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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Calvin e Haroldo: as últimas palavras. Via Geek Vault.



Fonte: Geek Vault
Comentários: Franz Lima.

Uma emocionante história onde o fim da vida de Calvin é mostrado da forma mais impactante e poética possível. Lágrimas cairão, principalmente se você for, assim como eu, fã da famosa e saudosa dupla.
Senhoras e senhores, com vocês: Calvin e Haroldo - As últimas palavras.


“Calvin? Calvin, meu amor?”

Da escuridão Calvin ouviu o chamado de Susie, sua esposa há 53 anos. Deus, ele estava tão cansado e foi tão difícil abrir os olhos. Vagarosamente, a luz substituiu a escuridão, e logo e visão estava completa. No pé de sua cama estava sua esposa. Calvin molhou seus lábios secos e falou com a voz rouca, “Você…você o…encontrou?”
“Sim querido,” Susie respondeu com um triste sorriso, “Ele estava no sótão.”

Susie pegou dentro de sua bolsa e retirou um suave, velho e laranja tigre de pelúcia. Calvin não conseguiu evitar uma risada. Já fazia tanto tempo. Muito tempo.

“Eu lavei ele para você,” Susie falou, sua voz quebrando um pouco enquanto ela colocava o tigre de pelúcia perto de seu marido.

“Obrigado Susie.” Calvin respondeu.

Alguns momentos se passaram enquanto Calvin apenas deitava em sua cama no hospital, sua cabeça virada para o lado, olhando o antigo brinquedo com nostalgia.

“Querida,” Calvin finalmente falou. “Você se importaria me deixar sozinho com Haroldo por um tempo? Eu gostaria de conversar com ele.”
“Sem problemas,” Susie respondeu. “Eu vou comer algo na cafeteria. Volto logo.”

Susie beijou seu marido na testa e se virou para ir embora. Com uma repentina, mas suave força, Calvin a parou. Amorosamente ele puxou sua esposa e a deu um beijo apaixonado em seus lábios. “Eu te amo,” ele disse.

“E eu amo você,” responde Susie.

Susie virou e saiu. Calvin viu lágrimas saindo de seus olhos quando ela saiu pela porta.

Calvin finalmente virou para ver seu mais antigo e querido amigo. “Ola Haroldo. Faz um bom tempo não faz amigo?”

Haroldo não era mais um tigre de brinquedo, mas o antigo e peludo tigre que Calvin sempre se lembrou. “Sem dúvida faz, Calvin.” foi a resposta de Haroldo.

“Você…você não mudou nada.” Calvin sorriu.

“Já você, mudou muito.” Haroldo disse tristemente.

Calvin riu, “Verdade? Eu nem tinha reparado.” Teve uma longa pausa. Apenas o barulho de um relógio contando os segundos ecoando no quarto estéril do hospital.

“Então…você casou com Susie Derkins.” Haroldo falou, finalmente sorrindo. “Eu sempre soube que você gostava dela.”

“Fique quieto!” Calvin disse, seu sorriso maior que nunca.

“Me conte tudo que perdi. Eu adoraria ouvir tudo que você fez!” Haroldo disse, empolgado.

Então Calvin contou tudo. Ele contou como ele e Susie se apaixonaram no colegial, como eles se casaram logo após a faculdade, contou sobre seus 3 filhos e seus 4 netos, como ele transformou Space Spiff em uma das mais populares novelas de ficção científica, e por aí vai.

Depois que ele disse tudo isso para Haroldo, ocorreu mais um silêncio impregnante.

“Você sabe…eu te visitei no sótão várias vezes.” Calvin disse.

“Eu sei.”

“Mas eu nunca consegui te ver. Tudo que eu via era um animal de pelúcia.” a voz de Calvin estava quebrando e lágrimas de arrependimento começaram a cair de seus olhos.

“Você cresceu amigão.” disse Haroldo.

Calvin começou a soluçar, abraçando seu melhor amigo. “Me desculpe! Por favor me desculpe por quebrar a minha promessa! Eu prometi que nunca ia crescer e que iríamos ficar sempre juntos!”

Haroldo  acariciou o cabelo de Calvin, ou o pouco que ainda restava. “Mas você não quebrou.”

“O que você quer dizer?”

“Nós sempre estivemos juntos…em nossos sonhos.”

“Nós estivemos?”

“Nós estivemos.”

“Haroldo?”

“Sim amigão?”

“Estou tão feliz por poder te ver assim….uma última vez…”

“Eu também Calvin, eu também.”

“Amor?” A voz de Susie veio do outro lado da porta.

“Sim querida?” respondeu Calvin.

“Posso entrar?” perguntou Susie.

“Só um minuto.”

Calvin virou para ver Haroldo uma última vez.

“Adeus Haroldo. Obrigado…por tudo…”

“Não, eu que te agradeço Calvin.” respondeu Haroldo.

Calvin virou para a porta e falou, “Pode entrar agora.”

Os filhos e netos de Calvin seguiram Susie no quarto dele. O neto mais novo correu por todos eles e abraçou o seu avô de uma forma forte e empolgada. “Vovô!” gritou a criança.

“Francis!” gritou a filha de Calvin, “Seja gentil com seu avô.”

A filha de Calvin virou para seu pai e disse “Me desculpe papai. Francis não está se comportando esses últimos dias. Ele apenas corre fazendo bagunça e vindo com histórias estranhas.”

Calvin riu e disse, “Ora, isso está parecendo como eu era na sua idade.”

Calvin e sua família conversaram mais um pouco até quando a enfermeira chegou e disse, “Me desculpem, porém a hora de visita está praticamente terminando.”

A amorosa família de Calvin disse tchau e prometeu voltar no dia seguinte. Assim que eles estavam saindo Calvin disse, “Francis. Venha aqui um segundo.”

Francis ficou ao lado de seu avô, “O que foi vovô?”

Calvin pegou o antigo tigre de pelúcia e o entregou, tremendo para seu neto, que era extremamente parecido com ele tantos anos atrás.

“Esse é Haroldo. Ele foi meu melhor amigo quando eu tinha sua idade. Gostaria que você o tivesse.”

“Mas ele é apenas um tigre de pelúcia.” Francis disse.

Calvin riu, “Bom, deixe-me te falar um segredo.”

Francis chegou mais perto de Calvin. Calvin sussurrou, “se você o pegar em uma armadilha para tigres, utilizando um sanduíche de atum como isca, ele vira em um tigre real.”

Francis olhou com admiração. Calvin continuou, “Não apenas isso, ele será seu melhor amigo para sempre.”

“Wow! Obrigado vovô!” Francis disse, abraçando seu avô fortemente novamente.

“Francis! Nós precisamos ir agora!” chamou a filha de Calvin.

“Okay!” Francis gritou.

“Cuide bem dele.” disse Calvin.

“Eu vou.” Francis disse, antes de correr com o resto de sua família.

Calvin deitou e ficou olhando para o teto. O tempo estava chegando. Ele conseguia sentir em sua alma. Calvin tentou lembrar uma frase que ele leu em um livro uma vez. Falava algo sobre a morte ser apenas a próxima grande aventura, ou algo do tipo. Seus olhos ficaram pesados e sua respiração ficou mais lenta. Enquanto ele ia finalmente para seu sonho final, ele ouviu Haroldo, como se estivesse logo ao lado dele na cama. “Eu vou cuidar dele, Calvin…” Calvin deu seu primeiro passo para mais uma aventura e teve seu último respiro com um sorriso em sua face.

Texto atribuído a Interciso Mateus

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quando a morte encerra uma Era.


Por: Franz Lima.
Já falei sobre as irreparáveis perdas que o humor nacional (e internacional) tem sofrido ao longo dos anos. Homens e mulheres que fizeram gerações rir com suas piadas e tiradas geniais. É impossível não sentir falta de nomes como Chico Anysio, Millôr, Chaplin, Nair Bello e outros incontáveis ícones que se despediram e deixaram lacunas que não podem ser preenchidas.
Mas a morte não faz distinção entre bons e maus e, consequentemente, os ruins também partem. Não vou me dar ao trabalho de citar assassinos, ditadores e outros monstros que transitaram por este mundo. Eles não merecem.
Agora, lendo as notícias, vi que mais um dos bons homens se aproxima de sua partida. Depois de uma luta ferrenha contra o Apartheid e a discriminação/segregação extremas em seu país, parece que a saúde de Nelson Mandela dá indícios de que o peso do tempo já está quase insuportável. 
Por mais natural que isso seja, a morte sempre irá chocar. Entretanto, o que mais assusta e abala é a forma como ela chega e, nesse caso, as coisas estão extremamente difíceis. Mandela sobrevive em um ambiente esterilizado e está fragilizado ao extremo. Sua esposa o acompanha, fazendo o papel de mulher e companheira. Nada mais justo... 
Já vi muitas pessoas mortas e acompanhei um número relativamente grande de outras partindo. Não há glórias nisso, exceto o fato de que em alguns casos, lutamos para preservar a centelha de vida. Mas Nelson Mandela se tornou um ícone de um povo e, com o tempo, uma referência para o mundo. Centenas de milhões comemoraram sua liberdade e a eleição dele para presidente de África do Sul. Ele foi um exemplo e sua imagem está imortalizada nos anais da História da humanidade. Talvez por isso, seja tão difícil vê-lo próximo do fim. Talvez haja um mecanismo de defesa na mente de cada um de nós que, involuntariamente, seleciona apenas os mais sublimes momentos de pessoas que amamos ou admiramos. Isso explicaria o impacto de vê-los definhando. Queremos manter nossos heróis sempre no auge, mas isso só é possível na ficção. A vida real é sempre dura e cruel, não importando o quão importante tenha sido a pessoa. 
O fim de uma era se aproxima com a morte de mais um ícone. Não é pessimismo, é um realismo extremo. 
O único alento é que, ao contrário de Cazuza, meus heróis não morreram de overdose.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Material inédito de Franz Kafka pode ficar acessível ao público.


Caricatura de Kafka por Alberto Russo
Fonte: Estadão
Milhares de manuscritos de Franz Kafka (1883-1924), autor imprescindível do século 20, poderão ser conhecidos pela primeira vez após uma recente decisão judicial israelense que segue um longo caminho de fugas, paixões, heranças, promessas, segredos e cofres ocultos.

Assim que for executada a sentença ditada no fim de semana passado pelo Tribunal de Família do Distrito de Tel Aviv, o legado do amigo íntimo de Kafka - o escritor e compositor judeu Max Brod - será em breve transferido de mãos privadas para a Biblioteca Nacional de Israel, onde estará acessível para pesquisadores do mundo todo.
Porém, a execução pode se prolongar durante anos se os até agora proprietários do tesouro literário resolverem apelar a uma corte superior, como seus advogados advertiram que farão.
O autor judeu nascido em Praga publicou poucos de seus trabalhos em vida, mas, anos antes de morrer, entregou seus textos, cartas, anotações e esboços a seu amigo Brod, não sem antes fazê-lo prometer que os queimaria após sua morte.

Felizmente, para os amantes da leitura e para dezenas de autores influenciados por Kafka, como Albert Camus e Jorge Luis Borges, Brod não cumpriu sua promessa e publicou o que rapidamente se transformaram em obras-primas da literatura, como
O Processo e A Metamorfose.
Fugindo de Praga por conta do avanço dos nazistas, Brod emigrou em 1939 para a Palestina sob protetorado britânico e, antes de morrer em 1968, entregou os manuscritos de Kafka e milhares de documentos e correspondências à sua secretária e amante, Esther Hoffe.

Em seu testamento, pediu que com a morte de Esther, os papéis fossem levados a um arquivo público "em Israel ou no exterior".

Hoffe morreu faz cinco anos com 102 anos de idade, o que gerou uma batalha judicial entre as autoridades culturais israelenses e suas duas filhas, Eva Hoffe e Ruth Wiesler (falecida há poucos meses).
Brod lhe entregou o legado só para que o tivesse em vida, suas filhas não podiam herdá-lo", explicou à Agência Efe o professor Hagai Ben Shamai, diretor acadêmico da Biblioteca Nacional de Israel, que considera que joias literárias dessa relevância "não podem permanecer em domínio privado".

Para ele, o fato de Brod trazer os documentos para Israel e de que os dois amigos eram judeus é uma clara prova de que pertencem ao público israelense e que devem ficar no país.

Há dois anos, outra sentença judicial israelense obrigou às irmãs a abrir cinco cofres de um banco em Tel Aviv e outro em Zurique (Suíça), que guardavam milhares de páginas.

Cena inspirada em A Metamorfose
 
Além do material que foi classificado então, os analistas desconhecem que outros documentos podem estar nas mãos das famílias Hoffe e Wiesler.

Alguns especialistas acham que pode haver mais cofres ocultos e mantêm a esperança de que exista alguma obra inédita no enorme legado de Kafka.

Eva Hoffe nunca permitiu às autoridades entrar em seu apartamento, onde vive "com 50 gatos e cinco cachorros que convivem com Kafka", disse à Efe o advogado da Biblioteca Nacional, Meir Heller.
Shamai acredita que no legado de Brod "não existe nenhum trabalho de Kafka que não tenha sido publicado antes", embora admitisse não saber com certeza "o que exatamente há nessa casa".

Uma vez recolhido, restaurado, estudado e classificado, o arquivo de Brod, explica, será "a joia" da Biblioteca Nacional.

Durante os cinco anos de luta pelos valiosos documentos, as irmãs Hoffe contaram com o apoio do Arquivo de Literatura Alemã da cidade de Marbach, que no passado comprou de Esther Hoffe vários manuscritos, entre eles o original de
O Processo.
Heller garantiu à Efe que seu próximo passo será reivindicar ao arquivo alemão os documentos, cuja venda considera ilegítima.

"Os alemães acham que os escritos fazem parte da cultura alemã, por estarem em idioma alemão, mas nós consideramos que são parte da cultura judaica e que devem permanecer no Estado judeu", concluiu Shamai.


Franz says: não importa qual nação permanecerá com os manuscritos. O que conta, no meu entendimento, é que os responsáveis por tais documentos tenham uma atitude diferente das antigas famílias tutoras, divulgando e permitindo o acesso a esses escritos. Kafka é um escritor de indiscutível talento e essa expansão em seu legado literário é um benefício que todos os apreciadores da literatura de qualidade devem ter. 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Pôster em homenagem às duas versões de Tron


Fonte: Collider


Franz says: Com visual retrô, porém valendo-se de uma sutileza incrível, o artista Eric Tan reuniu elementos dos dois filmes (1982 e 2010) de ficção científica. Neles é possível comparar as evoluções (desde o logotipo até o visual da naves) e ainda ter uma boa noção do avanço tecnológico entre uma produção e a outra. Excelente trabalho de arte.

Review do filme "Tron, o legado".


Por Franz Lima
Tron - O legado (2010) é a continuação de Tron - Uma odisséia eletrônica (1982). Esta continuidade foi feita pelos estúdios Disney e recebeu ótimas críticas por parte do público e uma acolhida não tão calorosa por parte da crítica.
A trama em si é um misto do primeiro filme - onde se pressupõe que o espectador saiba o que ocorreu - e do novo, pois ele inicia com a inclusão de Kevin Flynn no universo digital, fato que gerou o abandono de seu filho e o isolamento de Flynn por trinta anos no mundo paralelo em que se desenvolve boa parte da história.
Sem o pai, Sam Flynn cresce à sombra do sucesso do pai, sendo cotado inclusive para ser o sucessor de Kevin na Encom, a empresa que virou sucesso graças ao pai de Sam.
Não há muita profundidade nos personagens de Tron. Por mais que o roteiro se passe no mundo virtual, Sam e Flynn deveriam ter sido abordados - na minha opinião - de forma mais profunda, evidenciando os estragos, os prejuízos que o crescimento sem pai trouxeram a Sam, além do isolamento forçado a que Flynn, o pai, se sujeitou (não há como um pai não enlouquecer - figurativamente - ao rever um filho após tanto tempo). Mas também seria muita ingenuidade da minha parte aguardar por algo do gênero em uma produção que busca o lucro por meio da ação e da tecnologia presentes no filme.


Os acertos...

A escolha de Jeff Bridges para continuar o papel que foi seu no primeiro Tron, foi muito acertada. Ainda que muito mais velho, Jeff mantém o ímpeto do primeiro e a alegria do velho homem que recebe uma justa homenagem ao ser mantido em uma produção deste porte. Interpretando Kevin e CLU ao mesmo tempo, o ator mostrou que o seu já elogiado talento é realmente notável.
As homenagens ao primeiro filme, a citação ao sucesso - através dos pôsteres, cartazes e brinquedos, além do game - também mostrou-se muito inteligente. 
Um outro ponto positivo está na participação do elenco mais jovem,  representado por Olivia Wilde (Quorra) e Garrett Hedlund (Sam), cujos papéis são fundamentais na trama.
A participação do grupo Daft Punk ficou fantástica, inclusive mostrando-os como indivíduos que não dão a miníma para o que ocorre ao seu redor. Eles querem é produzir música, nada mais.
A ambientação do filme está muito fiel ao original, guardadas as devidas proporções, e há uma melhor explicação para o que ocorreu a Kevin, incluindo o destino de Tron e a mudança comportamental de CLU.

Os erros...

Não é questão de classificar como erros. O que seria certo dizer era "o que incomodou". Bem, eis os pontos mais fracos do filme:
A falta de aprofundamento que citei mais acima não é fruto da atuação de Jeff, Garrett ou Olivia mas de uma direção e roteiro que não privilegiaram esta abordagem mais íntima e psicológica em detrimento da ação e dos efeitos especiais.
Apesar do apuro nos efeitos especiais (em geral magníficos), as cenas em que Kevin aparece jovem ou CLU é mostrado - em algumas ocasiões - não correspondem às expectativas, pois é perceptível o rosto digitalizado. Reitero que são poucas vezes e, felizmente, não comprometem o andamento do filme.

Para maiores informações sobre as técnicas e a tecnologia empregadas na construção das faces digitais, leia os artigos abaixo:


Notas finais...

O filme cumpre com o que se propõe: entretenimento, diversão e ficção científica. Ainda que não seja uma obra-prima do cinema, Tron - o Legado, surpreende positivamente com cenas muito bem preparadas, um elenco coeso e um roteiro que incorpora homenagem e ação em um mesmo bloco. Pena não termos visto algo mais voltado à reflexão, pois este é o potencial de um filme como Tron: questionar o uso da tecnologia e do nosso envolvimento com ela. A parábola do homem preso à tecnologia não foi aplicada ao filme à toa, acreditem...

Pôster de 2010

Pôster de 1982


terça-feira, 19 de junho de 2012

Mesmo mortos, autores tem suas obras continuadas. Via Isto É.


Fonte: Isto É. Por Marcos Diego Nogueira
Seus criadores já estão mortos. Mas o detetive Sherlock Holmes, o agente secreto 007 e o solitário Pequeno Príncipe continuam vivos – e com direito a aventuras inéditas que os seus autores nem sequer haviam imaginado. As fundações que cuidam do espólio dos ­escritores Arthur Conan Doyle, Ian Fleming e Antoine de Saint-Exupéry, inventores de tais personagens, ­perceberam o filão lucrativo e liberaram autores contemporâneos para escreverem o próximo capítulo de suas sagas. Sherlock Holmes foi revivido em dois lançamentos: “Parasita Vermelho” (Intrínseca), de Andrew Lane, e “A Casa de Seda” (Zahar), de Anthony Horowitz. Ambos os autores foram selecionados pelo Conan Doyle Estate Ltd. “É uma espécie de selo de aprovação. Demorei cerca de três segundos para dizer sim”, diz Horowitz.

Com uma proposta um pouco diferente, as novas aventuras do Pequeno Príncipe são baseadas nos desenhos animados que ele estrela. Já foram publicados mais de 20 títulos, como “O Pássaro de Fogo” e “O Planeta do Tempo”, todos adaptados por Katherine Quenot e Fabrice Colin. “Fazem jus ao livro original, sempre presente entre os 20 mais vendidos em algumas listas”, diz Tainã Bispo, editora da LeYa, responsável pelo lançamento no Brasil. A mina de ouro teve início com a apropriação do “estilo” do agente James Bond. Ou, melhor, de seu criador, Ian Fleming. Morto em 1964, ele tem uma longa lista de autores que já “dublaram” seu jeito de escrever. Depois de Sebastian Faulks e Jeffrey Deaver, William Boyd é o escalado pelo espólio de Fleming e promete uma aventura nos moldes de “Cassino Royale”, escrito em 1956. 
Franz says: esta notícia não é novidade, mas sempre surpreende. Tempos atrás recebemos a notícia de que Eoin Colfer seria o autor responsável pela continuidade das histórias de "O Guia do Mochileiro das Galáxias", um clássico dentro da cultura Nerd (com muitas qualidades, diga-se de passagem). Como não conheço todos os títulos que dão prosseguimento às obras já consagradas, opinarei apenas sobre a que conheço: o Pequeno Príncipe. 
Os livros que contam as histórias de um Pequeno Príncipe não tão pequeno são baseadas no desenho animado que é transmitido atualmente através da Discovery Kids. Os livros e o desenho animado são altamente recomendados, não só pelo respeito com a obra de Antoine de Saint-Exupery como pelo apuro na produção.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Before Watchmen: indústria reage à nova HQ


Fonte: Multiverso DC

Já era de se esperar que os profissionais dos quadrinhos dessem opiniões sobre a confirmação de Watchmen 2, ou Before Watchmen como é chamada a linha de oito séries que contará o que acontece antes da obra seminal de Alan Moore Dave Gibbons. A grande maioria preferiu opinar diretamente no Twitter com  mensagens de apoio ou condenação.

O lado da Marvel, curiosamente, foi um dos que mais se pronunciou. Não se sabe se a DC pediu que os profissionais contratados (freelancers ou exclusivos) pediu que evitassem opiniões, mas é muito possível devido ao silêncio do lado da editora nos debates abertos. Como se sabe Watchmen envolve muita paixão da parte dos fãs (e dos profissionais, que não deixam de ser fãs também), portanto qualquer comentário vindo de um profissional da DC poderia colocar tudo a perder.
Seja como for, o Newarama preferiu procurar alguns nomes conhecidos para obter opiniões mais ponderadas. A pergunta feita a eles foi: “Os criadores de Watchmen deixaram claro acreditar que sua história estava completa, ainda que ela tenha vendido tanto durante os anos que foi capaz de criar um grande mercado em torno de si. Como você se sente com esta decisão de, 25 anos depois, criar prólogos para Watchmen?
Confiram as respostas de cada um dos pesquisados.
Gerry Conway (aclamado veterano dos quadrinhos)
De um ponto de vista estético, acho que é uma decisão de fraqueza. Mas me lembro de uma conversa que tive com o finado John Verpoorten (editor e gerente da Marvel durante sua expansão nos anos 1960) há 40 anos atrás quando eu era só um jovem que se achava o mais importante de todos. Ele estava me pressionando para entregar meu roteiro no prazo e eu soltei pra ele que os negócios estavam sendo colocados acima dos princípios estéticos. John riu e disse algo que nunca saiu da minha cabeça: “Se vamos falar de estética, Gerry, podemos justificar publicar uma ou duas revistas por mês… no máximo. Vê se cresce, pirralho“. Sábias palavras.
Eric Stephenson (publisher da Image Comics)
Todo mundo sabia que isso ia acontecer, o que não faz a notícia ser menos desprezível. São sim pessoas muito talentosas envolvidas: Darwyn Cooke é um dos meus narradores favoritos de todos os tempos; Amanda Conner, Adam Hughes e J.G. Jones são artistas que admiro há anos; Brian Azzarello é um escritor maravilhoso e 100 Balas é um clássico genuíno. Len Wein? O cara cocriou Monstro do Pântano e muitos dos X-Men que todos vieram a adorar (Wolverine, Tempestade, Colossus e Noturno).
Eu gostaria muito de ver esse pessoal todo fazendo algo novo do que engajando nesse safadeza da DC Comics. Ou como Leah Moore, filha de Alan Moore, colocou no Twitter: “Por que não NOVAS graphic novels dos criadores de Before Watchmen, ou melhor, de novos talentos? Usem o orçamento disso para criarem o ‘próximo’ Watchmen”.
Alan Moore sempre foi um cara de princípios. Certas pessoas gostam de apontá-lo como um maluco, que ele não sabe mais o que faz, que ele é um idiota – mas a verdade ele é o cara que segue os princípios nos quais acredita. Independente de você aceitar ou não a posição dele, deve-se admitir sua integridade. Seria muito fácil pra ele aceitar o convite da DC/Warner Bros e embolsar a grana.
No fim das contas é tudo mais do mesmo. É isso que eles fazem. Tenho certeza que será uma bela fanfiction.
Chuck Dixon (um dos mais importantes escritores de super-heróis dos anos 1990)
Do ponto de vista dos negócios o projeto faz total sentido para os executivos. O Watchmen original foi reimpresso, ganhou filme, bonequinhos e tudo mais, portanto a única forma de “agregar valor” à franquia é produzir material novo pra ela.
Do ponto de vista criativo a ideia está morta antes de ser publicadade. A longo prazo eles deveriam usar estes esforços para criarem novas propriedades. Mas na atmosfera de infinitos reboots, remakes, prólogos e sequências é isto que podemos esperar dos conglomerados do entretenimento.
Jamal Igle (artista da indústria americana, mais conhecido por Supergirl e Asa Noturna)
Bom, a DC vai fazer o que quiser. Ela é uma empresa e seu trabalho é explorar uma propriedade até sugar a última gota. Tenho certeza que será bom, levando-se em conta os talentos envolvidos; sei que será um material legível. Mas acho que é uma boa ideia? Com certeza não.
Um dos problemas que tenho com o jeito que as coisas são neste meio de negócios é que as histórias nunca são finitas. Acredito que Watchmen é uma peça singular, tendo começo, meio e fim, e sua história já foi contada. Eu não clamava pelas aventuras de Rorschach, nem pelo que aconteceu com a Espectral depois que ela abandonou o uniforme. Tudo que preciso saber sobre Laurie Juspeczyk está nas 12 edições de Watchmen.
Tendo dito isto, não lerei o material. Não tenho interesse nisso.
David Hine (escritor inglês de super-heróis e quadrinhos autorais)
Não tenho interesse em sequências, prólogos ou qualquer coisa relacionada a Watchmen. Porém, não dá pra negar que os talentos envolvidos são pesos-pesados, e eu não sei se vou conseguir resistir à minissérie Minutemen de Darwyn Cooke.
No fundo a coisa toda tem um ar de inevitabilidade. Há muito dinheiro envolvido para a DC não fazê-lo. O lucro é o que mais importa para uma editora mainstream. Acho que os criadores agora têm oportunidades (o que não havia nos anos 1980) de levarem suas ideias para diversas editoras que deixam o autor ter controle sobre sua obra, e é isso que Alan Moore faz hoje em dia. Acho que seu comentário sobre Moby Dick [Nota: Moore, em tom de sarcasmo, disse que Moby Dick nunca teve prólogos ou sequências] é uma reflexão sobre as mudanças de valores nos tempos modernos. Se Herman Melville estivesse vivo eu não ficaria surpreso se ele aparecesse com um Moby Dick – Antes de Ahab.
Peter David (um dos mais famosos e prolíferos veteranos esritores da indústria, ainda ativo)
Quando se fala de “criadores”, acredito que a maioria refere-se apenas a Alan Moore. O comentário de David Gibbons sobre a coisa toda, acredito, expressa uma ideia positiva sobre o trabalho como um tributo, uma homenagem, especialmente quando se considera que Watchmen começou sua vida criativa como uma atualização de personagens da Charlton; se tivesse sido com eles de verdade, então Moore não teria nada a dizer sobre propriedade, independente de seus “draconianos” contratos.
Acho que Moore está em terreno delicado ao dizer que a DC está simplesmente dependendo de ideias dele de 25 anos atrás, implicando que há uma espécie de falência criativa. Sim, Moore – quem nunca tive a honra de conhecer pessoalmente – está correta ao dizer que não há sequência para Moby Dick. Mas a posição de Moore é engraçada se considerarmos que ele pegou personagens de Júlio Verne e Bram Stoker e transformou todos em super-heróis; ele acabou pegando amados personagens literátios e transformou-os em obetos eróticos [Nota: PAD refere-se a Lost Girls]. O fato de haver domínio público nestes personagens faz com que não precise haver protestos contra essas ideias? Considerando sua comparação com Moby Dick, aparentemente ele acha que não. Só por que uma corporação teve a ideia, ao invés de um único indivíduo, faz com que a ideia seja inferir? É um argumento ruim, considerando o fato de que a corporação quer usar uma propriedade que está em suas mãos.
O fato de Moore ser tão veementemente contra outros autores pegando seus personagens – os quais são nada mais que pastiches dos criadores da Charlton Comics – diz o quanto L. Frank Braum reagiria ao ver o que Moore fez com Dorothy. E se esse for o caso, as pessoas que protestaram contra este projeto do Watchmen devem reconsiderar as razões de sua ira.
Pra mim, o anúncio da DC simplesmente significa que o trabalho de Alan Moore alcançou o status de “icônico”, tanto quanto Superman e o Monstro do Pântano – personagens com os quais o próprio Moore nos presenteou com alguas das melhores histórias já contadas. Vamos tocer para que o trabalho destas pessoas alcance – ou até supere – o que Moore alcançou.
Kurt Busiek (escritor de quadrinhos, mais conhecido por Marvels e Astro City)
Certamente entendo por que a DC quis fazer isso. Não é uma escolha que eu faria, mas essa é só mais uma das razões pelas quais eu não dirijo uma empresa de quadrinhos. Como estão me perguntando isso antes do anúncio oficial, então não sei quem estará em cada série, só posso desejar boa sorte para cada um dos envolvidos. Se fizerem boas histórias, são bons quadrinhos, mesmo que não tenham coisas que eu goste tanto.
No fim das contas Watchmen é o que é e nada vai mudá-la. Portanto, se as pessoas gostam despinoffs, ótimo, e se não gostam da ideia, continuem com o original. Da minha parte certamente tentaria criar outras coisas para tentar um impacto como esse, mas como disse é só mais uma das razões para eu não estar neste tipo de trabalho.
Terry Moore (criador e escritor de Estranhos no Paraíso)
“Eu não quero dinheiro”, disse Alan. “O que quero é que isso não aconteça”. Isso diz tudo.

Muitos outros profissionais se manifestaram... alguns a favor e outros contra, mas todos estão embasados apenas por aquilo que ouviram sobre a nova obra. A verdade, dentro do meu entendimento, é que  apenas o tempo  - e os fãs - poderão decretar se esta "sequência" será um novo Cavaleiro das Trevas 2 ou um sucesso. Resta-nos aguardar e torcer.


domingo, 15 de janeiro de 2012

Viajando pela leitura: conheçam 80 obras literárias (ou mais) pelo mundo


As culturas européia e estadunidense são muito influentes em nosso país. Lemos, assistimos e ouvimos o que é produzido por lá de forma massificante, tirando de nossa visão outras culturas tão ou mais interessantes. 
Visando divulgar um pouco mais do que existe pelo mundo (já disponível em nossas livrarias, em sua maioria), localizei uma iniciativa fantástica da Abril, onde vocês poderão descobrir novos títulos literários de várias regiões do planeta e, posteriormente, adquirir ou pesquisar mais sobre as obras. Acessem o link abaixo e divirtam-se nesta viagem empolgante e maravilhosa que, certamente, irá ampliar horizontes e mostrar que existe vida e cultura em outras partes do mundo (ao contrário do que muitos pensam).
Cliquem aqui: Educar para Crescer.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Recomendação: A História universal da destruição dos livros


Este artigo foi publicado originalmente em Veja On-line no dia 31/05/2006. 
Autor: Jerônimo Teixeira

Os livros são objetos frágeis. Suscetíveis a diversas ameaças naturais – traças, inundações, incêndios –, têm de enfrentar ainda as mais destrutivas paixões humanas: o fanatismo religioso e a censura ideológica. História Universal da Destruição dos Livros (tradução de Léo Schlafman; Ediouro; 438 páginas; 49,90 reais), do ensaísta venezuelano Fernando Báez, é um assustador painel histórico da eliminação de bibliotecas. São documentados cinco milênios do que Báez chama de "memoricídio". Nunca houve uma época histórica sem alguma forma de perseguição aos livros (e, por extensão, a seus autores). Mais perturbador é constatar que não são só os brutos e ignorantes que acendem as fogueiras. O típico biblioclasta (destruidor de livros), pelo contrário, é um erudito que conhece em profundidade determinada tradição religiosa ou ideológica – e que por isso mesmo deseja banir qualquer dissidência. Até mesmo Platão teria destruído, segundo testemunhos, a obra de filósofos rivais. "Os maiores inimigos dos livros são intelectuais", disse Báez a VEJA.
Especialista na conservação de bibliotecas, Báez trabalha como consultor de órgãos como a Unesco. Sua História Universal é um exaustivo inventário da destruição cultural. O trajeto histórico do livro começa no que hoje é o Iraque. Foi naquela região que apareceram as primeiras evidências da escrita, em tabletas de argila produzidas pelos sumérios, há cerca de 5.000 anos. Sítios arqueológicos da época já revelaram tabletas destruídas e queimadas, como resultado de ações de guerra. A mais célebre biblioteca da Antiguidade, na cidade egípcia de Alexandria, também acabou destruída. Fundada em III a.C., essa biblioteca foi provavelmente o maior acervo de livros do mundo antigo. A causa de seu desaparecimento definitivo ainda é matéria de controvérsia entre historiadores.
O patriarca cristão Teófilo provavelmente foi responsável pela destruição de um anexo da biblioteca de Alexandria, no século IV. A religião sempre foi uma das principais motivações dos biblioclastas. Durante a Contra-Reforma, o rigor da Inquisição foi tal que até Bíblias em língua corrente eram queimadas, pois a Igreja Católica só admitia o livro sagrado em latim. O fanatismo político tem tanto poder destrutivo quanto o religioso. No século XX, não há imagem mais simbólica do obscurantismo biblioclasta do que as fogueiras de livros na Alemanha, em 1933 – um prelúdio sinistro do genocídio que os nazistas promoveriam na Europa. Joseph Goebbels, ministro da Propaganda nazista e mentor ideológico da destruição, estudou filologia na Universidade de Heidelberg. O livro de Báez registra outras ironias do mesmo naipe – como, por exemplo, a censura e a queima de livros promovidas na China comunista por um movimento que se intitulava Revolução Cultural.
História Universal encerra-se com um capítulo sobre a Guerra do Iraque. Báez fez parte de uma comissão de especialistas que visitou o país pouco depois da invasão americana, em 2003, para aferir os danos causados ao patrimônio cultural iraquiano. Seu relato é desolador: museus, bibliotecas, sítios arqueológicos arrasados. Os danos começaram com os bombardeios, mas a devastação maior se deu quando os primeiros combates cessaram. Turbas enfurecidas saquearam e queimaram a Biblioteca Nacional e o Museu Arqueológico de Bagdá. Foi uma reação de revanche: a população identificava as instituições culturais com o regime deposto de Saddam Hussein, que nomeava seus diretores. O Exército americano omitiu-se vergonhosamente de defender um acervo de importância universal – o Iraque concentra peças de numerosas civilizações antigas, como os sumérios, babilônios e assírios. Contrabandeados para fora do país, livros raros e peças arqueológicas alimentaram o mercado negro internacional. Da Biblioteca Nacional sumiram edições antigas das Mil e Uma Noites. Do museu, foram roubadas algumas tabletas de argila sumérias que estariam entre os primeiros livros da história. É outra melancólica ironia: o primeiro grande "memoricídio" do século XXI aconteceu no lugar onde nasceu a palavra escrita. 

Li o livro e recomendo-o com muita tranquilidade e consciência, em virtude de seu conteúdo revelador e chocante. A História é mostrada com grande seriedade, fato que já traz um algo a mais ao livro, principalmente quando comparado às outras produções menos comprometidas com uma realidade incômoda e suja, mas que se repete quase que ciclicamente. Esta obra serve para alertar sobre as formas usadas por milênios para destruir o que temos de mais precioso: a memória.




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