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terça-feira, 4 de abril de 2017

Ghost in the Shell (A Vigilante do Amanhã). Review do filme com base em seus antecessores.


Ghost in the Shell é um sucesso em duas mídias distintas: mangá (sua origem) e em anime (um já esperado desdobramento para todo mangá que faça sucesso). Em minha humilde opinião o anime sintetizou e deu mais sobriedade ao material original do mangá e, aparentemente, os produtores do longa-metragem A Vigilante do Amanhã pensaram o mesmo, pois beberam em muitas fontes do anime. Antes de prosseguirmos, que tal uma breve olhar no teaser trailer do filme.
P.S.: recomendo não assistirem aos trailers e aos cinco minutos divulgados, isso enfraquece demais o impacto inicial da obra.

Texto: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Afinal, o que é Ghost in the Shell?

Uma obra que se desdobrou desde sua versão original. Publicada em 1989, escrita e desenhada por Masamune Shirow, Ghost in the é uma série cyberpunk situada no ano de 2029 e retrata, basicamente, as ações de um grupo de elite chamado Seção 9, cuja função primordial é evitar o cyberterrorismo. Entre seus integrantes estão a Major Motoko Kusanagi, Batou, Togusa e outros. Suas habilidades são fundamentais para elucidar e deter criminosos que se valem da tecnologia ultra-avançada dessa era futura. Aliás, um dos pontos altos da trama está na “previsão” de um mundo onde as próteses evoluirão ao ponto de termos um corpo inteiro substituído. O melhor exemplo disso é a própria Motoko, cujo cérebro foi implantado em um corpo cibernético que imita à perfeição o corpo humano.
O mangá é um aclamado sucesso e teve sequência em Ghost in the Shell 2: Man-Machine InterfaceO mangá oscila entre ação, humor e algumas cenas com conteúdo sexual que geraram polêmica.
Em 1995, sob a direção de Mamoru Oshii, uma adaptação é feita e recebe a aclamação do público e da crítica. Apesar de não ser uma adaptação 100% fiel ao material original, o longa-metragem garantiu outras continuações. Uma comprovação do sucesso da trama está na criação de um game e romances literários baseados na obra original, além de séries.
Porém uma pergunta ainda não foi respondida em sua totalidade: o que é Ghost in the Shell?
Uma obra cyberpunk com um roteiro voltado à crítica social, complexa e corajosa, principalmente por questionar conceitos como beleza, vaidade, a venda de sonhos, a podridão política e, ainda, o que define um ser humano.

O live action era realmente necessário?

Sim. Como já disse antes, o advento da tecnologia aplicada no cinema é uma ferramenta que está tirando do papel ou dos animes/animações histórias inteiras que gostaríamos de ver com pessoas de verdade. A decisão de adaptar Ghost in the Shell com atores (e muita computação gráfica) foi extremamente corajosa, pois as reações dos fãs mais radicais e suas críticas são imprevisíveis.
Em resumo, ter alguns de nossos personagens favoritos e a trama que os envolve transpostos para o cinema é um verdadeiro presente. Então, antes que me pergunte, eu respondo: o filme não é uma adaptação quadro a quadro do anime ou o mangá, mas ele bebe claramente da fonte do anime. E isso é bom.
Algumas cenas do filme são reconhecidas facilmente, tal é sua fidelidade ao anime. Para melhorar, alguns pontos do anime e do mangá foram postos de lado, sem que o respeito a Ghost in the Shell fosse comprometido em qualquer momento. Logo, o live action era necessário.

Similaridades.

Antes de mais nada, Ghost in the Shell, o filme estrelado por Scarlett Johansson, não é uma cópia quadro a quadro do anime. Há cenas reproduzidas em sua essência, porém todas enquadradas com perfeição no roteiro de Masamune Shirow. Esse longa-metragem serve para elucidar algumas questões do anime e tem o mérito de complementá-lo.
A presença de todos os integrantes da Seção 9 é algo a ser comemorado, principalmente pela boa escolha do elenco. Batou ficou perfeito e a versão de Arakami deu mais imponência ao personagem.
A cidade futurista convence e nos dá uma clara mostra do que o futuro nos reserva, seja ele muito bom (qualidade de vida) ou ruim (nossa essência pode ser hackeada). O modo como a Seção 9 se comunica em casos de ação e até as redes sociais são pontos interessantes na narrativa.
Os personagens receberam algumas alterações visuais, porém continuam - em sua essência - preservados.

Adaptação ou complemento?

Na saída da pré-estreia isso foi questionado por alguns dos presentes. Afinal, o que essa obra é na verdade: uma adaptação ou um complemento ao anime? Eu a considero um complemento à mitologia de Ghost in the Shell, mas ela dispensa assistir ao anime ou ler o mangá, já que sua história está conectada de forma correta, com início, meio e fim.
A essência da história original está conservada, já que se trata de um filme onde um grupo antiterrorista é acionado para combater um hacker poderoso e sem piedade. Claro que a maior inspiração para essa obra  - ao menos visualmente - está no longa de animação homônimo, cujas principais passagens são transpostas para a tela de forma ou idêntica ou bem próxima daquilo que foi visto.
E não há nada de ruim nisso...

Vida eterna. Compre-a. 

A promessa de vida eterna - ou algo muito próximo disso - é a fonte para as modificações feitas nas pessoas. Desde olhos até articulações, tudo pode ser ciberneticamente aperfeiçoado, fato que melhora exponencialmente o desempenho dos humanos. Major é, no filme, uma espécie única, a primeira experiência de implante cerebral em um corpo ciborgue que deu certo. Uma de suas criadoras, a doutora Ouelet (Juliette Binoche) se mostra como uma protetora à policial, apesar das críticas de alguns dos nomes fortes da empresa que tornou possível essa migração cerebral, a parceria entre elas é visível desde o primeiro momento. O que intriga o espectador é a motivação por trás dessa parceria. Ouelet é algo além de uma programadora para Mira (o nome pelo qual ela se refere à Major)?
Esse ineditismo é algo que preocupa os executivos da empresa detentora da tecnologia que originou Major. Ela agora é uma arma no combate a crimes cibernéticos, porém está sujeita aos ataques de um criminoso chamado Kuze, cujo maior atributo é o de ser indetectável. Seu anonimato o permite cometer assassinatos e hackear mentes, expondo as fragilidades da empresa. Kuze irá se mostrar muito mais que um simples vilão com o decorrer da trama.
Outro fator muito interessante está no nível de implantes e melhorias feitas nas pessoas que, conforme o filme progride, impedem que o público possa distinguir uma máquina de um humano ou um ciborgue.

Filosofias e questões.

Ghost in the Shell tem o mérito de levar-nos a meditar sobre nossas origens, as vaidades que ditam o que é correto visualmente ou não, as melhorias médicas que salvam e, em alguns casos, podem provocar a morte. Mais do que isso, a busca pela perfeição física é uma das premissas do longa, cujos esforços podem beirar a diminuição da própria humanidade em prol do bem estar ou da beleza.
Uma outra interessante reflexão está sobre os limites para essas modificações. Transportando essa questão para os dias atuais, teríamos o debate sobre o que é um corpo saudável e, sobretudo, quais os limites para essa busca da beleza duradoura.
A presença de Kuze também é uma crítica aos limites da medicina. Até quando um experimento médico pode ir na busca por uma melhor qualidade de vida para as pessoas? Esses limites foram debatidos ao final da Segunda Guerra Mundial quando os experimentos dos médicos nazistas foram expostos ao mundo, chocando até os mais incrédulos.
Outro ponto bem abordado está no evidente poder das grandes corporações e suas decisões que podem arruinar vidas para alcançar seus objetivos.

Ação e influências visuais.

As cenas de ação estão dosadas bem equilibradamente. O uso de slow motion e os efeitos especiais não estão à toa no filme. Há um visível cuidado com a adequação de cada tomada. Percebi três influências visuais neste longa-metragem: Matrix, Blade Runner e Westworld. Alerto que não estou falando de plágio, apenas de similaridades. Até porque - em uma análise mais profunda - dois dos três exemplos beberam na fonte de Ghost in the Shell, com exceção de Blade Runner (1982).
A cidade, o trânsito, as propagandas, roupas e demais elementos dão credibilidade à cidade oriental e multicultural. A miscelânea de modernidade extrema com o caos urbano deu vida à cidade e seus habitantes.
A fonte visual está, obviamente, também no mangá e no anime, porém infinitamente melhor e com mais credibilidade.

A espera valeu a pena?

Essa resenha apontou apenas alguns dos pontos positivos da história. Ghost in the Shell é uma adaptação que irá agradar aos fãs das obras originais e, certamente, tem qualidades suficientes para atrair novos amantes à franquia. O investimento foi pesado em todos os níveis, desde o figurino até a implementação dos efeitos especiais. Há cenários inacreditáveis em cada cena, um verdadeiro espetáculo visual. A direção de Rupert Sanders guiou brilhantemente as equipes e o elenco dentro do roteiro elaborado por Jamie Moss.
Não vá ao cinema esperando encontrar um filme de ação comum. O que vocês verão é um filme de ficção científica com altas doses de filosofia e crítica social. As ações existem e são um óbvio exemplo do esforço da produção, atores e roteirista para entregar um filme à altura daquilo que Masamune Shirow idealizou.
Agora, fica a esperança de que a franquia se prolongue e novos filmes surjam...


  • Scarlett Johansson como Motoko Kusanagi/Major 
  • Pilou Asbæk como Batou 
  • Takeshi Kitano como Chefe Daisuke Aramaki 
  • Juliette Binoche como Dr. Ouelet
  • Michael Pitt como Hideo Kuze
  • Chin Han como Togusa 
  • Lasarus Ratuere como Ishikawa 
  • Yutaka Izumihara como Saito 
  • Tuwanda Manyimo como Borma 
  • Pete Teo como Tony

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Quais as referências que Westworld usou com base em Ghost in the Shell?


Terminei com muito prazer de assistir à série Westworld. A trama envolve um enorme local que imita à perfeição o Velho Oeste norte-americano. O diferencial está na utilização de avançados androides que são quase impossíveis de distinguir dos humanos. Seus comportamentos e atitudes, até seus erros, são exatamente como nós, mas com um diferencial que é a impossibilidade de, teoricamente, machucarem seres humanos.
A série bebe de fontes como Blade Runner, Isaac Asimov, Matrix e, obviamente, Ghost in the Shell. Vi também recentemente a animação dirigida por Mamoru Oshii e baseada nos mangás de Shirow Masamune.
As similaridades são muitas e merecem ser analisadas uma a uma.

Texto: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.


Linha de produção:
Há um laboratório de porte gigante para a construção dos androides. O uso de redes neurais, aplicação de grupos musculares e até pele sintética deixam ambos impossíveis de distinguir dos humanos. Entretanto, em Ghost in the Shell há conectores (tais como os vistos em Matrix) que servem como portas USB ou similares destinados à transferência de dados. Isso não é visto em Westworld, mas as partes informatizadas e bio-mecânicas existem.
Westworld

Ghost in the Shell

Nudez:
A nudez é outro ponto igual. Westworld, entretanto, não tem pudores em mostrar nus frontais e cenas de sexo. Isso, contudo, não é o ponto principal sobre a nudez que quero abordar. Nas duas produções não há conotações sexuais nessas cenas, principalmente nos laboratórios e linhas de produção. O motivo mais óbvio é que são apenas máquinas, porém é preciso observar que a maioria dos empregados age como um técnico em necropsia ou um médico: a nudez é algo que está intrínseco em sua profissão e não causa mais espanto.
Ghost in the Shell
Westworld

O despertar:
Maeve e Dolores sempre despertam da mesma forma. Elas aparentam estar saindo de um sono profundo e aptas a um novo dia. Isso também acontece com Major.
Westworld

Ghost in the Shell

Realidades conflitantes:
Nada é o que parece ser. Assim como em Westworld, Ghost in the Shell tem um enredo cuja premissa é a manipulação de memórias. Essa manipulação atinge homens e máquinas, enquanto em Westworld as vítimas são os androides.

Discursos filosóficos:

Conflitos e filosofia são constantes em ambas as produções. Os conflitos não se resumem aos embates entre duas partes, mas também aos internos, aqueles que levam alguém a refletir sobre a situação vivida e a própria existência. Um tema interessante de Ghost é a individualidade, algo bem explorado em Westworld.

Westworld é uma série atual e tem muitas outras referências que serão também analisadas e expostas aqui com o devido tempo. De qualquer modo, espero que tenham gostado desse post. 
Até breve...

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Porque tenho tão altas expectativas com Ghost in the shell.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Ghost in the Shell (título no Brasil "Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell") sofreu sérias críticas por parte dos fãs extremistas quando o primeiro teaser saiu e mostrou Scarlett Johansson como Motoko Kusanagi. As reclamações foram feitas em função da atriz não ter etnia oriental, contrariando a personagem do mangá que é nipônica. Bem, a etnia não influencia em uma atuação, essa é minha opinião. Uma boa atriz não tem cor ou raça, ela simplesmente se entrega ao papel. E eu já contemplei ótimas atuações de Scarlett.
Então, para queimar a língua dos fãs chatos, eis que surge o primeiro e fantástico trailer do filme. A caracterização e as cenas onde Scarlett é a major Motoko são impressionantes. A ambientação está perfeita e há cenas que são, simplesmente, uma reprodução fiel do que vimos no anime. Há CGI, óbvio, porém também haverá cenas feitas com artefatos mecânicos que dão maior credibilidade aquilo que estamos vendo. Lembro que a ambientação é em um futuro distópico, caótico e extremo do ponto de vista tecnológico. Logo, ter partes feitas com engenharia mecânica e efeitos tradicionais é algo muito positivo para a trama, inclusive na parte da interpretação, já que teremos muito menos telas verdes e personagens feitos com captura de movimento para dificultar a interpretação do elenco.
Fãs em todo o mundo estão ansiosos pelo lançamento do filme e acreditam no sucesso e na fidelidade da adaptação. Foram anos aguardando por isso. E são anos de decepção também, já que animes como Dragon Ball, Street Fighter, Speed Racer e Avatar (o último dobrador de ar) decepcionaram ou desagradaram muito os fãs ao serem transformados em live action pelos estúdios de Hollywood. 
Contudo, acredito e confio que Vigilante do Futuro - Ghost in the shell será um excelente filme, à altura dos fãs e da obra original. 
Para terem uma noção do que os aguarda, vejam o trailer e os bastidores da produção com comentário de ninguém menos que o diretor do anime Ghost in the shell, Mamoru Oshii. 
P.S.: a releitura da clássica música do Depeche Mode, Enjoy the Silence, caiu como uma luva para o trailer. 




quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Mudança de etnia ou cor da pele impedem uma boa atuação? A polêmica em Ghost in the shell.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

A cor ou a raça de um ator ou atriz podem determinar a qualidade de um filme? Segundo algumas pessoas, sim. Vamos aos casos mais recentes da polêmica da mudança de cor ou etnia em adaptações:
1) Doutor Estranho.
O filme mantém uma fidelidade absurda na caracterização do personagem principal, porém mostra um mestre ancião bem diferente. Na verdade, muito diferente daquilo visto nos quadrinhos onde o personagem é um velho oriental. No filme, quem interpreta o Mestre Ancião é a bela Tilda Swilton.
2) Roland Deschain.
O mais amado dos personagens de Stephen King é o protagonista de uma série de 8 livros chamada A Torre Negra. Roland é descrito como um jovem caucasiano,  um homem branco muito próximo a alguns personagens de Clint Eastwood em seu auge no western. No cinema, Roland será interpretado por Idris Elba, ator negro de grande talento. Idris esteve em produções como Thor e Círculo de Fogo.
3) Constantine.
O anti-herói do selo Vertigo é um homem loiro, fumante e dono de um humor negro bem à altura das aventuras que vive. Constantine domina a magia e lida com criaturas sombrias, assim como na aventura homônima estrelada por Keanu Reeves. Os fãs mais radicais do exorcista e praticante de magia não gostaram do visual de Keanu que pouco tem a ver com o Constantine dos quadrinhos (mas a maior diferença está na cor dos cabelos).
4) Major.
A icônica Major é uma das principais estrelas do anime Ghost in the Shell. A animação é uma das produções de ficção mais aclamadas da história e mostra uma Major oriental. Na adaptção, de mesmo nome, a personagem será interpretada por Scarlett Johansson (a Viúva Negra) e tem uma caracterização muito próxima da vista no anime. Entretanto, protestos estão surgindo por conta da atriz ser caucasiana, sem traços orientais.

Em uma análise rápida, posso afirmar que a polêmica é infundada. Scarlett é uma boa atriz e já provou que tem talento para filmes de ação e ficção. Além disso, não estamos falando de um fiasco como ocorreu com o live action de Dragon Ball Z. Há potencial nessa versão de Ghost in the Shell, principalmente se a premissa da história for mantida.
Quanto aos casos recentes de Idris Elba e Tilda Swinton, tenho certeza absoluta que os críticos irão queimar a língua. São atores de grande talento, profissionais que não se restringem a uma classe de filmes, capazes de atuar tanto no drama quanto no humor ou ação. Por que não confiar neles? Não estou falando do filme em si, mas nos atores que, sem dúvida, jamais iriam expor suas carreiras consagradas a fiascos.

Assistam ao teaser trailer de Ghost in the Shell e vejam se é possível iniciar uma caça às bruxas com tão pouco material. Essa onda de criticar sem ver é ruim, mostra um grau de radicalismo desnecessário. 


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