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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mad Max: Estrada da Fúria. Prepare-se para o caos pós-apocalíptico.



Por: Franz Lima 

A espera foi longa. Os temores ainda maiores. O que esperar de uma nova aventura de Max, o solitário vigilante das estradas, antes interpretado por Mel Gibson?
A resposta demorou... mas valeu cada segundo. 'Mad Max: Estrada da Fúria' é um espetáculo inesquecível.
Vamos entender os motivos para a afirmação acima.

O caos

O mundo onde ocorre a trama é o resultado de um verdadeiro apocalipse. Os sobreviventes se tornaram aquilo que a humanidade realmente é quando não tem mais os freios morais: uma turba que é capaz de realizar qualquer ato para cumprir com as vontades de seu líder, seu "redentor". Em Fury Road, este redentor tem nome: Immortan Joe.
E o que deu tanto poder a um único homem? A fome, a miséria, o caos e a força. Pessoas estão à beira do fim e se apegam a qualquer coisa que possa lhes oferecer a menor possibilidade de sobrevivência, de prolongar a vida, ainda que mísera.
Como um líder religioso, Immortan domina a massa. Homens, mulheres e crianças se dobram diante de sua vontade. Com tanto poder, não há como esperar algo diferente de um regime tirânico. 
O domínio caótico de Immortan Joe é mostrado através do exército que ele criou, em sua maioria composto por jovens chamados War Boys, cujas vidas estão condenadas por uma doença, mas que farão de tudo para honrar seu líder, o que inclui morrer para alcançar o Valhalla (o salão dos mortos nórdico no qual se reúnem os que pereceram em combate). 
Seja pela fé extrema (fanatismo) ou pela fome e sede igualmente extremas, o sádico líder exerce sua influência ao dar aos seus súditos as opções de uma morte honrada ou, no caso dos famintos e sedentos, algumas migalhas daquilo que ele guarda.
Outro fato que reforça o domínio de Joe é o uso de entradas similares às que Hitler e outros tiranos usaram: som alto, o uso de bancadas elevadas para mostrar superioridade, aclamação popular e a oferta de "bens" aos menos favorecidos. 



O domínio e a fascinação pelo líder são idênticos. A idolatria a serviço do caos.
Feminismo?

Muitas acusações de feminismo rondaram as análises de Mad Max. Elas, entretanto, são fruto de uma análise infundada do filme. Há, certamente, nuances de feminismo, porém sem conotações puristas. As mulheres têm papel de destaque na trama, Furiosa é o maior exemplo, e esse destaque ocorre por conta das boas interpretações das atrizes e também pela importância delas à trama. Em momento nenhum Max perdeu sua importância por causa da presença feminina. Ao contrário, elas dão força a ele e, em certo momento, propósito.
As mulheres em Mad Max estão presentes na narrativa por mérito. Suas contribuições são incontestáveis e vitais ao filme. Immortan Joe quer suas parideiras ao seu lado. Furiosa quer se redimir de uma vida de submissão e escravidão. As mulheres do deserto são a representação de fêmeas que foram lapidadas a ferro e fogo. As esposas oscilam entre a fragilidade e a determinação. Elas estão no roteiro de George Miller para engrandecer o filme, nunca para minimizar a participação de qualquer outro personagem.


Rock e sangue

Elementos adicionais tornaram a trama mais empolgante. Entre eles estão: a presença de Nux, um dos War Boys que é a representação máxima do efeito que a idolatria e o fanatismo fazem à mente humana e, ainda, a participação de um guitarrista alucinado que toca em cima de um verdadeiro "carro de som". 
Combinados, o fanatismo e a trilha sonora pesada dão muito mais impacto ao filme, principalmente nas cenas de ação. 
Outro fator adicional está nas interpretações que exigiram do elenco uma entrega total. O desgaste físico foi extremo, porém proporcionou ao espectador uma sensação de realismo que há muito não se via em um filme onde a ação e os efeitos são tão importantes quanto a trama em si.

 Lições que permeiam a trama.

Evidenciar o problema que uma falta de água crônica pode trazer à humanidade não é algo novo no cinema. Entretanto, Fury Road conseguiu mostrar o desespero por trás da falta de água com o poder transferido a quem a tem. Immortan Joe ganha ares de um deus por conta de sua posse de uma das poucas fontes de água existentes. 
Os limites morais que o convívio entre pessoas gera são violentamente quebrados. Diante de situações extremas, os homens são levados a atitudes extremas. Sem freios morais, a força passa a ser a única linguagem compreendida. Isso é mostrado de forma alucinada, mas muito próxima daquilo que seria, caso uma situação similar ocorresse.


 Um reboot ou continuação?

Mad Max é uma mistura extremamente bem elaborada de um reboot (recomeço) com os filmes anteriores. Não é preciso assistir os três filmes anteriores para compreender a trama de Fury Road. Entretanto, as referências existentes na nova produção - que terá uma continuação - só ganham ênfase quando os antigos filmes forem assistidos. Há muitas homenagens embutidas, mas é óbvio que os produtores não iriam vincular um filme feito para uma nova geração (vide a linguagem empregada) de forma que ele ficasse incompreensível caso os espectadores não assistissem os anteriores. A verdade é uma só: Mad Max - Fury Road é um novo filme que agradará os antigos fãs (entre os quais me incluo) e os novos, porém a produção está mais próxima de um reboot do que de uma continuação. 
 
 




Por que Estrada da Fúria?

Para quem ainda não assistiu, deixo uma única observação: a narrativa se passa quase que integralmente em uma longa estrada. São perseguições, mortes, explosões e conflitos ideológicos e psicológicos em doses altíssimas. Tudo, basicamente, ocorre nessa estrada - que também adquire a conotação de uma trilha a ser superada - onde as forças do "bem" e do "mal" se confrontam. Notem que as aspas anteriormente usadas evidenciam que até o pior dos personagens age sob o domínio de suas convicções, diante de um universo caótico, selvagem e impuro. Não há inocentes na Estrada da Fúria e, definitivamente, sobreviver a ela é algo improvável a qualquer um. Aliás, sobreviver fisicamente não implica em dizer que a mente sairá intacta das experiências que essa caótica realidade reserva aos seus "passageiros".

 
Pequenas homenagens que irão levá-los a ver os outros filmes da franquia:










quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Em Hong Kong, milhares vivem em favelas 'de cobertura'. Via BBC.


"Residência" vista de cima - Cortiço.


Fonte: BBC. Comentários: Franz Lima.
Para muita gente, morar em cobertura é um sinal de afluência social. Mas em Hong Kong, estar no topo de um prédio nem sempre é sinônimo de luxo. A cidade chinesa tem milhares de pessoas morando em verdadeiras favelas no alto de edifícios, muitas vezes em aposentos ilegais construídos de forma precária. E não raramente essas "coberturas-favela" estão superlotadas, apesar do espaço ser mínimo. Chan Piu, por exemplo, vive num quarto que, de tão pequeno, não tem espaço sequer para uma cama. O homem, de 58 anos, dorme sobre uma pilha de jornais. O aposento não tem janelas e a única decoração é uma foto do falecido pai de Chan. Sete outras famílias vivem na cobertura, todas dividindo banheiro, cozinha e a minúscula sala de estar. 

Fila de espera

As coberturas são normalmente construídas com placas de metal e madeira. Durante o verão, ficam extremamente quentes. No inverno, são gélidas. A ironia é que Chan e seus vizinhos têm uma vista privilegiada de Hong Kong. Na realidade, porém, eles vivem em condições esquálidas em função de uma crise habitacional. Embora seja uma das cidades mais ricas do mundo, Hong Kong tem um custo de vida à altura e isso se reflete no preço dos imóveis, um dos mais caros do mundo. Especialmente porque a oferta é muito menor que a procura. Desde 2009, por exemplo, o preço médio dos imóveis dobrou. Há superlotação também na fila de espera por moradias subvencionadas pelo poder local. Chan, por exemplo, espera há dois anos. "Hong Kong é uma cidade afluente, mas não tem uma boa política habitacional. E por isso as pessoas vivem em condições ruins", explica Natalie Yau, assistente social de uma ONG que trabalha com moradores das "favelas de cobertura". "O governo agora quer dar moradia para as famílias de classe baixa, mas há escassez de imóveis e isso cria uma fila imensa", completa Yau. A média de espera é de pelo menos quatro anos. A pobreza é um problema grave em Hong Kong. Não é incomum ver idosos catando restos de comida no lixo. O dólar local é atrelado ao dólar americano, e, com os juros sendo mantidos pelo Federal Reserve em patamares bem baixos, tem sido fácil conseguir crédito, o que ajudou ainda mais a esquentar a especulação imobiliária. Em distritos mais ricos não é raro ver casas vendidas por até US$ 150 milhões. Chan, porém, nem é capaz de imaginar este tipo de de dinheiro. Ele sobrevive de biscates para pagar o aluguel em sua cobertura. Se falhar, precisará se mudar para um lugar ainda menor.

Franz diz: esta matéria foi incluída aqui com um propósito, valorizarmos ainda mais nossas condições territoriais e habitacionais. Mesmo com a grande quantidade de favelas (comunidade é uma forma amena de chamar, o que não muda em nada a realidade) e as áreas urbanas mais precárias, dificilmente encontraremos uma região tão complexa quanto a apresentada na reportagem. 
Essas moradias são uma versão moderna e desumana dos cortiços brasileiros. Mesmo sendo próximas ao centro financeiro do país, localizadas em áreas de grande desenvolvimento, o preço é inacessível ao cidadão comum. A superpopulação também é outro entrave que diminui a qualidade de vida. Acrescentemos a isso o fato de que a cidade virou uma megalópole, repleta de prédios, o que acrescenta em mais perdas, sejam elas de mobilidade ou de habitação, isso sem considerar a sensação claustrofóbica que as selvas de concreto propiciam. 
Claro que esta situação pode ser revertida, talvez com mais rapidez que no Brasil, porém o que conta é o alerta sobre outras regiões do mundo onde a pobreza também existe. 
Não estamos sós, infelizmente, no quesito miséria. Mas temos, certamente, muitos recursos para sair deste "seleto" grupo.

sábado, 25 de outubro de 2014

Vingadores: a era de Ultron. Primeiro trailer surpreende. Veja o caos legendado!


Depois do sucesso do primeiro filme da equipe dos Vingadores, as expectativas só têm crescido. Anunciaram a presença de Ultron na trama, depois Mercúrio e a Feiticeira Escarlate. A armadura Hulk Buster... e até o escudo destroçado do Capitão América. 
Agora, o primeiro trailer foi lançado. Nick Fury está de volta. A guerra também.
Em meio aos planos de aniquilação de Ultron, uma equipe dividida dos Vingadores surge. Será que o caos será o fator preponderante para a união do grupo de heróis?
Sejam quais forem os acontecimentos nesta trama, a certeza é uma só: o filme será imperdível!
E que venha a Guerra Civil...



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Roberta Spindler e seu novo livro "A Torre acima do véu". Entrevista em vídeo com a autora.



O que começou como um conto ganha, finalmente, ares de um best-seller. 
A autora Roberta Spindler publicou recentemente seu novo trabalho: A torre acima do véu. A obra é uma ampliação do conto publicado pela editora Draco chamado "A torre árabe". 
Roberta é muito conhecida através de seu romance Contos de Meigan, escrito em parceria com Oriana Comesanha. Mas o talento da autora amplia-se para contos e, agora, para esse novo romance. 
Leia a sinopse da obra e veja a ótima entrevista da autora ao programa Sem Censura, onde maiores explicações sobre o lançamento e a carreira da autora são fornecidos.

Sinopse da obra:
Quando uma densa e venenosa névoa surge misteriosamente, pânico e morte tomam conta do planeta. Os poucos sobreviventes se refugiam no topo dos megaedifícios e arranha-céus das megalópoles. 
Acuados, vivem uma nova era de privações e sob o ataque constante de seres assustadores, chamados apenas de sombras.
Suas vidas logo passaram a depender da proteção da Torre, aquela que controla os armamentos e a tecnologia que restaram.
Cinquenta anos se passam, na megacidade Rio-Aires, Beca vive do resgate de recursos há muito abandonados nos andares inferiores, junto com seu pai e seu irmão. A profissão, perigosa por natureza, torna-se ainda mais letal quando ela participa de uma negociação traiçoeira e se vê cada vez mais envolvida em perigos e segredos que ameaçam muito mais do que sua vida ou a de sua família.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Cingapura dá lição ao mundo sobre como melhorar o trânsito. Via Época.


MARCELO MOURA (TEXTO), OTÁVIO BURIN E PEDRO SCHIMIDT (GRÁFICO). COMENTÁRIOS: FRANZ LIMA.
Fonte: Revista Época 
Para as autoridades de Cingapura, cidade-estado no Sudoeste da Ásia que se tornou referência mundial em transporte, acompanhar o trânsito em tempo real é tarde demais. A cidade usa câmeras, sensores nas ruas e as antenas de GPS dos carros, para prever um congestionamento minutos antes de ele ocorrer. Ao identificar o risco de sobrecarga numa avenida, o departamento de tráfego varia os tempos de abertura dos sinais de trânsito e sugere desvios, em painéis eletrônicos. Os motoristas são incentivados a cooperar da maneira mais objetiva: com o bolso. Pagam mais caro, pelo pedágio urbano, quando o trânsito para. Cingapura não tem mais como abrir ruas e avenidas, diz o governo. O asfalto já tomou 12% do território, quase tanto quanto a habitação (14%). Hoje, os 5,4 milhões de habitantes usam transporte público em 63% de suas viagens. Deverão usar 75% das vezes até 2030, de acordo com o plano de transporte de Cingapura, um documento atualizado a cada cinco anos, com um cronograma de realizações para os 20 anos seguintes. Para o governo local, informar intervenções importantes na vida das pessoas com alguns dias de antecedência é tarde demais.


Franz says: esse é apenas um dos 'pequenos' exemplos de controle do tráfego urbano que temos. Muitas cidades do mundo tem buscado soluções e alternativas para o excesso de veículos e outras complicações comuns às áreas urbanas. O uso de rodízio (tal como ocorre em São Paulo) é uma das primeiras atitudes a se tomar em prol de um melhor trânsito. Mas é preciso incentivar também o uso dos transportes públicos, melhorar as vias e promover uma política de remoção das verdadeiras 'sucatas ambulantes' que circulam e colaboram para o tumulto nas pistas, além de poluírem muito o ar. 
Contudo, a principal mudança deve ocorrer nos políticos e legisladores que, infelizmente, repetem a cada novo mandato os erros de seus antecessores, sendo o pior desses erros o desprezo ao povo que os elegeu.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Trailer de 'Uma noite de crime'. Quando o caos é permitido...


O trailer sugere que os EUA estão sob uma utópica paz. Não há crimes e assassinatos durante o ano, exceto em um dia específico onde, com concessão do governo, todos tem permissão para cometer qualquer delito, inclusive matar. Serviços médicos, polícia e qualquer outro recurso que possa ajudar a amenizar esse caos são desativados. É a absoluta anarquia mesclada ao caos inimaginável.
Gostou da premissa? Então, curta agora o trailer.



terça-feira, 16 de julho de 2013

Carne Crua.


Por: Franz Lima.
Abro os olhos e a dor chega quase que instantaneamente. O mundo está de cabeça para baixo, confuso. Há gritos que me alcançam lentamente. Os dentes doem com a mesma intensidade que os olhos. Meu braço esquerdo está quebrado, sem dúvidas.
Mas o que aconteceu? O que me levou a capotar o carro? Descarto essas questões e parto para o que é mais prático: sobreviver.
Solto o cinto de segurança e meu corpo se choca contra o teto do carro. Os vidros estão quebrados e sinto os cheiros de óleo e gasolina. Isso é péssimo.
A dor me atinge de novo, fazendo questão absoluta de não me deixar esquecer o quanto estou fudido. 
Começo a me arrastar para fora do carro e vejo, não muito longe, uma mulher com um dos olhos furado. Ela grita, mas não consigo compreendê-la. Seus passos são desconexos e trôpegos, o que pode indicar que algo realmente a feriu ou, ainda, que ela está drogada. Ergo o ombro do braço ferido e forço a saída. O que se passa a seguir é quase surreal: um caminhão desgovernado atinge a mulher, matando-a de imediato. As rodas do automóvel passam a centímetros do meu corpo. Era para eu ter morrido junto com a mulher, porém o destino me poupou. 
O choque de ter escapado me despertou para outra realidade. Muitas pessoas estavam mortas em todo o meu raio de visão. Mulheres, crianças... não havia distinção para o massacre. Que merda estava acontecendo?
Ergui meu corpo e comecei a andar. Eu reconheci o lugar onde o carro ficou capotado, uma rua distante apenas algumas quadras da minha casa. 
Mas o que aconteceu?
Sem respostas, restava-me andar. A cada passo, uma nova cena de horror. Era uma guerra? Quais os motivos para tantas mortes? Eu tentei gritar por socorro, sem sucesso. Minha voz e meu corpo mal respondiam. Para piorar, percebi que havia um ferimento profundo próximo ao joelho. O sangue vertia rápido. Onde estava o socorro? Em resposta, vi algo que nunca pensei ver, nem nos meus pesadelos mais sombrios. A mulher atropelada, quase totalmente esmagada, gemia e tentava se arrastar. Mesmo sem as pernas, um pedaço do braço direito e com a face parcialmente destruída, ela gemia e encravava as unhas no asfalto, obtendo alguns pequenos centímetros de deslocamento com aquele esforço. Mas, pensei, como isso poderia ocorrer se era para ela estar morta?
Movido pelo medo, acelerei meus passos. Inegável que aquilo era incomum. Inegável que eu estava em meio a algo muito além da minha compreensão. Fugir era a garantia de sobrevivência.
Forcei ao máximo e acelerei meus passos. Mesmo cambaleante e tonto, meus instintos me guiavam para longe daquele local. Entretanto, a cada novo metro que eu vencia, mais minha mente entendia o contexto em que fui inserido. Casas queimavam e gritos ecoavam para, rapidamente, serem silenciados. O cheiro de sangue e morte estava impregnado no ar, nauseante. Seria realmente o apocalipse, o bíblico fim do mundo?
Virei ao ouvir um som metálico. Era o motorista do caminhão, também ferido. Ele caiu no chão com um som estranho. Suas mãos cortaram ao tocar tão violentamente o calçamento. Percebi que um filete de sangue escorria de sua orelha. E foi então que o verdadeiro caos se mostrou em toda a sua intensidade.
Mais de vinte pessoas surgiram correndo, vindas de casas, garagens e lugares próximos. Todos, sem exceção, mostravam-se alucinados, cheios de algo que me pareceu ódio, porém era mais primitivo.

Todos correram em direção ao motorista, alguns pisotearam os restos (ainda vivos) da mulher atropelada. Ela também se esforçou mais para chegar até o motorista acidentado. Estou no inferno - pensei.
O homem foi devorado em minutos. Pedaços dele estavam espalhados por metros. Ele morreu com extrema dor. E eu ouvi cada um dos gritos.
Então, os homens, mulheres e crianças se voltaram para mim. Ferido e fraco, restou-me apenas abaixar e aguardar. Eu seria a próxima refeição deles. Era hora de morrer...
Olhei, entre lágrimas, eles se aproximarem. Todos passaram por mim, milagrosamente. Talvez, refleti, satisfeitos pela última vitima. Deus me poupou, apesar de meus erros. Eu fui salvo. Agora, restava-me sair daquela zona de guerra. Viver era o que eu mais desejava.
Andei por uma área sem aqueles canibais. Só parei por causa do ferimento e do cansaço. Andar mais poderia significar a antecipação da morte. Com alguns medicamentos e ataduras, minhas chances de sobreviver aumentariam. 
Arrombei uma casa e busquei abrigo. Todo mundo tem remédios, gazes. Seria impossível que o azar me atingisse com tamanha brutalidade. Busquei e encontrei alguns comprimidos de Aspirina, dois band-aid e um pacote com gazes pequenas. Nada de mais, porém já era um começo. Fiz o curativo, apertei com um trapo o corte na perna e vasculhei a casa. Pouco era aproveitável. Alimentos estavam decompostos, insetos tomavam quase tudo e o cheiro de podridão provocava náuseas. 
Esperei a noite cair para sair sobre a proteção da escuridão. Movia-me em silêncio absoluto. Vi e passei por vários dos que morreram. Rezei para que não sentissem meu cheiro. Minhas preces foram atendidas...
Por semanas eu vaguei, como um ladrão. Aliás, roubar era questão de sobrevivência, mesmo que não fosse realmente um roubo, já que todos nas redondezas estavam mortos ou algo muito próximo disso. Animais eram devorados por crianças. Bebês cambaleavam e emitiam urros, possuídos por uma raiva ancestral. O passar do tempo fez com que o medo fosse substituído pela vontade de viver.
Cheguei a uma casa isolada no topo de uma colina. Muitos dos mortos continuavam a caminhar. A comida deles estava tão escassa quanto a minha e todos nós estávamos morrendo. Eu pela primeira vez. Eles, degustando uma segunda e lenta morte. Se não houvesse água e alimento na casa, meu corpo definharia. Se eles me pegassem, suas existências seriam esticadas mais alguns dias. A morte me rondava. A morte caminhava.
Dentro da casa eu encontrei algumas latas de comida. Atum, salsichas e até feijão. Eu iria retomar minhas forças e fugir. Bastava comer e aguardar o momento certo para sair daquele pesadelo (mesmo que isso me levasse a outro pior).
Bebi uma água já rançosa, parada por muito tempo no encanamento. Levei longas horas para abrir as latas e comer. Tive que comer lentamente, tamanha era a dor no estômago. Agora era o momento de sair daquela armadilha. Um único vacilo e todo o esforço para sobreviver ruiria. 
Desci para o primeiro andar da casa, renovado pela água e o alimento. Eu teria forças para correr se fosse necessário. Foi aí que percebi o quanto era  inútil ter esperança. Milhares de cadáveres caminhavam e sussurravam diante da casa onde me escondi. Olhos vitrificados e dentes que rangiam me aguardavam. Não havia fuga. Eles não invadiam a casa pois sabiam instintivamente que não havia como escapar deles e da fome que também os torturava. Era chegada a minha hora.
Abri a porta e me deparei com rostos putrefatos e lábios ansiosos por carne. Eu morreria para lhes dar sustento. 
Eles vieram lentamente em minha direção. Caminhavam de forma ritmada e lenta, mas estavam cientes de qual era o alvo. Eu também descobri que já não havia mais para onde fugir. Era hora de morrer.
O primeiro morto era na verdade uma mulher. Seu rosto estava irreconhecível dado o grau de putrefação. Os dentes ainda tinham restos de comida entranhados, também apodrecidos. Ela quase me beijou e pude sentir o hálito da morte muito próximo a mim. Minhas pernas tremiam e fechei os olhos por instinto. Entretanto, ela apenas parou e farejou, como um cão o faria. Senti seu ombro se chocar, levemente, com o meu. Ela passou por mim e entrou na casa, sendo seguida por todos os outros cadáveres. Eles me pouparam, não sei o motivo. No mesmo ritmo que eles, eu sai e continue andando por horas e horas. 
Os dias e meses que se seguiram não foram diferentes. Eu caminhei literalmente entre os mortos. O vale da sombra da morte era o meu novo lar. Sobrevivi dos restos daqueles que agora andavam sem vida. Mas onde estavam os outros sobreviventes? Será que eu era o único ser vivo em um mundo dominado pelos amaldiçoados a vagar sem destino?
Transpus quilômetros sem fim e sempre me deparei com a mesma visão: nem mesmo os animais de peçonha existiam mais. A morte e sua mais recente máscara era o que predominava. Conclui que não havia mais com quem conversar, amar ou partilhar dores e alegrias. Eu fiquei fadado ao convívio dos mortos-vivos que, simplesmente, me desprezavam. Por algum motivo estranho e sarcástico, eu me tornei o último homem vivo na terra dos decompostos... sem direito à morte e sem coragem para tirar minha própria vida.


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Diablo III: a Ordem. Resenha do livro que antecede o game.


Por: Franz Lima.

Diablo, o game, é um clássico indiscutível. Jogabilidade simples, personagens que também não possuem uma complexidade Shakesperiana, mas não há como negar que o jogo é atrativo. Evoluir com seus personagens através de um cenário de caos, morte e mal, combater a essência do que é ruim, faz com que o jogador não queira se distanciar da tela. Junte a isso armaduras raras, encontradas peça por peça, um cubo capaz de recriar objetos e um velho sábio que lhe presta auxílio e pronto: você terá uma breve noção do que é ser um guerreiro do bem que busca, mesmo ao custo da própria vida, destruir a trindade formada por Diablo, Belial e Mephisto.


Entretanto, não é sobre a trilogia em games que falarei. Hoje, o assunto é o recente lançamento Diablo III: a Ordem. Publicado pela Galera, um selo da Editora Record, o livro foi escrito por Nate Kenyon (um dos finalistas do prêmio Bram Stoker de histórias de terror). Basicamente, a narrativa aborda a infância e os fatos que levaram Deckard Cain, o já citado velho sábio, a se tornar um dos personagens mais importantes da trama. 
O que vemos no decorrer da obra é a evolução de um menino descrente em um verdadeiro Horadrim (um dos últimos integrantes da Ordem Horádrica). Contudo, novamente valendo-se da já conhecida Jornada do Herói, Deckard não acredita em seu potencial. Suas dúvidas são armas que o inimigo usa para tentar tirá-lo a todo custo de uma batalha na qual ele e seus amigos são peças fundamentais. 

Deckard Cain
A EVOLUÇÃO DA TRAMA:

Deckard é uma mistura equilibrada entre um mago e um sábio. Não esperem encontrar um necromante, guerreiro ou algo parecido. Cain é apenas um estudioso que demorou a aceitar seu papel no palco de guerra. Por meio de suas manias e a desconfiança dos ensinamentos que seu pai lhe deixou, ele ainda não está preparado totalmente para enfrentar os representantes das trevas, entre eles o Sombrio, um homem que tem seu corpo usado como invólucro para um demônio (o maligno Belial, o Senhor das Mentiras) que ganha forças às custas de muitas, muitas mortes. 
Deckard e o Sombrio estão fadados ao duelo, cada um motivado por uma busca diferente, porém ambas com um ponto em comum: a jovem Leah, uma menina que tem poderes incalculáveis. Leah é a peça que traz de volta um pouco da humanidade do homem que dedicou sua vida aos estudos, largando para segundo plano muitas coisas que amava. 

Leah

INTERLÚDIO PARA DIABLO III:

Resumidamente, o livro é um interlúdio, um intervalo para o game. O que não implica em dizer que se torna enfadonho. Há ação, violência, mortes, atos heróicos e uma tensão típicos do game, porém com uma infinidade de detalhes que ampliam o universo da trilogia. 
Aliás, para os fãs dos jogos, esse é um complementos aguardado, principalmente por clarear duvidas. Descobrimos mais sobre Cain, Leah e um misterioso monge, Mikulov. Mas é válido frisar que a trama trata sobre o passado e futuro de Deckard Cain, dando uma maior amplitude ao sábio que teve pouco revelado sobre si na série de games.


AMBIENTAÇÃO

O livro passa por vários pontos já vistos nos jogos e cita também outros bem conhecidos. Desde Kurast até Tristam. As localidades estão muito bem descritas e reforçam a narrativa e as cenas. Mesmo para quem não conhece absolutamente nada de Diablo, é possível situar-se e imaginar cada lugar e viver as emoções junto com os personagens. 

NATE KENYON:

O escritor mostrou que sabe realmente adaptar algo relativamente vago para uma realidade literária mais consistente. Deckard, Leah, Mikulov e todos os demais personagens são verossímeis, guardadas as devidas proporções quando o assunto é literatura fantástica. Há fluidez na escrita e não percebi lacunas dentro da trama. Por se tratar do primeiro livro que li dele, não posso afirmar que temos já um grande autor, porém é certo que talento não falta.
Quanto ao terror existente no livro, ele beira mais o suspense que o já usual medo provocado pelo escatológico. Passagens pesadas e violentas são comuns na trama, mas nada próximo de algo gratuito, feito apenas para chocar. 

CONCLUSÃO:

Mais do que um livro para complementar um game - Diablo III: a Ordem - é uma ampliação real da mitologia criada pelos idealizadores da Blizzard. Fico na esperança de que surjam novos livros baseados neste rico universo, desde que mantenham a mesma qualidade ou superior.

DADOS TÉCNICOS:

I.S.B.N.: 9788501401243
Cód. Barras: 9788501401243
Reduzido: 4259998
Altura: 23 cm.
Largura: 16 cm.
Edição : 1ª/2012
Idioma : Português
Número de Paginas : 350

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Um projeto que precisa do nosso apoio: Apagão, Vol. I. Cidade sem Lei/Luz.


Franz says: o que vocês verão a partir de agora é um projeto feito com muita dedicação, arte e uma proposta incrível. Mostrando uma São Paulo alternativa, caótica e violenta, esta HQ promete ser uma ótima novidade. Entretanto, Apagão é um projeto que precisa do meu e do seu apoio. Conto com vocês no apoio e divulgação dessa iniciativa, mas, antes, leiam o post e descubram as muitas surpresas que esta legítima HQ brazuca lhes reserva. 


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Para inglês ver. A realidade do Rio de Janeiro.




Por: Franz Lima
Sou um cidadão honorário do Rio de Janeiro. Eu adotei esta cidade como minha. Paulista, já tenho mais de 28 anos como morador da Cidade Maravilhosa. Aprendi a amar esta que é uma das mais belas localidades do mundo. 
Mas o Rio nunca foi essa 'beleza' que está hoje.
Muitos e muitos anos de corrupção e banditismo trouxeram o caos e o medo para os cidadãos, não importando a classe social, credo ou cor. O futuro era incerto e sinistro. 


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Rafinha Bastos e a telefonia celular no Brasil.


Rafinha Bastos tem sido um cara polêmico no nosso país. Mas agora não é hora de polêmicas. Através deste vídeo, o humorista mostra um painel da realidade da telefonia celular no Brasil. Inteligência e bom humor para ilustrar uma realidade muito complicada. Enjoy!!!
Assinem o canal dele no Youtube: Rafinha Bastos.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Bruxos e deuses em mostra parisiense - Mestres da Desordem


Musee International du Carnaval du Masque

A mostra Mestres da Desordem, em cartaz no Musée du Quai Branly, de Paris, explora a noção de desordem no mundo e aqueles que tentam conter o caos por meio da magia, rituais sagrados e festas populares.
A exposição destaca vestes e adereços de xamãs, bruxos de vodu e gurus de diferentes partes do mundo, que tentam negociar com as forças do caos - os chamados ''mestres da desordem'', que dão título à mostra.
Entre os destaques estão objetos, fantasias e peças pertencentes a grandes coleções de antropologia, bem como obras de artistas contemporâneos, como Annette Messager, Jean-Michel Alberola e Hirschhorn Thomas.
Depois de Paris, a mostra segue para Bonn, na Alemanha, onde será exibida de 31 de agosto a 2 de dezembro de 2012, e para Madri, na Espanha, onde ficará em cartaz entre 7 de fevereiro e 19 de maio de 2013.
Fonte: BBC
Museu Etnográfico da Rússia - São Petersburgo

Musée du Quai Branly/Patrick Gries - Inspiração para o Pinhead?

Acervo do Musee Archeologique de Dijon de la vie bourguignonne Perrin de Puycousin Dijon cliche F. Perrodin


domingo, 22 de abril de 2012

Metal Open Air. O que era promessa, virou caos.


Público critica produtora do Metal Open Air e pede dinheiro de volta

Após o cancelamento de trinta atrações e atrasos para começar os shows que permaneceram no line-up, o público usou o Facebook para protestar com a Lamparina Filmes e Produções, produtora do Metal Open Air, que acontece em São Luís, no Maranhão, neste final de semana.
"Vocês são uns vacilões. Cresceram o olho no dinheiro, deixaram a galera acampada em estábulos, limaram o show do Megadeth pela metade, não respeitaram as bandas nacionais e a estrutura é horrível", disse o internauta Felipe Rego.
Em um post, a produtora afirma ter sofrido um "boicote". O público não concordou. "Ah, gente. Sem essa, vai. Agora colocam a culpa no governo, no Marafolia, na Cemar. Que estrutura é aquela? E os cachês que não foram pagos? E as passagens que não foram emitidas? Isso não foi boicote, o nome disso é falta de organização e profissionalismo! Faça-me o favor!", criticou Jackeline Lima.
Além disso, alguns internautas pediram por meio de redes sociais que a Lamparina devolvesse o dinheiro dos ingressos. "Tá na hora de parar com desculpinhas e já arrumar o dinheiro no caixa para devolver para quem pagou e não recebeu o serviço", disse Marcelo Lennon. "Lamparina a melhor coisa que você faz é sumir, não tem respeito algum com os maranhenses e com o pessoal de fora! Nos tratou como um lixo, como vermes", finalizou Ricardo Carvalho.
Entenda o caso 
O festival Metal Open Air gerou muita polêmica nos últimos dias. Marcado para acontecer entre sexta (20) e domingo (22), em São Luís, capital do Maranhão, o evento sofreu com o cancelamento de diversas bandas, incluindo alguns dos headliners - como Anthrax, Blind Guardian, Ratos de Porão e o Rock N' Roll All Stars, grupo de Gene Simmons, que traria o ator Charlie Sheen ao MOA como mestre de cerimônias. Segundo o site especializado em heavy metal Whiplash, o festival começou com atraso neste sábado (21), apesar das cerca de 30 bandas canceladas. Por volta das 16h do mesmo dia, o site havia noticiado o cancelamento do MOA, mas a produção se apressou em negar a informação.
Apesar dos problemas com as bandas e reclamações gerais sobre falta de estrutura - usuários do Twitter disseram que o acampamento do festival estava localizado em um estábulo, por exemplo -, o festival teve shows nesta sexta (21), mesmo começando com cinco horas de atraso. Os norte-americanos do Megadeth, um dos headliners do festival, se apresentaram no palco do MOA.
Até o início da noite deste sábado, cerca de 30 bandas, segundo o Whiplash já haviam cancelado a participação no festival, entre elas os headliners Rock n' Roll Stars, Anthrax, Blind Guardian e Ratos de Porão, além de nomes importantes, como Hangar, Saxon, Venom e Andre Matos.
Em comunicado oficial, o Blind Guardian criticou duramennte a organização do festival. "Devido a enormes problemas técnicos e administrativos, fomos forçados a cancelar. Parece que a produção local não tem sido capaz de garantir a estrutura de um festival. No futuro, teremos mais cuidado ao confirmarmos os shows."
Já o Rock N' Roll All Stars manifestou preocupação com os fãs em sua nota de cancelamento. "Fomos informados, antes de voarmos para o Brasil, que muitas outras bandas já cancelaram suas apresentações. Estamos muito preocupados com a segurança de nossos fãs e dos artistas que já estão no festival. Ouvimos relatos de que é o evento é perigoso e um desastre. Por favor, tenham cuidado. Estamos ansiosos para fazer rock com vocês no futuro".

Metal Open Air: produtor diz que sofreu sequestro e agressão

Felipe Negri, um dos organizadores do Metal Open Air, evento que acontece em São Luís, no Maranhão, neste final semana, disse que foi vítima de sequestro e agressão.
"CRIME: Galo que eu ganhei após o sequestro e agressão que sofri junto com a minha noiva e equipe", escreveu Negri no Twitter. A foto postada junto com a mensagem foi apagada da rede social Istagram. Segundo a rádio Mirante FM, ele acusa um produtor local de ser o mandante do crime.
O Metal Open Air vem causando polêmica devido ao cancelamento de cerca de 30 apresentações no festival, por motivos que vão de atrasos nos pagamentos a problemas de emissão de passagens aéreas.



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