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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Westworld. Uma das mais promissoras séries da HBO. Análise do primeiro episódio.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.



Uma localidade do Velho Oeste norte-americanto. Uma mulher cercada de aparatos tecnológicos avançados. O que têm em comum? Esse é o mistério inicial de Westworld.

A narrativa é feita em off por uma mulher que é questionada, interrogada por alguém. Essa mulher é um dos alicerces da trama. Atenção à participação dela.

Cuidado! Spoilers em profusão a partir de AGORA.

Westworld é um parque de diversões. Sim, um parque onde ciborgues (esse é o termo mais próximo daquilo que são, já que não há um organismo vivo anexado à máquina, mas uma máquina moldada pelo homem para imitar à perfeição um ser humano) dão aos visitantes a ilusão de estarem de volta ao Velho Oeste. Uma terra sem lei, governada por mãos de aço (como diria o Pica-Pau). A diversão consiste, basicamente, em desfrutar de uma era extinta. Ser um cowboy, um rancheiro, uma madame, uma prostituta, um ladrão... são muitas as possibilidades por trás desse universo recriado.
A reconstrução desse mundo passado é dispendiosa, cara e moralmente discutível. Homens e mulheres pagam para ter seu dia nesse mundo. Uma vez lá, são intocáveis para os habitantes costumeiros e podem, literalmente, fazer o que lhes aprouver. Desde um simples contato, uma conversa ou até mesmo estupro e assassinato. Não há limites morais para os “visitantes” de Westworld.
As máquinas interagem e se adaptam aos visitantes. Eles não têm consciência de sua real condição, fato que promove uma maior imersão aos visitantes. A diferenciação entre um humano e um “anfitrião” é  praticamente impossível.
O que é ético ou não fica em suspensão todo o tempo. Ver máquinas com aspecto 100% humano é algo impactante. Como tratar alguém que é, aos olhos, tão humano quanto nós? O grau de interação entre homens e seres com inteligência artificial é uma opção que pode ser controlada. O que não pode ser previsto é o grau de adaptabilidade das máquinas, os limites da inteligência artificial, sua capacidade de armazenar experiências e, principalmente, os freios morais (ou a inexistência deles) das pessoas.
Nesse primeiro episódio é preciso destacar a presença de Anthony Hopkins, interpretando o Dr. Ford (talvez uma homenagem ao gênio industrial Henry Ford), o responsável pela criação dos ciborgues. Ele vive em um mundo tão isolado quanto as criaturas com IA. Há, aparentemente, uma dependência dele para com as máquinas. Isso deverá ser mais explorado nos episódios seguintes.

Nota: assistir Westworld e não lembrar de Blade Runner e os replicantes é quase impossível. Desde o primeiro segundo da narrativa é possível sentir o cheiro adocicado da tragédia. Aliás, a abertura já anuncia que nada é tão perfeito. Vejam abaixo:



O que se segue não difere, como disse acima, da trama de Blade Runner. Os anfitriões – ciborgues com maior poder de interação – passam a apresentar pequenos problemas. Até onde esses erros podem ir é algo que não fica explícito. Mas o potencial destrutivo disso fica pairando na atmosfera. 


Um ponto desprezado pelos idealizadores do projeto está em um ser humano (?): Ed Harris. Ele interage diariamente como um vilão, um bandido. Seu prazer está em praticar o mal contra os ciborgues.  Ele quer se aprofundar no “jogo” e isso é uma variante com a qual os criadores de Westworld não contavam. O personagem de Harris é frequentador do “parque” Westworld há trinta anos.
O dilema moral de Westworld é sobre a velha mania do homem de brincar de ser Deus. Dolores é uma das personagens que mais sofre com as brincadeiras nesse universo criado. Ela sofre por amor, por medo, violência e pela constante perda de tudo que ama. Essas perdas vão, ao longo dos tempos, marcando o inconsciente dela. Mesmo sendo uma criatura feita pela inteligência do homem, hipoteticamente insensível aos males que passa, ela sofre.
Tal como vimos e lemos em Frankenstein, a criatura não está e nunca estará sob o total controle do criador. Essa é uma regra que os homens deveriam ter aprendido há muito tempo, porém fazem questão de esquecê-la.
Não há programação perfeita. Com tempo e esforço, as barreiras e códigos podem ser quebrados ou alterados. Essa é uma verdade com a qual nós, humanos dessa era, convivemos e aprendemos a lidar. Essa controvérsia também é bem explorada no primeiro Matrix e em alguns episódios de Animatrix. Máquinas com comportamento e sentimentos humanos são controláveis até que ponto?

Nota: prestem atenção à reação dos anfitriões quando moscas pousam neles. Essa é uma dica bem legal para entender um pouco da amplitude da inteligência artificial e sua adaptação aos fatos novos...


P.S.: A presença de Rodrigo Santoro ficou muito boa. Ele é um dos vilões da trama (Hector Escaton), porém, se raciocinarmos um pouco, todos os seres criados só são bons ou maus conforme assim lhe determinam. Então, o que dizer da maldade humana cujo alcance está limitado pela moral existente na pessoa?
P.S.2: Westworld é baseado na obra homônima de Michael Crichton – com o subtítulo “onde ninguém tem alma”, escrita e dirigida por ele em 1973. O filme é estrelado por Yul Brynner, ator consagrado no gênero de Faroeste. A trama, apesar de ser mais resumida, mostra pessoas interagindo com máquinas que simulam ambientes e situações históricos. Além do Velho Oeste, há também Roma e a Idade Média. A trama original dá indícios do caos que nos aguarda na série.
P.S.3: A equipe que gerencia, cria e programa tudo para as encenações de Westworld também é afetada pela presença dos humanos por eles construídos. É impossível se manter apático diante de seres tão perfeitos. O Dr. Ford e Bernard, um dos principais responsáveis pela manutenção do projeto, são discretamente ‘modificados’ pela interação direta e indireta com os ciborgues. Isso, certamente, ainda dará muito pano para a manga. Um fato interessante está no jogo disputado entre os integrantes da equipe; um jogo por poder.

Nota final: a HBO mostra coragem e adequação ao apresentar o processo de construção e descarte dos humanos cibernéticos. As cenas de nudez são adequadas ao contexto e evidenciam, sobretudo, a escolha correta do elenco. Não é fácil encenar ser uma máquina sem sentimentos... ou uma que está começando a tê-los.

Elenco da produção da HBO:
Anthony Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood, James Marsden, Thandie Newton, Jeffrey Wright, Jimmi Simpson, Rodrigo Santoro, Shanno Woodward, Ingrid Bolsø Berdal, Ben Barnes, Angela Sarafyan, Clifton Collins Jr.


Direção: Jonathan Nolan.



sábado, 9 de abril de 2016

Review do filme Transcendence. Uma obra que irá fazê-los refletir.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Desde que a revolução Industrial ocorreu no século XIX, as máquinas têm sido uma preocupação que atormenta o ser humano. São visíveis os progressos obtidos pela tecnologia, assim como também são notórios os temores diante das inovações.
Isaac Asimov escreveu muito sobre o tema da tecnologia sobrepujando a humanidade. Alguns filósofos meditam acerca do domínio tecnológico, da presença massiva das revoluções industriais que ocorrem a cada novo dia, no nosso cotidiano. O filme Matrix mostrou, ainda que de forma grandiosa, os efeitos de uma sociedade cujos anseios por evolução e comodidade tecnológica podem trazer.  Em o Exterminador do Futuro, as máquinas são o vilão, responsáveis pelo quase extermínio dos humanos.
A teoria da criatura se voltando contra o criador está presente no inconsciente humano, seja por meio de histórias como Frankenstein, seja pelo notório medo do uso da tecnologia para melhorarmos. Células-tronco são uma solução para uma ainda inexplorada gama de males, mas isso não justifica – na visão de uma grande quantidade de pessoas – o uso de tal artifício.
Seja como for, olhe ao redor e confirme uma realidade: a tecnologia e as evoluções (comodidades e benefícios) não podem ser negadas. Também não poderá negar que elas quando mal usadas podem ser ruins. Guerras, desvio de dinheiro público, manipulação de opinião, formação de crenças, criação de doenças, notícias falsas... tudo isso e muito mais fazem parte de uma era digital na qual tudo é possível, inclusive a prática do mal.

Transcendence é um filme diferente, ambientado em um presente cujas novidades tecnológicas unem as pessoas, mas também afastam. A Era Digital é uma realidade onde cada vez mais as pessoas se afastam fisicamente para estar próximas digitalmente. A frigidez diante do próximo virou rotina. O descaso pela vida alheia é notório e preocupante. As pessoas estão mais isoladas, mesmo com incontáveis amigos no mundo virtual. Diante deste quadro sinistro e escondido pelo virtual, um grupo de radicais procura acabar com a possibilidade de criação de uma inteligência artificial incompreensível, capaz de tomar decisões independentes, capaz de se aproximar da consciência humana.
Tal como anunciado em obras de mestres da ficção como Asimov, Transcendence mostra um casal de cientistas que busca o melhor para o mundo através da tecnologia. Will Caster (Johnny Depp) é um pesquisador de grande influência no campo da I.A., apoiado por sua esposa Evelyn (Rebecca Hall). Eles querem usar a I.A. para promover a cura de doenças, a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Suas intenções são as melhores, porém causam desconfiança e medo por parte de um grupo contrário à tecnologia, liderado por Bree (Kate Mara). Em meio a esse cenário, um atentado ocorre e mata um grande número de pesquisadores. Will e Evelyn sobrevivem, assim como seus amigos Joseph (Morgan Freeman) e Max (Paul Bettany). Eles são os mais hábeis em nanotecnologia e inteligência artificial. São o futuro das pesquisas nesses campos.
Entretanto um fato é descoberto. Will foi contaminado por um projétil envenenado com radiação. Sua vida acabará rapidamente, o que leva Evelyn e Max a um ato extremo para salvá-lo: converter sua essência em I.A., mesclando-a a uma poderosa rede de computadores chamada P!NN. Will morre fisicamente, mas sua essência permanece intacta na forma de algo jamais visto, uma forma virtual de inteligência que o trouxe novamente à vida. Will transcendeu a morte através das máquinas.

O que verão a seguir é um notável debate sobre os limites do homem. A que custo os sonhos poderão ser realizados? É ético impor sua verdade sobre a de outros? É ético anular pessoas de suas vontades em prol de um futuro melhor?
Transcendence toca a todo instante nesses detalhes que podem separar um sonhador de um ditador. Will retorna e se aprimora a cada instante. Evelyn é sua parceira e ajuda-o a concretizar algo antes impensável. Mas a cada segundo vocês terão novas cartas à mesa, cada uma delas mostrando que o jogo pode ficar mais perigoso, mostrando que as apostas estão ficando altas demais.
Assim sendo, o filme parte para um conflito filosófico onde as ações de homens e máquinas irão mostrar que os maiores males partem de nossa essência humana.
A utópica vida perfeita pode ser alcançada um dia, desde que seja por vias justas, sem a imposição de ideologias... sem a submissão de pessoas às vontades de outras.
Recomendo Transcendence por mostrar um futuro possível, principalmente diante de nosso descaso e desconhecimento do que ocorre no mundo virtual. Somos alienados que se valem de programas e interfaces fáceis de usar, porém por nós desconhecidas. Transcendence relembra algo muito importante: os maiores males não foram feitos por máquinas; foram feitos por quem as criou e manipulou.
Como disse antes, mais do que um filme, Transcendence é um exercício de reflexão sobre temas controversos como religião, ditaduras, tecnologia e a facilidade com que nós, humanos, nos entregamos a soluções rápidas e fáceis. Somos manipuláveis por conta de nosso egoísmo ou apenas queremos ser felizes?

Que me perdoem os fãs de filmes cuja única finalidade é divertir, já que também gosto desse tipo de entretenimento, mas é bom ter algo na indústria do cinema que fuja da ação sem sentido ou de temas simples. Pôr a mente para refletir, meditar sobre quem somos e o que iremos nos tornar é algo que dever ser feito com mais constância. Esse longa-metragem é uma das ferramentas que pode ser usada para isso.

Dados Técnicos:


Direção: Wally Pfister
Música composta por: Mychael Danna
Roteiro: Jack Paglen

Produção executiva: Christopher Nolan, Emma Thomas, Dan Mintz
Lançado no Brasil em 1º de maio de 2014.



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