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quinta-feira, 6 de outubro de 2016
Vejam o teaser trailer do segundo episódio de Westworld.
Por Franz Lima06:32:00Anthony Hopkins, Cyborg, Ed Harris, Faroeste, Ficção-Científica, HBO, J. J. Abrams, James Marsden, Jonathan Nolan, Michael Crichton, Nanotecnologia, Review, Rodrigo Santoro, Tecnologia, Westworld, Yul BrynnerSem Comentarios
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Westworld. Uma das mais promissoras séries da HBO. Análise do primeiro episódio.
Por Franz Lima22:50:00Anthony Hopkins, Cyborg, Ed Harris, Faroeste, Ficção-Científica, HBO, J. J. Abrams, James Marsden, Jonathan Nolan, Michael Crichton, Nanotecnologia, Review, Rodrigo Santoro, Tecnologia, Westworld, Yul Brynner3 Comentarios
Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.


Uma localidade do Velho Oeste norte-americanto. Uma mulher
cercada de aparatos tecnológicos avançados. O que têm em comum? Esse é o
mistério inicial de Westworld.
A narrativa é feita em off por uma mulher que é questionada,
interrogada por alguém. Essa mulher é um dos alicerces da trama. Atenção à
participação dela.
Cuidado! Spoilers em profusão a partir de AGORA.
Westworld é um parque de diversões. Sim, um parque onde
ciborgues (esse é o termo mais próximo daquilo que são, já que não há um
organismo vivo anexado à máquina, mas uma máquina moldada pelo homem para
imitar à perfeição um ser humano) dão aos visitantes a ilusão de estarem de
volta ao Velho Oeste. Uma terra sem lei, governada por mãos de aço (como diria
o Pica-Pau). A diversão consiste, basicamente, em desfrutar de uma era extinta.
Ser um cowboy, um rancheiro, uma madame, uma prostituta, um ladrão... são
muitas as possibilidades por trás desse universo recriado.
A reconstrução desse mundo passado é dispendiosa, cara e
moralmente discutível. Homens e mulheres pagam para ter seu dia nesse mundo.
Uma vez lá, são intocáveis para os habitantes costumeiros e podem,
literalmente, fazer o que lhes aprouver. Desde um simples contato, uma conversa
ou até mesmo estupro e assassinato. Não há limites morais para os “visitantes”
de Westworld.
As máquinas interagem e se adaptam aos visitantes. Eles não
têm consciência de sua real condição, fato que promove uma maior imersão aos
visitantes. A diferenciação entre um humano e um “anfitrião” é praticamente impossível.
O que é ético ou não fica em suspensão todo o tempo. Ver
máquinas com aspecto 100% humano é algo impactante. Como tratar alguém que é,
aos olhos, tão humano quanto nós? O grau de interação entre homens e seres com
inteligência artificial é uma opção que pode ser controlada. O que não pode ser
previsto é o grau de adaptabilidade das máquinas, os limites da inteligência
artificial, sua capacidade de armazenar experiências e, principalmente, os
freios morais (ou a inexistência deles) das pessoas.
Nesse primeiro episódio é preciso destacar a presença de
Anthony Hopkins, interpretando o Dr. Ford (talvez uma homenagem ao gênio
industrial Henry Ford), o responsável pela criação dos ciborgues. Ele vive em
um mundo tão isolado quanto as criaturas com IA. Há, aparentemente, uma
dependência dele para com as máquinas. Isso deverá ser mais explorado nos
episódios seguintes.
Nota: assistir Westworld e não lembrar de Blade Runner e os
replicantes é quase impossível. Desde o primeiro segundo da narrativa é
possível sentir o cheiro adocicado da tragédia. Aliás, a abertura já anuncia que nada é tão perfeito. Vejam abaixo:
O que se segue não difere, como disse acima, da trama de
Blade Runner. Os anfitriões – ciborgues com maior poder de interação – passam a
apresentar pequenos problemas. Até onde esses erros podem ir é algo que não
fica explícito. Mas o potencial destrutivo disso fica pairando na atmosfera.
Um ponto desprezado pelos idealizadores do projeto está em
um ser humano (?): Ed Harris. Ele interage diariamente como um vilão, um
bandido. Seu prazer está em praticar o mal contra os ciborgues. Ele quer se aprofundar no “jogo” e isso é uma
variante com a qual os criadores de Westworld não contavam. O personagem de
Harris é frequentador do “parque” Westworld há trinta anos.
O dilema moral de Westworld é sobre a velha mania do homem de
brincar de ser Deus. Dolores é uma das personagens que mais sofre com as
brincadeiras nesse universo criado. Ela sofre por amor, por medo, violência e
pela constante perda de tudo que ama. Essas perdas vão, ao longo dos tempos,
marcando o inconsciente dela. Mesmo sendo uma criatura feita pela inteligência
do homem, hipoteticamente insensível aos males que passa, ela sofre.
Tal como vimos e lemos em Frankenstein, a criatura não está
e nunca estará sob o total controle do criador. Essa é uma regra que os homens
deveriam ter aprendido há muito tempo, porém fazem questão de esquecê-la.
Não há programação perfeita. Com tempo e esforço, as
barreiras e códigos podem ser quebrados ou alterados. Essa é uma verdade com a
qual nós, humanos dessa era, convivemos e aprendemos a lidar. Essa controvérsia
também é bem explorada no primeiro Matrix e em alguns episódios de Animatrix.
Máquinas com comportamento e sentimentos humanos são controláveis até que
ponto?
Nota: prestem atenção à reação dos anfitriões quando moscas
pousam neles. Essa é uma dica bem legal para entender um pouco da amplitude da
inteligência artificial e sua adaptação aos fatos novos...
P.S.: A presença de Rodrigo Santoro ficou muito boa. Ele é
um dos vilões da trama (Hector Escaton), porém, se raciocinarmos um pouco,
todos os seres criados só são bons ou maus conforme assim lhe determinam.
Então, o que dizer da maldade humana cujo alcance está limitado pela moral
existente na pessoa?
P.S.2: Westworld é baseado na obra homônima de Michael Crichton
– com o subtítulo “onde ninguém tem alma”, escrita e dirigida por ele em 1973.
O filme é estrelado por Yul Brynner, ator consagrado no gênero de Faroeste. A
trama, apesar de ser mais resumida, mostra pessoas interagindo com máquinas que
simulam ambientes e situações históricos. Além do Velho Oeste, há também Roma e
a Idade Média. A trama original dá indícios do caos que nos aguarda na série.
P.S.3: A equipe que gerencia, cria e programa tudo para as
encenações de Westworld também é afetada pela presença dos humanos por eles
construídos. É impossível se manter apático diante de seres tão perfeitos. O
Dr. Ford e Bernard, um dos principais responsáveis pela manutenção do projeto,
são discretamente ‘modificados’ pela interação direta e indireta com os
ciborgues. Isso, certamente, ainda dará muito pano para a manga. Um fato
interessante está no jogo disputado entre os integrantes da equipe; um jogo por
poder.
Nota final: a HBO mostra coragem e adequação ao apresentar o
processo de construção e descarte dos humanos cibernéticos. As cenas de nudez
são adequadas ao contexto e evidenciam, sobretudo, a escolha correta do elenco.
Não é fácil encenar ser uma máquina sem sentimentos... ou uma que está
começando a tê-los.
Elenco da produção da HBO:
Anthony
Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood, James Marsden, Thandie Newton, Jeffrey
Wright, Jimmi Simpson, Rodrigo Santoro, Shanno Woodward, Ingrid Bolsø Berdal, Ben Barnes, Angela Sarafyan, Clifton Collins Jr.
Direção:
Jonathan Nolan.
sábado, 9 de abril de 2016
Review do filme Transcendence. Uma obra que irá fazê-los refletir.
Por Franz Lima11:34:00A.I., Análise, Cillian Murphy, Ditadura, Filmes, I.A., Inteligência Artificial, Johnny Depp, Morgan Freeman, Nanotecnologia, Paul Bettany, Rebecca Hall, Review, Terroristas, Transcendence1 Comentarios
Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.
Desde que a revolução Industrial ocorreu no século XIX, as
máquinas têm sido uma preocupação que atormenta o ser humano. São visíveis os
progressos obtidos pela tecnologia, assim como também são notórios os temores
diante das inovações.
Isaac Asimov escreveu muito sobre o tema da tecnologia
sobrepujando a humanidade. Alguns filósofos meditam acerca do domínio
tecnológico, da presença massiva das revoluções industriais que ocorrem a cada
novo dia, no nosso cotidiano. O filme Matrix mostrou, ainda que de forma
grandiosa, os efeitos de uma sociedade cujos anseios por evolução e comodidade
tecnológica podem trazer. Em o
Exterminador do Futuro, as máquinas são o vilão, responsáveis pelo quase
extermínio dos humanos.
A teoria da criatura se voltando contra o criador está
presente no inconsciente humano, seja por meio de histórias como Frankenstein,
seja pelo notório medo do uso da tecnologia para melhorarmos. Células-tronco
são uma solução para uma ainda inexplorada gama de males, mas isso não justifica
– na visão de uma grande quantidade de pessoas – o uso de tal artifício.
Seja como for, olhe ao redor e confirme uma realidade: a
tecnologia e as evoluções (comodidades e benefícios) não podem ser negadas.
Também não poderá negar que elas quando mal usadas podem ser ruins. Guerras,
desvio de dinheiro público, manipulação de opinião, formação de crenças,
criação de doenças, notícias falsas... tudo isso e muito mais fazem parte de
uma era digital na qual tudo é possível, inclusive a prática do mal.
Transcendence é um filme diferente, ambientado em um
presente cujas novidades tecnológicas unem as pessoas, mas também afastam. A
Era Digital é uma realidade onde cada vez mais as pessoas se afastam
fisicamente para estar próximas digitalmente. A frigidez diante do próximo
virou rotina. O descaso pela vida alheia é notório e preocupante. As pessoas
estão mais isoladas, mesmo com incontáveis amigos no mundo virtual. Diante
deste quadro sinistro e escondido pelo virtual, um grupo de radicais procura
acabar com a possibilidade de criação de uma inteligência artificial incompreensível,
capaz de tomar decisões independentes, capaz de se aproximar da consciência
humana.
Tal como anunciado em obras de mestres da ficção como
Asimov, Transcendence mostra um casal de cientistas que busca o melhor para o
mundo através da tecnologia. Will Caster (Johnny Depp) é um pesquisador de
grande influência no campo da I.A., apoiado por sua esposa Evelyn (Rebecca
Hall). Eles querem usar a I.A. para promover a cura de doenças, a melhoria da
qualidade de vida das pessoas. Suas intenções são as melhores, porém causam
desconfiança e medo por parte de um grupo contrário à tecnologia, liderado por Bree (Kate Mara). Em meio a
esse cenário, um atentado ocorre e mata um grande número de pesquisadores. Will
e Evelyn sobrevivem, assim como seus amigos Joseph (Morgan Freeman) e Max (Paul
Bettany). Eles são os mais hábeis em nanotecnologia e inteligência artificial.
São o futuro das pesquisas nesses campos.
Entretanto um fato é descoberto. Will foi contaminado por um
projétil envenenado com radiação. Sua vida acabará rapidamente, o que leva
Evelyn e Max a um ato extremo para salvá-lo: converter sua essência em I.A.,
mesclando-a a uma poderosa rede de computadores chamada P!NN. Will morre
fisicamente, mas sua essência permanece intacta na forma de algo jamais visto,
uma forma virtual de inteligência que o trouxe novamente à vida. Will transcendeu
a morte através das máquinas.
O que verão a seguir é um notável debate sobre os limites do
homem. A que custo os sonhos poderão ser realizados? É ético impor sua verdade
sobre a de outros? É ético anular pessoas de suas vontades em prol de um futuro
melhor?
Transcendence toca a todo instante nesses detalhes que podem
separar um sonhador de um ditador. Will retorna e se aprimora a cada instante.
Evelyn é sua parceira e ajuda-o a concretizar algo antes impensável. Mas a cada
segundo vocês terão novas cartas à mesa, cada uma delas mostrando que o jogo
pode ficar mais perigoso, mostrando que as apostas estão ficando altas demais.
Assim sendo, o filme parte para um conflito filosófico onde
as ações de homens e máquinas irão mostrar que os maiores males partem de nossa
essência humana.
A utópica vida perfeita pode ser alcançada um dia, desde que
seja por vias justas, sem a imposição de ideologias... sem a submissão de
pessoas às vontades de outras.
Recomendo Transcendence por mostrar um futuro possível,
principalmente diante de nosso descaso e desconhecimento do que ocorre no mundo
virtual. Somos alienados que se valem de programas e interfaces fáceis de usar,
porém por nós desconhecidas. Transcendence relembra algo muito importante: os
maiores males não foram feitos por máquinas; foram feitos por quem as criou e
manipulou.
Como disse antes, mais do que um filme, Transcendence é um
exercício de reflexão sobre temas controversos como religião, ditaduras,
tecnologia e a facilidade com que nós, humanos, nos entregamos a soluções
rápidas e fáceis. Somos manipuláveis por conta de nosso egoísmo ou apenas
queremos ser felizes?
Que me perdoem os fãs de filmes cuja única finalidade é
divertir, já que também gosto desse tipo de entretenimento, mas é bom ter algo
na indústria do cinema que fuja da ação sem sentido ou de temas simples. Pôr a
mente para refletir, meditar sobre quem somos e o que iremos nos tornar é algo
que dever ser feito com mais constância. Esse longa-metragem é uma das
ferramentas que pode ser usada para isso.
Dados Técnicos:
Dados Técnicos:
Direção: Wally Pfister
Música composta por: Mychael Danna
Roteiro: Jack Paglen
Produção executiva: Christopher Nolan, Emma Thomas, Dan
Mintz
Lançado no Brasil em 1º de maio de 2014.









