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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Novo conto: A pedra.


Por: Franz Lima.

Quase nove da noite. O tempo está frio de novo. De novo também estou sem agasalho.
As pernas doem. Passei o dia catando sucatas. Só comi uma coxinha e bebi água. Nada mais.
Cheguei cedo ao beco. Cumprimentei uns conhecidos e me sentei no lugar de sempre. Há regras aqui e uma delas é muito respeitada: o lugar onde alguém vai fumar, depois de marcado, não pode ser tomado.
Já deve ter uns oito meses que estou nessa. Não vou culpar a pobreza ou a família que não me ama. Nunca fui pobre e amor não faltou. Mas o pó já não bastava. A pedra era a única coisa que me dava onda. Então, um dia, eu me dei conta de que havia abandonado tudo. Foda-se tudo. Só fumar me interessava.
Sei onde minha família está. Já passei em frente da casa umas dez vezes, de madrugada, só para ver se a coragem de voltar batia, mas a vergonha sempre foi maior. Eu decepcionei tudo e todos.
Uma garoa bem fina começa. O frio aumenta e dá pra ver os cachimbos sendo acesos. Algumas pedras para dormir e sonhar.
Meu amigo mais chegado apareceu. Está muito mais magro que eu. A fome estampada nos olhos. Mas, como já disse, fumar é prioridade.
Acendemos juntos. Isso é o mais próximo de amizade que me restou.
Alguns passam na nossa frente e olham. Eles querem fumar, porém terão que batalhar a grana pra isso. Uns roubam nas redondezas, outros matam. Tudo é questão do nível do vício. Eu, confesso, só roubei uma vez.
Dou a primeira tragada e a onda me arrasta para um lugar mais calmo. A fome e a vergonha somem por breves momentos. Não vejo mais meu amigo, apesar de saber que ele também embarcou.
A luz do cachimbo ilumina meu rosto. A alma continua escura.
O resto aconteceu muito rápido. Um cara chegou e tentou tomar as pedras que não usei. Eu resisti, mas algo furou minha barriga. A dor é breve. Olho para o lado e meu amigo está morto. Os outros não fazem nada para nos ajudar. Os ladrões são rápidos e covardes. Péssima decisão a nossa de ficar no canto mais isolado. Péssima decisão.
Olhei para a camisa e percebi a mancha vermelha aumentando. Mijei de medo. Nestes rápidos minutos, mesmo tão perto da morte, percebi que as luzes dos cachimbos continuavam a oscilar, iluminando as faces dos desesperados. Ainda assim, lamentei não poder dar mais uma tragada.
Logo, todas as luzes cessaram.

Acordei com a chuva no rosto. O frio estava muito mais forte e eu tremia. Não olhei para baixo por longos segundos. O furo seria muito grande? Não sentia as pernas. Olhei e não havia buraco ou sangue. Então, percebi que algo estava em cima da minha mão. Olhei para o lado e vi meu amigo, realmente morto. A barriga cortada e sem suas coisas, assim como eu. Fomos roubados e, por algum motivo, me pouparam.
Afastei minha mão da dele. O frio do seu corpo era maior que o da chuva.
Levantei e olhei ao redor. Desolação e sujeira sem fim. A morte me visitara.
As mãos tremeram e uma tontura forte me atingiu. Vomitei. Melhorei.
Meu amigo estava no chão e, enfim, em paz.
Saí do beco e andei sem rumo. Fui poupado da morte, porém vivi cada segundo da agonia dele. Eu vivi sua partida, talvez quando em desespero ele agarrou minha mão.
Caí numa calçada e lá chorei por tudo que perdi. Chorei pela família, por meu amigo assassinado a troco de nada, por minha dignidade e o futuro abandonados.
Será que ainda haveria esperança?
Caminhei bastante, mesmo fraco e com fome. Parei em frente a uma porta branca e lá fiquei por longos minutos. Adormeci.
Uma mão me tocou e despertei com medo. Será que os assassinos voltaram?

Ouvi uma voz suave e a reconheci na hora. Acima de mim, olhando para meus olhos, estava minha mãe. Ela tinha no rosto a expressão de quem não acreditava no que via. A dó estava entranhada em cada centímetro de sua face.
O que fez a você? - ela sussurrou.
Suas mãos tocaram meu rosto e removeram uma parte da sujeira. Eu chorei e me senti algo desprezível. Ela, contudo, só sentia pena, pois as mães sempre sentirão compaixão por seus filhos.
Sem que precisássemos dizer uma única palavra a mais, ela me ajudou a levantar e me pôs para dentro da casa. Muito havia para ser dito. Muito havia para ser consertado. 
Nos braços dela, finalmente protegido, lamentei a morte do único amigo que tive naquele inferno. Sua jornada havia acabado, mas a minha apenas começara. Seria um longo e tortuoso caminho para sair do vício. Eu agradeci por mais esta oportunidade. E eu não retornaria ao valão de onde vim, isso era uma promessa...

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domingo, 25 de maio de 2014

Como funciona o cigarro eletrônico. Via O Globo.



Polêmico ou não, o fato é que o dispositivo está diminuindo o número de usuários dos cigarros comuns que, invariavelmente, possuem um nível de nicotina muito maior. A Anvisa está correta ao proibir essa alternativa no Brasil?

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Fumar é tão bom... para quem vende o cigarro.



Fonte das fotos: Daily Mail

Sabemos que fumar pode causar câncer de pulmão, mas você sabia que também pode desencadear o processo de surgimento dos cabelos brancos nas mulheres, crescimento dos pelos faciais e, nos homens, a densidade do esperma é menor, ocorrendo ainda uma diminuição da mobilidade dos espermatozóides?
Numa tentativa de desestimular o uso do tabaco, médicos finlandeses criaram um site - Tobacco Body - onde os malefícios deste hábito são evidenciados. O site foi criado em conjunto com a Sociedade do Câncer da Finlândia.
Acessem o site e vejam quantos prejuízos o cigarro pode trazer.

Mas muito ainda pode ser dito contra esse mal que é considerado status. O uso contínuo do cigarro acarreta câncer, perda do apetite sexual, coágulos sanguíneos, ganho de peso, envelhecimento precoce, mudança da cor natural das unhas, um mal hálito demoníaco, maior acúmulo de tártaro, além de prejudicar as grávidas e o feto que cresce sob os efeitos de milhares de substâncias químicas presentes no fumo. Para que você tenha uma breve ideia do poder destrutivo do cigarro, basta pegar o filtro usado de um deles, remover o papel que o envolve e colocá-lo na palma de sua mão. Em seguida, pingue duas ou três gotas de acetona e misture. O resultado? Uma fina película plástica que adere - e muito - à pele. Essa película é fruto da decomposição do filtro pela acetona, mas que também ocorre quando submetido ao calor. Lembra-se que o filtro recebe todo o calor do cigarro aceso quando este é tragado? Lembra-se, ainda, que há acetona na composição do cigarro? Juntando a acetona e o calor ao filtro, acrescidos da "suave" tragada, teremos uma película plástica enviada diretamente ao pulmão. 

Não se acanhe em ofender um fumante ao falar sobre o mal do cigarrinho dele. Tenha certeza que será infinitamente melhor que visitá-lo no leito de um hospital, à beira da morte por câncer. E, antes que eu me esqueça, obrigado pelo aumento do preço deste produto tão maléfico, mas acho que ainda pode subir mais, já que muita gente deixou de fumar após perder seu poder de compra...




sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Nyaope, a nova droga africana, é a comprovação de que o vício pode ser fatal.



Texto: Franz Lima

Uma droga com potencial destrutivo gigantesco, poder de viciar muito maior que a heroína e a maconha, além de efeitos alucinógenos capazes de fazer um ser humano se equiparar a um zumbi é a nova praga que infesta a África. Chamada de Nyaope, a droga é uma mistura de heroína, maconha, veneno para ratos e até resquícios de remédios para portadores de HIV. 
Essa nova droga ainda não foi classificada como substância ilegal pelas agências de saúde africanas, fato que dificulta o trabalho das autoridades para combater o tráfico e a propagação da mesma. Logo, ver pessoas se dopando em plena rua não é uma cena incomum. Tal como acontece com um domador que menospreza o poder de destruição do leão, os usuários de Nyaope iniciam o consumo com a crença de que podem sair a qualquer momento, mas isso é um engano fatal. O composto tem índice de dependência incomensurável. Usuários sofrem sequelas e ficam à beira do abismo por conta do vício. Não é difícil encontrar famílias que já sofrem em larga escala por causa de parentes que não mais conseguem controlar o vício. Mesmo relativamente barata, chegará uma hora onde o dinheiro acabará e, infelizmente, o viciado não medirá esforços para obter a droga. 

"Eu preciso fumar esta coisa. É nosso remédio. Não podemos viver sem. Se eu não fumar, fico doente", diz outro usuário, que prefere não dar seu nome, entre baforadas da droga.
Para piorar a situação que já é gravíssima, o Governo promete estabelecer Centros de Recuperação que, infelizmente, irão de encontro ao crescente número de usuários. Tal como zumbis, os viciados em Nyaope e outras drogas similares surgem quase em progressão geométrica. Assim, combinando o rápido crescimento de usuários com o marasmo político, temos perspectivas mais do que preocupantes.



O que fica de lição com essa alarmante notícia? Não há ser humano capaz de resistir ao vício, principalmente quando temos novas e mais potentes drogas, destinadas a aprisionar o usuário e, aos poucos, matá-lo. A melhor forma de combater esse tipo de mal é distanciar-se dele e aproximar-se dos que são dependentes. Vidas precisam ser removidas deste verdadeiro abismo antes que não haja mais volta.

Maiores informações: G1 via BBC

domingo, 19 de maio de 2013

O cigarro e seus malefícios evidenciados em propagandas.


Quando as imagens realmente valem por mil palavras...

Com cigarro, tudo vira cinza



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Batman e Drácula: 20 anos de uma ótima minissérie.



Por: Franz Lima

Atualmente existem dois indivíduos que estão vinculados à imagem do morcego e são mundialmente conhecidos: Drácula e Batman. Criados respectivamente por Bram Stoker e Bob Kane, eles existem há muitos anos, porém em "realidades" diferentes. Além disso, Drácula é a antítese do Batman: ele mata sem piedade, é cruel e imortal.
Entretanto, mesmo tão diferentes e de mídias também distintas (o vampiro é oriundo da literatura), não havia impedimentos para a junção, o encontro entre os dois ícones (o hoje popular crossover), porém em 1992, ano de lançamento da minissérie, essa "união" ficou conhecida como uma das mais sombrias HQ da época.
E quais seriam os diferenciais?
Cito, para começar, o ótimo roteiro de Doug Moench que somado aos desenhos de Kelley Jones (consagrou-se com Hellboy) e as cores de Malcom Jones III e Les Dorscheid, geraram a melhor história do Batman do gênero (terror).
Para esclarecer melhor, vamos ao que se passa na minissérie.
Batman vive na querida e doentia Gotham. Não há indícios dos vilões clássicos, apenas ladrões, arruaceiros, prostitutas, bêbados e mendigos (esqueçam o politicamente correto 'moradores de rua') que usam drogas quase como alimento. Em uma nítida crítica ao descaso das autoridades por esses "indigentes", a trama evolui mostrando o assassinato dos marginalizados acima citados. Porém, por serem de uma parcela miserável da população, tais mortes são investigadas com lentidão, sob sigilo, para evitar o pânico e a queda da popularidade do Prefeito. Sob ordens restritas, pouco resta ao Comissário Gordon fazer.
É no meio desse jogo político que está o Homem Morcego. Sem o jugo da ganância eleitoral e da hierarquia, Batman passa a investigar tais crimes. 
com o decorrer da investigação, uma conclusão é obtida: o número de mortos é muito, muito maior. Também constata-se outro fato importante que é a presença de um matador que antes só habitava os livros, um predador que saiu da mente de um escritor para a vida real. 
No meio desse conflito mental, Batman depara-se com o imortal Drácula e as consequências são terríveis. 
Com um inesperado apoio, vital para não só combater o Mal que ganha vulto, como também para mantê-lo vivo, Bruce Wayne opta por uma nova abordagem, pois sua vida também está mudando radicalmente.
O restante das revistas mostra um vampiro lendário que sobre as sequelas do vício daqueles que ele considera alimento. É aqui que Doug Moench aborda - com maestria - o problema das drogas. Elas afetam não são os usuários. Afetam todos que estão ao redor de quem vive esse vício... inclusive o próprio Drácula.
A arte, as cores e o roteiro contribuem para uma épica conclusão onde todos os temas polêmicos abordados durante a obra mostram suas sequelas, seus resultados. Drácula e Batman são lendas em rota de colisão e vale cada segundo aguardado até o impacto. Quem será vivo dessa história é o menos importante. O que conta é "como" sairá...
Garanto que vocês concordarão comigo quando digo que este é o melhor crossover entre um super-herói e o vampiro. Eu comemorei estes 20 anos de publicação da HQ relendo-a... mas sei que logo voltarei a tê-la em mãos.






quarta-feira, 28 de março de 2012

Homem cessa o vício do cigarro e acumula 30 mil reais


Fonte: G1

Um comerciante de Fortaleza decidiu economizar o dinheiro que gastava comprando cigarros para financiar uma rotina  de  esportes  e  vida  saudável.  Nos  últimos  seis  anos,   Nilo  Veloso  disse ter juntado  quase R$ 30.000,00 depositando em um cofre a quantia equivalente a cada carteira de cigarro que deixou de comprar. Antes de largar o cigarro, ele afirma que gastava cerca de R$ 15,00 ao consumir três carteiras por dia.
O dinheiro usado para financiar o vício passou a ser guardado em um cofre, de onde saiu a verba para ajudar na compra de um carro, três notebooks, três câmeras digitais e viagens para Aracaju e Buenos Aires. O comerciante usou o dinheiro também para adquirir duas bicicletas e ter uma vida saudável.”Eu rejuvenesci. Tudo melhorou: a pele, o gosto da água, a qualidade de vida, a convivência”, afirma Veloso.
O personal trainer Rodrigo Veloso, filho do comerciante acompanhou a mudança na rotina pai e sente orgulho da evolução. “Agora, ele tem uma qualidade de vida bem melhor. Ele está fazendo uma atividade física e procurando se alimentar melhor. Isso só traz o melhor para ele e também para os amigos”, diz.
Veloso começou a fumar com 18 anos. Segundo o Ministério da Saúde, 78% da população fumante começa antes dos 20 e, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, 10% das mortes são causadas pelo cigarro. “Fiquei muito orgulhosa quando ele começou a juntar as moedinhas. Ele deu um cofrinho para cada filho e também nos incentivou a ajudar”, explica Nilane Veloso, filha do comerciante.
Sete anos após mudar a rotina, Nilo emagreceu 22kg e diz que consegue percorrer mais de 40 quilômetros nas pedaladas que faz todo domingo com outros ciclistas. Ele continua juntando o dinheiro equivalente às carteiras de cigarro que comprava e pretende usá-lo para fazer outra viagem.

Com base no valor de uma único maço de cigarros a 4 reais - e esse é o consumo diário do fumante - eis suas despesas a longo prazo:
Despesa diária: R$ 4,00
Despesa semanal: R$ 28,00
Despesa mensal: R$ 120,00
Despesa anual: R$ 1.460,00
Agora considere que o fumante fume dois maços ao dia (40 cigarros) e teremos os seguintes resultados:
Despesa diária: R$ 8,00
Despesa semanal: R$ 56,00
Despesa mensal: R$ 240,00
Despesa anual: R$ 2.920,00
Então, que tal parar agora e economizar muito dinheiro, recuperar sua saúde, ficar mais disposto e feliz? Quantas pessoas não gostariam de dispor de 240 reais por mês para investir em livros, ir ao cinema, jogar um game novo ou, simplesmente, investir em algo mais produtivo e interessante que inserir mais de 4000 substâncias tóxicas no próprio organismo? Valorize seu dinheiro e sua vida.
 

 

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