{lang: 'en-US'}

Mostrando postagens com marcador Restauração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Restauração. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de março de 2017

A arte e a emoção nas tatuagens de JVTattoo (João Victor Martins)


Ser tatuador é, para mim, uma escolha baseada no dom que se tem. Há muitos tatuadores excepcionais espalhados pelo mundo, mas os melhores sempre serão aqueles que, além do aprimoramento diário, optam por transpor sentimentos para a pele.
João Victor Martins é um dos que faz da emoção sua matéria-prima. Tatuar com respeito pela história por trás do desenho e dar o máximo de si para dar vida aos pedidos de seus clientes é algo simplesmente espetacular.
Além de talentoso, JV tem um traço impecável, seguro e muito apurado. Suas tatuagens vão desde a transcrição de textos até o Trash Polka. Mas não para por aí. Ele faz restaurações, tatua em estilo aquarelado e cria diversas artes conforme o pedido do cliente.
Atualmente o artista trabalha no Espírito Santo. Mas não se preocupe. O tatuador realiza seus trabalhos em viagens por São Paulo, Rio de Janeiro e outras localidades. Acompanhe-o por sua página do facebook (JVTattoovix) e saberá quais são as próximas viagens dele.
Agora, algumas de suas obras de arte. E, acreditem, não estou exagerando.


















quarta-feira, 23 de maio de 2012

Como é feita a restauração de obras literárias: o processo que restaura livros danificados


Por Luma Pereira 

Eles ficam nas estantes das bibliotecas, livrarias e escritórios. Sujeitos à ação do tempo e do ambiente, os livros podem se deteriorar e precisar de reparos. Mas a restauração das obras literárias deve ser feita apenas em último caso.
 
“Antes, existe a preservação – não comer em cima do livro e manuseá-lo com cuidado – e a conservação – armazenamento e conserto de pequenos rasgos. Só depois o restauro”, afirma Andrea Bella, profissional do Núcleo de Conservação e Restauro Edson Motta (NUCLEM), pertencente ao Senai.
 
O Núcleo foi fundado por Guita Mindlin e Tereza Brandão Teixeira, na década de 1980, em parceria com o Senai. Trabalham com documentos, livros e obras de arte – tudo o que é feito sobre o papel.
 
“A restauração só é feita mediante diversos testes”, afirma Andrea. O material de que a obra é feita tem de ser estudado, “é isso que vai nos nortear para desenvolver o melhor tratamento – olhar com calma o estado geral”, explica.
 
Mas se não há outro jeito e o livro está prestes a rasgar e/ou desmontar, é preciso levá-lo aos cuidados de técnicos especialistas em restauração. Principalmente se é uma relíquia e tem valor afetivo para o dono.
 
É importante mencionar que o reparo não faz com que os livros fiquem como se tivessem acabado de sair da loja. A ética dos restauradores é respeitar a história de vida das obras, o interesse não é que pareçam novas, mas que vivam um pouco mais.
 
“Deixamos ela o mais próximo do que foi o original, mas nunca chegamos a isso”, diz a profissional. E completa: “o ideal é que as pessoas percebam a nossa intervenção e o que foi feito com o livro”.

“Todos acham que vamos resolver todos os problemas da obra e fazer com que ela fique até com cheiro de nova. Mas não é isso o que acontece: temos de respeitar as características do livro e fazer o possível para que ele dure mais tempo”, conta Andrea. 
 
Procedimentos
 
primeira etapa do processo é fazer uma ficha de identificação, com nome do proprietário, título do livro e autor. Além disso, anotar que tipo de material é aquele. “Verificar o que é característica física e o que é um problema”, afirma Andrea.
 
É feito também um registro fotográfico de como a obra chegou ao laboratório e dos procedimentos empregados – para ter em imagens o antes e o depois, e documentar isso.
 
Outra etapa feita é a higienização de folha a folha. “Passo a trincha [pincel largo] de dentro para fora, percorrendo cada página. Para tirar toda a sujidade”, descreve.
 
Depois disso, as próximas fases vão depender da necessidade do livro. “Cada obra é uma obra – tem diferentes etapas de tratamentos”, reforça Andrea.
 
Caso o livro tenha rasgos, ele é reparado por meio da conservação, feita com papel japonês. “Tem boa resistência e é fino, então conseguimos fazer a consolidação do rasgo sem prejudicar a leitura”, diz. Isso utilizando a cola de amido, de boa adesividade.
 
Quando o problema está na estrutura, são necessários processos de restauro mais demorados e trabalhosos. É um problema também quando as pessoas colam durex em alguma página, pois a cola dele penetra no papel, causando manchas de difícil remoção.
 
Os materiais utilizados na restauração também são bastante selecionados. “Sempre utilizamos produtos que possam ser removidos e tenham pH neutro, não contendo ácidos”, esclarece a profissional. “Materiais que podem ser utilizados e não vão afetar a obra posteriormente. Porque, afinal de contas, estamos tentando mantê-la por mais tempo”, completa.
 
A tecnologia empregada muda constantemente. “No Brasil, a área carece de investimentos, e muitas pessoas desconhecem o nosso trabalho”, diz. Então, muitas vezes, fica difícil conseguir determinados materiais e tecnologias.
 
O tempo e os custos da restauração dependem do estado de preservação e conservação. “Existe uma Bíblia do século XVIII que foi restaurada no laboratório, e levamos cerca de três anos para terminar o trabalho”, conta Andrea.
 
Quem contrata esse serviço? “Instituições e museus que têm um acervo muito grande. Ou, às vezes, particulares. Mas temos muita parceria com museus da cidade”, afirma a profissional.
 
Passo a passo, folha a folha
 
A obra mais antiga já tratada no Núcleo do Senai foi uma Bula Papal de aproximadamente 1342, que está em exposição no Museu Histórico FMUSP – Faculdade de Medicina da USP –, feita em pergaminho e manuscrita com tinta.
 
Normalmente, os livros mais antigos que chegam apresentam problemas do próprio papel, em função da deterioração ao longo do tempo. Segundo Andrea, o laboratório também recebe obras atuais, mas o problema desses é de preservação e conservação.
 
Para ilustrar o processo, tomamos como exemplo Maria Rosa Mística (1686), do Padre Antônio Vieira, livro pertencente ao Senai para ser utilizado nas aulas de restauração que a instituição oferece – o curso tem duração de seis meses.
 
“É caso para restauro, porque tem manchas e a sujidade está grande, além de ter sido atacado por brocas”, afirma Andrea. E completa: “um livro que vai ser restaurado provavelmente terá também intervenções de conservação, como o remendo de rasgos”.
 
Primeiro, é feito o já citado processo de limpeza com a trincha, folha por folha. Em seguida, as páginas vão para o chamado “banho”, tratamento aquoso com água deionizada, para extrair outras impurezas – e a obra é posta parar secar até o dia seguinte.
 
Como a obra foi atacada por traças e brocas, e ficou com furinhos nas folhas, é preciso que ela passe pela Máquina Obturadora de Papel (MOP), que usa eletricidade e água para preencher novamente aqueles espaços vazios que ficaram – a chamada reenfibragem.
 
Quando é preciso usar química forte, como solventes, o livro é colocado na “Capela” – um local em que a alta sucção retira rapidamente os produtos e gases do ar para que o restaurador não tenha contato.
 
Os responsáveis pelo processo trabalham de avental, máscara e luvas cirúrgicas e, para manusear materiais mais fortes, usam óculos de proteção, luvas mais grossas e um sapato especial. Tudo para a maior segurança dos profissionais em restauração.
 
Por fim, o livro é reencadernado e ganha uma caixa de papel filifold, de boa resistência e que não solta tinta, evitando causar danos à obra restaurada quando em contato com ela.
 
Assim, é possível ter uma versão de Maria Rosa Mística, do século XVII, nos dias de hoje – uma edição do passado que sobreviveu ao tempo e pode continuar contando, naquelas folhas de antes, a história que ainda há em suas linhas.
 
 
 
 
 

Programe-se: em Junho, ABER promove evento sobre preservação de livros no MASP


Os professores Ana Virginia Teixeira da Paz Pinheiro e Fabiano Cataldo de Azevedo vão discutir a preservação de acervos bibliográficos, com exposição de obras raras da biblioteca do Masp
ACERVOS BIBLIOGRÁFICOS DE MEMÓRIA: PRESERVAÇÃO E ACESSO
Objetivos
- Subsidiar a gestão de acervos bibliográficos de memória, sob a égide da Preservação e da Garantia de Acesso;
- Delinear o perfil do Bibliotecário como gestor de políticas de Preservação de acervos bibliográficos de memória.

Palestrantes
Ana Virginia Teixeira da Paz Pinheiro
Bibliotecária e documentalista da Fundação Biblioteca Nacional (desde 1982) e professora de História do Livro e das Bibliotecas, na Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO, desde 1987), é mestre em Administração Pública (FGV/EBAPE) e especialista em Análise, Descrição e Recuperação da Informação (UNIRIO), e em Administração de Projetos Culturais (FGV/EIAP). De seus trabalhos publicados, destacam-se Que é livro raro? (1989) esgotado, pesquisa que lhe valeu o Prêmio Biblioteconomia e Documentação, do Instituto Nacional do Livro; A ordem dos livros na biblioteca (2007) e Almanaque Tipográfico Brasileiro (2009). Dedica-se a estudos sobre formação e desenvolvimento de coleções bibliográficas de memória e colecionismo, envolvendo a avaliação intelectual e patrimonial de bibliotecas, e publica nas áreas de Biblioteconomia de Livros Raros, Gestão de Coleções Bibliográficas Especiais, Bibliologia, Codicologia e Memória das Ciências.

Fabiano Cataldo de Azevedo
Bibliotecário. Professor auxiliar de História do Livro e das Bibliotecas do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado de Rio de Janeiro. Mestrando em Memória Social, UNIRIO. Membro do Pólo de Pesquisa sobre Relações Luso-Brasileiras do Real Gabinete Português de Pesquisa. Participou como pesquisador em projetos e publicações, além de projetos relacionados à preservação e conservação documental e biblioteconomia de acervos raros. Possui experiência em análise e descrição de manuscritos e livros dos séculos XVI-XIX. Tem artigos publicados em periódicos da área de biblioteconomia.Trabalhou como bolsista PCI no Museu de Astronomia e Ciências Afins, onde integrou grupo de pesquisa sobre gestão de conservação em acervos bibliográficos.

Programa
14/6/2012
Manhã
9h-12h
tema:
História do Livro, da Biblioteca e da Preservação de acervos bibliográficos
Prof. Fabiano Cataldo de Azevedo

Tarde
14h-15h45
tema:
A preservação de acervos bibliográficos como prática biblioteconômica: deslocamentos do passado no presente.
Prof. Fabiano Cataldo de Azevedo
15h45-16h
intervalo

16h-17h
mesa-redonda: Profs. Ana Virginia Teixeira da Paz Pinheiro e Fabiano Cataldo de Azevedo, com a participação dos alunos

15/6/2012
Manhã
9h-12h
tema: Colecionismo, Bibliofilia e Biblioteconomia: posse, propriedade, inventário e entesouramento de bibliotecas – teorias e práticas;
Profa. Ana Virginia Teixeira da Paz Pinheiro
Tarde
14h-15h45


tema: Acervos Bibliográficos de Memória e saberes interdisciplinares: Biblioteconomia e Patrimônio, Biblioteconomia e Restauração, Biblioteconomia e Salvaguarda, Biblioteconomia e Acesso.
Profa. Ana Virginia Teixeira da Paz Pinheiro
15h45-16hintervalo
16h-17h
mesa-redonda: “O Bibliotecário como gestor de políticas de Preservação de acervos bibliográficos de memória: perfil, responsabilidades e tomada de decisão – da conservação à restauração e da salvaguarda à difusão”
Profs. Ana Virginia Teixeira da Paz Pinheiro e Fabiano Cataldo de Azevedo, com a participação dos alunos e encerramento.


Público-alvo: Bibliotecários, estudantes de Biblioteconomia, restauradores, conservadores, colecionadores e demais pesquisadores de acervos de memória, além de interessados em geral.
Carga horária: 12 horas
Quando: dias 14 e 15 de junho 2012, quinta e sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h.
Recursos: Material didático (planos de aulas e bibliografia lida e recomendada), equipamento para projeção (datashow e tela), exercícios práticos. Serão fornecidos certificados de participação.
Onde: No MASP (Av. Paulista, 1578, Bela Vista, São Paulo - metrô Trianon-Masp)
Vagas: 80 vagas
Participação: Em breve forneceremos mais detalhes sobre o evento, valores dos cursos, procedimentos para inscrição etc.
Credenciamento antecipado por email: aber@aber.org.br



Proxima  → Página inicial