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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Nota de pesar: morre o cantor George Michael aos 53 anos.


Vencedor de vários prêmios como cantor, entre eles o Brit e o MTV, George Michael faleceu no dia de Natal por causa não revelada. Familiares informaram que ele teve uma partida tranquila, em paz no condado de Oxfordshire, Londres no dia de Natal.
Dono de grande sucessos desde a época do Wham! (lembrado até no filme do Deadpool), George vendeu mais de 100 milhões de discos em carreira sole e teve vários de seus clips entre os mais vistos, principalmente nas décadas de 80 e 90. O cantor também emplacou algumas parcerias e duetos de sucesso, incluindo o astro Elton John e Aretha Franklin.
Algumas de suas músicas são mundialmente conhecidas como Freedom! '90, Careless Whisper, Faith, Spinning the Wheel, Fastlove, Father Figure, One More Try, Don´t let the sun go down on me, Outside e Jesus to a Child que está no clipe abaixo, uma das que mais gosto. Ouvi recentemente I Remember You e o talento dele permanecia na voz suave e melodiosa. O segundo clip neste post é December Song (I Dreamed of Christmas) de 2010 onde o Natal é exaltado, justamente a data em que ele nos deixou.
Descanse em paz...


terça-feira, 22 de março de 2016

Com você... até o fim.


Oi. Que tal estou?
Sabe, faz anos que nos conhecemos e ainda não compreendo nossa relação. Afinal, o que quer de mim? Já não lhe dei meus suspiros e lágrimas? Acaso isso foi pouco? Diga-me o que mais deseja, pois temos pouco tempo juntos.
Eu toco meu peito e sinto você em mim. Nem o sono mais pesado consegue nos manter distantes. Afinal, o que quer de mim?
Olho para o espelho e vejo outra pessoa, uma mais madura e, infelizmente, frágil. Tanta fragilidade gerada por nosso relacionamento. Cada segundo juntos trouxe dois sentimentos: o temor e o amor. Temor por nossa separação. Amor próprio. Sei que nunca mais serei a mesma sem você, porém quero o fim. Não podemos continuar juntos ou, do contrário, morreremos. Você é ácido, frio e mal, ainda que não perceba. Sua natureza é essa. Mas eu preciso de mais tempo para reparar erros, viver aquilo que você manteve distante de mim e, sobretudo, amar as pessoas que realmente me amam.
A luz está diminuindo. Meus olhos pesam e todos me olham. Alguns estão confiantes no fim dessa controversa relação, mesmo a um preço tão alto. Eu? Eu quero viver...


Maria morreu em um sono profundo, cheia de paz, esperança e isenta de dores. Ela não resistiu ao câncer, porém sobreviveu ao medo. Ela permanecerá viva em nossos corações.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Nota de despedida: morre Leonard Nimoy, o Spock, aos 83 anos.


Jim Parsons e Leonard Nimoy
Um dos mais conhecidos atores de toda uma geração se despede hoje. Leonard Nimoy, o Spock de Jornada nas Estrelas, faleceu aos 83 anos vitimado por uma doença pulmonar.
Atuou em diversas produções cinematográficas e também em séries. Contudo, sua mais reconhecida atuação está em Spock, um vulcano que é o ponto de equilíbrio na tripulação da U.S.S. Entreprise, nave comandada pelo Capitão Kirk. 
Spock é um marco na cultura Geek/Nerd. A saudação vulcana - acima representada - se tornou o cumprimento obrigatória entre os trekkers (admiradores de Star Trek) e é reconhecida mundialmente. Mas Spock não seria o mesmo sem a interpretação única de Leonard Nimoy.
Não fume. Eu fumei. Queria nunca tê-lo feito.

Até pouco tempo o ator atuava na área fotográfica e anunciara sua doença. Muitos foram os conselhos para os fãs, principalmente no tocante ao uso de cigarros.
Em seu último twitte, Nimoy disse a seguinte frase: 
"A vida é como um jardim. Momentos perfeitos podem ter acontecido, mas não preservados, exceto na memória"

Pouco resta a nós, fãs, exceto o pesar da despedida. Entretanto, nossa memória sempre guardará os bons momentos da personagem e do ator, além dos conselhos que Nimoy enviava a seus seguidores pelo twitter. 
Sua vida pode não ter sido tão longa quanto esperávamos, mas é certo que foi tão próspera quanto ele merecia.
Descanse em paz...

Franz Lima

A despedida de Oliver Sacks. Uma lição de vida através da proximidade da morte.


Texto: Franz Lima.
Serei o mais sincero possível: eu não conheço as obras de Oliver Sacks. Também não sei nada sobre a pessoa do escritor. Mas nada disso me impede de admirar o ser humano que se mostrou superior à proximidade da morte.
Sacks tem pouco tempo de vida em função de um câncer terminal. Ao contrário de muitas pessoas, o escritor e neurologista mostrou uma calma incomum diante do inevitável, fato que me surpreendeu. 
Através de uma carta aberta ao público, ele agradeceu pelo tempo de vida que lhe foi concedido, por ter escrito suas obras, pela companhia das pessoas que ama e, principalmente, pelo tempo que lhe resta. 
Mas, acima de tudo, Oliver Sacks deixa um legado ainda maior que suas obras literárias e os trabalhos como neurologista. Ele nos presenteou com um exemplo incontestável de sabedoria. Não a sabedoria adquirida através dos livros. Não a sabedoria de um profissional competente. O que fica é a sabedoria de um homem que aceitou a inevitabilidade do curso normal da vida e contrariou todas as expectativas ao ser grato pelo que passou. Muitos, na mesma situação, buscariam na revolta e no ódio as ferramentas para refutar a morte. Outros iriam se encolher em um mundo próprio e aguardar o óbvio. Porém ele irá continuar até onde for possível, viverá cada segundo com a maior intensidade e será, certamente, um homem melhor para todos que ele ama.
A despedida pode ser muito menos dolorosa com uma atitude similar a esta. Por mais difícil que seja, é possível partir e deixar as melhores lembranças que a situação permite e, ainda, uma lição de vida. 
Morrer, mostra-nos Sacks, é a sina de todos. Morrer com dignidade é a escolha que podemos fazer. 
Eu guardarei este exemplo até o fim de meus dias.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Calvin e Haroldo: as últimas palavras. Via Geek Vault.



Fonte: Geek Vault
Comentários: Franz Lima.

Uma emocionante história onde o fim da vida de Calvin é mostrado da forma mais impactante e poética possível. Lágrimas cairão, principalmente se você for, assim como eu, fã da famosa e saudosa dupla.
Senhoras e senhores, com vocês: Calvin e Haroldo - As últimas palavras.


“Calvin? Calvin, meu amor?”

Da escuridão Calvin ouviu o chamado de Susie, sua esposa há 53 anos. Deus, ele estava tão cansado e foi tão difícil abrir os olhos. Vagarosamente, a luz substituiu a escuridão, e logo e visão estava completa. No pé de sua cama estava sua esposa. Calvin molhou seus lábios secos e falou com a voz rouca, “Você…você o…encontrou?”
“Sim querido,” Susie respondeu com um triste sorriso, “Ele estava no sótão.”

Susie pegou dentro de sua bolsa e retirou um suave, velho e laranja tigre de pelúcia. Calvin não conseguiu evitar uma risada. Já fazia tanto tempo. Muito tempo.

“Eu lavei ele para você,” Susie falou, sua voz quebrando um pouco enquanto ela colocava o tigre de pelúcia perto de seu marido.

“Obrigado Susie.” Calvin respondeu.

Alguns momentos se passaram enquanto Calvin apenas deitava em sua cama no hospital, sua cabeça virada para o lado, olhando o antigo brinquedo com nostalgia.

“Querida,” Calvin finalmente falou. “Você se importaria me deixar sozinho com Haroldo por um tempo? Eu gostaria de conversar com ele.”
“Sem problemas,” Susie respondeu. “Eu vou comer algo na cafeteria. Volto logo.”

Susie beijou seu marido na testa e se virou para ir embora. Com uma repentina, mas suave força, Calvin a parou. Amorosamente ele puxou sua esposa e a deu um beijo apaixonado em seus lábios. “Eu te amo,” ele disse.

“E eu amo você,” responde Susie.

Susie virou e saiu. Calvin viu lágrimas saindo de seus olhos quando ela saiu pela porta.

Calvin finalmente virou para ver seu mais antigo e querido amigo. “Ola Haroldo. Faz um bom tempo não faz amigo?”

Haroldo não era mais um tigre de brinquedo, mas o antigo e peludo tigre que Calvin sempre se lembrou. “Sem dúvida faz, Calvin.” foi a resposta de Haroldo.

“Você…você não mudou nada.” Calvin sorriu.

“Já você, mudou muito.” Haroldo disse tristemente.

Calvin riu, “Verdade? Eu nem tinha reparado.” Teve uma longa pausa. Apenas o barulho de um relógio contando os segundos ecoando no quarto estéril do hospital.

“Então…você casou com Susie Derkins.” Haroldo falou, finalmente sorrindo. “Eu sempre soube que você gostava dela.”

“Fique quieto!” Calvin disse, seu sorriso maior que nunca.

“Me conte tudo que perdi. Eu adoraria ouvir tudo que você fez!” Haroldo disse, empolgado.

Então Calvin contou tudo. Ele contou como ele e Susie se apaixonaram no colegial, como eles se casaram logo após a faculdade, contou sobre seus 3 filhos e seus 4 netos, como ele transformou Space Spiff em uma das mais populares novelas de ficção científica, e por aí vai.

Depois que ele disse tudo isso para Haroldo, ocorreu mais um silêncio impregnante.

“Você sabe…eu te visitei no sótão várias vezes.” Calvin disse.

“Eu sei.”

“Mas eu nunca consegui te ver. Tudo que eu via era um animal de pelúcia.” a voz de Calvin estava quebrando e lágrimas de arrependimento começaram a cair de seus olhos.

“Você cresceu amigão.” disse Haroldo.

Calvin começou a soluçar, abraçando seu melhor amigo. “Me desculpe! Por favor me desculpe por quebrar a minha promessa! Eu prometi que nunca ia crescer e que iríamos ficar sempre juntos!”

Haroldo  acariciou o cabelo de Calvin, ou o pouco que ainda restava. “Mas você não quebrou.”

“O que você quer dizer?”

“Nós sempre estivemos juntos…em nossos sonhos.”

“Nós estivemos?”

“Nós estivemos.”

“Haroldo?”

“Sim amigão?”

“Estou tão feliz por poder te ver assim….uma última vez…”

“Eu também Calvin, eu também.”

“Amor?” A voz de Susie veio do outro lado da porta.

“Sim querida?” respondeu Calvin.

“Posso entrar?” perguntou Susie.

“Só um minuto.”

Calvin virou para ver Haroldo uma última vez.

“Adeus Haroldo. Obrigado…por tudo…”

“Não, eu que te agradeço Calvin.” respondeu Haroldo.

Calvin virou para a porta e falou, “Pode entrar agora.”

Os filhos e netos de Calvin seguiram Susie no quarto dele. O neto mais novo correu por todos eles e abraçou o seu avô de uma forma forte e empolgada. “Vovô!” gritou a criança.

“Francis!” gritou a filha de Calvin, “Seja gentil com seu avô.”

A filha de Calvin virou para seu pai e disse “Me desculpe papai. Francis não está se comportando esses últimos dias. Ele apenas corre fazendo bagunça e vindo com histórias estranhas.”

Calvin riu e disse, “Ora, isso está parecendo como eu era na sua idade.”

Calvin e sua família conversaram mais um pouco até quando a enfermeira chegou e disse, “Me desculpem, porém a hora de visita está praticamente terminando.”

A amorosa família de Calvin disse tchau e prometeu voltar no dia seguinte. Assim que eles estavam saindo Calvin disse, “Francis. Venha aqui um segundo.”

Francis ficou ao lado de seu avô, “O que foi vovô?”

Calvin pegou o antigo tigre de pelúcia e o entregou, tremendo para seu neto, que era extremamente parecido com ele tantos anos atrás.

“Esse é Haroldo. Ele foi meu melhor amigo quando eu tinha sua idade. Gostaria que você o tivesse.”

“Mas ele é apenas um tigre de pelúcia.” Francis disse.

Calvin riu, “Bom, deixe-me te falar um segredo.”

Francis chegou mais perto de Calvin. Calvin sussurrou, “se você o pegar em uma armadilha para tigres, utilizando um sanduíche de atum como isca, ele vira em um tigre real.”

Francis olhou com admiração. Calvin continuou, “Não apenas isso, ele será seu melhor amigo para sempre.”

“Wow! Obrigado vovô!” Francis disse, abraçando seu avô fortemente novamente.

“Francis! Nós precisamos ir agora!” chamou a filha de Calvin.

“Okay!” Francis gritou.

“Cuide bem dele.” disse Calvin.

“Eu vou.” Francis disse, antes de correr com o resto de sua família.

Calvin deitou e ficou olhando para o teto. O tempo estava chegando. Ele conseguia sentir em sua alma. Calvin tentou lembrar uma frase que ele leu em um livro uma vez. Falava algo sobre a morte ser apenas a próxima grande aventura, ou algo do tipo. Seus olhos ficaram pesados e sua respiração ficou mais lenta. Enquanto ele ia finalmente para seu sonho final, ele ouviu Haroldo, como se estivesse logo ao lado dele na cama. “Eu vou cuidar dele, Calvin…” Calvin deu seu primeiro passo para mais uma aventura e teve seu último respiro com um sorriso em sua face.

Texto atribuído a Interciso Mateus

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O adeus à Kombi em seus 56 anos.


Last Edition em comemoração aos 56 anos


Fonte das imagens: Kombi VW

Um dos automóveis de maior utilização da história do automobilismo finalmente se despede (literalmente) de nós. O utilitário que ficou popularizado pelo nome Kombi (do alemão Kombinationsfahrzeug, que significa "veículo combinado" ou "veículo multi-uso" mais corretamente) completou 56 anos. Entretanto, a nova legislação prevê que os veículos deverão sair de fábrica com freios ABS e air bag, fatores que impediram a continuidade da produção do veículo. Assim, em 20 de dezembro de 2013 será decretado oficialmente o fim da Kombi, a ancestral das vans e utilitários. 
O veículo já foi usado no país como ambulância, trailer, transporte escolar, lotação e até como barraca para venda de quase tudo que possam imaginar. É o fim de mais um automóvel que fez tanto sucesso quanto o Fusca, da mesma montadora.
A Volkswagen do Brasil será a responsável pela saída definitiva do veículo, atualmente produzido apenas em território nacional. 
Vejam alguns dos tipos de Kombi que já circularam (na verdade, circularão ainda por muito tempo) por nossas ruas e estradas.

Conversível

Modelo antigo

Clássica com um único retrovisor.

Kombi Safari - Trailer

Kombi Safari - Trailer
Modelo antigo customizado

Modelo antigo customizado

Modelo antigo com interior customizado

Reparem no para-brisa dianteiro


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Funeral 2D é convertido para 3D por Leticia Reinaldo.



Fonte: Leticia Reinaldo
Outros trabalhos da artista: Site Leticia Reinaldo

Inspirada em uma ilustração do artista Sergey Ishmaev, Leticia Reinaldo, uma brasileira que está atualmente em Los Angeles, EUA, resolveu transformar o desenho 2D em uma obra 3D. O processo de conversão é mostrado passo a passo, o que evidencia a habilidade da artista com as ferramentas digitais (entre elas o Photoshop, Maya e Zbrush). Espero que gostem deste novo trabalho apresentado aqui no Apogeu...




 O resultado final... uma ilustração com profundidade, peso - é possível sentir muito mais o clima soturno da ocasião -, dotada de uma iluminação que evidencia a dor e com um grau de detalhes incrível. Parabéns, Leticia.



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Doação de órgãos: declare-se doador.


Uma instituição (Adote) tem lutado para conscientizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos. Muitos ainda pensam que é preciso estar lançada na identidade a tarja "DOADOR DE ÓRGÃOS" para que retirem seus órgãos em caso de fatalidade. A verdade é outra: basta declarar aos seus parentes que é doador e eles irão autorizar a remoção. Não perca tempo. Divulguem a todos, conscientizem que a nossa morte pode ser a única perspectiva de continuação da vida para outras pessoas. Não tema morrer: você pode se transformar em vida.

Contemplem algumas imagens de campanhas para a doação. Comentem e façam com que o máximo possível de pessoas conhecidas (ou não) saibam deste post, da associação Adote e, principalmente, da importância da vida dos que ficam quando morrermos. Seja solidário...

A ADOTE é uma organização não governamental, sem finalidade econômica, fundada em 20 de novembro de 1998, em Pelotas, RS, cuja missão é atuar no sentido de promover mudanças de atitudes e valores da Sociedade e Estado para preservar e melhorar a vida.
Seu site pretende organizar e divulgar em linguagem comum o conhecimento disponível sobre o processo de doação e transplante de órgãos no Brasil.


Quatorze anos de transplantes sob a Lei da Vida

RESUMO:

Em janeiro de 1998 entrou em vigor a Lei 9.434/97 intitulada pelo seu relator, Senador Lúcio Alcântara, como Lei da Vida. Este trabalho apresenta alguns resultados produzidos e considerados relevantes nos dez primeiros anos de vigência da Lei da Vida:

a) Foram realizados no Brasil mais de 100 mil transplantes, sendo, aproximadamente, 40 mil de órgãos sólidos (coração, pulmão, fígado, rim, pâncreas) e 60 mil de tecidos (exclusivamente córneas. Não foram computados medula óssea e outros);

b) 66,8% dos transplantes foram financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – 86% dos transplantes de órgãos e 54,1% dos de córneas;

c) Quase 60% dos transplantes renais foram realizados com doador vivo, um dos índices mais elevados do mundo; 

d) Embora tenham sido realizados cerca de 20 transplantes por dia a lista de espera cresceu a uma velocidade de pelo menos 10 inscrições por dia; 

e) Mesmo tendo ocorrido um importante aumento na viabilização de possíveis doadores em potenciais doadores, o desperdício de órgãos, decorrente da falta de notificação do diagnóstico de morte encefálica para as Centrais de Transplante, ainda foi alto, ou seja, quase 60% dos possíveis doadores foram desperdiçados;

f) Depois da sub-notificação, a segunda causa de perda de doadores foi a Contra Indicação Médica (44,1% das causas de não doação) e a terceira foi a falta de consentimento da família, que variou entre 34,1 e 42,2% com média de 37,7%; 

g) As estatísticas vitais do DATASUS permitiram estimar a disponibilidade de córneas para transplante entre 30 e 86 mil por ano;

h) A lista de espera por transplante de córnea poderia ser zerada nos próximos 12 meses se cada uma das 528 comissões intra-hospitalar de transplantes captassem pelo menos 26 doadores para atender a apreciável capacidade instalada de 29 bancos de olhos e 393 equipes transplantadoras autorizadas pelo Sistema Nacional de Transplantes. 

O fato de 66,8% dos transplantes receberem financiamento público sinaliza uma divisão de atribuições entre as esferas públicas e privadas no que se refere às fontes de remuneração para estes procedimentos de alta complexidade. Entretanto, contraria recomendação feita ao SNT por organizações sociais, para as quais os transplantes, pela sua natureza peculiar, deveriam ser totalmente financiados pelo poder público. 
Sugere-se que a maneira mais rápida de diminuir a elevada escassez de órgãos para transplantes no Brasil seria através do aumento da notificação de possíveis doadores, que poderia ser viabilizado através de medidas de natureza organizacional. Entre elas, estaria, em primeiro lugar, a criação de formas de reconhecimento e de incentivos para a efetiva atuação dos membros das CIHDOTT, que hoje são formadas quase exclusivamente por voluntários. Formas de incentivo à captação de órgãos e córneas também poderiam ser introduzidas no processo de contratualização dos hospitais, processo esse já implantado nos hospitais de ensino e em fase de implantação da rede de hospitais filantrópicos e privados prestadores de serviços ao SUS.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Conto: A experiência


Autora: Priscilla Rubia

 O martelo desceu mais uma vez.
         Voltou a chorar. Estava preso e não podia se mexer, mas pelo menos ainda podia chorar.
         Mais uma vez sentiu o martelo.
  Onde estava? – perguntou-se mais uma vez. Era um galpão? Um quarto? Estava escuro, não podia ver.
         Sentiu a pancada na cabeça de novo e de novo.
         Gritou. Como das outras vezes nada aconteceu. Respirou fundo e sentiu um odor. Um cheiro de coisa podre. De onde vinha esse cheiro? Por um segundo teve certeza de que o cheiro era dele mesmo.
         Sentiu as lágrimas descendo pelo rosto e em seguida mais uma pancada do martelo em sua cabeça.
         Estava no inferno, não estava? Não poderia pensar em outra explicação. Onde mais ficaria preso, sentado sem se mexer e tudo o que podia sentir era a dor, angústia e desespero? Só não podia entender porque estava no inferno. Não se lembrava de um motivo para isso. Tinha sido um bom menino, não tinha? Obedecia a mãe, bem, na maioria das vezes, mas isso era normal, não era? Às vezes mentia também, mas ora, todos mentem. Lembrou-se do dia que empurrou um amigo no lago. Só queria lhe pregar uma peça. Não sabia que o amigo não podia nadar. Graças a Deus que alguns adultos estavam por perto e salvaram o menino. Tomou uma bela surra do pai naquele dia, mas isso era normal também, não era? Não sabia.
         — Deus, por favor, me perdoe, não tive a intenção - mas tudo que obteve como resposta foi a pancada repetida em sua cabeça.
         Foi tomado pelo ódio. Se estava no inferno, onde estavam os malditos nazistas? Haviam o tirado de casa em uma noite e desde então não viu a mãe ou o pai. Se estava no inferno, eles teriam de estar ali. Eles mereciam, e como mereciam. Porém, estava sozinho. A sua única companhia era o barulho do martelo contra seu crânio.
         Gritou mais uma vez, só que não parou. Gritou o mais alto que pôde e depois disso gritou mais. Gritava o nome da mãe, do pai, gritava até os nazistas. Ver qualquer um seria bom. Ver uma luz qualquer vinda de uma abertura naquela negritude. Gritava enquanto chorava, enquanto o martelo ia e vinha, ia e vinha e nunca se cansava.
         Gritou e percebeu depois de um tempo que também estava rindo.
    Quando os nazistas deram-se por satisfeitos, pararam o equipamento e retiraram o menino da cadeira. Nos olhos da criança judaica, nada viram que representasse sanidade.
         Bom, o experimento estava completo.
         Ajoelharam o menino e o mataram.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Conto: A juíza




Lábios frios, qual o motivo que tens para tocardes os meus?
Sois vós os caminhos por onde passam palavras duras, tão cortantes quanto o fio de uma espada, que me atingem sem levar em conta os resultados.
É justamente de vós que tirei os mais intensos momentos de prazer e, em oposição, o mais puro pesar.
Falastes em amor como nunca fora antes dito. Havia verdade em tais sons... o que fiz para que mudasses tanto?
Distante é o tempo em que duas almas se conheceram. Quis o destino que assim fosse, sem considerar as prováveis conseqüências.
Tu eras jovem, impetuosa, mas com um amor contido em teu corpo, que poucos conseguem manter aprisionado. Conheci-te casada, com uma carreira promissora; eu, ao contrário, era um pobre, com pouco estudo e pouco a oferecer-lhe.
Esse mesmo pouco, tu aceitaste. Dissestes que juntos tínhamos como nos ajudar mutuamente. Minha mente foi aberta por ti e meu coração lacrado a todos, exceto vós.
Em nosso leito adúltero, juramos amor e fidelidade eternos. Unimos nossos corpos e almas e fizemos um pacto, onde o silêncio do nosso amor seria brevemente rompido quando tua separação fosse concretizada.
Entretanto, o capricho do destino é maior que nossas esperanças.
Acusaram-me injustamente de matar. Um complô onde eu sou a verdadeira vítima. Não pude defender-me, pois tu eras meu álibi. Estávamos juntos no momento em que o crime ocorreu, amando-nos sem nada saber e sem que de nós soubessem.
Preso, fiquei à mercê de meus captores. Tentaram forçar-me a confessar o que não fiz. Nada obtiveram.
Meses passaram-se, e estou diante de ti. Nossa promessa permanece.
Sei tudo o que tens a perder e sei que nada possuo para suprir. Nosso amor não pode ser revelado ou tu terás tua própria crucificação. As conseqüências são tão devastadoras que a vejo tremer diante do inevitável.
Todos querem justiça. Provas foram forjadas e não posso quebrar meu voto para contigo. Finalmente, o momento chega para que meu sofrimento tenha seu término decretado.
Hoje, diante de vós, vejo-a movimentar-se de forma lenta. Os jurados dão seu veredicto e tu o aceitas. De seus lábios os sons formam a palavra que determina o declínio de nosso amor. Ou será a prova definitiva de que ele realmente é forte o suficiente para ultrapassar a morte? Seu olhar toca o meu e percebo a dor que sentes, infinitamente maior que a minha. Meu corpo irá, mas é tua alma que ficará despedaçada. Tu me declaras culpado; culpado por amar-te.


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