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sábado, 29 de outubro de 2016

CCXP 2016 confirma MiniCon, área dedicada às crianças, em parceria com a Nickelodeon



Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Espaço temático deve entreter os pequenos fãs de cultura pop na Comic Con Experience, que vai reunir cerca de 180 mil pessoas de 1 a 4 de dezembro, no São Paulo Expo

São Paulo, outubro de 2016. Por mais um ano, a CCXP – Comic Con Experience (www.ccxp.com.br) anuncia um espaço dedicado aos “mini nerds”. É a MiniCon, especialmente criada para o público infantil que estará presente no maior evento de cultura pop da América Latina.
Na terceira edição do evento a novidade fica por conta das atrações levadas pela Nickelodeon, com personagens como Tartarugas Ninja, Bob Esponja, entre outros que fazem parte da grade de programação do canal. O ambiente conta ainda com uma loja com itens exclusivos para venda na CCXP, fraldário e banheiro infantil.
Crianças poderão aproveitar o espaço junto com os pais enquanto monitores comandam uma programação especial para a criançada. Mais detalhes sobre atrações e funcionamento da área serão anunciados nas próximas semanas.
A Nickelodeon Brasil é um canal de televisão por assinatura que pertence à Viacom International Media Networks The Americas, filial do canal americano Nickelodeon.
A CCXP – Comic Con Experience 2016 acontece entre 1 a 4 de dezembro no São Paulo Expo, próximo à estação Jabaquara do Metrô, com conteúdos para fãs de quadrinhos, cinema, programas de TV, desenhos animados e outras áreas da cultura pop. O evento ocupará 100 mil metros quadrados (80% a mais que na edição de 2015) e espera receber 180 mil visitantes de todos os Estados do Brasil e também do exterior, firmando-se como a maior comic con da América Latina e a terceira maior do mundo em público, atrás apenas da San Diego Comic Con e da New York Comic Con. Os ingressos de sábado (3/12) e pacote para os quatro dias já estão esgotados. Os ingressos para quinta, sexta, domingo e  Full Experience estão à venda. Para adquirir ingressos e saber mais, acesse o site www.ccxp.com.br.

Sobre a CCXP Comic Con Experience

A CCXP - Comic Con Experience, que realiza sua 3ª edição de 1 a 4 de dezembro no São Paulo Expo, acontece no Brasil nos moldes das comic cons realizadas em diversas partes do mundo, que reúnem fãs e profissionais de quadrinhos, cinema, TV, games, anime, RPG, memorabilia, ficção científica e colecionáveis para conhecerem as últimas novidades dessas áreas em uma grande celebração do universo geek e da cultura pop. O evento é organizado pelo Omelete Group, Chiaroscuro Studios e Piziitoys. Informações e ingressos no site: www.ccxp.com.br

domingo, 9 de outubro de 2016

Entrevista com José Roberto Vieira, autor do clássico steampunk O Baronato de Shoah


Entrevista do escritor José Roberto Vieira gentilmente cedida ao Apogeu do Abismo. O autor é uma das referências no steampunk nacional e um amigo virtual de longa data. 
J.R. Vieira já foi citado por escritores consagrados, sua obra recebeu elogios no podcasts Ghostwriter, Papo na Estante, Cabuloso Cast, entre outros. Seus novos projetos, o que aguardam os leitores do universo do Baronato de Shoah, referências que o inspiraram... tudo isso e muito mais está aqui nessa aguardada entrevista. Sucesso ao escritor!

J.R., acompanho seu trabalho há algum tempo pelo twitter e outras mídias. Entretanto, não há muitas atualizações quanto ao Baronato de Shoah e suas demais empreitadas na literatura.
Assim sendo, questiono:
O autor J. R. Vieira

O Baronato tem previsão de novas publicações? Quantas?

Atualmente o Baronato possui mais uma publicação, o terceiro livro, chamado “O Emissário do Leste” e que visa fechar a primeira saga do mundo de Nordara.
Depois dele eu planejo escrever mais um livro neste mundo, chamado Crônicas da Kabalah, que é um romance fix-up. A meu ver há espaço para muitos e muitos livros neste universo, ainda.

Quais as mídias e livros que o inspiraram a escrever o Baronato?

São muitas as mídias que me ajudaram a escrever o Baronato. Minhas principais inspirações foram “A Casta dos Metabarões”  de Alejandro Jodorowsky; “A Torre Negra” de Stephen King e a série de jogos Final Fantasy (principalmente o 6).
Como um escritor desta nova geração eu me mantenho em contato com várias mídias, me mantenho conectado, gosto de mangás (como Full Methal Alchemist ou Trinity Blood), comics e graphic novels de todos os tipos.

Há autores nacionais que lê? Eles o influenciam?

Eu leio de tudo, desde bula de remédio até poesia surrealista. Além das obras clássicas brasileiras, que eu adoro, também gosto de acompanhar autores novos.
Na minha lista de leituras recorrente eu tenho quase todos os autores da Draco, por onde publico minhas obras: Gerson Lodi-Ribeiro, Carlos Orsi, Eduardo Kasse, Ana Merege, Kassia Monteiro, Karen Alvares. Também já li algumas coisas da Roberta Splinder, que considero excelente, do Enéias Tavares e muitos outros.
Agora que você me perguntou e parando para pensar, percebo que nos últimos quatro anos tenho lido muito mais autores nacionais que estrangeiros.

O Baronato irá ganhar uma versão quadrinizada ou um R.P.G.?

Há a ideia de fazer uma quadrinização de O Baronato de Shoah, no momento estou parado com este projeto devido aos estudos no exterior. Na verdade eu perdi alguns prazos por que estava estudando para um mestrado e as minhas anotações sumiram!
Um R.P.G de Nordara, o mundo de o Baronato de Shoah, nunca foi descartado...

Você tem obras cujo tema é o terror?

Nunca me interessei em escrever histórias de terror, mas eu também nunca li muitas delas.


Como está o mercado editorial canadense? Ele é aberto aos escritores brasileiros?

O mercado editorial canadense, diferente do brasileiro, é mais fechado a obras internacionais. É estranho pensar que um país tão receptivo seja tão protecionista, mas acho que isso se deve a um fator histórico: o Canadá, diferente do Brasil, nunca teve uma “literatura nacional” até bem pouco tempo atrás. Eles não possuíam grandes clássicos do início do século, só livros que eram trazidos do Reino Unido e dos Estados Unidos.
Conforme o tempo passou e graças a grandes investimentos do governo, o Canadá conseguiu criar seus clássicos e hoje eles valorizam MUITO seu mercado interno.
Ir para uma livraria no Canadá hoje em dia é a certeza de ver muitos livros canadenses nas prateleiras, talvez com tempo e muita dedicação eu conseguisse ingressar no mercado, mas isto não é algo que eu tenha procurado muito.
Por enquanto estou me focando mais no mercado nacional, investindo aqui e tentando me fortalecer por aqui.


Qual sua visão sobre o Steampunk no Brasil?

O Steampunk no Brasil tem crescido bastante. Nós éramos alguns grupos no eixo Rio-SP, mas nos últimos anos o movimento cresceu bastante, com grupos por vários estados e cidades.
Hoje nós também temos mais romances do gênero, além do Baronato temos o Le Chevalier de A.Z. Cordenonsi; Brasiliana Steampunk, do Enéias Tavares; Homens e monstros, de Flávio Medeiros Júnir. E, desculpe a ignorância, mas só conheço a Nikelen Witer (curiosamente, Cordenonsi, Tavares e Witer são de Santa Maria!).
No entanto, eu acredito que o Steampunk ainda pode crescer mais, tornando-se uma literatura e um movimento cultural tão poderoso quanto Harry Potter ou Senhor dos Anéis.
Com o Baronato de Shoah eu sempre tive em mente criar um universo steampunk fantástico, algo como um Star Wars Retrofuturista!

Em sua opinião, os blogs são importantes para o escritor ou podem também prejudicar?

Os blogs são extremamente importantes e foram eles que mudaram a cara da literatura nos últimos anos no Brasil. Eu acredito que sem eles e sem o incentivo dos blogs nós ainda estaríamos brigando por espaço nas livrarias.
Blogs tornaram-se formadores de opinião, isto os torna um dos focos referenciais dos adolescentes e jovens da atualidade.
Ao mesmo tempo os blogs e vlogs precisam ser mais responsáveis, aprender a receber críticas e a trabalhar junto com os escritores e as editoras.
Juntos podemos ser mais fortes!

Pretende lançar algo em parceria? Haverá livros fora da temática steampunk?

Uma vez, em uma conversa muito informal, eu e o Octavio Aragão conversamos a respeito de escrever em parceria; mas acabamos nos perdendo no meio do caminho...

Sim, eu tenho livros fora da temática Steampunk. Meu próximo projeto se chama “Hinos da Inssurreição” e fala de super heróis no Brasil durante as manifestações de 2013-2014.
Claro, além deles eu tenho mais duas ideias, que espero rascunhar em breve: A Ordem dos Dragões, que seria uma obra envolvendo magia do Caos e teorias da conspiração; e Taenarum, a minha tentativa de escrever uma “high fantasy”...

Um booktour é uma alternativa para divulgação da obra de um escritor?

Acho que hoje em dia há formas mais fáceis de fazer divulgação. A Draco, por exemplo, oferece livros gratuitos para seus parceiros através de uma ação com a Amazon.
Eu não descarto nenhuma opção, claro. Quanto mais divulgação, melhor.


Amigos, espero que essa entrevista tenha sido esclarecedora e, sobretudo, inspiradora. As obras de J.R. Vieira são de alto nível e merecem nosso prestígio. Acompanhem mais do autor nas redes sociais:
Facebook - José R. Vieira autor.
Twitter - Zero.









terça-feira, 2 de agosto de 2016

Esse evento vocês não podem perder: Diversão Offline. Está chegando!


Os dados voltam a rolar no SulAmérica!

21 de agosto! Esse será o dia em que os fãs de jogos analógicos com cenários elaborados, personagens com poderes inimagináveis, dados de várias faces e muita criatividade irão invadir novamente o Centro de Convenções SulAmérica para curtir muita diversão, num dia inteirinho longe dos celulares, videogames e wi-fi.

A produtora Geek Carioca traz, ao Rio de Janeiro, a segunda edição do bem-sucedido Diversão Offline. Desta vez, reunindo ainda mais stands de editoras e produtoras de jogos e lojas especializadas em produtos geeks, o evento contará com diversas personalidades do mercado nacional. Painéis com autores e designers renomados, workshops de produção de quadrinhos, escola de Magic, lançamentos exclusivos de títulos e as grandes novidades do ramo.
Até pedido de casamento rolou no primeiro evento. Vai perder esse?

Atrações como o game designer Fel Barros, os autores Rogério Saladino e Marcelo Cassaro do famoso RPG Tormenta e a grande atração internacional John Wick serão apenas algumas das muitas personalidades dos mundos dos jogos que passarão pelo SulAmérica no dia 21/08!

Apesar do cenário nacional atual, o mercado de jogos analógicos continua apresentando bons resultados de crescimento e expectativa positiva para o ano de 2016. Nesse contexto, o evento contará com uma área business para apresentação de protótipos de jogos às grandes marcas do mercado. Serão muitas atrações em um dia totalmente dedicado aos hobbys NÃO eletrônicos.
Anderson Gaveta e Fernando Caruso na primeira edição do evento

Venha você também aproveitar o melhor da cultura nerd, com uma área total de 2.200 metros quadrados e se tornar mais um fã apaixonado pelos universos dos personagens heroicos dos melhores jogos de tabuleiro, cartas e RPGs do mercado!





Vídeo do canal UmJovemHiperativo.

A produtora surgiu em 2015 com o objetivo de colocar a cidade do Rio de Janeiro de volta no calendário dos grandes eventos Geeks. Além de acompanhar o grande movimento do mercado nacional de jogos e entretenimento, a iniciativa nasceu também do desejo pessoal dos sócios de criar um ambiente atrativo, confortável e de qualidade para os fãs de jogos e apaixonados pela cultura nerd.

Data: 21 de agosto de 2016

Local: Centro de Convenções Sulamérica

Endereço: Avenida Paulo Frontin, 1 - Cidade Nova. Rio de Janeiro.


#NerdPower #Desconecte #DiversãoOffline #GeekCarioca

Os ingressos do Diversão Offline já estão disponíveis nos pontos de venda! Se você ainda não comprou o seu, interrompa seu jogo e corra para garantir o valor do lote promocional limitado por apenas R$ 35,00. Garanta já a sua entrada para o maior evento de jogos não eletrônicos do BRASIL!


Confira abaixo a lista das lojas que estão com os ingressos à venda:

Legion Card Games (Niterói)

End.: Rua Coronel Gomes Machado, 89 Sobreloja.

Tel.: 2621-4894
Toy Place (Niterói)

End.: Rua 15 de Novembro, 8 Loja 269a.

Tel.: 3619-3614
Point HQ (Tijuca)

End.: Rua Conde de Bonfim, 685 Loja 214.

Tel.: 3042-4835
Magic Store Brasil (Tijuca)

End.: Rua Conde de Bonfim, 485 Sala 204.

Tel.: 3549-0551
Redbox (Centro)

End.: Avenida Treze de Maio, 33 Loja 406.

Tel.: 3174-2222
Emoção Virtual (Centro)

End.: Avenida Rio Branco, 156 Loja 338 e 339.

Tel.: 2240-9381
Metrópolis (Meier)

End.: Rua Dias da Cruz, 203 Loja 11.

Tel.: 2595-1242
Cyber Anime (Meier)

End.: Rua Oldegard Sapucaia, 7A.

Tel.: 3649-8817
Geek Shop (Del Castilho)

End.: Avenida Dom Helder Câmara, 5027 Stand 11 e 12.

Tel.: 99671-5907 / 99720-9991
Point HQ (Ipanema)

End.: Rua Visconde de Pirajá, 207 Loja 317.

Tel.: 3442-2208
Toy Place (Barra da Tijuca)

End.: Avenida das Américas, 4666 Loja 106 P27.

Tel.: 2408-3199

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Entrevista com Leonel Caldela - via Cranik.


Ademir Pascale, administrador do site Cranik.com (onde já participei de uma coletânea), entrevistou o escritor Leonel Caldela, um dos mais recentes contratados da Fantasy - Casa da Palavra.

ENTREVISTA:
Ademir Pascale: Primeiramente, agradeço por ceder essa entrevista. Para iniciarmos, gostaria de saber quais foram as suas principais influências e o seu início para o meio literário.

Leonel Caldela: Eu agradeço muito pelo interesse. Bem, eu tenho muitas influências literárias, mesmo que algumas não fiquem assim tão evidentes no meu trabalho. Na linguagem e estilo de narrativa, procuro me espelhar no Rubem Fonseca, que considero um mestre, e no Clive Barker (este também teve influência nas partes mais puxadas para o terror). O Bernard Cornwell é uma referência quase obrigatória para quem escreve cenas de ação, e cada livro dele é uma aula de como construir personagens cativantes. Outros favoritos são Bukowski, Dalton Trevisan e George R. R. Martin.
Poderia dizer que o meu começo no meio literário foi a oficina de criação literária do prof. Assis Brasil. Foi lá que aprendi quase tudo que sei sobre escrever, e onde surgiram vários contatos e oportunidades. Mas o primeiro livro mesmo veio quando mostrei um conto para o J.M. Trevisan (então editor assistente da revista Dragão Brasil) e fui convidado para escrever uma trilogia de romances no cenário de RPG originado na revista, Tormenta.

Ademir Pascale: Seu fascínio por jogos de RPG renderam os livros O Inimigo do Mundo, O Crânio e o Corvo e O Terceiro Deus. Dos três, qual mais lhe marcou e por quê?

Leonel Caldela: Cada um marcou de sua própria forma. OIdM foi o primeiro, o momento de experimentar, descobrir como escrever uma narrativa longa, cometer erros que (espero) não vão se repetir. Enquanto eu estava escrevendo, tomou a maior parte da minha vida, os personagens viraram quase uma obsessão. Já OCeoC eu considero o melhor da trilogia. Por isso, marcou como um amadurecimento, uma obra com maior preocupação estética e literária. OTD foi exaustivo, em todos os sentidos. Por ser muito longo, ter muitas linhas narrativas e afetar muito o cenário de RPG Tormenta, foi um trabalho (para mim) gigantesco. Terminar OTD foi um alívio enorme, uma tarefa que, durante muito tempo, eu não conseguia visualizar sendo cumprida.

Leonel Caldela
Ademir Pascale: Você acabou de lançar O Caçador de Apóstolos (Jambô). Fale mais sobre este livro para os nossos leitores.

Leonel Caldela: O Caçador de Apóstolos é meu primeiro livro sem ligação alguma com um cenário de RPG ou um universo pré-construído. A história ocorre em um mundo fictício e trata de fantasia medieval, mas não há ainda nenhum outro material sobre o cenário. Tentei aproximar o mundo fantástico do livro ao máximo da Idade Média real (com alguns anacronismos propositais), num primeiro momento. Na verdade, no início do livro, alguns leitores chegam a esquecer que não se trata do nosso mundo! Mas, à medida que a história progride, os elementos fantásticos vão se mostrando aos poucos, cercados de superstição e incerteza. Há fragmentos de objetos considerados milagrosos, advindos de uma civilização que existiu há muito tempo. Há pessoas tidas como santas ou milagrosas, e criaturas consideradas demoníacas. E há até mesmo algo próximo da ficção científica, com uma pegada de influência new weird (subgênero representado, entre outros, por China Miéville no exterior).
A história gira em torno de uma guerra civil contra a teocracia que governa o mundo conhecido. Houve uma Voz de Urag (espécie de papisa) que se rebelou contra a Igreja e foi profetizada como corrupta. E houve também profecias sobre os guerreiros que surgiriam para vencê-la. Mas boa parte disso são mentiras e conspirações, e o leitor não sabe o quanto dessa história pregressa é real e o quanto é fabricação para manipular o povo. Tudo é narrado por um escritor e dramaturgo que tem ligações com o passado e presente da trama.

Ademir Pascale: O Caçador de Apóstolos possui 408 páginas. Por favor, poderia falar como surgiu a ideia inicial, as pesquisas e os dias escrevendo essa obra, assim como a publicação pela editora Jambô?

Leonel Caldela: A ideia inicial veio de uma cena isolada, que imaginei fora de qualquer contexto. Aos poucos, comecei a questionar mais sobre a cena, imaginar quais eram suas causas e consequências, e a trama surgiu a partir daí. Mas a cena em si foi descartada! Essa ideia já tem vários anos, surgiu logo depois de O Inimigo do Mundo, mas eu não me considerava pronto para encará-la. Depois do fim da trilogia, achei que estava na hora de finalmente me dedicar a O Caçador de Apóstolos.
Fiz pesquisa sobre o período da Idade Média, a igreja da época e outras religiões (de vários períodos históricos). Algumas séries de documentários foram muito importantes nessa fase (mesmo que às vezes fossem meras fontes de “factoides” e curiosidades para ajudar a criar o clima medieval). Os dias de escrita em si foram rotina: produção de manhã e à tarde, concentração na obra, revisão e envio de capítulos para o editor. Mais ou menos o processo de trabalho que já acontecia nos outros romances.
Já a publicação foi a parte mais fácil. A Jambô confia no meu trabalho, e eu sabia que teria a chance de publicar OCdA pela editora. Antes mesmo de começar a escrever isso já estava aprovado. O editor-chefe, Guilherme Dei Svaldi, não me deixa sossegar, e sempre pergunta quando o próximo vai sair!

Ademir Pascale: Como está sendo a receptividade dos leitores por se tratar de uma obra ligada a assuntos religiosos?

Leonel Caldela: Para falar a verdade, eu esperava (ou temia) mais controvérsia. Não ouvi nenhuma reclamação ou indignação do público, mesmo mexendo o tempo todo nesse tema espinhoso. A receptividade tem sido muito boa, a maior parte dos leitores parece estar gostando. Uma exceção: um veículo preferiu nem mesmo receber o livro para resenha, por causa da temática religiosa. Mas tudo com muito respeito. O que é ótimo, porque minha intenção nunca foi desrespeitar a fé de ninguém — talvez questionar o conceito de fé em geral.


Pausa para uma breve descrição do livro "O Caçador de Apóstolos".
Haverá dois soldados. Um de Deus e um do diabo.

Foi o que disse a segunda profecia. A primeira falou da corrupção da Voz de Urag, da época em que a líder da Igreja trairia seu povo e faria a guerra contra os cardeais. As profecias avisaram sobre a Voz de Urag, a Voz de Deus, tornada maligna, uma serva do inferno. O surgimento de dois heróis para derrubá-la. E a queda de um deles, revelado como o Soldado do Diabo.

Mas e se for tudo mentira?


O Caçador de Apóstolos apresenta um mundo fantástico, medieval e opressivo, imerso no turbilhão de uma guerra civil. A Igreja governa a terra, mas está sem liderança após a corrupção e morte da última Voz. Os rebeldes lutam numa batalha desesperada contra o domínio da teocracia, contra a própria religião. Uma nova messias se ergue, para levar seu pequeno povo à capital e ocupar seu lugar de direito, cumprindo a vontade de Deus. O fantasma de uma civilização há muito arruinada paira sobre tudo, com seus mistérios e os fragmentos de seu minério divino. Um perplexo escritor observa e narra, misturando verdade e ficção, revelando e escondendo seu próprio papel nos acontecimentos.

O Caçador de Apóstolos é uma história de guerra, religião, idealismo, tragédia e teatro. Um embate entre a fé e o cinismo, o pensamento e a obediência. Em que a verdade e a mentira podem vir da voz dos homens, da voz dos santos — ou da Voz de Deus.


Ademir Pascale: Como os interessados deverão proceder para adquirir O Caçador de Apóstolos?

Leonel Caldela: Até onde eu sei, o livro está disponível em todas as grandes redes de livrarias — Cultura, Saraiva, Travessa... Nem sempre na prateleira de todas as filiais, mas disponível. Também em lojas de quadrinhos e RPG (como Moonshadows, Itiban e várias outras) e em muitas livrarias independentes. Também é possível comprar pelo próprio site da Jambô (ou nas lojas físicas, para quem é de Porto Alegre). Pela Jambô, o frete é grátis.

Ademir Pascale: Qual a sua opinião referente aos leitores brasileiros para o seu gênero de publicação? Existe algum incentivo que gere ainda mais o interesse nesses leitores?

Leonel Caldela: Eu acho que existe um interesse muito grande em literatura de gênero, especialmente fantasia — mas muitas vezes o público não conhece as publicações disponíveis. Parece que muita gente vai na livraria à procura de “um livro medieval” ou “algo tipo O Senhor dos Anéis”, ou ainda “algo parecido com o Cornwell”, e não sabe que existem muitas opções, tanto nacionais quanto traduzidas. Isso não é culpa do público — o crescimento do gênero e das editoras que trabalham com ele é gradual. Aos poucos, as obras ganham mais espaço em prateleira, mais divulgação e mais notoriedade. Além, é claro, de mais espaço na mídia.
O incentivo aos leitores, na minha opinião, é a própria literatura voltada para a fruição (para a diversão, por falta de uma palavra melhor). Existem muitos leitores em potencial, mas nem todos, necessariamente, querem ler obras complexas e ficção mainstream o tempo todo. A literatura de gênero preza muito pelo entretenimento, por cativar o leitor. Mesmo que haja uma preocupação com o “valor literário”, em geral isso vem acompanhado de uma preocupação com o enredo. O leitor que busca entretenimento (além de erudição) na literatura encontra um material vasto na ficção de gênero.

Ademir Pascale: Quais dicas daria para os escritores em início de carreira?

Leonel Caldela: Leiam de tudo. Não fiquem presos aos gêneros que já conhecem e apreciam. Preocupem-se com a linguagem e a narrativa tanto quanto com a história. Encontrem satisfação no ato de escrever, no quebra-cabeças das palavras, mesmo com um enredo simples. Encarem a profissão de escritor (na medida do possível) como qualquer outra. Ou seja: estudem, pratiquem, trabalhem duro. Não sejam levados pelo ar “romântico” da profissão. Convençam-se de que não existe “inspiração”; existe trabalho.

Ademir Pascale: Existem novos projetos em pauta? Se sim, quais?

Leonel Caldela: Deus Máquina, segunda e última parte da história iniciada com O Caçador de Apóstolos, deve sair em 2011. Além disso, há planos para mais um ou dois romances no mesmo cenário, mas em uma época completamente diferente, com outros personagens. Tenho também planos para um romance de ficção histórica (um projeto muito grande, que vai exigir muita pesquisa) e um de ficção urbana contemporânea (mainstream). Ainda não há datas para esses.

Ademir Pascale: Como os leitores poderão saber mais sobre você e suas obras?

Leonel Caldela: Estou devendo a mim mesmo e aos leitores ter um site próprio, ou mesmo um blog... Por enquanto, o site da Jambô Editora (www.jamboeditora.com.br) traz as notícias sobre as minhas publicações. Quem usa o Twitter também pode me seguir (@leonelcaldela).

Perguntas Rápidas:

Um livro: A Grande Arte, de Rubem Fonseca.
Um(a) autor(a): Só um? Está bem, Rubem Fonseca.
Um ator ou atriz: Talvez sejam atores muito limitados, mas fico vidrado no carisma do John Wayne e da Lucy Lawless.
Um filme: E aí, meu irmão, cadê você? (O título em português realmente não faz justiça).
Um dia especial: Vou ignorar todas as respostas românticas e dizer que o dia em que O Caçador de Apóstolos foi publicado (e, ao mesmo tempo, os meus vizinhos barulhentos e hostis se mudaram) foi um dos melhores da minha vida.
Um desejo: Um dia escrever uma obra importante, que seja estudada e que contribua para a literatura como um todo.

Ademir Pascale: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Leonel Caldela: Agradeço pelo interesse! Obrigado e um grande abraço também aos leitores.
Entrevista feita em julho de 2010.
 
Informações sobre Ademir Pascale

E-mail: Ademir@cranik.com
Twitter: @ademirpascale
Site: www.cranik.com

Entrevista lançada neste blog de acordo com os termos de seu autor. Agradeço à oportunidade de divulgar o trabalho de mais um autor nacional.

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