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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Imagens e palavras que irão fazê-los refletir. Divulguem, por favor.


Passamos a seguir indiscriminadamente as opiniões fornecidas por meio das redes sociais sem que, no mínimo, façamos uma reflexão sobre aquilo que é dito. Pensam por nós... e gostamos disso.

Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo. #apogeudoabismo 

As imagens a seguir servem de alerta e reflexão sobre a perda de valores e o descaso com os problemas externos em detrimento de nosso próprio mundo. A arrogância e o isolamento estão cada vez maiores, talvez por conta da falsa sensação de proximidade que o mundo digital traz.
Todas as charges e desenhos a seguir irão mostrar, com ironia e sarcasmo gritantes, uma faceta que buscamos esconder.  De qualquer forma, não adianta descartar esse lado da sociedade (ou pessoal) cujo direcionamento é quase todo voltado para a individualidade, indicando o coletivo como algo desprezível ou menos importante.
P.S.: nada contra a tecnologia. Quando bem empregada, ela é uma ferramenta indispensável nos dias atuais. Mas o excesso, o vício que o mundo virtual pode trazer é algo que precisa de alerta.

O preço que a medicina cobra para salvar vidas é algo cada vez menos acessível. Pobres clamam por socorro, mas, via de regra, não recebem a tempo de evitar a morte ou sequelas.




Os discursos (incluindo os da ONU) inflamados pelo fim da fome são, geralmente, apenas palavras. É bom lembrar que as palavras não trazem alimento para incontáveis famintos.

Pode parecer exagero, porém essa é uma cena cada vez mais comum. Pessoas presas - literalmente - aos conteúdos digitais. Óbvio que muito do mundo digital é viável e de bom conteúdo, o que não implica em dizer que boa parte das pessoas gasta horas a fio com conteúdo ruim ou inadequado.

Um fato corriqueiro hoje em dia: casais lado a lado, mas isolados pela atenção voltada às redes sociais ou aos aplicativos de seus smartphones. Em contrapartida, anciãos demonstram seu amor um pelo outro.

Outro fato normal: nas redes sociais a realidade é uma, enquanto na vida real a situação é outra extremamente diferente.

Essa cena pode ser aplicada aos condomínios de luxo ou aos shoppings. São áreas destinadas a isolar (no sentido mais completo do verbo) pessoas ricas das pobres ou miseráveis. Estar em lugares extremamente ricos dá a sensação de que a fome e as demais tragédias do mundo moderno não existe, pelo menos enquanto lá permanecem os mais favorecidos.

Algo tipificado pela sociologia. As pessoas assumem diferentes comportamentos que se adequam aos lugares ou situações que irão defrontar. O problema está na transformação dos papéis sociais em personalidades distintas e falsas, como uma verdadeira máscara.

Uma situação típica: enquanto uma morte ou crime ocorre, alguém deixa de prestar socorro ou acioná-lo para registrar o momento.

Os estereótipos ou os comportamentos previstos pela sociedade podem ser um entrave para o desenvolvimento da personalidade da pessoa. Destoar do "comum" é visto por alguns como um verdadeiro defeito.

O mesmo caso do crime que é registrado, mas com uma pequena diferença. As pessoas creem que uma simples hashtag pode alterar o rumo de uma injustiça ou violência, o que não corresponde à verdade.

Essa imagem fala sem o uso de palavras. O cigarro não apenas mata; ele mina o dinheiro de uma família diariamente.

Uma charge sobre os efeitos das responsabilidades e pressões sobre o ser humano moderno. O stress é um mal que precisa ser contido e combatido.

Hectares de mata caem diante da cobiça do homem por fortuna. O preço, entretanto, será cobrado mais cedo do que gostaríamos. É preciso preservar a natureza ou morreremos com ela.

Invasores estrangeiros param diante de uma ameaça comum no Oriente Médio: o corte do fornecimento (ou a destruição das fontes) do combustível que movimenta o mundo, o petróleo.

Triste e real. Pessoas estão cada vez mais próximas do virtual, presas em uma realidade que em muitos casos não é real. Esse tipo de isolamento não é benéfico e mantém o homem em uma prisão que parece ser até agradável. Doce ilusão...


terça-feira, 17 de março de 2015

Onde cantam os pássaros. Eis outro lançamento da Darkside Books.


Onde Cantam os Pássaros - por Evie Wyld

A DarkSide® também é alta literatura. Uma verdadeira amante das letras, livreira por opção e uma das novas vozes da nova literatura por vocação.

Onde Cantam os Pássaros vem conquistando prêmios literários tradicionais como o Barnes & Noble Discover Award, oferecido pela livraria aos novos autores de destaque, o britânico Jerwood Fiction Uncovered Prize e o mais importante prêmio australiano, Miles Franklin Award, resenhas encantadoras e inúmeros fãs por onde é lançado. Com tramas paralelas, passadas em épocas e hemisférios diferentes, o leitor vai montando um intrigante quebra-cabeça com o que lhe é fornecido por essa autora criativa e, ao mesmo tempo, rigorosamente precisa.
No premiado romance de Evie Wyld, a fazendeira Jake White leva uma vida simples numa ilha inglesa. Suas únicas companhias são rochedos, a chuva incessante, suas ovelhas e um cachorro, que atende pelo nome de Cão. Tendo escolhido a solidão por vontade própria, Jake precisa lidar com acontecimentos recentes que põem em dúvida o quanto ela realmente está sozinha – e o quanto estará segura. De tempos em tempos, uma de suas ovelhas aparece morta, o que pode ser muito bem obra das raposas que habitam a floresta próxima à sua fazenda. Ou de algo pior. Um menino perdido, um homem estranho, rumores sobre uma fera e fantasmas do seu próprio passado atormentam a vida de uma mulher que sonha com a redenção.
Evie Wyld, a autora
Aos poucos, vamos descobrindo mais sobre as suas habilidades em tosquiar e cuidar de ovelhas, aprendidas ainda quando jovem, em sua terra natal, na Austrália. E vamos aprendendo também o que aconteceu lá, que acabou por conduzir White à uma vida de reclusão e isolamento. E sobre as contradições e diferenças entre um passado (sempre narrado no tempo verbal presente) cheio de vida e calor, e o presente (narrado por sua vez no passado) repleto de lama, frio e um ritmo mais desacelerado, paira uma atmosfera absolutamente brutal.
Com uma prosa verdadeiramente excepcional, o estilo da autora reúne tanto clareza como substância e apresenta uma personagem inesquecível, enigmática, trágica, assombrada por um passado inescapável. Uma mulher forte, ainda que tão passível de falhas, erros e equívocos como todos nós. É uma história de solidão e sobrevivência, culpa, perda e o poder do perdão. Uma escrita visceral onde sentimos a presença de tudo, os odores, o vento, o tempo. Nada passa desapercebido.
Onde Cantam os Pássaros é o segundo romance de Evie Wyld – selecionada em 2013 pela revista Granta entre os melhores jovens escritores britânicos da década – e mantém uma pequena e simpática livraria independente no bairro de Peckham, em Londres. A Review Bookshop possui um pequeno jardim, é dog friendly, realiza o Peckham Literary Festival e, claro, vende os melhores livros de grandes e pequenas editoras.
Sua prosa refinada com altas doses de terror psicológico está muito bem representada na edição que a DarkSide® Books entrega a seus leitores em 2015. Ela queria se isolar de tudo e todos, mas agora está cercada pela crueldade do silêncio e a mais pura manifestação da natureza. O ciclo da vida é muito mais assustador quando o fim ecoa dentro de nós. Prepare-se para descobrir uma grande autora, e um livro à sua altura.
Evie wyld é inglesa e, como sua personagem em Onde Cantam os Pássaros, viveu parte de sua vida na Austrália. É autora do premiado After the Fire, a Still Small Voice e integrou a edição da revista Granta com os melhores jovens escritores britânicos da década. Onde Cantam os Pássaros é o seu premiado segundo romance, o primeiro lançado no Brasil. Saiba mais em eviewyld.com.

“Uma de nossas romancistas mais talentosas da nova geração.”
The Observer

“Uma história repleta de beleza, sombria e poderosamente perturbadora
[...] Uma obra engenhosa, como o melhor de Nabokov.”
William Boyd, New Statesman Books of the Year

“Marcante [...] Tão bom quanto os primeiros romances de Ian McEwan.”
The Spectator

“Suspense e melancolia [...] – uma arquitetura narrativa que poderia parecer
artificial, não fosse a habilidade magistral de Wyld. Tomado de momentos
surpreendentes de leveza e alegria – o humor negro da protagonista, a reverência
nada sentimental da autora pelo mundo natural.”
The New Yorker

“Onde Cantam os Pássaros é um romance de beleza perturbadora.”
Boyd Tonkin, Independent Books of the Year

“A prosa mantém um clima sinistro afinado, mas o aspecto mais impressionante do romance é sua estrutura. O passado de Jake é narrado em retrospecto, em episódios perfeitamente divididos, e logo quando parece que alcançamos o trauma fundador, somos empurrados ainda mais para dentro desta história perturbadora.”
New York Times

“O estilo de Wyld parece emergir de algum lugar profundo; algum lugar um pouco angustiante e estranho. Pela primeira vez, o hype corresponde ao talento.”

Lucy Atkins, The Sunday Times

Ficha Técnica

Título | Onde Cantam os Pássaros
Autor | Evie Wild
Tradutor | Leandro Durazzo
Editora | DarkSide®
Especificações | 240 páginas, capa dura

Lançamento | Maio de 2015

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Triste, mas verdadeiro. Curta-metragem da Disney: a pequena vendedora de fósforos.




Na verdade, este curta-metragem da Disney é inspirado em um conto muito antigo e triste. Consegui encontrar seis versões da mesma história. Todas tristes, porém com uma lição de vida e realidade.
Não conhecia esta antiga história, fato que me trouxe uma tristeza ainda maior com o final do curta. Entretanto, podem acreditar, cada segundo da narrativa é válido e engrandecedor, pois leva o espectador a refletir sobre nossa arrogância, o trato para com o próximo e o isolamento.
Eu creio que uma versão atual caberia com a menina nos arredores de um shopping. O dia estaria terrivelmente frio e o descaso dos transeuntes seria idêntico ao que a narrativa original oferece. O resultado, obviamente, não diferiria em nada, mas certamente teria um impacto tão grande ou maior que os dos curtas. Quando vemos a tragédia à beira de nossa porta, certamente o choque e a reflexão são maiores.
Deixarei a primeira versão que vi para que possam assistir também, mas as demais versões estão com seus links ao final do post. 
Feliz 2015, amigos. Com muita solidariedade...
Franz.




Versão Columbia Pictures: https://www.youtube.com/watch?v=5DqThMP6SG4


Versão Casa de Cultura Arte em Foco: https://www.youtube.com/watch?v=O4Hsn1PJUdw

Versão narrada em espanhol - La niña de los fosforos: https://www.youtube.com/watch?v=LBVDv_sJAps

Versão nacional com a narrativa em alemão: https://www.youtube.com/watch?v=5EpyMI-MkOc

Curta a fanpage do Apogeu: 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Qual o problema em ouvir Legião Urbana?


Uma das coisas mais estranhas que tenho acompanhado nos ultimos anos é a involução do pensamento e do comportamento humanos. Modismos surgem com a velocidade do pensamento e, tal como surgiram, também desaparecem rapidamente.
Meus ídolos são mais consistentes. Frutos de uma geração que divulgou e ainda propaga o que gosta, bandas como Legião Urbana, Kid Abelha, Paralamas, Titãs e muitas outras se perpetuaram pelo tempo. Não são passageiras, pois mostraram competência para ultrapassar gerações e as complexidades e diferenças provocadas pelas diferentes faixas etárias e pensamentos. Claro, o fato de serem grupos longevos não é sinônimo de uma história isenta de problemas e polêmicas. São, acima de tudo, uma reunião de pessoas que não podem deixar de viver suas vidas e, como qualquer um de nós, cometer acertos e erros.
Preciso frisar que o fato de haver bandas, músicos, literatos ou artistas que são competentes a ponto de ultrapassar a passagem dos anos não implica em dizer que as atuais vertentes culturais sejam ruins. Há muitos exemplos de ótimos representantes da música, cinema, quadrinhos, literatura, teatro e todas as outras formas de expressão cultural de altíssimo nível. Entretanto, o que não há como negar é que, mesmo com muitos ótimos exemplos, os péssimos ou medíocres pseudo-artistas são maioria.
Bem, ruins ou ótimos, quem trabalha com cultura e entretenimento tem seu valor. Ouvir uma música clássica é bom para quem gosta deste tipo de música. Curtir um funk é igualmente bom para os apaixonados pelo ritmo. O fato é que cada um tem seu valor dentro de um certo "nicho". Não há unanimidade...
Então, vocês devem estar se questionando sobre o motivo dessa explanação sobre qualidade de entretenimento, certo? Simples... não me importa o quanto ruim possa ser a música que estou ouvindo (e não é ruim) para outra pessoa. Eu não uso uma caixa de som presa à roupa para divulgar o que ouço. Quando comprei um headphone eu, mesquinhamente, tomei a decisão de ouvir sozinho minhas - minhas, volto a frisar - músicas. Sabem o motivo para tal? Quis evitar apenas comentários babacas sobre algo que gosto. Mas...
Fonte da foto e caricatura: Bruno Comotti
Agora chegarei ao ponto que gerou este post. Um belo dia, numa terra muito, muito distante, eu ia calmamente em direção ao meu trabalho. Manhã de sol, céu claro e eu de óculos escuros caminhando tranquilo em direção ao local que gera o numerário para pagar minhas contas. Em meus ouvidos headphones tocavam "Metal contra as nuvens", da Legião Urbana. Como ponto de apoio para esta história, sou um cara que cresceu ouvindo a banda e, logicamente, aprendi a amar até as fases mais medonhas de Renato Russo e cia. Quem, eu pergunto, da minha geração não curte esse grupo? As letras são poesias - sim, algumas depressivas - e arte em estado puro. Não há desperdício de seu tempo ao ouvir e pensar sobre as músicas da Legião Urbana, eu garanto.
Foi aí que começou o tumulto. Fui abordado por um amigo que falava ferozmente. Sabe o tipo de pessoa que diz "foda-se se ele está com um fone de ouvido. Eu quero é falar...". Esse é o sujeito que me abordou. Ok, mesmo não mostrando muito interesse, o brother falava e, acreditem, superou o som alto que eu ouvia. Assim, derrotado pela persistência, tirei os fones e comecei a dialogar com o amigo. Em um ímpeto de curiosidade, o amigo diz: "e aí, fera, está ouvindo o que?". Eu, respondi prontamente: Legião Urbana. O cara me olhou, esboçou um leve sorriso e ficou em silêncio.
Andamos até o local de trabalho em si. Lá, ainda em silêncio, o cara voltou a me olhar de um jeito debochado. Como não sou de guardar questionamente, perguntei o que estava acontecendo. Eis a resposta:
- Cara, não leva a mal, mas ouvir Legião não é coisa de sujeito sério. O vocalista era uma bichona...
Pôrra, não basta o cara me interromper a música, falar um milhão e meio de abobrinhas, ele ainda fecha a tampa do caixão com um comentário podre como esse? Não dá para deixar passar uma oportunidade como essa...
- Amigo, deixe-me entender uma coisa. Você tá criticando um dos melhores grupos de Rock do país em função do vocalista ser gay? E desde quando o padrão do som caiu ou aumentou em função da opção sexual de quem o faz? Na boa, não tem o que falar, é melhor ficar quieto.
Ele rebate com um pouco de raiva: - Mas o cara não era viado mesmo?
- Viado? - reflito. Véio, o que ele fazia consigo era problema exclusivo dele. Eu nunca ouvi falar que o Renato Russo tivesse forçado alguém a dormir com ele ou a usar drogas ou o que quer que seja. Irmão, alguma atitude dele levou a banda à falência? Quando as pessoas cantam em um videokê uma música deles, é obrigatório rebolar e desmunhecar? Na moral, irmão, argumento fraco o seu, além de um comentário podreira que não muda em nada a trajetória de uma lenda da nossa música.
O "amigo" me olhou com um novo riso babaca na cara, mostrando um certo ar de desprezo por eu defender a banda. Olhei para o indivíduo e calei. Uma mente idiota como aquela não iria render um bom debate, apenas uma boa sessão de porrada, ao final das contas.
Peguei minhas coisas e fui para minha seção. Não estou chateado com a discussão infrutífera - da parte dele -, mas me aborreci com uma atitude preconceituosa e imbecil, motivada por uma mente pequena e corrosiva, capaz de esquecer a qualidade de uma vida de sucessos, apenas em prol de um preconceito e um ódio latentes.
P.S.: ao amigo que resolveu criticar meu gosto musical, deixo um simples lembrete... "você irá dispensar a bolsa de sangue que irá receber e salvar sua vida, a única existente, caso ela tenha sido doada por um gay? Duvido. A vida é um círculo sem fim onde não escolhemos entre 0 e 1. Estamos aqui para aprender e, dentro do meu entendimento, eu aprendi muito com a Legião Urbana.

Agora, aproveitem e vejam esse ótimo vídeo feito com base na música "Eduardo e Mônica", um clássico da Legião Urbana.






segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Review: conheçam o anime e o mangá "Elfen Lied"



Elfen Lied é um anime em 13 episódios que nos mostram uma evolução distorcida da humanidade, os Diclonius. Com aparência similar à dos humanos, eles tem, contudo, algumas diferenças como chifres, coloração vermelha ou rosa dos cabelos, glândula pineal de tamanho maior e um sentido que lhes permitir sentir a aproximação de outro dicloniu. Como consequência pelo aumento da glândula, eles desenvolveram a capacidade de telecinese de uma forma diferente: usando "braços" invisíveis e de um poder destrutivo inigualável, conhecidos pelos cientistas como vectors. Os vectors são prolongamentos dos Diclonius e além da força, possuem velocidade muito superior à humana e um poder de defesa grande. 
Com tanto poder, os humanos sentem um temor descontrolado por essas criaturas e os escravizam para estudo e, posteriormente, eliminação da espécie. Com tal tratamento, os diclonius adquirem um ódio sem par pelos humanos, gerando um ciclo de morte e perseguição em ambas as partes.
Os Diclonius nascem de pessoas normais, mas um dos pais foi infectado com um dos vectors de outro Diclonius, diretamente no cérebro.

A história começa em um complexo de pesquisas na cidade japonesa Kamakura, onde Lucy, uma diclonius, foge após matar inúmeros guardas e funcionários do lugar. As cenas iniciais impressionam pela violência e a simplicidade (o descaso) com que Lucy mata. O caos é instalado verdadeiramente quando a diclonius rompe o perímetro de segurança e é alvejada por um sniper que a atinge na cabeça (envolta em um capacete de metal), derrubando-a no mar. Tempo após, a jovem mulher é encontrada em nua em uma praia por Kouta e sua prima Yuka,  com a mentalidade e os trejeitos de comportamento de uma criança muito nova. Neste encontro, a única palavra que Lucy pronuncia é "Nyuu", o que leva o jovem casal a chamá-la por tal palavra. 
Indo morar com Kouta, numa pensão, alugada por ele para morar enquanto estudava na universidade, Lucy convive tranquilamente com ele e Yuka. Mas a fuga de Lucy não cai no esquecimento e o responsável por seu cativeiro envia em seu encalço uma equipe de assassinos e outras Diclonius para localizá-la e matá-la. Está instaurado o caos...
Vejam um trailer do anime (a música se chama Lilium) e podem começar a buscar pelos episódios e os mangás. Não percam mais tempo se ainda não conhecem este fantástica história, e caso já conheçam, revejam, pois sempre valerá a pena. 



 

Quer ler online todos os mangás (12 edições com 107 capítulos) de Elfen Lied? Acesse Rebmanga e curta esta fantástica história. As 12 edições foram publicadas pela Panini Comics no Brasil (Planet Mangá).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Conto: O Menino que odiava o silêncio



Autora: Priscilla Rubia

     Miguel odiava o silêncio.
     Ele estava em todos os lugares, estava nas vozes, no grito das crianças que moravam com ele. Por mais que falassem, se comunicassem, Miguel não via nada além do silêncio.
    Tudo o que escutava durante todo o dia no orfanato era o nada, o vazio. E como ele odiava.
    Queria ir embora. Queria deixar o silêncio para trás. E o fez. Deixou o orfanato em uma noite fria e, claro, silenciosa. Tinha quase certeza de que não faria falta. Talvez uma coordenadora ou outra sentisse sua falta, mas logo seria esquecido. Caminhou sozinho pelas ruas procurando ouvir.
         Foi encontrado, para sua surpresa, mas não por uma coordenadora. Era um homem. Tinha uma aparência... como diziam? Uma aparência “boa pinta”. Usava uma jaqueta preta de couro cobrindo uma blusa vermelha tão gasta que Miguel logo soube que era sua favorita. Quando sorria, o amarelo reluzia em um dos dentes. Porém a figura boa pinta sumiu da mente de Miguel assim que o homem abriu a boca. Era silêncio. Cada sílaba o carregava.
         Sabia que se chamava Jonas, mas gostavam que o chamassem de Jones, como nos filmes americanos. Sabia, tinha entendido, que era um homem de negócios, porém nada disso era interessante para Miguel. Ele não carregava o que lhe interessava. Porém Jones se mostrou interessado por Miguel. Disse-lhe que sabia que um garoto como ele não andava sozinho por aí. Estava limpo e bem vestido. Certamente estava perdido ou havia fugido. Perguntou a Miguel qual das duas opções. Deu de ombros. “Fugiu então.” disse pegando o menino pelo braço e o arrastando. Miguel relutou, mas o homem lhe disse que se ele não queria voltar de onde viera, deveria fazer o que ele mandava.
         Miguel não sabia como ele poderia saber de onde veio, mas acreditou. Aprendera no orfanato que os adultos poderiam quebrar promessas, diferente da maioria das crianças. As crianças quebravam sim promessas, mas aquelas feitas aos adultos. Porém quando faziam uma promessa entre si era sagrado. Quebrar uma promessa de mindinho era um pecado, um ultraje. Os adultos as quebravam, sendo de mindinho ou não, entre si ou não, exceto quando tinham aquele olhar. O olhar determinado que o homem lhe dirigia no momento. Carregando aquele olhar, Miguel sabia que o homem cumpriria o que tinha dito. Os adultos poderiam fazer qualquer coisa enquanto carregassem aquele olhar, pena que os usavam com tantas coisas bobas.
         Miguel então ficou, conforme mandado. Começou a trabalhar para o homem. Era um trabalho fácil, porém perigoso. Consistia em ficar no alto das casas e avisar quando avistasse algum policial. O aviso era dado por algo gritado, que passava despercebido para alguns, mas era entendido por outros, fazendo disso algo muito importante. O aviso poderia ser dado até pelo modo que manejava a pipa vermelha no céu.
         Outro trabalho era correr e entregar pequenos saquinhos. Miguel não sabia o que eles carregavam, pareciam folhas, ou algo do tipo. Um dia viu que um deles estava entreaberto e pegou um pouco do pó amarronzado e provou. Tinha um gosto ruim. Cheirou e espirrou. Não entendia porque as pessoas gostavam tanto daquela coisa. Jones sempre lhe dizia que se ele fosse pego “peloszômi”, estava por conta própria. Que estava perdido. Miguel então tomava cuidado.
         Apesar de a nova vida estar cheia de ação e ser muito movimentada, Miguel não escutava ou sentia nada além do silêncio. Era um lugar vazio como qualquer outro.
       Então um dia, que tinha tudo para ser como outro qualquer, Miguel conheceu Ana. Ela apareceu como as outras crianças, “recolhidas” por Jones. A maioria dessas crianças eram meninos de rua que roubavam para sobreviver. Ana era diferente. Não porque era perdida ou porque carregava os mesmos olhos de Miguel, de um verde estonteante. Ela era diferente porque ele podia ouvi-la. A voz dela era como música, cada sílaba era como uma nota musical. Adorava olhar em seu rosto enquanto falava, ver seus lábios formando cada palavra.
       Tornaram-se grandes amigos.
       Descobriu que Ana era da mesma idade que ele e havia se perdido por soltar a mão da mãe, o que pra ela pareceu um segundo. Miguel sabia que tinha muito mais de um segundo na contagem de Ana, era uma menina muito distraída. Às vezes a surpreendia parada, com os olhos vidrados olhando para o nada.
Ana queria ir embora, não gostava de Jones. Ora, ninguém gostava de Jones, mas Miguel sabia o quão difícil seria deixá-lo para trás. Não seria fácil ir embora, mas Ana queria. E que assim seja.
Miguel amava Ana.
Não era aquele amor que via nos filmes. Não sentia vontade de, por exemplo, beijá-la na boca. Quem em sã consciência trocaria saliva com outra pessoa? Não, não era isso. Porém tinha uma forte vontade de protegê-la, uma real necessidade de estar ao lado dela.
A oportunidade para fugir surgiu algumas semanas depois. Jones estava morto. Os policiais o mataram. O lugar virou um pandemônio e quando o tiroteio começou, Miguel pegou Ana pela mão e correu com ela. Correu com a mente fixa somente na saída, na idéia de escapar. Demorou a perceber que ela gritava. A olhou e viu que chorava e apontava para suas costas. Percebeu que não poderia correr mais. De repente estava no chão. Quando caiu, viu o líquido vermelho e soube que era sangue, seu sangue. Ana apareceu em seu campo de visão, os olhos verdes carregando tristeza e cansaço. Chorava muito. Miguel tentou sorrir e lhe dizer que estava tudo bem, porém não conseguiu.
Mergulhou na escuridão.
Acordou em tal claridade que demorou a abrir os olhos. Pensou que estivesse no céu, mas sentiu-se acomodado em uma cama e o ambiente tinha um cheiro esquisito, parecia cheiro de remédio, cheiro de hospital. E era mesmo. Tentou levantar, mas as pernas não obedeceram. Precisava saber de Ana. A encontrou em um ponto afastado do quarto, dormindo em uma cadeira. Sorriu sentindo-se aliviado. A chamou. Ela acordou e sorriu radiante. Praticamente saltitou até o seu lado. Ela chamou alguém e uma mulher entrou no quarto. Era alta, cabelos loiros, olhos como os de Ana, muito bonita. Ana a chamou de mãe. A mulher olhou para Miguel, um tanto espantada:
— Ele tem seus olhos Ana.
A menina respondeu que sim. E Miguel sorriu feliz por Ana ter encontrado a mãe e, o melhor: podia ouvi-la também. A mulher continuou a olhá-lo parecendo chocada e saiu à procura de um médico.
Miguel tomou injeção, do que não gostou, porém não ficou chateado. Dormiu no hospital com Ana na cadeira ao lado.
Foi acordado no dia seguinte por Ana que sorria encantada. Tinha notícias para dar. O exame estava pronto. Estava comprovado.
Miguel era irmão de Ana. Irmão gêmeo.
Teve vontade de gritar, rir e chorar tudo ao mesmo tempo. Pelo jeito, tinha sido roubado no hospital quando ainda era bebê. De alguma forma fora parar no orfanato e por obra do destino encontrara Ana ou vice-versa.
O médico aproximou-se com um peso no olhar. Não parecia ter alguma notícia boa para dar:
— Miguel, você não pode mais andar.
— Ele é surdo – Ana interrompeu – não pode te ouvir.
Miguel não escutou o que o médico disse, ele também fazia parte do silêncio, mas entendeu que não poderia mais correr, porém não se importou. Pra que correr quando encontrara tudo o que sempre buscou? E o melhor era que podia ouvi-la. Sorriu quando Ana o abraçou dizendo que o amava. As palavras dela, além de música, tornaram-se quentes e coloridas.
A abraçou de volta.

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