Por: Franz Lima . Escorrego em meu próprio sangue. A voz é quase inaudível, fruto da dor e do medo. Em um canto, ele me contempla quase com pena, assim como faria um dono diante de seu cão que fez uma bagunça. Mas também há raiva em seus olhos, pois a distância entre a dó e a penalização é muito curta. Mesmo machucada, procuro nos recantos mais íntimos da minha mente um motivo para que ele ter feito isso. Será que inconscientemente eu provoquei essa agressão? Será que realmente minhas roupas são indecentes? Eu olhei mesmo com volúpia para seu amigo? Talvez... não sei dizer. Passo a noite encostada no canto da parede. O frio do ar parece estar todo concentrado onde estou sentada. Os lábios e os olhos doem com uma intensidade maior que os demais lugares onde ele me atingiu. Ficamos próximos um do outro durante toda a madrugada. Eu, tomada pelo medo e as dúvidas. Ele, pelo ódio. Mas o tempo cura tudo. A manhã chegou. Ele já está se arrumando para trabalhar. Devo ter cochila...
"Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para o Abismo."