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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Anabela. Conto de Filipe Gomes Sena.



Por: Filipe Gomes Sena. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

“Nunca escreva quando estiver cansada, nem quando estiver doente e principalmente: nunca escreva enquanto o relógio estiver marcando três da manhã”.
Foram as palavras ditas pelo avô de Anabela quando ela disse, ainda criança, que queria virar escritora. O avô dela era escritor, assim como o avô dele e assim como a paixão pela escrita sempre pulava uma geração, aquele aviso era dito pelos avós para seus netos.
A voz do avô de Anabela foi o último bastião de ordem no caos dos sonhos febris. A moça tinha passado as últimas quatro noites delirando de febre. Ela tinha passado as últimas quatro noites ouvindo os avisos do avô e nos últimos quatro dias ela tinha acordado sentada na escrivaninha, poucos segundos antes de encostar a caneta no papel… Com o relógio marcando três e meia da manhã.
Anabela estava esgotada. Os dias de febre tinham consumido todas as suas energias e o sono não apareceria enquanto o Sol ainda estivesse no céu. A pouca fome dos últimos dias tinha desaparecido naquele domingo. Seja qual fosse a batalha que estava sendo travada ali, não era Anabela que estava ganhando.
“Quando estamos cansados não conseguimos perceber o mal que nos ronda”.
O relógio marcava dez da noite quando o sono chegou. Ela engoliu dois comprimidos antes de deitar. O sono sempre chegava antes da febre e os comprimidos conseguiam ao menos deixar a temperatura controlada.
“Quando estamos doentes temos seres estranhos no nosso corpo, alguns deles gostam de nos fazer escrever o que eles não podem falar”.
Algo estava diferente naquela noite. Anabela nunca estivera tão lúcida durante os sonhos que a febre trazia. Várias cores dançavam na frente dos seus olhos, as estrelas dançavam no céu caleidoscópico e o vento cantava no vazio que a cercava. De tanto tremer, por causa do vento ou da febre, caiu de joelhos e encarou a explosão de cores que a cercava.
“Quando o relógio marca três horas e o Sol não está no céu, as passagens para outros mundos são abertas, dentro e fora da gente”.
O vento deitou Anabela no chão. As cores mergulharam por baixo dela para fazer uma cama, as paredes e a escrivaninha. Uma versão multi cromática do seu próprio quarto. O braço direito se debatia compulsivamente como se procurasse algo, as pernas escorregaram para fora da cama e com um impulso colocaram Anabela de pé. Passos trôpegos levaram a pobre moça para a mesa, a mão direita finalmente encontrou pela pena que procurava. A cama se jogou em forma de cadeira para sustentar a moça enquanto a pena dançava sobre o papel e os avisos do avô ecoavam pelo vazio.
Uma eternidade depois as cores se apagaram. a cadeira largou Anabela no chão gelado, o vento rasgou-lhe a pele e a dor encerrou a alucinação.

Quando acordou, Anabela estava no chão do quarto. A febre tinha passado e a sensação de esgotamento era menor. A cadeira tombada serviu de apoio para que ela se levantasse. Na mesa estava um caderno com meia página escrita e um despertador que marcava dez minutos depois das três e meia da manhã. Ainda desorientada, a moça rasgou o parágrafo escrito do caderno e leu. A língua era desconhecida, mas ela conseguia compreender as palavras malditas que ali estavam escritas. Palavras tão hediondas que as últimas forças da jovem foram exauridas. Por horas ela esteve desmaiada. Quando acordou o Sol já iluminava a janela do quarto, mas o pedaço de papel rasgado do caderno não estava mais lá.

sábado, 27 de agosto de 2016

Contos de fadas modernos ganham versões cômicas na internet


Fonte: Catraca Livre. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Como seria se Bela Adormecida e Cinderela, por exemplo, vivessem situações da vida real? Publicações que circulam na internet nos últimos dias inserem personagens clássicos da literatura no contexto atual e brincam com as possibilidades.
Nas releituras, a versão 2.0 de Bela cairia em um sono profundo durante conversa com um homem coxinha na balada.
Bela Adormecida cai em sono profundo após conversar meia hora com homem em balada
Contrariando a velha pergunta “onde estão os príncipes hoje em dia?”, uma porção deles marcou presença em festa de celebridades que ocorreu ontem, na Zona Sul de São Paulo. Mas no lugar das belas armaduras e espadas embainhadas, trajavam calças brancas e ostentavam copos de vodca com energético.
Só que todo este charme não surtiu efeito, de acordo com uma foto que circula nas redes sociais. A imagem mostra que Bela, a Adormecida, resistiu aos encantos do príncipe, que parecia estar mais interessado em falar de si mesmo do que qualquer coisa. Ao invés de cair nos braços do rapaz, a princesa caiu nos braços do sofá. "Se o papo já me fez dormir, imagina o beijo".
Branca de Neve, outra que marcou presença na festa, comentou a situação e defendeu a amiga. "Qual é? Alguém pode atualizar estes caras no quesito cantadas encantadas?", disse a jovem, que entrou e saiu da festa sozinha, mas garante que se divertiu. "Não comi maçã de bruxa nenhuma, mas conversar com esses caras me deu um sono..."
Enquanto Bela curtiu a noite sonhando com alguém que não perguntasse ‘como vai a princesinha?’, Cinderela, com o sapato na mão, foi embora mais cedo, garantindo que príncipe nenhum usasse a velha desculpa do sapatinho de cristal.

Leia os demais contos acessando o link da publicação original em Catraca Livre.


terça-feira, 10 de maio de 2016

Análise: A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras, de Neil Gaiman.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo. #apogeudoabismo

Com texto de Neil Gaiman e ilustrações de Eddie Campbell, este livro - na verdade é um conto ilustrado - veio para reafirmar a excelência e o trabalho de Neil como escritor.
A trama se passa na ilha de Skye, Escócia, em um tempo indeterminado. É a saga de um anão que busca uma caverna e o tesouro que nela há. Mas ela não conseguirá chegar ao seu destino sem o auxílio de alguém que lá esteve antes. Assim, ele contrata Callum MacInnes, um ex-salteador de fronteira (border reaver, em inglês), ex-ladrão e ex-assassino.
Juntos, o anão e Callum partem para uma viagem cheia de perigos, surpresas e até uma advinha. A busca é árdua, mas serve para que os dois se conheçam melhor, fato que não diminui a desconfiança de Callum quanto ao anão.
Há citações embutidas a algumas histórias. A ilha que procuram - onde ficam as montanhas - se move. O barqueiro só os leva a seu destino pelo pagamento de moedas, assim como Caronte na travessia do rio no Inferno. Pequenos detalhes, mas vitais para o engrandecimento da obra.
Algumas "habilidades" do anão são reveladas com o desenrolar do conto. Elas aumenta o desconforto de MacInnes, porém são indispensáveis à sobrevivência de ambos.
Também é revelada uma tragédia que mudou - para sempre - a vida do anão.
Por fim, o conto coloca os passados de ambos em evidência e, já na caverna, sozinhos, o anão precisa tomar as rédeas de seu destino.
Diante de uma verdade revelada fora da caverna (e confirmada dentro dela), o fim da trama mostra o quanto pode ser fria e demorada a vingança, isso sem que o doce sabor dela se perca com os anos passados.
Tal como fez em outros contos ilustrados de sua autoria, Neil nos presenteia com uma verdadeira fábula, onde as lições ficam após o fim da leitura, onde cada imagem feita por Eddie irá também permanecer em suas mentes.
É uma narrativa que precisa ser lida...
P.S.: aproveite para ler a entrevista de Neil Gaiman sobre a obra: A verdade...


quinta-feira, 31 de março de 2016

Conto escrito por Inteligência Artificial é selecionado em concurso literário japonês.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Divulgada pela Superinteressante, esta é uma notícia que surpreende e acende a polêmica sobre o uso da Inteligência Artificial. Entretanto, a verdade é que um computador, programado por humanos e com diretrizes e palavras-chave específicas para um fim único, obteve a seleção entre mais de 1400 contos em um concurso literário. Mesmo não tendo prosseguido para as fases seguintes, a notícia é espantosa, principalmente se considerarmos o processo de criação do texto: 
Os cientistas selecionaram palavras e frases que seriam usadas na narrativa, e definiram um roteiro geral da história, que serviria como guia para a inteligência artificial. A partir daí, o computador criou o texto combinando as frases e seguindo as diretrizes que os cientistas impuseram.
Ainda assim, um conto feito exclusivamente por Inteligência Artificial estar entre os primeiros trabalhos selecionados é muito animador. 
As possibilidades da IA são infinitas, mas estamos muito distantes ainda do androide David  de A.I., o homem bicentenário Andrew, os androides de Blade Runner ou os Agentes da Matrix. Seja como for, esse é um passo que pode provocar desconforto nos divulgadores das teorias de conspiração, porém é algo a ser comemorado com estardalhaço. É bom lembrar que a IA pode ser aplicada em automóveis, cirurgiões-robô, trânsito, pesquisas científicas e uma infinidade de aplicações benéficas à humanidade. 
Pena que o conto "O Dia em que um Computador Escreveu um Conto" não foi disponibilizado para leitura. 


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Nota de desculpas...



Amigos, meu último conto (A Pedra) publicado aqui apresentou algumas falhas que, infelizmente, ocorreram pela pressa e desatenção. Como o escrevi entre 2h30 e 3h10 da madrugada, resolvi publicar por conta da empolgação em produzir algo que me deu orgulho. O resultado, entretanto, foi um conto com erros, algo que considero inadmissível. 
Assim, após uma revisão mais coerente e sem o prejuízo do sono e cansaço, finalmente completei meu trabalho à altura de vocês, leitores do Apogeu.
Por isso, peço desculpas pela falha e também peço que leiam estre trabalho cujo ponto alto é a crítica ao uso do crack e outras drogas que destroem famílias e almas...
Abraços.
Franz.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O casamento da peste, entre Grimm e Agreste: exposição mistura os clássicos contos alemães à cultura brasileira.



Fonte: SESC
Uma nova e muito interessante exposição já está ocorrendo no SESC Interlagos, em São Paulo. Chamada de 'Grimm Agreste', a iniciativa mostra o resultado da mistura dos contos dos irmãos Grimm com a cultura popular brasileira. Alguns dos mais consagrados contos dos irmãos alemães receberam uma nova roupagem com as ilustrações de J. Borges. A arte de Borges conferiu um aspecto regionalizado às histórias dos Grimm, fato que, além de inovador, comprova que é possível divulgar outras culturas com um toque brasileiro. As ilustrações de cordel são um destaque à parte... (Franz)
O alemão estava em uma terra desconhecida. O ar era quente e as cores ao redor vibrantes. Caminhando por aquela terra árida avistou uma moça, e que bela moça. Aproximou-se e acenou timidamente, mas a moça não deu muita importância. Ele precisou conhecê-la melhor para cortejá-la e aplicou-se em seu estudo.
Alemão: Linda moça, permita-me um minuto de sua atenção. Estudei seu povo e seus costumes, aprendi a sua cultura e a sua língua e tenho algo importante a dizer:

E assim, às margens das águas de uma represa encantada, nas verdes terras do Sesc Interlagos, não muito distante, surge um grande reino cheio de diversão e surpresas!
“Grimm Agreste” é o casamento danado de bom das culturas populares, alemã e brasileira.
Esta exposição arretada vem do universo dos “Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos” de dois cabras da peste, os Irmãos Grimm, e das xilogravuras de um grande e coroado artista nordestino, J. Borges.




Vocês, os heróis e heroínas, estão convidados a brincar e aprender em nosso Castelo, a desbravar os caminhos de nossa Floresta e descobrir novas e emocionantes histórias ao longo das incríveis aventuras de “Grimm Agreste”.


o que:Grimm Agreste
quando:
de 21/fevereiro  até 31/agosto de 2014
das 10h às 16h30
onde:
Sesc Interlagos | Avenida Manuel Alves Soares, 1100 | 11 5662-9500
visitas e agendamento:
redes sociais:    #GrimmAgreste

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