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Ancine acusou a projeção de Jogos Vorazes: a Esperança, de predatória.

 
Essa foi uma das mais estúpidas notícias que li nesse mês. 
Uma matéria publicada pela Folha de São Paulo indicava que a Ancine estava insatisfeita com a ocupação do blockbuster "Jogos Vorazes: a Esperança - Parte 1" nas salas de cinema nacionais. 
Obviamente que já nos deparamos com situações similares, incluindo filmes nacionais como Tropa de Elite, apenas para citar. 
Mas não é a declaração em si que me surpreendeu negativamente. O que achei estranho é uma empresa do porte da Ancine mostrar repúdio ao previsível, ao inevitável em uma sociedade puramente capitalista. 
Partamos do princípio de que um filme influente (em muitos sentidos) como a franquia 'Hunger Games' teria um espaço maior que os filmes autorais ou de menor expressão. Isso é óbvio demais, até para quem não entende absolutamente nada de cinema. O produto que mais vende é o que terá maior exposição. Isso é negociar no sentido mais amplo e verdadeiro. Demérito para o cinema nacional ou para os filmes autorais? Não, apenas estamos falando de negócios. 
Os executivos da Ancine deveriam usar de estratégias similares às dos estadunidenses que, em situações iguais, chegam a adiar lançamentos cinematográficos para evitar o confronto direto. Negócios são negócios, por mais simplória que esta frase possa aparentar.
Mesmo com uma tolerância aos fenômenos de bilheteria como Jogos Vorazes, o presidente da Ancine insistiu na invasão predatória de filmes como esse, porém não considerou que mesmo os blockbusters não permanecem em sala por longos períodos como ocorreu, por exemplo, com o primeiro filme da série 'A Hora do Espanto', cuja longevidade surpreendeu a todos.
Enfim, uma ótima oportunidade para não se pronunciar foi desperdiçada pela Ancine.

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