{lang: 'en-US'}

Mostrando postagens com marcador Laurence Fishburne. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Laurence Fishburne. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Hannibal, a série: degustando a sutil arte de matar.


Arte por Darya Kuznetsova
Por: Franz Lima
 
Recordo com muita clareza da primeira vez em que assisti o filme 'O silêncio dos inocentes'. Tenso, dramático e... envolvente. É inegável o apelo de uma trama onde o herói é um assassino canibal, frio e inteligente. Era um período onde aquilo surpreendeu positivamente. Hannibal Lecter, interpretado por Anthony Hopkins, ajudou a agente Clarice a capturar um predador igual a ele, mas estava faltando algo. O que motivou Hannibal a abandonar a civilidade e a moral? Quem ele foi antes de se transformar em um matador irrefreável?
Os anos se passaram e outros filmes surgiram, todos baseados na obra de Thomas Harris. Apesar de algumas partes serem elucidadas, a sensação era de que faltava algo. E é aí que entra a série televisiva 'Hannibal'.

Sobre a morte e o morrer.

Elizabeth Kübler-Ross escreveu um livro com o título 'Sobre a morte e o morrer'. Como admirador do tema, logicamente que li a obra. Foi interessante conhecer um pouco mais sobre o rito de passagem para a morte. Há tristeza e uma infinidade de sentimentos que envolvem os que estão próximos do fim, porém, apesar de tudo, o livro mostra um lado quase poético do fim da vida. 
Hannibal - a série - é o inverso disso. As mortes não são fruto de um leito onde um paciente terminal aguarda por seu fim. A morte, nesse caso, vem através das mãos de assassinos cruéis, movidos pelos motivos mais torpes possíveis. Contudo uma coisa fica bem clara: eles acreditam piamente estar fazendo o correto. Não há remorso ou sentimentos. Só resta a colheita de uma plantação regada a sangue. 


O Hannibal Lecter dos filmes mostrou essa ausência de compaixão. Ele matou e devorou vítimas. Ele ganhou vida pela interpretação marcante de Anthony Hopkins. Mas o tempo passa e, infelizmente, o ator não mais voltou a viver Lecter.
Por anos eu acreditei que a franquia estava tão morta quanto as vítimas do psiquiatra, já desgastada pelo suco gástrico. Felizmente, como hoje comprovamos, eu errei.
Bryan Fuller reuniu um elenco competente e uma equipe de produção absolutamente dedicada em comprovar que o canibal não havia interrompido seu caminho, como muitos fãs temiam. Com muita competência e um destemor diante do macabro, a nova série surgiu para mostrar-nos o passado de Lecter e seu principal antagonista, Will Graham.


O reflexo.

Hannibal é um assassino e isso não é privado do público. Desde o começo a verdadeira face dele é exposta, o que poderia resultar em uma trama rasa ou abordada de forma equivocada, mas isso não acontece em momento algum. As expectativas de uma narrativa forte, compatível com aquilo que Thomas Harris descreveu em seus romances foram gentilmente atendidas. 
Por se tratar intrínsecamente do início turbulento do relacionamento de Graham e Lecter, a trama precisaria de algo mais que mortes violentas para se sustentar. Sem a inteligência de um enredo bem amarrado e de artistas capazes de mergulhar no sangue, a série estaria condenada ao fracasso. Claro, isso não aconteceu e é por isso que ofereço-lhes este jantar em comemoração à segunda temporada. 
Volto à dupla que é responsável pelo entrelaçamento das tramas: Will e Hannibal. Will Graham (Hugh Dancy) é um professor do FBI dotado da capacidade de entrar na mente dos assassinos. Ele não só reconstrói a cena de um crime, ele passa a ser o assassino por alguns minutos. 
Esse talento não passou em branco. Jack Crawford (Laurence Fishburne) é o encarregado do Departamento de Ciências Comportamentais do FBI e recruta Will para que trace os perfis de matadores. É aí que Will demonstra conhecer tanto de serial killers quanto eles mesmos. É aí que seus talentos chamam a atenção de Lecter. Uma amizade tem início...

Arte por Granpappy-Winchester

Caçadores.

Os dois principais protagonistas são idênticos em um ponto extremo. Eles são caçadores. Os roteiristas obviamente pegaram essa visão para criar o vínculo entre ambos, uma vez que os iguais tendem a mostrar respeito mútuo.
A admiração de Lecter por Will é mostrada desde o início da série. A inteligência de Will trouxe à tona um sentimento que Hannibal não nutria há muito tempo: a admiração por alguém. Deste modo, os dois vão estreitanto uma amizade baseada na confiança. Esses laços ficam ainda mais fortes quando o psiquiatra passa a 'aconselhar' Will informalmente. Também esse é um meio sutil de obter maiores informações sobre a mente por trás do caçador de serial killers. Claro que o canibal irá tirar algum proveito de seu conhecimento sobre o maior especialista em assassinos do FBI.
Esta aberta a temporada de caça.


Tramas paralelas.

O que traz mais empolgação à série são as tramas paralelas. Ficou interessante a abordagem de partes da vida pessoal de alguns personagens, incluindo Jack Crawford, Alana Bloom, Bella, Will, Bedelia du Maurier e o próprio Hannibal.
O entrelaçamento dessas tramas dá um dinamismo muito bom e reforça a narrativa, além de evitar que a série caia no erro de só manter-se com foco nos assassinatos.
Alguns pontos sobre as motivações dos serial killers também são bem abordados, fato que aumenta a credibilidade dos acontecimentos. É visível a pesquisa sobre o comportamento desta aberrações sociais.


A morte como companheira.

Em 'Hannibal' eu pude ver as mais elaboradas mortes que a mídia televisiva já produziu. Não só o personagem principal demonstra usar arte para matar, mas outros matadores surgem, plenos de maldade e uma criatividade como há muito não via.
Entretanto, novamente a produção da série surpreende ao não abusar da exposição da degradação humana pelo simples apelo que isso tem. Há uma complexa teia tecida entre as mortes e as motivações. Os flashbacks são magníficos, elucidando para o espectador o quanto o mal pode ser gratuito em algumas situações, porém intrincado e complexo em outras.
No meio desse tsunami de sangue está Will Graham. O colaborador do FBI é, indubitavelmente, o mais afetado por todas essas mortes, principalmente quando consideramos que ele é forçado a reviver cada uma dessas atrocidades. Poucos permaneceriam são diante de tal carga emocional. Será que ele conseguirá manter sua sanidade?

Duelo de mentes

Guardadas as devidas proporções, Will e Lecter são quase gêmeos. Há uma genialidade latente em cada um deles. São como peças de xadrez idênticas, exceto pelas cores. Lecter representa, obviamente, a escuridão contida nas peças negras e, em contrapartida, Graham luta em prol das peças brancas, mas é bom evidenciar que em um guerra a cor de seu uniforme é o que menos importa, já que o sangue sempre terá a mesma cor.

Atuações sólidas.

Este é outro ponto favorável à série. Todo o elenco, mesmo os mais inexperientes, demonstra grande respeito pelo público através de atuações fortes, convincentes. A escolha destes atores e o roteiro que os guia parecem ser uma combinação perfeita.
É impossível não gostar de algo tão belo, conciso e terrível.
Com base em tudo o que foi exposto, espero que tenham se animado para conhecer e aproveitar cada pedaço dessa magnífica e chocante série, a melhor homenagem feita até o presente momento à obra de Thomas Harris, excetuando-se, claro, O Silêncio dos Inocentes.





quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Resenha do filme "Contágio" - O temor do invisível.


Autor: Franz Lima

Steven Soderbergh dirigiu “Sexo, Mentiras e Videotape”, "Onze Homens e um Segredo”, “Che”, "Traffic” e outros. Mas "Contágio" era um filme do qual pouco esperava. Afinal, o tema "humanidade corre risco de extinção por vírus/bactéria" não é algo inédito, por assim dizer.
Contágio é um trabalho tenso, denso, cheio de nervosismo. há um esforço em mostrar uma realidade incômoda, onde não adianta torcer pelo personagem "A" ou "B". Soderbergh exibe algumas das facetas mais sombrias da humanidade, o lado podre dos civilizados, onde a máxima: cada um por si chega a provocar raiva no espectador.
O diferencial de Contágio para os outros filmes do gênero está na exposição das reações das pessoas diante do inevitável. O que você ou eu seríamos capazes de fazer para sobreviver? Certamente agiríamos de forma similar ao que é mostrado no filme.
O ponto mais interessante do filme não está nas cenas de necrópsia, no caos, nas mortes ou na paranóia por causa da doença fatal. O que mais atraiu minha atenção nesta produção foi o que gerou todas estas situações e reações anteriormente citadas: o medo. Quando confrontados com a morte, quase via de regra, reagimos por instinto, por um medo acima do aceitável que, muito bem mostrado, acaba nos forçando a tomar atitudes e decisões contrárias a nossa índole. Viver tem um preço e - algo muito bem mostrado em Contágio - todos fazem questão de pagar. Por medo de morrer e perder, pessoas optam pela vida dos que amam e pela morte dos que não lhe são caros. Por medo da dor e da fome, pessoas comuns tomam atitudes antes inconcebíveis. É isso que o espectador verá ao longo do filme: reações extremas diante de uma situação extrema.
A linguagem narrativa é menos ágil que os demais filmes similares, um mero detalhe que não atrapalha em nada o desenvolvimento da trama. 
Outro ponto fundamental para a produção: a escolha dos atores. Desde Gwyneth Paltrow (ótima em rápidas aparições), passando por Kate Winslet (a médica que busca a solução para o problema), Lawrence Fishburne (o homem do governo), Marion Cotillard (a representante da Organização Mundial de Saúde), Jude Law (o paranóico e inteligente blogueiro) e Matt Damon (marido de Gwyneth e um pai devotado). Todos são atores de alto nível, responsáveis por ampliar a aura de verdade, de credibilidade do filme. Todos sofrem - de uma forma ou de outra - diante da morte e da falta de perspectivas quando confrontados com algo que não compreendem, não veem e, principalmente, temem.
Enfim, as várias tramas que surgem com o decorrer do filme me trouxeram à lembrança o filme "Babel", onde também há tramas paralelas e que, gradativamente, vão se interligando. 
Assistam "Contágio" e reconheçam seus vizinhos, parentes, amigos e até mesmo você. Porém é aconselhável higienizar as mãos e evitar tocar o rosto durante o filme... nunca se sabe o que pode haver nos lugares que tocamos.
 
































































Proxima  → Página inicial