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sábado, 21 de janeiro de 2017

Lançamento de “Meu menino vadio” no Rio de Janeiro. Uma diferente face do autismo.



Este é um evento imperdível que marca o lançamento do livro "Meu menino vadio", de autoria de Luiz Fernando Vianna. A sinopse do livro é esta: 
O jornalista Luiz Fernando Vianna e seu filho, Henrique, são unha e carne - às vezes unha do filho na carne do pai. Henrique é autista. Pouco fala, mas algumas palavras repete à exaustão. Tem momentos de agressividade contra si mesmo e contra terceiros. Sabe ser irônico. Gosta de desenhos animados e de mergulhar no mar. Como todo adolescente, tem suas curiosidades e seus impulsos, só que sem grande cerimônia. Luiz Fernando decifra os sons que ele emite, seus desejos imediatos e muitos de seus silêncios, no entanto não tem como alcançar o que o filho sente lá no fundo do fundo.
Há quem diga que ter um filho com deficiência é uma benção. Luiz Fernando Vianna discorda. Se fosse mesmo um presente, antes de receber ele diria: "Ah, não precisava." Com toda a franqueza e um pouco de música, o autor conta a sua experiência, cheia de altos e baixos, momentos de ternura e também de desespero ao lado do seu menino vadio.
O lançamento será no dia 02 de fevereiro de 2017 no horário de 19 às 21 horas. O local é a Livraria da Travessa na rua Visconde de Pirajá, 572 - Ipanema - Rio de Janeiro. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Análise: A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras, de Neil Gaiman.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo. #apogeudoabismo

Com texto de Neil Gaiman e ilustrações de Eddie Campbell, este livro - na verdade é um conto ilustrado - veio para reafirmar a excelência e o trabalho de Neil como escritor.
A trama se passa na ilha de Skye, Escócia, em um tempo indeterminado. É a saga de um anão que busca uma caverna e o tesouro que nela há. Mas ela não conseguirá chegar ao seu destino sem o auxílio de alguém que lá esteve antes. Assim, ele contrata Callum MacInnes, um ex-salteador de fronteira (border reaver, em inglês), ex-ladrão e ex-assassino.
Juntos, o anão e Callum partem para uma viagem cheia de perigos, surpresas e até uma advinha. A busca é árdua, mas serve para que os dois se conheçam melhor, fato que não diminui a desconfiança de Callum quanto ao anão.
Há citações embutidas a algumas histórias. A ilha que procuram - onde ficam as montanhas - se move. O barqueiro só os leva a seu destino pelo pagamento de moedas, assim como Caronte na travessia do rio no Inferno. Pequenos detalhes, mas vitais para o engrandecimento da obra.
Algumas "habilidades" do anão são reveladas com o desenrolar do conto. Elas aumenta o desconforto de MacInnes, porém são indispensáveis à sobrevivência de ambos.
Também é revelada uma tragédia que mudou - para sempre - a vida do anão.
Por fim, o conto coloca os passados de ambos em evidência e, já na caverna, sozinhos, o anão precisa tomar as rédeas de seu destino.
Diante de uma verdade revelada fora da caverna (e confirmada dentro dela), o fim da trama mostra o quanto pode ser fria e demorada a vingança, isso sem que o doce sabor dela se perca com os anos passados.
Tal como fez em outros contos ilustrados de sua autoria, Neil nos presenteia com uma verdadeira fábula, onde as lições ficam após o fim da leitura, onde cada imagem feita por Eddie irá também permanecer em suas mentes.
É uma narrativa que precisa ser lida...
P.S.: aproveite para ler a entrevista de Neil Gaiman sobre a obra: A verdade...


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Um conto de Natal do Mickey: os fantasmas de Scrooge. Análise do curta-metragem.



Por: Franz Lima.

Não há época melhor para analisar essa obra. Estamos próximos do Natal, mas é impossível negar que o espírito natalino não está muito em uso... e um curta-metragem como O Natal do Mickey é, definitivamente, uma ferramenta para lembrar o verdadeiro sentido desta data tão especial.

A trama é muito conhecida, baseada no livro de Charles Dickens "Um conto de Natal" publicado em 1843 e adaptado para cinema, teatro, quadrinhos e animação. Seguindo a mesma premissa, Um conto de Natal do Mickey mostra a história de um velho avarento, rico e explorador chamado Ebenezer Scrooge (Tio Patinhas). Scrooge não gosta do Natal e despreza quem goste. Sua única paixão é  o dinheiro. Ainda assim, seu sobrinho tenta trazê-lo para mais perto da família, mas não há nada que comova o coração frio do velho. Nem mesmo o humilde empregado Bob Cratchit consegue diminuir a avareza e ganância presentes na alma do rico negociador. Parece que a magia do Natal não tem forças para mudar o comportamento do malvado Scrooge...


Mas Charles Dickens e seu livro são lidos até os dias atuais não é à toa. A história é mágica, linda e, como não poderia deixar de ser, contém uma lição que ficará nos corações de quem a leu, viu ou ouviu. E essa lição ganha força com as personagens da Disney.

Sendo assim, após dispensar seu empregado para que possa passar o Natal com a família (após descontar no pagamento o período que não trabalhará, Scrooge volta para sua casa. O lugar é tão frio quanto o coração do rico. Ninguém mora com ele, exceto a solidão que ele gerou para si. Então, seu velho e falecido sócio Jacob Marley (Pateta) faz uma visita a ele, anunciando a chegada de três fantasmas. Mesmo diante do sobrenatural, a índole e a descrença de Scrooge não o deixam acreditar. E ele dorme...

Os acontecimentos seguintes mostram as aparições dos três fantasmas: do Natal passado, Natal presente e Natal futuro. Mesmo com o uso de um pouco de humor, ainda assim é possível sentir a tensão por trás da obra original. Dickens escreveu Um conto de Natal para impactar e, também neste curta, podemos sentir o tom sombrio do livro. 


O passado reflete a inocência presente em cada um de nós, enquanto ainda não fomos contaminados pelos anseios e obrigações do cotidiano. O presente é uma forma de lembrar que é preciso atentar para o que realmente é importante. O futuro, mesmo que não concretizado, mostra a morte não só como o fim, mas como a sentença final onde não poderemos mais desfazer os erros. Morrer não é o fim da vida, é o fim das chances de repararmos nossos atos e de reatarmos os laços perdidos com quem amamos.

Diante das verdades inevitáveis, Scrooge muda sua vida e opta por recuperar o tempo perdido, as amizades perdidas e, principalmente, a própria alma, sua humanidade, que estava sendo descartada por causa da cobiça e da corrupção que o dinheiro traz. 

Este curta-metragem de apenas 26 minutos é uma obra-prima, tanto pela animação primorosa (ainda em 2D) como pela adaptação perfeita do livro, dentro da ótica da Disney evidentemente. 

Recomendo a leitura do livro e que vejam esta pequena homenagem da Disney à obra imortal de Dickens. Esta é a época ideal para encararmos nossos próprios fantasmas e, se tudo der certo, abdicar de algumas atitudes e vícios que temos, mesmo inconscientemente. Feliz Natal a todos...

* Após a última imagem, há algumas curiosidades via Wikipedia.
Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

PersonagemEUABRA
Ebenezer ScroogeAlan YoungIsaac Bardavid
Bob CratchitWayne AllwineCleonir dos Santos(VHS)
Sergio Moreno(DVD)
Jacob MarleyHal SmithTelmo de Avellar
Fantasma do Natal Passado(Grilo Falante)Eddie CarrollNelson Batista
Fantasma do Natal Presente(Willie)Will RyanGarcia Neto
Fantasma do Natal Futuro(Bafo-de-onça)Will RyanOrlando Drummond Cardoso
FredClarence NashGarcia Júnior
IsabelPatricia ParrisJuraciara Diácovo
Pequeno TimmyDick BillingsleyJosé Leonardo
Coletores de doaçõesHal SmithSílvio Navas(Rato)
Ionei Silva(Touperia)
CoveirosWayne Allwine
Will Ryan
André Luiz Chapéu(Coveiro 1)
Arnaldo Cazela(Coveiro 2)

Curiosidades

  • Houve outras aparições sem muita importância, como a de Huguinho, Zezinho e Luisinho, Tico e Teco, Vovó Donalda, Gansolino,Clarabela e Horácio (todos durante a visita do Fantasma do Natal Passado), Rato e Toupeira como dois coletores de doações para os pobres e duas das Doninhas como dois coveiros que, durante a ilusão criada pelo Fantasma do Natal Futuro, realizavam o sepultamento de Ebenezer Scrooge.
  • Na versão em DVD do filme, Mickey Mouse foi redublado pelo dublador paulista Sérgio Moreno, substituindo a voz original brasileira feita por Cleonir dos Santos. Foi considerado lastimável e uma total falta de respeito com os fãs do dublador Cleonir dos Santos, pois não redublaram nenhum outro personagem além de Mickey.

sábado, 18 de abril de 2015

Milton Hatoum afirma: um bom escritor não surge só com a leitura de best-sellers


Fonte: Folha de SP. Comentários: Franz Lima
“Ninguém pode se tornar um escritor sem duas coisas: sem experiência de vida e de leitura. Quem lê só best seller e ‘Cinquenta Tons de Cinza’ não pode ser bom escritor”.
A lição é do escritor Milton Hatoum a uma plateia de estudantes municipais em um centro cultural na Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de SP), nesta quinta (16).
No evento do Circuito São Paulo de Cultura, promovido pela prefeitura, o escritor encampou a difícil tarefa de tentar fazer adolescentes entenderem a importância da paciência na arte e na vida.
“O escritor espera o tempo passar para escrever sobre o passado. O romance é a arte da paciência. Você não pode escrever um romance em poucas semanas, poucos meses”, disse ele, que reescreveu seu romance mais conhecido, “Dois Irmãos”, 16 vezes.
Prosador tardio, lembrou ter publicado primeiro romance aos 36 anos, após tentativas de ser poeta (“É muito difícil escrever poesia) e arquiteto (“Fiz poucos projetos, todos desastrados”).
Hatoum contou também a experiência como aluno de outra escola pública, melhor e que reunia todas as classes sociais. “Esse projeto foi interrompido na época da ditadura”, diz.
Em bate-papo informal, respondeu perguntas sobre bullying, vaidade, inspiração e aposentadoria. “Não sei até quando vou ter fôlego para escrever. Estou escrevendo um romance (em dois volumes) há cinco anos”, disse. “Talvez depois desses dois eu não escreva mais nada.”
Na abertura, o prefeito Fernando Haddad (PT) aconselhou os jovens a lembrarem da conversa no futuro, quando tiverem contato com a obra do autor. Foi embora logo em seguida, deixando na plateia alguns secretários municipais, como o ex-senador Eduardo Suplicy (Direitos Humanos) e Nabil Bonduki (Cultura).
Franz diz: a escrita de Hatoum é muito elogiada no mercado. Conheci seu trabalho através do Thiago Cabello, host do extinto podcast Papo na Estante, no ONE. 
A afirmação do autor não me surpreende. É impossível ganhar experiência como escritor sem dois pontos primordiais: a leitura de livros variados (gênero e autores diversos) e a escrita contínua. Escrever bem é fruto de continuidade e acúmulo de experiências. Quando um autor (ou mesmo um leitor) fixa seu foco naquilo que a moda (best-sellers) dita, ele acaba criando para si um corredor muito estreito, pois os livros mais vendidos não são, obrigatoriamente, os melhores. Modismos passam e as vendas despencam cedo ou tarde, porém só os ótimos livros permanecem e persistem através dos anos.
Mesmo escrevendo há anos, aprendo a cada novo livro lido. É preciso aprimorar constantemente e isso só ocorre quando transitamos em todas as áreas literárias, inclusive aquelas que não são as que mais amamos. Sair da zona de conforto também irá acrescentar conteúdo, seja você leitor ou escritor.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Pó.



Por: Franz Lima.

Voltando no tempo e refletindo sobre atos e consequências, finalmente vejo o que desperdicei. 
Usufrui da juventude e de suas atitudes irrefreáveis. Escalei montanhas e ao chegar ao topo de cada uma delas, percebi que o intuito era unicamente demonstrar força. Lutar contra a altitude não era uma meta, mas demonstrar a outros que disso eu era capaz, isso sim me dava prazer.
Ascendi e deixei muitos para trás. Pessoas que estavam ao alcance de minhas mãos foram descartadas. Sentimentos foram simulados para ter a carne que desejei. 
E assim, cruel e egoísta, passei longos anos a caminhar entre vocês.
Mas a morte não faz diferenciação. Ricos, saudáveis, jovens ou velhos. Não importa. Cedo ou tarde todos nós seremos chamados aos braços do Anjo da Morte. Todos teremos nosso momento único ao lado dela, porém esse momento pode ser prolongado e, conforme seu merecimento, com muito sofrimento e dor.
Hoje, retornarei ao pó de onde vim. Porém é válido dizer que esse retorno será pleno de angústia, solidão e agonia. Tudo que fiz para aqueles cujo desprezo e ódio dediquei minha vida, finalmente terá a justiça feita.
Estou ferido, humilhado e fui jogado junto a outros. Todos somos essencialmente maus e, agora, nada mais nos resta. O som do registro de gás sendo aberto me assusta. Sei o que me aguarda, mas isso em nada diminui minha dor.
O fogo nos abraça. Estou vivo o suficiente para sentir a pele encolher e os nervos perderem, lentamente, a sensibilidade. É hora de retornar ao pó...

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Uma animação para emocionar pais e filhos: O Farol. Obra de Po Chou Chi



Texto: Franz Lima.

Lighthouse (O Farol) é uma animação de 2010, produzida por Po Chou Chi e com composições de Chien Yu Huang que conta a história de um pai e seu filho. Moradores de um farol, os dois vivem um intenso relacionamento que mostra o quanto é importante a presença de um pai na vida de seu descendente. Com lições intensas, o pai demonstra um amor grande e puro por seu pequenino, mas isso não o impede de preparar o filho para vida fora do farol (ou da proteção que ele oferece). 
As cenas são de uma beleza ímpar, simples e tocantes. O menino cresce e a cada nova mudança também modifica o tamanho da embarcação que usa para ir a outros lugares. Há uma mensagem intrínseca nessa evolução e a passagem dos anos mostra que a evolução do menino corresponde à involução (envelhecimento) do pai.
A distância provocada pelas constantes e cada vez mais longas viagens do filho dão uma clara ideia de que devemos nos preparar para um afastamento - involuntário, porém inevitável - de nossa prole. 
Vejam essa obra-prima e deleitem-se com o lirismo presente em um trabalho indispensável para todas as idades. 
E que o ciclo da vida não dê continuidade...



sábado, 26 de outubro de 2013

Mais um conto de terror. Leia, se for capaz.... 'A Cobrança. '




Eu vivi por alguns anos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, com uma família muito boa. Sou de São Paulo e vim para o RJ em função da morte de meus pais. Destino...
         Nesta família todos eram unidos, independente dos problemas (que não eram poucos) e levávamos uma vida bem comum.
Eu, como membro mais novo da família, dividia o quarto com o filho mais velho deles, sem tumultos, por mais difícil que possa parecer.
Nesta casa havia uma senhora bastante idosa, talvez com mais de 80 anos, se não me engano. Era uma mulher doce e extremamente protetora. Também gostava demais de seu pequeno quarto onde guardava todos os seus poucos pertences, na maioria lembranças de épocas passadas.
Contudo, o tempo não poupa bons ou ruins. Todos cedem ao seu peso. E com ela não foi diferente.
Numa manhã chuvosa, encontramos seu corpo já frio. Ela havia falecido durante o sono.

Houve comoção por parte de todos e o velório e o enterro mostraram o quanto ela era querida.
Quando regressamos do velório, o chefe da família se dirigiu a mim e disse:
- Agora que ela se foi, teremos que deixar o quarto vago, retirar suas coisas e doar o que não nos tiver utilidade. A partir de hoje, você dormirá no quarto dela que, aliás, será seu para lhe dar mais conforto e ao meu filho. Cada qual no seu quarto, que tal?
Pensei em dizer que não achava muito legal, mas não o disse por acreditar que ele queria apenas o meu bem. Concordei com uma certa relutância...
Anoiteceu e, ainda abatidos pela morte, pouco conversamos. O jantar foi envolto pelo silencio, apenas interrompido pelos prantos da dona da casa. Prantos silenciosos, abafados pela vergonha que sentimos ao chorar...
Nos despedimos e cada um foi para seu quarto, desejosos de que o novo dia revelasse que aquilo era apenas um pesadelo e a velhinha estaria ali, a passos lentos e firmes. Desejos... quem pode atendê-los?
Fui para o quarto. O cheiro dela estava impregnado em cada átomo daquele lugar. Suas fotos, seus perfumes, a Bíblia lida com dificuldade, suas anotações, enfim. Abri o guarda-roupa e vi suas vestes. Vestidos, nem uma calça sequer, revelando o apego aos velhos costumes. Seus sapatos eram extremamente pequenos, capazes de indicar aos que não a conheciam, seu verdadeiro tamanho.
Não havia uma TV. Ela só tinha um velho rádio (Philco-Ford) onde sempre ouvia as orações católicas por volta das 05:00 da manhã. Hábitos: todos somos dominados por eles, concluí.
Revirei mais algumas coisas. Não estava muito confortável com o que fazia, porém não estava com sono e nada mais me restava a fazer. Distraindo-me, eu iria cansar e, logo, dormir, pensei.
E o mais incrível é como um quarto tão pequeno podia compartimentar tanta história. Ela tinha diários, álbuns de fotos e uma notável coleção de cartões postais. Tudo muito antigo, denotando seu desligamento com os dias atuais. É algo, creio, muito comum aos idosos: eles se prendem ao passado (apagando tudo de ruim que aconteceu) e nele passam a viver todos os dias que lhes restam. Pura nostalgia.
E foi assim que, olhando uma vida que se fora, adormeci...
Minha cama estava mais macia do que quando deitei. Era como se ela fosse um colchão d´água, onde meu corpo oscilava, embalando ainda mais meu sono. Porém, eu não estava mais dormindo. A sensação de paz era total e minha respiração suave me fazia sentir um conforto muito grande.
Levantei e olhei ao redor; não reconheci onde estava. O lugar era muito grande e o céu tinha cores mudando constantemente. O interessante, o mais interessante para ser mais específico, era a ausência total de som. Aquela sensação de pressão no ouvido que só o silêncio total traz. Fiquei surpreso com isto, já que havia vento no lugar, pássaros voando. Por que não havia som? Meus próprios passos não produziam qualquer barulho.
Andei e fui tentar descobrir onde estava. O lugar também sofria mutações, mas sempre me trazia a sensação de ser um lugar muito, muito antigo, fora da minha realidade. Eu estava dentro de um passado que não me pertencia. Algo não vivenciado por mim e, por isto, me senti como se estivesse violando a privacidade de alguém.
Afinal, onde eu estava??? E o que era mais importante, o que me mantinha ali?
Desnorteado, busquei uma fuga de lá. Vi uma casa bem pequena, um tanto quanto distante, porém passava segurança. Andei muito. Contudo, quanto mais eu andava, mais distante a casa ficava. Era como se ela não me quisesse próximo. Uma repulsa, talvez.
E apesar de tanto andar, reparei que não havia suor em meu rosto, mesmo com tanto esforço. Qual o motivo nunca soube dizer.
Parei e apoiei as mãos nos joelhos. Já estava cansado e à beira do desânimo.
        Abaixei a cabeça e olhei para o chão. Respirei fundo e quando voltei o olhar para a casa distante, recuei atônito. Ela estava bem à minha frente. Louco, estou ficando completamente louco, refleti.
Ah, mas seria bem melhor a loucura do que aquilo que eu estava vivendo. Meus tímpanos doíam de tanto silêncio e meu coração batia com tanta força provocando dores em meu peito. Eu já conhecia esta situação: medo, o terror que só o desconhecido pode nos impôr. Era por isso que eu suava sem parar, mais temor do que esforço, conclui.
        Subi os três degraus que levavam até a pequena varanda da casa. Seus tijolos estavam já desbotados, mostrando palidamente sua cor vermelha. Toquei a maçaneta e a forcei para baixo, provocando um estalo que indicava a abertura da porta. Empurrei-a para frente e não pude ver nada. Lá dentro, a escuridão tomava conta e, receoso, adentrei lentamente, esperando meus olhos se adaptarem às trevas.
Uma coisa me alertou... o cheiro de perfume, um perfume que não me era desconhecido, sem que isso implicasse em lembrar qual era. Qual o motivo para ficar tão tenso não soube dizer.
Fiquei preocupado com uma daquelas cenas de filmes de terror e olhei para trás. A porta não se fechou sozinha rangendo, como eu esperava. Tudo estava normal, dentro do possível.
Não havia muitos cômodos na casa. Eram quatro pelo que pude constatar: uma sala, um quarto, uma cozinha e um banheiro. Todos eram muito pequenos. Conclui que ou a pessoa que morava lá era muito humilde ou pequena, quem saberia dizer?
As luzes não funcionavam e a luz do lado de fora não tinha poder para iluminar sequer o batente da porta de entrada. Era como se a casa não aceitasse ser clareada, como se ela estivesse bem nas sombras, tal qual uma pessoa que se tranca em um quarto escuro, após tomar uma Aspirina para passar sua dor de cabeça.
Havia algo nas trevas que me atraia. Não era uma coisa má, mas a tensão ampliava. Parei em frente ao quarto e vi (ainda que com dificuldade) o que lá havia. Pouco para ser sincero. Cama, um guarda roupa, uma cômoda e um espelho. No chão, um balde bem raso, talvez usado para urinar, deduzi. Entrei e tentei achar uma vela ou alguma outra coisa capaz de iluminar. Parei diante da cômoda e abri uma de sua gavetas. Havia fotos. Forcei a visão para tentar ver quem eram as pessoas das fotos e, apesar do esforço, não pude distingui-las. Suas roupas, entretanto, eram muito antigas. Roupas do início do século passado. Trajes que denunciavam um pudor excessivo e o rigor típico da época. Guardei-as.
Quando fui abrir a segunda gaveta, ouvi um som bem suave. Levanto a cabeça e meu reflexo não mostra meu rosto. Fico estático aguardando a continuidade do som. Nada... nada mais ouço. Talvez tenha sido apenas minha imaginação.
Então recordo que talvez tudo aquilo seja mesmo minha imaginação. - Não posso estar passando por isto realmente – digo-, como que me alertando.
Decido sair da casa e acabar de uma forma ou de outra esta insanidade. Ao virar, mais um som. Sinto o ar mais frio. Sinto meu sangue mais frio.
O som atrás de mim está mais forte e me esforço para não olhar para trás, ciente de que não pode ser nada de bom.
Algo, repentinamente, toca minha nuca. Sinto o pânico tomar conta sem demonstrar. Minha vontade é correr, mas seja lá o quer for, está em vantagem. Eu não sei o que é, mas sabem quem sou, sem dúvida.
Viro e vejo meu reflexo sombrio novamente. As gavetas da cômoda estão fechadas, mesmo eu tendo plena certeza de tê-las deixado abertas. Movo meu rosto para a direita e tenho a atenção atraída por algo captado por minha visão periférica. Penso ter visto meu reflexo se movido na direção contrária, mas isto é impossível. Tem que ser impossível.
Quando viro os olhos e encaro meu reflexo, ele já não me pertence. Há uma mulher no espelho e olho para trás pensando que ela está realmente atrás de mim. O risinho que ouço confirma meu engano. Pude sentir cada fração da minha coluna doer. Doer pelo mais puro pânico.
O reflexo se move e diz:
- Achou mesmo que iria ficar bisbilhotando minha vida e sair impune? Quem lhe deu permissão? Quem disse que eu quis sair? Responde! Não esconda o rosto, moleque. Sua vergonha não vai diminuir sua afronta.
A voz da mulher era tétrica. Minha visão nublou e cheguei a pensar que iria desmaiar. Enquanto pensava em uma resposta, a mulher gritou, enfurecida:
       - Aqui sempre será meu lar e vou fazer o que for possível para ficar. Ninguém tem o direito de tomá-lo de mim, ninguémmmmmmmm...
Então, ela recua e soca o espelho de dentro para fora, fazendo cacos de vidro atingirem meu rosto. Foi a gota d´água. Corri como jamais fiz em minha vida. E quanto mais corria, mais a casa aumentava. A porta de saída já estava fora do meu alcance quando tropecei.
Levantando, mais movido pela vontade de fugir do que pela agilidade, passei por algo úmido, como se fosse um filete de água. Ou melhor, era algo viscoso, como o rastro que uma lesma deixa ao passar.
Passei as mãos no rosto, sentindo uma repulsa enorme. Meus lábios tocaram a substância e isso foi o suficiente para vomitar. Minha visão nublou e senti vertigem. Fraco, tentei buscar apoio em alguma coisa e acabei caindo. Apoiando o joelho no chão, tentei levantar quando a face da mulher ficou a menos de 10 centímetros da minha. Seu olhar queimava minha pele, não pelo calor, e sim pelo frio. Eu a incomodava e ela não fazia qualquer questão de esconder isso de mim. Vi seus lábios se moverem e, ouvi o seguinte:
- É só isso? – riu. – Pensou mesmo que ia tomar o que é meu e ficar ileso, criança? Sua inocência me comove – disse, passando sua mão fria em meu rosto, deixando o mesmo líquido viscoso pelo qual eu passara.
- Eu sequer sei o motivo de estar aqui, senhora – respondi com uma voz tão baixa que mal pude me ouvir. – Não quero nada da senhora, não vim roubar, juro!
Ela abriu os lábios revelando os poucos dentes. Elevou os olhos nas órbitas, simulando estar pensando. Na verdade, estava me torturando. Eu até pensei em fugir, porém minhas pernas não tinham condições de acompanhar o raciocínio.
Ela suspirou e, com calma, perguntou:
- Não veio me roubar ou tentar me enganar? Não quer absolutamente nada de mim? Diga.
- Verdade, só quero ir embora... por favor.


Um odor pútrido me atingiu em cheio. Era a mulher respirando pela boca. Seu peito arfava enquanto decidia o que fazer comigo. De repente, tocou meu ombro esquerdo e, sem dizer uma palavra, elevou a mão direita. Recebi um golpe duro no peito. A dor foi muito rápida e intensa. Pensei estar tendo um ataque cardíaco. Ledo engano... abaixei o rosto e vi sua mão esmagando ossos e cortando tecidos e órgãos meus. Ela apertou dentro do meu peito e puxou.
Não senti mais nada.
Cai, respirando sangue e tendo espasmos. Meu corpo gelava muito depressa e a sede chegou com força. Eu estava morrendo. Lágrimas escorreram de meus olhos. Lágrimas de dor e temor pela partida. O que fiz? – questionei em pensamentos.
Tudo se turvou e o silêncio, já tão grande, me abraçou.

Despertei. Despertei de um pesadelo como jamais havia tido em toda a minha vida. O medo de que aquilo fosse real estava estampado não só em meu rosto, como no corpo todo. Eu estava suando frio, trêmulo. Sentia os batimentos cardíacos acelerados pelo ocorrido.
Respirei fundo e fui até o interruptor para acender a luz. Para meu azar, a lâmpada estava queimada. Nada de mais, já que a luz da lua iluminava debilmente o quarto. Sentei na cama e fiquei aguardando o sono voltar. Para ser sincero, eu não queria que ele voltasse. Pelo menos não daquele jeito.
Minutos depois eu já estava deitado. Meu olhar encarava o teto, branco, sem nada de atrativo, apenas aquele olhar vazio típico de uma pessoa sonolenta. Eu iria dormir, pensei...
Mal as pálpebras fecharam, senti um movimento estranho. Ainda entorpecido pelo sono, pensei ser apenas mais um sonho e não dei atenção. Eu ia adormecendo quando senti um solavanco. Meus sentidos entraram em sintonia quase que automaticamente. Fiquei alerta. Havia algo de errado. Estaria eu sonhando de novo? - questionei-me.
Quando fui tentar me mover, fui surpreendido por uma paralisia corporal. Não podia mover sequer o pescoço.
Como eu havia deitado de qualquer jeito, embalado pelo sono, estava com o corpo descoberto e, para meu desconforto, o pequeno quarto foi ficando mais e mais frio. De minhas narinas exalava vapor, de tão gélido estava aquele lugar.

Desperto, vi que nada daquilo era imaginação. Eu estava realmente no quarto da velha senhora e, para meu azar, alguma coisa estava redondamente errada. Com um pouco de calma, parei para pensar e, já desconfortável, percebi que desde o primeiro minuto em que entrei ali após a morte dela, algo me incomodava. Ainda que intimamente. Agora, após esta noite, eu só podia chegar à conclusão de que não era bem-vindo. Algo me repudiava. Algo queria me ver longe de lá e, pelo que constatei, estava disposto a fazer qualquer coisa para chegar ao resultado.
Forcei o corpo para a frente, usando o máximo de minhas forças. Não pude levantar pois havia algo me impedindo, como se eu estivesse amarrado. Tentei gritar para chamar a atenção de alguém que viesse me ajudar. Minha voz ecoou dentro de minha mente, mas não ouve sequer um único som saindo de minha boca.
Apertei as mãos, aflito, e cortei as palmas com as unhas. Senti os filetes de sangue escorrem quentes, contrastando com o frio pelo qual passava.
Não havia mais dúvidas... eu estava à mercê de alguém ou algo que não compreendia. E o que é pior, esta entidade sentia ódio por mim. Mas, afinal, que fiz? Eu não sabia dizer ao certo. Usando as últimas forças que tinha, consegui me desvencilhar. Levantei o corpo e fiquei sentado, com as pernas retas, na cama. Eu ainda estava preso e, nesta condição, estava mais vulnerável.
A cama, de súbito, tremeu. Agora eu sabia de onde vinham os solavancos. Junto com ela, eu também tremi. O tremor que só o medo em sua essência é capaz de impor a um homem. Minha cabeça foi agarrada e fui jogado de encontro ao travesseiro. O frio ampliou...
Com os olhos ainda voltados para o teto, senti um leve formigamento na nuca. Havia algo passeando entre meus cabelos. Eu não sei dizer como, mas eu sabia exatamente o que era. Uma língua de fogo tocava minha nuca sem, no entanto, queimar. Eu via como se tivesse atrás da cabeça. Eu via aquela língua vindo de um lugar inominável. Eu sabia que era apenas um recado, porém isso não diminuía o impacto sobre mim.
Então, a cama se elevou. Duas batidas secas contra o chão. Senti o corpo entorpecido. Pensei que iria morrer.
O rádio, desligado, entrou em funcionamento sozinho. Eram 05:00 horas da manhã e começavam as orações católicas. Mas eu não entendia o que ele dizia. Eu não conseguia discernir. Eram orações em outras línguas, deduzi.
Foram os segundos mais terríveis de minha vida e, tão rápido quanto começaram, eles terminaram. O rádio se desligou e meu corpo foi solto. Tomado pelo desespero, corri de encontro á porta sanfonada. Eu a derrubei como se fosse de isopor. E corri para o quarto onde o casal dono da casa dormia, indiferente ao meu sofrimento.
Bati à porta e, logo, fui atendido. Não acreditaram em mim, até que os estragos no quarto foram confirmados: a porta destruída, o travesseiro chamuscado. O rádio e a lâmpada queimados, além do quarto ainda refrigerado, apesar do tempo ameno.
Nunca mais entrei ali.

Com o passar dos anos (por pelo menos mais três anos o quarto permaneceu isolado), o fato foi sendo esquecido. Várias visitas de padres foram feitas para abençoar o lugar e muitas vezes vi a dona da casa rezando para dar paz a quem quer que fosse.
            Eu, para dizer a verdade, sei muito bem o quê e quem era. Sei que nós nos apegamos muito ao material, às nossas lembranças e acho que não tenho o direito de culpar. Talvez eu tivesse a mesma atitude. Talvez eu cobrasse um preço por alguém invadir minha vida, tocar minhas coisas. Afinal, sou apenas carne e osso e mesmo quando não mais o for, ainda terei a essência humana. Fui cobrado por invadir, ainda que involuntariamente, a intimidade de uma pessoa. Passei por uma grande prova e tirei minhas lições. Espero que ela esteja realmente descansando em paz agora. Nada mais.

domingo, 7 de julho de 2013

O preço da arrogância: a derrota de Anderson Silva.



Por: Franz Lima.
Não vou cair na repetitiva frase que está rolando na web: 'eu sempre detestei o estilo do cara, merecia perder há muito tempo...'.
Na verdade, admiro o jeito bacana e a forma como Anderson Silva se porta nos bastidores do octógono. Ele é um grande lutador, isso é indiscutível, além de um respeitável pai de família. Suas atuações em programas de TV revelam um cara que nasceu para lutar e, felizmente, faz sucesso com o que gosta. 
Mas já venho observando que há algum tempo o lutador usa de um artifício perigoso em suas lutas. Anderson usa da provocação para tirar a concentração de seu adversário. Entretanto, essa provocação consiste em expor o corpo aos ataques do combatente opositor. Além disso, ele mostrava um descaso absurdo por quem o combatia, fato que pode ser de extremo perigo, dada a fragilidade do corpo humano diante de pancadas, principalmente a cabeça.
Só para citar, um soco bem aplicado no queixo pode deslocar o cérebro dentro da caixa craniana e, consequentemente, o "alvo" pode perder os sentidos e, em casos extremos, até falecer. Mas sabemos que um lutador de MMA tem preparo e costume para sustentar e sair relativamente bem de tais ataques. Também sabemos que, infelizmente, nem todo dia a sorte nos sorri.
Ontem foi esse dia. Lutadores brasileiros tombaram diante de seus adversários. Alguns permaneceram em pé, não resta dúvidas, porém suas faces mostravam o abatimento que só a derrota pode estampar. Lutar sempre pode trazer a vitória, só que apenas para um dos lados. O empate sempre deixa a sensação de que algo não ocorreu bem, pois quem luta busca a vitória. 
Não fiquei triste pelas derrotas dos nossos guerreiros. Só é passível de derrota quem se expõe, quem briga por seu lugar ao sol. Admiro cada um daqueles caras que colocam a vida em risco para ascender, ganhar o pão de cada dia. Vejo-os como trabalhadores que, motivados por um sonho, submetem-se ao cansaço, à dor. Só os fortes não recuam diante do bom combate. 


Contudo, algo estava muito errado. Após uma saída digna do jiu-jitsu, o Spider dava claros indícios de que dominaria a luta, principalmente pelo fato de que Chris Weidman aceitou lutar em pé, na trocação pura. 
começado o segundo round, eis que vejo a face da arrogância e da loucura se estamparem em Anderson Silva. Com extremo descaso e desrespeito, o lutador brasileiro conseguiu com que até alguns de seus fãs mais ardorosos reprovassem suas atitudes. Resultado das brincadeiras e do deboche? Uma série de dezesseis lutas vitoriosas foi quebrada de forma vergonhosa.
O pior, acreditem, ainda estava por vir. Durante as entrevistas no próprio octógono, Spider foi vaiado por quase todos no MGM. Ok, a luta foi em solo estadunidense e o vencedor é norte-americano, fatos que contam para as vaias, mas não há como negar que até o público brazuca ficou revoltado com as atitudes de Anderson que resultaram na derrota e na perda do cinturão.
Silva disse que não pretende lutar pelo cinturão novamente, algo nitidamente motivado pelo estresse da derrota. Ele lutará, não duvidem. Entretanto, quando sua chance de encarar Weidman novamente chegar, teremos um guerreiro no tablado do octógono, não um  artista da comédia. Quando essa hora chegar, tenho a firme convicção de que teremos o titulo outra vez conosco... e de forma honrada.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Quando a destruição é semeadura.



Por: Franz Lima.

Vivendo em uma área urbana, cercado por prédios, concreto e aço, distante dos semelhantes e até mesmo dos que estão ao nosso lado, acabamos por assumir uma postura fria, indiferente a quase tudo que acontece fora de nossa redoma de proteção.
Mesmo quando costumamos chorar pela dor de povos distantes, uma vez que nada há de mal nisso, esquecemos de olhar para os que estão próximos. É lícito sentir compaixão, desde que ela esteja acompanhada de milhares de quilômetros de distância.
Quantos de nós paramos para ao menos refletir sobre aquele sujeito sujo, maltrapilho e doente que vaga como um morto-vivo? E como definir vida para alguém que vive de restos, inclusive dos restos da pena e do remorso dos que o cercam?
Não temam se aproximar de um indivíduo, tendo como base a aparência. Com o tempo, aprendemos que há algo de positivo para encontrarmos nessas pessoas. Na verdade, há algo de positivo a ser encontrado em nós. Já procuraram?
Há planos dos quais jamais teremos a mínima noção de suas reais fundamentações. É inviável julgar, condenar ou excluir, principalmente quando temos, repito, apenas o visual como base.
Homens e mulheres podem ir ao fundo do mais escuro e frio poço. Entretanto, também lhes é facultado o direito de sair dessa cela. Basta buscar cada apoio e escalar até o topo.  Quem sabe não somos um desses pontos de apoio para a escalada?
Quando encontrar alguém ou mesmo estiver em situação ruim, destruído e fragmentado, lembre-se que a mais poderosa tempestade é capaz de destruir a mais frágil das flores... porém é incapaz de impedir que as sementes e o pólen se espalhem. 
Nem tudo que aparenta estar destruído, verdadeiramente está.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Aluna com Down recebe prêmio por redação.


 
Fonte: G1.
 
Uma estudante com Síndrome de Down de uma escola particular de Curitiba venceu um concurso nacional de redação infantil. Com o apoio dos professores e dos colegas de classe, Camila Manzolli, de 11 anos, redigiu um texto sobre a própria história.
"Foi um processo bem difícil, mas foi bem legal trabalhar com ela. Eu ia levantando algum tema, mas ela mesma construía as frases e no final ficou bem bacana a história", explica a professora Giovana de Bassi.
Dentre os assuntos descritos na redação, Camila fez questão de lembrar quando ganhou uma medalha de ouro nas paraolimpíadas na categoria de ginástica. O texto surpreendeu os organizadores do concurso, que criaram um prêmio específico para a garota na categoria superação.
O troféu foi entregue durante uma solenidade no Museu de Arte Moderna, em São Paulo. A mãe, Liziane Manzolli, contou que se sentiu orgulhosa da filha após mais uma conquista. "É muita emoção, eu jamais imaginaria", afirma a mãe, que completa e diz que o reconhecimento é só o começo das conquistas que ainda estão por vir. Quando crescer, Camila conta que quer ser professora.

Franz says: essa é uma rápida demonstração que comprova o quanto qualquer criança ou adulto especial pode superar sua situação e realizar o que quiser. 


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A lição do fogo... um clássico texto que passa uma clássica lição.



Um membro de um determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar de suas atividades.

        Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo.

         Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa, sozinho, sentado diante de lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.

Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando. O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam.

         Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente selecionou um delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.

         Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel.

      O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto. Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, ate que houve um brilho momentâneo e o seu fogo apagou-se de vez.

      Em pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.

   Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.

O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil colocando-o de volta no meio do fogo.

     Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.

      Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:

     - Obrigado, por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo.
 
(Autor desconhecido)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Poema: Apogeu do Abismo. Por Franz Lima.


APOGEU DO ABISMO
Por: Franz Lima

Estou parado há muito tempo
Contemplando nuvens a passar
Auxiliadas pela força do vento
Guiando-as sem destino a fixar.

E assim permaneço por mais horas
Desprezando meu tempo perdido,
Pois sei que não haverá demora
Quando o martelo for batido.

E sei que parte da culpa é minha
Por aquilo que fiz de errado 
Ao aceitar tua palavra mesquinha
E por ela ser influenciado.

Sabor acre tomando minha boca
De todo o sangue que derramei
Em nome da paixão louca
Pela qual me devotei.

Fui guiado para o lado brutal
E fiz uso sem qualquer pudor.
Influenciaram minha ascensão social
Para no futuro cobrar o devido valor.

Descartando a humildade aos poucos
Findei, tornando-me um igual
Àqueles ditos sãos, mas são loucos,
Possessos pela luxúria e o mal.

Supri meu anseio narcisista
Com os elogios dos que me cercavam.
Era um truque digno de ilusionista
Proporcionado pelos favores que ganhavam.

As mais belas mulheres teria
Com um simples estalar de dedos,
Mas que valor isso representaria
Se a mim vinham, tomadas pelo medo?

Criei meu próprio império
E pelos súditos fui saudado.
Alguns já sabiam o mistério
De que ao Inferno estava condenado.

Descarto o que virá no futuro
Indiferente ao meu destino,
Já que não há nada mais duro
Que ver morto meu espírito de menino.

Sim, creiam no que digo!
Eu provei o melhor que a vida oferece
E o sabor, meus amigos,
Piora, conforme se envelhece.



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