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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Batman: o Cálice. Resenha da graphic novel.


Caso tenha imaginado que o cálice do título seja o tão famoso Graal, você acertou. Caso também tenha associado o cálice aos cruzados e irmandades, parabéns. Você acertou de novo.
Pois, basicamente, é sobre isso que essa graphic novel retrata: a eterna (e já possuidora de milhares de versões) busca pelo cálice onde o sangue do Cristo crucificado foi coletado.
Só para citar, eis duas obras que tem na trama a presença do Graal: Camelot 3000 e Indiana Jones e a última cruzada.
Bem, se a trama é manjada, qual o propósito desta resenha? Evidenciar o óbvio não é mérito quando a análise de uma obra é feita. Assim, acalmo os atentos leitores e digo "Há méritos em O Cálice".
Primeiro, as ilustrações são muito bonitas. Há traços de arte contemporânea - algo próximo a Andy Warhol - com pinturas clássicas. Durante toda a história é possível ver o talento de John Van Fleet em cada cena retratada. O ponto alto desta arte está nas expressões faciais e na beleza das mulheres sobre as quais falarei mais adiante.
Outro ponto bem bacana, desta vez no roteiro, é a presença de vários personagens do universo do Morcego. Mesmo com passagens breves, pude perceber que há propósito nas aparições. Chuck Dixon conseguiu conciliar a presença deles com o fio condutor da trama, neste caso a busca pelo Graal, ou melhor, a tomada do cálice sagrado, já que bem cedo o autor revela sua localização... e seu protetor.

Mulheres...

Como disse antes, um dos pontos visuais em destaque é a caracterização das mulheres. Sensuais ao extremo e com faces que lembram anjos, Van Fleet deu a essas mulheres um ar que há muito não se vê nos quadrinhos. Elas são sensuais, sexy e atraentes, porém a vulgaridade passa longe. Mesmo a Mulher-Gato, com o corpo de uma mulher de pouco mais de 21 anos consegue atrair a atenção sem se valer do visual "profissional do sexo", já que sua aparência é bem próxima àquela vista no seriado do Batman da década de 1960, onde  Julie Newmar deu vida à ladra.

Outros coadjuvantes. 

Não vou entregar o fim da história, mas não há realmente algo muito impactante a ponto de transformar essa trama em algo marcante, ao contrário do que ocorreu em A Piada Mortal, por exemplo.
Entretanto, muitos personagens aparecem para dar um ar mais interessante a esta graphic novel. Alfred, Pinguim, Gordon, Selina Kyle, Talia, Ra´s, Duas-Caras... e um sujeito que é o mais coadjuvante entre todos e, ainda assim, o mais importante. 
Enfim, a leitura é mais uma peça no complexo universo do Batman e serve para dar uma visão mais clara de alguns personagens que, infelizmente, são postos de lado, como é o caso de Ra´s e do Pinguim. A abordagem mais séria e menos caricata dá uma certa credibilidade ao que lemos. Unindo a arte belíssima ao roteiro simples, porém sério, posso recomendar esta HQ aos fãs do Batman. A simplicidade funcionou bem aqui...



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Camelot 3000. Resenha da consagrada graphic novel de Mike W. Barr e Brian Bolland.


Por: Franz Lima. Publicada originalmente no Murmúrios Pessoais.

Uma das séries responsáveis pela reformulação no modo como se faz quadrinhos, fruto de uma safra de verdadeiras obras de arte: assim é como defino Camelot 3000.
Escrita por Mike W. Barr e ilustrada por Brian Bolland (A Piada Mortal), esta trama foi publicada originalmente em formato de maxissérie. No Brasil, ela foi lançada inicialmente nas revistas Super Amigos e Batman, mas houve outras edições em formato de minissérie e também em edições encadernadas.
Entretanto, não importa qual seja a forma de publicação, Camelot é uma obra-prima dos quadrinhos e merece ser lida. Os motivos? Descubram agora…

MITOLOGIA E QUADRINHOS
Camelot 3000 é uma HQ diferenciada. Seu conteúdo mistura a lenda do rei Arthur e a Távola Redonda com a ficção de um futuro alternativo. No roteiro de Mike Barr, o rei Arthur ressurge para, novamente, auxiliar a Inglaterra a recuperar o caminho correto. Contudo, nesse contexto há um detalhe de extrema importância: Arthur é o único integrante da Távola que conhece o próprio passado e está ciente de quem realmente é. Tal qual na lenda arthuriana, o surgimento do rei implica em renovação espiritual para todos os súditos. Pelo menos para os que creem.
ARTHUR E MERLIN
O vínculo entre o rei e a magia ainda permanece. Arthur é despertado de um longo sono e descobre que vive em um novo e agonizante mundo. É neste contexto que a busca pelos antigos integrantes da Távola Redonda se inicia, mas com um ponto negativo que é a ausência de alguns dos cavaleiros. Com a ajuda de Merlin, o filho do Demônio, os cavaleiros são ‘despertados’ de uma vida onde estavam desligados de seu passado. A magia é a principal responsável por um início menos propenso à derrota por parte do rei e seus asseclas.

A TRAIÇÃO
Caso você ainda não tenha lido sobre as lendas arthurianas, o que vou dizer é um SPOILER de nível nuclear…
Arthur tem uma rainha consorte chamada Guinevere. Essa rainha é o alicerce sentimental do rei e ela trai a confiança e o amor dele com seu mais confiável cavaleiro, Lancelot. Esse triângulo amoroso é a ruína para Arthur e, infelizmente, nem mesmo a reencarnação foi capaz de apagar a atração mútua entre a rainha e Lancelot. Logo, a trama de Barr já começa com um ponto extremamente negativo (para o Rei), um ponto fraco que pode decretar a derrocada da nova Távola.

Camelot 3000 Detail2ALIANÇAS IMPROVÁVEIS
Um dos pontos altos da história são as alianças formadas pelos mais improváveis aliados. Motivados por prazer, rancor, medo ou poder, os grupos vão ganhando força conforme a trama se desenvolve. Mas não são essas alianças por si só que dão um realce à trama. São as nuances e surpresas nesses grupos (incluindo múltiplas traições) que reforçam o impacto do drama e mostram que essa não é uma história comum.
OUTROS PONTOS ALTOS DA TRAMA
Mike W. Barr nos presenteou com um roteiro adulto, enxuto e coerente. A trama tem política, sexo, violência, corrupção e uma visão futurista apocalíptica onde a Inglaterra e todo o planeta estão à mercê dos desígnios de alienígenas que matam indiscriminadamente e não mostram piedade. Entretanto, isso pode esconder muito mais, principalmente se levarmos em conta as lideranças desses invasores.
Outro ponto polêmico é a abordagem da reencarnação. A Távola é reconstruída com os mais diferentes cavaleiros e há um caso onde um deles retorna como mulher. Barr dá um tratamento muito interessante a essa integrante dos cavaleiros e mostra os conflitos psicológicos por ela sofridos. Como um homem pode viver no corpo de uma mulher sem enlouquecer? Essa é uma das muitas questões abordadas na obra.

A RELIGIÃO
Mesmo se tratando de uma visão futurista do mundo, a religiosidade ainda está presente. Aliás, é a fé que se mostra capaz de incentivar mudanças de comportamento e também é a fonte de força de Arthur.
Uma das partes mais emocionantes da trama acontece na busca pelo Graal, fato que, inclusive, precisa de uma fé inabalável para que ocorra.

Camelot 3000 DetailO FUTURO
A obra de Bolland e Barr tem um visual datado. As imagens são magníficas (basta citar as consagradas artes de A Piada Mortal), mas é perceptível que foram feitas com base em toda a visão da época (década de 80) sobre um futuro que não condiz com um provável ano 3000, o que não desmerece a graphic novel de forma alguma.
Como dito acima, o que surpreende é a presença de uma dose de religiosidade (cristã) que parece improvável quando olhamos para a realidade, principalmente quando notamos um crescimento vertiginoso de outras religiões.

PARÁBOLAS
Há algumas lições embutidas de forma bem discreta e outras nem tanto. Entretanto, o eterno duelo entre o bem e o mal ganha uma dimensão diferente quando o assunto é o destino de Morgana Le Fay. Ela paga um alto preço por seu poder e é essa associação entre poder e desgraça que dão um tom dramático intenso à personagem. Outra visão interessante está em Sir Percival que é representado como um monstro em aparência, porém é o cavaleiro com o coração mais puro.
Por meio de tais representações e conflitos, Barr e Bolland dão um raro presente ao público leitor, mesclando fé, castigo e amor em uma trama plena de reviravoltas e ensinamentos.
Camelot 3000 PaniniEDIÇÕES DE LUXO
O leitor que comprou a edição de ‘luxo’ da Mythos certamente se arrependeu ao encontrar – anos depois – a Edição Definitiva da Panini. As duas tem quase o mesmo conteúdo, porém a edição da Panini tem extras, capa dura e impressão em papel couchê. Definitivamente, recomendo a aquisição da edição de luxo (de verdade) da editora Panini, mesmo com um preço maior.
Entretanto, se você só quer realmente ler a história e jamais tê-la outra vez em mãos, busque as 4 edições que são facilmente encontradas em sebos e na web.

NOTA FINAL
Preciso falar? Camelot 3000 é uma das melhores tramas dos anos 80 e que ainda está atual em nossos dias. Dou nota máxima e afirmo: arrependei-vos, vós que não lestes tal obra.

P.S.: agradeço ao apoio de Gleice Couto, escritora e blogueira que tem um ótimo trabalho no www.murmuriospessoais.com. Visitem e prestigiem seus textos e resenhas.

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