{lang: 'en-US'}

Mostrando postagens com marcador Folha de SP. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Folha de SP. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Livros didáticos fornecidos ao governo estão com o pagamento em atraso.


Fonte: Folha de S.Paulo. Comentários: Franz Lima.

Sem dinheiro em caixa, o MEC (Ministério da Educação) está atrasando o pagamento a editoras pela compra de livros didáticos de ensinos médio e fundamental.
Segundo as editoras, há o risco de a autointitulada Pátria Educadora, slogan escolhido pelo governo Dilma Rousseff para o segundo mandato da petista, não conseguir entregar parte dos livros no ano que vem. O governo descarta a hipótese, mas não comenta os atrasos.
A Folha apurou que as empresas trabalham com uma dívida na casa dos R$ 600 milhões, valor que inclui despesas de remessa por Correios e programas de distribuição de livros para a rede pública.
Levantamento feito no sistema de acompanhamento de gastos federais mostra que os livros entregues até outubro somavam uma despesa de R$ 545,8 milhões. Disso, o MEC pagou apenas R$ 106,4 milhões, num descompasso sem precedente recente.
Não há especificação a qual programa esses valores se referem, mas o valor bate com o que empresários do setor trabalham sobre a rubrica de livros de ensino médio.
Editores ouvidos pela Folha, que preferem não se identificar por temer represálias em um mercado regulado, descrevem dificuldades.
Há, dizem eles, dívidas pendentes com gráficas, e a falta de capacidade de obter empréstimos bancários, devido à falta de garantias financeiras, ameaça o fechamento da folha de pagamento neste fim de ano.
O MEC diz que o dinheiro para a compra de livros “está empenhado” -em jargão burocrático, previsto no Orçamento, o que não garante sua execução, em especial em tempos de ajuste fiscal.
Neste ano, o governo encomendou 120,8 milhões de livros para 2016, entre exemplares para os anos iniciais e finais dos ensinos fundamental e médio. Mas ainda faltam ser entregues 20,5 milhões dos 47 milhões de livros para as séries entre o 1º e o 5º ano.
“Há risco real de não haver entrega completa de livros para o próximo ano letivo. Várias editoras já pediram postergação [do prazo para a entrega] ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, ligado ao MEC)”, disse o vice-presidente da Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares), Mario Ghio.
A entidade representa 19 editoras de didáticos de ensino básico, ou 95% dos livros do programa federal.
Responsável pela seleção e compra dos livros no governo, o FNDE nega risco de atraso e diz que o processo ocorre “dentro da normalidade”.
A crise, de todo modo, é generalizada. Na rubrica de pagamentos de livros do ensino médio, gigantes como a FTD e a Moderna tinham a receber até outubro, respectivamente, 58% e 70% dos pouco mais de R$ 40 milhões que o governo devia a cada uma delas.
Casas menores estavam em situação até pior: o governo deve 86% dos R$ 9 milhões que a Global deveria receber do FNDE no mesmo quesito.
A Abigraf Nacional (Associação da Indústria Gráfica) disse que o assunto não está sendo acompanhado.

OUTRO LADO
O governo diz que a liberação de recursos para a compra de livros ocorre “dentro da normalidade”, mas não comenta o baixo nível de pagamentos registrado no ano. Descarta que possa haver falta de livros no ano que vem.
Por meio de nota, o FNDE informou que “empenhou os recursos” para a compra de material didático para a rede pública -o dinheiro foi previsto e reservado no Orçamento, mas não que foi pago.
normalidade
Neste ano, o volume de livros chegou a 120,8 milhões, entre obras para os anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio. Desse total, 20,5 milhões ainda não foram entregues.
Sobre o atraso na entrega dos livros, o FNDE disse que o processo ocorre em etapas. “A primeira e a segunda ocorreram normalmente. A terceira está em andamento”, disse. O fundo diz ainda que a entrega ocorre “dentro da normalidade”.
Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Franz diz: o fornecimento de livros didáticos pela chamada "Pátria educadora" é algo que não pode falhar ou ter atrasos. Um estudante que receba seu material no segundo semestre, por exemplo, terá um rendimento abaixo dos demais que receberam os livros dentro do prazo. Há ainda um fator que não foi citado: as regiões que estão em atraso, pois é muito provável que as cidades mais ricas e influentes não sofreram com tal problema, isso se levarmos em conta as manobras políticas.
Desculpas à parte, a verdade se resume ao descaso e ingerência por parte do Governo Federal e dos Estados e Prefeituras que, infelizmente, ainda usam o benefício como moeda de troca. 
Eu não acredito que isso só tenha sido notado agora, o que por si só embasa a tese de que não há um controle efetivo das verbas destinadas à educação. É triste ver que nossas crianças sofrem com o descaso dos governantes que preferem doar dinheiro para a compra de material eletroeletrônico a cumprir com suas obrigações junto à educação. Afinal, um bem de consumo pode ser usado como "voto de cabresto" no futuro.


sábado, 18 de abril de 2015

Milton Hatoum afirma: um bom escritor não surge só com a leitura de best-sellers


Fonte: Folha de SP. Comentários: Franz Lima
“Ninguém pode se tornar um escritor sem duas coisas: sem experiência de vida e de leitura. Quem lê só best seller e ‘Cinquenta Tons de Cinza’ não pode ser bom escritor”.
A lição é do escritor Milton Hatoum a uma plateia de estudantes municipais em um centro cultural na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de SP), nesta quinta (16).
No evento do Circuito São Paulo de Cultura, promovido pela prefeitura, o escritor encampou a difícil tarefa de tentar fazer adolescentes entenderem a importância da paciência na arte e na vida.
“O escritor espera o tempo passar para escrever sobre o passado. O romance é a arte da paciência. Você não pode escrever um romance em poucas semanas, poucos meses”, disse ele, que reescreveu seu romance mais conhecido, “Dois Irmãos”, 16 vezes.
Prosador tardio, lembrou ter publicado primeiro romance aos 36 anos, após tentativas de ser poeta (“É muito difícil escrever poesia) e arquiteto (“Fiz poucos projetos, todos desastrados”).
Hatoum contou também a experiência como aluno de outra escola pública, melhor e que reunia todas as classes sociais. “Esse projeto foi interrompido na época da ditadura”, diz.
Em bate-papo informal, respondeu perguntas sobre bullying, vaidade, inspiração e aposentadoria. “Não sei até quando vou ter fôlego para escrever. Estou escrevendo um romance (em dois volumes) há cinco anos”, disse. “Talvez depois desses dois eu não escreva mais nada.”
Na abertura, o prefeito Fernando Haddad (PT) aconselhou os jovens a lembrarem da conversa no futuro, quando tiverem contato com a obra do autor. Foi embora logo em seguida, deixando na plateia alguns secretários municipais, como o ex-senador Eduardo Suplicy (Direitos Humanos) e Nabil Bonduki (Cultura).
Franz diz: a escrita de Hatoum é muito elogiada no mercado. Conheci seu trabalho através do Thiago Cabello, host do extinto podcast Papo na Estante, no ONE. 
A afirmação do autor não me surpreende. É impossível ganhar experiência como escritor sem dois pontos primordiais: a leitura de livros variados (gênero e autores diversos) e a escrita contínua. Escrever bem é fruto de continuidade e acúmulo de experiências. Quando um autor (ou mesmo um leitor) fixa seu foco naquilo que a moda (best-sellers) dita, ele acaba criando para si um corredor muito estreito, pois os livros mais vendidos não são, obrigatoriamente, os melhores. Modismos passam e as vendas despencam cedo ou tarde, porém só os ótimos livros permanecem e persistem através dos anos.
Mesmo escrevendo há anos, aprendo a cada novo livro lido. É preciso aprimorar constantemente e isso só ocorre quando transitamos em todas as áreas literárias, inclusive aquelas que não são as que mais amamos. Sair da zona de conforto também irá acrescentar conteúdo, seja você leitor ou escritor.

domingo, 2 de novembro de 2014

Una exposición de Martín Chambi revela la magia de Machu Picchu


Fonte: Los Hermanos
El fotógrafo peruano Martín Chambi fue uno de los primeros en registrar Machu Picchu, la ciudad sagrada de los incas descubierta en 1911, y será homenajeado en el Instituto Moreira Salles con la exposición "Face Andina - Fotografías de Martín Chambi".

La muestra cuenta con 88 fotografías y 23 postales realizadas entre los años 1910 y 1960. Los retratos, realizados en blanco y negro, revelan paisajes de la vida urbana y rural de las ciudades de Cusco, Arequipa y Puno.

O fotógrafo peruano Martín Chambi foi um dos primeiros a registrar Machu Picchu, a cidade sagrada dos Incas, descoberta em 1911, e será homenageado no Instituto Moreira Salles com a exposição "Face Andina - Fotografías de Martín Chambi".

A mostra conta com 88 fotografias e 23 postais realizados entre os anos de 1910 e 1960. O retratos, feitos em preto-e-branco, revelam paisagens da vida urbana e rural das cidades de Custos, Arequipa e Puno.

De origen indígena, Chambi desarrolló una mirada diferente sobre la realidad de su país. Durante sus trabajos, registró con integridad y respeto la vida pobre y sin recursos de muchos andinos.
En sus viajes por los Andes, capturaba imágenes de ruinas incas, paisajes desolados y a sus solitarios habitantes.
Bajo una mirada antropológica, y casi afectuosa, Chambi siempre quiso revelar el lado más olvidado de Perú, los pueblos nativos de origen precolombino.

De origem indígena, Chambi desenvolveu uma visão diferente da realidade de seu país. Durante seus trabalhos, registrou com integridade e respeito a vida pobre e desprovida de recursos de muitos andinos.

Em suas viagens pelos andes, capturava imagens de ruínas incas, paisagens desoladas e seus habitantes solitários.

Com uma visão antropológica e quase afetuosa, Chambi sempre quis revelar o lado mais esquecido do Peru, os povos nativos de origem pré-colombiana.
Face Andina- Fotografías de Martín Chambi
Dónde (onde): Instituto Moreira Salles - Calle (rua) Piauí, 844 - Higienópolis - SP.
Cuándo: 2 de octubre al 2 de febrero de 2015 (2 de outubro a 2 fevereiro de 2015)
Horarios: de martes a viernes (terça a sexta) de 13 a 19h, sábados, domingos y feriados de 13 a 18h.
Entrada gratuita




quarta-feira, 7 de maio de 2014

Pesquisa indica que autismo pode ter causas genéticas e ambientais.


France Presse. Via Folha de SP
 
Um amplo estudo realizado na Suécia INDICA que os fatores ambientais são tão importantes quanto a genética como causa do autismo.
"Ficamos surpresos com o resultado, porque não esperávamos que os fatores ambientais fossem tão importantes para o autismo", comentou Avi Reichenberg, pesquisador do Mount Sinai Seaver Center for Autism Research, em Nova York.
Estes fatores, não analisados pelo estudo, poderiam incluir, segundo os autores, o nível sócio-econômico da família, complicações no parto, infecções sofridas pela mãe e o uso de drogas antes e durante a gravidez.
Os pesquisadores disseram terem se surpreendido ao descobrirem que a genética tem um peso de cerca de 50%, muito menor do que as estimativas anteriores, de 80% a 90%, segundo um artigo publicado no Journal of the American Medical Association.
O resultado partiu da análise de dados de mais de 2 milhões de pessoas na Suécia entre 1982 e 2006, o maior estudo já realizado sobre as origens genéticas do autismo, que atinge uma em cada 100 pessoas no mundo.


Os autores da pesquisa trabalham no King's College de Londres e no Instituto Karolinska de Estocolmo.
Estatísticas americanas recentes revelam que uma em casa 68 pessoas é autista nos Estados Unidos.

Franz diz: a pesquisa acima citada é apenas mais um passo em busca da cura - ou conhecimento - do autismo. Independentemente dos fatores que gerem a síndrome, o fator primordial para uma melhoria da vida dos que são atingidos pelo autismo é a compreensão da realidade deles por nós. A vida de um autista tende a ganhar qualidade quando o preconceito, o temor e o desconhecimento são postos de lado. Compreender o autismo é uma das maiores demonstrações de respeito que podemos ofertar. 
Honestamente espero que os esforços para uma cura deem resultado, porém o mais importante passo para melhorar a vida dessas pessoas é compreendê-las.

 


quinta-feira, 20 de março de 2014

Quando o mercado editorial é comandado pelos jovens...


Em uma recente matéria publicada pela Folha, Úrsula Passos chama a atenção para um fato que comprova a necessidade dos leitores brasileiros pela conclusão das sagas por eles lidas: o prazo entre uma publicação literária e sua(s) sequência(s) está bem menor. 
Isso não se deve apenas ao apreço dos editores pelos leitores. A verdade é que a manutenção dos leitores, isto é, a conservação do número de leitores entre uma publicação e outra estava caindo vertiginosamente, motivada pelo longo espaço entre as publicações.
É desanimador para o leitor esse intervalo longo entre os livros. Em um período onde a literatura apela para as trilogias, quadrilogias, etc, fica difícil manter o interesse do público quando há demora nos lançamentos. Outro fato interessante está no público-alvo da literatura sequenciada: ele é, basicamente, constituído de jovens. Alguém conhece pessoas mais apressadas ou impacientes (não no sentido ruim da palavra) que os adolescentes e jovens? Eles são devoradores daquilo que curtem. São, literalmente, consumidores que precisam ter o que gostam dentro de seu próprio tempo, não dentro do tempo que os editores querem. 
E eles estão corretos? Para mim, estão. Levemos em conta que muitas séries estrangeiras já chegam aqui finalizadas, porém demoram demais para serem publicadas. Marketing ou não, o fato é que isso incomoda e desestimula o leitor.
As cobranças ocorrem até mesmo pelas redes sociais. Leitores entram em contato com os autores e pedem que a publicação ocorra o mais breve possível. No caso das edições já finalizadas, isto é fácil. Porém há séries inacabadas que não podem ter seu processo criativo acelerado. Aliás, quando esse processo de aceleração ocorre, o que vemos é uma continuidade mal feita e fãs decepcionados. 
As novas tendências editorias permitem que os leitores tenham ao seu alcance, quase em tempo real, as obras de seus autores preferidos. Os velhos tempos onde livros eram publicados com anos de diferença para seus países de origem acabou. Resta-nos ter esse tipo de tratamento também nas publicações com conteúdo didático e em obras de conteúdo mais "sério", não apenas nas obras de literatura fantástica.  



segunda-feira, 3 de março de 2014

E para os que ainda não conhecem as Classics Illustrated....


Clique para ampliar a imagem
Fonte: Motoca

A página acima é uma matéria assinada por André Forastieri e Rogério de Campos para o Ilustrada, caderno do jornal Folha de São Paulo. A matéria, resumidamente, fala sobre um pouco da história das adaptações de livros para os quadrinhos, além de um destaque para a 'nova' obra de Bill Sienkiewicz: Moby Dick.
Clique na imagem para ampliar e ler a matéria...



domingo, 2 de março de 2014

Único romance de autoria de Charles Chaplin é publicado na Europa.


Fonte: Folha
'Footlights', que serviu de base para o filme 'Luzes da Ribalta', reflete tristeza do artista diante de declínio nos EUA
Escrito em 1948 e até agora inédito, livro mostra frustrações do ator e diretor, que era investigado pelo FBI
ALISON FLOOD DO "GUARDIAN"

O único livro de ficção escrito por Charles Chaplin, um sombrio e nostálgico romance curto que serviu de origem ao filme "Luzes da Ribalta" e ficou inédito por mais de 60 anos, está sendo publicado pela primeira vez.
"Footlights" conta a mesma história de "Luzes da Ribalta" ("Limelight", 1952), seu filme de despedida dos Estados Unidos --a de um palhaço envelhecido e alcoólatra, Calvero, que salva uma bailarina do suicídio.
O filme, no qual Chaplin interpretou Calvero, e Claire Bloom, a bailarina, foi o último que Chaplin realizou nos EUA antes de ser expulso do país em função de sua suposta simpatia pelo comunismo.
O romance, escrito em 1948, foi agora montado por seu biógrafo, David Robinson, com base em anotações a mão e trechos datilografados. Ele está sendo publicado, em inglês, pela Cineteca di Bologna --um instituto italiano que se ocupa da restauração de filmes.
Cecilia Cenciarelli, codiretora do projeto, disse que o romance "traz sombras". "É a história de um comediante que perdeu seu público, escrita por um comediante que àquela altura havia perdido seu público e era descrito pela imprensa como ex-comediante', ou cineasta que um dia fez sucesso'", afirma.
"É espantoso que um homem como esse, que foi à escola por apenas seis meses em sua vida, tenha conseguido se transformar em escritor", diz Cenciarelli.
"Sei que sou engraçado", diz Calvero no romance, "mas os empresários acham que cheguei ao fim do caminho... que fiquei no passado. Meu Deus! Seria tão maravilhoso fazê-los engolir suas palavras. É isso que odeio na velhice --o desprezo e a indiferença que as pessoas mostram com você. Eles acham que sou inútil... Por isso seria maravilhoso conseguir um retorno! Mas algo sensacional! Para sacudi-los de rir, como eu fazia no passado... Ouvir aquele rugido cada vez mais forte... As ondas de risos me atingindo, me erguendo no ar... Esse é o melhor dos tônicos! Você gostaria de rir com eles, mas se segura e só ri por dentro... Meu Deus! Não existe nada parecido! Por mais que eu odeie aqueles malditos... Eu adoro ouvi-los rir!"
Chaplin estava enfrentando um período difícil nos EUA quando escreveu o romance. "Ele era um alvo importante para J. Edgar Hoover [o diretor do Serviço Federal de Investigações (FBI)], e essa campanha fez muitos americanos se voltarem contra Chaplin. Isso foi um choque para ele, que havia sido o homem mais amado do mundo durante 30 anos", afirma Robinson, cujas anotações estão na edição.
"Ele jamais pretendeu publicar o livro", diz o biógrafo. "Era algo absolutamente privado, que escreveu para consumo pessoal."
A infância de Chaplin no sul de Londres pode ser vista, escreve Robinson, na aversão de um personagem infantil por parques --"aqueles monótonos e solitários trechos de verde, e as pessoas que os ocupavam serviam de cemitério vivo aos desesperados e destituídos".
O romance também mostra "o deleite do autodidata quanto a palavras belas ou estranhas, que o levava a manter um dicionário sempre ao seu alcance e a aprender uma palavra nova a cada dia: chocalhar, selenita, eflorescente, fanfarronando e --até o fim da vida sua palavra favorita-- inefável".
"Quando ele aprendia uma palavra, gostava de usá-la, mesmo que não fosse exatamente a correta para a situação", diz Robinson.
"Mesmo assim ele é um escritor maravilhoso. Nos filmes, ele trabalhava e trabalhava até acertar, e no livro é a mesma coisa. É uma boa leitura. Estranha, mas boa."

Franz diz: o que há mais a dizer? Uma obra literária escrita por Charles Chaplin? Essa é uma aquisição obrigatória para qualquer fã de cinema e literatura. Imperdível!

FOOTLIGHTS

AUTOR Charles Chaplin
EDITORA Cineteca di Bologna
QUANTO € 34 (cerca de R$ 110, mais entrega; à venda no site cinestore.cinetecadibologna.it)


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Novo livro de Neil Gaiman sairá em 18 de junho.



Mais uma aguardada obra de Neil Gaiman, desta vez destinada ao público adulto já tem previsão de lançamento pela editora Intrínseca. A tradução nacional sairá ao mesmo tempo que a versão original, fato inédito. Os detalhes sobre a obra estão descritos abaixo:

"O Oceano no Fim do Caminho", romance adulto de Neil Gaiman, autor de quadrinhos, ficção e roteiros para TV e cinema, começa com as memórias do protagonista. Aos sete anos, quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes.
Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.
Ele sabia que os adultos não conseguiriam compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.
Especificações técnicas:

Título: O Oceano no Fim do Caminho Autor: Neil Gaiman Editora: Intrínseca Edição: 1 Ano: 2013 Especificações: Brochura | 208 páginas
ISBN: 978-85-8057-368-8
Peso: 260g
Dimensões: 210mm x 140mm

sábado, 25 de maio de 2013

Redação simulada é corrigida e aponta erros que podem ajudar na hora da avaliação real.




"Enem Nota Máxima" disponibiliza uma equipe de especialistas para a correção de redações, um dos recursos que a caixa com dez volumes apresenta. Para testar os professores da LeYa, editora responsável pela publicação, a Livraria da Folha pediu ajuda aos leitores.

P.S.O., que pretende fazer o Exame Nacional do Ensino Médio neste ano, enviou seu texto para a avaliação. A Livraria da Folha encaminhou à equipe. Abaixo, leia a redação e as correções.

*

Direitos humanos para todos

É triste saber que 1 a TV, rádio, jornais e internet só se interessam por um assunto tão importante quanto os diretos humanos quando o presidente da comissão em Brasília é contra negros e homossexuais.



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Entrevista de George R. R. Martin ao jornal Folha de São Paulo.




Seria apenas meia hora de conversa por telefone e o assunto não poderia fugir muito de “Wild Cards”, série  coletiva sobre super-heróis que George R.R. Martin edita e na qual escreve desde os anos 1980. Duas das condições com as quais chegou até mim, no mês passado, a possibilidade de entrevistar o autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo”, que nunca tinha falado a jornais do Brasil, país que está entre aqueles onde ele tem hoje mais leitores.
Confesso que bateu certo desconforto à medida que lia entrevistas com ele. GRRM é um bom entrevistado, mas a paixão que sua obra desperta e a atenção implacável de fãs fez com que já fosse questionado sobre todo assunto que se possa imaginar, e as respostas tendem a se repetir. No fim, até ajudou falar de um tema menos abordado, “Wild Cards”, cujo volume 1 a editora LeYa acaba de pôr nas lojas (o segundo e o terceiro saem em novembro). E, é claro, fui encaixando na conversa as “Crônicas” e “Game of Thrones”, a série da HBO baseada nos livros.
Em “Wild Cards”, como nas “Crônicas”, GRRM dá um tratamento mais adulto, por assim dizer, a temas que tendem a ser associados ao juvenil (super-heróis, fantasia), com violência, política e sexo como pano de fundo. A boa notícia para os fãs das “Crônicas” é que GRRM hoje quase não ocupa seu tempo escrevendo para “Wild Cards”, embora editar a obra seja, como ele diz, “o trabalho mais desafiador” nesse sentido.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Divulgação: O Hobbit: de A a Z, por Sarah Oliver.


Fonte: Folha de SP

"O Hobbit: De A a Z", de Sarah Oliver, revela o que aconteceu por trás das câmeras durante as gravações do filme dirigido por Peter Jackson.
Entre diversas curiosidades, a autora conta como foi criado um condado da Terra-média na Nova Zelândia e como foi convencer os maori a permitirem que sua terra sagrada se transformasse na Montanha Sombria
Com ficha de cada ator, localizações e tecnologia desenvolvida para o longa, a edição narra os passos da produção que se arrastou durante anos até chegar aos cinemas.
Publicado originalmente em 1937, "O Hobbit", escrito por J. R. R. Tolkien, antecede a saga contada em "O Senhor dos Anéis". A primeira parte da trilogia "O Hobbit" chegou aos cinemas na sexta-feira (14). 

"O Hobbit: De A a Z"
Autor:
Sarah Oliver
Editora:
Universo dos Livros
Páginas:
216
Quanto:
R$ 23,90 (preço promocional*)
Ano: 2012
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 216 páginas
ISBN: 978-85-7930-357-9

Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Franz says: o livro parece ser interessante e é um complemento para os fãs de Peter Jackson. Entretanto, devo frisar que para quem assistiu e acompanhou o videoblog de Jackson e Andy Serkis, tal tipo de publicação torna-se redundante.  


Porta dos fundos lançará filme, segundo Folha de São Paulo.


Com uma dose de humor e muita qualidade, a produtora Porta dos Fundos - que reune entre outros Fábio Porchat, Clarice Falcão, Antonio Tabet (Kibe Loco), Júlia Rabello, Gregorio Duvivier - vem arrebatando um sucesso (conta com mais de 46 milhões de exibições)  que já incomoda as grandes produtoras e os canais de televisão. Mas nenhum sucesso vem ao acaso. Os integrantes publicam duas vezes por semana seus vídeos - exclusivamente - no You Tube e demonstram além de competência para o humor, também um respeito enorme pelo público com a constância e a qualidade de seus trabalhos. 
Ainda não conhecem? Bem, leiam antes essa matéria que foi publicada recentemente na Folha de São Paulo e descubram o que de bom ainda virá. Ao final do post há um dos vídeos do canal de humor. Divirtam-se e assinem o canal, além de curtir a página deles no facebook.
Matéria da Folha, por Alberto Pereira Jr.:
A produtora de vídeos Porta dos Fundos esnobou a TV e cinco meses depois de sua criação --respaldada por mais de 20 milhões de acessos no YouTube-- vai lançar um filme.
"É um sonho antigo nosso e, depois do sucesso na internet, outras 'portas da frente' se abriram", diz Antonio Pedro Tabet -um dos idealizadores do projeto, também capitaneado por Clarice Falcão, Fabio Porchat e Gregorio Duvivier.
A produtora aposta em uma comédia que mistura linguagem rápida, tiradas que miram o constrangimento dos personagens, com palavrões e pitadas de escatologia.
O filme será sobre um grupo de amigos que precisa se encontrar. "O que é, basicamente, um pouco da nossa história. A gente trilhou caminhos complicados", conta Tabet à Folha.
O roteiro ainda está em desenvolvimento, mas as gravações estão previstas para março e a estreia para o segundo semestre de 2013.
"Teremos muitas participações especiais. Adianto que o Leandro Hassum [humorista da Globo] já se ofereceu para uma cena de nu frontal. É sério", diverte-se.
Sobre as possibilidades temáticas do filme é taxativo: "Temas que funcionam na internet podem dar certo no cinema. Para isso, basta ser bem escrito, bem encenado, bem dirigido e, no nosso caso, bem engraçado". 

Franz says: honestamente, eu acredito que esta será a melhor comédia do ano de 2013, principalmente se levarmos em conta a qualidade de tudo que foi apresentado em tão pouco tempo pelo Porta dos Fundos. A equipe é fantástica e ganhará muito mais destaque no próximo ano. Aguardem...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Tira de Calvin e Haroldo (Calvin e Hobbes) é leiloada por 426 mil reais.


Fonte: Folha de São Paulo. Texto por Franz Lima

Uma das duplas mais carismáticas dos quadrinhos é responsável por um novo recorde. Uma tira original de Calvin e Haroldo foi leiloada pela quantia de US$ 203.150 (o equivalente a 426 mil reais). Apesar de Bill Watterson não mais publicar os trabalhos sobre seu maior sucesso, o valor do leilão só foi atingido pelo fato de que Bill não vende suas obras. Esse original é fruto de uma troca entre o cartunista e seu amigo, Brian Basset que foi categórico ao afirmar que a venda é motivada por questões financeiras a sanar.

A magia das tirinhas de Calvin e Haroldo está na inocência e na imaginação de Calvin, um menino que consegue dar vida a seu urso de pelúcia, Haroldo,  quando está sozinho com ele. As aventuras dos dois oscilam entre o futuro, passado, viagens espaciais, monstros e bonecos de neve com vida. Outro destaque é o conflito entre o menino e seus pais que,  definitivamente,  não compreendem o universo no qual o filho quase sempre se encontra.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Resenha da Graphic Novel "Habibi" de Craig Thompson


Por Franz Lima
Eu sempre desconfio das palavras elogiosas das contra-capas ou abas internas dos livros. O mesmo princípio eu aplico aos pôsteres de filmes e às capas de Histórias em Quadrinhos.
Mas há ocasiões em que o instinto clama e não nego tal chamado. Uma dessas ocasiões ocorreu recentemente comigo ao entrar em uma livraria e me deparara com a obra "Habibi", de Craig Thompson. Eu folheei rapidamente suas páginas e comprei sem maiores referências. Cometi o que alguns chamam de "tiro no escuro", o que implica em afirmar que uma atitude foi tomada sem conhecimento da causa. Ok, eu atirei no escuro, mas acertei o alvo entre os olhos.
A ilustração imita o formato das letras
Habibi é a mais recente obra do autor de Retalhos. Contudo, ser um novo trabalho de um autor premiado, volto a reforçar, pouco quer dizer, pois uma obra-prima não é garantia de outra na sequência, principalmente com as pressões do mercado editorial para a entrega rápida de novos trabalhos após um sucesso de vendas.
O apuro na arte da Graphic Novel

Esta Graphic Novel, entretanto, foge à regra. Primeiro, o tempo para produção e disponibilização do mercado foi muito grande. Passaram-se  longos 8 anos até a finalização e disponibilização da obra no mercado. Crai produziu o que pode ser considerada sua obra máxima em uma reação ao processo de rejeição (fobia) aos islâmicos. Por ser uma cultura pouco conhecida e em constante processo de degradação por parte das mídias ocidentais, Craig Thompson optou por criar um verdadeiro conto de fadas sobre a cultura e o comportamento das pessoas em um país tipicamente islâmico. Mas não se deixem enganar: Habibi é um conto de fadas como os antigos foram. Há força, impacto e verdade nos desenhos e palavras da Graphic Novel. Tudo cativa e impressiona... desde os desenhos estilizados (bem similares aos dos livros árabes antigos, plenos de formas geométricas belíssimas) até o uso da caligrafia.

A história se passa nas proximidades da cidade de Vanatólia (creio que seja uma alusão a Anatólia, no oeste da Ásia - Turquia) e mostra a relação de duas crianças que desde muito cedo são obrigadas a viver uma dura realidade. De um lado, uma menina que é vendida por causa da fome e desemprego que assolam sua família. Do outro lado, um menininho que é feito escravo junto com sua mãe. Com o tempo, os dois são unidos pelo destino e por muitas situações tristes e dolorosas. Juntos, eles passam a viver do amor de um pelo outro, mas um amor puro, capaz de superar as sequelas que só a vida e suas surpresas podem trazer. 

São 672 páginas de arte em estado puro. Ilustrações belas, detalhadas e, ao mesmo tempo, simples na mensagem que passam. Não há excessos, apesar do refinamento da produção. O que vemos desde a primeira página é um fenômeno. A combinação de roteiro, letras, desenhos e, principalmente, um recado para um mundo cada vez mais crítico quanto aos islâmicos torna "Habibi" uma pérola de valor inestimável. 
Craig Thompson precisou de uma grande lacuna para transformar idéias em arte, porém é fácil afirmar que cada segundo de espera valeu a pena. 
Lendo "Habibi", tenho plena certeza que as ideias sobre os muçulmanos irão mudar muito. Sim, eles tem muitas e gritantes diferenças de comportamento e religiosidade em relação aos ocidentais. Também tem um trato diferente com as mulheres e, muitas vezes, podem ser vistos por nós como radicais. Todavia, uma coisa teremos certeza: são pessoas como nós, diferenciadas por uma religião, que sofrem com a fome, as intempéries, a pobreza e a desigualdade social. Não há muitas diferenças básicas quando comparamos as duas realidades das vidas dos orientais e ocidentais.  Compreendê-los é muito melhor que odiá-los, valendo-se de estereótipos que não são a expressão da verdade, mas a personificação de um rancor e um ódio que não precisam ser propagados.

Thompson mesclou passagens do Corão com o livro das Mil e Uma Noites, além de acrescentar a essa fórmula um pouco da realidade de muitos países muçulmanos. A intenção da obra não é estimular uma admiração inquestionável pelo povo islâmico. A intenção da obra é estimular nossa vontade em conhecer um pouco mais da história de um povo guerreiro, trabalhador e unido. Muito dessa admiração nós passamos a ter quando conhecemos melhor a dupla protagonista da obra: Cam e Dodola. 
Com um conteúdo político e emocional muito grande, "Habibi" é certamente a melhor surpresa de 2012, uma verdadeira benção para um povo que é perseguido e desprezado por uma grande parte da população ocidental, principalmente após os mais recentes ataques terroristas.
Lendo "Habibi", aprendi que é possível nutrir esperança em um futuro, qualquer que seja sua nacionalidade, fé ou cor da pele. Craig provou o quanto é difícil produzir uma arte tão complexa, porém é inegável que o resultado superou todas as expectativas. Cam e Dodola irão flutuar em minha mente e alma como exemplos de superação, fé e amor. Eles são carismáticos, erram e buscam por esperança, assim como nós o fazemos. Eles são assustadoramente reais, assim como todas as barreiras e sofrimentos que os atingem até o fim da obra.

Leia e saiba que as barreiras usadas para transformar pessoas em monstros podem ser diminuídas. Não importa qual seja a cor da pele, o credo ou o sexo. O que basta é termos união e amor pelo próximo, pois por trás de cada ser humano há uma história... nem sempre tão bonita, mas sempre real. Craig contou não só as histórias de um menino que vira homem e de uma menina que se torna mulher e guerreira, ele comprovou que a união e a dedicação a quem amamos pode mudar o mundo.
Um detalhe muito importante e que mostra o zelo do autor está nas ilustrações do profeta Maomé sem o detalhamento da face, tal como preconiza a religião islâmica. Perfeito.
Ah! Lembram-se que no início eu disse não valorizar as notas e elogios que constam no livro? Bem, esse merece ter sua apresentação lançada aqui:

“Destinado a se tornar um clássico instantâneo.” - The Independent

“Cortante.
Habibi é um enorme feito de pesquisa, cuidado e tinta preta, e um lembrete de que todos os ‘povos do livro’, apesar das diferenças, dividem um mosaico de histórias.” - Zadie Smith, Harper’s Magazine

“Thompson é o Charles Dickens do quadrinho.
Habibi é uma obra-prima única.” - Elle

“Uma história maravilhosa e cativante, mas também indescritível neste curto espaço, pois dentro dela há ainda milhares de outras histórias. É como uma caixa de joias à qual você retornará de novo e de novo.” -
The Guardian


Habibi - por Craig Thompson
Páginas 672
Acabamento: Brochura
Tradução: Érico Assis
ISBN - 9788535921311
Selo: Quadrinhos na Cia.
Valor: R$ 45,00 na Livraria da Travessa
Leia um trecho em pdf

Abaixo, como complemento, uma entrevista cedida pelo desenhista ao jornal Folha de São Paulo.  
Thompson trabalhando


Você lançou Retalhos em 2003 e, um ano depois, Carnet de Voyage (inédito no Brasil). Só voltou a publicar algo novo agora, em 2011, com Habibi. Sete anos é um longo período...Pode apostar. Comecei a escrever Habibi no início de 2004, após retornar de uma turnê de lançamento de seis meses de Retalhos - que incluiu a produção de Carnet de Voyage. No verão de 2005 já tinha uma primeira versão, mas o final não funcionava. Entre o outono de 2005 e 2006 revisei o rascunho e redesenhei centenas de páginas. Já estava desesperado, sempre chegando a becos sem saída. Em outubro de 2006, resolvi começar a desenhar as páginas finais na esperança de que o livro se revelasse enquanto produzia. Em julho de 2009 ainda não sabia como encerrar. Durante cinco meses me concentrei exclusivamente nos últimos capítulos. Ilustrei as últimas três páginas em agosto de 2010. O ano anterior ao lançamento foi todo por conta de edição, e promoção.
Ao longo desses sete anos, durante a produção de Habibi, você trabalhou a partir de alguma rotina?Gastei dois anos somente escrevendo o livro. Escrevo texto e imagens juntos. Tendo a me deixar levar fazendo os rascunhos com muitos detalhes - em parte por trabalhar já com a composição das cenas no rascunho, mas principalmente por depender de amigos que leem os rascunhos e contribuem no processo editorial.
Entre a sua primeira graphic novel, Good-Bye Chunky Rice, e Retalhos houve quatro anos de intervalo. Esse intervalo tão grande influencia no resultado final de suas obras?Quatro anos é um bom intervalo quando levo em conta que não fui pago para fazer esses projetos. Enquanto produzia Chunky Rice, era designer gráfico em tempo integral e, na época da Retalhos, eu ganhava a vida como ilustrador. Fazer quadrinhos nessa época era um hobby. Com Habibi eu finalmente tive o privilégio de ganhar dinheiro com quadrinhos e, mesmo assim, ainda levou mais tempo de produção do que os trabalhos anteriores! O trabalho final tira benefício desse tempo investido.
Como consta em Retalhos, você cresceu em um ambiente cristão. Como foi escrever sobre o mundo islâmico em Habibi tendo a formação cristã conservadora que teve?Esse foi o elemento que tornou mais acessível a escrita sobre o Islã. Interagindo com amigos muçulmanos, vi que a vida deles não era tão diferente do ambiente em que cresci. São os mesmos estilos de vida, as mesmas morais e, principalmente, as mesmas histórias como fundamentos de ambas as crenças. Foi o meu ponto de acesso. O Alcorão contém algumas das mesmas histórias da Bíblia, mas de forma menos linear e mais poética.
Desde 2001, com os atentados do 11 de Setembro, é muito fácil cair em clichês e estereótipos relacionados ao islamismo. Quais cuidados você tomou para que isso não acontecesse?De certa forma, o livro é uma reação à "islamofobia". Confiei em um grupo de amigos muçulmanos como consultor. Confiava nos instintos deles em relação a cenas e assuntos aparentemente delicados. Nunca houve desejo de evitar situações mais complicadas, como pode acontecer com autores preocupados além da conta com uma abordagem politicamente correta.
Você publicou três trabalhos pela Top Shelf e lançou Habibi pela Pantheon Books. Como foi essa transição?Não vivia de quadrinhos até Habibi, até mudar para uma grande editora de livros. A Pantheon investe em ampla distribuição e promoção para que o livro alcance público além da ilhada comunidade de quadrinhos. Sempre senti que os quadrinhos têm potencial para alcançar uma audiência muito mais ampla da que existe.
Qual análise você faz desse investimento de editoras tradicionais no mercado de quadrinhos?É provavelmente uma moda passageira. O meio editorial está sob tanta pressão que os editores estão apostando em qualquer artifício que atraia novos leitores. Talvez as graphic novels possam durar por mais tempo como suporte para impressão do que a prosa. A prosa impõe um distanciamento técnico do leitor: é facilmente adaptável para um e-reader. Já as graphic novels contêm o traço do autor - os textos e desenhos são feitos à mão, criando uma certa intimidade com o leitor.
Você fez o prefácio de Daytripper, dos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá. O que acha do trabalho de ambos? Conhece algum outro artista vindo do Brasil além dos gêmeos?Amo o trabalho do Moon e do Bá. Eles fazem livros sensíveis, sexy e com muita humanidade. Elementos que quadrinhos precisam desesperadamente. Um cartunista brasileiro que procuro estar de olho é o Rafael Grampá. Há muitos fãs secos por mais trabalhos dele nos Estados Unidos.
Você alcançou sucesso de público e crítica tanto no mercado europeu como no norte-americano, ambientes com percepções diferentes sobre quadrinhos. A que atribui esse sucesso?O meu trabalho é influenciado por europeus - especialmente pelos autores franceses publicados pela editora L’Association nos anos 1990. Acho o sucesso de Retalhos uma anomalia. Produzi como uma reação ao quadrinho típico norte-americano. É uma história em quadrinho gigante em que, basicamente, nada acontece. Foi na hora certa. Na época, crescia o gosto pelas coletâneas em detrimento de publicações homeopáticas de poucas páginas.
No seu blog você deixa no ar a possibilidade da sua próxima obra ser um livro infantil, de ensaios ou um trabalho erótico. Já sabe qual será o escolhido?Estou trabalhando nos três ao mesmo tempo. Há uma flexibilidade para pular entre os livros e evitar bloqueios criativos. Mas é possível que acabe o livro infantil primeiro.
O período de produção desses próximos trabalhos também vai levar quase uma década?O livro de ensaios e o infantil devem ter 200 páginas cada um. O livro erótico deve ser menor, com 48. Pretendo terminar os três em quatro ou cinco anos. Vamos ver.

O Autor: Nascido em 1975, Thompson foi criado no Wisconsin, EUA. Em 2004 venceu os principais prêmios da indústria de quadrinhos norte-americana por Retalhos. Mantem fãs e leitores em dia com seu trabalho no blog www.blog.dootdootgarden.com

domingo, 9 de setembro de 2012

Uma lição dada por Garfield. Verdade absoluta...


Algumas pessoas vivem de aparências. Prestigiam eventos e mostram-se cultas e dotadas de conhecimento, mas é apenas fachada. Aparências e mentiras não são incólumes ao tempo. Cedo ou tarde essas máscaras caem e, infelizmente, a decepção atinge quem não merece, os que foram enganados pela ilusão. Seja autêntico e único, não se deixe levar por um falso status, não se mostre diferente da realidade. As pessoas podem até aceitar por um tempo as ilusões, porém sempre haverá alguém que não cairá nos truques e, fatalmente, irá desmascará-lo. A verdade pode não ser a mais agradável para você, o que não implica em dizer que irá afastar quem realmente o ama. 
Esta é a lição que esta simples tirinha nos ensina hoje.



Philip Roth versus a Wikipedia. Via Folha de SP.


O escritor norte-americano Philip Roth enviou uma carta aberta à Wikipedia em que nega uma informação publicada no site de que seu livro "A Mancha Humana" (2000) teria sido baseado na vida de Anatole Broyard, famoso crítico cultural do "New York Times", morto em 1990.
O romance acompanha a vida de Coleman Silk, um professor afro-americano que finge ter origem judaica, com o objetivo de alavancar sua carreira acadêmica. Na Wikipedia, a trama é citada como se o personagem Silk tivesse sido inspirado em Broyard.
Escritor, ensaísta e crítico literário, Anatole Broyard (1920-1990) foi acusado, em seus últimos anos de vida, por entidades de defesa da igualdade racial, de renegar suas origens afro-americanas para ter mais oportunidades de crescimento profissional.
Segundo Roth, porém, o protagonista de seu romance seria baseado em um professor de sociologia da Universidade de Princeton que o autor conheceu há mais de trinta anos.
Na carta, o escritor desmente qualquer relação entre seu personagem e Broyard, afirmando que se trata de "mera fofoca literária e não há verdade alguma nisso". 

Os dados da Wikipedia são editados de forma colaborativa por qualquer usuário com acesso ao site.
Segundo o romancista, a carta foi respondida pelos administradores da enciclopédia da seguinte maneira: "Nós compreendemos que o escritor é quem tem maior autoridade para interpretar sua própria obra, mas precisamos de uma segunda opinião".
Em entrevista à "New Yorker", Roth rebateu: "Nunca jantei, fui ao cinema, ou joguei cartas com Broyard. Como poderia basear um romance inteiro em sua vida?".
A versão de que teria feito seu livro inspirado no jornalista continua no verbete da Wikipedia. O verbete, porém, incluiu agora o protesto de Roth. O caso levanta uma nova onda de discussões sobre a política de checagem de informações do site. 


Franz says: A Wikipedia, dentro da minha simplória visão, ainda não é uma fonte plenamente confiável de informação. Valer-se do que lá está escrito como fonte de verdade é, no mínimo,  uma demonstração clara falta de senso crítico e desconhecimento das fontes e métodos de inserção de textos na Wikipedia. Há produções primorosas, não duvido, porém boa parte das matérias necessita de revisão e ampliação, principalmente quando o assunto abordado é tão sério quanto esta "acusação" na carreira de um grande autor. Temas históricos, biografias e informações mais importantes merecem respeito, além de autores à altura da complexidade e relevância dos assuntos. 
Philip Roth é o autor e sua obra foi questionada publicamente, fato que lhe dá todo o direito de questionar e solicitar a remoção de uma informação incondizente, com potencial para denegrir a imagem do autor. 



Proxima  → Página inicial