhando de novo? - questionei-me.
Quando fui tentar me mover, fui surpreendido por uma paralisia corporal. Não podia mover sequer o pescoço.
Como eu havia deitado de qualquer jeito, embalado pelo sono, estava com o corpo descoberto e, para meu desconforto, o pequeno quarto foi ficando mais e mais frio. De minhas narinas exalava vapor, de tão gélido estava aquele lugar.

Desperto, vi que nada daquilo era imaginação. Eu estava realmente no quarto da velha senhora e, para meu azar, alguma coisa estava redondamente errada. Com um pouco de calma, parei para pensar e, já desconfortável, percebi que desde o primeiro minuto em que entrei ali após a morte dela, algo me incomodava. Ainda que intimamente. Agora, após esta noite, eu só podia chegar à conclusão de que não era bem-vindo. Algo me repudiava. Algo queria me ver longe de lá e, pelo que constatei, estava disposto a fazer qualquer coisa para chegar ao resultado.
Forcei o corpo para a frente, usando o máximo de minhas forças. Não pude levantar pois havia algo me impedindo, como se eu estivesse amarrado. Tentei gritar para chamar a atenção de alguém que viesse me ajudar. Minha voz ecoou dentro de minha mente, mas não ouve sequer um único som saindo de minha boca.
Apertei as mãos, aflito, e cortei as palmas com as unhas. Senti os filetes de sangue escorrem quentes, contrastando com o frio pelo qual passava.
Não havia mais dúvidas... eu estava à mercê de alguém ou algo que não compreendia. E o que é pior, esta entidade sentia ódio por mim. Mas, afinal, que fiz? Eu não sabia dizer ao certo. Usando as últimas forças que tinha, consegui me desvencilhar. Levantei o corpo e fiquei sentado, com as pernas retas, na cama. Eu ainda estava preso e, nesta condição, estava mais vulnerável.
A cama, de súbito, tremeu. Agora eu sabia de onde vinham os solavancos. Junto com ela, eu também tremi. O tremor que só o medo em sua essência é capaz de impor a um homem. Minha cabeça foi agarrada e fui jogado de encontro ao travesseiro. O frio ampliou...
Com os olhos ainda voltados para o teto, senti um leve formigamento na nuca. Havia algo passeando entre meus cabelos. Eu não sei dizer como, mas eu sabia exatamente o que era. Uma língua de fogo tocava minha nuca sem, no entanto, queimar. Eu via como se tivesse atrás da cabeça. Eu via aquela língua vindo de um lugar inominável. Eu sabia que era apenas um recado, porém isso não diminuía o impacto sobre mim.
Então, a cama se elevou. Duas batidas secas contra o chão. Senti o corpo entorpecido. Pensei que iria morrer.
O rádio, desligado, entrou em funcionamento sozinho. Eram 05:00 horas da manhã e começavam as orações católicas. Mas eu não entendia o que ele dizia. Eu não conseguia discernir. Eram orações em outras línguas, deduzi.
Foram os segundos mais terríveis de minha vida e, tão rápido quanto começaram, eles terminaram. O rádio se desligou e meu corpo foi solto. Tomado pelo desespero, corri de encontro á porta sanfonada. Eu a derrubei como se fosse de isopor. E corri para o quarto onde o casal dono da casa dormia, indiferente ao meu sofrimento.
Bati à porta e, logo, fui atendido. Não acreditaram em mim, até que os estragos no quarto foram confirmados: a porta destruída, o travesseiro chamuscado. O rádio e a lâmpada queimados, além do quarto ainda refrigerado, apesar do tempo ameno.
Nunca mais entrei ali.

Com o passar dos anos (por pelo menos mais três anos o quarto permaneceu isolado), o fato foi sendo esquecido. Várias visitas de padres foram feitas para abençoar o lugar e muitas vezes vi a dona da casa rezando para dar paz a quem quer que fosse.
            Eu, para dizer a verdade, sei muito bem o quê e quem era. Sei que nós nos apegamos muito ao material, às nossas lembranças e acho que não tenho o direito de culpar. Talvez eu tivesse a mesma atitude. Talvez eu cobrasse um preço por alguém invadir minha vida, tocar minhas coisas. Afinal, sou apenas carne e osso e mesmo quando não mais o for, ainda terei a essência humana. Fui cobrado por invadir, ainda que involuntariamente, a intimidade de uma pessoa. Passei por uma grande prova e tirei minhas lições. Espero que ela esteja realmente descansando em paz agora. Nada mais.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Pegadinha do Silvio Santos vira febre na web e é criticada no exterior


Em uma jogada de mestre, Silvio Santos conseguiu alavancar não só o nome de seu programa como também a audiência, pelo menos na internet. Com o tradicional quadro com as "pegadinhas" (quem não se lembra daquela em que um esqueleto motoqueiro transitava em frente a um cemitério?) ele obteve um sucesso inesperado. Mas o que gerou isso?
O vídeo que trouxe a alegria para muitos e o terror para os que dele participaram trata de uma entrevista de emprego onde, para chegar ao local, os candidatos tem que pegar um elevador. No trajeto, as luzes do elevador começam a piscar e, inesperadamente, tudo fica às escuras. Em segundos uma menina (maquiada para ficar pálida) com um boneca suja nas mãos e os cabelos desgrenhados entra em cena. Quando as luzes voltam...
Disponibilizado na rede, o quadro já teve mais de 16 milhões de acessos. Jornais e sites no exterior criticaram a dose de medo provocada pelo quadro, comparando-o ao sucesso de terror "O Chamado". 
E você, qual seria a sua reação diante dessa ameaça sobrenatural?


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