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terça-feira, 22 de março de 2016

Com você... até o fim.


Oi. Que tal estou?
Sabe, faz anos que nos conhecemos e ainda não compreendo nossa relação. Afinal, o que quer de mim? Já não lhe dei meus suspiros e lágrimas? Acaso isso foi pouco? Diga-me o que mais deseja, pois temos pouco tempo juntos.
Eu toco meu peito e sinto você em mim. Nem o sono mais pesado consegue nos manter distantes. Afinal, o que quer de mim?
Olho para o espelho e vejo outra pessoa, uma mais madura e, infelizmente, frágil. Tanta fragilidade gerada por nosso relacionamento. Cada segundo juntos trouxe dois sentimentos: o temor e o amor. Temor por nossa separação. Amor próprio. Sei que nunca mais serei a mesma sem você, porém quero o fim. Não podemos continuar juntos ou, do contrário, morreremos. Você é ácido, frio e mal, ainda que não perceba. Sua natureza é essa. Mas eu preciso de mais tempo para reparar erros, viver aquilo que você manteve distante de mim e, sobretudo, amar as pessoas que realmente me amam.
A luz está diminuindo. Meus olhos pesam e todos me olham. Alguns estão confiantes no fim dessa controversa relação, mesmo a um preço tão alto. Eu? Eu quero viver...


Maria morreu em um sono profundo, cheia de paz, esperança e isenta de dores. Ela não resistiu ao câncer, porém sobreviveu ao medo. Ela permanecerá viva em nossos corações.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O fascínio do brasileiro pela tragédia... ou como ganhar dinheiro com a morte.


Por: Franz Lima.
Não vou frisar o óbvio, uma vez que a imprensa nacional fez questão de esticar o assunto de forma gritante. A verdade é que a morte do cantor Cristiano Araújo - um pop star do sertanejo - ganhou ares de tsunami no Japão ou o atentado às Torres Gêmeas. 
Não que o fato seja indigno de nota. Não que o cantor tenha sido alguém desprezível. Muito ao contrário... 
Entretanto, o que me chamou a atenção é dedicação com que emissoras, jornais, sites e rádios de todos os estados do país anunciaram e divulgaram - quase ininterruptamente - a tragédia do astro e sua namorada. Mas será que tudo isso é por causa da importância de Cristiano como ícone da cultura nacional? Se for, confesso que estranho os motivos de não terem divulgado seus trabalhos com tanta ênfase quanto divulgam a morte dele.
Homenagens são algo louvável, mas não foi isso que vi. 
A verdade é que transformaram a dor de uma família em circo. O pai, os filhos do cantor, os parentes próximos foram expostos quase cirurgicamente. Imitadores e outros cantores novatos surgiram em diversas emissoras para cantar os sucessos do falecido, o que não impede que, paralelamente, divulguem seus trabalhos. O mercado fonográfico não pode parar...
Agora, sendo extremamente honesto, sabem o que levou a situação trágica à condição de premiere de um grande filme? A fascinação do público pela desgraça, pela tragédia. Os sites, rádios, emissoras e jornais ganharam muito com esta notícia. Os discos do cantor estão vendendo como água. É lucro em troca de lágrimas. É a divulgação do caos e da dor para reverter em dinheiro.
Durante esses dois dias, posso garantir que os intervalos comerciais dos programas tiveram seus valores inflacionados. A garantia de que as pessoas ficarão grudadas aos monitores e telas para ver o sofrimento dos fãs e parentes, e a triste sina de Cristiano e sua namorada (quase esquecida em algumas matérias) também é uma óbvia constatação de que haverá mais pessoas sendo bombardeadas por propagandas. Com dor ou não, uma propaganda bem feita é o primeiro passo para o sucesso de vendas, principalmente com um público atento à tela.
Não há compaixão real ou apreço pelo cantor e sua obra. O que há, na esmagadora maioria dos casos, é um aproveitamento de uma perda de alguém que tinha grande público para converter isso em cifras. Óbvio que há exceções, porém o show não pode parar. É lucrando que sites, jornais e outras mídias se mantêm no ar. Lamentavelmente.
Por fim, não posso deixar de citar os estragos que indivíduos usam as redes sociais para divulgar as imagens dos corpos, filmagens do cantor sendo socorrido e até da necrópsia dele. As imagens são chocantes, fortes e descartáveis. Não há motivos para querer ver isso, mas a morbidez da imensa maioria dos brasileiros transformou essas cenas terríveis em virais. Quem é mais culpado por essa situação: quem iniciou a divulgação ou quem deu continuidade? 
Espero que essa sede do macabro diminua. Espero que essa morte traga algo de positivo (ao menos no que diz respeito ao uso do cinto de segurança). Espero que o que fique do cantor seja seu carisma e sua arte. 
Esses são dias para serem esquecidos, principalmente diante da vergonhosa exploração da dor e da perda. 




segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Morre a americana Brittany Maynard através do suicídio assistido.


O caso de Brittany Maynard chocou e emocionou seu país e o mundo. Uma mulher jovem, casada e com um futuro promissor fora diagnosticada com um câncer agressivo, cujo poder de destruição e dor eram indescritíveis para aqueles que não portam tal doença.
Brittany escolheu o dia de sua morte, porém resolveu viver plenamente seus últimos dias. Conheceu o Grand Canyon e compartilhou estes momentos ao lado de quem amava. 
A decisão é polêmica. Contudo, não cabe a nós julgar. Resta-nos, agora, desejar que a jovem esteja em paz. 
Para que o suicídio assistido ocorresse, ela foi obrigada a se mudar para o Oregon, um dos estados que permite tal prática. 
Tendo planejado o fim para o dia primeiro de novembro, ela partiu em absoluta paz, segundo os familiares e a ONG Compassion & Choices. 

Eis as últimas palavras de Brittany:

O mundo é um lugar maravilhoso, viajar foi uma grande lição, meus amigos íntimos e todos os outros são os mais generosos. Inclusive tenho um grupo me apoiando enquanto escrevo. Adeus, mundo. Divulguem boa energia.

Descanse em paz...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A medida do teu esforço.


Por: Franz Lima.

Eu ouvi muitos lamentos e vi muitas mãos que imploravam por ajuda. Vi rostos tristes e lábios que maldiziam seus infortúnios. Contemplei pés que estagnaram diante do abismo, e braços que cederam às águas turbulentas.
Tudo isso eu vi e ouvi.
Mas ainda hoje aguardo pelos que cessam as lamúrias e passam a buscar a própria felicidade. Foram poucas as faces que abandonaram a tristeza diante da simples felicidade de estar vivo. Foram raras as vozes que iniciaram o dia com um simples "obrigado".
Quantos se lembraram que um abismo, por maior que seja, pode ser transposto? Quais foram os que entenderam que as águas bravas também levam às margens calmas?
Tudo isso eu gostaria de ter visto e ouvido mais.
Pois é fato que sempre haverá dor e sofrimento, luta e desgaste. Mas também é fato que todo fracasso é resultado direto do simples "abandono", ao passo que a vitória é medida pelo teu esforço.
Que a queda o lembre da existência do solo, do caminho a ser trilhado...

sábado, 5 de outubro de 2013

Conto: Prisão.



Por: Franz Lima.

Meus pensamentos se perdem diante da imagem refletida. Não há mais o homem que outrora fui. O reflexo mostra apenas um pálido e frágil indivíduo. O reflexo indica uma verdade que há muito eu fingi não ver: eu estava morto.
Eu e muitos outros pelo mundo afora nunca reparamos em um fato interessante... viver não é apenas respirar e ter o coração batendo. A vida é uma ininterrupta sequência de frustrações, amores, rancores, medos, vitórias e derrotas. Ainda que eu despertasse a cada novo dia, meu corpo já apresentava os sinais característicos da decomposição. Todos viam. Todos viravam o rosto diante de minha podridão, porém ninguém teve a coragem de apontar. Quero que saibam, verdadeiramente, que vocês também estão mortos
Hoje é um dia atípico. Completo exatos 13 anos de solidão. Solidão voluntária, é verdade, mas isso jamais diminui o impacto da dor. 
Dor? Como um cadáver pode sentir dor? Essa é uma resposta que não cabe a mim lhe conceder, pois tal conhecimento não me foi repassado. Apenas ouço as larvas devorarem lentamente cada centímetro de pele. Apenas ouço os poros transpirando pus. Sou alimento para bactérias.
Preso nesse corpo degradante, envolto em odores que olfato algum é capaz de captar, tento chorar. O esforço é vão. Lágrimas não verterão por essa face sulcada pela ação da deterioração. Choro lágrimas tão secas quanto a poeira. É o que me resta.
Estou morto.

***************

- E então? - questiona o enfermeiro.
O médico se vira. Há um cansaço enorme estampado em seu rosto. Então, ele responde:
- Todas as funções parecem normais. Os exames indicam isso. Contudo, ele parece preso ao corpo. O cérebro funciona e nada, absolutamente nada responde aos estímulos. Parece que está morto.
- Trauma? - pergunta novamente o enfermeiro.
- Jamais saberei. - responde o médico. - Creio que ele está condenado a perecer nesse lugar onde trancou sua própria essência. O corpo agora é uma prisão e eu não posso libertá-lo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Conto de Halloween: Em meu leito. Por Franz Lima.


Para comemorar este dia pagão, um conto sombrio, mas com uma mensagem para todos. Tema sobrenatural, porém não enquadro como terror. Espero que gostem e comentem...
 
Autor: Franz Lima
Em meu leito
 
Tortura. Talvez esta seja a única palavra capaz de definir o que se tornou meu viver. Cada novo dia é um tormento inenarrável pelo qual tenho que passar.
Por que deixam que isto ocorra comigo? Pena e compaixão são justificativas plausíveis para me manterem inerte, praticamente morto, sujeito a seus caprichos e vontades, mesmo com boas intenções?
Sou incapaz de ter qualquer sensação, exceto a de ouvir. Sequer sei se já descobriram que estou cego, isento da maravilhosa benção de distinguir cores e formatos. Minhas visões são apenas turvas lembranças do passado.
Sereno e repleto de coisas boas, este seria o real retrospecto do que vivi.
Agora, tudo isso se foi, apesar dos esforços para trazê-los novamente.
Tenho pena de vocês que sofrem ao compartilhar comigo minhas dores. Gostaria de poder dizer-lhes o quanto isto é inútil.
Tê-los, dia a dia, lutando em prol de meu restabelecimento é maravilhoso, mas será que não percebem que jamais serei de vocês outra vez?
Cuidam de uma casca que apenas pensa. Sou incapaz de esboçar um sorriso ou deixar uma lágrima rolar de meus olhos. Acho que me tornei uma espécie de ornamento que necessita de constantes cuidados, uma peça que não pode empoeirar-se.
Fico feliz ao ouvi-los dizer o quanto me amam e de suas saudades. Isso, contudo, não é suficiente. Nosso convívio não poderá eternamente limitar-se aos cuidados dos familiares com o infeliz em coma, estático.
Resolvo partir. Vocês não percebem de início, porém vou decaindo gradativamente. Meu corpo já não consegue sintetizar os nutrientes e, por isso, definha.
Irei, mesmo sabendo o quanto amam este invólucro sem funções. Foi ótimo ter tanto tempo a refletir e perceber que seus sentimentos são puros e verdadeiros.
Penso em todo este tempo ao lado de vocês e o vejo como um presente de Deus, uma forma de mostrar-me, antes de partir, que realmente me valoriza.
Assim, de forma calma, vou sentindo o coração retardar-se, diminuir seu ritmo lenta e progressivamente, como se estivesse reservando-me os últimos instantes ao lado dos que amo.
As batidas cessam e sinto-me leve, quase a flutuar. Posso vê-los novamente e sinto-os tristes, porém confiantes em meu novo destino. Sei que serão felizes e posso garantir-lhes que também serei. Jamais esquecerei o quanto foram bons para mim e estarei sempre próximo a vocês, no coração de cada um.
Não chorem por meu corpo em seu leito.
Meu espírito repousa em paz e reza por vocês.

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