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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A história da imigração alemã em mostra no Centro Cultural Correios.


Paulo Virgílio - Agência Brasil
 
A partir da segunda metade do século 19, o Brasil se tornou o destino de milhares de imigrantes europeus, que fugiam dos problemas políticos, econômicos e sociais do velho continente, e saíam em busca da prosperidade nas Américas. Um dos mais importantes fluxos foi o da imigração alemã, e em decorrência disso, o Brasil tem, atualmente, cerca de 5 milhões de pessoas de ascendência germânica.
Parte da história dessa imigração está contada em uma exposição aberta ao público desde o dia 19 de fevereiro, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro. Brasil-Alemanha: uma história centenária contada pelo mar, descreve em pôsteres, filmes e maquetes de navios os 142 anos de atuação, no país, da empresa alemã de transporte marítimo Hamburg Süd. A mostra faz parte da programação do Ano da Alemanha no Brasil.
Fundada em 1871 e com sede na cidade portuária de Hamburgo, a transportadora foi uma das acionistas majoritárias da Companhia Colonizadora Hanseática, que desenvolveu a colonização alemã no estado de Santa Catarina. A imigração foi mais intensa no final do século 19 e início do século 20, com destaque para as décadas de 1920 e 1930 - período entre a primeira e a segunda guerras mundiais.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil recebeu, na época, 102 mil imigrantes de origem alemã, originários da própria Alemanha e dos países vizinhos de língua germânica, como a Áustria e parte da Suíça. “Não é possível mensurar um número exato de imigrantes, que vieram nos navios da Hamburg Süd”, afirma o diretor-superintendente da empresa, Julian Thomas. Segundo ele, os principais portos de desembarque dos imigrantes, além dos da Região Sul, foram os de Santos, do Rio de Janeiro e Recife.
A derrota alemã nas duas grandes guerras afetou duramente os negócios da Hamburg Süd, que perdeu a totalidade de seus navios - confiscados pelos vencedores dos conflitos - tendo que reiniciar do zero. “Os bens da empresa no Brasil não foram confiscados durante a Segunda Guerra, mas na época do nazismo, o serviço da Hamburg Süd para o país foi suspenso”, conta Julian Thomas.
Na exposição, que tem curadoria do museólogo alemão Carsten Jordan, os visitantes podem consultar as listas de passageiros que embarcaram no Porto de Hamburgo e ver maquetes de navios. A mostra, já exibida em São Paulo, fica em cartaz até 30 de março, e depois seguirá, no decorrer do ano, para Santos (SP) e Porto Alegre.
A entrada é grátis, e a visitação é de terça-feira a domingo, das 12h às 19h. O Centro Cultural Correios fica na Rua Visconde de Itaboraí, 20, no centro do Rio.

Franz diz: uma exposição indispensável para os que amam a História e também para quem quer conhecer um pouco mais desse povo que tanto contribui para nosso país. Divirtam-se!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Cinco livros para iniciar o estudos sobre o nazismo


Debruçar-se sobre livros é regra para quem deseja estudar um conteúdo histórico. Contudo a tarefa não precisa se restringir a livros didáticos e apostilas escolares. O professor de História Cristiano Catarin explica que a leitura de romances é um ótimo aliado para os alunos, que podem entender melhor o contexto da época estudada de uma forma agradável. "Os romances também são importantes fontes para estudar e investigar a História, desde que sejam tratados com critério e não considerados, pelos alunos, professores e pelos próprios historiadores, como recurso exclusivo", afirma ele, que também é criador do blog História para Estudantes.
O professor da rede pública de São Paulo considera a literatura uma boa alternativa para atrair os estudantes a visitar o cotidiano de personagens não emblemáticos ou popularizados pelas publicações didáticas mais específicas. De acordo com ele, o nazismo é tema de um vasto número de títulos. Confira algumas dicas de livros sobre esse período da história que podem ocupar aquele espaço vazio na sua cabeceira:
A Menina que Roubava Livros
Publicado em 2006 pelo australiano Markus Zusak, o livro conta a história de uma garota que fora adotada em 1939 por uma família alemã que residia na cidade de Molching, na Alemanha, antes de ser atingida pelos horrores da guerra. Neste contexto, a menina Liesel procura entender, dentre outras questões, a presença de um homem judeu que vivia escondido no porão da casa.
Para o professor Cristiano Catarin, o romance é importante pois revela que nem todos os alemães eram a favor do movimento nazista. Além disso, a partir do olhar de Liesel, o leitor consegue compreender o cotidiano de uma família que era contra o nazismo e a vida de uma pessoa pertencente a uma etnia que fora terrivelmente perseguida pelo sistema. "Esses aspectos contribuem para a assimilação dos estudos históricos desta temática", diz o professor. Para fugir de uma realidade sofrida e cheia de bombardeios, Liesel busca refúgio na leitura, e é a partir daí que ela começa a roubar livros.


1984
Apesar de não falar do nazismo diretamente, o professor Catarin considera o romance de George Orwell como uma boa metáfora para os estudantes entenderam como funcionava a dominação do governo no período nazista. O livro conta a história de Winston Smith, um membro do partido totalitário IngSoc que tomou o poder da Oceania (país criado pelo autor) a partir da figura do Grande Irmão (Big Brother), personalidade maior do partido político.
O trabalho de Winston como funcionário do Ministério da Verdade é reescrever e alterar dados históricos de acordo com o interesse do partido. Dessa forma, o Grande Irmão conseguia manipular o pensamento do povo, fazendo-o odiar o inimigo que o partido quisesse. "O autor também retrata o pessimismo contido na humanidade do pós-guerra", destaca Catarin.

A Estrada de Flandres
Publicado pela primeira vez em 1961, o autor Claude Simon aborda em seu romance a morte de um aristocrata e capitão da cavalaria na Segunda Guerra Mundial. O Capitão de Cavalaria De Reixach foi morto por um atirador alemão na Estrada de Flandres. Antes, indiferente ao perigo que o cercava, o capitão seguia passo a passo com o que restava de sua tropa: ele, um suboficial, o ordenança e um cavalariano, narrador deste romance.
Para o professor, o romance é uma ótima leitura, pois mostra a derrota da França pelos nazistas em 1940. "A obra considera ainda concepções e perspectivas sobre o suicídio, o morrer, o criar, o procriar, a memória, etc. Algo denominado pelo autor como aprendendo a viver e aprendendo a morrer", afirma.

O Menino do Pijama Listrado
Do autor John Boyne, o livro mostra a história de uma família nazista sobre a perspectiva de um menino de 9 anos, Bruno. Filho de um oficial nazista, Bruno não sabe nada sobre o Holocausto, apenas lamenta que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa de Berlim e mudar-se para uma região isolada (onde seu pai podia controlar um campo de concentração). Da janela do seu quarto, o menino conseguia ver uma cerca, onde viviam centenas de pessoas vestindo sempre uniforme. Ao ir até lá escondido, Bruno começa uma amizade com um menino "de pijama listrado".
Ao mesmo tempo em que mostra a vida da família do oficial nazista, o romance narra as descobertas de uma criança sobre os horrores da guerra. O sucesso do livro foi tanto que a história saiu das páginas e foi parar nas telas: o livro foi adaptado para o cinema pelo diretor Mark Herman, em 2008.


O Diário de Anne Frank
O livro não é ficção, e sim um pedaço da realidade judaica em tempos de guerra. Escondida com sua família e outros judeus em um porão em Amsterdam durante a ocupação nazista nos Países Baixos, Anne Frank conta em seu diário a vida deste grupo de pessoas. Pelo olhar dessa menina de 13 anos, o leitor consegue entender os anseios de um judeu durante a Segunda Guerra Mundial.
O esconderijo foi descoberto em 1944, e Anne Frank morreu em um campo de concentração. Otto Frank, seu pai e único sobrevivente da família, publicou o diário da filha em 1947.


Relembro que estes livros são apenas o início de um estudo sobre o nazismo, sendo quase todos ficção, ainda que com conteúdo. Caso queira um aprofundamento maior, procure obras de Eric Hobsbawn, Leon Goldensohn – As entrevistas de Nuremberg e outros títulos do gênero, preferencialmente escritos por historiadores. Nas HQ, Maus é um ótimo exemplo de história em quadrinhos com boa base histórica. Além disso, para os usuários de TV paga, há o canal History. Contudo, lembre-se que os melhores materiais são os produzidos por profissionais da área de História, pois os livros citados são uma forma de incentivar a pesquisa.

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