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Mostrando postagens com o rótulo Abandono

Rugas (Arrugas – 2011). Perfeita e emocionante adaptação da obra-prima de Paco Roca

O que realmente enxergamos ao nos depararmos com um idoso (pode ser honesto, você também chama de velho)? Será que vemos um indivíduo que tem experiência e sobreviveu a coisas que a maioria de nós, mais novos, sequer imagina ou, sendo mais sinceros, vemos apenas uma pessoa que fica mais e mais incapacitada com o passar dos anos? Peço que me perdoem pelo começo brusco e melancólico neste post, mas os tempos atuais não são fáceis (estamos vivendo a pandemia de Covid-19, uma espécie de peste negra do século XXI que tem como principais vítimas os ve… idosos). Hoje eu me deparei com a sugestão de uma HQ diferente, cuja abordagem central estaria focada na jornada de um idoso com Alzheimer. Isso, infelizmente, me fez lembrar de um senhor que foi casado com a avó da minha esposa (ele não era o avô verdadeiro, entenderam?), um homem cujos quatro últimos anos foram uma verdadeira epopeia para continuar vivo. Anos atrás, infelizmente, ele foi vítima de um AVC que deixou grandes sequelas fí...

Novo conto: A pedra.

Por: Franz Lima . Quase nove da noite. O tempo está frio de novo. De novo também estou sem agasalho. As pernas doem. Passei o dia catando sucatas. Só comi uma coxinha e bebi água. Nada mais. Cheguei cedo ao beco. Cumprimentei uns conhecidos e me sentei no lugar de sempre. Há regras aqui e uma delas é muito respeitada: o lugar onde alguém vai fumar, depois de marcado, não pode ser tomado. Já deve ter uns oito meses que estou nessa. Não vou culpar a pobreza ou a família que não me ama. Nunca fui pobre e amor não faltou. Mas o pó já não bastava. A pedra era a única coisa que me dava onda. Então, um dia, eu me dei conta de que havia abandonado tudo. Foda-se tudo. Só fumar me interessava. Sei onde minha família está. Já passei em frente da casa umas dez vezes, de madrugada, só para ver se a coragem de voltar batia, mas a vergonha sempre foi maior. Eu decepcionei tudo e todos. Uma garoa bem fina começa. O frio aumenta e dá pra ver os cachimbos sendo acesos. Algumas pedras par...

Preciosa - Uma história de esperança - Resenha do filme.

Quais os limites para algo já considerado abominável? Preconceito, racismo, violência... o que nós sabemos sobre tais agressões? Pensando - e muito - sobre isso, o diretor Lee Daniels criou uma obra ímpar sobre a vida na auge da miséria. Mas não se trata apenas de miséria financeira. Em 'Precisosa', a miséria tem muitas faces, todas intrínsecamente ligadas. 

Enxergue o que quer, mas não transforme trevas em luz.

Por: Franz Lima   A cada novo dia aumenta o meu medo do medo... Não há outra forma de começar este post. Todos os dias eu leio, vejo e percebo que a desculpa para o desprezo, a violência e a segregação está intimamente vinculada ao medo. Tenho medo de negros: segrego. Tenho medo de espíritas: persigo. Tenho medo de pobres: isolo-me.  É bem verdade que a humanidade nunca teve sequer um único período onde a igualdade fosse uma realidade, mas isso não significa achar que estamos na Era de Ouro da Igualdade. Jamais. Os dias atuais são belos. Mais recursos para combater doenças, maior consciência social, maior luta pelo meio-ambiente, direito a ter um credo diferente do que é maioria. São mudanças consistentes, com poder de mudar não só a sociedade, como também a humanidade em sua grandeza. Entretanto, alguns problemas insistem em caminhar ao lado da evolução. Pessoas vivem em seu próprio mundo, cercadas por toda a tecnologia possível, porém distantes de quem está ...

Conto: Medo de Elevador.

Por Rainier Morilla . Via Roda de Escritores . Antes de me apresentar tem duas coisas que você precisa saber sobre mim. Primeiro: detesto meu nome. E segundo: tenho medo mortal de elevador. Muitas pessoas riem de mim e criam piadas sobre isso. Alguns falam que é uma coisa infantil e boba até que conte sobre o porque de tudo isso. O porque de eu odiar meu nome é porque me chamo Glidiabete! Ah! Como odeio esse nome! Minha mãe leu um jornal e disse ter encontrado dois nomes que ela amou – Glicose e Diabete! – E infelizmente, por causa desse jornal maldito sou traumatizada. Sei que não existe nome mais ridículo que o meu no mundo, por isso, pelo amor de Deus, me chame de Bete. Não que eu goste de Bete, mas já é bem melhor que… o outro nome. Já o meu medo de elevador tem uma razão pior. Sou consultora de vendas de telefones celulares e fui a pior vendedora do mês. Tudo bem que a gente se esforça e tenta fazer o melhor em no...