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quarta-feira, 2 de março de 2016

Por que nós mulheres? Texto de Isabela Niella.


Por: Isabela Niella. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo 
 
Eu gostaria de saber o que passa na cabeça dos homens para acreditarem que toda a responsabilidade de manter uma casa, física e economicamente é das mulheres.
Nos dias atuais, vemos cada vez mais mulheres exercendo o papel de chefe da família, mesmo que elas sejam casadas. Se de um lado elas trabalham fora, pagam as contas e ao chegar em casa precisam gerenciar os problemas domésticos, lavar, passar, cozinhar e cuidar da casa e das pessoas de um modo geral, estando cansadas ou não, doentes ou não; do outro lado, os homens... O que eles fazem mesmo?
Eu achava que certas coisas só aconteciam comigo e com isso me culpava por não tomar determinadas atitudes, mas venho percebendo, em conversas com amigas, que não sou a única e que o comportamento masculino mudou radicalmente nos últimos anos. Claro que não posso generalizar, creio que existam homens que são companheiros de suas esposas (só não tenho provas dessa existência), mas se observarmos bem, em sua maioria e de formas variadas, os homens vêm fugindo de suas responsabilidades. Se antigamente ele era o chamado provedor e fazia da mulher sua empregada particular, no qual os papéis estavam bem divididos, hoje em dia com toda essa modernização, com a entrada maciça da mulher no mercado de trabalho, eles resolveram que não precisam fazer mais nada, ou fazer o mínimo possível.
Podem estar dizendo agora: lá vem mais uma feminista! É uma mal amada! Não é isso. Todos sabemos que quando uma equipe trabalha com união e em harmonia todos ganham. Ninguém se sobrecarrega, cada um faz o que lhe cabe, mas tem o discernimento de ajudar o outro se sua tarefa já tiver sido concluída. Se num ambiente de trabalho no qual todos contribuem para o objetivo final da empresa, a sensação de dever cumprido e a satisfação pessoal e profissional é garantida, imagine se o mesmo ocorresse dentro de nossos lares? Imagine um lar no qual todos estão unidos nas melhores e nas piores situações, sem ninguém reclamando de excesso de trabalho ou de estresse. Vivendo em harmonia, paz, comemorando juntos e secando as lágrimas juntos, abraçados e felizes independente dos problemas.
As sociedades são formadas de pequenas células chamadas família que independente de sua constituição (pessoas pertencentes), vão determinar se essa mesma sociedade é saudável ou não. Não há sociedade próspera sem que suas células estejam trabalhando em harmonia. Acredito que a maioria dos problemas atuais, a violência, a corrupção, o adultério, entre outros que degradam tanto a nossa sociedade, advém de células que doentes, expelem indivíduos capazes de desarmonizar e prejudicar o todo.
Mas como ser feliz em família? Não existe uma regra ou uma fórmula para isso, o que podemos fazer é trabalhar em equipe, valorizar mais cada membro da família. E tudo começa quando nos perguntamos: qual o meu papel? Que posso fazer para contribuir? O que eu faço que prejudica ou adoece minha família? Sou egoísta? Sou orgulhoso(a)?
Quando eu passo a me conhecer melhor consigo distinguir os meus equívocos e meus acertos. E não preciso tecer explicações de como tudo passa a funcionar corretamente quando cada um cumpre com suas responsabilidades e todos se ajudam mutuamente.

Por que então somente nós mulheres temos que nos sobrecarregar? Acho que já passou da hora de todos nós adquirirmos a maturidade necessária para tornar saudáveis estas células tão importantes para nossa sociedade. Chegou a vez de crescermos juntos em prol de um bem maior.

domingo, 21 de outubro de 2012

Resenha da Graphic Novel: Os Lobos dentro das paredes, de Neil Gaiman e Dave McKean.


O que vale mais: imagens ou palavras? Para um mestre da escrita como Neil Gaiman, isso seria irrelevante. As palavras dele são pesadas, tem força. Sua narrativa é envolvente em inúmeros tipos de estilos. Ele mostra coerência com o romance, com a literatura infanto-juvenil, quadrinhos e até no cinema. Gaiman é um escritor admirável, considero isso um fato. Porém não há nada tão bom que não possa ser aprimorado. É por isso que ele costuma unir sua força narrativa aos grandes ilustradores. Mesmo em um texto curto e simples - e ainda assim interessantíssimo - Gaiman se destaca e, primorosamente, esse destaque ganha contornos mais interessantes com um ilustrador do porte de Dave McKean. Nessa Graphic Novel, McKean dá traços indefinidos aos personagens humanos e atribui expressões quase humanos a seres inanimados e aos Lobos, talvez buscando evidenciar o quanto somos distantes quando isso convém.
É sobre essa união que irei falar. Gaiman e McKean juntaram forças para criar uma singela e interessante fábula moderna. "Os Lobos dentro das paredes" é uma Graphic Novel cheia de mensagens - visíveis ou não - aos leitores. Não é uma HQ comum, mas se vale desse formato para alertar-nos sobre os problemas de uma vida vazia e do desprezo ao conhecimento das crianças. Sim... elas tem conhecimento.  
Lucy é uma menina que mora com os pais e o irmão. Há indiferença na família, um isolamento não muito incomum em muitos lares. O pai atarefado,  a mãe preocupada e o irmão desinteressado são as pessoas que convivem com a jovem Lucy. Indiferentes ao que ela diz, os familiares não se importam quando a menian afirma que há lobos nas paredes. Ela insite, porém ninguém realmente lhe dá atenção. É nesse cenário que Lucy vive e, para não sofrer,  encontra refúgio em seu porquinho de pelúcia. 
Resumindo, somos apresentados a uma menina que tem família e não os sente presentes. Há um distanciamento incômodo e, infelizmente, comum, uma característica da modernidade que atrai os distantes e afasta os próximos. Geralmente, só um acontecimento muito diferente para trazer de volta a união ao grupo e, nesse caso, a invasão dos Lobos foi esse acontecimento.
Os Lobos sairam das paredes e expulsaram a família de Lucy, amedrontados que estavam. Longe de casa e daquilo que valorizavam, restou-lhes uns aos outros. Contudo, Lucy ficou sem seu porquinho, amigo e confidente, e por ele, ela voltou. A trama mostra invasores muito parecidos com os atingos habitantes da casa, inclusive com relação aos medos, e é isso que será usado como trunfo por Lucy e seus parentes. O confronto entre invasores e fugitivos é inevitável, mas essa não é a parte importante da história. O que, dentro do meu entendimento, é imprescindível,  foi a abordagem das visões equivocadas que temos do desconhecido, do temor pelo diferente, além de um alerta sobre as atuais relações familiares e a perda do amor mútuo em detrimento às obrigações e modernidades que nos são ofertadas. 
Lucy recupera um pouco do amor da família. Eles precisam se unir para combater um inimigo comum,  porém é difícil destruir ou descartar velhos vícios e manias. Nesta fábula fica um lembrete para nós leitores: valorizamos realmente o que precisa do nosso amor? Será que os Lobos precisarão invadir também sua vida para que perceba o que está ao seu redor?


Os Lobos dentro das paredes
Título original: The wolves in the walls
Escrito por Neil Gaiman
Ilustrações por Dave McKean
Editora Rocco- Jovens Leitores
Traduzido por John Lee Murray 
ISBN: 85-325-1992-X
Páginas:
60


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