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terça-feira, 27 de março de 2012

Biografia de Bill Waterson, o criador de Calvin e Haroldo





William B. Watterson II, ou simplesmente Bill Watterson, como viria a ser conhecido mundialmente no futuro, nasceu no dia 5 de julho de 1958 em Washington D.C., filho de James G. Watterson, um examinador de patentes e de Kathryn Watterson, que após a mudança da família para Chagrin Falls, Ohio, quando Bill tinha seis anos de idade, viria a se tornar membro do conselho municipal. Bill ainda veio a ter um irmão mais novo, Thomas, que atualmente trabalha como professor de Inglês.

Em 1980, ele graduou-se como Bacharel em Artes com ênfase em Ciências Políticas pelo Ohio’s Kenyon College em Grambier. Porém, durante os anos de faculdade, Bill Watterson já mostrava seu potência trabalhando como cartunista do jornal da faculdade, o The Kenyon Collegian e ilustrador do livro do ano. Além desses trabalho, durante esse período, ele foi responsável pela ilustração de capa do livro “Best Political Cartoons of 1978” (As Melhores Charges Políticas de 1978) publicado pela editora Puck Press. Abaixo pode-se visualizar alguns dos trabalhos realizados por ele nesse período. 



Logo após sair da faculdade ele foi convidado a passar por um período de experiência de seis meses no jornal Cincinnati Post, trabalhando com charges políticas. Porém, sua carreira no Cincinnati Post não durou muito e o próprio Watterson explicou os motivos num comentário em 1987.
“O acordo era que eles poderiam me demitir, ou eu poderia pedir demissão sem questionamentos caso não desse certo nos primeiros meses. E claro, não deu certo e ele me demitiram sem questionamentos.
Meu palpite era que o editor queria seu próprio Jeff MacNelly (vencedor de 3 Pulitzer) e eu não satisfiz suas expectativas. Eu estava na cidade havia duas semanas, e o editor já insistia que boa parte do meu trabalho envolvesse eventos locais, ao invés de nacionais. Cincinnati tinha um estranho governo com três poderes, e antes que eu me desse conta eu estava na fila dos desempregados. Eu não me dei bem desde o começo. A cidade também estava começando a perceber que tinha um talentoso cartunista em Jim Borgman, que desenhava para o concorrente, e a comparação me era desfavorável.” - Bill Watterson
Além do trabalho no Cincinnati Post, Watterson trabalhou para o jornal semanal Target, um jornal voltado para charges políticas e seus artistas, criado por Richard Samuel West. Nele Bill desenhou e escreveu algumas edições até seu encerramento no nº 24. Por alguns anos ele também trabalho no Sun Newspaper uma cadeia de jornal da região até que resolveu mudar seu foco para as histórias do Calvin. Logo abaixo pode-se ver alguns trabalhos feitos por Bill Watterson para o Cincinnati Post e o Sun Newspaper
 Agora podemos observar alguma das capas do Target em que Bill Watterson trabalhou:
 Em 1985, no dia 18 de novembro foi publicado pela primeira vez a tirinha Calvin & Haroldo. Tirinha esta que viria a dar fama a Bill Watson e lhe renderia 2 Reuban Awards, sendo que o primeiro em 1986 lhe renderia ainda o título de cartunista mais jovem a ganhar este prêmio.

Durante boa parte da sua carreira Watterson tentou mudar o clima das tiras de jornais. Ele acreditava que o valor artístico dos quadrinhos estava sendo prejudicado e que o espaço que eles ocupavam nos jornais estava diminuindo continuamente, sujeito a caprichos arbitrários de editores pouco arrojados.

Outro feito de Watterson foi a sua oposição à estrutura que os editores impunham em tiras dominicais. Nela a tira padrão começa com um retângulo grande e comprido com o logotipo da tira ou um quadrinho que pode ser eliminado da área principal, para que jornais com problemas de espaço pudessem tirar a parte de cima se assim o desejassem; o restante da tira é apresentado como uma série de retângulos de diferentes larguras. Na opinião de Watterson, esse formato limitava as opções do cartnista. Depois de um ano sabático em 1991, ele ganhou uma exceção a essas restrições para Calvin e Haroldo, o que o permitiu desenhar as tiras de domingo como ele queria. Um exemplo dessa possibilidade de mudança pode ser vista com clareza nas tirinhas abaixo. A primeira apresenta o modelo anteriormente imposto pelos editores, já a segunda mostra a liberdade criativa que o autor poderia desenvolver.
Porém, talvez a luta mais marcantes realizada por Bill Watterson tenha sido a relacionada aos direitos comerciais das suas personagens. Watterson lutou contra a pressão de editores para comercializar seu trabalho, algo que ele achava que iria "diminuir" sua tira. Ele recusava-se a comercializar suas criações, dizendo que colar imagens de Calvin e Hobbes em canecas, adesivos e camisetas à venda desvalorizaria os personagens e suas personalidades. Ele também recusou-se a permitir que fosse feita uma versão em desenho animado da tira, como por exemplo a feita a partir da tira Garfield de Jim Davis, a quem Bill costumava criticar por essa decisão.

Com influências que incluem Charles Schulz, por seu trabalho em Snoopy, Walt Kelly, por sua tira Pogo, e George Herriman, por Krazy Kat, Calvin & Haroldo durou 10 anos, de 1985 a 1995. No final de 95 Watterson enviou um comunicado ao seu editor informando da sua decisão em parar a tira, o que de fato ocorreu no dia 31 de dezembro daquele ano, encerrando assim em definitivo as tiras diárias dessas incríveis personagens.

Abaixo pode ser lida uma réplica da carta enviada ao editor anunciando o encerramento da tira.


"Caro Editor,

Eu vou parar com Calvin e Haroldo no final do ano. Esta não foi uma decisão fácil ou tomada às pressas, e saio com tristeza. De qualquer modo, meus interesses mudararam e acredito ter feito o possível de acordo com as obrigações de fechamentos diários e quadros pequenos. Estou ansioso para trabalhar num ritmo mais atencioso, com menos compromissos artísticos.
Ainda não decidi sobre futuros projetos, mas meu relacionamento com a Universal Press Syndicate continuará.
É uma honra que tantos jornais publiquem Calvin e Haroldo e me orgulho disso. Agradeço seu apoio e indulgência durante a década passada. Desenhar a tira foi um privilégio e um prazer e agradeço a você por ter me dado esta oportunidade.

Sinceramente,
Watterson"

Desde que se aposentou, Watterson tem se dadicado à pintura, geralmente desenhando paisagens de florestas com seu pai. Ele tem se mantido longe das vistas do público e não deu nenhuma indicação de que pode vir a dar continuidade à tira, criar novos trabalhos baseados nos personagens ou mesmo dar início a novos projetos. Ele recusa-se a dar autógrafos ou a licenciar seus personagens, mantendo-se fiel aos princípios que sempre pregou. Ele costumava autografar sorrateiramente cópias de seus livros na Fireside Bookshop, uma livraria familiar em Chagrin Falls, de onde se mudou em 2005 com sua esposa Melissa para Cleveland, mas, ao descobrir que algumas pessoas estavam vendendo os livros autografados por altos preços em leilões on-line, ele parou de fazê-lo. Por questões de privacidade, ele raramente dá entrevistas ou faz aparições públicas.

Abaixo podem ser lidos alguns dos raros depoimentos dados por Bill Watterson, um gênio que sempre lutou por seus personagens contra as armadilhas do capitalismo.

"Eu não penso nos quadrinhos como apenas entretenimento. É um privilegio raro ser capaz de falar para milhões de pessoas num dado dia, então , fico ansioso por dizer algo significativo quando posso. Sempre há pressão para escrever alguma piadinha rápida que vai me ganhar mais 24 horas de folga com os prazos, mas nada me deprime tanto quanto pensar que eu me tornei uma fabrica de piadas para encher espaço de jornal. Sempre que possível, eu uso a tira para falar das coisas que são importantes para mim."

"Eu acho que os melhores quadrinhos (como os melhores romances, pinturas e etc.) são trabalhos pessoais e idiossincráticos, que refletem uma sensibilidade única e honesta. Para atrair e manter uma audiência, a arte deve entreter, mas o significado de qualquer arte repousa em sua habilidade de exprimir verdades - para revelar e nos ajudar a entender nosso mundo. As tiras de quadrinho, à sua própria maneira humilde, são capazes de fazer isso."

"Os melhores quadrinhos expõem a natureza humana e nos ajudam a rir da nossa própria estupidez e hipocrisia. Eles se permitem exagero e absurdos, ajudando-nos a ver com outros olhos o mundo e recordando-nos de como é importante brincar e ser ridículo. Quadrinhos retratam os eventos comuns e mundanos da nossa vida e nos ajudam a lembrar da importância de pequenos momentos. Astutamente, eles resumem os nossos pensamentos e expressões não exprimidos. Às vezes, eles mostram o mundo da perspectiva de crianças e animais, encorajando-nos a ser inocentes por um momento. Os melhores quadrinhos, isso quer dizer, são espelhos de casa maluca, que distorcem aparências apenas para nos ajudar a reconhecer e rir das nossas características essenciais."

"A surpresa é a essência do humor e nada é mais surpreendente do que a verdade. Quando os quadrinhos cavam além das piadas loquazes, sentimentalismo barato e historias arrumadelas para experiência mais profundas e verdadeiras, eles podem realmente tocar as pessoas e ligar a nós todos. Por mais frustrado que eu esteja com a maneira que este negócio funciona, eu continuo a acreditar que os quadrinhos são um a forma de arte capaz de qualquer nível de beleza, inteligente e sofisticação."

"Eu escrevi mais de 3000 tiras de Calvin e Haroldo até agora, e na extensão que a tira reflete os meus interesses, valores e pensamentos, meus quadrinhos são uma espécie de auto-retrato. Quanto mais eu trabalhei, mais eu usei a tira para explorar questões pessoais. Quando eu apareço com uma idéia que me surpreende, fico feliz em oferecê-la a qualquer um que compartilhe com meus interesses. Fico lisonjeado quando respondem ao meu trabalho, mas não me sinto devedor de explicações às exigência publicas. Tentar agradar as pessoas encoraja o cálculo e a tira é valiosa para mim, apenas enquanto for honesta e sincera."

"Não é difícil escrever piadas - bons personagens sempre terão algo divertido a dizer a respeito da sua situação - mas é muito difícil manter o mundo da tira energizado e expansivo ano após ano. No começo de uma tira, praticamente todo capítulo explora novo território, mas é assustadora a rapidez com que as histórias e situações se tornem previsíveis. A inovação engraçada de hoje é a fórmula rançosa de amanhã.

"Minhas primeiras tiras parecem grosseiras e forçadas para mim agora, mas os personagens ainda estavam se apresentando a mim. Os primeiros 2 anos foram esforços exploratórios pra criar um mundo interessante e personagens redondos. Eu comecei a escrever historias mais longas, quando vi como acrescentavam dimensão às personalidades e relacionamento entre os personagens. Ultimamente, eu tive problemas em escrever narrativas extensas que me satisfaçam e tenho feito menos delas. Em vez disso meu entusiasmo se afastou para as possibilidades visuais da tira maior de domingo. Ao longo dos anos, Calvin e Haroldo mudou de direção, mas eu não controlo para onde ela vai. Quando tudo esta funcionando, eu fico mais surpreso pelo destino da tira do que qualquer um."

"O truque em escrever uma tira de quadrinhos é cultivar uma atitude brincalhona mental - uma curiosidade natural e interesse por aprender. Se eu mantiver meus olhos abertos e seguir os meus interesses, cedo ou tarde o esforço rendera questões, pensamentos e idéias - caminhos inesperados para novo território. Como Calvin, eu apenas saio no jardim em busca de esquisitice e com a atitude certa, eu faço descobertas."

"Colocar-me na cabeça de um garoto fictício, de seis anos e um tigre, me encoraja a ser mais alerta e inquiridor do que eu seria normalmente. Às vezes, eu me ressinto da pressão para explorar cada momento que passo acordado para idéias de tiras, mas no seus melhores momentos, a tira me faz examinar eventos e viver mais pensativamente. Eu adoro a solidão deste trabalho e a oportunidade de trabalhar com idéias que me interessam. Esta é a maior recompensa dos quadrinhos para mim."

"Eu sempre adorei quadrinhos. Com Calvin e Haroldo, eu tentei devolver um pouco da diversão, magia e beleza que desfrutei em outros quadrinhos. Foi imensamente satisfatório desenhar Calvin e Haroldo e eu sempre serei grato em ter tido a oportunidade de trabalhar nesta maravilhosa forma de arte." - Bill Watterson

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2 comentários:

  1. Mais alguém olhou para a foto do Bill Waterson e notou uma semelhança entre o físico dele e o corpo do Haroldo? kkkkkkkk Calvin e Haroldo é muito engraçado!

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  2. O pior é que a semelhança existe mesmo rsrsrsrs.

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