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sábado, 27 de junho de 2015

Quando ter uma religião se tornou crime?



Grupos extremistas são um câncer na humanidade. Mas eu não estou citando o grupo A ou B, estou generalizando. O termo "extremista" ganhou novas conotações nos dias atuais. Os outrora "críticos" de religiões que diferiam das suas estão, atualmente, mostrando vontade para uma guerra em termos literais.
Não bastasse as críticas ferrenhas a tudo que contraria seus preceitos religiosos, agora temos homens e mulheres dispostos a ferir e até matar em nome da fé. Isso já é um fato comum (e triste) em várias partes do mundo, porém agora está presente em nosso país, com muito mais força do que gostaríamos.
Fatos isolados ou não, a fé e a luta por ela - ou por sua supremacia diante das demais - é uma irrefutável verdade na história da humanidade. Lições dos malefícios e tragédias gerados pela intolerância estão estampados em lápides ancestrais, no extermínio de raças e na intolerância que afasta seres da mesma espécie. Nossos dias são tomados por notícias de indivíduos que findam a própria vida e a de outras pessoas para provar que suas ideologias e crenças são as corretas.
Sintetizando um pouco o atual cenário, temos grupos com práticas e dogmas diferentes, porém quase todos são voltados a um objetivo em comum: melhorar a índole do homem e aproximá-lo de um estado espiritual menos mesquinho e violento. Ainda assim a busca por novos fiéis, a vontade em evidenciar que a religião professada é a verdadeira e, principalmente, o ódio por qualquer outra vertente que contrarie aquilo que o 'crente' acredita ser o correto está modificando o cenário religioso no Brasil. Caso as coisas continuem dessa forma, certamente chegaremos a ter extremistas dispostos a exterminar os grupos "rivais".
Ter uma fé não é motivo para guerras. A fé, em seu sentido mais puro, é a forma encontrada pelo homem para se aproximar de uma perfeição só encontrada no divino. Ter uma fé seria, sintetizando, buscar ser alguém melhor, mais tolerante e preocupado com o próximo. Lições encontradas nos ensinamentos de Cristo, Buda, Maomé e outros profetas (ou santos, como preferir) não fazem referência ao combate aos divergentes. Pelo amor as pessoas devem se unir. Pela fé elas devem se aproximar de um Deus que irá aprimorá-las.
Eu vejo um cenário de intolerância religiosa preocupante, com grupos radicais ganhando poder pouco a pouco. Caso as coisas continuem assim, brevemente teremos a religião X impondo seus dogmas e crenças sobre as demais. Isso é algo inaceitável pelos prismas da fé, da lei e da decência. Todos podemos ter uma fé, praticá-la e professá-la livremente. Afinal, se uma religião prega a transformação do homem em algo mais puro e melhor, por que travar uma luta contra essa fé?
Partindo de um pressuposto de que Deus é amor em estado puro, qual a lógica de um crente neste mesmo Deus pregar a guerra, a perseguição e morte de quem não compartilha de suas crenças? É lícito guerrear por um ser que é puro amor? 
Seja qual for sua religião, entenda que não é correto usá-la para impor vontades e credos. Você só estará mais próximo de Deus (ou Deuses) quando agir para salvar vidas, diminuir dores e respeitar seus semelhantes. 
Não há lógica nestas guerras "santas". O amor deve chegar a todos, as lições de seres iluminados devem ser semeadas, mas nunca semearemos amor se regarmos a plantação com sangue.


sexta-feira, 13 de março de 2015

Próximo lançamento da Darkside Books: Golem e o gênio, de Helene Wecker.


Golem e o Gênio - por Helene Wecker. Lançamento em abril de 2015

Uma fábula eterna
Realidade e magia neste aclamado livro de fantasia histórica

Os confrontos e as barreiras vividas por duas culturas tão próximas, ainda que aparentemente opostas. Em Golem e o Gênio, premiado romance fantástico que a DarkSide® Books traz ao Brasil em 2015, o leitor se transporta à Nova York da virada do século XX, em uma viagem fascinante através das culturas árabe e judaica. Seus guias serão poderosos seres mitológicos.
Chava é uma golem, criatura feita de barro, trazida à vida por um estranho rabino envolvido com os estudos alquímicos da Cabala. Ahmad é um gênio, ser feito de fogo, nascido no deserto sírio, preso em uma antiga garrafa de cobre por um beduíno, séculos atrás.
Atraídos pelo destino à parte mais pobre de uma Manhattan construída por imigrantes, Ahmad e Chava se tornam improváveis amigos e companheiros de alma, desafiando suas naturezas opostas. Até a noite em que um terrível incidente os separa. Mas uma poderosa ameaça vai reuni-los novamente, colocando em risco suas existências e obrigando-os a fazer uma escolha definitiva.
Helene Wecker
O romance de estreia de Helene Wecker reúne mitologia popular, ficção histórica e fábula mágica, entrelaçando as culturas árabe e judaica com uma narrativa inventiva e inesquecível, escrita de maneira primorosa.
Golem e o Gênio foi eleito uma das melhores fantasias históricas pelo Goodreads e ganhou o Prêmio da VCU Cabell de Melhor Romance de Estreia.
Helene Wecker cresceu em Libertyville, Illinois, uma pequena cidade ao norte de Chicago.
Graduou-se em Inglês pela Carleton College, em Minnesota. Trabalhou com marketing e comunicação em Minneapolis e Seattle antes de se dedicar à ficção, sua primeira paixão. Em seguida, mudou-se para Nova York, onde cursou o mestrado em Ficção na Columbia University. Vive em São Francisco com o marido e a filha. Golem e o Gênio é o seu premiado romance de estreia. Saiba mais em helenewecker.com.

Um passeio místico e profundamente original
 pelas calçadas de Nova York.”
Booklist

“Wecker combina as mitologias judaica e árabe para criar
um romance mágico ambientado na Nova York de 1899 [...]
Conforme Chava e Ahmad se unem contra uma ameaça terrível,
a vizinhança em seu bairro, em Lower Manhattan,
começa a tratá-los de maneira intrigante.”
Library Journal

Ficha Técnica
Título: Golem e o Gênio
Autora: Helene Wecker
Tradutora: Cláudia Guimarães
Editora DarkSide®
Edição: 1ª
Especificações - 460 páginas, capa dura
Dimensões: 16 x 23 cm



sábado, 17 de janeiro de 2015

Fechando o assunto Charlie Hebdo, os limites do humor e os ataques na França.


Humor?

Texto: Franz Lima.

Caso você ainda não esteja atualizado sobre os ataques ao tabloide Charlie Hebdo, um dos mais mordazes e críticos da França. Famoso por não poupar autoridades, religiões ou instituições, o Charlie Hebdo foi atacado por terroristas em represália às críticas - através de charges e outras piadas similares - usando a imagem do profeta Maomé. Na ilustração, Maomé aparece proferindo as seguintes palavras: Cem chicotadas se você não morrer de rir.

Editor da Charlie Hebdo mostra desenho polêmico. (Foto: Alexander Klein/AFP) - Fonte: G1

O humor, principalmente do tipo feito pela Charlie, é geralmente interpretado com tolerância. Mas não são raros os casos onde a "graça" acaba se transformando em "ofensa". Sendo assim, friso que não apoio terrorismo, quando há ofensas graves, a possibilidade de retaliação é grande. Óbvio que ninguém esperava a prática de um massacre para demonstrar a reprovação à matéria, porém estamos falando de pessoas cuja educação ensinou que é crime ofender um dos ícones religiosos de sua crença.
Eu acredito em um senso de impunidade falsa, algo que impulsionou as brincadeiras aos níveis inaceitáveis para os muçulmanos mais radicais. Também acredito na velha sabedoria popular que dizia 'quem brinca com fogo acaba se queimando'. 
O fato é que o editor da Charlie Hebdo e os cartunistas/humoristas da revista receberam uma dose extrema da intolerância às ofensas. Eles, inclusive os que faleceram no ataque, sabiam da existência de extremistas muçulmanos, católicos e judeus. Lidar com pessoas que são capazes de matar por suas crenças já é algo difícil, imaginem ofender - categórica e constantemente - esses indivíduos. Eu, honestamente, considero isso extremamente perigoso. Não há mais fronteiras. O fato de eu estar na França, Brasil ou Antártida não impede que o ódio chegue a mim ou minha família. Ninguém está seguro em um mundo onde bombas e armas são negociadas para qualquer tipo de gente. 

Repito o que disse no início da matéria: não apoio terrorismo. Ainda creio que o Islã e seus seguidores podem ganhar muito mais com o silêncio. O descaso da Charlie Hebdo diante da fé de outras pessoas não é motivo para matar. Mas eu creio ainda mais que o pequeno grupo de atacantes não representa a maioria islâmica. Ser muçulmano não é treinar em um campo de guerra, planejar mortes, sequestrar e impor a própria vontade sobre a de terceiros. Ser islâmico é pregar a paz, ajudar o próximo (preferencialmente em sigilo), orar, estudar e crescer como ser humano. A Lei não prega intolerância aos povos do Livro (ondes estão incluídos, além dos muçulmanos, judeus e cristãos). Porém lidamos com pessoas que podem ser influenciadas. Cada mente é um universo insondável e não há religião que possa impedir uma alma deturpada por anos de ensinamentos radicais, extremistas e violentos. Os atacantes ao Charlie Hebdo não representam os fiéis seguidores do Corão e dos ensinamentos de Allah. Em contrapartida, tenho plena certeza que as brincadeiras ofensivas e tendenciosas que revistas como a Charlie Hebdo praticam não representam o pensamento francês, cuja luta pela liberdade e justiça gerou a máxima "liberdade, igualdade e fraternidade". 
Somos responsáveis por nossos atos. Cartunistas e terroristas responderam por seus atos. O mundo não apoia o terrorismo. O mundo não apoia o desrespeito à fé alheia.
Enfim, erros ocorreram dos dois lados, porém os extremistas reagiram como sua denominação sugere: com violência, terror e baseados em doutrinas controversas e deturpadas por pessoas. Matar em nome de uma fé que prega a tolerância e o auxílio mútuo é algo impraticável, mas sempre haverá radicais em quaisquer grupos. É preciso ter cuidado para não transformar uma piada em motivo de guerra, pois sempre haverá alguém disposto a se armar para defender seus "princípios", sejam eles corretos ou não. A liberdade e a fé sempre serão defendidas, pena que nem sempre da forma correta.
Curta a fanpage do Apogeu:


terça-feira, 29 de julho de 2014

Sobre o massacre em Gaza.


Por: Franz Lima
 
Nunca apoiarei o terrorismo. E é por isso que afirmo, categoricamente, que os israelenses estão agindo de igual forma ao Hamas, porém com uma dose a mais de crueldade.
Gaza é o maior campo de concentração do mundo, uma área onde pessoas são torturadas psicologicamente todos os dias. A fome, o desemprego e o medo prosperam, ao passo que o ser humano definha.
Pessoas são tratadas como números, mas números não choram ou sangram. Há crianças e idosos que não pediram para serem trancafiados em um gueto sujo, decrépito e depressivo. Há hospitais, escolas e casas onde pessoas comuns só querem viver, mesmo que de forma tão cruel, pois até o sofrimento é melhor que uma morte em uma prisão que alguns países insistem em chamar de 'lar dos palestinos".

Israel detém armas nucleares, tem o apoio dos mais ricos países do mundo e prospera. Israel tem um dos serviços secretos mais temidos do mundo, o Mossad. Israel tem tecnologia, cultura, qualidade de vida e um povo cuja história de superação inspira muitos. E o que o governo israelense faz com esse legado? Ele o transforma em combustível para a discórdia, em desculpas para a violência e, sobretudo, em perpetuação da guerra. Com tantos recursos é viável uma derrota dos grupos extremistas sem que a população civil pague. Os mortos, majoritariamente, são civis.
O Hamas não tem o direito de atacar áreas civis israelenses que, graças a Deus, possuem aparato de defesa eficiente e responsável pela manutenção de muitas vidas. Contudo, o genocídio provocado em Gaza é uma prova contundente do descaso para com a vida.
Triste demais ver vidas inocentes sendo ceifadas por causa de uma guerra absurda que é apoiada por grandes potências que sempre se valerão de grandes desculpas. Cadê a diplomacia e o respeito pela diversidade cultural, ideológica e religiosa?
Lamento, mas Israel não tem o direito de matar, enquanto todos se calam de medo. Medo do poderio bélico, medo do poder financeiro, medo de um povo que um dia foi oprimido e hoje, infelizmente, é o opressor.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Ironia histórica: bebê ariano ideal era, na verdade, judeu.



Fonte: BBC. Comentários: Franz Lima.

O bebê "ariano ideal" que aparece na capa de uma revista da propaganda nazista, em 1935, era, na verdade, judeu.
A revelação foi feita pela própria pessoa na foto, Hessy Taft, hoje com 80 anos.
A mulher doou uma cópia da revista ao Museu do Holocausto, em Jerusalém, como parte da campanha Recolhendo Fragmentos, lançada em 2011 para estimular pessoas a doarem materiais ligados ao holocausto para que sejam protegidos pela posteridade.
Hessy Taft, cujo sobrenome de solteira é Levinson, nasceu em Berlim em 1934, filha de pais judeus originários da Letônia.
Ambos músicos, eles haviam chegado à Alemanha em 1928 para trabalhar como cantores de ópera.
Em depoimento a funcionários do museu, Taft contou que o contrato de seu pai foi cancelado imediatamente assim que suas origens judias foram descobertas.

Concurso

Em 1935, a mãe de Hessy e sua tia a levaram para ser fotografada por Hans Ballin, um renomado fotógrafo em Berlim.
Sete meses mais tarde, para surpresa da família, a empregada dos Levinson disse ter visto a foto da pequena Hessy na capa da revista nazista Sonnie ins Hous (Raio de Sol na casa, em tradução livre).
A fotografia havia sido escolhida em um concurso promovido pelo Departamento de Propaganda Nazista, chefiado por Joseph Goebbels.
A melhor entre cem imagens clicadas pelos melhores fotógrafos alemães representaria o "bebê alemão ariano ideal" e seria capa da revista.
Sem que a família Levinson soubesse, Ballin submeteu a foto de Hessy e de outros dez bebês. A ironia de a fotografia trazer uma bebê judia foi motivo de piada durante muito tempo na família.
A foto da menina também foi redistribuída em cartões postais em todo o país e até na Lituânia.
Quando perguntada o que diria para o fotógrafo hoje, Hessy respondeu: "Eu diria: 'Que bom que você teve coragem'".

Fuga

Após fugir da Alemanha para Paris em 1938, a família escapou da ocupação nazista no norte da França em 1941, emigrando para Espanha e Portugal até conseguir embarcar em um navio para Cuba.
Em 1949, os Levinson se estabeleceram nos Estados Unidos, onde Hessy se formou em química na Universidade de Columbia e se casou, em 1959, com Earl Taft.
O casal tem dois filhos e quatro netos. Ela ainda leciona química na Universidade de St. John's.
Apesar de sua família mais próxima ter sobrevivido ao holocausto, a maioria de seus parentes foram mortos pelos nazistas e seus colaboradores.

Franz diz: esse é mais um dos fatores que afundam com as teorias raciais absurdas ditadas pelos nazistas. A busca por uma compleição física perfeita, baseada em raça, é algo dispensável e fútil. O ser humano é perfeito pelo simples funcionamento da complexa máquina que ele é. Cor, credo, raça, situação social ou quaisquer outros fatores que possam vir a ser base para a segregação devem ser postos de lado, uma vez que o homem é muito mais que rótulos.
A mentira é uma das bases do nazi-fascismo e de quaisquer outras doutrinas que se valem da imposição do poder para dominar. Ironicamente, uma das últimas máscaras do III Reich caiu e revelou não só uma farsa, mas uma absoluta falta de controle por parte de Goebells e seus colaboradores. 
Como a maioria das propagandas, o uso de manipulação e mentira se fez presente...
 

domingo, 2 de março de 2014

Cidade japonesa recebe exemplares de 'O diário de Anne Frank' após vandalismo em bibliotecas.


Uma recente notícia sobre vandalismo chocou o Japão e o mundo. Em vários distritos da cidade japonesa de Tóquio, vândalos destruíram exemplares do clássico 'O diário de Anne Frank', livro que relata os dias de claustro da menina Anne Frank que, infelizmente, não sobreviveu ao campo de concentração de Bergen-Belsen.
Considerado um clássico por sua intensidade e pela abordagem tensa, dramática e triste das agruras que o nazismo trouxe, em especial à menina e sua família, 'O Diário' é uma obra obrigatória quando o assunto é a perseguição aos judeus pelo regime nazista.
A ação dos vândalos mostrou que a sombra de pensamentos arcaicos e preconceituosos ainda paira sobre a humanidade. Não se trata apenas da destruição de livros, mas do desrespeito aos que querem  ter ciência sobre o que está relatado nas obras. Ninguém tem o direito de queimar livros, pois tal atitude sempre foi o primeiro pensamento de ditadores e dominadores que queriam apagar as culturas dominadas: eliminar a fonte de cultura  - leia-se bibliotecas - dos povos.
Vejo muito mais que um ato de vandalismo na destruição dos livros. Vejo uma afronta ao pensamento livre e ao direito de expressão. Muitos tentaram censurar e tirar essa e outras obras de circulação, mas nunca sairão vitoriosos.
Uma prova disso foi o envio de um quantitativo suficiente de obras para suprir aquelas que foram atacadas nas bibliotecas dos ditritos. Os livros foram enviados para Tóquio através de uma iniciativa da embaixada israelense no Japão.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Crianças de Gaza.



Por: Franz Lima
É difícil ser imparcial quando uma foto como esta é veiculada. Mais difícil ainda quando a imagem recebe prêmios pelo impacto visual - e apelativo - que ela tem. Mas a verdade é que por mais chocante que seja, a denúncia precisava ser feita. O mundo precisa conhecer sua própria face escura.
A fotografia em questão mostra familiares transportando os corpos de duas crianças mortas durante um bombardeio israelense a uma zona civil da Faixa de Gaza. É impossível ficar indiferente às expressões de dor e ódio estampadas nas faces das pessoas que transportam as crianças. É impossível ficar indiferente ao ver o futuro de duas crianças ser brutalmente interrompido, impedido de ocorrer.
Como pai, tive a dor desses familiares transferida para mim. Como pai, tremi diante da mínima possibilidade de perder um de meus filhos. Como pai, silenciei em respeito aos entes das crianças assassinadas.
O que mais me aborrece é ter a consciência de que essas vítimas viram estatística. O que me entristece ainda mais é ter a consciência de que o tempo irá apagar essa imagem, por mais premiada que seja.
Nunca entenderei como povos tão próximos como palestinos e judeus - cuja história mostra períodos de paz e colaboração - hoje travam uma guerra sem lógica. Quantos mais morrerão por água e terra? Quantos mais irão tombar em uma guerra da qual não têm sequer ciência? Os meninos acima estavam com seus pais no momento do ataque. O pai e as crianças foram mortos instantaneamente. A mãe, por uma ironia do destino, ficou gravemente ferida, mas não faleceu. Na verdade, três partes dela morreram quando sua família foi dizimada. 
Não consigo ser imparcial - volto a afirmar - quando vejo cenas como essa. Não consigo ser imparcial quando sei que há um exército extremamente bem treinado e armado que combate homens movidos pela raiva de um território invadido, de costumes burlados e de uma humilhação cada vez maior. 
Não tenho qualquer rancor quanto ao povo judeu. Respeito o sofrimento de estar espalhado pelo mundo como se não fossem dignos de ter seu próprio lar. Elevo meus pensamentos aos céus ao lembrar-me dos anos de perseguição e morte que tanto atormentaram homens, mulheres e crianças. 
Mas sempre imaginei que a dor e o sofrimento que lhes impuseram fossem servir como um lição sobre a maldade humana. Enganei-me.
Hoje, com pesar, contemplo o perseguido sendo o caçador. Contemplo um povo preparado para matar em nome de uma terra que poderia ser dividida de forma coerente entre dois povos. Juntos, palestinos e judeus, seriam uma potência incomparável em força de vontade e resistência. Mas...
A intolerância - bilateral - é uma arma que é muito bem usada pelos poderosos e manipuladores. Homens cujas línguas deturpam as belas palavras do Corão e do Torá. Novamente vemos incrédulos o poder destrutivo das palavras proferidas pelo homem, cuja ambição não poupa vidas, terras ou almas. Em nome dos próprios interesses, governos e líderes religiosos jogam povos em guerra, pois é só essa linguagem que eles compreendem. Só com a morte há diversão para os poderosos. Até a fé está sendo relegada para segundo planto.
Ainda acredito no dia em que as pessoas com capacidade para mudar a triste realidade de Gaza e outras áreas similares percebam, enfim, que a localidade não é nada além de um Campo de Concentração. Não há fuga para os moradores. 
As únicas coisas que peço a Deus é que tais homens apodrecidos pela ganância, fanatismo e crueldade tenham seus sonhos povoados pelas faces dos inocentes cujas vidas eles ajudaram a ceifar. E que os parentes dessas crianças - e de tantas outras massacradas - tenham um pouco de paz.
Que tal cena jamais se repita. É tristeza demais.



terça-feira, 17 de julho de 2012

Parte do acervo de obras de arte de Hitler é redescoberto em um convento em Doksany, República Tcheca




A pesquisa de cinco anos feita pelo tcheco Jiri Kuchar revelou que 16 pinturas na República Checa eram parte do acervo possuído por Adolf Hitler. As obras de arte, que Hitler comprou na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, foram transferidas para a Tchecoslováquia depois desta ter sido ocupada pelos nazistas, para evitar que fossem danificadas pelos ataques aliados.
Jiri Kuchar colocou sete das pinturas em exposição para jornalistas no convento em Doksany no norte da República Checa, onde as identificou. Hoje, disse ele, elas valem cerca de 50 milhões de coroas (R$ 1,7 milhão). "Ninguém acreditou em mim que poderia ser verdade", disse Kuchar de suas descobertas. O autor, que se autodenomina "um amador e entusiasta", escreveu sobre suas descobertas.
Kuchar disse Hitler comprou as 16 pinturas - de artistas alemães, como Franz Eichhorst, Herrmann Paulo, Hilz Sepp, W. Friedrich Kalb, Oestreicher Oscar, estepes e Edmund Reumann Armin - em 1942 e 1943 nas grandes exposições de arte alemãs que foram realizadas anualmente em Munique a partir de 1937 até 1944. O instituto alemão, cujo banco de dados inclui as obras e os seus compradores - Zentralinstitut fur Kunstgeschichte em Munique - confirmou a propriedade de Hitler.
Como um ex-artista, Hitler era um amante da arte e colecionador. Incontáveis ​​pinturas, muitas feitas por grandes pintores europeus, foram apreendidas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Em um ponto, a coleção particular de Hitler, conhecida como a "Coleção Linz," incluiu quase 5.000 obras, e os nazistas tinham um projeto para criar um museu para elas em Linz, na Áustria.
Além das sete obras identificadas no convento, Kuchar encontrou mais sete que Hitler tinha possuído uma vez no norte da República Tcheca. Algumas contêm sinais evidentes de propaganda nazista, disse Kuchar.
Durante a ocupação, acredita-se que as 16 obras faziam parte da coleção de Hitler de mais de 70 peças de arte contemporânea alemã que o Terceiro Reich armazenou em um mosteiro na cidade sulista tcheca de Vyssí Brod, juntamente com as maiores coleções de pinturas valiosas roubadas de famílias judias da Europa.

Uma pintura de 1943 feita pelo pintor alemão Franz Eichhorst nomeada "Reminiscência em Stalingrado"
Após a guerra, valiosas pinturas possuídas pelos nazistas foram confiscadas pelo Exército dos EUA e levadas para o Ponto de Coleta de Munique Central em um esforço para devolvê-las aos seus donos originais. Muitas obras de menor valor foram deixadas para trás após a libertação em 1945 da Tchecoslováquia e acabaram espalhados pelo país.








Franz says: apesar de algumas das obras não retornarem às famílias dos donos originais ou estarem disponibilizadas em museus, é inegável o valor da descoberta, principalmente no tocante ao apuro artístico do próprio Hitler que foi reconhecido historicamente como um artista frustrado. A coleção reflete uma parcela da personalidade do líder nazista que, reconhecidamente, era um admirador das artes mais conservadoras.

Hitler protegeu jurista judeu pessoalmente, diz historiadora. Via Exame.


Ernst Hess
Fonte: revista Exame
Berlim - Uma historiadora alemã sustenta que Adolf Hitler defendeu pessoalmente um jurista judeu, seu antigo superior militar na I Guerra Mundial, e o protegeu, pelo menos temporariamente, da perseguição nazista, segundo um relatório publicado nesta quarta-feira pelo jornal ''Jewish Voice from Germany''.
Segundo a especialista Susanne Mauss, Ernst Hess trabalhava como juiz em Düsseldorf e tinha sido comandante da companhia na qual Hitler combateu na I Guerra Mundial. Ele esteve a salvo até 1941 graças à intervenção pessoal em seu favor do ditador nazista.
O caso está documentado em uma carta datada de agosto de 1940 do comandante das SS, Heinrich Himmler, na qual ordenava todas as autoridades nazistas a ''deixar Hess tranquilo, em todos os sentidos, segundo o desejo do ''Führer''.
Durante a desapropriação de bens pertencentes a judeus em favor de cidadãos de origem ''ariana'', Hess (1890-1983) foi suspenso como juiz, depois se mudou com sua família em 1936 para Bolzano, no Tirol italiano, afirma a historiadora.
Segundo a carta de Himmler, Hess entrou em contato com Hitler através de um companheiro de guerra em comum, o capitão Fritz Wiedemann, que entre 1934 e 1939 foi ajudante do ditador.
Também por carta, Hess, convertido ao protestantismo, pedia para ser considerado, segundo as leis raciais de Nuremberg, como cidadão ''semi-judeu'' e não inteiramente judeu.
Embora Hitler tenha rejeitado a solicitação, ordenou às autoridades através de Himmler para transferir a pensão de Hess para a Itália.
Além disso, juiz foi aliviado da obrigação de levar o nome de ''Israel'', que o identificava como judeu, e recebeu um novo passaporte em março de 1939 sem a letra ''J'' (de judeu) impressa em vermelho.
Hitler (sentado à esquerda) na Primeira Guerra Mundial
O chefe da Chancelaria do Reich, Hans Heinrich Lammers, e o cônsul geral alemão na Itália, Otto Bene, também intercederam por Hess.
Depois do pacto entre Hitler e Benito Mussolini e a italianização fascista do sul do Tirol, a família Hess se viu obrigada a retornar à Alemanha em 1939 e se transferiu para o povoado bávaro de Unterwössen.
Em 1941, Hess recebeu a notícia de que já não estava sob a proteção de Hitler e foi internado no campo de concentração de Milbertshofen, próximo de Munique, onde teve que realizar trabalhos forçados.
Segundo a historiadora, seu casamento com Margarethe, uma mulher não judia, o salvou da deportação, enquanto sua filha foi obrigada a realizar trabalhos forçados para uma companhia elétrica.
No entanto, a mãe de Hess, Elisabeth, e sua irmã Berta foram deportadas por ordem de Adolf Eichmann, artífice do plano de extermínio judeu.
Berta morreu no campo de extermínio de Auschwitz, enquanto a mãe conseguiu fugir nas últimas semanas da guerra do campo de concentração de Theresienstadt para a Suíça.
Depois da guerra, Hess se tornou presidente de uma companhia ferroviária na cidade de Frankfurt.
Para Rafael Seligmann, editor do ''Jewish Voice from Germany'' - publicação trimestral com uma tiragem média de 30 mil exemplares -, está claro que os ajudantes de Hitler cumpriam incondicionalmente as ordens do ''Führer'', seja como salvador ou como assassino em massa.
Seligmann acrescentou que é obrigação de um jornal judeu descrever também desta forma o sistema criminal dos nazistas.
A historiadora descobriu no arquivo regional da Renânia do Norte-Wesfalia o revelador documento durante os preparativos de uma exposição no ano passado.
Até o momento só se conhecia outro caso em que Hitler intercedeu por um judeu: o médico de sua mãe, Eduard Bloch, da cidade austríaca de Linz, que até sua emigração, em 1940, teria estado sob a proteção do ditador.

Franz says: a verdade por trás desta notícia é uma só: Hitler agia por conta de seus interesses. Quando alguém o agradava, judeu ou não, esta pessoa merecia o benefício da bondade e da proteção do Führer. Esta notícia não é um caso isolado, como a própria matéria deixa evidente, mas é uma das poucas divulgadas e conhecidas. É bem provável que muitos judeus - nunca o suficiente, infelizmente - receberam proteção de nazistas, seja por interesse ou por simpatia. É algo a ser estudado com maior aprofundamente, ainda que milhares de ações de caridade jamais apaguem as milhões de mortes provocadas pelo ódio e intolerância.
Ordens de Hitler, mesmo as que contradiziam sua política, eram incontestáveis e prontamente acatadas... a História prova isso.

domingo, 15 de abril de 2012

Eu posso viver sem religião?


Alguém saberia me dizer qual foi a primeira religião? Não que isso seja importante, mas é algo que está em pauta em muitas rodas de conversa sobre o assunto. Aliás, além disso, há o antigo debate sobre qual seria a mais importante das religiões. No final das contas, para variar, as conclusões ficam sempre em um limbo de dúvidas, rancor e autodefesa, pois cada um defende seu lado e o considera melhor e mais importante.
Um dos pontos mais interessantes é que poucos pensam em um fator preponderante para ter sua fé: o lugar, a localização geográfica em que se situa. Explicarei melhor: se você nasceu em plena Índia, em uma região tipicamente hindu, com familiares e um histórico religioso todo voltado para esta crença, então, logicamente, estará muito mais propenso a ser hindu do que outra denominação ou credo. O mesmo vale para um Asiático que cresceu em berço islâmico e, consequentemente, influenciado por todos ao seu redor e, principalmente, pela família, acabará por se tornar um seguidor de Allah.
Crenças à parte, eu fico imaginando o que há de mal nisso. Sim, pois deve ter algo muito ruim em seguir uma crença que não seja aquela massificada em nosso país. É visível que muçulmanos, budistas, judeus, hindus, umbandistas e outros praticantes de uma religião diferente da que aprendemos a aceitar desde pequenos, estão sujeitos a serem vistos com certo desdém. E o que leva um cristão (seja ele católico ou evangélico) a achar que os outros estão errados? 
Inúmeras são as críticas contra os "diferentes". Desde o Deus que rege a fé, passando por cerimônias ou atos religiosos até a simples indumentária são fatores que levam cristãos a temer os infiéis, a colocá-los à margem da sociedade e, principalmente, a buscar - não importa por quais meios - a saída destes indivíduos de suas crenças "erradas". 
Acaso o que foi dito acima lhe lembra um pouco do que ocorreu na invasão espanhola ao nosso continente? Ou será que é muito diferente daquilo que foi feito durante as cruzadas? Bem, em parte é diferente, já que não há a mesma violência física. Entretanto, a violência moral, a exclusão e o desprezo são modos diferentes de ferir e provocar dor nas pessoas.
Críticas surgem com base em qualquer coisa. Há os que dizem ser "pecado" sacrificar animais, fazendo uma clara alusão ao candomblé/umbanda e suas oferendas. Para estes, basta relembrar que muitas religiões eram praticantes de sacrifícios para agradar o Deus ou deuses. Não somos obrigados a praticar e aceitar o que os outros fazem de suas vidas, contudo devemos sempre lembrar que a individualidade é o maior dos tesouros da humanidade. Somos únicos através de nosso comportamento, crenças e realizações. Por que buscar a unificação da humanidade usando a força, o medo ou poder? Pela força, muitos morreram e morrem em nome da fé "correta". Pelo medo (do castigo Divino) muitos abandonam aquilo que originalmente acreditavam e são reformulados. Pelo poder - do dinheiro, da influência ou qualquer outro fator coercitivo - as conversões ocorrem. Promessas são feitas por homens. Homens aceitam tais promessas e, quase inevitavelmente, saem frustrados deste "pacto" selado com Deus (cabe lembrar que a promessa foi intermediada por um homem).
Sejamos sinceros: as principais crenças religiosas têm um papel único que é o de minimizar o poder destrutivo da humanidade. A criatura humana é teimosa, rancorosa, agressiva e extremista por natureza. Partindo do ponto em que acreditamos na existência de Deus, um ser tão elevado que foi capaz de criar tudo que existe e está ciente do passado, presente e futuro, o que há de errado em afirmar que, no todo, as religiões e crenças do mundo são freios que o próprio Criador pôs na Terra para impedir o ímpeto destrutivo humano? Deus é onipresente, onisciente e onipotente. Sua criação é limitada e radical, destrutiva e egoísta e, por isso, precisa de algo que diminua seu potencial destruidor. Esse algo é a religião - ou apenas a fé em alguém que rege pela bondade - com suas doutrinas que limitam o mal. 
Eu não quero ser o dono da verdade ou da razão. Porém quero ser um homem que não estagnou no tempo e no ócio. Pensar é uma das bênçãos que a vida nos trouxe, através de milênios de evolução, e é isso o que faço nesse momento. 
Quando comparamos nosso raciocínio e intelecto ao tentar traçar um paralelo com Deus, menosprezamos muito a inteligência do Criador. Ele conhece tudo o que nos limita e impede nosso progresso e, com base nesse conhecimento, na minha humilde opinião, deu-nos múltiplas opções de continuar a crescer em mente e espírito. Afinal, se uma única vertente religiosa está correta, não seria mais fácil descartar as outras ou talvez inibi-las ou destruí-las?
Seja lá qual for sua conclusão acerca do acima exposto, eu espero que tenha entendido uma coisa: a religião não é uma inutilidade, desde que bem administrada e sem fins excusos. Entretanto, é preciso tolerância e sabedoria para unir todas por uma única causa: a evolução da humanidade. Seríamos infinitamente piores sem uma crença ou a firme fé em um Ser maior, pois os instintos e o poder corrompem.
Então, finalizando, é possível viver sem religião? Sim, desde que haja algo em você suficientemente forte e bom para frear os impulsos maus, tão comuns quando estamos acima de algo ou alguém. 
Ah! Geralmente costumamos nos referir a essa força contrária ao mal pelo singelo nome de DEUS.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A invenção da paranoia


Umberto Eco mostra sua versão romanceada para a criação dos Protocolos dos Sábios de Sião


Em um romance, Umberto Eco traça a gênese do texto antissemita que influenciou o nazismo e o Hamas

Autoria: Nelson Ascher

Nada é o que parece, e todos sabem que até países aparentemente democráticos são de fato governados não por seus representantes eleitos, mas pelos verdadeiros donos do poder, que manipulam as finanças e a opinião pública por meio dos bancos e dos meios de comunicação. Trata-se de uma casta secreta e todo-poderosa que se reúne periodicamente para submeter a maioria e decidir os rumos do planeta. Essa é uma visão de mundo que, difundida à esquerda e à direita, não nasceu do nada. Tem origem e genealogia. Os suspeitos de integrar a casta em questão podem ser os membros de uma classe social, de um ou vários ramos profissionais (banqueiros e donos de jornal são hoje os favoritos), de um grupo nacional, regional, étnico, religioso. No último século e meio, ninguém foi tão insistentemente acusado quanto os judeus. E a peça-chave dessa acusação é um livrinho produzido pela polícia secreta da Rússia czarista e publicado no início do século XX: Os Protocolos dos Sábios de Sião, texto composto das supostas minutas de uma reunião na qual líderes judeus de toda parte traçam um plano comum de dominação global. O local dessa reunião é o cemitério judeu da capital checa, Praga, que dá título ao novo romance do italiano Umberto Eco, de 79 anos. A gestação dos Protocolos constitui o fio narrativo central de O Cemitério de Praga (tradução de Joana Angélica d´Avila Melo; Record; 480 páginas; 49,90 reais).
Eco faz questão de declarar que a maioria dos personagens e fatos com que trabalha são reais. Sua principal criação ficcional é o protagonista, um falsário natural de Turim chamado Simone Simonini, cujos diários autobiográficos, datados de 1897, recontam sua vida, desde a infância marcada por um pai revolucionário empenhado na unificação italiana até a velhice de gourmet na França. O personagem passa por eventos históricos como a Comuna de Paris e convive com personalidades como Sigmund Freud e o escritor Alexandre Dumas. A capacidade de forjar documentos de todo tipo o aproxima dos serviços secretos de diversas nações européias, bem como de militantes e conspiradores variados – os quais ele alternadamente auxiliará e trairá. E a tudo isso subjaz sua mentalidade paranóica e delirante, em parte herdada de um avô que via na Revolução Francesa a mão de conspiradores demoníacos, e em outra parte derivada de sua leitura apaixonada de autores românticos como Eugène Sue e o próprio Dumas.
 
Foi Sue que, ao imaginar em um de seus folhetins uma reunião conspiratória de jesuítas, criou o cenário que seria adaptado para outros objetivos pelo escritor Maurice Joly num livro que atacava Napoleão III – e o livro de Joly, por seu turno, serviria de base para a redação dos Protocolos. A farsa foi exposta pelo jornal inglês The Times já em 1921, quando Protocolos se espalhava epidemicamente pela Europa e pelos Estados Unidos (com 
o apoio ativo do industrial Henry Ford), servindo inclusive ao emergente movimento nazista. No entanto, para os que querem acreditar numa conspiração judaica internacional, nenhuma prova racional bastaria para invalidar os Protocolos. O livro é hoje um best-seller em países islâmicos, e a carta de fundação do grupo terrorista Hamas o cita como fonte cuja autoridade só é menor que a do Corão.

O Cemitério de Praga não se limita, claro, apenas à gênese dos Protocolos, tampouco é um tratado ou uma tese. É, antes, um romance criativo e habilmente estruturado, no qual Eco combina sua paixão antiga pelos folhetins românticos com a capacidade (refinada desde O Nome da Rosa) de escrever de acordo com estilos de outros tempos. E essa habilidade serve, afinal, para ressuscitar uma realidade histórica que, em nada alheia à nossa, contribui para desmascarar uma perigosa e destrutiva visão de mundo.

Esta resenha foi publicada originalmente na revista Veja, edição nº 2241, de 2 de novembro de 2011.

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