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Resenha do livro "Pulmão de Aço" de Eliana Zagui - com vídeo


Já leram algo com conteúdo real? Não estou me referindo aos livros de História, biografias ou algo similar. O que eu chamo de real é aquilo capaz de fazê-lo pensar, meditar, sofrer, embrulhar o estômago... capaz de lembrá-lo de que sua realidade, por pior que seja, é um conto de fadas. Eu li "Pulmão de Aço" e fui acometido por todas essas sensações, lembrei que o meu dito "ruim" é o sonho de muitos.
Quando findei a leitura, iniciei a reflexão. Ou melhor, toda a leitura me levou a refletir. Não que a autora quisesse provocar o mal-estar, mas o choque é inevitável e, honestamente, necessário.
Eliana não é um nome fictício. Ela existe, mesmo contra todas as estatísticas contrárias. Sua história foi, até certo ponto, igual ao de muitas outras pessoas que sofreram o que ela foi condenada a passar. A diferença? Ela sobreviveu.
Eliana contraiu poliomielite em uma época onde o desconhecimento e a má informação geraram incontáveis casos da doença. Ela não recebeu a vacina por estar com a garganta inflamada e, infelizmente, a polio a tomou.
Seu corpo, mesmo após o socorro, sofreu sequelas irreversíveis. Contudo, o tempo provaria que a prisão, composta por uma cama e aparelhos de sobrevivência, seria um dos fatores que a feririam. Com os anos, o corpo da criança cresceu, não de forma igual ao de uma criança saudável, mas quase. 
A mente da menina se tornou a de uma mulher. O amor viria, o medo também. A vontade de receber retribuição pelos sentimentos que tinha só aumentariam, mesmo que eles jamais saíssem do campo unilateral. Eliana passou por situações indizíveis. Foi abandonada aos poucos pelos pais, pela família. Perdeu amigos. Ganhou amigos. Aprendeu a escrever e aprendeu a chorar menos. Ganhou pés e mãos atrofiados e, paralelamente, recebeu uma mente afiada, olhos observadores e uma vontade enorme em manter-se viva. 
Eliana aos três anos e atualmente - quase 40 anos no Hospital.

Não vou transcrever todas as situações existentes no livro. Quero que cada novo leitor receba a mesma pancada que me atingiu. Não pensem que é uma batida seca, única, pois isso é algo que, com o tempo, esquecemos. O impacto é gradual - uma parcela mínima do sofrimento da autora - e cada vez mais intenso. É uma obra triste (pela realidade), porém de uma felicidade incomparável, principalmente pela lição nele contida. 
Leia e guarde cada palavra em seu coração. Use-as para que o esforço de Eliana não tenha sido em vão. Ela sobreviveu para contar através deste livro. Nós vivemos o suficiente para lê-lo. Tenho plena certeza de que, antes de qualquer reclamação, você irá ao menos pensar um pouco mais. Tenho plena certeza de que sua definição de solidão será radicalmente modificada.


O que disse a imprensa sobre o livro e a lição de Eliana:
Belaletra - Imprensa.

Comentários

  1. Esse meu browser deve ser de lua, só pode ser. Juro que outro dia tentei comentar aqui e o java me deixou na mão. A sorte é que nunca me conformo e sou insistente...

    Vou até ser repetitivo, pois me fez lembrar novamente daquela frase do Franz Kafka: "Um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós." Essa é uma excelente indicação, a resenha consegue transmitir boa parte do drama, além da noção de que nossas dificuldades parecem diminutas perto de situações assim.

    Esse livro me fez lembrar de um outro, que conheço e também gostaria de ler: "A Menina da Coluna Torta" de @juliabarroso.

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  2. Eduardo, obrigado pelo comentário e pela dica de leitura. Nâo conhecia o livro que sugeriu, mas vou buscar tê-lo...
    Não quis me aprofundar na resenha para não tornar a leitura menos impactante. É preciso compreender que a vida não tem esse nome à toa. Viver é um dom, mesmo em condições tão adversas e, através do relato da Eliana, ganhamos mais coragem para enfrentar as agruras do nosso mundo particular.
    Grande abraço.

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