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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Batman: noites de Gotham. As histórias por trás da metrópole fria.



Definitivamente, esta não é uma história do Batman, mas uma sobre as vidas dos cidadãos que estão protegidos (ou não) pelo manto do Morcego.
Publicada originalmente entre março e junho de 1992, a obra só apareceu no Brasil em 1994 pela editora Abril. Apesar do atraso, vale lembrar que algumas edições demoravam até quatro anos para termos acesso. Logo, essa até que não atrasou tanto...
E valeu a espera.

Texto: Franz Lima
Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Batman: Noites de Gotham é uma revista muito diferente das que estamos acostumados. A história é excelente e corajosa, principalmente para os padrões da época. Excelente por abordar peculiaridades das vidas íntimas de alguns dos moradores de Gotham. Corajosa por ter o Batman como um coadjuvante de luxo. 
Mas, afinal, do que trata a revista?
Ela é a compilação de quatro histórias de pessoas comuns, cidadãos de Gotham City, que vivem a realidade de uma cidade grande e violenta e, mesmo assim, continuam em suas rotinas, buscando sempre alcançar seus objetivos. O que elas têm em comum além de morarem na mesma metrópole? Seus destinos irão se cruzar de forma dramática no clímax da revista.
Cada um dos personagens principais tem um drama a ser descoberto. 
Rosemary é uma vendedora de Donuts, cujo amor secreto por um homem jamais é declarado. Esse amor irá deturpar a mente dela aos poucos. Rosemary é uma personagem interessante por mostrar, corajosamente, o drama da obesidade e da solidão. Reparem que há passagens onde ela se vê magra e todas as mulheres são gordas. 
Jennifer é uma mulher moderna que busca também alguém para amar, mas se esconde por trás de suas ações que denotam independência. Ela tem um amigo de viagem chamado Jimmy, porém ela não acredita em amizade entre homem e mulher, algo que gera um clima tenso entre eles, apesar das afinidades. 
Dio é um ex-capanga do Pinguim, ex-presidiário e em condicional. Sua vida pode ser reconstruída se ele não se deixar afetar por intrigas e medos. Dio é o típico cara que oscila entre o bem e o mal. Infelizmente, isso pode atingir sua esposa e filho se as dúvidas não forem esclarecidas a tempo.
Por fim temos o casal Joel e Emma Mayfield. Idosos, eles recebem a péssima notícia da morte próxima de Joel por uma doença incurável. Nesse instante, dispara no idoso a busca por uma solução para o desamparo que sua esposa deverá encarar brevemente. 
Todas essas vidas se cruzam em momentos distintos na narrativa, algo feito com maestria pelo escritor John Ostrander (O Espectro, Esquadrão Suicida, Star Wars Legacy, Grim Jack) que tem talento de sobra para roteirizar um grande filme. 
Outro ponto positivo da revista está nos desenhos de Mary Mitchell (Batman Noites de Gotham II, Elric, Manhunter) cujos traços reforçam as expressões faciais e mostram domínio da arte. 
O único nessa edição ficou por conta da colorização. Compreender que certas cenas se passam à noite não foi uma tarefa fácil e, acreditem, isso era algo comum em muitos quadrinhos das décadas de 80 e 90. Aliás, seria magnífico se a +Panini Brasil Oficial tentasse relançar essa edição em formato americano e colorizada com as técnicas atuais. Um grande presente para os fãs do Morcego e admiradores das boas narrativas.
Seja como for, Noites de Gotham é um achado. Ter em mãos uma revista com conteúdo adulto (não confundir com leviano) e abordagens de temas sérios como a vida dos ex-presidiários, doenças terminais, a disseminação da AIDS e a loucura provocada pela solidão é, no mínimo, magnífico.
Ao final da narrativa, o leitor irá se deparar com a solução dos dramas de um jeito inesperado, porém convincente, a qual irá unir as vidas dessas pessoas à do Batman... e de Bruce Wayne.
Recomendação total pelo Apogeu do Abismo.
Agora, fiquem com as capas originais (publicadas em quatro edições).
Capítulo 1: Gigantes. Dio.

Capítulo 2: Sonhos. Jennifer e Jimmy.

Capítulo 3: Organismos. Joel e Emma.

Capítulo 4: O coração da cidade. Rosemary


sábado, 10 de dezembro de 2016

Westworld sexto episódio: quando o inimigo mora ao lado.


O ciclo narrativo de Maeve se repete. Mas há algumas coisas diferentes nela. A persistência de sua memória é visível, inclusive no destemor ao provocar um convidado a matá-la. Tudo, porém, tem um propósito em suas ações e ela alcança seu intento.

Leiam antes as resenhas dos episódios anteriores:  S01E01S01E02S01E03, S01E04 e S01E05.

O desenrolar do anfitrião perdido comprova a teoria de que há espiões desviando dados do parque. O propósito? Nada é esclarecido, mas Bernard e Elsie sabem como rastrear quem está por trás dessa traição.

Texto: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.
Nesse ponto, o espectador mais atento provavelmente notou uma homenagem ao filme homônimo de 1973. Um androide parado no canto de uma parede usa as mesmas roupas e pose do androide da produção original, interpretado por Yul Brynner.


A história prossegue e mostra o conflito de Felix, um dos responsáveis pela manutenção e recuperação dos androides, com Maeve. Esse é um conflito de ideias, pois Felix não compreende as mudanças que ela apresenta. Como, questiona-se, é possível ela despertar sozinha e manter suas memórias? Apesar disso, Felix não resiste ao encanto de Maeve. Seja por medo ou por carência, ele decide levá-la aos principais locais de construção dos anfitriões. A cena é triste, tendo ao fundo o som de um violino, cheia de insensibilidade por parte dos que constroem e fazem a manutenção. O lugar é frio, indiferente às “vidas” que estão nele contidas. A interpretação de Thandie Newton é impecável. O choque ao se deparar com a mentira vivida, o horror em seus olhos quando compreende que sua história é uma farsa. Essas cenas são mais impactantes que a violência comum ao seriado, já que a dor da personagem está estampada em seus traços e olhos. É a constatação de que nada estava sobre seu controle. 

E por falar em controle, voltamos a nos deparar com o Homem de Preto e Ted. Eles estão juntos na caça por Wyatt, cada qual com seu motivo, e são surpreendidos quando entram disfarçados em um acampamento militar. Entretanto, a surpresa maior está no surgimento de uma faceta de Ted que ninguém imaginava. E dúvida surgem com essa nova personalidade. Será que Ted é Wyatt? As lembranças vem e voltam com rapidez, confundindo o espectador a todo instante. Tal como acontece com Dolores, Ted também tem lampejos de sua vida passada ou ao menos é o que o diretor quer nos incitar a acreditar.

Descobertas acontecem em um ritmo que choca. Bernard e Elsie encontram a fonte de transmissão de dados usada pelos espiões. Bernard também encontra um local que é reservado apenas para Ford, uma espécie de retiro onde o criador do parque passa alguns momentos perto de pessoas que lhe são caras. É nesse ponto que percebemos que Arnold não é o homem apontado na foto antiga com Ford. Logo, quem será o misterioso sócio de Ford, falecido há anos? E por que ele não apareceu na foto?

Theresa e Bernard se reencontram após encerrarem de forma abrupta o caso que tinham. O motivo está na desconfiança de Bernard sobre certas ações de Ford. Segredos surgem e mostram que as aparências enganam e, além disso, evidenciam que é difícil confiar quando interesses são postos acima do dever. Bernard é um homem de princípios e ele não aceita atitudes incompatíveis com a ética de seu trabalho. Já Theresa se mostra uma mulher decidida, forte e ciente de seus atos... certos e errados.

Novas entrelinhas são apresentadas ao público e confirmam a presença de Arnold até em anfitriões teoricamente sob o controle de Ford. Essa constatação deixa no ar uma questão: será Arnold um programa residente capaz de controlar os anfitriões e burlar os sistemas de segurança do parque? E se for, o que o impede de desvincular os androides de suas seguranças digitais e permitir que tomem o parque?

Retornamos à cena em que Elsie vasculha o ponto de envio de dados. Lá, ela descobre um fato assombroso, mas ela não é a única pessoa nesse lugar remoto.

Maeve está decidida a remover suas amarras. Com a ajuda de Felix e Sylvester, este não tão cooperativo, ela recebe um upgrade em sua programação comportamental e cognitiva. Uma nova Maeve surge para dar um ar ainda mais caótico à narrativa de Westworld.





sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Hellraiser: renascido do Inferno. Resenha da obra que completa 30 anos.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Lançado inicialmente em 1986, mas inédito até 2015 no Brasil, Hellraiser é um clássico do terror. Escrito por Clive Barker, o livro se tornou um filme homônimo e hoje é uma franquia ainda extremamente rentável. Prova disso é o primor com que a editora Darkside lançou o livro no Brasil. Todos os detalhes foram muito bem planejados e o resultado final está absolutamente impecável.

Antes de expor os dados técnicos e as características do livro, vamos a uma análise da obra literária...

Hellraiser é um livro audacioso. Pleno de uma linguagem agressiva e com cenas que podem chocar muitos leitores, ele tem uma trama aparentemente simples, mas que deu espaço para a ampliação do universo criado por Clive de uma forma que até o próprio autor não deve ter imaginado.
A trama tem, basicamente, quatro personagens principais. O que pode parecer fraco ao leitor mais acostumado com narrativas lotadas de personagens será, ao fim da leitura, uma grata surpresa, pois é possível compreender cada nuance deles conforme a história ganha vulto. Ao final, você verá que a condensação de personagens e ambientes na trama tem um propósito. 
Cabe ressaltar que os ditos "personagens" são os humanos presentes (Frank, Julia, Rory e Kirsty). Há ainda outros que não se enquadram na categoria, cujas origens e propósitos só serão explicados através das outras mídias envolvendo a franquia Hellraiser, incluindo filmes e quadrinhos, os quais o autor chamou de Cenobitas.
Os cenobitas são uma atração à parte, os responsáveis pela sombria passagem inicial e também os arquitetos de um pacto que causará várias mortes. Na verdade, as criaturas são seres parecidos com demônios, porém desprovidos de temor aos ditos símbolos sagrados. Eles só tem um ponto vulnerável: não podem aparecer em nossa realidade sem que sejam convocados, após o qual os limites das dores que podem provocar só terão como limite a própria imaginação. Mas pensam que o mal está apenas contido nessas criaturas? Hellraiser (Hellbound é o título original) expõe a maldade humana em sua essência. Retrata, sobretudo, a loucura da busca pelo prazer e as consequências dessa irrefreável procura.
Barker foi um escritor de grande vulto na literatura de terror, principalmente durante o final da década de 80 e os anos 90. Seu personagem mais famoso se tornou um ícone na cultura pop, o cenobita Pinhead. A própria 'configuração de lamentos', o cubo que abre portais para a dimensão dos cenobitas se tornou uma peça marcante nesse universo, reconhecível por qualquer um que tenha vista os filmes ou lido as revistas, livros e quadrinhos da franquia. 

A trama básica

Frank é um homem com um caráter questionável. Abusado, sádico e ruim por natureza, ele só se aproxima da família quando há uma necessidade financeira. Frank tem um irmão, Rory, que é casado com Julia. O casamento deles está em franca decadência e piora com a chegada de Frank. Julia não nutre amor por seu marido, mas tem ciúme da relação dele com a amiga Kirsty. Apesar disso, os amigos não são amantes, fato que não impede Julia e Frank de nutrirem uma atração mútua.
A situação piora quando - motivado pela busca do prazer extremo - Frank descobre a configuração de LeMarchand, o cubo que pode abrir as portas de uma dimensão onde o prazer não tem fim. Só havia um detalhe com o qual ele não contava: lá, o prazer é medido pela dor proporcionada (uma versão extrema do BDSM de hoje). Frank é destroçado pelos cenobitas e ganha o privilégio de ser torturado por toda a eternidade.
Com o sumiço de Frank, Julia e Rory pioram o relacionamento. Nenhum deles tem ciência de que o morto pode vê-los de um quarto isolado na casa. Essa presença, entretanto, ganha força quando Julia sofre um corte na mão e seu sangue cai no piso. A força vital dela dá forças para que Frank possa convencê-la a trazer novas fontes de energia, o que implica em um assassinato seguido de outro. 
As cenas estão extremamente bem descritas, fato já previsível quando o assunto é Clive Barker. O desfecho da trama segue - mais ou menos - o mesmo do que já vimos no filme da década de 80 (lançado em 1990 no Brasil). Porém um fato que fica evidente com a leitura dessa obra lançada pela Darkside é a necessidade de um remake à altura do livro. Com recursos tecnológicos fracos quando comparados à época atual, Hellraiser tem potencial para ser um filme ainda mais impactante e sombrio, principalmente se levarmos em conta as críticas sociais embutidas e a análise indireta da busca pelo prazer insano de algumas pessoas.
Esse é um livro 100% recomendado. Não só pelo conteúdo - aguardado por décadas pelos fãs - como também pelo acabamento à altura da obra e daquilo que era esperado pelo público de Clive Barker no Brasil. Parabéns à editora Darkside Books.

Dados técnicos:

Título : Hellraiser – Renascido do Inferno
Autor : Clive Barker
Tradutor : Alexandre Callari
Editora : DarkSide®
Edição : 1ª
Idioma : Português
Especificações : 160 páginas
Limited Edition (capa dura) & Classic Edition (brochura)
Dimensões : 14 x 21 cm
ISBN : 978-85-66636-69-7

Lançamento : Setembro de 2015

Comentários sobre o livro:

“Eu vi o futuro do terror, seu nome é Clive Barker.”
- STEPHEN KING, AO LER HELLRAISER QUANDO FOI PUBLICADO, EM 1986
“Barker é a melhor coisa que aconteceu à ficção de horror em muitas luas. [...] [Ele] nunca falha em entregar o que promete.”
- CHICAGO TRIBUNE
“O mais imaginativo entre os romancistas macabros e ela apenas continua a melhorar.”
- KANSAS CITY STAR
“Esperar algo deste mestre do macabro que se aproxima do ordinário é pedir por problemas.”
- PORTLAND SUNDAY OREGONIAN

“Barker tem um verdadeiro dom para as coisas verdadeiramente assustadoras.”
- LOS ANGELES TIMES







quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Westworld - quinto episódio.Saindo do cárcere digital.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leiam antes as resenhas dos episódios anteriores:  S01E01S01E02S01E03 e S01E04.

Um pouco mais da vida de Ford é revelado através de um inteligente diálogo com o velho cowboy que permanece isolado no porão, o local do descarte dos androides.
Reencontramos também Dolores, William e Logan. A menina frágil que busca por respostas está agora aliada ao cowboy bom e ao desprovido de caráter Logan. Eles resolveram ir a uma cidade chamada Pariah (pária) em busca de novas aventuras (Logan e William) e respostas (Dolores). Eles estão prestes a encontrar um bandido famoso chamado de El Lazo.
A cidade é uma espécie de nível mais elevado para os convidados, algo próximo de uma fase difícil em um jogo. Para Logan, tudo se resume a isso: um jogo. E essa é a visão da maioria dos convidados que pensam estar em um imenso parque onde seus instintos mais contidos poderão ter voz, liberdade.
O Homem de Preto continua sua jornada com Lawrence e Teddy, este último mortalmente ferido. A única solução encontrada para salvá-lo contará com a ajuda, inopinada, de Lawrence. Lawrence e o Homem de Preto têm uma estranha conversa sobre destino e os motivos que os levaram ao reencontro, fato que comprova o conhecimento mútuo de ambos.
A partir daí o espectador retornará à sede de Westworld. Bernard e Elsie ainda perseguem a história por trás do anfitrião que queria fugir. Elsie é mais esperta do que aparenta e começa a manipular funcionários da empresa para ter acesso às informações que deseja. Parece que todos, sem exceção, são vigiados, inclusive dentro da própria empresa. Antiético, sem dúvida, mas muito eficiente quando necessário. O anfitrião em fuga era, enfim, muito mais do que um simples problema técnico.
Por estarem em um nível mais complexo, Logan, Dolores e William descobrem que os problemas também são mais intrincados. Eles finalmente chegam a El Lazo e vocês, espectadores, terão um surpresa ao descobrir de quem se trata e a ironia por trás de seu nome. O trio dá um passo a mais em suas jornadas, o que mostra a gradual transformação por que passam.
O lugar onde eles estão é um enigma por si só. Uma cidade isolada de todas, cheia de proscritos e pessoas cujos passados só interessam a elas mesmas. Mulheres e homens que se entregam à sodomia sem qualquer problema, pois tudo é permitido. Comparativamente, há cenas que lembram a cidade romana retratada no filme de 1973, algo que pode ser uma simples homenagem ou a dica de que muito ainda se esconde nas áreas inexploradas de Westworld.
Logan e William se confrontam ideologicamente. Logan é um homem rico e faz questão de deixar clara a posição real de William, principalmente junto a sua irmã, a futura esposa deste. O clima é péssimo e desperta ainda mais o verdadeiro William. Dolores é perturbada por devaneios que indicam ser o labirinto o seu destino. Juntos, os dois abandonam a brincadeira (ou os papéis que a interpretação do parque obrigava-os) para viverem uma aventura. Não há mais limites para o casal que dá indícios de um amor latente.
Chegamos a um impressionante e revelador encontro. Nele, nós temos uma clara demonstração do poder de Ford dentro do parque. Ele é protegido por tudo e todos, a qualquer custo. Nesse encontro, descobrimos um pouco mais sobre quem é o Homem de Preto e sua busca. Ironia e sarcasmo em doses equilibradas dão a esse diálogo o peso de uma sentença de morte... ou a ameaça de algo próximo a isso.
Enfim, o papel do técnico que repara os androides no início do episódio (Felix) ganha amplitude. Sua participação não ficará limitada a de um simples figurante. Nem ele e nem o passarinho robótico. Tudo tem seu encaixe nessa intrincada peça que é Westworld. Tudo.

sábado, 19 de novembro de 2016

Wolverine - Velho Logan. Resenha da história que dá base ao filme.



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

O universo Marvel é divertido e muito bem estruturado. Mas nem só de diversão vive o fã de quadrinhos. É preciso ter um enredo mais sério, tenso e violento para mover, por vezes, os alicerces da Fábrica de Ideias. Velho Logan é, além de uma ótima história, um marco dentro do universo do Wolverine.
Estamos falando de um futuro alternativo onde tudo deu errado. Passaram-se 50 anos desde que Logan tomou atitudes extremas cujas sequelas são sentidas até essa época caótica apresentada por Mark Millar (roteirista de Guerra Civil, Kick Ass) e Steve McNiven (desenhos em Guerra Civil, Vingadores: A Queda). A violência é sempre seguida pela morte em uma narrativa adulta e crua. O selo Marvel Knights não está à toa nessa série de 2008 que revolucionou por mostrar os males da quase "imortalidade" de Logan.

O futuro é uma época de dor. Logan é um pai que luta para manter viva sua família. Um homem cuja ideologia é totalmente voltada para o pacifismo, contrariando tudo que ele viveu no passado. Nesse período sombrio, Bruce Banner é um dos homens mais impiedosos e cruéis. Sua mulher, filhos e netos governam com absoluto desrespeito às pessoas e suas vidas.
Logan se depara com a prole de Banner e tem seu fator de cura posto à prova. Logo após, diante de uma situação financeira falida e devendo dinheiro aos Banners, Logan é recrutado pelo Gavião Arqueiro (Clint Barton) - agora cego - para servir como segurança durante a travessia de todo o antigo território estadunidense (hoje dividido em quatro grandes áreas governadas por vilões).
Durante a travessia, somos postos diante de um inferno sem precedentes. Versões malignas do Motoqueiro Fantasma, o martelo de Thor virou uma relíquia religiosa... nada é como antes. A esperança de retorno dos heróis gera uma peregrinação parecida com a que vemos em Aparecida do Norte, Meca e outros pontos de culto e adoração. Os valores estão deturpados e a ordem não existe. Algumas partes do país parecem áreas bombardeadas, tal é a destruição presente. Mas a maior destruição está na perda de esperança pela maioria, pela remoção da ordem e a instauração de regimes ditatoriais que moldaram o caráter das gerações seguintes sem pilares morais e adaptados à presença do mal.
A trilha dos dois ex-heróis leva-os a caminhos árduos. Clint ainda tem um trabalho extra: resgatar sua filha no território do Rei do Crime. E muitas surpresas acontecem só nessa tentativa de resgate.
Alguns personagens obscuros de outrora ganharam papel mais importante nessa narrativa. Os Toupeiroides, por exemplo, se tornaram algo próximo a uma arma natural para evitar o superpovoamento da Terra. 
A humanidade decaiu a ponto de regressar ao estágio romano das Arenas. O pão e circo permanece, assim como o sangue derramado em tempos passados. A força é a lei. O excesso de força é a garantia de permanecer sendo a lei.
Millar e McNiven dão presentes inesquecíveis a nós, leitores. Perseguições que lembram o melhor em Mad Max, traições, cenas de morte que fazem Kill Bill parecer Peppa Pig. É tudo extremado, caótico e belo. Algo que há muito não víamos no universo Marvel, mesmo se tratando de Marvel Knights.


Mas é a luta para atravessar o país e o esforço para retornar ao lar que fazem dessa trama algo único. Logan sofre perdas durante essa viagem, aprende sobre poderes, descobre que o mais frágil adversário pode ser um inimigo fatal e, acima disso, tem a oportunidade de recuperar um pouco de sua honra. Clint Barton tem um caráter dúbio, porém o desfecho de sua participação na história é ótimo.
Logan se esforça a cada segundo para não voltar a ser o Wolverine. Ele sabe o que fez, paga a cada dia por seus atos. Ele sofre em silêncio e luta para que suas maiores preciosidades - a esposa e os filhos - tenham uma vida digna e pacífica.
Então, após toda essa sacrificante jornada, já de volta a sua casa, Logan se depara com o que mais temia. Diante do horror, o pacato fazendeiro cede lugar ao antigo assassino. Logan morre para que o Wolverine renasça. É hora de procurar os responsáveis por seu martírio. É hora de você, leitor, se preparar para um dos mais sangrentos combates da história, sem cortes ou censura, apenas sangue, ossos e morte.
O roteiro de Mark Millar fecha a trama de forma brilhante. Assim como começou sua carreira nas HQ, Wolverine fecha esse arco confrontando um dos mais temidos personagens do universo Marvel: o Hulk. 
Banner e Logan entram em um confronto cujo desfecho é incrível. Também é surpreendente as escolhas e mudanças que essa luta provoca em toda uma realidade. Logan cometeu crimes contra pessoas que amava. Ele também evitou crimes em nome das pessoas que amava. Agora, diante de um único caminho restante, fará o que for possível para honrar seu passado, amenizar a dor das perdas e evitar que novos reinados de horror sejam implementados na já árdua vida dos que sobreviveram ao apocalipse provocado pela união improvável dos vilões.
As lágrimas caem e só o tempo pode secá-las. Mas o que fica bem claro é que o sangue derramado pela vingança jamais seca. E ainda resta muito sangue a ser derramado. Essa é a sina do Wolverine.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Batman: o retorno da dupla dinâmica. Review da animação.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

É inegável que a série da década de 1960 que teve Adam West e Burt Ward respectivamente como o Batman e Robin foi um sucesso. Também não podemos negar que há inúmeros haters dessa obra, mas o que permanece é sua influência e importância na revitalização do personagem e sua mitologia. Nomes foram imortalizados e conceitos evoluíram para o que hoje temos como pedra fundamental da mitologia do persogem.
A Panini lançou há algum tempo uma série de edições (obviamente publicadas antes no exterior) com histórias em quadrinhos baseada nessa série do Batman. O sucesso foi tal que a Warner Bros e a DC Entertainment pegaram o gancho para criar a animação e comemorar os 50 anos de criação das série televisiva (exibida de 1966 a 1968 oficialmente, mas é possível vê-la até hoje em canais pagos, youtube, etc.).
Batman - O retorno da Dupla Dinâmica é uma homenagem que irá empolgar os fãs da antiga série. Todos os elementos clássicos estão nessa animação: a inocência típica da época, as armadilhas que mais parecem piada, as onomatopeias para as brigas, os capangas que só servem para apanhar, as lições moralistas embutidas no roteiro, diálogos dramáticos frente à câmera e o usual clima cômico da trama.
Claro que a presença na dublagem original de Adam West, Burt Ward e Julie Newmar dá um charme a mais à obra. Tê-los dando vida novamente a seus personagens é algo tão grandioso quanto a volta de Mark Hammill ao papel de Luke Skywalker, apenas para comparar. Porém a dublagem em português não fica para trás. Marcio Seixas foi convocado para ser o Batman novamente e ele se encaixou perfeitamente ao papel do Morcegão da década de 60 com sua voz grave e suas frases formais. Perfeito. Marcio substitui o dublador original, Gervásio Marques, falecido.
Parabéns também aos demais dubladores que deram voz e charme aos outros personagens. A Mulher-Gato está sedutora e é uma pena não termos a voz do saudoso Rodney Gomes. Fica nítida a dificuldade em termos as vozes originais em função dos 50 anos passados.
Alguns pontos da trama só estarão acessíveis para quem for realmente fã da série. A cena, por exemplo, onde o Batman sofre uma pancada e enxerga três mulheres-gato (cada uma representando uma atriz que interpretou o papel) só será compreendida por quem viu o seriado, buscou pelo Google ou está lendo essa resenha. 

Aliás, essa animação é primorosa nesse aspecto: captar o humor usado na série televisiva e reproduzi-lo de igual modo. Batman e Robin iniciam a história em busca do quarteto de vilões formado por Coringa, Pinguim, Mulher-Gato e Charada. A perseguição se estende, literalmente, até o espaço. Nesse ínterim, em uma das absurdas e engraçadas armadilhas, valendo-se dos discursos que os vilões antigos usavam, a Mulher-Gato tenta trazer o Batman para o lado do mal injetando nele um soro. Sem efeito, a dupla - como sempre - foge da armadilha e segue no encalço dos vilões. Mas nem tudo deu errado no plano de Selina. O soro age lentamente na personalidade de Bruce que vai se tornar de forma gradual e assustadora um megalomaníaco.  Vamos acrescentar a isso uma arma capaz de duplicar qualquer coisa, inclusive um Batman malvadão que deseja dominar Gotham.
Há partes que são puro pastelão... e daí? Esse é o espírito da série. 
A aparição de vilões clássicos, além dos quatro já citados, dá um tom de nostalgia ainda maior a essa animação. Tudo remete aos anos de 1960.
O fechamento da história é bem legal e mostra o confronto entre os principais vilões e a dupla de heróis (com uma ajuda extra). A entonação das vozes, a ambientação... tudo é muito divertido. Isso sem falar que a qualidade da animação (dos desenhos, profundidade, arte-final, colorização) dá de 10 a 0 na versão animada de Batman - A Piada Mortal (qualidade na animação, não no roteiro, óbvio).


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Demolidor e Wolverine: o confronto que você jamais imaginou ver. Resenha do clássico.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Nota: ao final do post, sketch com a nova versão de 2012 da capa dessa edição feita por Rick Leonardi. 

O que ocorreu após a impactante e trágica saga A Queda de Murdock, escrita e desenhada pelo mito Frank Miller? A resposta está na edição de Grandes Heróis Marvel - Demolidor e Wolverine. 
Mas qual é o ponto alto dessa edição da antiga Grandes Heróis Marvel? O conflito entre Wolverine e Demolidor? Mais detalhamento da luta moral que Matt Murdock vive ao ser um advogado e um vigilante? A presença de um assassino serial? A morte de várias crianças e jovens? Verdade seja dita, todos esses são pontos inesquecíveis dessa trama. 
E o que levou a essa trajetória cheia de dramas pessoais e violência sem controle em pleno final dos anos 80? Segundo a história, o acaso. O Demolidor está vivendo à noite como um vigilante incansável, combatendo o crime. Wolverine, por sua vez, está como um cão que busca sem cansar a presa. Mas há um terceiro elemento tão perigoso quanto os dois: o Guerrilheiro. O personagem foi criado para essa história e ganhou destaque pela crueldade em seus atos, inclusive para com as pessoas que ele mesmo ama. 
Na época era algo incomum usar uma linguagem tão crua para mostrar as mortes e a frieza por trás delas. Relembro que o ano era 1988 (dezembro, no Brasil) e valer-se de recursos gráficos mais adultos e um conteúdo pleno de ação, violência e morte eram fatos pouco vistos pelos leitores da Marvel, DC e outras editoras. Vamos acrescentar então que as vítimas eram, na maioria, crianças e adolescentes, pessoas com vidas quase comuns, mas que se destacavam por terem dons especiais. Eram, afinal, mutantes. E por serem mutantes foram condenados à morte pelas mãos do Guerrilheiro.
Entretanto, há mais nuances por trás da narrativa. O Guerrilheiro não é um assassino solitário e quem o acompanha sofre com a face destruidora dele. Wolverine não é um simples cão de caça, pois ele tem motivações pessoais por trás do ódio que sente pelo matador. O Demolidor tem todos os problemas que uma vida dupla pode trazer: pessoas o amam como advogado e odeiam seu alter-ego ou vice-versa. 
Uma abordagem interessante foi a descrição das habilidades dos mutantes vitimados pelo serial killer. Eles não eram seres com força extrema, velocidade ou poder de voo. Eram simplesmente gênios em suas artes: desenho, poesia, música, dança... pessoas que poderiam ser os superdotados que vimos em programas de TV ou ouvimos falar. Seus dons não eram capazes de defendê-los de um homem que mata por prazer, mas eram dons que trariam benefícios à humanidade nas artes.
Enfim chegamos ao já anunciado conflito entre Wolverine e Demolidor. O primeiro quer eliminar o predador. O segundo quer prender, talvez para tentar um tratamento que o tire desse caminho de sangue. Mas não há como evitar que essas duas vertentes de pensamento e ação se confrontem. Cada um tem sua razão e motivação e isso provoca o combate entre dois homens de bem. Logan quer eliminar o mal, Matt deseja corrigir e tentar dar uma segunda chance. O confronto é sangrento.
Ao fim dessa luta, o Guerrilheiro está extremamente queimado e Matt Murdock tem que se deparar com a esposa do assassino que desconhece a identidade secreta dele. Ela culpa o Demolidor pela sina de seu marido, jogando o ex-advogado em um limbo de culpa. Novamente a vida do Homem sem Medo se mostra muito difícil.

O que há de novo?

Essa HQ é curta e acabou se perdendo no tempo. Grandes sagas como Guerras Secretas, Guerra Civil e outras tomaram espaço e marcaram por englobar a quase totalidade dos heróis e vilões. Essa edição de GHM é especial por mostrar um lado diferente da perseguição aos mutantes. Não há um "mandante" para o serviço do Guerrilheiro. Ele mata seguindo uma lista. Suas vítimas são indefesas e só trariam benefícios à humanidade. Não são os clássicos mutantes dos quadrinhos com poderes e visual diferente, mas pessoas normais com dons que nós, atualmente, classificamos como superdotados. 
A perspectiva das mortes também choca. O Guerrilheiro é sádico, cruel e em um dos assassinatos ele arranja o corpo da vítima entrelaçado em uma grade, uma bailarina, para aparentar que está dançando. Cada uma das mortes vai liberando o lado ruim de Logan até que este chegue a ser um assassino tão frio quanto o próprio Guerrilheiro.
Em contrapartida, o Demolidor sofre por não poder mais advogar. Sua vida foi destruída pelo Rei do Crime, algo que ele já está adaptado, porém faz falta para as pessoas que estão próximas a ele. Há uma passagem muito boa na narrativa onde Matt "vê" um garoto mergulhar para pegar seu barquinho em um lago e ele tem seus olhos cegados por produtos químicos. Quando indagado pela polícia - ele não usa os óculos escuros - percebe-se que ele é cego e seu depoimento perde a credibilidade. Logo, resta apenas seu alter-ego para ajudar o menino e ajudar a si mesmo, já que o remorso ficou instalado em sua alma.
Enfim, se vocês não tiveram a oportunidade de ler esta pérola das HQ, usem os recursos que estão ao seu alcance para fazê-lo. Essa é uma obra com recomendação total do Apogeu.
GHM: Demolidor vs Wolverine tem roteiro de Ann Nocenti, desenhos de Rick Leonardi e arte final de Al Williamson.

 
























domingo, 6 de novembro de 2016

Westworld episódio 4: um ensaio sobre a maldade humana.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leiam antes as resenhas dos episódios anteriores:  S01E01S01E02 e S01E03

O quarto capítulo começa com questionamentos e revelações. Dolores recebe instruções que podem levá-la a dois caminhos: a liberdade ou o confronto com o Homem de Preto. Maeve descobre que não é a primeira vez em que ela se recorda dos homens da equipe de remoção e recuperação de androides de Westworld. Ambas estão sendo torturadas por suas memórias e pela persistência delas.
Maeve segue sua narrativa com a presença constante das imagens dos homens manipulando seu corpo morto. Dolores é lançada na narrativa de William, o cowboy com escrúpulos, cuja missão é acompanhar seu cunhado, Logan, e um pistoleiro na busca por um assassino. Nesse caminho, Dolores tem lampejos de memória que mostram um lugar que pode ser aquilo que o Homem de Preto procura: o centro do labirinto.


Mistérios começam a ser revelados de forma branda, comedida. Histórias começam a se cruzar de forma perigosa. O Homem de Preto encontra Armistice, a parceira de Hector, o matador interpretado por Rodrigo Santoro. Ele quer dela apenas uma coisa e paga por isso com um favor. Nessa passagem, fica claro para o espectador que a equipe de analistas de Westworld sabe o que se passa nas histórias dos convidados, assim como também fica evidente o poder que o Homem de Preto tem dentro do parque.
Entretanto, o que este episódio deixa bem claro é: ninguém tem mais poder que Ford. A forma fria e calculista com que ele trata Theresa Cullen. O Dr. Robert Ford tem um plano em mente, os recursos e, sobretudo, todo o universo de Westworld sob seu comando. Ele mostra aos poucos sua face.


Dolores, William, Logan e um bandido seguem caminhos distintos. Escolhas são feitas e preços serão cobrados. Já o Homem de Preto segue em sua busca, agora municiado pelas palavras de Armistice, ao lado de Lawrence.


Por fim, voltamos ao episódio da invasão da cidade pelos bandidos liderados por Hector Escaton. Sua programação o leva a tentar roubar novamente o cofre que fica na hospedagem de Maeve, mas ela não o deixará fazer isso sem um pagamento. Maeve teve um dia péssimo, infestado de visões e temores, e ela não irá acabar esse dia sem a resposta que quer. Para isso, Hector deverá ajudá-la. Para isso, vidas serão perdidas.

Preparem-se para o melhor fechamento de um episódio até o momento. E que venha o próximo, pois estaremos aguardando ansiosos.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Review de Westworld S01E03: quando o caos se anuncia.



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leiam antes as resenhas dos episódios anteriores:  S01E01 e S01E02

A trama desse terceiro episódio ganha uma bela referência à Alice no País das Maravilhas. Aliás, é esse livro que Dolores ganha como presente, algo que aguça as memórias dela, inclusive as que deveriam ter sido apagadas.
Reencontramos alguns personagens do segundo episódio cuja pertinência à história ganha realce. Dolores e a prostituta dona do Saloon Mariposa são apenas alguns exemplos.
Tal como Alice que vive suas aventuras e pensa estar sonhando, assim são os personagens robóticos que vivem para entreter, mas, em um recanto escondido de suas “almas”, querem acordar e ter suas vidas para si.

A cena abaixo é a que mais apareceu em todos os episódios até agora. Essa cena serve para evidenciar o papel real dos androides como meros atores em um gigantesco e grotesco teatro. As máquinas são meros objetos de diversão, não importa o quanto ‘sofram’ para manter a encenação.



“Em tempo: o termo ciborgue serve para designar um híbrido entre máquina e homem, seja por meio de aperfeiçoamentos ou alguém com peças que substituam membros. Já o androide é, especificamente, uma máquina com aparência humana. Logo, Westworld tem androides, não ciborgues.”

Há um ponto ainda obscuro na trama: o papel dos funcionários do parque nessa silenciosa revolução que está afetando as máquinas. Desde Ford até Bernard, parece que muita gente está direta e indiretamente envolvida nessa sutil mudança de comportamento dos androides.

Detalhes dos papéis de Teddy e Dolores são revelados. Um novo elemento do passado de Teddy é acrescentado por Ford; um elemento que irá trazer o caos à vida do cowboy. Um vilão que faz parte do passado dele e voltou para atormentá-lo. Alguém mais violento e cruel que o Homem de Preto. Seu nome: Wyatt.

Mas as surpresas não param por aí. Um fantasma do passado retorna para atormentar a equipe de Westworld. Pequenas falhas foram diagnosticadas, mas o problema maior está em haver “vozes” nas mentes dos androides. A voz é de alguém muito importante para o projeto, um homem ainda desconhecido do público, mas vital para a idealização do parque temático. Alguém distante há anos que teria conhecimento suficiente para implantar uma janela de programação, algo muito próximo a uma falha programada ou um acesso a um programador específico. Será?


Nesse intervalo, Teddy e uma visitante, acompanhados por homens da lei, partem para capturar Wyatt. Enquanto isso, outra perseguição acontece, já que uma equipe de técnicos do parque descobre um anfitrião em fuga.

Novos detalhes sobre a metodologia de trabalho dentro de Westworld, o parque, são revelados. Aparentemente os funcionários vivem em um regime de trabalho bem próximo ao que conhecemos em plataformas de petróleo ou em centros de pesquisa na Antártida ou outro lugar distante. As pessoas ficam em um regime fechado, por um período determinado, podendo se comunicar apenas por meio de um programa próprio com seus familiares. Logo, a dedicação para estar entre os responsáveis pelo projeto é muito maior do que imaginamos.

Para melhorar ainda mais o episódio, que começou cheio de tensão e ação, há uma pequena passagem onde são revelados mais detalhes sobre a estrutura dos androides. Sensacional.


Voltamos às caçadas: por Wyatt e seu bando e, ainda, pelo anfitrião desgarrado. Tudo que poderia dar errado acontece, fatos que por si só mostram a instabilidade dentro do parque. Não há nada que possa ser previsto à perfeição. Erros existem. Isso sem contarmos com um fator que está presente desde a primeira aparição do Homem de Preto: a liberdade que certos convidados compraram.


Então, meu amigos, finalizo com um aviso: mudanças estão ocorrendo em um ritmo acelerado. Mudanças para o bem e para o mal. Mudanças que não estão incluídas no organizado universo planejado que conhecemos por Westworld. Logo, a engrenagem pode quebrar a qualquer momento.

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