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domingo, 14 de julho de 2013

Personagens de Street Fighter tem suas versões 'quase' reais




Italiano, Samuel Cazetta é um designer gráfico e usuário de Photoshop que trouxe alguns ótimos resultados. Um de seus mais bacanas trabalhos é a criação de faces 'reais' de lutadores do game Street Fighter. Eu, particularmente, gostei bastante do resultado final dela e vou ficar de olho para encontrar novas atualizações do artista. Os detalhes do Dhalsim, acima, estão fantásticos...








terça-feira, 6 de novembro de 2012

Quando o lápis se transforma em fotografia. As obras de Diego Fazio.



Este artista é uma prova viva de que a capacidade e os limites humanos são limitados por sua própria mente. Autodidata, Diego Fazio, desenhista italiano, aprendeu por conta própria as técnicas que hoje o colocam entre um dos maiores destaques da pintura realista. Com extrema precisão (e paciência ainda maior), o desenhista já chegou a quase 200 horas de trabalho em um único retrato. 
Suas obras são tão perfeitas que é dificílimo descobrir se é uma foto ou uma pintura. Confira o vídeo e veja as fotos para que não restem dúvidas sobre tão grande talento.









quinta-feira, 28 de junho de 2012

Jogador negro é comparado a King Kong


Fonte: Carta Capital.
Em cima do Big Ben jaz Mario Balotelli, o atacante da equipe italiana de futebol. Ele não desfere bofetadas em aviões como King Kong no topo do arranha-céu novaiorquino Empire State Building, mas chuta bolas de futebol.
É o que vemos na inoportuna caricatura de Valerio Marini na edição de terça-feira do diário italiano Gazetta dello Sport.
Segundo Marini, a ideia era mostrar Balotelli, que joga pelo Manchester City, a dominar a equipe inglesa nas quartas de final da Eurocopa, ou Copa da UEFA, a competição entre clubes europeus. Isso no domingo, em Kiev, quando os italianos venceram os ingleses nos pênaltis.
Marini não convence.
E nem os editores do Gazetta dello Sport, diário de maior tiragem da Bota. Eles publicaram as seguintes linhas: “Nesses tempos precisamos ser mais cautelosos e moderados, mas sempre lutamos contra o racismo, sempre julgamos inaceitável quando Balotelli é vaiado”.
No entanto, Marini e o diário sequer pediram desculpas a Balotelli pela infeliz caricatura.
Balotelli, nascido em Palermo e adotado aos dois anos por uma família italiana, é o primeiro jogador negro da equipe nacional italiana. Costuma provocar controvérsia por onde passa, mas ao mesmo tempo esse filho de pais biológicos ganenses é sempre vítima de ataques racistas.
Na primeira vez em que adentrou o campo com uma camisa da equipe nacional italiana num jogo contra a Romênia leu numa faixa: “Não para um time multiétnico”.
Na Eurocopa torcedores espanhóis e croatas fizeram imitações de macaco ao ver Balotelli. Um croata jogou uma banana em campo.
Balotelli avisou antes do evento que sairia de campo se fosse vítima de ataques racistas. Michel Platini, presidente da União das Federações Europeias de Futebol (UEFA, na sigla em inglês), retrucou: “Se ele fizer isso receberá cartão amarelo”.
Platini deixou transparente que o racismo não será erradicado do futebol europeu.

Por: José Antonio Lima

Franz says: o mais interessante neste caso é que a torcida "urra" o nome do jogador caso ele faça um gol. Racismo é algo inaceitável, apesar de ser uma constante no cotidiano de muitos por todos os continentes. 
A charge foi algo de péssimo gosto. Associar um negro à figura de um gorila - mesmo que para fazer humor - é um ato extremamente idiota. Não há graça, principalmente se lembrarmos que esta associação sempre foi feita com intuito de ofender, humilhar os negros. Imperdoável.
Quanto à declaração de Platini, resta-nos delegar o desprezo para um indivíduo que não luta para acabar com estas demonstrações de racismo e intolerância. Diferentes são os que tentam apontar defeitos em outras pessoas. 
Espero que um dia este tipo de notícia seja apenas uma mancha negra na história, legado ao esquecimento...

terça-feira, 29 de maio de 2012

O sonho do italiano - Silvio Berlusconi está morto.


Fonte: G1
Dois artistas italianos, Antonio Garullo e Mario Ottocento, criaram uma obra polêmica até em seu título. "O sonho do italiano" é a figura de cera do ex primeiro-ministro italiano deitado em um caixão de vidro.
A ironia vai além, a figura de Silvio Berlusconi aparentemente está sorrindo e veste pantufas, simulando um descanso tranquilo. A obra está exposta no Palácio Ferrajoli, no centro de Roma.

* "O sonho do italiano" não se refere ao descanso eterno do sinistro Berlusconi, líder que quase colocou a Itália em rota de colisão com a falência. Corrupção, máfia e escândalos foram os pontos fortes do governo deste ilustre cidadão italiano e, por isso, o sonho de todo italiano é vê-lo em um caixão. 
Os artistas italianos, Antonio Garullo e Mario Ottocento, posam em frente a obra exposta em Roma (Foto: Filippo Monteforte/AFP)



quarta-feira, 23 de maio de 2012

Companhia Internacional Circo Tihany Spetacular chega até Vitória - ES.



Inspirado em luzes, cores e sons de Las Vegas, nos EUA, o espetáculo AbraKdabra vai encantar o público capixaba. A partir de 01 de junho, o Circo Tihany Spetacular, o maior da América Latina, chega ao Espírito Santo para fantásticas apresentações. O circo é reconhecido mundialmente por sua tradição e originalidade, com suas coreografias, cenografias e luxuosos vestuários, que proporcionam ao público vivenciar momentos inesquecíveis em suas apresentações.
Depois de passar por cidades como São Luis, Recife, Maceió, Campina Grande, João Pessoa, Natal, Fortaleza, Aracaju e Salvador, agora será a vez do público capixaba conhecer o show totalmente renovado, à altura das melhores companhias do mundo. Sucesso total em todas as exibições, AbraKdabra já foi visto por mais de 800 mil pessoas no Brasil.
“O Tihany é muito mais do que um circo. É, na verdade, um complexo arquitetônico projetado e construído originalmente na Itália. Nele, talento, magia, beleza e fantasia se unem em um mesmo espetáculo. É fascinante! É por isso que tem o status atual, obtido ao conquistar fãs nos 40 países e nas mais de 600 cidades que visitou. No mundo inteiro, mais de 80 milhões de pessoas já viram nossos shows”, resume Richard Tihany, diretor executivo e ilusionista do Tihany Spectacular.
Estrutura - Da cenografia à trupe, integrada por 25 nacionalidades, das novas tecnologias à estrutura com mais de 200 toneladas de equipamentos, o Tihany chega para mostrar por que é sucesso internacional. As apresentações são divididas em 18 atos, em duas horas de show, com doses excepcionais de humor, acrobacia, contorcionismo, ilusionismo e coreografias, além de um corpo de baile formado por 24 lindas bailarinas.
Em cada sessão, 2.050 pessoas podem assistir sentadas à performance dos 60 artistas, que se apresentam em um palco de 900m². Sua estrutura gigantesca reúne 1.800 metros de tecido, 50 toneladas de ar condicionado e uma frota de mais de 100 veículos entre carretas, caminhões, picapes, carros  e trailers.
No interior do lobby, o público é convidado a voltar à infância ao provar das guloseimas cuidadosamente expostas em carrinhos estilizados: pipoca, algodão doce, cachorro-quente e os deliciosos minidonuts Tihany. O espaço interno é totalmente climatizado e oferece o conforto de cadeiras ricamente revestidas por brocado de veludo vermelho.
Tudo no Tihany é encantador. A sonoplastia do evento e os efeitos visuais são um show à parte. Com 20.000 watts de som e 124 luzes robotizadas, o circo surpreende com uma superprodução em luz, som e efeitos tridimensionais.
Um espetáculo interativo - A interação com o público é um dos grandes destaques no Tihany, principalmente nos números de magia e nas participações do palhaço, interpretado pelo intrépido Henry, o Príncipe dos Palhaços, que busca em Chaplin a sua inspiração. Sem pronunciar uma palavra, Henry entra e sai de cena, brinca com o público, interage com as crianças e garante momentos de pura alegria.
Em Vitória, o circo ficará na Enseada do Suá, ao lado do Shopping Vitória, com sessões de terça à quinta, às 20 horas, e de sexta e sábado com 1ª sessão às 16 horas, e 2ª sessão às 20 horas. Aos domingos e feriados, são três sessões – 11 horas, 15h30 e 19 horas. Os ingressos já podem ser adquiridos no balcão próprio, localizado no Shopping Vitória e pela internet: www.livepass.com.br. Os preços são a partir de R$ 40,00.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Resenha: Máfia - Padrinhos, pizzarias e falsos padres


Um assunto que já esteve mais em evidência, a Máfia italiana volta a ser abordada com seriedade neste livro.
Com uma escrita de fácil leitura (onde a narrativa assume um perfil de romance mesclado à reportagem), a autora traça um perfil da influência atual das máfias italianas (Camorra, ´Ndrangheta, Sacra Corona Unitá e a Cosa Nostra) não só em boa parte da própria Itália, como também na Alemanha. Ao contrário do país “governado” pelo Primeiro-Ministro Silvio Berlusconi e seu partido Forza Italia (apontado inicialmente como “colaborador” dos mafiosos e, ao final, como um deles) onde as leis são rigorosas contra criminosos envolvidos nestes clãs, a Alemanha mostra-se o palco ideal para a lavagem de dinheiro proveniente de cassinos, prostituição, tráfico de drogas, falsificação de roupas, assassinatos e outros crimes tão ou mais bárbaros. Evidencia-se que isso ocorre não em prol de uma possível aceitação da Máfia na Alemanha, muito ao contrário, mas por existir uma morosidade no sistema penal, onde, ainda que condenado, o indivíduo pode recorrer em diversas instâncias, em liberdade, o que leva o processo a arrastar-se por anos. Além disso, há certa descrença no poder político e financeiro das Máfias em solo alemão, motivando mais o avanço das “famílias”.
O livro descreve as perseguições pela qual a autora passou e ainda passa, o assassinato do juiz Giovanni Falcone, um dos maiores opositores ao crime organizado – passagem que choca pelo planejamento e o destemor dos assassinos -, a colaboração dos políticos, intimidação, colaboração da Igreja Católica (a maioria esmagadora dos mafiosos é católica), encontros com alguns boss e até a censura imposta ao livro (tarjas pretas em alguns trechos) por influência mafiosa, inclusive na edição brasileira.
Destacam-se, ainda, os depoimentos de familiares de mafiosos, ex-mafiosos (desertores) e até padres que apóiam os chefes, mostrando um intricado código de honra e a famosa lei do silêncio, a Ommertá, além de evidenciar os inúmeros colaboradores e sua influência em tribunais, na política, comércio e religião e, principalmente, as conseqüências de se opor a eles. Especial atenção é dada ao papel das mulheres nas “famílias”, onde além de mães e esposas, elas também são as responsáveis por transmitir os valores do clã e, em última instância, podem até influenciar na ordem de um assassinato.
Esqueça os estereótipos da Máfia. Aqui a verdade é vista sem maquiagens. O alerta dado é muito claro: o crime organizado italiano se expande e assume faces aparentemente legais, sem que isso implique em menos violência e mortes. O pior é saber que, tal qual na Alemanha, temos um sistema político corrupto, polícias mal remuneradas e leis vagarosas, tornando-nos um território mais do que propício para a proliferação dos negócios escusos.
Petra Reski, assim como Roberto Saviano, está sob ameaça de morte. Isto, contudo, não a impede de exercer ao máximo seu papel como repórter e, com coragem, apontar uma realidade cruel onde o poder e o dinheiro ditam as regras.
Por fim, devo dizer que este livro é indispensável para compreender um pouco mais dessa realidade vergonhosa e prevenir o leitor e as autoridades deste câncer que se espalha pelo mundo.
A autora nascida em 1958, na Alemanha, é jornalista e escritora. Recebeu em 2009 o prêmio Civitas por agregar valores ao jornalismo alemão.
Franz Lima
TÍTULO: MÁFIA: PADRINHOS, PIZZARIAS E FALSOS PADRES
ISBN: 8563876015
IDIOMA: Português. 240 páginas.
ANO EDIÇÃO: 2010
AUTORA: PETRA RESKI
PREÇO: R$ 39,90

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Lista de compras: Máfia Export (livro) - o avanço do crime


"Mafia Export", escrito pelo italiano Francesco Forgione, analisa o envolvimento político e econômico de redes criminosas --'Ndrangheta, Cosa Nostra e Camorra-- e a sua atuação no mundo.
Sobre a indústria do crime, comenta o autor, "único produto 'Made in Italy' que não conhece crises, mas que nas crises econômicas e sociais e em todas as grandes passagens de época do velho e do novo século teve a capacidade de se renovar, de criar e de afirmar novas marcas, de conquistar novos territórios e novos mercados."
O livro aponta que o faturamento anual dessas organizações aproxima-se de 130 bilhões de euros, número superior ao PIB de alguns países.
De 2006 até a dissolução em 2008, Francesco Forgione foi presidente da Comissão Parlamentar Antimáfia. Elegeu-se deputado na década de 1990 e leciona história e sociologia das organizações criminosas na Università degli Studi dell'Aquila.

Leia um trecho do livro:


1. SAN LUCA E O MUNDO 
Massa ao forno em Amsterdã

Novembro de 2008. Há muitas horas já está escuro. Desde queamanheceu, o sol quase não se levantou: o outono no Aspromonteé assim, nunca se faz dia. São nove da noite, e nas ruas de San Lucanão se vê vivalma. Três jovens mulheres e duas crianças pequenas saem de casa, entram no carro, deixam a cidade e começam a se perder entre as curvas que do Aspromonte descem para o mar Jônio. É o início de uma longa viagem. Voltam a atravessar as montanhas na rodovia expressa Jônio-Tirreno e chegam à estação de Rosarno. Aguardam o Intercitty Notte 894 das 22h30, trem que partiu de Reggio Calabria e se dirige a Roma Termini.

Às 7h15 da manhã seguinte estão em Roma. As três mulheres e  as crianças se misturam à multidão caótica de turistas e trabalhadores pendulares que, todas as manhãs, nesse horário, povoam a estação. Olham as vitrines das lojas, dão café da manhã para as crianças, depois saem para a esplanada. Em vez de táxis, entram
diretamente em contato com dois carros de aluguel, daqueles clandestinos, e pedem para ser levadas até a estação Tiburtina. Enquanto olham as capas das revistas em frente a uma banca, um homem caminha em sua direção. Acabou de descer de um Volkswagen Passat com placa alemã. Uma das três mulheres se afasta do grupo, vai a seu encontro e troca apenas poucas palavras com ele. O homem entra no carro e vai embora; as mulheres e as crianças se dirigem a pé à Piazza Bologna.

Desta vez, entram em um táxi regular. Como estão em cinco, pegaram um Fiat Multipla. Ao taxista, as mulheres fazem um pedido genérico e um pouco “estranho”: pedem para ser acompanhadas a um lugar amplo, se possível cheio de gente. O taxista as leva para a Piazza Re di Roma. O espaço existe, e o bairro é bem popular. O grupo desce. Dá uma volta ao redor da praça, só o tempo de olhar algumas lojas. Param outro táxi e voltam para as proximidades da estação Tiburtina.

A esperar as mulheres e as crianças está o Passat com a placa alemã, que parou na frente da estação algumas horas antes, mas o motorista é outro. Cumprimentam-se apenas com um aceno de cabeça, colocam as bagagens no porta-malas, entram todos no carro e partem. Dirigem-se a Florença e, quando cruzam a saída para Lucca, viram bruscamente. Agora vão a Gênova e de lá prosseguem para Turim. Na altura de Alessandria, desviam por Valle d’Aosta e, atravessando o túnel do Gran San Bernardo, entram na Suíça.

O Passat viaja por estradas secundárias entre desfiladeiros e montanhas já cobertas de neve. Atravessa a fronteira francesa e começa uma espécie de tour de France sem lógica alguma. O percurso é esquizofrênico, aparentemente sem meta. Até chegar à fronteira belga. Também nesse país, o carro com o motorista, as mulheres e as crianças faz rotas estranhas, mas a direção já está clara. Atravessam a fronteira com a Holanda, chegam a Amsterdã e param diante de uma pequena casa de dois andares.

O bairro é residencial, não rico, mas distante e diferente das periferias industriais onde há décadas vivem as famílias de emigrados da Calábria, da Sicília e da Puglia, que partiram da Itália no final dos anos 1950. A região, muito tranquila durante o dia, à noite fica repleta de jovens e adolescentes que vêm da cidade inteira para se encontrar, a poucos metros da casa, em um dos bares mais frequentados e badalados de Amsterdã.

  • Editora: Bertrand Brasil
  • Autor: FRANCESCO FORGIONE
  • ISBN: 9788528615074
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2011
  • Edição: 1
  • Número de páginas: 364
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Médio 
  • Quanto: R$ 39,00 em média. Melhor preço AQUI.
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terça-feira, 10 de abril de 2012

Capa da Playboy desenhada por Milo Manara


Fonte: Universo HQ

Milo Manara, um dos mais conhecidos desenhista de quadrinhos eróticos do mundo, ilustrou a capa da edição de fevereiro de 2012 da revista Playboy italiana.
Playboy # 32 inclui um artigo de dez páginas, com várias fotos e desenhos do artista, no qual Manara revela seu processo de trabalho.
A revista traz um ensaio com "Cady", uma lolita milanesa, e outro com Cathy Rowlands, Playmate da Playboy americana em agosto de 1971.
Manara esteve no Brasil em 2010, visitando o Rio de Janeiro, durante a Rio Comic Con. Ele também participou de alguns eventos de quadrinhos em São Paulo.
Recentemente, a editora Drugstore publicou na França o álbum Manara - Peintre et modèle, com pinturas do artista.
Ele também é o desenhista de Contes libertins, da editora Zanpano, um livro de contos eróticos escritos por Jean de la Fontaine.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Tragédia de Pompéia


Fonte: História Viva
por René Guerdan

Nas horas que se seguiram à erupção do Vesúvio, morreram 16 mil habitantes de Pompeia, praticamente 80% de toda a população. 

Nas horas que se sguiram à erupção do Vesúvio, morreram 16 mil habitantes de Pompéia. Hoje, é possível reconstituir esta tragédia passo a passo, como se estivéssemos presentes.

Pompéia, uma cidade de 20 mil habitantes, produtora de vinho e azeite, vive hoje, 24 de agosto de 79 d.C., um dia de festa. Um grupo de teatro vindo de Roma deve se apresentar no Grande Teatro. Começando por volta das 11 horas da manhã, o espetáculo deve durar, como sempre, até a noite. São um pouco mais de dez horas.

Os padeiros, com suas cestas de doces nos braços, se dirigem às arquibancadas. Diante das thermopolia, bares ao ar livre da Antigüidade, os consumidores terminam de beber suas últimas taças de posca e as lojas começam a descer as persianas de madeira, sinal de fechamento. O dia está bonito e, como na véspera, se anuncia quente.

De repente, ouve-se uma explosão. Espanto! Num instante, todos estão na rua. Espetáculo alucinante, o topo do Vesúvio havia se partido em dois. Uma coluna de fogo escapa dali. É uma erupção! De início, todos se assustam e se interpelam. Havia pelo menos 900 anos que o vulcão não dava sinais de vida. Dizia-se que ele estava extinto. Logo depois é a agitação. Em volta começa a desabar uma chuva de projéteis: pedras-pomes, lapíli e, às vezes, pedaços de rochas - fragmentos arrancados do topo da montanha e da tampa de lava resfriada que obstruía a cratera.


Num instante, as praças e ruas se esvaziam. Aqueles que não moram no bairro correm para se refugiar sob uma abóbada, um pórtico, qualquer abrigo, enquanto outros se apressam em correr para se proteger em casa. O que fazer, pensam, a não ser esperar? O bombardeio terminaria mais cedo ou mais tarde. Durante 20 minutos, a erupção faz misérias, cobrindo a cidade com 2,60 metros de escórias. Em seguida, uma poeira arenosa toma o lugar das pedras-pomes e os lapíli diminuem. A esperança aumenta. Alguns audaciosos arriscam até a colocar o nariz para fora. Do Vesúvio sai somente uma coluna de fumaça. Mais um pouco de paciência e tudo deverá voltar ao normal.

DESTRUIÇÃO

 
Assim, duas horas se passam. O que fizeram os habitantes de Pompéia durante este período? Não se sabe muito. Em compensação, sabemos o que fez o Vesúvio. No interior da cratera, após a expulsão da tampa de lava, a pressão começou a cair vertiginosamente. O magma vulcânico, que dormia há séculos, começou lentamente a espumar e, às 13 horas, rasgando o ar, destruindo as casas, virando de ponta-cabeça as colunas dos pórticos, saiu bruscamente numa série de explosões. Do vulcão vê-se escapar uma nuvem monstruosa em forma de pinheiro - um cogumelo, como nós diríamos hoje. E, subitamente, fez-se noite em pleno dia. Uma noite marcada com alguns raios lívidos. As cinzas agora caem na forma de uma chuva tão densa que obscurece o sol.




Infelizmente, a chuva não é somente densa: ela está carregada de vapores clorídricos. É pela intoxicação por gás, e não por soterramento, que morrerão as pessoas em Pompéia. A primeira guerra química contra o homem foi feita pelo Vesúvio. Só agora, enfim, os habitantes de Pompéia decidem fugir. Mas eles haviam perdido duas horas preciosas. Abandonando seus abrigos, suas casas, tomando ou não o cuidado de levar consigo seus tesouros, milhares se dirigem às portas da cidade nesta noite negra.

Aqueles que moravam no noroeste se precipitaram naturalmente para a porta de Herculanum. Alguns carregavam diante de si uma lâmpada a óleo, como se uma chama pudesse resistir algum tempo àqueles ventos, àquela chuva viscosa de cinzas. A maioria colocou sobre a boca uma almofada ou uma telha encontrada pelo caminho. Mas será que alguém pode se defender contra um inimigo que se insinua em todas as partes através de uma fina poeira carregada de vapores clorídricos?
Nessa escuridão varrida por um vento de tempestade, fragilmente iluminada de vez em quando por projéteis de fogo, não há mais pobres ou ricos. Somente sombras que se debatem, desesperadas, umas contra as outras e que tropeçam nas escórias ou sobre o corpo de alguém agonizando após ter sido abatido pelo furor do Vesúvio. Em sua pressa de chegar mais rápido, alguns chegaram até a tirar as roupas e correm nus.


À porta! Chegar até ela antes que os destroços voando das casas nos derrubem, antes que a chuva de cinzas nos asfixie! E à porta, à porta miraculosa, a maioria chegará. Mas não será a porta do Paraíso, será a porta do Inferno!

O vento soprava do noroeste e vinha do Vesúvio. Sair pela porta de Herculanum significava ir em sua direção, ou seja, jogar-se numa tempestade que nenhuma construção ou abrigo poderia amenizar. Sufocados e cegos, aqueles que depois de tantos esforços tinham conseguido atravessá-la têm apenas um desejo: dar meia- volta e encontrar o que, no instante anterior, parecia o paroxismo do horror. Mas como lutar contra a multidão que sobe? Mulheres, crianças tentam e são imediatamente pisoteadas.

ABRIGO

E assim, por ironia, em meio ao pânico generalizado, é nos jazigos pelo caminho que os vivos vão buscar abrigo. Uma mulher que carregava uma criança corre para se abrigar num mausoléu, mas este desaba sobre ela. Um grupo de quatro pessoas, dentre as quais uma mulher ricamente enfeitada - apertando um bebê contra o seio -, se refugia com pressa sob o pórtico de uma tumba. Mas o pórtico também desaba e mata a todos. A Via dos Sepulcros nunca mereceu tanto o seu nome como neste dia! Os banqueteiros se reuniram num triclínio fúnebre. Estendidos sobre seus leitos de repouso, eles honram a morte. Celebrando o soterramento de um parente, é o deles próprios que terminarão por celebrar.

Mas voltemos à multidão desesperada que procurava chegar até as outras portas da cidade. No sudeste, a porta Marina estava particularmente lotada. Longe do Vesúvio e da direção do vento, ela levava ao mar aberto, à salvação. Primeiro passaram por ela todos os que passeavam ou trabalhavam no Fórum, ou ainda aqueles que tinham ido banhar-se nas termas. Em seguida, no momento do pânico geral, veio juntar-se a eles a multidão que tinha abandonado as casas e os casebres. Cheia de esperança, a massa de fugitivos despenca para além da porta, pela ladeira que conduz ao Sarno, e depois segue pelo caminho que acompanha o curso do rio.



ntem, nesse mesmo caminho, quando ocorrera a procissão de Ísis, muitas e muitas vezes eles pararam ali para rir, cantar e descansar. Hoje correm o mais rápido que lhes permitem os montes de entulho. Vários tropeçam, sem dúvida, mas logo se levantam, pois a menos de um quilômetro encontrarão o mar, um barco e a fuga. Enfim, ofegantes, os primeiros fugitivos chegam ao porto. Ao porto? Ondas de vários metros de altura batem na areia. O mar está muito agitado. Navegar? Como e com o quê? Todos os barcos foram destruídos. Desse lado não há saída. Então novamente se produzem as cenas de confusão cujo teatro é a porta de Herculanum. Aqueles que queriam dar meia-volta deparam com a massa que tenta descer.

DESESPERO

Na noite escura, no meio de assovios do vento que, à beira do mar, recobrou toda a sua fúria, eles se esmagam uns contra os outros. Muitos morrerão pisoteados. Morte relativamente doce, no entanto, se pensarmos que, nessa mesma margem, todos os sobreviventes terminarão com os pulmões tomados de gases. Não havia porta de salvação para os habitantes de Pompéia. Chance de salvação só houve para aqueles que moravam no sul e no sudeste da cidade. E, ainda assim, somente se eles não tivessem demorado para fugir e, durante a fuga, tivessem passado pela porta de Nocera em vez da porta de Stábia. A porta de Stábia também tinha sido soterrada. Mas essa dupla condição foi poucas vezes encontrada. Desse lado, portanto, foram igualmente numerosas as cenas de desolação.

Na grande palestra (ginásio), a erupção surpreendeu os pedreiros em pleno trabalho. Durante alguns instantes eles permaneceram sob os pórticos. Em seguida, um deles teve uma idéia: a latrina. Ela poderia, com efeito, representar um abrigo seguro contra o bombardeio das escórias. Eles correram para lá e se trancaram. No início, demonstraram altruísmo. Quando outros que tiveram a mesma idéia vinham bater na porta, eles abriam. E assim, rapidamente eles se julgaram bastante numerosos e não abriram mais. Quantos, rejeitados desta forma, morreram esmagados pelas colunas do pórtico vizinho? Não se sabe com certeza. De qualquer modo, a julgar pelas ossadas, foram muitos. Mas foi possível reconstituir a agonia de três pessoas, pois, ao asfixiá-las, as cinzas moldaram seus corpos.

Os operários que tinham se trancado não foram salvos por seu egoísmo. Em sua latrina estavam abrigados do bombardeio de escória, mas não da chuva de cinzas. Quando esta se infiltrou, todos pereceram, até o último. Mas muitas outras ossadas foram encontradas no interior e nas proximidades da grande palestra - inclusive mais aqui do que em todos os outros lugares, mostrando que mesmo nesse bairro rico, assim como nas insulae pobres, a maioria não pôde se salvar a tempo. Quando a erupção começou, eles se fecharam, como os ricos, em suas casas. Depois a chuva de cinzas começou, então fugiram. Em família, em grupos patéticos de quatro, cinco ou seis pessoas: o pai, a mãe e os filhos.


Às vezes duas famílias - sem dúvida vizinhas de porta - se uniram, como se este fato tornasse a salvação mais segura. Quando tinham o cuidado de levar consigo seus tesouros, estes não representavam grande coisa: algumas jóias de pouco valor, pouco dinheiro, às vezes absolutamente nada. Pessoas simples, portanto, que, antes de sufocar, caíam ou se lançavam de boca no chão.

Mesmo a porta de Nocera não foi para todos a porta da salvação. Um jovem casal chegou até ela e conseguiu mesmo atravessá-la. Como os outros, os dois se trancaram em casa durante o primeiro bombardeio de pedras-pomes. Agora, para avançar, tinham de lutar contra essa tempestade de cinzas que cega, que se cola à pele e queima a garganta. Grande, vigoroso, com corpo de atleta, o homem caminha na frente, tentando abrir passagem para sua companheira em meio dos montes de lixo. De repente, a mulher cai com o rosto no chão e não consegue mais se levantar. O homem quer ajudá-la, mas também cai. Num último esforço, suas mãos tentam unir-se, mas a chuva de cinzas lhes nega este último favor.

Mas de todas estas histórias da porta de Nocera o mais patético é, sem dúvida, o que segue. Trata-se de 13 pessoas que formavam três famílias - duas famílias de fazendeiros e a família de um comerciante. Eram vizinhos que moravam perto e, provavelmente, se entendiam muito bem. Quando o bombardeio começou, eles conversaram e decidiram se refugiar na casa mais sólida. Depois, quando a chuva de cinzas começou decidiram fugir. Todo o campo já estava coberto de uma mortalha de detritos. Cegos, sufocando, eles pegaram o caminho que passava diante de suas casas. Em primeiro lugar vinha um escravo levando nos ombros um saco de provisões. Atrás dele, dois meninos de 4 a 5 anos caminhavam de mãos dadas para dar coragem um ao outro; tinham colocado sobre eles um pedaço de tela e eles procuravam colocá-la sobre a boca. Em seguida vinham seus pais, o pai ajudando a mãe, sem dúvida uma inválida, a continuar a caminhar. A segunda família era composta de um jovem casal e de uma menina. Cada um protegia a boca com um pedaço de tecido. Enfim vinha a família do comerciante: duas crianças com 10 anos que também estavam de mãos dadas, uma menina mais nova que a mãe conduzia e depois o pai.

E estas 13 pessoas, nessa tempestade de cinzas, nessa noite escura, no meio da escória, continuavam seu caminho. Como poderiam pensar em escapar com crianças tão pequenas? Eles continuavam porque o homem não se resigna facilmente à idéia de morrer imóvel.


RESQUÍCIOS

Vinte séculos mais tarde, nós os encontramos, modelados pelas cinzas, na mesma posição, com as expressões de seus últimos momentos, uns curvados sobre si mesmos, outros estendidos, seja de costas, seja com o rosto contra a terra. Os meninos de 4 a 5 anos tinham as feições calmas; as crianças com 10 anos, os membros entrelaçados, ainda segurando as mãos uma da outra. Quanto ao mercador, caído sobre os joelhos, o braço direito apoiado na terra, as costas estendidas, tentava ainda se levantar quando a morte tomou conta dele.
Tais foram, portanto, as tristes histórias que as diversas portas contaram aos escavadores quando estes as descobriram.

Mas as casas tiveram igualmente inúmeros dramas para contar, pois muitos dos habitantes de Pompéia não se resignaram a abandonar seus bens. Quantos esqueletos intactos ou mutilados foram encontrados nas casas! No subsolo, no térreo, no primeiro andar e mesmo sobre os telhados, já que alguns não hesitaram em subir para a parte mais alta de suas casas, na tentativa de escapar à invasão crescente dos resíduos.

Na propriedade chamada de Diomedes, no Caminho das Sepulturas, o pai fez sua família descer ao porão: uma galeria cuja iluminação provinha de aberturas em sua abóbada e onde ele conservava suas ânforas de vinho com as pontas enterradas no chão. Na pressa, sua mulher passou em volta do pescoço um pesado colar de ouro e nos braços, pulseiras. Sua filha também colocou suas jóias mais preciosas; ele mesmo colocou numa sacola todo seu dinheiro líquido: dez moedas de ouro e 88 moedas de prata com a efígie de Nero, Vitélio e Vespasiano.

E, com boas provisões de pão, frutas e outros alimentos diversos, eles esperam. As horas passam. Eles estão seguros, ou pelo menos acreditam estar. Mas o ar começa a piorar cada vez mais. O pai decide investigar. Com uma chave na mão, seguido por um escravo, ele sai. Uma vez do lado de fora, a chuva de cinzas o sufoca imediatamente. Ele morre. Mas os reclusos da galeria não serão protegidos tampouco.
 

Impalpável, a cinza não pára de penetrar pelas aberturas, cinza carregada de vapores clorídricos. A moça tenta em vão proteger a cabeça com sua túnica, e os companheiros tentam, também em vão, cobrir o nariz e a boca com tecidos. Séculos mais tarde, os 18 esqueletos serão descobertos, incluindo o de uma criança.

Uma descoberta mais surpreendente ainda aconteceu um pouco mais longe, na propriedade chamada de Mistérios. Na entrada da galeria subterrânea onde se refugiaram os operários que trabalhavam em sua reforma os escavadores foram obrigados a recuar imediatamente. Após tantos séculos, os vapores deletérios ainda estavam ali. Tão presentes que só foi possível enfrentá-los com máscaras contra gás.

Durante todo o dia 24 e todo o dia 25, e ainda no dia 26, a chuva de cinzas não parou. Quando, enfim, na aurora do dia 27, o sol reapareceu, o Vesúvio tinha mudado de forma. Ele possuía agora um topo duplo e, no lugar da antiga cratera, um cone havia se formado. Quanto aos habitantes de Pompéia, 80% deles - 16 mil numa população de 20 mil - jaziam a vários metros de profundidade. A cidade estava morta, mas uma morte que a tornaria imortal.

-Tradução de Mariana Teixeira
 

domingo, 8 de abril de 2012

Itália lança projeto multimilionário para salvar Pompeia


Fonte: BBC
O governo italiano lançou um projeto multimilionário para ajudar a preservar as ruínas de Pompeia, um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo.
O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, lançou o plano de investimento batizado como "Projeto Grande Pompeia", que deve contar com mais de US$ 100 milhões (R$ 182 milhões) em recursos da Itália e da União Europeia.
O anúncio chega em meio a crescentes preocupações de que o governo italiano esteja negligenciando a conservação das ruínas.
Parte da "Casa dos Gladiadores", por exemplo, desmoronou um ano e meio atrás. Roma estaria agora determinada a impedir que o processo de decadência continue.
Localizada próximo à Nápoles, a cidade romana foi enterrada há 2 mil anos por erupções do vulcão Vesúvio.

Recursos

A conservação das ruínas foi, em diversas ocasiões, alvo de críticas, em virtude da adoção de diferentes modelos de preservação arqueológica. Autoridades italianas foram inclusive acusadas por organismos internacionais de serem ineficientes. Agora, região poderá receber mais recursos.
Entre as primeiras ações financiadas pelo novo fundo estarão obras no que é conhecido como "Casa Sirico", uma propriedade que teria sido de dois irmãos de uma família abastada.
O projeto foi bem recebido por alguns dos críticos, como o grupo Italia Nostra, que faz campanhas pela preservação do patrimônio cultural do país.
Para os ativistas o anúncio é um "excelente primeiro passo", embora de acordo com suas estimativas a preservação total do sítio arqueológico custaria o dobro dos valores investidos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A invenção da paranoia


Umberto Eco mostra sua versão romanceada para a criação dos Protocolos dos Sábios de Sião


Em um romance, Umberto Eco traça a gênese do texto antissemita que influenciou o nazismo e o Hamas

Autoria: Nelson Ascher

Nada é o que parece, e todos sabem que até países aparentemente democráticos são de fato governados não por seus representantes eleitos, mas pelos verdadeiros donos do poder, que manipulam as finanças e a opinião pública por meio dos bancos e dos meios de comunicação. Trata-se de uma casta secreta e todo-poderosa que se reúne periodicamente para submeter a maioria e decidir os rumos do planeta. Essa é uma visão de mundo que, difundida à esquerda e à direita, não nasceu do nada. Tem origem e genealogia. Os suspeitos de integrar a casta em questão podem ser os membros de uma classe social, de um ou vários ramos profissionais (banqueiros e donos de jornal são hoje os favoritos), de um grupo nacional, regional, étnico, religioso. No último século e meio, ninguém foi tão insistentemente acusado quanto os judeus. E a peça-chave dessa acusação é um livrinho produzido pela polícia secreta da Rússia czarista e publicado no início do século XX: Os Protocolos dos Sábios de Sião, texto composto das supostas minutas de uma reunião na qual líderes judeus de toda parte traçam um plano comum de dominação global. O local dessa reunião é o cemitério judeu da capital checa, Praga, que dá título ao novo romance do italiano Umberto Eco, de 79 anos. A gestação dos Protocolos constitui o fio narrativo central de O Cemitério de Praga (tradução de Joana Angélica d´Avila Melo; Record; 480 páginas; 49,90 reais).
Eco faz questão de declarar que a maioria dos personagens e fatos com que trabalha são reais. Sua principal criação ficcional é o protagonista, um falsário natural de Turim chamado Simone Simonini, cujos diários autobiográficos, datados de 1897, recontam sua vida, desde a infância marcada por um pai revolucionário empenhado na unificação italiana até a velhice de gourmet na França. O personagem passa por eventos históricos como a Comuna de Paris e convive com personalidades como Sigmund Freud e o escritor Alexandre Dumas. A capacidade de forjar documentos de todo tipo o aproxima dos serviços secretos de diversas nações européias, bem como de militantes e conspiradores variados – os quais ele alternadamente auxiliará e trairá. E a tudo isso subjaz sua mentalidade paranóica e delirante, em parte herdada de um avô que via na Revolução Francesa a mão de conspiradores demoníacos, e em outra parte derivada de sua leitura apaixonada de autores românticos como Eugène Sue e o próprio Dumas.
 
Foi Sue que, ao imaginar em um de seus folhetins uma reunião conspiratória de jesuítas, criou o cenário que seria adaptado para outros objetivos pelo escritor Maurice Joly num livro que atacava Napoleão III – e o livro de Joly, por seu turno, serviria de base para a redação dos Protocolos. A farsa foi exposta pelo jornal inglês The Times já em 1921, quando Protocolos se espalhava epidemicamente pela Europa e pelos Estados Unidos (com 
o apoio ativo do industrial Henry Ford), servindo inclusive ao emergente movimento nazista. No entanto, para os que querem acreditar numa conspiração judaica internacional, nenhuma prova racional bastaria para invalidar os Protocolos. O livro é hoje um best-seller em países islâmicos, e a carta de fundação do grupo terrorista Hamas o cita como fonte cuja autoridade só é menor que a do Corão.

O Cemitério de Praga não se limita, claro, apenas à gênese dos Protocolos, tampouco é um tratado ou uma tese. É, antes, um romance criativo e habilmente estruturado, no qual Eco combina sua paixão antiga pelos folhetins românticos com a capacidade (refinada desde O Nome da Rosa) de escrever de acordo com estilos de outros tempos. E essa habilidade serve, afinal, para ressuscitar uma realidade histórica que, em nada alheia à nossa, contribui para desmascarar uma perigosa e destrutiva visão de mundo.

Esta resenha foi publicada originalmente na revista Veja, edição nº 2241, de 2 de novembro de 2011.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Resenha Livro - Máfia: padrinhos, pizzarias e falsos padres




Um assunto que já esteve mais em evidência, a Máfia italiana volta a ser abordada com seriedade neste livro.
Com uma escrita de fácil leitura (onde a narrativa assume um perfil de romance mesclado à reportagem), a autora traça um perfil da influência atual das máfias italianas (Camorra, ´Ndrangheta, Sacra Corona Unitá e a Cosa Nostra) não só em boa parte da própria Itália, como também na Alemanha. Ao contrário do país “governado” pelo Primeiro-Ministro Silvio Berlusconi e seu partido Forza Italia (apontado inicialmente como “colaborador” dos mafiosos e, ao final, como um deles) onde as leis são rigorosas contra criminosos envolvidos nestes clãs, a Alemanha mostra-se o palco ideal para a lavagem de dinheiro proveniente de cassinos, prostituição, tráfico de drogas, falsificação de roupas, assassinatos e outros crimes tão ou mais bárbaros. Evidencia-se que isso ocorre não em prol de uma possível aceitação da Máfia na Alemanha, muito ao contrário, mas por existir uma morosidade no sistema penal, onde, ainda que condenado, o indivíduo pode recorrer em diversas instâncias, em liberdade, o que leva o processo a arrastar-se por anos. Além disso, há certa descrença no poder político e financeiro das Máfias em solo alemão, motivando mais o avanço das “famílias”.
O livro descreve as perseguições pela qual a autora passou e ainda passa, o assassinato do juiz Giovanni Falcone, um dos maiores opositores ao crime organizado – passagem que choca pelo planejamento e o destemor dos assassinos -, a colaboração dos políticos, intimidação, colaboração da Igreja Católica (a maioria esmagadora dos mafiosos é católica), encontros com alguns boss e até a censura imposta ao livro (tarjas pretas em alguns trechos) por influência mafiosa, inclusive na edição brasileira.
Destacam-se, ainda, os depoimentos de familiares de mafiosos, ex-mafiosos (desertores) e até padres que apóiam os chefes, mostrando um intricado código de honra e a famosa lei do silêncio, a Ommertá, além de evidenciar os inúmeros colaboradores e sua influência em tribunais, na política, comércio e religião e, principalmente, as conseqüências de se opor a eles. Especial atenção é dada ao papel das mulheres nas “famílias”, onde além de mães e esposas, elas também são as responsáveis por transmitir os valores do clã e, em última instância, podem até influenciar na ordem de um assassinato.
Esqueça os estereótipos da Máfia. Aqui a verdade é vista sem maquiagens. O alerta dado é muito claro: o crime organizado italiano se expande e assume faces aparentemente legais, sem que isso implique em menos violência e mortes. O pior é saber que, tal qual na Alemanha, temos um sistema político corrupto, polícias mal remuneradas e leis vagarosas, tornando-nos um território mais do que propício para a proliferação dos negócios escusos.
Petra Reski, assim como Roberto Saviano, está sob ameaça de morte. Isto, contudo, não a impede de exercer ao máximo seu papel como repórter e, com coragem, apontar uma realidade cruel onde o poder e o dinheiro ditam as regras.
Por fim, devo dizer que este livro é indispensável para compreender um pouco mais dessa realidade vergonhosa e prevenir o leitor e as autoridades deste câncer que se espalha pelo mundo.
A autora nascida em 1958, na Alemanha, é jornalista e escritora. Recebeu em 2009 o prêmio Civitas por agregar valores ao jornalismo alemão.

Franz Lima
TÍTULO: MÁFIA: PADRINHOS, PIZZARIAS E FALSOS PADRES
ISBN: 8563876015
IDIOMA: Português. 240 páginas.
ANO EDIÇÃO: 2010
AUTORA:  PETRA RESKI
PREÇO: R$ 39,90

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