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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Salem´s Lot - A mansão Marsten (1979). Review comparativo com o livro de Stephen King.



A adaptação começa de forma abrupta, em um ponto que indica o fim da trama, principalmente se você leu a obra original.  O título em inglês é ‘Salems Lot, o mesmo do livro de Stephen King (de 1975), mas no Brasil o filme recebeu o nome de A Mansão Marsten, algo talvez motivado pelo nome do livro em português: A hora do vampiro*. Vale lembrar que o filme foi lançado em 1979, época em que o sucesso de King ainda não o havia elevado ao patamar de Mestre do Horror. Originalmente era uma minissérie em dois episódios, fato repetido em 2004 na nova adaptação.
Ben Mears é um escritor que busca inspiração em uma pequena cidade do Maine, ´Salems Lot. A cidade é parte da infância de Ben e seu retorno causa estranheza em alguns moradores.
Mas Ben não é o único estranho. Straker e seu sócio, Barlow, são os responsáveis não só pela compra de um espaço que se tornou uma loja de antiguidades como, para espanto de todos, compraram a mansão Marsten, um lugar sombrio e abandonado há 20 anos.

Texto: Franz Lima. 
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Há visíveis diferenças no roteiro do filme que podem incomodar os fãs do livro. Além da caracterização dos personagens, vínculos e comportamentos mostram que a adaptação não foi fiel ao extremo.
Passagens modificadas ou com personagens alterados persistem conforme o filme avança. Alguns parecem se misturar – mesclar - com outros, gerando desconforto para os leitores, mas nada que impeça a compreensão da trama.
Os principais nomes do livro estão preservados na versão cinematográfica: os irmãos Glyck, Susan Norton, Ben, Eva Miller, Larry Crockett, padre Callahan... o que denota a tentativa de preservação da estrutura e da narrativa de King, apesar das limitações que uma versão de 3 horas tem em comparação com um livro de 460 páginas.
Caso não tenha lido o livro, aconselho que o faça para seguir adiante nessa resenha. A partir daqui, spoilers!!!

O início da devastação da cidade de Salem´s Lot surge. Aos poucos a população passa a sofrer os ataques do vampiro cuja real intenção é criar um exército para si. Ninguém é poupado, inclusive crianças. 
Stephen King foi muito esperto ao vincular as relações pessoais e familiares com a tomada da cidade. Barlow, o vampiro, usa os vínculos para matar mais pessoas. Isso ocorre com os Glyck, Eva Miller e outros. A maldição passada por Barlow é silenciosa e covarde, mas eficaz ao exterminar famílias e torná-las escravas de sua vontade.
Um ponto forte do livro é a gradual “vampirização” da cidade. Ben, Susan, Mark, Matt e outros personagens são cercados, literalmente, por uma colônia de vampiros escravos que aumenta em progressão geométrica. Eles presenciam a degradação de amigos e parentes sem que nada possam fazer, mas há espaço para ampliar a empatia do leitor com essas vítimas, já que Stephen King ao longo do livro nos apresenta nuances de dramas e fatos importantes das vidas dessas pessoas. Em suma, o filme peca por não ampliar as histórias dos “coadjuvantes”, enquanto o romance é rico em detalhes, o que cativa o leitor e dá amplitude à narrativa.

Por se tratar de um filme mais antigo, década de 1970, muita coisa ficou a desejar. Não que os filmes dessa época sejam ruins, porém os escassos recursos tecnológicos e os exageros em algumas atuações não impõem medo ao espectador. Há passagens onde o tom caricato – sem essa intenção, óbvio – minimiza o impacto delas.

Eu gostei do filme, mas ele está muito datado e possui limitações que a tecnologia da época impôs, como já dito. Pela quantidade de personagens e as nuances da trama, caberia uma minissérie mais longa para que a trama fosse desenvolvida com tranquilidade, o que facilitaria a compreensão do espectador quando partes excluídas estivessem presentes nessa nova versão. Isso também serviria para atrair um público mais novo. Ao contrário do que ocorreu com Carrie, Salem´s Lot é uma obra que não recebeu o trato devido, principalmente no aspecto dramático, ponto alto do livro.
Algumas caracterizações também não me agradaram, principalmente as de Barlow e Straker. Ambos não passam a força e malignidade citadas no livro. Barlow é uma clara cópia do Nosferatu de Max Schreck, enquanto Straker está frágil quando comparado com o original.
O duelo final entre o bem e o mal é rápido, simples quando comparado ao relato de King. Detalhes importantíssimos são descartados e há algo que deixa a obra mais clichê e previsível ao mostrar Ben e Mark em um confronto direto com um fantasma de seus passados. 
Sei que as comparações não agradam alguns por diminuir a obra de 1979, porém é vital afirmar que o livro de Stephen King, um dos mais importantes de sua carreira, merece uma versão definitiva, à altura daquilo por ele imaginado e, principalmente, completa. Só assim o espectador que leu o livro se sentirá bem. Quanto a quem nunca leu, ver um filme com tantas lacunas se torna um problema, já que a impressão passada é a de a história é fraca, algo absolutamente longe da realidade.

* Apesar de clichê, A Hora do Vampiro é o título mais adequado para o livro de King, principalmente se levarmos em conta a época em que foi lançado no Brasil. Esse título está relacionado ao momento em que o vampiro ganha forças e é um dos mais tensos momentos do romance literário. 
Esse título teve tanta força no país que até outros filmes foram nomeados para lembrá-lo, como os dois A Hora do Espanto, também com o tema 'vampiros'.

Dados Técnicos:

Elenco (em ordem alfabética):
Barbara Babcock -  June Petrie
Barney McFadden -   Ned Tebbets
Bonnie Bartlett   -Ann Norton
Bonnie Bedelia   - Susan Norton
Brad Savage   - Danny Glick
Clarissa Kaye-Mason - Majorie Glick
David Soul  - Ben Mears
Ed Flanders  - Dr. Bill Norton
Elisha Cook Jr.  - Gordon 'Weasel' Phillips
Ernest Phillips  - Royal Snow
Fred Willard  - Larry Crockett
Geoffrey Lewis - Mike Ryerson
George Dzundza  - Cully Sawyer
James Gallery  - Padre Donald Callahan
James Mason  - Richard K. Straker
Joshua Bryant   - Ted Petrie
Julie Cobb - Bonnie Sawyer
Kenneth McMillan  - Parkins Gillespie
Lance Kerwin  - Mark Petrie
Lew Ayres  - Jason Berk
Marie Windsor  - Eva Miller
Ned Wilson  - Henry Glick
Reggie Nalder  - Kurt Barlow
Robert Lussier  - Nolly Gardner
Ronnie Scribner  - Ralphie Glick

Direção: Tobe Hooper

Ano: 1979

Duração: 184 minutos.

Para fechar, uma entrevista (em inglês) com Julie Cobb, a Bonnie Sawyer



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Doutor Estranho. Review do filme que retomou um carismático herói da Marvel.



Doutor Estranho é um dos mais surpreendentes filmes da Marvel dos últimos anos. Tudo poderia dar errado, desde a escolha de um protagonista que não agradasse aos fãs até o uso de exageros no roteiro ou nos efeitos. Mas as influências negativas de Dormammu não foram suficientes para atrapalhar um projeto tão grandioso. Sim, vou adiantar que o filme é sensacional.
Para adiantar, caso ainda não o tenham visto, vejam o trailer para começarem a se preparar para o que seus olhos verão.

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E o que tornou a adaptação de um personagem dos quadrinhos tão atraente ao público? Antes de mais nada, a escolha do elenco foi um verdadeiro achado. Apesar das críticas iniciais à escolha de Tilda Swinton para ser o Ancião - no caso a Anciã -, sua interpretação foi convincente e equilibrada. Outros atores do elenco também mostraram consistência em suas interpretações e, sobretudo, souberam honrar personagens consagrados ao longo dos anos. A diversão foi outro fator que deixou o set de filmagens mais descontraído, fato que permitiu a união do grupo.
O elenco principal é este:

Da esquerda para a direita, em pé: Tilda Swinton (Anciã), Benedict Wong (Wong), Chiwetel Ejiofor (Mordo), Rachel McAdams (Christine Palmer). Da esquerda para a direita, sentados: Mads Mikkelsen (Kaecilius) e Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho).
A direção ficou por conta do competente Scott Derrickson.
A trama está fiel aos quadrinhos?

Essa é uma pergunta que muitos fizeram. Seria possível manter a fidelidade à mitologia do herói em uma adaptação de apenas 1 hora e 55 minutos. A resposta é a mesma de sempre: é impossível exigir fidelidade absoluta em um filme, ainda que com três horas de duração, baseado em um personagem com décadas de histórias. Mas, assim mesmo, a produção ficou à altura das aventuras do Doutor Estranho. Aliás, fenômeno já visto em outras produções baseadas em Histórias em Quadrinhos, o filme foi responsável pela revitalização do herói e também pelo lançamento de um título só dele no Brasil.

Qual o resumo da história? Atenção! Apesar do esforço, pequenos spoilers estarão presentes no texto à frente. 

Em uma análise mais detalhada, temos duas tramas: a queda de Kaelicius (Madds Mikkelsen) por causa de sua ganância de poder e, em contrapartida, a queda do arrogante médico Stephen Strange (Benedict Cumberbatch). As duas quedas foram cruciais para a alteração das vidas deles e daqueles que estavam próximos a eles. 
Kaelicius é o responsável pelo roubo de páginas de um livro que dão acesso ao poderoso Dormammu, uma entidade cósmica que se alimenta da destruição. Esse roubo desperta um mal que tem potencial para destruir a Terra, apesar da proteção da Anciã e seus asseclas.
Stephen Strange, por sua vez, vê seu mundo ser destruído, literalmente, por um acidente de automóvel. Como cirurgião, sua habilidade depende das mãos, agora incapacitadas pelo acidente. Sem cura para seu problema, o doutor viaja para um lugar chamado Katmandu, em busca do Ancião. Lá, surpresas e um destino bem diferente do que o esperado o aguardam.
Os dois personagens crescem em poder e, como já esperávamos, o confronto é inevitável. Entretanto, Strange evolui como pessoa e se torna cada vez mais poderoso. Na verdade, seu lado humano e antes sarcástico é uma de suas maiores qualidades, já que isso o mantém consciente de quem ele foi e quem precisará se tornar.

Outros personagens.

O elenco de Doutor Estranho é repleto de personagens com potencial. Mordo é o mais esperado de todos, já que nos quadrinhos ele e Strange são inimigos mortais. Cabe ressaltar que Kaelicius faz, na verdade, o papel que Mordo tem nos quadrinhos: o discípulo que se volta contra o Ancião. 
A doutora Palmer é a ex-namorada de Strange. Sua calma e talento são pontos fortes, principalmente a partir do meio da trama, quando seus talentos como médica são exigidos ao extremo. Ela é responsável por muitos momentos engraçados no filme. A dúvida que permanece é se ela será ou não a futura senhora Strange no cinema, já que no universo das HQ é Clea quem ocupou essa posição. Aliás, a presença de Clea nos próximos filmes é quase previsível, já que ela é a sobrinha (????) de Dormammu. 
A Anciã, interpretada por Tilda Swinton, foi uma grata surpresa. Apesar das reclamações dos fãs extremistas que queriam um Ancião igual ao das HQ, Tilda representou com maestria seu papel e deu credibilidade à mulher que domina as artes místicas.
Estes e outros personagens também importantes são apresentados de forma coerente em um ritmo que não incomoda o espectador. Atentem que até James Rhodes (Máquina de Guerra) é citado no filme, fato que reforça a interligação dos filmes da Marvel e a preocupação com a consistência do Universo Expandido nos filmes.

Efeitos Especiais.

A criação das magias invocadas por Strange nos quadrinhos era algo difícil de se imaginar em um filme. Entretanto, ao contrário dos temores, cada magia ou efeito especial ficou muito melhor do que imaginávamos. A invocação de escudos, o plano astral, portais, a mudança da realidade... tudo feito de forma espetacular. Claro que houve críticas quanto ao uso do efeito "Inception", mas é preciso observar que Doutor Estranho levou esse efeito especial a um patamar muito mais alto que o original.
Dormammu era outra dúvida, principalmente por causa do visual simplório do vilão no início da carreira do Doutor Estranho. Mesmo assim, ver uma entidade de puro maldade ganhar vida e ficar à altura do que esperávamos foi uma ótima surpresa.

Universo Expandido.

As duas cenas pós-créditos revelam que teremos muito mais do Doutor Estranho nos filmes da Marvel. A possível participação dele em Thor - Ragnarok e até em Guerra Infinita são reforçados em uma dessas cenas. A outra, por sinal, revela que um dos vilões mais característicos da mitologia do herói, o Barão Mordo, virá com força total.

Nota final.

Ter um herói tão interessante e importante nas telas foi sensacional. As possibilidades de novas aventuras são gigantes, principalmente por se tratar de um personagem capaz de combater seres que nenhum outro herói é capaz. Vamos somar a isso o fato de que os vilões também ganharão importância e força, talvez culminando na aguardada Guerra Infinita.
Podem assistir sem medo. Esse foi um dos maiores acertos em filmes da Marvel e está condizente com aquilo que os fãs dos quadrinhos queriam, além de agradar àqueles que não conheciam o personagem e seu universo.








segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Star Wars - O Despertar da Força. Mais do mesmo ou apenas crítica exagerada dos fanboys?



Um filme com um potencial incrível, mas que preferiu seguir pela trilha daquilo que já havia dado certo.
A trama engloba personagens com grande potencial como Kylo Ren, Rey, Finn e Poe Dameron que são enquadrados como protagonistas. Mas houve um deslize durante a narrativa que truncou demais a história e nos deu, ao contrário das expectativas, um reflexo de cenas e situações antes vistas. A sensação é que estamos revendo os três primeiros episódios (IV, V e VI) em formato compacto, melhores momentos. Isso não dá certo.


Texto: Franz Lima
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Há boas coisas em O Despertar da Força? Óbvio que sim. O simples fato de termos uma retomada da série nos cinemas é uma vitória. O que incomoda é a persistente sensação de que tudo isso foi feito apenas pelo dinheiro da arrecadação e das vendas de produtos relacionados.
E o que me leva a afirmar que a receita é, basicamente, “mais do mesmo”?
Vejam...
Kylo Ren é uma versão branda de Darth Vader. Há uma luta nele para permanecer no lado negro da Força e isso está bem claro no filme. Rey é uma versão nova e menos frágil da princesa Leia. Finn assume a posição de Han Solo, ainda que com outras habilidades. Poe, por sua vez, faz o papel de Luke Skywalker, incluindo sua capacidade de pilotar naves.
Não dá para esquecer-se de citar o BB-8 que é uma versão redonda e ágil do R2-D2 e tão carismática quanto  este último.
E isso é péssimo? Não. Na verdade o filme flui bem. O que incomoda, repito, é a falta de novidades em um filme que tem como base a mitologia Star Wars, um universo inteiro para criar, ampliar e trazer inovações.

Nota: boa parte da decepção do público veio da expectativa gerada pelos trailers. A edição e o clima de algo à altura dos episódios IV, V e VI em um único filme não foram apresentados com eficiência nesse novo episódio.

Os novos vilões não convencem. O mestre de Kylo Ren não teve tempo de exposição suficiente para se mostrar, ao contrário do que ocorreu com o Dath Sidious. Novamente outra “coincidência” entre as tramas que provoca a sensação de Déjà Vu.
Entretanto, a retomada de uma força capaz de destruir a República pareceu ser mais coerente que as anteriores. A Primeira Ordem, denominação dessa força, se mostrou menos permissiva e assumiu as rédeas do próprio destino ao destruir impiedosamente bilhões de vidas. O discurso de um dos líderes está bem próximo daqueles que a história registrou nos quais Hitler (sob o auspício da bandeira nazista) inflamava seu povo a destruir a escória (todos que fossem contra seu regime). Primeira Ordem ou Terceiro Heich são nomes parecidos de regimes déspotas desprovidos de sentimentos para com os inimigos. A frieza está presente nas palavras e ações.
O decorrer da história mostra a ascensão de Rey e a fragilidade sentimental de Kylo Ren. Ambos são poderosos, mas Rey tem muito da Força em si. Kylo é forte e consegue manipular o Lado Negro como poucos, porém sua vontade em ser tão importante e forte como Darth Vader é um ponto negativo em sua índole.
Destaque para as participações de Han Solo, Leia e Chewbacca que voltam à ação mais velhos, sábios e capazes de despertar em nós, espectadores, uma carga emocional grande. O destino mudou bastante suas situações desde o final de episódio VI (O Retorno de Jedi). Esse mesmo destino reserva surpresas impactantes às personagens.
A busca de Solo pelo filho deu um toque emocional à trama muito bom. Esse lado emocional serviu para comprovar que nossas decisões podem ser determinantes para o futuro. Ren fez sua escolha. Solo também. Ambos assumiram suas parcelas de culpa no desfecho do encontro de pai e filho.
Quanto ao combate de Finn e Rey contra Kylo Ren, o final poderia ser bem melhor se não houvesse um detalhe dramático dispensável e forçado que impediu o prosseguimento da luta. Mas, esse é o padrão George Lucas de desfecho.
A procura por Luke é outro ponto que irritou muito os fãs por motivos óbvios. Sua participação foi rápida e acrescentou pouco à história, o que deixa a entender que o próximo episódio terá mais dele, talvez como mestre da Rey. O que ficou estranho na descoberta do paradeiro dele foi a forma como R2-D2 se reativou. Muito conveniente para o roteirista, mas forçado para o espectador.
Seja como for, resta aguardar por um episódio VIII com menos lacunas e mais evoluído em matéria de roteiro. A direção de J.J. Abrams ficou muito abaixo do que ele fez com a franquia Jornada nas Estrelas, provavelmente por causa de pressões do estúdio e dos produtores executivos, mas há cartas escondidas como a Capitã Phasma (interpretada por Gwendoline Christie, a Brieene de Game of Thrones) e o Líder Supremo (interpretado por Andy Serkis).  Que o saudosismo seja posto de lado em nome de uma continuidade à altura do universo criado por George Lucas.
P.S.: Star Wars – Rogue One foi muito, muito melhor que esse episódio da saga. Logo, dá para corrigir os pontos fracos e transformar o que resta da saga em algo à altura das expectativas dos fãs antigos e novos.

Trem para Busan (Invasão Zumbi): muito além das similaridades com Guerra Mundial Z.


A história é conhecida por muitos que já assistiram filmes de zumbis, principalmente Guerra Mundial Z. Por que? Simplesmente porque os infectados são muito parecidos com os de Guerra Mundial. Eles são rápidos, violentos e irrefreáveis. O processo de contaminação é quase instantâneo, o que dificulta o combate aos atingidos pela praga. Contudo, as similaridades param por aí.


Texto: Franz Lima
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E qual seria o diferencial nessa produção. Trem para Busan (no Brasil usaram o péssimo título Invasão Zumbi) é um filme oriental, ambientado na Coréia do Sul. Os orientais são conhecidos por suas histórias mais realistas, desprovidas de apego ou sentimentalismo. Mulheres, crianças, idosos... ninguém está a salvo de uma morte violenta diante de uma ameaça dessa magnitude. Não dá tempo para se identificar com a maioria das personagens, já que a morte alcança-os bem antes disso.


A história base.

Logo de cara somos postos diante de um homem de negócios. Vida estável financeiramente, porém caótica quando o assunto é família. Divorciado, Seok Woo está com sua filha, Soo-an, uma menina que sente a falta da mãe. Muito dessa saudade se dá ao fato de seu pai ser um homem voltado aos negócios, distante e relapso. Apesar de tentar agradar, sua ausência, mesmo quando presente, é notável por parte dos espectadores.
Diante de um erro logo na véspera do aniversário da filha, ele se vê convencido a levá-la até a mãe na cidade de Busan. A viagem tem tudo para ser tranquila. O trem é moderno e o tempo até chegar lá não parece ser longo.
Entretanto, a tragédia já está anunciada. Pessoas contaminadas estão nos vagões. É o estopim para o caos.

Mentir para controlar. 

Não há nada que se possa fazer para evitar a propagação da morte. Milhares de pessoas são infectadas e perdem toda a noção de certo e errado, tornando-se verdadeiros assassinos. Seus instintos primitivos são despertos com brutalidade e suas ações estão à altura de animais selvagens.
O governo tenta passar a sensação de tranquilidade. Alega ter controle sobre os acontecimentos, mas as cenas mostradas durante esses discursos comprovam que os políticos apelam para a mentira em todas as ocasiões.

Protagonistas.

Diante de uma situação de crise, logo se forma um grupo de pessoas com o mais óbvio objetivo: sobreviver. Cada um tem sua motivação...
Há o pai e a filha em uma jornada de redescoberta. Há um homem que acompanha sua esposa grávida. Uma dupla de irmãs idosas que se amam muito. Também existe um grupo de estudantes cheios de vida. Por fim, um mendigo fecha o grupo que mantém o núcleo de sobreviventes. Cada um com sua motivação para seguir em frente, porém todos extremamente dependentes da coesão desse improvável grupo.
Permeando essas pessoas, encontramos indivíduos covardes e fracos. Homens e mulheres que ainda pensam estar em suas posições sociais de poder. A manipulação do medo por eles é um dos pontos altos da trama, pois mostra o quão danoso o ser humano pode ser. Mais letal do que os zumbis é a crueldade humana, o senso de sobrevivência que ultrapassa todos os limites morais. Trem para Busan irá lhes apresentar algumas pessoas cujas índoles são a essência do mal.
Nota: nomes e etnia são detalhes pouco importantes nessa produção. O que aconteceu – incluindo as reações das pessoas – é algo típico do comportamento humano. Falhas e heroísmos mostrados teriam coerência em qualquer lugar do planeta. 

Crime e castigo.

Nada passa incólume nessa produção. Todo mal terá seu pagamento, assim como as boas ações terão seu quinhão. A verdade é que a lei da ação e reação funciona bem demais em Trem para Busan.
Mas o que define as motivações dessas ações? Homens e mulheres lutam para rever as pessoas que amam. Nessas lutas é possível ver que os limites são postos de lado quando os interesses surgem. A força prevalece sobre o amor. A violência toma o lugar do bom senso.
A justificativa para esse contágio brutal que quase exterminou um país é mostrado... e isso não muda em nada a relevância do filme. O que conta, ao final das contas, é o sacrifício em prol de quem se ama, as perdas para que outros ganhem. Morrer, em algumas cenas, é um ato de amor e libertação.

Julgamentos.

As similaridades com Guerra Mundial Z, como já dito, existem e isso não incomoda. A abordagem de zumbis/infectados ágeis e vorazes já foi vista, porém Trem para Busan mostra mais dos problemas comportamentais do homem do que os malefícios dessa praga. O que está em julgamento são os limites da arrogância e da crueldade das pessoas diante do fim. Até onde é possível ir para se ver livre de um mal?
Vocês assistirão ao filme e irão julgar... mas é preciso refletir se não tomaríamos algumas das atitudes desprezíveis e questionáveis caso fossemos nós na mesma situação.

Cenas marcantes.

Há grandes cenas que ficarão na memória de quem se aventurou nesse filme. Efeitos especiais muito bem feitos e locações claustrofóbicas. Algumas das mortes estão envoltas em emoções que impactam o espectador. Mas é no final que encontrei duas cenas inesquecíveis: uma envolvendo perda e sacrifício; outra na qual uma canção mostra com clareza que nunca é tarde para recomeçar.

Nota final.

Gostei demais e recomendo muito que assistam. Tensão, dor, perdas e muitas amostras do potencial destrutivo do homem estão nessa obra, assim como também estão a compaixão, o sacrifício e a redenção. 

Filme digno do tema, sem exageros, com ótimas interpretações e que definitivamente está no hall dos que precisam ser vistos e respeitados. Esse respeito se deve não só à ótima abordagem dos temas de zumbis, mas também por incluir drama e uma imersão profunda nos malefícios de uma epidemia somada à péssima índole dos homens diante do caos total.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

É uma pena, mas esse novo filme do Pica-Pau não será bom.


Essa é uma declaração que faço sem a menor vontade, porém é verdadeira. Com base no teaser trailer do filme que mistura personagens reais com animação digital do Pica-Pau, concluo que não teremos um bom filme. Talvez algumas crianças, fãs atuais, curtam o filme, algo difícil de ocorrer com os mais velhos. Por que? Explico, mas peço que vejam o teaser abaixo para compreender melhor.

Texto: Franz Lima
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Falta de ousadia. 

Em tempos do politicamente correto e, muitas vezes chato, deixaram de lado a alucinada conduta do Pica-Pau. Isso já ocorreu com outras produções como Star Wars, Zé Colméia e muitas mais. Até compreendo que estamos em um tempo mais brando (nas animações), mas isso não justifica deixar de lado algo que ampliaria vertiginosamente o público do filme. Querem fazer um filme para crianças? Querem ter um personagem que possa virar brinquedo do McDonalds? Então, usem um personagem novo, feito para isso. O passado dele não pode ser descartado e isso não é conversa de fã velho. Meus filhos conhecem essa faceta sinistra, sarcástica e divertida do personagem e aprenderam a amá-la, assim como centenas de milhares de outras crianças pelo mundo. 
Apesar desse jeito alucinado, o Pica-Pau mostrava às crianças que não era preciso ser um tolo para ser incluído em qualquer grupo. O jeito moleque e sua malandragem faziam parte de sua personalidade, sem que isso o tornasse mal. E foi com essa personalidade que ele escapou dos ardis do Zeca Urubu, das tentativas de assassinato do Zé Jacaré e até de bruxas e bandidos. 
Há uma moral embutida em muitas de suas histórias, tal como aconteceu no episódio em que ele se nega a ir para o sul quando o inverno está chegando e acaba sem comida, rindo para a fome ou quando também por causa do inverno, ele se humilha pedindo comida aos vizinhos que negam. Mas sabem o que há por trás dessas histórias? Assim que ele passa pela situação ruim, sua índole volta a se manifestar. Tal como nós, humanos, ele tem memória curta para as lições da vida e, inevitavelmente, volta a errar.
O Pica-Pau destruiu florestas, tentou devorar um lobo, já desafiou a polícia e até prendeu bandidos. Ele é alguém com altos e baixos, mas nunca um “coadjuvante de luxo” em um filme com seres humanos. Isso aconteceu com os Smurfs, Zé Colmeia, Alvin e os esquilos e até Garfield. Perdeu-se muito da essência dos personagens. 

Onde estão os outros personagens? 

Por que não colocar uma animação digital onde Leôncio, Zeca Urubu, Andy Panda, Zé Jacaré, Pé de Pano e outros personagens importantíssimos do universo dele estejam presentes? 
O teaser trailer mostra que teremos uma versão de Esqueceram de Mim onde o atormentador será o Pica-Pau, porém com o humor previsível que assistimos em pegadinhas e humorísticos de baixa renda nacionais ou internacionais. 
Já que há personagens humanos, o que impediu os produtores de colocar eles interpretando o cientista maluco do desenho do Puxa Frango, Dooley, o dr. Hans Chucrutes ou até a Meany Ranheta? E o que impediu-os de homenagear personagens consagrados e inesquecíveis como o corvo Jubileu, o Morcego, a “Linda Garota” que se casou com o Pica-Pau e tantos outros de um universo rico e cheios de nuances. 
Não faltam referências e personagens, mas os produtores preferiram fazer desse filme outra forma de ganhar dinheiro investindo pouco. Atores medianos, roteiro simplório e o uso de um personagem de peso são garantia de bilheteria, uso de imagem em produtos e, consequentemente, lucro.
Essas são as razões que me levam a antecipar que o Pica-Pau nos cinemas será uma decepção. Talvez não para o público que só acompanha as histórias atuais sem graça, mas certamente o público que teve o prazer de ver as histórias antigas ou os que as buscaram ficarão com a sensação de que muito mais poderia ser feito.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Que motivos temos para ver A Cabana?


A pergunta do título do post é pertinente. Em tempos de séries, filmes em profusão, Netflix e Youtube, livros digitais, Whatapp, Facebook e tantas outras coisas para assistir, ler e ouvir, por que assistir à adaptação de um livro como A Cabana?

Texto: Franz Lima
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Bem, se você não leu o best-seller que encantou milhões de pessoas pelo mundo, aconselho-o a ler. Não digo isso como um homem de fé, pois não sou. Digo isso como um leitor de terror que encontrou uma boa leitura em uma publicação diferente do que estou habituado. 

A Cabana é um livro que, resumidamente, fala sobre redenção e perdão. Aborda também um tema que resistimos muito: reconciliação. A carga emocional durante a narrativa é grande e irá causar maiores impactos ao leitor que passou por algum problema mais sério recentemente.
O trailer é rápido e deixa indícios claros que seguirá muito perto a trama original. A escolha do elenco parece ser perfeita, incluindo Alice Braga, Sam Worthington, Radha Mitchell, Octavia Spencer, Graham Greene, Sumire Matsubara e outros ótimos nomes. 
O trailer também mostra que teremos a mesma história (sem as tais liberdades dos diretores e roteiristas) presente no best-seller. Além do personagem de Sam Worthington, as presenças das representações da santíssima trindade estão condizentes com a descrição do autor no livro. Um outro fator importante para o sucesso desse longa-metragem está no produtor que também atuou em A vida de Pi e Um sonho possível, ambos com grande carga emocional. 
Pretendo ver A Cabana não só por seu lado espiritual e moral ou por conta de um elenco competente, mas por ser um filme adaptado de um livro que trouxe, direta ou indiretamente, um pouco de paz a pessoas do mundo inteiro. Ter livros transformados em filmes é sempre uma ótima notícia... exceto quando o assunto são os 50 Tons, mas essa é outra história.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Batman: noites de Gotham. As histórias por trás da metrópole fria.



Definitivamente, esta não é uma história do Batman, mas uma sobre as vidas dos cidadãos que estão protegidos (ou não) pelo manto do Morcego.
Publicada originalmente entre março e junho de 1992, a obra só apareceu no Brasil em 1994 pela editora Abril. Apesar do atraso, vale lembrar que algumas edições demoravam até quatro anos para termos acesso. Logo, essa até que não atrasou tanto...
E valeu a espera.

Texto: Franz Lima
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Batman: Noites de Gotham é uma revista muito diferente das que estamos acostumados. A história é excelente e corajosa, principalmente para os padrões da época. Excelente por abordar peculiaridades das vidas íntimas de alguns dos moradores de Gotham. Corajosa por ter o Batman como um coadjuvante de luxo. 
Mas, afinal, do que trata a revista?
Ela é a compilação de quatro histórias de pessoas comuns, cidadãos de Gotham City, que vivem a realidade de uma cidade grande e violenta e, mesmo assim, continuam em suas rotinas, buscando sempre alcançar seus objetivos. O que elas têm em comum além de morarem na mesma metrópole? Seus destinos irão se cruzar de forma dramática no clímax da revista.
Cada um dos personagens principais tem um drama a ser descoberto. 
Rosemary é uma vendedora de Donuts, cujo amor secreto por um homem jamais é declarado. Esse amor irá deturpar a mente dela aos poucos. Rosemary é uma personagem interessante por mostrar, corajosamente, o drama da obesidade e da solidão. Reparem que há passagens onde ela se vê magra e todas as mulheres são gordas. 
Jennifer é uma mulher moderna que busca também alguém para amar, mas se esconde por trás de suas ações que denotam independência. Ela tem um amigo de viagem chamado Jimmy, porém ela não acredita em amizade entre homem e mulher, algo que gera um clima tenso entre eles, apesar das afinidades. 
Dio é um ex-capanga do Pinguim, ex-presidiário e em condicional. Sua vida pode ser reconstruída se ele não se deixar afetar por intrigas e medos. Dio é o típico cara que oscila entre o bem e o mal. Infelizmente, isso pode atingir sua esposa e filho se as dúvidas não forem esclarecidas a tempo.
Por fim temos o casal Joel e Emma Mayfield. Idosos, eles recebem a péssima notícia da morte próxima de Joel por uma doença incurável. Nesse instante, dispara no idoso a busca por uma solução para o desamparo que sua esposa deverá encarar brevemente. 
Todas essas vidas se cruzam em momentos distintos na narrativa, algo feito com maestria pelo escritor John Ostrander (O Espectro, Esquadrão Suicida, Star Wars Legacy, Grim Jack) que tem talento de sobra para roteirizar um grande filme. 
Outro ponto positivo da revista está nos desenhos de Mary Mitchell (Batman Noites de Gotham II, Elric, Manhunter) cujos traços reforçam as expressões faciais e mostram domínio da arte. 
O único nessa edição ficou por conta da colorização. Compreender que certas cenas se passam à noite não foi uma tarefa fácil e, acreditem, isso era algo comum em muitos quadrinhos das décadas de 80 e 90. Aliás, seria magnífico se a +Panini Brasil Oficial tentasse relançar essa edição em formato americano e colorizada com as técnicas atuais. Um grande presente para os fãs do Morcego e admiradores das boas narrativas.
Seja como for, Noites de Gotham é um achado. Ter em mãos uma revista com conteúdo adulto (não confundir com leviano) e abordagens de temas sérios como a vida dos ex-presidiários, doenças terminais, a disseminação da AIDS e a loucura provocada pela solidão é, no mínimo, magnífico.
Ao final da narrativa, o leitor irá se deparar com a solução dos dramas de um jeito inesperado, porém convincente, a qual irá unir as vidas dessas pessoas à do Batman... e de Bruce Wayne.
Recomendação total pelo Apogeu do Abismo.
Agora, fiquem com as capas originais (publicadas em quatro edições).
Capítulo 1: Gigantes. Dio.

Capítulo 2: Sonhos. Jennifer e Jimmy.

Capítulo 3: Organismos. Joel e Emma.

Capítulo 4: O coração da cidade. Rosemary


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Batman - Arkham Knight. Conheçam o livro da Darkside Books, inspirado no game.


Esse é meu primeiro vídeo autoral publicado no Youtube e mostra uma análise completa do livro Batman - Arkham Knight da Darkside books. A análise é técnica e não aborda a trama, mas ficou muito interessante.
Caso tenham curtido o vídeo, acessem a página (https://www.youtube.com/watch?v=TcX22QvdhFU) e  deem  aquela curtida para ajudar na divulgação.
Obrigado a todos...
Franz.

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