Por Franz Lima Sabe quem agradece efusivamente à nossa memória volátil? Quem fica feliz com um povo que não se recorda de suas vitórias e desgraças? Pois é assim que somos: fracos demais para lembrar, não importa o quão importante seja o ocorrido, não importa se o que passou foi ou ruim ou em qual intensidade. O fato é que esquecemos tudo. A impressão que tenho é a de que vivemos embriagados por prazeres mais voláteis que nossa memória. Por uma bebida, um gol, um sorriso belo ou um pouco de dinheiro, deixamos os males mais duradouros em segundo plano. As "boas" coisas da vida são uma espécie de entorpecente capaz de alterar a realidade, mesmo que por períodos curtos, e, assim, vivemos e morremos. Como zumbis, alimentados por uma força estranha ao nosso conhecimento, caminhamos, crescemos, reproduzimos e morremos. Viver se tornou um ato quase automatizado, onde a emoção de descobrir cede ao apelo de uma rotina enfadonha, monótona e quase inalterável. Discorda? Pois me ...
"Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para o Abismo."