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quinta-feira, 22 de março de 2012

No meu tempo...




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A nostalgia é uma sensação ingrata. Ela traz lembranças de tempos antigos, de momentos vividos que, certamente, não voltarão, pois o passado só pode ser revisto, mas nunca revivido. Então, quais os motivos que nos levam, homens e mulheres, a pensar tanto nele. Sim, amigos, tendemos muito a olhar para trás, comparando o agora com o ontem. É justo isso conosco?
Este texto não é uma resposta definitiva à pergunta, pois cada um é responsável por suas próprias decisões e, infelizmente, sempre haverá alguém preso ao que se foi; isolado em sua própria Fortaleza da Solidão. Entretanto, ainda que não responda ao questionamento, pelo menos tentarei amenizar os efeitos devastadores desta saudade.
Lembro com clareza do tempo em que jogava video-game no fliperama. Máquinas gigantes que eram acionadas por fichas metálicas, cuja principal função era "sugar" até o último centavo de estudantes, moleques de rua, tios que curtiam as novidades e mais algumas criaturas tão estranhas quanto. Bons tempos, não? NÃO. Os tempos eram outros, apenas isso. Não tínhamos máquinas portáteis para jogar à vontade, esperávamos meses por um lançamento chegar ao Brasil e, para piorar, as filas nos arcades eram enormes. Ou você era o cara no jogo - e ficava tirando todo desafiante que chegava - ou, meu caso, aturava a raiva de ter que ver oponente após oponente definhar diante do boss que brincava por horas às custas de uma única ficha. E antes que eu esqueça, os gráficos eram horríveis, o que não diminuía nossa vontade de brincar. Acrescente a tudo o que citei uma dificuldade enorme para finalizar (zerar) um jogo, muitos hematomas na mão por conta das porradas no gabinete ou nos controles, o que não implica em dizer que desistíamos por culpa do nível difícil. 
É difícil lembrar sem sentir uma leve pontada de saudade das brincadeiras na rua, dos gibis antigos, da cola que grudava na mão quando tentávamos completar um álbum de figurinhas (autocolante só em ficção científica rsrsrs). Sinto saudades do Círculo do Livro, da inocência dos programas infantis - mesmo com apresentadoras de maiô - das músicas daquela época, da minha face sem sulcos e da ausência de óculos. Bons tempos...
Claro, nem tudo são flores. Inflação, conjuntos musicais horríveis, ditadura, ônibus sem qualquer conforto - mas para que tanto conforto em uma cidade com trânsito muito menor que o de hoje? - garotas com vestidos extremistas, horário para dormir, violência em níveis comparáveis aos conflitos entre israelenses e palestinos e o mais sinistro: uma falta de grana crônica (que continua até hoje). Enfim, os bons tempos não eram tão bons, porém era o que eu tinha.
Então, por que não comparar com a situação atual? Como valorizar uma geração que se comunica com 140 caracteres, cultua personagens violentos e lê pouco? Quais os valores da nova geração, os filhos da comunicação ininterrupta, as crianças conectadas a uma realidade virtual e desligadas das verdades que o mundo apresenta? Esses são os questionamentos que as pessoas do meu tempo fazem a todo instante. Pais, tios, mães que, silenciosamente, duvidam da aptidão de uma geração que cultua a tela e teme o contato real.
Bem, para esse pessoal eu posso dizer com certeza que, o tempo de hoje será o passado dessa galera. Futuramente, eles também terão suas dúvidas, ficarão preocupados com seus filhos, questionarão as atitudes dos mais jovens. Este é o ciclo da vida, quase imutável.
Esqueçam, como eu esqueci, a história do "no meu tempo" (usei esse recurso nos parágrafos acima apenas para dar um maior sentido ao texto). O nosso tempo é agora, quando podemos ajudar, aprender e viver com quem amamos. A evolução não é uma doença. Evoluir é descobrir todo dia as maravilhas oferecidas pela vida.
Quando ouvir alguém se lamentando do presente, lembre-o que o nome é justamente uma alusão ao que ele representa: um "presente" dado a nós. Quantos já se foram e perderam as evoluções, os filmes, as brisas, chuvas e um simples nascer do sol? Muitos deixaram de viver o hoje para pensar no ontem e, infelizmente, no ontem permaneceram até a morte.
É algo indispensável ter uma memória, lembrar o que passou e respeitar o que se viveu. Porém também é indispensável saber que novas memórias e lembranças devem ser criadas diariamente e, para isso, é preciso viver intensamente cada segundo de um tempo que desconhecemos a extensão. Olhe sempre para frente, pois o caminho trilhado já não é um empecilho e sim uma dica do que poderemos encontrar mais adiante. Faça deste segundo o “seu tempo” e viva-o como se ele fosse o último...
Seja feliz.

Texto: Franz Lima

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