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domingo, 21 de setembro de 2014
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Até que a morte nos separe: bolo de casamento macabro.
Por Franz Lima18:13:00Arte, Bolo, Cake, Casamento, Decapitados, Filmes, Franz Lima, Mortos, Natalie Sideserf, Terror, Till Death Do Us PartSem Comentarios
Eles escolheram um modo criativo e macabro para comemorar a data mais feliz de suas vidas: o casamento. Natalie Sideserf e David, seu noivo, optaram por um bolo muito diferente para casar. A empresa de Natalie - Sideserf Cake Studio - preparou o bolo no formato das cabeças decapitadas dos noivos. A cena pode causar algum impacto inicialmente, porém é inegável que a ideia é, no mínimo, inteligente.
A inscrição na base do bolo "Till Death Do Us Part" é a já conhecida promessa proferida pelos que estão casando: até que a morte nos separe. O pedido para a confecção desta obra de arte macabra partiu do marido de Natalie que é um grande fã de filmes de terror.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Paranorman: resenha de uma animação fantástica em Stop-Motion
Por Franz Lima01:14:00Bruxa, Christopher Mintz-Plasse, Franz Lima, Ghosts, Mad Monster Party, Morte, Mortos, Paranormal, Paranorman, resenha, Stop Motion, Witch, ZumbisSem Comentarios
Por: Franz Lima.
Esta seria uma simples história de possessão e fantasmas... não fosse a abordagem muito inteligente dos diretores da animação. Paranorman é, basicamente, a história de um garoto que vê - literalmente - os mortos. Ele convive com sua avó (falecida) e seus parentes. Norman é um menino normal em essência, mas isolado por conta de seu dom e do jeito 'estranho'. Como todo ser diferente, ele recebe um tratamento diferenciado, principalmente dos amigos da escola e da irmã. O pai de Norman é um estereótipo do pai descuidado que, apesar de amar o filho, quer evitar a todo custo que as esquisitices do garoto reflitam em sua própria vida. No meio de todos esses preconceitos, medos e isolamento, não resta ao pequeno Norman nada que não seja seu próprio mundo.
O mundo do menino é muito parecido com o de outro garoto: Cole Sear, interpretado por Haley Joel Osment no filme 'O Sexto Sentido'. Ambos são estranhos diante da recusa e da incredulidade das outras pessoas. Ambos são abençoados por um dom que muitos considerariam uma maldição.
Eu vejo pessoas mortas...
O que seria uma condenação irreversível é uma rotina para o jovem Norman. Ele aprendeu a conviver com os mortos e as sequelas originadas por esse dom. Antes de mais nada, o filme comprova/reforça que são o preconceito e a raiva os responsáveis pela perda de qualidade de vida de muitas pessoas. Norman sofre diariamente com os olhares reprovadores e as perseguições, geradas somente por ser diferente. Diante do distanciamento e da incompreensão de seus pares, resta-lhe o isolamento quase absoluto, inclusive em sua própria família.
O que choca um pouco na animação é que Norman não se assusta ao ver os mortos, mas quando se encontra com os vivos e tudo de ruim que eles podem representar, é aí que o terror se instala.
Um filme com propósito ou apenas diversão?
Essa é uma questão fácil de responder: o longa de animação abrange o entretenimento e o alerta. Ele entretém com muita facilidade e é bem divertido. Mas sua principal função é o de alertar sobre os malefícios do descaso familiar e do bullying. Mais do que uma obra sobre o sobrenatural, Paranorman mostra que nossos maiores temores vem do preconceito, do racismo, do descaso familiar e do desconhecimento. São os medos que levam muitos a machucar, fato que não justifica um ato tão sem sentido, principalmente contra os mais fracos.
Personagens secundários.
Torna-se evidente, inclusive por causa do título, que o astro da produção é Norman, concordam? Claro, dificilmente uma animação iria se sustentar com um único elemento. Assim, surgem os 'coadjuvantes' que irão embasar a trama e dar traços dramáticos, cômicos ou mesmo aterrorizantes.
A família de Norman não o vê em sua plenitude. O pai o tem por um menino problemático, diferente e recluso. Sua mãe enxerga uma fragilidade excessiva nele, mas há apatia em algumas partes da narrativa que a mostram relapsa. A irmã, por sua vez, é a típica (e estereotipada) Patricinha: frívola, independente e absolutamente despreocupada com o irmão estranho. Resumindo, eles parecem "obrigados" a conviver com o menino, o que demonstra uma severa crítica às famílias que agem de modo igual.
Há um garoto amigo de Norman, quase tão nerd quanto ele e também muito perseguido, principalmente por ser obeso. Sua função é a de ser um contraponto cômico para o protagonista.
Os demais personagens, excetuando-se a responsável pela invasão de zumbis e o rapaz forte e burro, passam de forma sóbria pelo longa, servindo apenas de complemento. Na verdade, os zumbis são um outro destaque.
História já contada?
Sim, Paranorman não é uma trama inédita. Há traços de A Noite dos Mortos Vivos, Poltergeist, Sexto Sentido, Exorcista, A Festa do Monstro Maluco e até de Os Espíritos. Tais 'citações', entretanto, não tiram o brilho da obra que, no cômputo geral, é um longa de animação muito bem elaborado e que tem em seus minutos finais uma das mais emocionantes, tensas e dramáticas passagens dos longa-metragens de animação. Previsível até certo ponto, porém emocionante.
Stop-motion
A animação usa a técnica de stop-motion para dar vidas aos personagens e cenários, tal como foi feito no clássico A Festa do Monstro Maluco, já resenhado no Apogeu. Obviamente, os anos que separam uma produção da outra são fundamentais para que o resultado visual de Paranorman seja bem superior ao de seu antecessor.
Enfim...
Mesmo com alguns pontos contrários, Paranorman é um filme que recomendo. Aviso que, mesmo com toda a modernidade e independência das crianças, a obra não é recomendada para as muito pequenas, principalmente por ter algumas passagens pesadas para tal público e pela suscetibilidade delas a tais sugestões.
Vejam abaixo alguns pôsteres feitos por fãs. Até breve...
O mundo do menino é muito parecido com o de outro garoto: Cole Sear, interpretado por Haley Joel Osment no filme 'O Sexto Sentido'. Ambos são estranhos diante da recusa e da incredulidade das outras pessoas. Ambos são abençoados por um dom que muitos considerariam uma maldição.
Eu vejo pessoas mortas...
O que seria uma condenação irreversível é uma rotina para o jovem Norman. Ele aprendeu a conviver com os mortos e as sequelas originadas por esse dom. Antes de mais nada, o filme comprova/reforça que são o preconceito e a raiva os responsáveis pela perda de qualidade de vida de muitas pessoas. Norman sofre diariamente com os olhares reprovadores e as perseguições, geradas somente por ser diferente. Diante do distanciamento e da incompreensão de seus pares, resta-lhe o isolamento quase absoluto, inclusive em sua própria família.
O que choca um pouco na animação é que Norman não se assusta ao ver os mortos, mas quando se encontra com os vivos e tudo de ruim que eles podem representar, é aí que o terror se instala.
Um filme com propósito ou apenas diversão?
Essa é uma questão fácil de responder: o longa de animação abrange o entretenimento e o alerta. Ele entretém com muita facilidade e é bem divertido. Mas sua principal função é o de alertar sobre os malefícios do descaso familiar e do bullying. Mais do que uma obra sobre o sobrenatural, Paranorman mostra que nossos maiores temores vem do preconceito, do racismo, do descaso familiar e do desconhecimento. São os medos que levam muitos a machucar, fato que não justifica um ato tão sem sentido, principalmente contra os mais fracos.
Personagens secundários.
Torna-se evidente, inclusive por causa do título, que o astro da produção é Norman, concordam? Claro, dificilmente uma animação iria se sustentar com um único elemento. Assim, surgem os 'coadjuvantes' que irão embasar a trama e dar traços dramáticos, cômicos ou mesmo aterrorizantes.
A família de Norman não o vê em sua plenitude. O pai o tem por um menino problemático, diferente e recluso. Sua mãe enxerga uma fragilidade excessiva nele, mas há apatia em algumas partes da narrativa que a mostram relapsa. A irmã, por sua vez, é a típica (e estereotipada) Patricinha: frívola, independente e absolutamente despreocupada com o irmão estranho. Resumindo, eles parecem "obrigados" a conviver com o menino, o que demonstra uma severa crítica às famílias que agem de modo igual.
Há um garoto amigo de Norman, quase tão nerd quanto ele e também muito perseguido, principalmente por ser obeso. Sua função é a de ser um contraponto cômico para o protagonista.
Os demais personagens, excetuando-se a responsável pela invasão de zumbis e o rapaz forte e burro, passam de forma sóbria pelo longa, servindo apenas de complemento. Na verdade, os zumbis são um outro destaque.
História já contada?
Sim, Paranorman não é uma trama inédita. Há traços de A Noite dos Mortos Vivos, Poltergeist, Sexto Sentido, Exorcista, A Festa do Monstro Maluco e até de Os Espíritos. Tais 'citações', entretanto, não tiram o brilho da obra que, no cômputo geral, é um longa de animação muito bem elaborado e que tem em seus minutos finais uma das mais emocionantes, tensas e dramáticas passagens dos longa-metragens de animação. Previsível até certo ponto, porém emocionante.
Stop-motion
A animação usa a técnica de stop-motion para dar vidas aos personagens e cenários, tal como foi feito no clássico A Festa do Monstro Maluco, já resenhado no Apogeu. Obviamente, os anos que separam uma produção da outra são fundamentais para que o resultado visual de Paranorman seja bem superior ao de seu antecessor.
Enfim...
Mesmo com alguns pontos contrários, Paranorman é um filme que recomendo. Aviso que, mesmo com toda a modernidade e independência das crianças, a obra não é recomendada para as muito pequenas, principalmente por ter algumas passagens pesadas para tal público e pela suscetibilidade delas a tais sugestões.
Vejam abaixo alguns pôsteres feitos por fãs. Até breve...
terça-feira, 16 de julho de 2013
Carne Crua.
Por Franz Lima12:31:00Acidente, Apocalipse, Apogeu do Abismo, Caos, Carne, Contos, Fome, Franz Lima, memória, Morte, Mortos, Mortos-Vivos, Sobrevivência, Solidão, Terror, Zombie, ZumbisSem Comentarios

Por: Franz Lima.
Abro
os olhos e a dor chega quase que instantaneamente. O mundo está de
cabeça para baixo, confuso. Há gritos que me alcançam lentamente. Os
dentes doem com a mesma intensidade que os olhos. Meu braço esquerdo
está quebrado, sem dúvidas.
Mas o que aconteceu? O que me levou a capotar o carro? Descarto essas questões e parto para o que é mais prático: sobreviver.
Solto
o cinto de segurança e meu corpo se choca contra o teto do carro. Os
vidros estão quebrados e sinto os cheiros de óleo e gasolina. Isso é
péssimo.
A dor me atinge de novo, fazendo questão absoluta de não me deixar esquecer o quanto estou fudido.
Começo
a me arrastar para fora do carro e vejo, não muito longe, uma mulher
com um dos olhos furado. Ela grita, mas não consigo compreendê-la. Seus
passos são desconexos e trôpegos, o que pode indicar que algo realmente a
feriu ou, ainda, que ela está drogada. Ergo o ombro do braço ferido e
forço a saída. O que se passa a seguir é quase surreal: um caminhão
desgovernado atinge a mulher, matando-a de imediato. As rodas do
automóvel passam a centímetros do meu corpo. Era para eu ter morrido
junto com a mulher, porém o destino me poupou.
O
choque de ter escapado me despertou para outra realidade. Muitas
pessoas estavam mortas em todo o meu raio de visão. Mulheres,
crianças... não havia distinção para o massacre. Que merda estava
acontecendo?
Ergui
meu corpo e comecei a andar. Eu reconheci o lugar onde o carro ficou
capotado, uma rua distante apenas algumas quadras da minha casa.
Mas o que aconteceu?
Sem
respostas, restava-me andar. A cada passo, uma nova cena de horror. Era
uma guerra? Quais os motivos para tantas mortes? Eu tentei gritar por
socorro, sem sucesso. Minha voz e meu corpo mal respondiam. Para piorar,
percebi que havia um ferimento profundo próximo ao joelho. O sangue
vertia rápido. Onde estava o socorro? Em resposta, vi algo que nunca
pensei ver, nem nos meus pesadelos mais sombrios. A mulher atropelada,
quase totalmente esmagada, gemia e tentava se arrastar. Mesmo sem as
pernas, um pedaço do braço direito e com a face parcialmente destruída,
ela gemia e encravava as unhas no asfalto, obtendo alguns pequenos
centímetros de deslocamento com aquele esforço. Mas, pensei, como isso
poderia ocorrer se era para ela estar morta?
Movido
pelo medo, acelerei meus passos. Inegável que aquilo era incomum.
Inegável que eu estava em meio a algo muito além da minha compreensão.
Fugir era a garantia de sobrevivência.
Forcei
ao máximo e acelerei meus passos. Mesmo cambaleante e tonto, meus
instintos me guiavam para longe daquele local. Entretanto, a cada novo
metro que eu vencia, mais minha mente entendia o contexto em que fui
inserido. Casas queimavam e gritos ecoavam para, rapidamente, serem
silenciados. O cheiro de sangue e morte estava impregnado no ar,
nauseante. Seria realmente o apocalipse, o bíblico fim do mundo?
Virei
ao ouvir um som metálico. Era o motorista do caminhão, também ferido.
Ele caiu no chão com um som estranho. Suas mãos cortaram ao tocar tão
violentamente o calçamento. Percebi que um filete de sangue escorria de
sua orelha. E foi então que o verdadeiro caos se mostrou em toda a sua
intensidade.
Mais
de vinte pessoas surgiram correndo, vindas de casas, garagens e lugares
próximos. Todos, sem exceção, mostravam-se alucinados, cheios de algo
que me pareceu ódio, porém era mais primitivo.
Todos
correram em direção ao motorista, alguns pisotearam os restos (ainda
vivos) da mulher atropelada. Ela também se esforçou mais para chegar até
o motorista acidentado. Estou no inferno - pensei.
O
homem foi devorado em minutos. Pedaços dele estavam espalhados por
metros. Ele morreu com extrema dor. E eu ouvi cada um dos gritos.
Então,
os homens, mulheres e crianças se voltaram para mim. Ferido e fraco,
restou-me apenas abaixar e aguardar. Eu seria a próxima refeição deles.
Era hora de morrer...
Olhei,
entre lágrimas, eles se aproximarem. Todos passaram por mim,
milagrosamente. Talvez, refleti, satisfeitos pela última vitima. Deus me
poupou, apesar de meus erros. Eu fui salvo. Agora, restava-me sair
daquela zona de guerra. Viver era o que eu mais desejava.
Andei
por uma área sem aqueles canibais. Só parei por causa do ferimento e do
cansaço. Andar mais poderia significar a antecipação da morte. Com
alguns medicamentos e ataduras, minhas chances de sobreviver
aumentariam.
Arrombei
uma casa e busquei abrigo. Todo mundo tem remédios, gazes. Seria
impossível que o azar me atingisse com tamanha brutalidade. Busquei e
encontrei alguns comprimidos de Aspirina, dois band-aid e um pacote com
gazes pequenas. Nada de mais, porém já era um começo. Fiz o curativo,
apertei com um trapo o corte na perna e vasculhei a casa. Pouco era
aproveitável. Alimentos estavam decompostos, insetos tomavam quase tudo e
o cheiro de podridão provocava náuseas.
Esperei a noite cair para sair sobre a proteção da escuridão. Movia-me em silêncio absoluto. Vi e passei por vários dos que morreram. Rezei para que não sentissem meu cheiro. Minhas preces foram atendidas...
Por semanas eu vaguei, como um ladrão. Aliás, roubar era questão de sobrevivência, mesmo que não fosse realmente um roubo, já que todos nas redondezas estavam mortos ou algo muito próximo disso. Animais eram devorados por crianças. Bebês cambaleavam e emitiam urros, possuídos por uma raiva ancestral. O passar do tempo fez com que o medo fosse substituído pela vontade de viver.
Cheguei a uma casa isolada no topo de uma colina. Muitos dos mortos continuavam a caminhar. A comida deles estava tão escassa quanto a minha e todos nós estávamos morrendo. Eu pela primeira vez. Eles, degustando uma segunda e lenta morte. Se não houvesse água e alimento na casa, meu corpo definharia. Se eles me pegassem, suas existências seriam esticadas mais alguns dias. A morte me rondava. A morte caminhava.
Dentro da casa eu encontrei algumas latas de comida. Atum, salsichas e até feijão. Eu iria retomar minhas forças e fugir. Bastava comer e aguardar o momento certo para sair daquele pesadelo (mesmo que isso me levasse a outro pior).
Bebi uma água já rançosa, parada por muito tempo no encanamento. Levei longas horas para abrir as latas e comer. Tive que comer lentamente, tamanha era a dor no estômago. Agora era o momento de sair daquela armadilha. Um único vacilo e todo o esforço para sobreviver ruiria.
Desci para o primeiro andar da casa, renovado pela água e o alimento. Eu teria forças para correr se fosse necessário. Foi aí que percebi o quanto era inútil ter esperança. Milhares de cadáveres caminhavam e sussurravam diante da casa onde me escondi. Olhos vitrificados e dentes que rangiam me aguardavam. Não havia fuga. Eles não invadiam a casa pois sabiam instintivamente que não havia como escapar deles e da fome que também os torturava. Era chegada a minha hora.
Abri a porta e me deparei com rostos putrefatos e lábios ansiosos por carne. Eu morreria para lhes dar sustento.
Eles vieram lentamente em minha direção. Caminhavam de forma ritmada e lenta, mas estavam cientes de qual era o alvo. Eu também descobri que já não havia mais para onde fugir. Era hora de morrer.
O primeiro morto era na verdade uma mulher. Seu rosto estava irreconhecível dado o grau de putrefação. Os dentes ainda tinham restos de comida entranhados, também apodrecidos. Ela quase me beijou e pude sentir o hálito da morte muito próximo a mim. Minhas pernas tremiam e fechei os olhos por instinto. Entretanto, ela apenas parou e farejou, como um cão o faria. Senti seu ombro se chocar, levemente, com o meu. Ela passou por mim e entrou na casa, sendo seguida por todos os outros cadáveres. Eles me pouparam, não sei o motivo. No mesmo ritmo que eles, eu sai e continue andando por horas e horas.
Os dias e meses que se seguiram não foram diferentes. Eu caminhei literalmente entre os mortos. O vale da sombra da morte era o meu novo lar. Sobrevivi dos restos daqueles que agora andavam sem vida. Mas onde estavam os outros sobreviventes? Será que eu era o único ser vivo em um mundo dominado pelos amaldiçoados a vagar sem destino?
Transpus quilômetros sem fim e sempre me deparei com a mesma visão: nem mesmo os animais de peçonha existiam mais. A morte e sua mais recente máscara era o que predominava. Conclui que não havia mais com quem conversar, amar ou partilhar dores e alegrias. Eu fiquei fadado ao convívio dos mortos-vivos que, simplesmente, me desprezavam. Por algum motivo estranho e sarcástico, eu me tornei o último homem vivo na terra dos decompostos... sem direito à morte e sem coragem para tirar minha própria vida.
Esperei a noite cair para sair sobre a proteção da escuridão. Movia-me em silêncio absoluto. Vi e passei por vários dos que morreram. Rezei para que não sentissem meu cheiro. Minhas preces foram atendidas...
Por semanas eu vaguei, como um ladrão. Aliás, roubar era questão de sobrevivência, mesmo que não fosse realmente um roubo, já que todos nas redondezas estavam mortos ou algo muito próximo disso. Animais eram devorados por crianças. Bebês cambaleavam e emitiam urros, possuídos por uma raiva ancestral. O passar do tempo fez com que o medo fosse substituído pela vontade de viver.
Cheguei a uma casa isolada no topo de uma colina. Muitos dos mortos continuavam a caminhar. A comida deles estava tão escassa quanto a minha e todos nós estávamos morrendo. Eu pela primeira vez. Eles, degustando uma segunda e lenta morte. Se não houvesse água e alimento na casa, meu corpo definharia. Se eles me pegassem, suas existências seriam esticadas mais alguns dias. A morte me rondava. A morte caminhava.
Dentro da casa eu encontrei algumas latas de comida. Atum, salsichas e até feijão. Eu iria retomar minhas forças e fugir. Bastava comer e aguardar o momento certo para sair daquele pesadelo (mesmo que isso me levasse a outro pior).
Bebi uma água já rançosa, parada por muito tempo no encanamento. Levei longas horas para abrir as latas e comer. Tive que comer lentamente, tamanha era a dor no estômago. Agora era o momento de sair daquela armadilha. Um único vacilo e todo o esforço para sobreviver ruiria.
Desci para o primeiro andar da casa, renovado pela água e o alimento. Eu teria forças para correr se fosse necessário. Foi aí que percebi o quanto era inútil ter esperança. Milhares de cadáveres caminhavam e sussurravam diante da casa onde me escondi. Olhos vitrificados e dentes que rangiam me aguardavam. Não havia fuga. Eles não invadiam a casa pois sabiam instintivamente que não havia como escapar deles e da fome que também os torturava. Era chegada a minha hora.
Abri a porta e me deparei com rostos putrefatos e lábios ansiosos por carne. Eu morreria para lhes dar sustento.
Eles vieram lentamente em minha direção. Caminhavam de forma ritmada e lenta, mas estavam cientes de qual era o alvo. Eu também descobri que já não havia mais para onde fugir. Era hora de morrer.
O primeiro morto era na verdade uma mulher. Seu rosto estava irreconhecível dado o grau de putrefação. Os dentes ainda tinham restos de comida entranhados, também apodrecidos. Ela quase me beijou e pude sentir o hálito da morte muito próximo a mim. Minhas pernas tremiam e fechei os olhos por instinto. Entretanto, ela apenas parou e farejou, como um cão o faria. Senti seu ombro se chocar, levemente, com o meu. Ela passou por mim e entrou na casa, sendo seguida por todos os outros cadáveres. Eles me pouparam, não sei o motivo. No mesmo ritmo que eles, eu sai e continue andando por horas e horas.
Os dias e meses que se seguiram não foram diferentes. Eu caminhei literalmente entre os mortos. O vale da sombra da morte era o meu novo lar. Sobrevivi dos restos daqueles que agora andavam sem vida. Mas onde estavam os outros sobreviventes? Será que eu era o único ser vivo em um mundo dominado pelos amaldiçoados a vagar sem destino?
Transpus quilômetros sem fim e sempre me deparei com a mesma visão: nem mesmo os animais de peçonha existiam mais. A morte e sua mais recente máscara era o que predominava. Conclui que não havia mais com quem conversar, amar ou partilhar dores e alegrias. Eu fiquei fadado ao convívio dos mortos-vivos que, simplesmente, me desprezavam. Por algum motivo estranho e sarcástico, eu me tornei o último homem vivo na terra dos decompostos... sem direito à morte e sem coragem para tirar minha própria vida.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Pôsteres de Walking Dead. Arte por Mr. Gabriel Marques
Por Franz Lima06:18:00Franz Lima, Mortos, Mr. Gabriel Marques, Pôster, Pôsteres, Série, The Walking Dead, TWD, Zombies, ZumbisSem Comentarios
Usando letras e os usuais aspectos de um zumbi, Gabriel Marques criou pôsteres para a série de televisão The Walking Dead. As letras possuem dentes, olhos e o visual decomposto de um morto. Mesmo com um aspecto cartunesco, o resultado final ficou muito interessante.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Sangue Quente: zumbis e amor podem resultar em um bom filme?
Por Franz Lima05:02:00Cinema, Divulgação, Filme, Franz Lima, Isaac Marion, Livro, Mortos, Pôsteres, Quente, Romance, Sangue, Terror, Trailer, Walking Dead, Youtube, Zumbis1 Comentarios
Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.
Não vou culpar os que estão com os "dois pés" atrás quando o assunto é filme com monstros clássicos abordados de forma incomum. A última adaptação foi, no mínimo, digna de desconfiança, já que alterou boa parte da mitologia dos vampiros. Porém, isso não não impediu que a série se tornasse um sucesso de vendas e público (livros e filmes).
Então, o leitor me questionaria: certo, "Crepúsculo" já me irritou muito. Como esperar algo decente de um filme em que um zumbi se apaixona? Acrescente a isso o fato de que o livro no qual falamos foi elogiado por Stephenie Meyer, a mesma mulher responsável por essa customização dos bebedores de sangue...
Bem, dúvidas à parte, uma coisa eu posso garantir: Sangue Quente, o livro, é muito bom. O link anterior é um post que fiz à época da leitura e serve como uma pequena base para análise.
Mas não ficarei apenas restrito a isso...
Isaac Marion é um autor que obteve um rápido e grande sucesso. Sua história de vida também trouxe curiosidade, principalmente por ele já ter sido um morador de rua, porém esse fato não está correlacionado em nada ao livro em si. Sangue Quente (Warm Bodies) é um livro de zumbis com características bem distintas das que já vimos. Há uma quase interação entre os mortos-vivos, uma comunicação - no sentido mínimo da palavra - que permite a cooperação e até o estabelecimento de uma certa hierarquia.
O que me chamou a atenção não foi só isso. Outros livros, filmes e séries já haviam mostrado essa mesma cooperação (Madrugada dos Mortos, apenas para citar), porém jamais mostraram o "raciocínio" existente em cada ato. Mortos-Vivos não recebem esta segunda palavra no nome à toa, prova-nos o autor da obra.
Conforme a leitura avança, o que encontramos é uma lógica ainda não explorada. Com leveza, Marion descreve a (r)evolução de alguém que já estava em decomposição física... não em sua alma, sua essência.
Os pôsteres e vídeos relacionados ao filme que estreará em 01 de fevereiro de 2013, assustam de forma negativa. Não se deixem levar pelas imagens. Leiam o livro e aguardem o longa-metragem que, se seguir à risca a trama original, promete ser uma ótima produção.
Tenho plena consciência de que o visual mais "teen" foi usado para atrair a mesma legião de fãs de Crepúsculo, porém ainda não acredito que Isaac Marion permitirá uma mudança tão absurda em sua criação.
![]() |
| Corpo gelado. Coração quente. |
O zumbi R - esse é o nome que ele lembra - é um assassino. As cenas iniciais são bem próximas ao que já vimos em Walking Dead, por exemplo. Mas há uma centelha de humanidade ainda presente nele e, por isso, o caos começa a se instalar rapidamente na hieraquia e na sociedade de mortos. Suas "rotinas" vão mudando por causa de R e seu relutante amigo M, um aliado na preservação da vida de Julie, a mulher que ele quer manter viva.
![]() |
| R e Julie com a verdadeira Nação Zumbi ao fundo |
Apesar do tom cômico em algumas cenas dos trailers, Warm Bodies é pleno de melancolia. Há algo de patético na forma como criaturas em decomposição se agrupam para buscar o resgate de algo perdido: a humanidade.
Por fim, reforço a relevância da obra literária e, assim como a maioria, continuo desconfiado do filme, o que não é o mesmo que afirmar que o resultado final no cinema será tão fraco quanto a saga Crepúsculo.




































