{lang: 'en-US'}

Mostrando postagens com marcador Letras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Letras. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Uma nova colaboradora se apresenta ao Apogeu: Mariah Alcântara.


Ela é escritora, blogueira, amante da arte na pele e, finalmente, a mais recente colaboradora do Apogeu. 
Mariah Alcântara é uma pessoa que sabe viver, admira a boa escrita e sempre está presente em muitos projetos literários. Ela escreve em seu próprio blog - Alma Nua -, na Roda de Escritores, Giz da Alma e no Covil da Discórdia
Mesmo com diversos materiais publicados na web, ela resolveu aceitar o convite deste que vos fala. Agora, ela integra o elenco do Apogeu do Abismo.
Além da literatura que ela tão bem elabora, Mariah irá falar sobre um assunto que gosto muito: a tatuagem. 
Com total liberdade de produção, a autora irá brindar os leitores (a princípio quinzenalmente) com matérias e observações sobre o universo da arte na pele... e na alma.
Seja bem-vinda, Mariah. Esse é um grande salto para o Abismo!


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Agenda Literária (e cinematográfica) da 1ª semana de novembro.



39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Terça-feira, 3 de novembro, às 13h30
O filme Órfãos do Eldorado, adaptação da obra de Milton Hatoum, será exibido na Mostra de Cinema de São Paulo.
Local: Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca 1 — Rua Frei Caneca, 569 — São Paulo, SP


Feira do Livro de Passo Fundo

No dia 1º de novembro começou mais uma Feira do Livro de Pato Fundo. Conheça nossos autores que estarão lá:
  • Quarta-feira, 4 de novembro, às 19h30
    Bate-papo com Fernando Aguzzoli e, logo após, sessão de autógrafos do livro Quem, eu?.
  • Sábado, 7 de novembro, às 15h30
    Bate-papo com Raphael Montes com sessão de autógrafos de O vilarejo
Fórum das Letras

De 4 a 8 de novembro, Ouro Preto recebe mais uma edição do Fórum das Letras. Confira quais autores do Grupo Companhia das Letras estarão por lá:
  • Mesa com José Luís Peixoto
    Quinta-feira, 5 de novembro, às 19h
    Lançando seu novo livro, GalveiasJosé Luís Peixoto participa da mesa “O que significa escrever na língua de Camões e Fernando Pessoa?”
  • Encontro com Laerte
    Sábado, 7 de novembro, às 15h30
    Laerte Coutinho se encontra com leitores para falar sobre sua obra.
  • Mesa com Paulo Markun
    Sábado, 7 de novembro, às 10h30
    Paulo Markun participa do encontro “Narrativas de reportagens, imagens e jornalismo” no Ciclo Jornalismo e Literatura.
Bate-papo com Marcelo Rubens Paiva

Quinta-feira, 5 de novembro, às 19h
Marcelo Rubens Paiva participa de bate-papo sobre o livro Ainda estou aqui em São Paulo.
Local: Centro de Pesquisa e Formação do Sesc — Rua Dr. Plínio Barreto, 285, 4º andar — São Paulo, SP


Feira do Livro de Porto Alegre

Autores do Grupo Companhia das Letras participam da 61ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre. Confira a programação:
  • Brasil: uma aula
    Quinta-feira, 5 de novembro, às 18h30
    Lilia Moritz Schwarcz e Heloisa M. Starling realizam uma aula sobre o livro Brasil: uma biografia na Feira do Livro de Porto Alegre.
    Local: Auditório Barbosa Lessa – CCCEV — Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico — Porto Alegre, RS
  • Oficina com Raphael Montes
    Sexta-feira, 6 de novembro, às 15h
    Autor de O vilarejo, Raphael Montes participa de workshop de literatura policial.
    Local: Auditório Barbosa Lessa – CCCEV — Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico — Porto Alegre, RS
Sessão de autógrafos com Mauricio de Sousa

Sexta-feira, 6 de novembro, às 19h
Mauricio de Sousa autografa os livros da coleção Turma da Mônica por Companhia das Letrinhas no lançamento de Mônica é daltônica? Os azuis, com Odilon Moraes.
Local: Loja da Companhia das Letras por Livraria Cultura — Av. Paulista, 2073, São Paulo — SP


Lançamento de Dois mundos, um herói

Sábado, 7 de novembro, às 14h
Participe do lançamento do primeiro livro de RezendeEvil, fenômeno do YouTube com seus vídeos sobre Minecraft: Dois mundos, um herói.
Local: Livraria Cultura do Shopping Curitiba — Rua Brigadeiro Franco, 2300 — Curitiba, PR


Lançamento de O gigante

Sábado, 7 de novembro, às 10h
Participe da sessão de autógrafos com o grupo Tiquequê no lançamento de O gigante, de Angelo Mundy.
Local: Livraria Cultura — Av. Paulista, 2073, São Paulo — SP
Curta a fanpage do Apogeu: www.facebook.com/Apogeudoabismo

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Japão não abolirá cursos de Ciências Sociais e Humanas, esclarece ministro. Via IPC.


Fonte: IPC Digital. Texto: Daniel Lima

* Recentemente divulguei uma matéria do Terra onde era noticiada a decisão de que algumas universidades japonesas iriam encerrar os cursos de ciências humanas. Entretanto, o site IPC, feito por brasileiros que moram no Japão, desmentiu a notícia, taxando-a de equivocada. As explicações estão abaixo, já que é vital para a credibilidade que as duas versões da trama sejam veiculadas. Busquei em inúmeras pesquisas por mais notícias similares, mas não tive sucesso. De qualquer forma, eis a matéria: 

TÓQUIO (IPC Digital) – No início desta semana, diversos veículos do mundo divulgaram a notícia de que o governo japonês estaria solicitando a universidades públicas que cancelassem cursos das áreas de Ciências Humanas e Sociais. Na mídia brasileira, um grande portal de notícias chegou a utilizar o termo “decreto ministerial” para se referir à mensagem do ministro da Educação japonês, Hakuban Shimomura, enviada às universidade nacionais, pontuando quais seriam as reformas e desafios em que essas instituições devem depositar seus esforços. O trecho que gerou o mal entendido é o seguinte (tradução livre):

“Conforme fora exposto na ‘Redefinição da Nossa Missão’, as universidades devem colocar seus esforços nas reformulação de suas estruturas de forma rápida, com base nas suas características e pontos fortes, bem como na sua função social. Especialmente com relação aos cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Formação de Professores, Ciências Humanas e Sociais, devem ser aplicados esforços no sentido de realizar a abolição de estruturas e a conversão para áreas de alta demanda social.”
O que a carta da referida pasta não mencionou, na ocasião, é que o chamada ‘Redefinição da Nossa Missão’ trata-se de um documento elaborado pelo ministério da Educação junto com as universidades nacionais contendo pontos de reforma para os anos de 2012 e 2013. Na ocasião, esse texto colocou como um das medidas a serem tomadas a extinção de cursos de Formação de Professores que não exijam a obtenção da licença de professor como requisito para a obtenção do diploma, conhecidos no Japão como “cursos licença zero.”
Apesar de o titular da pasta já se encontrar há algum tempo tentando desfazer o que chamou de “mal entendido”, a veiculação do fato por alguns periódicos estrangeiros como The Wall Street Journal fez com que o caso entrasse em evidência nos sites de notícias de diversos países e redes sociais, sem que fosse disponibilizada a explicação oficial do ministério.
Em entrevista ao jornal “Nihon Keizai Shimbun” no dia 10 de agosto, Shimomura já havia esclarecido que o termo “abolição de estruturas” se referia, portanto, aos currículos de licença zero, procurando também explicar que seu ministério não compartilha a opinião de que cursos das áreas de Ciências Exatas deveriam receber algum tipo de privilégio, ou que o dito “conhecimento prático” deve ocupar uma posição prioritária nas políticas educacionais. O ministro complementou mencionando o problema do constante encolhimento da população enfrentado pelo Japão e o número cada vez menor de jovens, o que tornaria imprescindível o estímulo à formação de professores devidamente licenciados.



terça-feira, 14 de outubro de 2014

Confiram a semana de eventos literários pela Companhia das Letras.


João Paulo Cuenca participa da Feira do Livro de Caxias do Sul
Quarta-feira, 15 de outubro, às 19h
Autor de O único final feliz para uma história de amor é um acidente participa do bate-papo “A morte de J.P. Cuenca”, com mediação de Ciro Fabres.
Local: Auditório – Praça Dante Alighieri – Caxias do Sul, RS

Debate com Carol Bensimon em Araraquara
Quinta-feira, 16 de outubro, às 20h
Carol Bensimon participa de debate com sessão de autógrafos de Todos nós adorávamos caubóis.
Local: FCL – UNESP: Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara, Anfiteatro B – Rod. Araraquara-Jaú Km 1 – Araraquara, SP

Lançamento de Pagu
Quinta-feira, 16 de outubro, às 18h30
Augusto de Campos autografa Pagu em São Paulo.
Local: Loja da Companhia das Letras por Livraria Cultura – Av. Paulista, 2073 – São Paulo, SP

Luiz Ruffato participa de simpósio
Quinta-feira, 16 de outubro
Autor de Flores artificiais participa do V Simpósio Internacional de Letras Neolatinas na UFRJ
Local: Faculdade de Letras da UFRJ – Rio de Janeiro, RJ

Lançamento de Obra autobiográfica
Quinta-feira, 16 de outubro, às 17h30
Rosa Freire d’Aguiar, organizadora de Obra autobiográfica, de Celso Furtado, lança o livro na Academia Brasileira de Letras.
Local: Academia Brasileira de Letras – Av. Presidente Wilson, 203, Castelo – Rio de Janeiro, RJ

Café com Poesia com Fabrício Corsaletti
Sábado, 18 de outubro, às 10h30
Autor de Quadras paulistanas participa da edição de outubro do Café com Poesia.
Local: Loja da Companhia das Letras por Livraria Cultura – Av. Paulista, 2073 – São Paulo, SP

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Um texto onde todas as letras das palavras começam com 'P'.


Autor desconhecido.

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, Pisando Paris, permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundo pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo… Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses. Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo. Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? Papai proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus.
Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.
Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.
Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar… Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto pararei.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Mamede Mustafa Jarouche. Uma entrevista com o tradutor de "As Mil e Uma Noites".


Mais do que uma entrevista, este post mostra o quanto é necessário dedicar-se para alcançar um nível de excelência reconhecido amplamente. Mamede Mustafa Jarouche é um nome extremamente requisitado quando o assunto é tradução do árabe para o português, mas nem tudo foi sempre assim. Conheçam mais da trajetória e do sucesso de Mamede, o tradutor de As Mil e Uma Noites, entre outros.
Ao centro, Mamede Mustafa Jarouche, ao conquistar o primeiro lugar na categoria "Tradução" por "O Leão e o Chacal Mergulhador"
Fonte: Com Ciência
Ao conversar com o professor da USP Mamede Mustafá Jarouche, é notável sua paixão pelo mundo árabe. Filho de imigrantes libaneses, ele desde cedo conviveu com a língua e os costumes do Líbano em sua família. Além disso, estudou e trabalhou em países como Arábia Saudita, Egito, Líbia e Iraque. Politizado, Jarouche – graduado em letras pela USP, com mestrado e doutorado na mesma área – se agita ao comentar a situação política dos países árabes, que conhece de perto, pois esteve no Egito no dia 25 de janeiro de 2011, quando começaram os protestos populares no país (ele publicou artigos sobre isso no dia 6 e no dia 20 de fevereiro de 2011 na Folha de S. Paulo). Mas ao falar sobre tradução e literatura árabe, se acalma e demonstra uma grande satisfação pessoal. No momento ocupado com a leitura e tradução de um texto político árabe do século XIII, Jarouche foi responsável pela recente tradução direta, da língua árabe para o português do clássico As mil e uma noites. E afirma: “ A tradução literária impõe um conhecimento amoroso da estética das línguas com as quais você trabalha”.
ComCiência – O senhor convive com a língua árabe desde cedo por causa de sua família, que é de imigrantes libaneses. Como e quando o senhor começou a estudar a língua árabe? 
Mamede Mustafa Jarouche – Foi no começo da década de 1980. Fui estudar árabe graças a uma bolsa que ganhei do governo da Arábia Saudita em 1981. Mas ainda não havia o interesse acadêmico, fui apenas para estudar a língua. Depois que voltei de lá, vislumbrei a possibilidade de estudar árabe na Universidade de São Paulo (USP). Durante o período de graduação na universidade, fui trabalhar no Iraque como tradutor e, depois da graduação, fui para a Líbia para também trabalhar. Lecionei árabe na USP como professor voluntário, sendo contratado em 1992, quando também conclui meu mestrado e em seguida meu doutorado. Depois fui estudar árabe novamente, dessa vez no Egito. O caminho (no estudo do árabe) aconteceu naturalmente
ComCiência – Em qual situação se encontrava o estudo da língua árabe no Brasil no momento que o senhor começou a sua carreira?
Jarouche – O estudo da língua árabe no Brasil era muito incipiente. Já havia cursos de árabe, sendo os dois primeiros na USP e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mas eram cursos vistos como “perfumaria”, ou seja, não havia nenhuma exigência, nem cobrança, nem demanda científica e acadêmica por parte dos alunos. Ele permanecia a nível de curiosidade. Mas o grande salto qualitativo do estudo da língua árabe ocorreu a partir deste século, do século XXI. 
ComCiência – E qual foi o principal motivo para esse avanço recente do estudo do árabe? 
Jarouche – Tem muito a ver com a nova participação do Brasil no cenário mundial. Graças à exigência da pluralidade e à abertura do relacionamento com os países do Oriente e Oriente Médio. A partir deste século, começou a haver uma demanda e uma importância maior no relacionamento do Brasil com outros países, fora da esfera da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. Quando o presidente Lula assumiu, sua primeira viagem internacional foi para o Oriente Médio. Outro fator, infelizmente, foi o atentado de 11 de setembro de 2001. 
ComCiência – Isso despertou uma curiosidade do brasileiro em relação à cultura árabe? 
Jarouche – Também. Acho que a principal razão para o aumento da curiosidade do Brasil, e do mundo ocidental, em relação à cultura árabe se deve à questão comercial, que expandiu muito, desde a década de 1970. Mas o atentado trouxe uma visibilidade maior para o mundo árabe. Houve muito mais informação e demanda por informação sobre os países árabes. Hoje há vários centros universitários que estudam a língua árabe, como a USP, a Unicamp, a UFRJ e outros centros, como a Universidade Federal de Santa Catarina, evidenciando o interesse acadêmico e intelectual pela língua árabe. 
ComCiência – O senhor acredita que o interesse pela língua e cultura árabe pode continuar se expandindo no Brasil? 
Jarouche – Acredito que sim. Agora, com a crise política que vivem os países árabes, o interesse deve se acentuar ainda mais. Hoje temos diferentes setores políticos que acompanham o mundo árabe. Esse interesse, somado à ascensão do Brasil, só tende a se fortificar, trazendo mais contato, por interesses políticos e econômicos. 
ComCiência – É notável o seu interesse pelo aspecto político das relações entre Brasil e Oriente Médio. Ele ocorreu naturalmente ou o senhor passou por algum tipo de experiência envolvendo a política árabe? 
Jarouche – Quando eu era aluno, era militante de esquerda, afinal cresci no Brasil da ditadura militar. Por isso, cresci nesse ambiente politizado, de militância. Além disso, sempre tive curiosidade pelo mundo árabe por ser descendente de libaneses. Quando era jovem, o Líbano, a nação da minha família, vivia uma revolução. Já existia também a questão da Palestina. Por coincidência estava no Egito no dia do estouro da revolução, no dia em que as pessoas foram às ruas e, por isso, acompanhei todo o processo. Foi um episódio muito emocionante de vivenciar.
ComCiência – Focando agora na sua carreira de tradutor, como é o seu trabalho e como ele começou?
Jarouche – Acho que o fator mais importante que pode ser destacado sobre meu trabalho é o fato de que as traduções ocorreram direto do árabe para o português. Isso é muito curioso porque não existia esse padrão no Brasil, as traduções ocorriam da língua oficial para uma intermediária e, depois, para o português. Quando comecei, as traduções eram feitas da língua original para o inglês, espanhol ou francês, para depois ser traduzido ao português. Depois dessa inserção do Brasil no mundo árabe e em outros países, o brasileiro passou a exigir a tradução direta, o que evidencia um novo comportamento dos leitores brasileiros. Hoje muitos leitores questionam a tradução e conferem se ela é feita diretamente da língua original. Eu fico muito contente de perceber que meu trabalho contribuiu para isso, fico muito feliz. Mas repito: isso só foi possível devido à nova situação em que se encontra o Brasil no mundo. 
ComCiência – Quais as diferenças da tradução literária para a tradução científica? 
Jarouche – A linguagem acadêmica tende a ser mais padronizada em diferentes línguas e, por isso, não ocorre muita perda de significado na hora da tradução, o que é diferente da linguagem literária, em que existem muitas ferramentas como metáforas e outras. A literatura se baseia muito em recursos, como a metalinguagem e a metáfora, que a linguagem científica não utiliza. O cientista não pode descrever o DNA com metáfora, ele tem que ser preciso. Já a linguagem literária é a linguagem do questionamento, da alusão, da fantasia. A linguagem científica é objetiva. 
ComCiência – O senhor acredita que a tradução de um clássico como As mil e uma noites possa ser uma forma de divulgação cultural? 
Jarouche – Talvez seja uma divulgação de um conhecimento. Mas com certeza é a divulgação de uma cultura, no caso, a cultura árabe. 
ComCiência – Como foi a tradução de As mil e uma noites e de outros livros árabes? 
Jarouche – Foi muito gostoso, foi uma experiência muito agradável e prazerosa. É um livro de muita ação. O texto não para em descrições, acaba se tornando uma leitura muito prazerosa, porque você acaba desfrutando do livro. Às vezes você trava em uma questão em particular, uma diferença gramatical ou de sentido, isso acaba dando trabalho e se torna cansativo, mas no geral foi muito gostoso de fazer. Outras obras que traduzi também são muito interessantes, como Kalila e Dimina, 101 noites, O tigre e o raposo. Foram nove livros no total. E todas as obras foram muito gostosas de traduzir.
ComCiência – Para finalizar, para se tornar um bom tradutor, o que o senhor recomenda? 
Jarouche – Que vivencie a cultura e o país de origem da língua. Você tem que ter a sensibilidade de captar naquela língua que você está traduzindo os significados e saber reproduzir isso na sua língua. A tradução literária impõe um conhecimento amoroso da estética das línguas com as quais você trabalha.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Mostra sobre a Academia de Letras de Fortaleza.


De hoje até o próximo dia 30, o Shopping Benfica recebe a Mostra dos 10 Anos da Academia Fortalezense de Letras (AFL). O evento dispõe, para visitação pública e gratuita, de um pequeno acervo sobre a vida e obra dos acadêmicos, com fotos oficiais, mini-currículos e algumas das obras publicadas por eles. Uma ótima oportunidade de conhecer talentos das letras da Capital cearense.

A Academia foi criada por iniciativa de Matuzahila Sousa Santiago e José Luís Lira, em 12 de junho de 2002, para ser um centro de difusão e consolidação da cultura. O primeiro presidente da Academia foi o jornalista e ex-senador, Cid Saboya de Carvalho.

Artur Benevides, mais conhecido com o “Príncipe dos Poetas”, é considerado o presidente de honra da instituição que, atualmente, é presidida por Gisela Nunes da Costa.

A Academia Fortalezense de Letras, nessa década de existência, escreveu, pelas mãos de personagens ilustres da poesia, conto, crônica, enfim, articulistas e intelectuais fortalezenses, uma bela história de amor à literatura e às artes.

Mais informações:
Mostra dos 10 Anos  da Academia Fortalezense de Letras, em cartaz de hoje  até 30 de junho, no Shopping Benfica (Avenida Carapinima, 2200, Benfica).
Contato: (85) 3243.1000


Proxima  → Página inicial