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segunda-feira, 28 de março de 2016

Vitimizando o opressor: a Galileu manipula o leitor com sua parcialidade.



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

A violência é uma ferramenta que tem garantido a manutenção dos poderosos nos cargos e funções. Na verdade, a promessa do fim ou diminuição da violência é usada como moeda de troca em tempos de eleições. E quais os motivos para que a criminalidade - e a violência nela contida - nunca caia de fato?
Eu enxergo, infelizmente, um lucro incalculável na "busca" pela ordem. Combater o crime é promessa que garante votos. Por sua vez, já eleito, as promessas perdem força conforme os meses vão se passando. Salvo um ato de maior vulto - arrastões, assaltos com vítimas em shoppings ou até a morte de alguém de classe alta ou destaque. Enfim, promessas somem com a mais leve brisa.
Mas essa não é a base de nossa conversa hoje. Nosso assunto hoje é algo que envolve a violência, a manipulação de informações e a ineficiência da justiça brasileira. Hoje, falaremos sobre uma matéria publicada na revista Galileu, edição 295, cuja principal matéria faz alarde com a seguinte chamada: 'o bandido está morto. E agora?'. O texto está assinado por Nathan Fernandes.



A dramaticidade do conteúdo da reportagem principal dessa edição é surpreendente. Desde a capa, os editores buscaram minimizar o papel dos malfeitores na sociedade. Pior ainda, a edição tenta atrair a opinião do leitor para o lado da revista, ora valendo-se do apelo pelas maiorias marginalizadas (negros e pobres) ora impondo sua própria violência com um pôster - com tamanho aproximado de quatro capas - onde um ator é mostrado "linchado", despido e amarrado. O pseudo-agredido é retratado como alguém que cometeu um pequeno crime e morto por uma multidão revoltada - representada por pegadas de vários tipos de sapatos (o que evidencia a participação de gente de classes sociais diferentes) e, afastado do corpo, um porrete de aço. 
Em toda a matéria o bandido é tratado como vítima. Há partes em que concordo, principalmente quando o assunto é a reação de multidões diante de crimes cuja violência impacta. Bem, o problema é que as imagens contradizem o texto. São imagens de um homem assustado correndo com a bolsa cara de uma mulher - pressuponho - bem sucedida. O ladrão usa chinelos, uma calça simples e camiseta regata. Ele é magro, tem a barba por fazer e aparenta o desespero próprio dos que não têm mais opções. Enfim, a Galileu quer - por meio das imagens - induzir o leitor a ter simpatia pela "vítima", nesse caso, o ladrão. É uma total inversão de valores...
Vamos a alguns fatos que a conceituada revista Galileu "esqueceu" de incluir na matéria. Primeiro, o nível de violência envolvendo pequenos roubos tem aumentado gradualmente. O meliante não está satisfeito por apenas roubar, ele quer impor o medo e descontar sua frustração com a sociedade opressora. Assim, você e eu, cidadãos comuns, recebedores de salários, somos o alvo. Somos, na visão do criminoso, também responsáveis por sua miséria. Com base nesse tipo de pensamento, muitas vítimas são esfaqueadas, baleadas e até estupradas, mesmo que não tenham esboçado a menor reação. A violência é gratuita e praticada com certa dose de prazer. É a vingança do oprimido.

"Se um animal mata um humano, ele é caçado. Por que não caçar um assassino?"

O paternalismo presente nessa matéria chega a preocupar. Óbvio que há ações tomadas por populares que são extremas, quiçá desnecessárias. Mas é preciso frisar que também há ocasiões onde a justiça com as próprias mãos tem sua justificativa. Eis um dos casos que o autor do texto faz questão de evidenciar como injusto:

Era o mesmo ódio que os moradores do Sertão de Canudos carregavam no caminhão que se dirigia à delegacia onde estava preso Edvaldo, o assassino da professora Rosângela*. Os moradores arrombaram a porta, renderam os guardas e “fizeram justiça” ali mesmo. Depois de espancarem Edvaldo com pedaços de pau, facas, facões e revólveres, levaram-no para o caminhão. Ali, ele teve partes do rosto e os testículos arrancados, como que para privá-lo da identidade e da masculinidade. Enquanto ainda estava vivo, outros pedaços de seu corpo iam sendo decepados. À medida que era esquartejado, Edvaldo ia deixando de existir. Já quase desfeito, os moradores o jogaram no local do crime e atearam fogo em seus restos com gasolina. A professora continuou morta. A cidade continuou triste. Isso tudo aconteceu em 1996. Mas poderia ter sido hoje. Pode ser amanhã.

* Rosangela abriu sua casa para receber Edvaldo, um ex-aluno dela, que não só tentou estupra-la em frente à avó como a espancou e a matou. 

Vamos nos valer da honestidade. O caso acima merecia o perdão? Caso fosse sua filha, você o deixaria vivo? Quais as garantias de que um indivíduo frio como esse não tornaria a praticar crimes similares? Quantas vidas foram poupadas com a morte desse assassino?

O autor do texto - sejamos honestos - mostra casos onde os excessos são evidentes por parte da população que está cada dia mais acuada. Mas é fato que as cadeias estão superlotadas, que a justiça é lenta e que o número de bandidos soltos pela mesma justiça é uma afronta aos policiais cujas vidas são postas em risco para prender esses marginais. Não há credibilidade no sistema penal, na justiça e nos efeitos corretivos (que deveriam existir) no indivíduo que está em uma prisão. Some-se a isso a afirmativa dele onde diz que mantemos uma cultura escravocrata, uma alusão ao alto índice de negros mortos em decorrência de crimes, confrontos com policiais ou executados. Há um racismo velado no Brasil, não duvidem, mas afirmar que persistimos em uma cultura escravocrata é apelativo, um chamado para que pessoas cujas ideologias se baseiem nessa crença deem apoio ao autor e sua tese.
Nathan é tão manipulador que apela até para o uso de frases retiradas de séries como Jessica Jones. Ele quer a simpatia do leitor para, aos poucos, convencê-lo da verdade em suas palavras.
Outra forma de guiar o leitor foi usada quando ele cita um quase linchamento de um garoto, uma criança acusada de furto durante uma manifestação. Mas não há um esclarecimento sobre essa criança, quem é, sua idade e seu porte físico. As ditas crianças, amparadas pelo ECA, podem ser bebês de 17 anos, violentas e fortes. Crianças que se valem do amparo legal para roubar, matar e, quando apreendidas, ficar em uma instituição para menores onde as fugas são rotina. Eles vão voltar a praticar seus crimes até que a vida de um inocente seja tirada friamente. Afinal, "ser di menor me garante que não serei preso", como muitas criancinhas praticantes de crime já afirmaram em jornais e programas de tv.

O texto mostra um preconceito latente contra o governo e as leis. Novamente, o criminoso é mostrado como vítima:

Todas as medidas que o governo toma são no sentido de criminalizar o jovem. Se ele quer melhores condições de estudo, o governo chama a polícia e resolve com surra e bomba; se não aceita pagar mais pelo transporte público, não pode protestar que é levado a uma ratoeira e massacrado. Não oferecem alternativa. O que precisamos é de uma política pública inclusiva, de educação e renda. São coisas que falamos há mais de cem anos e não fizemos até hoje."

Ninguém duvida da necessidade de uma educação melhor, de uma renda condizente, capaz de sobrepor a inflação e as perdas salariais, de melhorias em geral... mas a triste realidade é a de que há pessoas cuja tendência para o crime está acima da capacidade de reparo da educação, da religião ou de quaisquer outras instituições. Para essas pessoas, penas rigorosas e duradouras são a única alternativa. Reparem que não estou apoiando a pena de morte, apenas uma prisão irrevogável para crimes hediondos ou criminosos comprovadamente impossíveis de recuperação.
As soluções violentas não são as ideais. Isso, contudo, não significa que a morte de um assassino, traficante ou político corrupto não seja algo justificado. Todos os citados, de uma forma ou outra, são responsáveis pela perda de vidas. O traficante e o político que desvia verba pública também o são, ainda que indiretamente. Caso tenha perdido alguém para as drogas, sabe do que falo. E se um dia, infelizmente, um parente ou conhecido perecer por falta de atendimento médico ou por policiamento defasado, saiba que as verbas roubadas foram vitais para isso.

Voltando a um ponto muito interessante e controverso do texto publicado na Galileu, percebi que há uma insistência em dizer que a sociedade está fracionada entre os ricos e os miseráveis que, via de regra, são a fonte dos males. Ser pobre não é uma sentença onde a punição é a entrada no mundo do crime. Há muita gente pobre com mais princípios morais que os ricos. O crime está diretamente ligado a uma educação desprovida de valores morais, a uma sociedade que valoriza o fútil como status, a subculturas onde ser agressivo e violento é a porta de entrada para a aceitação. Hoje, digo com tristeza, a morte perdeu impacto. Recebemos vídeos e fotos de assassinatos pela tv, smartphones, jornais, etc, como se nada fosse. O sofrimento alheio não mais emociona, exceto quando se trata de pessoas próximas a nós. Temos, acredito, o costume de esquecer os males que atingem os outros, de reduzir a gravidade de crimes, esquecemos com facilidade as mortes praticadas por pessoas frias, já que teoricamente nunca estarão próximas a nós. Em suma, estar distante do crime e da morte é um meio para diminuir ou desprezar os resultados destes.

O mote principal desta matéria é o uso da violência para penalizar culpados por crimes. Há os chamados pequenos crimes, talvez motivados por desespero ou ausência de recursos provocada pelo desemprego, porém há os crimes cuja única finalidade é impor o medo e tirar vidas. Para o primeiro caso, creio ser possível - a longo prazo - estabelecer uma política de educação onde a preparação para o concorrido mercado de trabalho seja um dos pontos principais, mas nunca o único, já que é fundamental ter uma ótima educação para estar preparado para os desafios que a vida oferece e, ainda, um bom convívio com os demais integrantes da sociedade.
São muitos os problemas que levam uma sociedade a desejar a morte de um ser humano. A violência sem controle, o estado de sítio mascarado pela tecnologia e os pequenos 'mimos' que a diversão oferece, a sensação de fraqueza quando nos deparamos com algo violento, a perda de pessoas amadas... tudo isso colabora para uma explosão de raiva diante de um malfeitor aprisionado. A raiva ganha ares de ódio e foge ao controle. Claro que isso pode gerar a injustiça de alguém ser punido sem culpa. Não cabe ao cidadão comum a prática da justiça, porém é fato que a justiça, o sistema penal e as leis estão defasadas, incoerentes com a realidade atual. Sem algo que satisfaça o clamor por uma verdadeira justiça, aquela que inibirá outros a praticar crimes, o cidadão não vê solução para algo que se aproxima cada vez mais rápido de sua realidade. Enquanto estamos longe do mal, ele é apenas uma 'notícia', algo que não irá nos tocar. Mas a probabilidade de sermos sumariamente atingidos pela quase irrefreável onda de crimes é grande. 

Um último ponto que me desapontou demais nessa matéria é o uso de uma visão romanceada dos criminosos. Pôr um cara com expressão de coitado na matéria ou mostrá-lo espancado funciona como uma justificativa para o crime por ele cometido (Nathan não se esforça para evidenciar algo que sabemos: assaltantes não apenas roubam. Eles torturam, matam, aterrorizam e impõem marcas na vida das pessoas que irão atormentá-las por toda uma vida) é um golpe baixo. Por que a Galileu não se esforça tanto - com um texto dramático, imagens chocantes e depoimentos embasados por sociólogos - para evidenciar os traumas das vítimas dos crimes nas cidades? Ou que tal fazer um trabalho tão minucioso para destacar a destruição das famílias dos policiais mortos em combate? Há uma nítida inversão de valores, algo próprio de quem é um defensor dos direitos humanos mesmo em detrimento dos direitos dos humanos vítimas do descaso da lei, dos governos e da mídia sensacionalista.  

Não achou a matéria sensacionalista? Bem, que tal o uso dessa declaração de Marcelo Freixo:
"Não precisa cometer um crime para ser uma ameaça. Se você não circula nos shoppings e não é um cidadão consumidor, não tem direitos, vira uma ameaça."
Isso é exagero e busca colocar os leitores em choque, uns contra os outros, conforme a classe social e a ideologia. Isso é manipulação... 

sábado, 19 de setembro de 2015

Os "menores" nunca estão errados?



Por: Franz Lima.

A insegurança no Rio de Janeiro não é novidade. Os apelos da população por mais atitude, fiscalização e energia por parte das polícias e a Guarda Municipal ainda ecoam. 
Então, recentemente, a PMRJ tem tido a iniciativa de conter tumultos, balbúrdias e furtos praticados por grupos de jovens na volta das praias. Constituídos por menores e maiores de idade, esses grupos se aproveitam do poder intimidador numérico para roubar ou, na melhor das hipóteses, tumultuar a viagem dos passageiros. A PM retira esses arruaceiros dos ônibus, revista-os e encaminha os que forem identificados como criminosos para apuração ou apreensão. Em suma, o cidadão de paz segue sua viagem com tranquilidade e em segurança. 
Pergunto: o que a Polícia Militar fez de errado no que narrei até agora? Eu acredito que essa é a atitude correta, diante dos delitos cometidos. 
Entretanto, um grupo de "ativistas" tenta impedir a polícia de cumprir seu papel ao acusar os policiais de truculência e discriminação. Sei que são cidadãos de bem, mas é óbvio que não são usuários do transporte público, principalmente quando o assunto é a volta da praia. 
Por não passarem pelo sufoco e o medo de uma viagem onde palavrões, ameaças e músicas incitando o tráfico e o ódio à polícia são proferidas, esses "ativistas" buscam seus cinco minutos de fama junto à Imprensa. Tenho a firme convicção de quem vivem em suas redomas e que se locomovem em seus confortáveis carros. 
Assim é fácil crucificar o policial que cumpre apenas seu dever. O PM honesto, correto, não faz distinção de cor ou condição social. O PM assume sua posição de defensor da ordem e segurança públicas quando frente a algo ou alguém que ponha esses valores em xeque, seja esse alguém do subúrbio ou o rico da zona Sul. 
Os "meninos"retirados dos veículos -em um dos últimos casos - tinham TODOS passagem pela polícia. 
É hora de parar com o revanchismo contra o agente público de segurança. A Polícia não é nossa inimiga, e sim os delinquentes que usam o medo para impor o domínio

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A ineficiência do ECA e o abuso dos juízes.



Por: Franz Lima.
Junte a mente de um ser humano (uma verdadeira incógnita), acrescente o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA - e misture bem ao egocentrismo e propaganda própria. Sabe qual será o resultado? A proibição da venda da trilogia 50 Tons nas livrarias, caso os livros não estejam lacrados.
Sim, isso aconteceu ontem, no Rio de Janeiro, mais precisamente em Macaé. Duas livrarias tiveram os livros confiscados por ordem judicial, uma vez que o Juiz constatou que as crianças podem ter fácil acesso a essa literatura tão "perturbadora" para as mentes dos inocentes infantes. Para melhorar, a decisão teve embasamento no ECA que, mais uma vez, mostrou-se apto a auxiliar a justiça a promover o absurdo (não basta livrar menores assassinos da punicão correta?).
Assim sendo, no alto de sua inteligência superior, o dito juiz determinou - termo bonito - o recolhimento das obras para que fossem lacradas. Legal...
Mas será que uma literatura erótica, que definitivamente não é pornográfica, pode realmente ser tão prejudicial? Até posso entender o "desejo" repentino desse ilustre magistrado em querer proteger a inocência infantil. Todos nós queremos. Mas não compreendo o direcionamento do foco da atenção para algo tão pequeno. O livro exige alguns esforços que, vamos ser sinceros, as crianças - as verdadeiras crianças - não estão dispostas a fazer, tais como ir a uma livraria, pegar o dito livro (no meio de tantos outros materiais infantis), ler - ei, isso não exige um certo nível de aprendizado? - e interpretar o que está sendo lido. Além disso, sua santidade, o Juiz, deve achar que na primeira página do livro já tem gente transando e praticando sodomia. 
Na boa... é babaquice em excesso.
Será que o mesmo indivíduo não liga sua TV à noite e vê o festival de putaria que rola nos BBB da vida, novelas, programas sensacionalistas (que passam quase todos à tarde) e humorísticos sem qualquer qualidade? Já que o cara é o Jim Carrey em pessoa (o Todo-Poderoso), seria justo que ele direcionasse seu ódio para outra coisa mais nociva. Será que ele sabe que basta um simples navegador da internet aberto para a criança acessar conteúdos milhares de vezes piores? O cara questiona se há coerência nos xingamentos e nas imagens violentas que o Datena e todos os seus outros seguidores pelo Brasil afora proferem e divulgam?
Excesso é o mínimo que posso dizer sobre tal determinação, mas, tal e qual nas Forças Armadas, as ordens tem que primeiro ser cumpridas para, posteriormente, serem ponderadas. É a lei do "manda quem pode...".
O adulto deve defender suas crianças, evitar os excessos, inibir a violência, educar... porém jamais deve usar a criança como escudo para auto-promoção.
Está na hora de rever seus conceitos, Excelência.

Oficial de Justiça aguarda dono da loja Nobel Macaé assinar mandado de intimação (Foto: Carol Burgos/G1)


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