{lang: 'en-US'}

Mostrando postagens com marcador Hakuban Shimomura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hakuban Shimomura. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Japão não abolirá cursos de Ciências Sociais e Humanas, esclarece ministro. Via IPC.


Fonte: IPC Digital. Texto: Daniel Lima

* Recentemente divulguei uma matéria do Terra onde era noticiada a decisão de que algumas universidades japonesas iriam encerrar os cursos de ciências humanas. Entretanto, o site IPC, feito por brasileiros que moram no Japão, desmentiu a notícia, taxando-a de equivocada. As explicações estão abaixo, já que é vital para a credibilidade que as duas versões da trama sejam veiculadas. Busquei em inúmeras pesquisas por mais notícias similares, mas não tive sucesso. De qualquer forma, eis a matéria: 

TÓQUIO (IPC Digital) – No início desta semana, diversos veículos do mundo divulgaram a notícia de que o governo japonês estaria solicitando a universidades públicas que cancelassem cursos das áreas de Ciências Humanas e Sociais. Na mídia brasileira, um grande portal de notícias chegou a utilizar o termo “decreto ministerial” para se referir à mensagem do ministro da Educação japonês, Hakuban Shimomura, enviada às universidade nacionais, pontuando quais seriam as reformas e desafios em que essas instituições devem depositar seus esforços. O trecho que gerou o mal entendido é o seguinte (tradução livre):

“Conforme fora exposto na ‘Redefinição da Nossa Missão’, as universidades devem colocar seus esforços nas reformulação de suas estruturas de forma rápida, com base nas suas características e pontos fortes, bem como na sua função social. Especialmente com relação aos cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Formação de Professores, Ciências Humanas e Sociais, devem ser aplicados esforços no sentido de realizar a abolição de estruturas e a conversão para áreas de alta demanda social.”
O que a carta da referida pasta não mencionou, na ocasião, é que o chamada ‘Redefinição da Nossa Missão’ trata-se de um documento elaborado pelo ministério da Educação junto com as universidades nacionais contendo pontos de reforma para os anos de 2012 e 2013. Na ocasião, esse texto colocou como um das medidas a serem tomadas a extinção de cursos de Formação de Professores que não exijam a obtenção da licença de professor como requisito para a obtenção do diploma, conhecidos no Japão como “cursos licença zero.”
Apesar de o titular da pasta já se encontrar há algum tempo tentando desfazer o que chamou de “mal entendido”, a veiculação do fato por alguns periódicos estrangeiros como The Wall Street Journal fez com que o caso entrasse em evidência nos sites de notícias de diversos países e redes sociais, sem que fosse disponibilizada a explicação oficial do ministério.
Em entrevista ao jornal “Nihon Keizai Shimbun” no dia 10 de agosto, Shimomura já havia esclarecido que o termo “abolição de estruturas” se referia, portanto, aos currículos de licença zero, procurando também explicar que seu ministério não compartilha a opinião de que cursos das áreas de Ciências Exatas deveriam receber algum tipo de privilégio, ou que o dito “conhecimento prático” deve ocupar uma posição prioritária nas políticas educacionais. O ministro complementou mencionando o problema do constante encolhimento da população enfrentado pelo Japão e o número cada vez menor de jovens, o que tornaria imprescindível o estímulo à formação de professores devidamente licenciados.



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Japão pede para que universidades cancelem cursos de humanas. Por que?


A área de ciências sociais também será afetada. Ministro da Educação pede para que cursos ‘contemplem as necessidades da sociedade’

Fonte: Terra. Comentários: Franz Lima.
Vários cursos de ciências sociais e humanas serão cancelados no Japão após um pedido para que universidades “sirvam áreas que contemplem as necessidades da sociedade”. As informações são do site Times Higher Education .
Das 60 universidades nacionais que oferecem cursos nessas disciplinas, 26 confirmaram que irão cancelar ou reduzir essas matérias conforme o pedido do governo japonês.
A ação se deu após o ministro da Educação, Hakuban Shimomura, enviar uma carta às 86 universidades nacionais do Japão pedindo que “tomem ações para abolir organizações (de ciências sociais e humanas) ou sirvam áreas que contemplem as necessidades da sociedade”.
O decreto ministerial foi colocado pelo presidente de uma das instituições como “anti-intelectual”, enquanto as universidades de Tokyo e Kyoto, as mais prestigiadas do país, afirmaram que não irão acatar o pedido.
No entanto, 17 universidades irão parar de recrutar estudantes para cursos nas áreas de humanas e ciências sociais, incluindo direito e economia, de acordo com uma pesquisa feita pelo jornal The Yomiuri Shimbun.
Segundo o estudo, o Conselho de Ciência do Japão expressou em agosto uma “profunda preocupação com o provável impacto que a ação administrativa teria sobre o futuro das ciências sociais e da área de humanas no Japão”.
Acredita-se que o pedido seja parte dos esforços do presidente Shinzo Abe para promover o que ele chama de “vocações educacionais mais práticas que satisfaçam as necessidades da sociedade”.
Porém, a ação também pode ser conectada com a atual pressão financeira sobre as universidades japonesas, relacionada ao baixo índice de natalidade e a diminuição do número de estudantes. Esses fatores contribuem para que muitas instituições funcionem 50% abaixo de sua capacidade.

Franz diz: "O estudo das ciências sociais e humanas é vital para a manutenção de nossa memória e para a compreensão do homem e suas complexidades. Extinguir o estudo de tais ciências é um crime contra o patrimônio histórico e cultural. 
Compreendo que há a necessidade de ampliar-se o estudo - e a consequente formação de especialistas em áreas como mecatrônica, tecnologia da informação, física nuclear, engenharia de produção, etc -, mas a necessidade de um aumento dos estudantes em áreas exatas não é justificativa para a extinção de cursos que formem filósofos, historiadores, sociólogos e outros pensadores. As ciências humanas foram primordiais para os principais momentos da história da humanidade, qual a lógica em acabar com isso?
Qualquer pode optar pelo aprofundamento na área de estudo que bem entender, porém isso pode ser feito com a coexistência - como sempre foi - das ciências exatas e as humanas. 
Triste atitude de quem visa, acima de tudo, o lucro e a imposição do poder. Acho improvável que isso vá obter maior apoio, mas é preciso lembrar que muitos admiram o Japão como potência econômica e educacional, fato que por si só pode implicar em imitação por outros países.


Proxima  → Página inicial