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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Shawn Coss e seus desenhos que dão corpo e vida às doenças e disturbios mentais


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

São 31 dias do mês de outubro dedicados ao desenho. Um desenho por dia. E o ilustrador Shawn Coss aceitou o desafio, porém de forma diferente. Shawn optou por ilustrar no #inktober as várias doenças e distúrbios que afetam a mente. As doenças e distúrbios mentais são complicadas por que muitas vezes é quase impossível perceber que a pessoa está realmente afetada, já que a aparência continua a mesma. Algumas dessas síndromes e distúrbios são silenciosos, lentos e irreversíveis se não tratados a tempo. 
As ilustrações têm o aspecto de pesadelos, são macabras em sua maioria e desagradáveis, porém servem para alertar sobre a quantidade enorme de problemas que afetam a mente e, sobretudo, as sequelas deles. É um campo vasto, ainda em estudo e que precisa ser respeitado, estudado e compreendido para que possamos dar às pessoas atingidas uma melhor qualidade de vida. Os desenhos também serão um incentivo à pesquisa dos casos citados.
Para ampliar o alcance deste post, coloquei uma breve explanação de cada uma das doenças com base em suas descrições na Wikipedia.
Fiquem com as artes de Shawn Coss e sigam o ilustrador em suas redes sociais:
Facebook: Shawn Coss
Transtorno de Ansiedade Social
Fobia Social é o medo de ser exposto à observação atenta de outra pessoa e que leva a evitar situações sociais. As fobias sociais graves se acompanham habitualmente de uma perda da auto-estima e de um medo de ser criticado.
A Fobia Social é um transtorno de ansiedade descrito no DSM-IV e no CID10, caracterizado por manifestações de alarme, tensão nervosa, medo e desconforto desencadeadas pela exposição social — o que ocorre quando o portador precisa interagir com outras pessoas, realizar desempenhos sob observação ou participar de atividades sociais. Tudo isso ocorre até o ponto de interferir na maneira de viver de quem a sofre.

Transtorno do Engajamento Social Desinibido
Não encontrei a descrição exata dessa doença, apenas vagas referências.
Transtorno Obsessivo-Compulsivo

transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)distúrbio obsessivo-compulsivo (DOC) ou Perturbação Obsessivo-Compulsiva (POC) (Português de Portugal) é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos obsessivos e compulsivos, no qual o indivíduo tem comportamentos considerados estranhos pela sociedade ou por si próprio; normalmente trata-se de ideias exageradas e irracionais de saúdehigieneorganizaçãosimetriaperfeição ou manias e "rituais" que são incontroláveis ou dificilmente controláveis.

Síndrome de Cotard
Síndrome de Cotard também chamada de delírio de Cotardsíndrome do cadáver ambulantedelírio niilista ou delírio de negação é uma síndrome rara de fundo psicológico na qual a pessoa acredita estar morta, não reagindo a estímulos exteriores nem a outras pessoas. Também pode acreditar que está com seus órgãos internos podres, apodrecendo ou que foram retirados. 
Foi o neurologista francês Jules Cotard quem primeiro descreveu a síndrome, em 1880.
Geralmente o tratamento envolve o uso de antidepressivos com sessões de eletroconvulsoterapia.
Pode estar relacionada à Síndrome de Capgras.
Síndrome de Capgras

Síndrome de Capgras (ou Delírio de Capgras) é um raro distúrbio no qual uma pessoa sofre de uma crença ilusória de que um conhecido, normalmente um cônjuge ou outro membro familiar próximo, foi substituído por um impostor idêntico. A síndrome de Capgras é classificada numa categoria de crenças ilusórias envolvendo erros de identificação a respeito de pessoas, lugares ou objetos. Pode ocorrer de forma aguda, passageira ou grave.

Transtorno Dissociativo de Identidade 

transtorno dissociativo de identidade, originalmente denominado transtorno de múltiplas personalidades, conhecido popularmente como dupla personalidade, é uma condição mental em que um único indivíduo demonstra características de duas ou mais personalidades ou identidades distintas, cada uma com sua maneira de perceber e interagir com o meio. O pressuposto é que ao menos duas personalidades podem rotineiramente tomar o controle do comportamento do indivíduo. O critério de diagnóstico também leva em consideração perdas de memória associadas, geralmente descritas como tempo perdido ou uma amnésia dissociativa aguda.

Agorafobia
Agorafobia (do grego ágora - assembleia; reunião de pessoas; multidão + phobos - medo) é originalmente o medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão. Em realidade, o agorafóbico teme a multidão pelo medo de que não possa sair do meio dela caso se sinta mal e não pelo medo da multidão em si. Muitas vezes é sequela de transtorno do pânico. Quando o medo surge é difícil saber se está se tendo um ataque de pânico ou agorafobia, porque ambos têm quase os mesmos sintomas.
Esquizofrenia

Esquizofrenia é um distúrbio mental caracterizado por comportamento social fora do normal e incapacidade de distinguir o que é ou não real. Entre os sintomas mais comuns estão delíriospensamento confuso ou pouco claro, alucinações auditivas, diminuição da interação social e da expressão de emoções e falta de motivação. As pessoas com esquizofrenia apresentam muitas vezes outros problemas de saúde mental, como distúrbios de ansiedadedepressão ou distúrbios relacionados com o consumo de substâncias nocivas. Os sintomas geralmente manifestam-se de forma gradual, desde o início da idade adulta, e permanecem durante um longo período de tempo.
Transtorno de Despersonalização
Transtorno de Despersonalização consiste de episódios persistentes ou recorrentes em que o indivíduo sente uma sensação de irrealidade e distanciamento de si mesmo, como se estivesse em um sonho ou filme.

O indivíduo tem uma sensação de ser um observador externo dos próprios processos mentais e do próprio corpo. Há também o sentimento de anestesia sensorial, falta de resposta afetiva, sensação de não ter o controle das próprias ações -  incluindo a fala - e uma alteração na percepção de  tamanhos ou formas de objetos (macropsia ou micropsia) e pessoas, observadas como "estranhas" ou "mecânicas".
Anorexia Nervosa
Anorexia nervosa, muitas vezes referida simplesmente como anorexia, é um distúrbio alimentar caracterizado por peso abaixo do normal, receio de ganhar peso, uma vontade intensa de ser magro e restrições alimentares. Muitas pessoas com anorexia vêm-se a si próprias com sobrepeso, apesar de na realidade apresentarem baixo peso. Ao serem confrontadas, geralmente negam existir um problema de baixo peso. Em muitos casos pesam-se frequentemente, ingerem apenas pequenas quantidades de alimentos e comem apenas determinados alimentos. Algumas realizam exercício de forma excessiva, forçam o vômito ou ingerem laxantes para perder peso. Entre as complicações da doença estão, entre outras, osteoporoseinfertilidade e problemas cardíacos.. As mulheres muitas vezes deixam de ter períodos menstruais.
Transtorno Depressivo Maior

Distúrbio depressivo maior (DDM) ou transtorno depressivo maior, conhecido simplesmente como depressão, é um distúrbio mental caracterizado por pelo menos duas semanas de depressão que esteja presente na maior parte das situações. É muitas vezes acompanhado de baixa autoestima, perda de interesse em atividades de outra forma aprazíveis, pouca energia e dor sem uma causa definida. As pessoas podem ocasionalmente manifestar delírios ou alucinações. Algumas pessoas apresentam episódios de depressão separados por um intervalo de vários anos em que o comportamento é normal, enquanto outras manifestam sintomas de forma quase permanente. A depressão pode afetar de forma negativa as relações familiares da pessoa, o emprego ou a vida escolar, o sono e as refeições e a saúde em geral. Entre 2 a 7% dos adultos com depressão morrem de suicídio e cerca de 60% das pessoas que morrem por suicídio apresentavam depressão ou outro distúrbio de humor.
Insônia
A insônia (português brasileiro) ou insónia (português europeu) é uma dissonia caracterizada pela dificuldade em iniciar e/ou manter o sono e pela sensação de não ter um sono reparador durante pelo menos um mês causando prejuízo significativo em áreas importantes da vida do indivíduo. Do ponto de vista polissonográfico, é acompanhada de alterações na indução, na continuidade e na estrutura do sono. Geralmente aparece no adulto jovem, é mais frequente na mulher e tem um desenvolvimento crônico. É o transtorno de sono mais comum, respondendo por cerca de 25% das buscas em clínicas especializadas em tratamento de problemas do sono. Cerca de metade dos pacientes com insônia também tem depressão maior.
Frequentemente o paciente com diagnóstico de insônia primária apresenta dificuldade para começar a dormir e acorda seguidamente durante a noite, sendo incomum uma queixa isolada de sono não reparador.
Transtorno Bipolar
O transtorno bipolar do humor (TBH), distúrbio bipolar ou transtorno afetivo bipolar (TAB) é um distúrbio mental em que a pessoa alterna entre períodos de depressão e períodos de elevado ânimo. O ânimo é significativo e é conhecido como mania ou hipomania, dependendo da gravidade ou se estão ou não presentes sintomas de psicose. Durante o período de mania a pessoa comporta-se ou sente-se anormalmente energética, contente ou irritável. Os doentes geralmente realizam decisões irrefletidas ou sem noção das consequências. Durante as fases maníacas a necessidade de sono tende a ser menor. Durante as fases depressivas a pessoa pode chorar, encarar a vida de forma negativa e evitar o contacto ocular com outras pessoas. O risco de suicídio entre as pessoas com a doença é elevado, sendo superior a 6% ao longo de vinte anos. Verifica-se automutilação em 30–40% dos doentes. Estão geralmente associados ao transtorno bipolar outros problemas mentais, como distúrbio de ansiedade e de consumo de drogas
Transtorno de estresse pós-traumático

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), Perturbação de Stress Pós-Traumático (PSPT) (português europeu), estado de stress pós-traumático ou ainda síndrome pós-traumática, é um transtorno psicológico que ocorre em resposta a uma situação ou evento estressante (de curta ou longa duração), de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica. Caso persista por mais de 2 anos, passa a ser considerada uma modificação duradoura da personalidade.

Autismo
 O autismo é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restrito e repetitivo. Os sinais geralmente desenvolvem-se gradualmente, mas algumas crianças com autismo alcançam o marco de desenvolvimento em um ritmo normal e depois regridem.
O autismo é altamente hereditário, mas a causa inclui tanto fatores ambientais quanto predisposição genética. Em casos raros, o autismo é fortemente associado a agentes que causam defeitos congênitos. Controvérsias em torno de outras causas ambientais propostas; a hipótese de danos causados por vacinas são biologicamente improváveis e têm sido refutadas em estudos científicos. Os critérios diagnósticos exigem que os sintomas se tornem aparentes antes da idade de três anos. O autismo afeta o processamento de informações no cérebro, alterando a forma como as células nervosas e suas sinapses se conectam e se organizam; como isso ocorre ainda não é bem compreendido. É um dos três distúrbios reconhecidos do espectro do autismo (ASD), sendo os outros dois a Síndrome de Asperger, com a ausência de atrasos no desenvolvimento cognitivo e o Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação (comumente abreviado como PDD-NOS (sigla em inglês) ou TID-SOE (sigla em português)), que é diagnosticado quando o conjunto completo de critérios do autismo ou da Síndrome de Asperger não são cumpridos.

Há ainda outros desenhos de Shawn Coss com igual teor e que servem de alerta para os impactos e as dificuldades de cada uma das síndromes e transtornos abordados. Mas, acima de tudo, fica a mensagem da necessidade de estudo, acompanhamento e compreensão de nossa parte, já que a vida de pessoas com tais problemas é difícil e quase sempre incompreendida ou não levada a sério. 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Os problemas de saúde causados pelo uso de smartphone e como evitá-los


O celular é quase um companheiro inseparável, visto por muitos como um bem essencial no dia a dia - mas o que muitas pessoas não sabem é que o uso excessivo deles pode causar danos ao corpo humano.
Fonte: BBC Brasil
Se você sente constantes dores de cabeça, um couro cabeludo extremamente sensível ou um incômodo atrás de um olho, a culpa pode estar no uso indevido do smartphone.
Especialistas dizem que são cada vez mais comuns os casos de "text neck" - "pescoço de texto" em tradução livre -, dores na cabeça ligadas a tensões na nuca e no pescoço causadas pelo tempo inclinado em uma posição indevida para visualizar a tela do celular.
Segundo a fisioterapeuta Priya Dasoju, a "pescoço de texto" também pode levar a dores no braço e no ombro.
"O que estamos vendo são cefaleias cervicogênicas", afirmou. Ela diz que o problema vem de tanto inclinar a cabeça para frente da tela do celular, e isso cria uma pressão intensa nas partes frontais e traseiras do pescoço.
Esse problema pode se agravar e, em alguns casos, pode levar a uma condição conhecida como nevralgia occipital.
É uma condição neurológica em que os nervos occipitais – que vão do topo da medula espinhal até o couro cabeludo – ficam inflamados ou lesionados. Ela pode ser confundida com dores de cabeça ou enxaqueca.
"Cerca de 30% dos nossos pacientes que vemos têm nevralgia occipital", disse a osteopata Lola Phillips.
"Você tende a ter esse problema quando usa muito tablets, laptops ou smartphones. Você começa a sentir uma tensão na parte da frente do pescoço e uma fraqueza na parte de trás dele."
A dor pode ser intensa, como se o pescoço estivesse "queimando", e começa na base da cabeça, se estendendo por toda a parte superior, no couro cabeludo.
Geralmente, as dores começam na parte de trás da cabeça, no nervo occipital, mas às vezes elas ficam localizadas mais na parte da frente, acima dos olhos.

'Raios de dores'

Adam Clark Estes começou a sentir dores de cabeça alguns meses atrás. Segundo ele, a dor é intensa. "É como se fosse a dor de uma ressaca forte. Você sente a cabeça latejando."
"Como se alguém tivesse me golpeado na cabeça com um cano de aço quente enviando raios de dores lancinantes no crânio", conta.
Você pode sentir a dor em um dos lados da cabeça ou nos dois, e até atrás dos olhos quando movimenta o pescoço. O conselho para curar o problema é mudar de postura na hora de mexer no celular – e evitar o uso excessivo dele.
"Quem sofre disso deveria pensar em adotar posturas diferentes quando estiver usando o celular. Sentar na vertical, por exemplo, e levantar o celular ou usar um suporte para ele ficar em uma altura mais adequada", explica a osteopata Lola Phillips.
"É preciso ter mais disciplina com o uso do telefone também", reitera.
O tratamento inclui correção de postura, massagem e remédios anti-inflamatórios, mas em alguns casos é preciso tomar medidas mais drásticas.
Adam Clark Estes teve que injetar um coquetel de esteroides e outros relaxantes nos nervos ao redor do seu pescoço.
"Dói bastante. Acho que o médico me deu quase 20 injeções separadas e depois delas eu fiquei tão mole que achei que iria desmaiar."
"Depois de me recuperar, o médico me disse que me sentiria melhor em um dia – e melhorou mesmo", conta.
Médicos também podem receitar relaxantes musculares, antidepressivos.
Especialistas dizem que a prevenção é a melhor opção. Diminuir o uso de smartphones ou então posicioná-los mais próximo da altura dos olhos são boas estratégias para evitar o problema.
"Tente não manter a mesma postura por muito tempo", disse a fisioterapeuta Priya Dasoju.
"Coloque um lembrete no celular ou no computador para se certificar de que você não está na mesma posição por muitos minutos consecutivos."
Os médicos garantem que as condições causadas por uso excessivo de smartphones são apenas dolorosas, não fatais.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Médico ou Monstro? Quais as lacunas no programa Mais Médicos?


Por: Franz Lima.

Eu tive um sonho que foi se dissipando com o tempo e os valores altíssimos atados a ele: ser médico. 
Poucas profissões são tão gratificantes. Salvar vidas, curar, estar próximo de quem realmente precisa. Dons quase divinos concedidos a simples humanos.
Mas a realidade é dura. Muitos médicos vocacionais tombaram pelo caminho. Também abandonaram o sonhar em prol de problemas, falta de dinheiro e tempo... talvez até a falta de um ensino de base que fosse capaz de mantê-los no árduo caminho de se tornar um doutor.
Encarar a realidade não é fácil, mas necessário.
Ao menos outros continuaram e venceram todas as etapas para chegar lá. São esses homens e mulheres que ganharam meu respeito e admiração, além de uma confiança enorme. Raras foram as vezes nas quais debati com um médico. Afinal, eles passam quase uma década para obter o título que merecem. Doutores com "d" maiúsculo, bem ao contrário de outros cujos títulos são fruto de tradições, jamais pelo mérito.
Só há um porém: temos poucos médicos para uma população continental. Some-se a isso a extensão territorial brasileira, a remuneração incondizente e o longo período de formação. Todos esses pontos colaboram para uma defasagem cada vez maior na proporção médico/paciente. Mas problemas não param por aí...
Temos regiões do país com um alto índice de doutores, ao passo em que outras são deficitárias. Temos o êxodo nas regiões mais pobres, provocado pela péssima remuneração, condições subumanas de atendimento e equipamentos velhos ou quebrados. É, infelizmente, uma equação com resultados sempre negativos, principalmente quando o prejudicado faz parte das classes menos favorecidas. 
Foi então que milhares de pessoas motivadas pela insatisfação foram às ruas para protestar contra essa realidade (desculpem o trocadilho) doentia, entre outros problemas.
Às custas de muita pressão, o Governo Federal optou por minimizar essa drástica situação com a ideia de contratar profissionais de outros países. Entendam, contudo, que essa medida só foi adotada por causa dos protestos populares, sem os quais tudo continuaria como antes. Ah! Vale lembrar que também se aproximam as eleições.
Povo insatisfeito e com a memória e o rancor atiçados são algo ruim para a conservação do status quo do poder.
Mesmo com as motivações erradas, a atitude do governo da Presidente Dilma foi acertada. É claro que há motivação política, eleitoreira, mas isso não torna a convocação de médicos estrangeiros um erro.

Chegamos filnalmente ao olho do furacão. Os primeiros médicos iniciaram um estágio que, teoricamente, irá lhes proporcionar mais base e confiança para atender em áreas praticamente esquecidas pela saúde pública. Palmas para eles? Não! Contrariando todas as expectativas, um grupo de médicos recepcionou seus colegas de profissão com palavras de ódio, racismo e descaso. Os mesmos que se recusam a atender populações carentes resolvem rechaçar quem veio para ajudar. Qual a lógica nesses atos tão mesquinhos e incoerentes?
Sou categórico ao afirmar que a convocação de doutores estrangeiros tem fins políticos, tem a missão de melhorar a popularidade de um governo desacreditado e fragilizado por inúmeros escândalos. O que também não pode ser descartada é a importância de programas como esse, pois vidas de milhões de brasileiros dependem de alguém que não os deixem isolados pela distância ou o mau uso da política e dos recursos públicos.
O Mais Médicos pode ter começado de forma equivocada, motivado por protestos e pelo temor do governo diante do povo revoltado, porém isso não minimiza a importância do projeto. Duvida? Basta questionar qualquer habitante das áreas que estão legadas ao esquecimento.
Respeito cada minuto empregado na absorção do complexo conhecimento necessário para que um cidadão comum vire um médico. Entretanto, nenhum diploma dá direito a alguém para menosprezar o valor de uma vida. Não é fácil ser um doutor em uma região erma e hostil, tenho certeza. Todavia, também tenho certeza que nenhum habitante aprecia sua condição e seu sofrimento. Não há apenas o juramento de Hipócrates em pauta: há uma tênue linha entre viver e morrer. 
Médicos de outros países são muito bem-vindos. Eles serão mais soldados em um guerra que o país perde há muitos anos. O front é cruel e é preciso ser mais do que patriota, é necessário ter amor ao próximo.
Que a convocação continue, mas que também os líderes desse Governo façam jus a cada centavo que recebem e, com o máximo de brevidade, usem de suas influências e poder para direcionar verbas para as centenas de unidades hospitalares sucateadas. Que tais contratações não sejam mais uma forma de lavagem de dinheiro e desprezo pelas centenas de milhares de famílias que aguardam há gerações por algo que todos merecem: respeito.
A história não irá parar por aqui...



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Conheçam os insetos vampiros. Via BBC


Fonte: BBC

Eles são pequenos e possuem um grande potencial para fazer estragos. Mesmo diminutos, estes insetos podem trazer doenças perigosas e até fatais. Conheçam alguns dos mais estranhos insetos vampiros que existem, ampliados em fotografias simplesmente incríveis.

Esta mosca listrada (Tabanus lineola) é encontrada em partes dos Estados Unidos e no Golfo do México. Nesta espécie, a fêmea é quem pica. Os machos são inofensivos. (Foto: SPL / Barcroft Media /Sinclair Stammers) 

Este carrapato está de barriga cheia depois de se alimentar de uma ovelha. Para se conseguir este nível de detalhamento, foi feita uma foto eletrônica colorida digitalmente. (Foto: SPL / Barcroft Media /Sinclair Stammers)

O nome impõe medo. O chamado "inseto assassino" se encontra em várias partes do mundo e tem uma picada dolorosa. Ele injeta a saliva em suas presas. O líquido corrói os tecidos, mata a presa e faz uma pré-digestão, antes de o inseto de alimentar

A mosca tsé-tsé (Glossina fuscipes fuscipes) é encontrada na África tropical. O sangue perdido é o menor dos males. Ela transmite a doença do sono, enfermidade que pode ser fatal.

A foto mostra uma pulga de areia macho na pele do seu hospedeiro (Foto: SPL/Barcroft Media /Sinclair Stammers)

O piolho-caranguejo infesta os seres humanos e se alimenta exclusivamente de sangue. Também é conhecido por piolho-da-púbis, por conta da região em que costuma se hospedar (Foto: SPL/Barcroft Media /Sinclair Stammers)

Franz says: parasitas ou vampiros, estes pequenos exemplares de monstros são uma ameaça, principalmente a seus hospedeiros, verdadeiros receptores de doenças transmitidas pelos insetos. As fotografias ficaram simplesmente inacreditáveis e dão uma clara amostra de que o "tamanho realmente não é documento". 
As demais fotos e a matéria completa vocês encontrarão no link da BBC, no início deste post. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Informação demais pode prejudicar? Essa mostra diz que sim.


Fonte: Folha de SP 
 
Uma insólita exposição no Museu da Comunicação de Berna, na Suíça, aletar para os malefícios do excesso de comunicação e propõe um tratamento para o problema.
Na entrada da mostra, aberta até 12 de julho de 2012, o visitante encontra uma sala na penumbra com 12 mil livros amontoados em estantes, simbolizando a quantidade de dados que cada habitante da Terra recebe diariamente.
"Em princípio, a comunicação é algo importante, algo prazeroso, mas atualmente há um excesso de informação", explicou a diretora do Museu da Comunicação, Jacqueline Strauss.
"É como a alimentação. Podemos comer demais, comer sempre o mesmo (...), isso faz mal, mas se temos uma alimentação equilibrada, é algo prazeroso", argumentou.
Segundo especialistas da Universidade de Berna que participaram da exposição, um ser humano consegue ler no máximo 350 páginas por dia caso se dedique exclusivamente a isso durante todo o dia.
Mas o volume de informação que atualmente cada pessoa recebe, por internet, e-mail, telefone, imprensa, rádio e televisão representa 7.355 gigas, o equivalente a bilhões de livros.
Diante desse fluxo de informação, "algumas pessoas adoecem" e podem chegar a padecer de um mal que a psicologia conhece como síndrome de "burnout", afirmou Strauss.
Por esse motivo, foi criada uma "clínica" na exposição, para que o visitante se conscientize do problema.
Em um aparelho de televisão instalado na entrada da clínica, uma voz feminina diz: "a publicidade invade nossas caixas de correio, os 'spams' obstruem nosso e-mail, a TV a cabo nos oferece 200 canais de televisão".
"Você está estressado, sobrecarregado, esgotado?", pergunta ela.
Se o visitante responder afirmativamente, é convidado a seguir para uma "sala de check-up", onde responderá a um questionário que determinará seu Índice Pessoal de Comunicação (IPC).
Com esse índice em mãos, o visitante inicia um percurso, orientado por uma dezena de "preparadores" que indicam que porta deve abrir. A verde é indicada para quem não tem problemas. A amarela, para aqueles que sofrem de alguns males causados pelo fluxo de informação e dá acesso a espaços de aconselhamento onde, por exemplo, se ensina a selecionar as mensagens recebidas por e-mail.
Para os realmente "doentes" há dois tipos de tratamento intensivo: uma porta vermelha leva a uma "sala de meditação", onde o visitante se acomoda em almofadas pretas, uma luz vermelha o obriga a fechar os olhos e uma voz feminina o convida a relaxar.
já uma sala laranja simula um passeio pela natureza, com paredes de madeira e chão de pedras. O visitante também pode ouvir o barulho de um riacho ou o canto de pássaros.
Ao final do percurso, uma máquina entrega ao visitante um medicamento, a "Comucaína", cujo prospecto resume os principais conselhos dados na exposição.
Para os mais intoxicados, a clínica oferece um serviço online, disponível na página www.facebook.com/svanbelkom.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Novo conto: A benção da morte



Eu sei que ela existe. Não do modo como as pessoas pensam. Não a mitológica figura com a foice e sua capa negra, ceifando vidas e conduzindo os mortos ao limbo. Definitivamente, ela existe. E para ser mais sincero, acho que a palavra “ela”, não se aplica. Não há sexo entre os anjos. Com certeza não há.
Desde pequeno eu persigo a oportunidade de vê-la. Minha avó sempre dizia que aqueles que viam a morte frente a frente estavam destinados a receber seu abraço e, com isso, findar sua existência. Porém, o que mais me chamava a atenção era que, segundo as lendas, o homem que a visse ceifando uma vida, no exato momento do toque fatal, receberia o dom da imortalidade. Seria como se a morte se tornasse o seu anjo da guarda, impedindo o mal de se aproximar de você. Interessante, não?
Assim, movido por esse desejo, tornei-me repórter fotográfico de um grande jornal do Rio de Janeiro. Dizer que já presenciei inúmeras mortes, como profissional, torna-se irrelevante, já que sou repórter policial. Retratar a desgraça e a morte é meu passatempo. Não é um obrigação... é um prazer.
Anos se passaram desde meu início como fotógrafo. Sempre busquei estar nos lugares onde o caos reinava. Neles, eu teria a oportunidade buscada desde menino. A oportunidade de encarar a morte nos olhos. A chance de encarar o anjo da morte no instante em que cumpre sua missão. Não havia outro meio de me tornar imortal... e meu tempo estava passando. A cada novo dia, o abraço se aproxima. O beijo da morte se torna mais tangível.
Eu não quero morrer...
Foi em uma manhã de quinta-feira em que encontrei o prêmio máximo.
Fui convocado para fotografar o incêndio de um grande prédio. As chamas estavam desde o 22º andar até o 30º, restando apenas mais dois andares como local de segurança para as pessoas acuadas. Já haviam relatado 21 suicídios de pessoas que pularam com medo das chamas. Era uma verdadeira tragédia. Era a minha oportunidade, a minha grande chance.
Cheguei ao local com um frio na barriga.
Uma sensação de êxtase, de ansiedade. Eu sabia que algo de bom iria acontecer comigo. Havia certeza de sucesso no ar.
Com a máquina fotográfica em mãos, iniciei minha seqüência de fotos. Eu conseguia captar as faces horrorizadas das pessoas nas janelas, acuadas pela fumaça e pelo fogo. Com o zoom da máquina, eu podia ver suas expressões de dor. “A fumaça traz tanto calor quanto o fogo”, comentou um bombeiro próximo a mim.
De uma das janelas, uma mulher gritava. Aproximei seu rosto e fui tomado pelo horror quando vi sua face direita tomada por bolhas. As queimaduras estavam provocando uma dor inimaginável nela. As lágrimas eram sua única forma de refrescar o ardor das chamas.
Não tirei mais o foco dela. Algo me dizia que ali estava para acontecer algo surpreendente. Ali estava minha oportunidade.
E eu estava certo...
No momento em que a mulher não mais suportou o calor, ela se desprendeu do beiral da janela. Eu e centenas de pessoas paralisamos os batimentos cardíacos enquanto o corpo caia. Era possível ver as chamas na saia da mulher.
O tempo decorrido até ela atingir o chão foi de poucos segundo, mas a sensação era de que horas estavam se passando até o impacto. Durante a queda, com a câmera, fui acompanhando e fotografando cada instante. Seis fotos eram batidas por segundo, lotando o cartão de memória. Em um destes instantes, antes do choque, eu vislumbrei. Meus olhos não acreditaram no que viam. Uma criatura caía junto à mulher. E antes dela bater, as mãos desta criatura tocaram o peito da suicida. Naquele instante, eu sabia que ela já estava morta. Naquele instante eu encarei a profundidade do olhar da morte durante a concretização de sua tarefa na Terra. Naquele instante eu ganhei o dom da imortalidade, há tanto tempo buscado.
A par do que aconteceu, o anjo da morte se aproxima de mim. Eu recuo, olhando assustado para o lado e constatando, infelizmente, que os outros não viam aquela cena assustadora. Tropecei e cai de costas. Minhas mãos tremiam e a câmera jazia no chão, com a lente partida. As pessoas olhavam para mim sem entender o que ocorria.
Tomado pelo medo, fechei os olhos, esperando o meu fim. Mas a única coisa que ocorreu foi um sussurro. Uma voz sepulcral ditou as seguintes palavras para mim: “agora que tem o que tanto desejou, espero que não se arrependa. Viva com sabedoria, mas jamais implore minha chegada. Ela não virá”.
E desmaiei...
Despertei em um leito de hospital. Meu quadro, segundo o médico, era estável. Aparentemente, eu havia tido uma parada respiratória. Mas o problema foi contornado com eficiência. Nenhuma seqüela. Nenhum problema adicional.
Sai algumas horas após. E, deste dia em diante, nada mais me afetou.
Escapei de acidentes incríveis, totalmente ileso. Nunca mais peguei sequer um resfriado. Eu era praticamente indestrutível.
Tomado por essa consciência, resolvi aproveitar meu tempo para viajar e conhecer novas culturas e povos. Eu tinha sede de registrar o mundo através de minha lente. Eu queria adquirir conhecimento, pois tinha tempo mais do que suficiente para tal empreitada.
E assim fiz. Rodei o mundo. Conheci pessoas que jamais sonhei. Vi coisas que a maioria da população do mundo nunca verá. E, desta forma, mais dez anos se passaram.
Eu não sei bem o que aconteceu. Mas a verdade é que numa manhã de domingo, após passar a noite inteira nas ruas francesas, despertei e me deparei com uma verdade: eu estava envelhecendo.
Minha mente girou e senti os olhos tremerem nas órbitas. Algo estava muito errado. Como seria possível envelhecer se eu era imortal? Eu cheguei a pensar que estava tendo ilusões, mas havia fios brancos em minha cabeça e as rugas já ganhavam seus contornos. Realmente estava envelhecendo.
Mas o que teria me cegado durante este tempo todo para que eu não percebesse? Será que eu estava tão entorpecido pela ganância de conhecimento a ponto de não perceber o tempo?
Olhei novamente para o espelho e, involuntariamente, ergui o braço e soquei o vidro, quebrando-o. Apenas um pequeno filete de sangue desceu pela minha mão. Nada mais.
Horas mais tarde, em uma pequena praça, parei para pensar no que estava acontecendo. Será que fui enganado pela morte e eu iria morrer como todos os outros?
Senti minha os cabelos na nuca se eriçarem quando uma voz soou bem atrás de mim, dizendo: “Eu não minto... mas você deveria ter lido as entrelinhas do contrato, humano. Acaso lhe prometi juventude eterna?”. E a voz se foi com um sonoro riso.
E por longos anos este riso ecoou dentro de mim.
Hoje, mais de setenta anos após, ainda me encontro vivo. Angariei uma enorme fortuna. Eu tive tempo para isso. E é graças a esta fortuna, que me mantenho protegido.
Hoje, estou em um leito hospitalar. Não me restam forças e uma equipe médica toma conta de mim. Não tive coragem de ter filhos. Eu não suportaria vê-los definhar enquanto o tempo não daria cabo de minha vida. Seria dor demais para uma só pessoa.
Estou com o corpo frágil. Velho, não posso mais gerenciar minha própria vida. Estou confinado a uma cama. E nela, todos os dias eu clamo por piedade. Todos os dias eu chamo pelo anjo da morte... peço que me silencie e me dê descanso. Tudo em vão.
Várias tentativas de eutanásia foram realizadas sem sucesso. Eu não tenho permissão para morrer, porém não posso viver neste corpo vegetativo. Meus ossos são frágeis, minha língua mal sente os sabores. Meus dentes há muito se foram. Sou um velho senil, à beira da morte... a mesma morte que me rejeita. Meu único amor se foi há longa data. Em meus braços eu vi o anjo tocá-la e partir com sua alma. Mas porquê ele não foi piedoso e me levou junto???
Com lágrimas, tento mover os ombros, mas sou tomado pela dor. Com lágrimas, a consciência dos anos que ainda virão me atormentam. Gostaria de poder voltar no tempo e corrigir o maior erro de minha vida: a vontade de prolongá-la indefinidamente.
Eu quero apenas morrer...

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