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domingo, 10 de janeiro de 2016

Logo da HBO recebe um banho de ouro!


Que a HBO é um dos canais (ou rede de canais) de maior prestígio ultimamente, não há o que discutir. Suas séries e filmes são sucesso, incluindo a consagrada trama de Game of Thrones.
Sendo assim, o artista digital Ars Thanea resolveu homenagear a HBO ao criar um logotipo que recebe um banho de ouro. O realismo da arte surpreende e deixa uma pergunta no ar: o banho de ouro é realmente uma forma de afirmar que o sucesso é devido ao padrão ouro da emissora ou será que há uma ligação entre esse banho e aquele recebido pelo "rei pedinte" Viserys Targaryien em Game of Thrones?






quinta-feira, 2 de abril de 2015

Lista de compras: As Crônicas de Gelo e Fogo - Edição de luxo. Vale a pena?






Encontrei no Submarino este box com os 5 livros das Crônicas de Gelo e Fogo até agora publicados. O box é um colírio para o colecionador, possui capa dura, folhas amareladas em alta gramatura, caixa protetora individual forrada com lona importada, textura aveludada, em um maravilhoso tom de azul. 

Além disso, a capa é gravada em clicheria em ouro e suas páginas marcadas com uma fita em seda.

Enfim, uma obra indispensável para o fã e o colecionador. 

Porém...

A preocupação acerca da conclusão desta saga é algo que não podemos deixar de citar. George R.R. Martin já lançou muitos materiais sobre as Crônicas, mas não há previsão de encerramento. O sexto livro, aparentemente, será lançado apenas em 2016, o que totaliza 4 anos de espaço entre o quinto livro. 
Outro porém para essa coleção está no preço altíssimo, fora da realidade do leitor brasileiro. O último ponto a ser observado - e bem observado - é a publicação dos tomos seguintes. A Leya lançou estes cincos livros com um preço acima de 120 reais cada. Será que ela irá lançar os outros dois (ou serão três?) livros da série com a mesma qualidade. É válido aguardar para ver se teremos um futuro promissor para a série literária ou o fim da vida de George Martin irá não só decretar o fim da história, como também o desperdício de um montante considerável em dinheiro por uma narrativa inacabada?
Para por mais lenha à fogueira, a edição não conta com mapas, ilustrações ou qualquer acréscimo, fora o acabamento luxuoso, em comparação com as edições comuns. 

Seja como for, fica a dica...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Entrevista de George R. R. Martin ao jornal Folha de São Paulo.




Seria apenas meia hora de conversa por telefone e o assunto não poderia fugir muito de “Wild Cards”, série  coletiva sobre super-heróis que George R.R. Martin edita e na qual escreve desde os anos 1980. Duas das condições com as quais chegou até mim, no mês passado, a possibilidade de entrevistar o autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo”, que nunca tinha falado a jornais do Brasil, país que está entre aqueles onde ele tem hoje mais leitores.
Confesso que bateu certo desconforto à medida que lia entrevistas com ele. GRRM é um bom entrevistado, mas a paixão que sua obra desperta e a atenção implacável de fãs fez com que já fosse questionado sobre todo assunto que se possa imaginar, e as respostas tendem a se repetir. No fim, até ajudou falar de um tema menos abordado, “Wild Cards”, cujo volume 1 a editora LeYa acaba de pôr nas lojas (o segundo e o terceiro saem em novembro). E, é claro, fui encaixando na conversa as “Crônicas” e “Game of Thrones”, a série da HBO baseada nos livros.
Em “Wild Cards”, como nas “Crônicas”, GRRM dá um tratamento mais adulto, por assim dizer, a temas que tendem a ser associados ao juvenil (super-heróis, fantasia), com violência, política e sexo como pano de fundo. A boa notícia para os fãs das “Crônicas” é que GRRM hoje quase não ocupa seu tempo escrevendo para “Wild Cards”, embora editar a obra seja, como ele diz, “o trabalho mais desafiador” nesse sentido.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Diversos periódicos e revistas onde encontrarão outros contos de George R.R. Martin.


Só para começar a brincadeira: uma antologia com Clive Barker, Stephen King, Neil Gaiman, Joe Hill e George R. R. Martin. Conheciam essa obra?

As capas abaixo são uma prova concreta de que pouco conhecemos os trabalhos do autor de "As crônicas de gelo e fogo". George R. R. Martin é um excelente contista, contrariando aquela velha história de que um escritor de romances não é um bom escritor de contos. As "Isaac Asimov Magazine" foram publicadas no Brasil e eu disponibilizei a edição que contém o conto "A flor de vidro", tal é a dificuldade em encontrar esse material. Esse material está disponível agora através deste link: 4Shared Isaac Asimov, onde todos os números publicados no país, exceto o 6, poderão ser lidas.
No mais, espero que gostem das capas e que encontrem tais revistas para ampliar o conhecimento do estilo e da obra de George Martin. 
Bom divertimento... e boas buscas.

COMO EDITOR

O hoje popular "Ruas Estranhas"










ESCRITOR - CONTOS






















sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Como memorizar os personagens de Game of Thrones.


Fonte: Fizx

Muito maneira esta compilação dos personagens de Game of Thrones. O método de memorização é, no mínimo, interessante. Espero que curtam. Eu ri muito...

Clique para ampliar... e rir.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Dica: Promoções de livros no Submarino


Como nem todos os leitores tem tempo para pesquisar ou simplesmente acessar os sites para comprar bons livros, estou postando esta ótima dica de livros em promoção. São coleções completas dos autores mais vendidos e consagrados. Espero que curtam. Cada coleção já tem seu link direto embutido nas imagens. Boas compras...

Os cinco livros lançados de Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. 
Uma das sagas que mais vendeu (justamente, diga-se de passagem) nos últimos anos. Política, traição, amor, violência e morte em doses fortes, capazes de prender a atenção de qualquer leitor ávido por uma excepcional leitura.
Preço R$ 129,90 em até 12 vezes sem juros.


Um grande sucesso de vendas e também consagrado pelo público, a trilogia das crônicas de Arthur está também em promoção e ainda conta com um dos últimos livros do autor, Stonehenge. Cornwell é destaque por suas batalhas narradas com maestria e detalhes surpreendentes, além de tramas embasadas por fatos históricos.
Preço R$ 99,90 em até 12 vezes sem juros.

Uma das mais extensas obras de Stephen King e também um sucesso inquestionável de vendas e críticas. A série A Torre Negra já foi transposta para os quadrinhos e também tem previsão de se tornar uma série. A trama se passa em torno de Roland Deschain, o Pistoleiro, que tem como principal missão alcançar a Torre Negra, a base do espaço e do tempo neste universo em que ele habita.
Tal qual a saga das Crônicas de Gelo e Fogo, esta série é composta por sete fantásticos livros, inspirados pela mente criativa do mestre do terror Stephen King.
Preço R$ 199,90 em até 12 vezes sem juros.

Boa leitura! 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ruas Estranhas prometer ser muito mais que apenas uma coletânea editada por George R.R. Martin.


As expectativas sobre um livro que recebe a edição de George R. R. Martin (Crônicas de Gelo e Fogo), tem como um dos autores Conn Iggulden (amigo de Bernard Cornwell e autor das séries O Imperador e O conquistador, respectivamente sobre César e Genghis Khan) são muito grandes, mas elas ampliam quando o responsável pela edição nacional é Raphael Draccon, o nome por trás da indicação da série de livros que inspirou a produção da HBO, Jogo dos Tronos. Após tantos referênciais positivos, restava-me apenas reservar o meu exemplar e torcer para que ele viesse logo. Bem, ele já está reservado (e com o preço de 27,00 reais através do site do Buscapé, que diminuiu ainda mais o preço que estava sendo praticado pelo Submarino).
Outro fator interessante é a capa que inegavelmente pegou uma carona nas capas de sucesso da série escrita por George R.R. Martin. Confiram:


Sinopse - via Saraiva: Ruas estranhas é uma coleção de 16 histórias fantásticas urbanas onde os editores George R. R. Martin e Gardner Dozois reúnem grandes nomes da literatura como Charlaine Harris da série True Blood, Conn Iggulden, Glen Cook, Patricia Briggs, Diana Gabaldon e outros autores de destaque. Nessas histórias nascidas da imaginação de escritores vencedores dos prêmios mais importantes do gênero, eles exploram mundos de vampiros sedutores, lobisomens assustadores, espíritos que ajudam humanos a solucionar mistérios, demônios, zumbis e outras criaturas que habitam nossos pesadelos.
Cuidado! O perigo está ao final de cada esquina.

O livro virá com o selo Fantasy CDP, onde o coordenador será Raphael Draccon, que também trouxe a série de livros das Crônicas de Gelo e Fogo para o Brasil. Aqui vão alguns dos apontamentos constantes no site do Raphael sobre o novo selo Fantasy:
1 – A Casa da Palavra é uma editora pertencente o grupo Leya Brasil, e acabou de anunciar a criação do selo Fantasy, fato que ajudará para a consolidação do gênero no mercado editorial brasileiro;
2 – Raphael Draccon será o coordenador deste novo selo, e a contar por seu bom gosto (afinal cabe a ele a indicação da publicação de A Guerra dos Tronos no Brasil) e pelo sucesso de sua série Dragões de Éter, o Fantasy – Casa da Palavra será um grande estouro de vendas;
3 – Em seu nascimento o selo já vem com a marca da ousadia, tendo em seus objetivos “mais que proporcionar uma leitura, pretende proporcionar experiências”.
4 – Sob a tutela de Draccon, o Fantasy – Casa da Palavra nasce conectado com os leitores e com a internet, já que Raphael é um profundo conhecedor da blogosfera,  também da literatura fantástica brasileira;
5 – A criação do selo permitira a colocação de mais títulos de literatura fantástica a disposição de nossos leitores, apaixonados por fantasia, em todas as us vertentes;
6 – Além disso, a Fantasy também buscará trazer para o mercado livros de fantasia obras com qualidade e linguagem pop.
7 – Para estrear com grande estilo o selo anunciou o lançamento do livro John Carter – Entre Dois Mundos, baseado no primeiro filme em Live Action da Pixar com Disney.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Novo pôster para a 2ª temporada de Game of Thrones


Em comemoração à aquisição do quarto volume das Crônicas de Gelo e Fogo, publico esta matéria lançada pelo Omelete que, atualmente, está sempre com notícias e vídeos muito interessantes sobre a série. Confiram!

Para começar o aquecimento para a segunda temporada de Game of Thrones, a HBO começa a divulgar uma série de pôsteres com os principais símbolos das casas da saga. E a primeira é a Casa Stark.

A primeira arte traz a imagem de um lobo gigante pintada em sangue no que parece ser a pele animal, além da frase "o norte se lembra". Veja abaixo:


Game of Thrones retorna às telinhas em 1º de abril na HBO, simultaneamente nos EUA e no Brasil.


Fonte: Omelete

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

George R. R. Martin apresenta "A Game of Thrones" em quadrinhos


A amplitude do trabalho de George R. R. Martin tende a se tornar tão grandiosa quanto a de Tolkien. Agora, após o grande sucesso da série da HBO, somos agraciados com a versão em quadrinhos do primeiro livro da série "As crônicas de gelo e fogo" (o primeiro número engloba o prólogo e os três primeiros capítulos), publicada pela Dynamite Entertaiment e, até o momento, está disponível apenas na versão de língua inglesa. A capa desta primeira edição de "A game of thrones" foi feita por Alex Ross (Superman, O reino do amanhã, Marvels, Batman) e há uma segunda versão feita por Mike S. Miller.
A arte interna foi feita por Tommy Patterson com roteiro e adaptação de Daniel Abraham.
Caso queiram adquirir as capas da edição original, Alex Ross disponibilizou 1000 cópias da capa da HQ em um pack com duas versões: um rascunho com o logo e outra colorida, sem qualquer tipo de marcação. O valor do pacote com as duas capas é de 39,99 dólares (sem frete) e está disponível pelo ebay.
As informações acima estão disponíveis no próprio site de George R. R. Martin.

Ilustrações de Alex Ross

Ilustração de Mike S. Miller


sábado, 10 de dezembro de 2011

Dicas de livros para este Natal: George R.R. Martin e Conn Iggulden


Estes são dois autores que eu admiro muito. Cada um, dentro de seu gênero, traz até nós universos fantásticos e personagens brilhantemente trabalhados. Conheçam as minhas dicas de Natal. Tenho certeza que não se arrependerão.

CONN IGGULDEN - Império da Prata 
Este é o quarto volume da série "O Conquistador", onde o autor relata a saga de Genghis Khan e seus ascendentes para conquistar homens, almas, territórios e um lugar na História. Caso ainda não tenha os três primeiros volumes, recomendo adquiri-los. O quinto volume será lançado em breve.
Clique no link da Saraiva e compre-o por R$ 37,65. Preço sem desconto: R$ 52,90

GEORGE R. R. MARTIN - O festim dos corvos
A segunda recomendação é o quarto livro da série "As crônicas de gelo e fogo", de autoria de George R. R. Martin, chamada "O festim dos corvos". Ainda restam mais três volumes para encerrar a série e, atualmente, o quinto livro já foi publicado em outros países. Estes livros são a base para a série televisiva da HBO "Jogo dos Tronos".
Clique no link das Americanas e compre-o por R$ 33,92. Preço sem desconto: R$ 49,90

Abaixo, trecho com o primeiro capítulo do livro:



 
Boa leitura a todos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Leiam o 1º Capítulo do 4º livro das "Crônicas de Gelo e Fogo"


Uma prévia do aguardado 4º livro da série "As crônicas de gelo e fogo". O livro será chamado "Festim dos Corvos". Há previsão de que o quinto livro também seja publicado em 2012 \o/ Crônicas de Gelo e Fogo - Festim Dos Corvos - Capitulo1

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Conto - Entrevista com Orson Scott Card - IMPERDÍVEL



Esta entrevista foi publicada na Isaac Asimov Magazine #4 – edição brasileira de 1990. Como não pude usar o scanner, digitei tudo e revisei para evitar erros. Leiam e descubram o que esperam de nós (escritores) no exterior, principalmente nos países de língua inglesa. As opiniões são válidas até os dias atuais e servem como incentivo e inspiração a todos nós, independentemente da área de atuação na literatura. – Franz Lima.

MINHA EXPERIÊNCIA NO BRASIL – Orson Scott Card

Trechos de uma entrevista concedida a Roberto de Sousa Causo, editor do Anuário Brasileiro de Ficção Científica, por Orson Scott Card, autor do livro O Segredo do Abismo (The Abyss), publicado pela editora Record e inspirado no filme homônimo de James Cameron. Orson Scott Card é, no momento, um dos mais populares escritores de FC nos Estados Unidos.

Roberto de Sousa Causo (RSC) – Sr. Card, muitos brasileiros não sabem que o senhor viveu dois anos no Brasil, de 1972 a 1973, antes de vender sua primeira história, o que viria a ocorrer em 1976. Um outro missionário, natural de Oregon, me disse que se aprende mais em dois anos de missão do que em igual tempo passado em qualquer universidade do mundo. Sem dúvida o contato com pessoas de todas as origens, classes e opiniões parece ser o laboratório ideal para um escritor. Que influência tiveram essa passagem pelo Brasil e esse contato com o povo brasileiro na sua formação específica como escritor de FC?

Orson Scott Card (OSC) – Toda história de ficção científica se passa em um cenário diferente da realidade do momento. Entretanto, muitos autores de ficção científica nunca tiveram a oportunidade de ser “estranhos numa terra estranha”. O simples fato de viver em um país diferente daquele em que nasci me proporcionou uma dose dupla de educação: primeiro, porque me adaptei à língua, costumes e modo de pensar de outro povo até me sentir tão à vontade no Brasil como em minha terra natal; segundo, porque ao voltar aos Estados Unidos foi meu próprio país que me pareceu estranho.
Em outras palavras: viver em um país estrangeiro permite que um autor de ficção científica separe em sua mente os elementos que são características humanas dos que são apenas costumes locais. Os brasileiros fazem muitas coisas de forma diferente dos americanos, e alguns dos meus companheiros missionários jamais chegaram a compreender que isso não significava que os brasileiros estivessem errados, apenas que existem várias formas de fazer o que é certo. Muitos de nós nos apaixonamos pela maneira de viver dos brasileiros. Como os Estados Unidos, o Brasil tem problemas, e existem setores em que o povo brasileiro não é melhor que o povo norte-americano. Somos todos imperfeitos. Mas é exatamente por isso que precisamos de ficção… para mostrar nossas imperfeições e nos dar uma imagem clara do que podem ser a nobreza e a grandeza.
Isso é o que aprendi no Brasil em termos gerais. Especificamente, é claro, usei a língua e os costumes do Brasil em muitas das minhas obras, como uma maneira de forçar meus leitores norte-americanos a perceber que o futuro não será povoado exclusivamente por nativos do Kansas. Um dos defeitos mais gritantes da ficção científica que se faz hoje em dia é o número incrível de histórias que parecem sugerir que toda a raça humana será composta por norte-americanos daqui a cinqüenta anos. Que bobagem! O futuro não pertencerá a países decadentes como os Estados Unidos, que chegaram ao apogeu em 1920, ou mesmo o Japão, que está passando pelo auge no momento presente (1990). O futuro pertencerá, isso sim, a países em desenvolvimento, como o Brasil, o México, a Nigéria, a Polônia, a Hungria, e principalmente a China. De modo que é absurdo que os autores de ficção científica, que tem obrigação de imaginar todas as possibilidades para a raça humana no futuro, escrevam história após história nas quais todos os personagens do futuro agem, falam e pensam como norte-americanos.
Meus anos no Brasil me ajudaram a evitar essa tendência em minhas obras, embora eu me apresse a admitir que minhas histórias contêm uma certa dose de preconceito cultural. Afinal, sou norte-americano, e mesmo que possa evitar todos os preconceitos culturais que chegam à minha consciência, existem certamente mil outros preconceitos inconscientes, que aparecem no meu trabalho sem que eu me dê conta disso. É muito importante que os autores de ficção científica que não nasceram nos Estados Unidos situem muitas ou mesmo a maioria de suas histórias em um futuro criado por eles próprios, sem nenhuma influência da cultura norte-americana, exatamente porque, fazendo assim, estarão contribuindo para alargar os horizontes da ficção científica. Se vocês que escrevem ficção científica no Brasil quiserem dar um grande presente ao público norte-americano (que continua a ser o maior público deste planeta), permitam-nos experimentar a cultura de vocês nas histórias que escreverem, mesmo que se passem em tempos e lugares muito distantes da Terra do final do século XX.

RSC – No Brasil, hoje, ocorre uma discussão em torno da idéia de que os autores nacionais deveriam tentar se aproximar mais da realidade brasileira, descobrindo a ficção científica pelo modo de ver do brasileiro e vice-versa; ver a nossa realidade pela ótica da ficção científica. A corrente opositora argumenta que o caráter universalista da FC não permite esse tipo de proposta. Como o senhor se posicionaria? Através de sua experiência aqui, acredita que a cultura brasileira tem algo a acrescentar à ficção científica como gênero?

OSC – Já falei sobre o assunto em minha resposta anterior, mas gostaria de fazer mais algumas observações. A ficção científica é a maior revolução que ocorreu na literatura mundial desde a invenção do romance no século XVIII, mas até recentemente quase toda a ficção científica era escrita em inglês, e mais particularmente nos Estados Unidos. O resultado é que quando você lê ficção científica, a maior parte das vezes é ficção científica norte-americana e, se não tomar cuidado, acabará pensando que certos aspectos norte-americanos da FC são parte de qualquer obra desse gênero.
Na verdade, é exatamente o oposto. Para a ficção científica amadurecer, ela precisa se libertar de suas raízes nos Estados Unidos e Inglaterra. Isso é muito difícil para os autores norte-americanos e ingleses, mas deve ser fácil para vocês. De certo modo, vocês não podem deixar de se afastar de nós, porque, ao escreverem histórias de ficção científica, incluem necessariamente muitos aspectos da cultura brasileira, mesmo que não tenham consciência disso e que não situem deliberadamente a história em um ambiente brasileiro. Entretanto, acho importante que vocês localizem muitas, ou talvez a maioria, de suas histórias em um contexto brasileiro, por quatro motivos.
Primeiro, porque isso será bom para a ficção científica como um todo, ajudando-a a ampliar seus horizontes.
Segundo, porque é mais fácil escrever e ler histórias de ficção científica nas quais a sociedade do futuro difere apenas em alguns aspectos; por que aumentar a dificuldade do leitor brasileiro apresentando-lhe um cenário em que tudo é diferente da realidade a que está acostumado?
Terceiro, porque o uso de ambientes brasileiros, por estranho que possa parecer, facilitará a venda desses trabalhos nos Estados Unidos. No momento, o público norte-americano de FC está despertando para a idéia de que a ficção científica é uma literatura sem fronteiras. O fato de você ser um escritor estrangeiro ambientando as histórias em sua terra natal tornará essas histórias mais interessantes para o público norte-americano.
Quarto, porque é vital para qualquer comunidade literária adquirir uma personalidade própria. Se vocês tentarem escrever FC ignorando as raízes nacionais, acabarão provavelmente imitando a FC norte-americana. Por outro lado, se incluírem abertamente a cultura local, o brasileirismo resultante será uma revolução dentro da ficção científica, da mesma forma como a ficção científica praticada por vocês será uma revolução dentro da literatura brasileira! Quando a FC começou a existir nos Estados Unidos, nas décadas de 1930 e 1940, ela era orgulhosamente, quase arrogantemente, norte-americana. Isso foi parte do que nos deu forças para lutar. Vocês também têm muito a ganhar injetando um forte sentimento nacionalista na FC que fizerem.
Isso não quer dizer que a FC brasileira se dedique exclusivamente a louvar o Brasil. O trabalho de um contador de histórias é ajudar seu povo a crescer e a mudar. Em outras palavras, enquanto às vezes vocês usarão o cenário para mostrar que se orgulham de ser brasileiros, outras vezes o usarão para satirizar os erros que observam no país. Charles Dickens não apenas fez os ingleses se orgulharem de sua pátria, mas também os deixou envergonhados por suas falhas; Mark Twain e Harriet Beecher Stowe fizeram o mesmo com o povo dos Estados Unidos. Como, porém, vocês podem propor mudanças no Brasil se as histórias que escrevem não estão claramente contidas na cultura brasileira, se vocês não propõem questões tipicamente brasileiras?
O Brasil é um país que a qualquer momento terá um impacto cultural profundo no resto do mundo. A música brasileira está ficando cada vez mais popular nos Estados Unidos (pelo menos posso comprar vários CD brasileiros em qualquer cidade grande!); que isso seja acompanhado pela literatura de vocês… literatura de boa qualidade… que nos revele a cultura brasileira em toda a sua grandeza. Não estou exagerando quando afirmo que vocês têm a responsabilidade de ser os embaixadores do Brasil no resto do mundo, ao mesmo tempo que devem ser profetas dentro de sua pátria, apontando erros e clamando por mudanças.
Depois de dizer isso, naturalmente, devo também dizer que um autor deve escrever apenas sobre as coisas que gosta e em que acredita. Assim, se você escreve FC e não se interessa por histórias passadas no Brasil, não deve usar cenários brasileiros apenas porque um escritor norte-americano disse que devia fazê-lo. Escreva apenas sobre o que lhe agrada.
Mesmo assim, é inegável que os autores brasileiros de FC com maior probabilidade de sucesso, tanto no país como no exterior, são os que escrevem histórias que se passam no contexto da cultura brasileira… seja na Terra (no futuro próximo ou no passado), seja em algum outro planeta, para onde os colonos brasileiros levaram o gosto pelo samba, feijoada e cafezinho!

RSC – Para terminar, gostaria que dissesse para nossos leitores quais os dez nomes mais importantes da FC norte-americana de hoje.

OSC – Em minha opinião são: Bruce Sterling, Gene R. Wolfe, Lisa Goldstein, Charles de Lint, Karen Joy Fowler, John Kessel, Tim Powers, M.J. Engh, Lois McMaster Bujold e Lewis Shiner. Não há dúvida de que deixei de fora muita gente boa, como não há dúvida de que, se fosse escrever esta lista na semana que vem, ela seria diferente. Mas entre os jovens autores cujo trabalho está tendo o maior impacto no campo no momento atual, estes são os dez que eu escolheria.



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