{lang: 'en-US'}

Mostrando postagens com marcador Escola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Escola. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Livros didáticos fornecidos ao governo estão com o pagamento em atraso.


Fonte: Folha de S.Paulo. Comentários: Franz Lima.

Sem dinheiro em caixa, o MEC (Ministério da Educação) está atrasando o pagamento a editoras pela compra de livros didáticos de ensinos médio e fundamental.
Segundo as editoras, há o risco de a autointitulada Pátria Educadora, slogan escolhido pelo governo Dilma Rousseff para o segundo mandato da petista, não conseguir entregar parte dos livros no ano que vem. O governo descarta a hipótese, mas não comenta os atrasos.
A Folha apurou que as empresas trabalham com uma dívida na casa dos R$ 600 milhões, valor que inclui despesas de remessa por Correios e programas de distribuição de livros para a rede pública.
Levantamento feito no sistema de acompanhamento de gastos federais mostra que os livros entregues até outubro somavam uma despesa de R$ 545,8 milhões. Disso, o MEC pagou apenas R$ 106,4 milhões, num descompasso sem precedente recente.
Não há especificação a qual programa esses valores se referem, mas o valor bate com o que empresários do setor trabalham sobre a rubrica de livros de ensino médio.
Editores ouvidos pela Folha, que preferem não se identificar por temer represálias em um mercado regulado, descrevem dificuldades.
Há, dizem eles, dívidas pendentes com gráficas, e a falta de capacidade de obter empréstimos bancários, devido à falta de garantias financeiras, ameaça o fechamento da folha de pagamento neste fim de ano.
O MEC diz que o dinheiro para a compra de livros “está empenhado” -em jargão burocrático, previsto no Orçamento, o que não garante sua execução, em especial em tempos de ajuste fiscal.
Neste ano, o governo encomendou 120,8 milhões de livros para 2016, entre exemplares para os anos iniciais e finais dos ensinos fundamental e médio. Mas ainda faltam ser entregues 20,5 milhões dos 47 milhões de livros para as séries entre o 1º e o 5º ano.
“Há risco real de não haver entrega completa de livros para o próximo ano letivo. Várias editoras já pediram postergação [do prazo para a entrega] ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, ligado ao MEC)”, disse o vice-presidente da Abrelivros (Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares), Mario Ghio.
A entidade representa 19 editoras de didáticos de ensino básico, ou 95% dos livros do programa federal.
Responsável pela seleção e compra dos livros no governo, o FNDE nega risco de atraso e diz que o processo ocorre “dentro da normalidade”.
A crise, de todo modo, é generalizada. Na rubrica de pagamentos de livros do ensino médio, gigantes como a FTD e a Moderna tinham a receber até outubro, respectivamente, 58% e 70% dos pouco mais de R$ 40 milhões que o governo devia a cada uma delas.
Casas menores estavam em situação até pior: o governo deve 86% dos R$ 9 milhões que a Global deveria receber do FNDE no mesmo quesito.
A Abigraf Nacional (Associação da Indústria Gráfica) disse que o assunto não está sendo acompanhado.

OUTRO LADO
O governo diz que a liberação de recursos para a compra de livros ocorre “dentro da normalidade”, mas não comenta o baixo nível de pagamentos registrado no ano. Descarta que possa haver falta de livros no ano que vem.
Por meio de nota, o FNDE informou que “empenhou os recursos” para a compra de material didático para a rede pública -o dinheiro foi previsto e reservado no Orçamento, mas não que foi pago.
normalidade
Neste ano, o volume de livros chegou a 120,8 milhões, entre obras para os anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio. Desse total, 20,5 milhões ainda não foram entregues.
Sobre o atraso na entrega dos livros, o FNDE disse que o processo ocorre em etapas. “A primeira e a segunda ocorreram normalmente. A terceira está em andamento”, disse. O fundo diz ainda que a entrega ocorre “dentro da normalidade”.
Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Franz diz: o fornecimento de livros didáticos pela chamada "Pátria educadora" é algo que não pode falhar ou ter atrasos. Um estudante que receba seu material no segundo semestre, por exemplo, terá um rendimento abaixo dos demais que receberam os livros dentro do prazo. Há ainda um fator que não foi citado: as regiões que estão em atraso, pois é muito provável que as cidades mais ricas e influentes não sofreram com tal problema, isso se levarmos em conta as manobras políticas.
Desculpas à parte, a verdade se resume ao descaso e ingerência por parte do Governo Federal e dos Estados e Prefeituras que, infelizmente, ainda usam o benefício como moeda de troca. 
Eu não acredito que isso só tenha sido notado agora, o que por si só embasa a tese de que não há um controle efetivo das verbas destinadas à educação. É triste ver que nossas crianças sofrem com o descaso dos governantes que preferem doar dinheiro para a compra de material eletroeletrônico a cumprir com suas obrigações junto à educação. Afinal, um bem de consumo pode ser usado como "voto de cabresto" no futuro.


terça-feira, 4 de agosto de 2015

De vendedor a presidente da Yes, conheça a história de Clodoaldo Nascimento



Com a missão de ofertar ensino de qualidade para adolescentes e jovens, Clodoaldo Nascimento tem um lema: “educação é para todos.” O presidente da Yes! – rede de franquias de idiomas – trilhou um longo caminho até atingir mais de 150 escolas em todo o Brasil: chegou a perder 20 unidades de uma vez só. 
Tímido, nunca se imaginou na linha de frente de vendas de uma empresa. “Achava que só iria conseguir vender para quem já queria comprar”, diz. Um ano antes de entrar para a Yes!, Clodoaldo teve seu primeiro contato como vendedor de cursos de inglês, em 1988. “Não estava rendendo como os demais, achava que não tinha perfil e pedi demissão”, conta. “Mas meu gerente negou minha saída e disse que eu tinha, sim, aptidão. Ele investiu em mim, me levou a campo para mostrar como deveria ser minha abordagem com o público”, afirma. “Fiquei encantando ao ver como ele era bom vendendo. A liderança dele foi crucial para mim porque a partir daquele dia passei a enxergar as vendas com outros olhos.” 
Daquele dia em diante, Clodolado assumiu uma nova postura – seguindo os conselhos do seu chefe – e não demorou a aparecerem os primeiros resultados. Logo, outras redes o reconheceram como um bom vendedor e fizeram convites de trabalho e, entre elas, a Yes!, onde entrou também para a linha de frente de vendas da marca, mas em pouco tempo se tornou gerente. 
“Não vendemos um produto palpável, vendemos sonhos: de conseguir um emprego melhor, de morar fora, ou simplesmente de entender um filme ou uma música”, ressalta Nascimento. “Apresentamos aos alunos (e futuros alunos) o que um novo idioma vai agregar à vida deles.” 
Em pouco tempo, passou a gerenciar algumas escolas do Rio de Janeiro e, depois, adquiriu suas próprias unidades. O caminho trilhado dentro da marca o levaram a assumir a presidência em 2004. “Com a morte do fundador, as herdeiras optaram por vender a operação”, lembra. Na época, Nascimento tinha seis escolas. 
Após assumir a presidência, em 2006, Nascimento formatou a rede para se enquadrar nas regras do franchising e a Yes! passou a fazer parte da Associação Brasileira de Franchising (ABF). “Esse foi nosso momento mais difícil, pois tivemos desistências de vários franqueados – chegamos a perder 20 unidades porque muitos não queriam se adaptar à nova realidade”, lembra. “Investi no que acreditava ser o melhor para a rede e hoje 30% dos nossos franqueados têm mais de cinco anos de casa e mais de uma escola”, analisa.
Gestão próxima da operação
Com 50 mil estudantes, o sucesso da Yes! é o reflexo direto da gestão iniciada há mais de uma década. “Dou a palavra final sobre todos os novos pontos comerciais da rede. Aprendi que os famosos ‘4Ps’, na verdade, são: ponto, ponto, ponto e ponto”, afirma Nascimento, que tem como meta visitar cinco escolas por mês para verificar como estão as operações. “A Yes! é a minha paixão. Quero que ela esteja entre as cinco maiores escolas de idiomas do Brasil”, afirma. “Hoje, estamos entre as dez maiores.” 
Além disso, sob sua batuta, a Franqueadora da Rede Yes! passou de cinco a cem funcionários – e os professores e os coordenadores pedagógicos são reciclados e capacitados a cada seis meses. “Somos responsáveis pelos sonhos de famílias, que muitas vezes dispõem do capital guardado de uma vida inteira para investir em uma franquia. Isso significa que não podemos errar e temos que fazer valer esse voto de confiança”, ressalta Nascimento.

Sobre a Yes!
Fundada em 1972, a Yes! oferece cursos de inglês e de espanhol focando no ensino interativo e dinâmico. A rede, que tem mais de 150 escolas no Brasil, desenvolve aulas especialmente a crianças, adolescentes e adultos – inclusive àqueles que precisam aprimorar o vocabulário para business. Em 2014, a marca faturou R$ 32 milhões e estima crescer 25% em volume de negócios neste ano. 
Também em 2014, a Yes! recebeu o Selo de Excelência da Associação Brasileira de Franchising – Regional RJ (ABF-RJ) e foi eleita por duas vezes como a melhor franquia de idiomas o Brasil pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios. O presidente da marca, Clodoaldo Nascimento, é Diretor de Cursos e Eventos da ABF do Rio de Janeiro. 
Mais informações em www.cursoyes.com.br
          Ficha de Franquia
Nome: Yes!
Segmento de atuação: Educação – Escola de Idiomas
Ano de fundação: 1972
Início no franchising: 2006
Número de unidades próprias: 2 unidades
Número de franquias (em funcionamento): 149 unidades
Fundação da empresa: 1972
Investimento inicial: a partir de R$ 100 mil
Capital de giro: R$ 20 mil a R$ 50 mil, já incluso no valor de investimento inicial
Taxa de franquia: de R$ 10 mil a R$ 28 mil
Taxa de royalties: Isento
Taxa de publicidade: Isento
Faturamento médio mensal da unidade: R$ 60 mil
Lucro médio mensal: 25% do faturamento
Prazo de retorno: 18 a 24 meses
Número de funcionários: 5 a 8
Área da unidade: 150 m²
Prazo de contrato: 5 anos
Área de expansão em 2015: Sudeste e Nordeste               
Associada à ABF? Sim

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Lista de Compras: Malala - a menina que queria ir para a escola.




Por mais absurdo que pareça, Malala Yousafzai quase perdeu a vida por querer ir para a escola. Ela nasceu no Paquistão, em uma região pacífica, e era uma das primeiras alunas da classe. Mas quando tinha dez anos, viu a sua cidade ser atacada e dominada por um grupo extremista chamado Talibã. Eles impuseram muitas regras, entre elas a que determinava que somente os meninos poderiam estudar.

Mas Malala foi ensinada a defender aquilo em que acreditava e lutou com todas as forças para continuar estudando. Por isso, em 9 de outubro de 2012, tomou um tiro na cabeça quando voltava de ônibus da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. 
A jornalista Adriana Carranca visitou o vale do Swat pouco depois do atentado, e conta tudo o que viu e aprendeu por lá, apresentando a história dessa menina que, além de ser a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, é um grande exemplo, no mundo todo, do poder do protesto pacífico.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Discurso de Malala, vencedora do Nobel da Paz.


Bismillah hir Rahman ir rahim. Em nome de Deus, o mais misericordioso, o mais benévolo.

Excelentíssimas majestades, ilustres membros do Comitê Nobel Norueguês, queridos irmãos e irmãs, hoje é um dia de grande felicidade para mim. Aceito com humildade a escolha do Comitê Nobel em me agraciar com este precioso prêmio.
Obrigado a todos pelo apoio e amor permanentes. Sou grata pelas cartas e cartões que continuo a receber de todas as partes do mundo. Ler suas palavras amáveis e encorajadoras me fortalece e inspira.
Queria agradecer a meus pais por seu amor incondicional. Agradecer a meu pai por não cortar minhas asas e me deixar voar. Obrigado, mamãe, por me inspirar a ser paciente e falar sempre a verdade — que acreditamos vigorosamente ser a verdadeira mensagem do Islã.
Muito me orgulha ter sido a primeira pachtun, a primeira paquistanesa e a primeira adolescente a receber este prêmio. E tenho a certeza absoluta de ser também a primeira pessoa a receber um Nobel da Paz que ainda briga com seus irmãos mais novos. Eu quero que a paz se espalhe por todos os cantos, mas meus irmãos e eu ainda estamos trabalhando nisso.
Muito me honra também dividir este prêmio com Kailash Satyarthi, que vem lutando pelos direitos das crianças já há muito tempo. Na verdade, pelo dobro do tempo que já vivi. Fico feliz também por estarmos aqui reunidos demonstrando ao mundo que um indiano e uma paquistanesa podem conviver em paz e trabalhar em prol dos direitos das crianças.
Queridos irmãos e irmãs, recebi meu nome em homenagem à pachtun Joana D’Arc, Malalai de Maiwand. A palavra Malala significa “enlutada”, “triste”, mas, tentando imbuir um pouco de alegria a ela, meu avô iria sempre me chamar de “Malala — a garota mais feliz deste mundo”, e hoje estou muito feliz de estarmos aqui reunidos por uma causa importante.
Este prêmio não é só meu. É das crianças esquecidas que querem educação. É das crianças assustadas que querem a paz. É das crianças sem direito à expressão que querem mudanças.
Estou aqui para afirmar os seus direitos, dar-lhes voz… Não é hora de lamentar por elas. É hora de agir, para que seja a última vez que vejamos uma criança sem direito à educação.
Tenho percebido que as pessoas me descrevem de várias maneiras.
Algumas se referem a mim como a menina que foi baleada pelo talibã.
Outras, como a menina que lutou por seus direitos.
Outras, agora, como “a Prêmio Nobel”.
No que se refere a mim, sou apenas uma pessoa dedicada e teimosa que quer ver todas as crianças recebendo educação de qualidade, que quer a igualdade de direitos para as mulheres e que quer que haja paz em todos os cantos do mundo.
A educação é uma das bênçãos da vida — e uma de suas necessidades. Essa tem sido a minha experiência pelos dezessete anos em que vivi. Em minha casa, no vale Swat, no norte do Paquistão, eu sempre adorei a escola e aprender coisas novas. Lembro-me que quando minhas amigas e eu enfeitávamos nossas mãos com hena para as ocasiões especiais, em vez de desenhar flores e padrões nós pintávamos as mãos com fórmulas e equações matemáticas.
Tínhamos sede de educação porque o nosso futuro estava bem ali, naquela sala de aula. Nós sentávamos e líamos e aprendíamos juntas. E amávamos vestir aqueles uniformes escolares limpos e bem passados e sentar ali com grandes sonhos em nossos olhos. Queríamos que nossos pais se orgulhassem de nós e provar que poderíamos nos destacar nos estudos e realizar algo, o que algumas pessoas pensam que somente os meninos podem fazer.
Mas as coisas mudam. Quando eu tinha dez anos, Swat, que era um recanto de beleza e turismo, de repente se transformou em um lugar de terrorismo. Mais de quatrocentas escolas foram destruídas. As meninas foram impedidas de frequentar a escola. As mulheres foram açoitadas. Pessoas inocentes foram assassinadas. Todos sofremos. E os nossos belos sonhos se transformaram em pesadelos.
A educação passou de um direito a um crime.
Mas com a mudança repentina de meu mundo, minhas prioridades também se modificaram.
Eu tinha duas opções, a primeira era permanecer calada e esperar para ser assassinada. A segunda era erguer a voz e, em seguida, ser assassinada. Eu escolhi a segunda. Eu decidi erguer a voz.
Os terroristas tentaram nos deter e atacaram a mim e a minhas amigas em 9 de outubro de 2012, mas suas balas não podiam vencer.
Nós sobrevivemos. E desde aquele dia nossas vozes só fizeram se erguer mais altas.
Eu conto a minha história não porque ela seja única, mas principalmente porque não é.
Hoje, eu conto as histórias delas também. Eu trouxe comigo para Oslo algumas das minhas irmãs, que compartilham esta história, amigas do Paquistão, Nigéria e Síria. Minhas valentes irmãs, Shazia e Kainat Riaz, que também levaram tiros comigo naquele dia em Swat. Elas também passaram por esse trauma trágico. Também a minha irmã Kainat Somro, do Paquistão, que sofreu violência e abuso extremos, até mesmo seu irmão foi assassinado, mas não sucumbiu.
E há meninas comigo que eu conheci durante minha campanha do Fundo Malala, que agora são como minhas irmãs. Minha corajosa irmã Mezon, da Síria, de dezesseis anos, que atualmente vive na Jordânia, em um campo de refugiados, indo de tenda em tenda para ajudar meninas e meninos a aprender. E minha irmã Amina, do norte da Nigéria, onde o Boko Haram ameaça e rapta meninas simplesmente por elas quererem ir para a escola.
Embora na aparência eu seja uma menina, uma pessoa com um metro e cinquenta e sete de altura, contando com os saltos altos, eu não sou uma voz solitária, eu sou muitas.
Eu sou Shazia.
Eu sou Kainat Riaz.
Eu sou Kainat Somro.
Eu sou Mezon.
Eu sou Amina.
Eu sou aquelas 66 milhões de meninas que estão fora da escola.
As pessoas gostam de me perguntar por que a educação é importante, especialmente para as meninas. A minha resposta é sempre a mesma.
O que eu aprendi da leitura dos dois primeiros capítulos do Alcorão Sagrado foram as palavras Iqra, que significa “leitura”, e nun wal-qalam que significa “pela caneta”.
Assim, como eu disse no ano passado nas Nações Unidas: “Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.”
Hoje, em metade do mundo testemunhamos acelerado progresso, modernização e desenvolvimento. No entanto, há países onde milhões ainda sofrem dos antiquíssimos problemas da fome, da pobreza, da injustiça e de conflitos.
Na verdade, lembramos em 2014 que um século se passou desde o início da Primeira Guerra Mundial, mas ainda não aprendemos todas as lições que surgiram da perda daquelas milhões de vidas de cem anos atrás.
Ainda há conflitos em que centenas de milhares de pessoas inocentes perdem suas vidas. Muitas famílias passaram a ser refugiados na Síria, em Gaza e no Iraque. Ainda há meninas que não têm liberdade para ir à escola no norte da Nigéria. No Paquistão e no Afeganistão vemos pessoas inocentes sendo mortas em ataques suicidas e explosões de bombas.
Muitas crianças na África não têm acesso à escola por causa da pobreza.
Muitas crianças na Índia e no Paquistão são privadas de seu direito à educação por conta de tabus sociais, ou forçadas ao trabalho infantil e, no caso de meninas, a casamentos infantis.
Uma das minhas melhores amigas da escola, da mesma idade que eu, sempre foi uma menina corajosa e confiante, que sonhava um dia se tornar uma médica. Mas seu sonho continuou a ser um sonho. Aos doze anos ela foi forçada a se casar, tendo um filho logo em seguida, numa idade em que ela própria era ainda uma criança — apenas catorze anos. Eu sei que a minha amiga teria sido uma médica muito boa.
Mas ela não pôde… porque era uma menina.
Sua história é a razão pela qual eu dedico o dinheiro do Prêmio Nobel para o Fundo Malala, para ajudar a dar às meninas de toda parte uma educação de qualidade e convocar os líderes a ajudar meninas como eu, Mezun e Amina. O primeiro lugar para onde esse financiamento será aplicado é lá onde reside meu coração, para construir escolas no Paquistão — especialmente na minha terra natal de Swat e Shangla.
Na minha própria aldeia ainda não existe uma escola secundária para meninas. Eu quero construir uma, para que minhas amigas possam ter uma educação e a oportunidade que isso traz na realização de seus sonhos.
É por lá que irei começar, mas não é por lá que irei parar. Vou continuar esta luta até ver todas as crianças na escola. Eu me sinto muito mais forte depois do ataque que sofri, porque eu sei que ninguém pode me parar, ou nos parar, porque agora somos milhões, lutando juntos.
Queridos irmãos e irmãs, grandes pessoas que trouxeram mudanças, como Martin Luther King e Nelson Mandela, Madre Teresa e Aung San Suu Kyi, que passaram todos por este palco, espero que os passos que Kailash Satyarthi e eu percorremos até aqui, e que ainda daremos nessa jornada, também tragam mudança — mudança duradoura.
Minha grande esperança é que esta seja a última vez que tenhamos que lutar pela educação de nossos filhos. Queremos que todos se unam em apoio a nossa campanha para que possamos resolver isso de uma vez por todas.
Como eu disse, já demos muitos passos na direção certa. Chegou a hora de dar um salto.
Não é mais o caso de convencer os governantes do quão importante é a educação — isso eles já sabem, seus próprios filhos estão em boas escolas. A hora agora é de convocá-los a agir.
Pedimos aos líderes mundiais que se unam para fazer da educação a sua principal prioridade.
Há quinze anos, os líderes mundiais chegaram a um consenso sobre um conjunto de metas globais, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Nos anos que se seguiram, testemunhamos alguns progressos. O número de crianças fora da escola foi reduzido à metade. No entanto, o mundo se concentrou apenas na expansão do ensino fundamental e o progresso não chegou a todos.
No próximo ano, em 2015, representantes de todo o mundo se reunirão na Organização das Nações Unidas para decidir sobre o próximo conjunto de metas, os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável. Isto irá definir a ambição do mundo para as gerações vindouras. Os líderes devem aproveitar essa oportunidade para garantir uma educação fundamental e secundária gratuita e de qualidade para cada criança.
Alguns dirão que isso é impraticável, ou muito caro, ou muito difícil. Ou mesmo impossível. Mas é hora de pensar grande.
Queridos irmãos e irmãs, o chamado mundo dos adultos pode compreender isso, mas nós, as crianças, não. Por que os países que chamamos de “fortes” são tão poderosos em criar guerras, mas tão fracos em trazer a paz? Por que fornecer armas é tão fácil, mas doar livros é tão difícil? Por que fabricar tanques é tão fácil, mas construir escolas é tão difícil?
Vivemos na era moderna, o século XXI, e passamos a acreditar que nada é impossível. Chegamos à Lua e talvez em breve pousaremos em Marte. Então, neste século, temos de insistir em que o nosso sonho de uma educação de qualidade para todos também se torne realidade.
Por isso deixem-nos levar igualdade, justiça e paz para todos. E não apenas os políticos e os líderes mundiais, todos precisamos contribuir. Eu. Vocês. É nosso dever.
Ao trabalho, então… sem esperar.
Apelo às crianças como eu a levantar-se em todo o mundo.
Queridos irmãos e irmãs, que nos tornemos a primeira geração a decidir ser a última [a ficar fora da escola].
As salas de aula vazias, as infâncias perdidas, o potencial desperdiçado — que tudo isso se encerre conosco.
Que esta seja a última vez que um menino ou uma menina desperdice sua infância em uma fábrica.
Que esta seja a última vez que uma garota seja obrigada a se casar na infância.
Que esta seja a última vez que uma criança inocente perca a vida na guerra.
Que esta seja a última vez que uma sala de aula permaneça vazia.
Que esta seja a última vez que se diga a uma menina que a educação é um crime e não um direito.
Que esta seja a última vez que uma criança permaneça fora da escola.
Que comecemos nós a encerrar essa situação.
Que sejamos nós a dar um fim a isto.
Que comecemos a construir um futuro melhor, aqui, agora.
Obrigada.

Curta a fanpage do Apogeu:


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Mal uso de tirinha do Mauricio de Sousa coloca palavrão em prova no Acre.


Compare o texto original com a tirinha abaixo.

Fonte:  Livros e Pessoas



Texto de Yuri Marcel do G1 -  AC. Comentários: Franz Lima

Tirinha da Turma da Mônica vem com palavrão em prova de escola no Acre  (Foto: Eliane Sinhasique/Arquivo pessoal)Tirinha da Turma da Mônica adulterada foi aplicada em prova (Foto: Eliane Sinhasique/Arquivo pessoal)
Uma questão de prova para o 4º ano do Ensino Fundamental da Escola Luiza Batista de Souza, em Rio Branco, causou polêmica, na última sexta-feira (25). Uma tirinha da Turma Mônica com um palavrão gerou questionamentos entre os pais das crianças. A escola alega que o erro ocorreu na hora da digitalização da atividade, porém, nega que a expressão tenha sido usada de forma maldosa pela professora.
A tirinha mostra uma conversa entre Cebolinha, Magali e um pipoqueiro.
- Eu quelo um saco de pipoca — pede Cebolinha.
- E a garotinha? — pergunta o pipoqueiro.
- Uma pica! — responde Magali.

A economista Efigênia Ferreira, de 36 anos, foi uma das mães que questionou o uso da palavra no exame. "Eu expliquei que no linguajar popular a expressão é usada como um termo pejorativo do órgão masculino. Porém, ela [a professora] disse que a maldade está na cabeça do adulto e não da criança e que isso não era um palavrão", explica.
De acordo com Efigênia, o fato causou constrangimento durante uma reunião entre pais e professores, após o pai de um aluno questionar o uso daquela palavra. "A professora disse que tinha elaborado as provas, mas que a coordenadora tinha visto e não via nenhum problema na palavra", disse.

Efigênia Ferreira  (Foto: Eliane Sinhasique/Arquivo pessoal)Efigênia Ferreira diz que vai procurar a coordenação
da escola (Foto: Eliane Sinhasique/Arquivo pessoal)
A economista disse que ao chegar em casa foi analisar a prova e não conseguia entender como positivo o conteúdo da atividade. Ela conta ainda que chegou a conversar com seu filho sobre a questão e o garoto afirmou que os estudantes teriam alertado a professora para uma 'imoralidade na prova', mas a professora negou o termo maldoso.
Efigênia decidiu postar a foto da prova em sua rede social para avaliar a opinião de outras pessoas. Após o ocorrido, a economista pretende voltar à escola e conversar com a coordenadora e também com a professora para saber o que realmente aconteceu.
"Meu procedimento agora é ir até a escola e saber o que aconteceu, se realmente a coordenadora viu essa prova e deu o aval, pois nem na prova de vestibular acontece isso", ressalta.
Tirinha da web
A professora que a economista se refere é Francisca Ermelinda, 50 anos, ela está dentro da sala de aula há 26 e conta que houve um erro na hora da secretária digitalizar a prova. Na tirinha original magali responde 'O que sobrar'. "No rascunho era outra expressão, aí a moça que elabora a prova puxou a tirinha da internet e não percebeu que ela estava com a expressão errada", explica.
Apesar do problema, ela diz que nenhum dos alunos nas quatro turmas em que a prova foi aplicada chegou a comentar algo dentro da sala de aula. "Quando a gente recebeu a prova, vi a expressão e não achei maldade nenhuma. A gente trabalha com as crianças para tirar a maldade, esse mau pensamento, essa coisa ruim do pensamento deles", diz.
A coordenadora pedagógica do colégio, Jorgineide Santos Jacinto, conta que chegou a revisar a versão da prova já com a expressão, antes dela ser aplicada. Porém, diz ter acreditado que como se tratava de uma questão de interpretação o uso da palavra era intencional.
rascunho tirinha acre rio branco prova (Foto: Yuri Marcel/G1)Professora mostra rascunho original da prova em que aparece a expressão correta (Foto: Yuri Marcel/G1)
"Quando peguei a prova, não tive acesso à expressão original. Eu olhei e vi a palavra como a omissão da sigla pipoca", comenta. A coordenadora diz ainda que gostaria de conversar com os pais que se sentiram ofendidos para explicar a situação.
Na tirinha original, Magali responde "O que sobrar" (Foto: Reprodução) 
Na tirinha original, Magali responde "O que sobrar" (Foto: Reprodução)

"Precisamos ter mais cuidado, ver o ponto de vista do pai. A professora não pode ser prejudicada, foi uma modificação feita aqui", conclui.
O caso chamou a atenção da vereadora Eliane Sinhasique (PMDB-AC) que disse que irá levar o caso para a Secretaria Estadual de Educação (SEE) e ao Conselho Escolar.
'Descuido', diz assessoria de Mauricio de Sousa
Procurada pelo G1, a assessoria de Mauricio de Sousa comentou o uso indevido da tirinha e classificou como 'um descuido tanto com os alunos como com os direitos do autor'.
"Quando uma editora ou entidade ligada à educação quer usar alguma imagem publicada ou inédita dos personagens de autoria de Mauricio de Sousa, entram em contato com a empresa para obter uma autorização oficial. E o desenho é enviado direto dos estúdios, com a qualidade para publicação. Provavelmente essa tira foi tirada de algum site ou blog da internet sem esse cuidado", diz
A assessoria informou ainda que o caso será encaminhado para o departamento responsável e será analisado. "Se a escola diz que tinha a tira correta e acabou publicando uma errada só pode ter sido adulterada por alguém na digitação ou já tinha sido copiada da internet já adulterada", conclui.

Franz says: não há regionalismo ou desculpa capaz de amenizar um "erro" tão grotesco. Nossas crianças não merecem um tratamento tão desprezível, assim como a obra de Mauricio de Sousa também não merece uma deturpação tão absurda. 
Comparando a versão original com a que foi usada na prova, não encontramos quaisquer motivos para que a alteração ocorresse. Não creio que tenha sido uma brincadeira pois, definitivamente, isso não é algo capaz de gerar risos, apenas indignação. 
Que os fatos sejam rigorosamente apurados e os responsáveis punidos. 
Que a inocência e a obra de Mauricio de Sousa sejam mantidas dentro da pureza que nossas crianças precisam e merecem.


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Divulgação: Bienal do Livro no Ceará abre inscrições para visitas escolares.



Fonte: G1
As escolas particulares e da rede pública do Ceará já podem se inscrever para visitar a 10ª Bienal Internacional do Livro que ocorre entre os dias 8 e 18 de novembro, no Centro de Eventos, em Fortaleza. Segundo a organização do evento, as inscrições seguem até 5 de novembro.
A visitação escolar ocorre entre os dias 9 e 16 de novembro, sendo destinada a estudantes do ensino fundamental e médio, das escolas públicas e privadas do estado do Ceará, com idade mínima de seis anos.
Cada escola poderá inscrever, no programa de Visitação Escolar à Bienal Internacional do Livro, no mínimo 50 e no máximo 240 alunos. As escolas com 240 alunos inscritos terão que distribuí-los em duas turmas de 120, agendadas em dois dias de visitação, ou dois horários no mesmo dia, desde que não sejam horários subsequentes.
A entrada na Bienal é gratuita, mas só terão acesso os grupos de estudantes com agendamento prévio. Os responsáveis por cada grupo receberão "Kit-visitação Escolar", composto por crachás dos alunos, credencial do ônibus da escola e mapa de localização. Os alunos serão acompanhados por monitores da Secretaria da Cultura, que orientarão a visita pelos diversos setores da Bienal.
Ainda de acordo com a organização, a presença de, no mínimo, um professor ou acompanhante para cada grupo de 20 alunos é indispensável. O período máximo de permanência na bienal, para as escolas agendadas, será de duas horas.
Serviço
10ª Bienal Internacional do Livro do Ceará
Inscrições: até dia 5 de novembro
Local: Centro de Eventos do Ceará – Fortaleza (CE)
Entrada gratuita

Franz says: Uma ótima iniciativa que promoverá a busca dos alunos das escolas públicas pelos livros. Não há lugar mais apropriado que uma Bienal (ponto de encontro de Editoras, editores, autores e leitores) para iniciar, mesmo que tardiamente em alguns casos, a paixão pela leitura. Parabéns aos organizadores e idealizadores dessa ideia.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A escola como ferramenta para abandonar o crime


Fonte: Extra
Rio de Janeiro. Por Paolla Serra
 
X. tem só 16 anos, mas já viveu duas vidas. Na primeira, foi soldado do tráfico no Complexo da Maré, fez arrastões e usou maconha, ecstasy e lança-perfume. Foram três anos de existência bandida. Na outra, iniciada há cerca de um ano, o adolescente é um dos 1.140 alunos do Colégio Santo Inácio, em Botafogo, um dos melhores — e mais caros — do país. E ele não foi o único a encontrar na educação um caminho para deixar o crime.
Na rede estadual de Educação, as matrículas tiveram um salto nas áreas pacificadas. Na rede municipal, das matrículas criadas em 2012, 72% estão em escolas onde há Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Em matemática simples: três em cada quatro novos alunos são de áreas onde o crime perdeu o controle do território.
Traumas antigos
X. carrega o peso da encarnação no crime. Fala baixo, balbuciando as poucas palavras. O olhar esconde os antigos traumas. O garoto nasceu em Maceió, Alagoas, e ainda criança veio com os cinco irmãos para o Complexo da Maré, onde moravam os parentes da mãe. Seu pai logo arrumou um emprego como pedreiro.
O vício em bebida e caça-níqueis, porém, engoliu o pouco dinheiro. Passou a bater na mulher. Ao se dar conta disso, X. decidiu apostar no crime para sair de casa.
Em 2010, conseguiu uma bolsa no Santo Inácio por meio de uma ONG, mas ainda dividia seus dias de aluno com os de soldado da boca de fumo. O que detonou sua saída do tráfico foi ser apreendido pela polícia após um assalto a turistas em Santa Teresa. Após um mês e nove dias sem liberdade, voltou para casa decidido a usar o estudo como rota de fuga.
— Meu sonho agora é estudar e andar com a cabeça erguida — filosofa o garoto, que leva duas horas de ônibus entre a favela e a escola.


Proxima  → Página inicial