{lang: 'en-US'}

Mostrando postagens com marcador Suzanne Collins. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Suzanne Collins. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Polêmica: escritores declaram guerra à Amazon.


Jeff Bezos, da Amazon.
Fonte: Veja. Comentários: Franz Lima
 
Nos últimos meses, donos do e-reader Kindle encontraram dificuldades para comprar livros do grupo editorial Hachette, responsável pela edição de importantes autores internacionais como J.K. Rowling, que lançou em junho The Silkworm, nova trama assinada por seu pseudônimo Robert Galbraith. A escritora, entre outros nomes do grupo, foi prejudicada pela briga entre a editora e a Amazon, empresa de Jeff Bezos. Elas se desentenderam sobre os termos do contrato imposto pela gigante varejista, detentora de 60% do mercado de e-books e de um terço da distribuição de livros impressos nos Estados Unidos. A briga ganhou novo episódio nesta semana, com a publicação no domingo, pelo jornal The New York Times, de uma carta aberta assinada por 909 escritores contrários à atitude da Amazon de prejudicar as vendas da Hachette e de outros que discordam da sua agressiva política de preços.
Entre os nomes que assinaram o manifesto, estão autores populares como Suzanne Collins, Jennifer Egan, Markus Zusak, Nora Roberts, John Grisham e Stephen King. De acordo com a carta, a Amazon tem boicotado os autores da Hachette, dizendo em seu site que as obras estão indisponíveis, sugerindo outros autores e atrasando a entrega dos livros. “Como escritores — a maioria de nós não representados pela Hachette — acreditamos que nenhum varejista deve impedir que um livro seja vendido e nenhum leitor desencorajado a comprar uma obra. Não é honesto a Amazon eleger autores, que não estão envolvidos na disputa, e usá-los como forma de retaliação”, diz trecho do texto.
A briga começou quando o grupo editorial Hachette se opôs à política de menor preço da Amazon. De acordo com o grupo, o site quer vender e-book a apenas 9,99 dólares (cerca de 23 reais). Segundo a editora, o valor é muito baixo e o site ainda quer aumentar sua margem de lucro, de 30% para 50%.
Para se defender — e complicar a situação —, a Amazon citou George Orwell em uma carta assinada pela equipe de literatura do site, dizendo que o autor de 1984 era contra a publicação de livros de bolso, que se popularizaram nos anos 1930 e aumentaram o acesso para novos leitores. O texto faz uma comparação do que acontece hoje no mercado editorial. “A história se repete. Nós queremos livros baratos. A editora Hachette, não”, diz a Amazon.
Contudo, em matéria publicada no jornal The Guardian, Bill Hamilton, editor responsável pelas obras de Orwell, diz que a Amazon usou em vão o nome do escritor, e que sua fala foi usada de forma errônea. “Eles citam Orwell fora de contexto, como se ele quisesse proibir os livros de bolso, para validar uma campanha contra editoras e os preços dos e-books.”
Na frase completa, Orwell não quer proibir o novo formato de livros, e sim exaltá-los. “Os livros da editora Penguin (que lançou os formatos de bolso) são esplêndidos. Tão esplendidos que se outras editoras fossem espertas se uniriam contra o formato para proibi-lo”, disse o escritor de forma irônica na época.

Franz diz: a publicação "autônoma" propiciada pela Amazon é uma porta para expandir os horizontes dos novos escritores. Muitos começam por lá e lutam por seu espaço dentro de um competitivo e, por vezes, cruel mercado editorial. Mas o fato é que a Amazon não pode forçar a quebra de editoras tradicionais ou forçar uma redução de preços às custas de perdas para os escritores. O mercado pode ser competitivo sem que a força gerada pelo capital de uma grande publicadora sele o destino de outras editoras.
O apoio de escritores consagrados - citados no início do texto - dá credibilidade e peso para a Hachette, porém afirmo que os preços dos livros, incluindo os e-books, está muito alto. Obras impressas são vendidas em nosso país por preços elevados quando comparados à renda média da população. Já os e-books, vendidos em muitas lojas virtuais, tem o preço quase igual ao do livro impresso, o que desestimula as vendas. Há de se chegar a um consenso para que editoras e escritores, assim como os leitores, tenham lucros. Afinal, autores e publicadores devem ter retorno com seus trabalhos, mas a margem de lucro não pode impedir que um leitor acesse esse material. O equilíbrio é o caminho mais sensato, ainda que esbarremos na política de tarifação dos produtos no país. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Novo pôster de 'Jogos Vorazes: em chamas' e fotos dos competidores.


Clique para ampliar a imagem
Jogos Vorazes - Em Chamas (Catching Fire) é a aguardada continuação do filme baseado na trilogia literária  de Suzanne Collins. A trama conta a história de Katniss Everdeen e sua vida depois que se sagrou vencedora dos jogos. O filme aborda, ainda, a fascinação do público pelos chamados "reality shows". 
Nesta continuação, Katniss e Peeta (vencedores da edição anterior) são obrigados a ingressar na edição especial dos Jogos Vorazes, o Massacre Quaternário, evento que ocorre com um intervalo de 25 anos.










segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Resenha do filme "Jogos Vorazes".



O que falar sobre Jogos Vorazes que ainda não tenha sido dito? O que aguardar de sua continuação?
Bem, a verdade é que não li quaisquer críticas ou reportagens sobre o filme. Não quis buscar referências de outras opiniões e, assim, assisti ao filme livre de influências externas.






A trama:

A trama do filme não é ruim. A abordagem sobre o que motiva pessoas a assistir um reality show onde os participantes se matam (todos muito jovens) é até crível, porém percebi que há um direcionamento que força os espectadores a apoiar os protagonistas. A direção do filme parece agir como se fosse a responsável de um verdadeiro reality show, onde tudo indica que teremos um favorito em muito pouco tempo. 
Os personagens parecem relativamente rasos inicialmente e vão ganhando vulto com o decorrer do filme. Porém isso é exclusivo dos protagonistas e de um ou outro de relevância um pouco maior. Creio que haveria uma maior carga emocional se tivéssemos ciência de quem eram os demais competidores dos Jogos Vorazes. Quanto mais sabemos sobre um determinado personagem, mais isso nos levará a ter uma maior empatia. 

Ambientação: 

Há um certo clima de campo de concentração - proposital, lógico - que ficou bem estruturado. O tom cinza das imagens contribui para a sensação de abandono das colônias (os chamados 'distritos') sitiadas.
Por não ter lido a trilogia, fiquei inicialmente perdido sem entender o que levou até aquela situação, mas nesse ponto o filme mostra coerência e explica bem o que antecedeu a história. Inclusive, o fato de desconhecer o ocorrido é um dos fatores que valorizaram ainda mais os flashbacks que ocorrem durante toda a produção.
A cidade onde é sediada a competição é muito bonita e tem um ar futurista. Entretanto, a apresentação dos  competidores remonta aos grandes comícios nazistas e também aos palcos onde gladiadores eram mostrados. A multidão não parece se importar com as inevitáveis mortes, pois é um preço a ser pago pelos crimes do passado.


Big Brother:

Os 'Jogos Vorazes' são basicamente um reality show. Inspirados em 'The running man' - essa é minha opinião - e misturando partes que lembram 'Quem quer ganhar 1 milhão', além de visuais bizarros que mais parecem tirados de um clip da Lady Gaga. O intuito é matar 23 participantes e deixar um sobrevivente como prova da caridade humana diante de pessoas que não merecem esse benefício. São 74 anos de mortes sem quaisquer questionamentos.
Para cada dupla há um tutor, alguém que possa dar-lhes instruções suficientes para que sobrevivam. É nesse ponto que aparece Woody Harrelson como o mentor da dupla do distrito 12, em função de sua experiência como ex-competidor.
O 'Bial' dos Jogos é um indivíduo que tem trejeitos de um Silvio Santos com o visual do Drácula de Coppola (o vampiro velho). O uso do humor para mascarar as futuras mortes é um recurso interessante, porém usado de forma bem simplista.


Os protagonistas:

O elenco é basicamente jovem. Nada de mais, principalmente se levarmos em conta o enredo sobre os escolhidos. Entretanto, falta mais dinamismo e emoção às atuações. A atriz Jeniffer Lawrence mostra que tem um talento promissor, mas seu parceiro de Distrito, o ator Josh Hutcherson não convence com sua atuação apática. O desenrolar da história entre os dois jamais parece ser verdadeira, pois há pouca emoção e alguns clichês que enfraquecem a credibilidade da trama.
Outros atores mostram atuações que oscilam entre o razoável e o bom, mesmo com nomes como Woody Harrelson, Donald Sutherland e Stanley Tucci. A verdade é que a história e a direção não exigiram muito dos atores. 
Resta aguardar a continuação e torcer por personagens menos rasos e uma carga dramática maior.

Considerações finais:

Ainda resta esperanças de que tenhamos novas produções baseadas nos dois livros restantes, que compensem esta primeira edição. Não há muito a se fazer em relação ao primeiro filme (que não é péssimo, pois serve muito bem como entretenimento) além de aguardar as correções necessárias para que uma produção com potencial para ser um ótimo filme de ação/drama torne-se um mero produto padrão "Sessão da Tarde". 
A continuação já tem seus pôsteres disponíveis na web e tudo indica que o casal protagonista irá retornar. Caso usem este reencontro nas telas de forma competente, ainda creio que poderemos ver um filme menos 'pipoca' e mais respeitoso em relação à inteligência do espectador. 



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Os livros mais vendidos. Via revista Veja.


Os livros mais vendidos

/ 27 de junho de 2012. Fonte: Revista VEJA
FICÇÃO NÃO FICÇÃO AUTOAJUDA E ESOTERISMO
 1
A Escolha
Nicholas Sparks [1 | 6] NOVO CONCEITO
 1
Para Sempre
Kim e Krickitt Carpenter [1 | 14] NOVO CONCEITO
 1
Agapinho - Ágape para Crianças
Padre Marcelo Rossi [1 | 11] GLOBO
 2
O Filho de Netuno
Rick Riordan [2 | 7] INTRÍNSECA
 2
Guia Politicamente Incorreto da Filosofia
Luiz Felipe Pondé [2 | 9] LEYA BRASIL
 2
Ágape
Padre Marcelo Rossi [3 | 93] GLOBO
 3
A Guerra dos Tronos
George R. R. Martin [6 | 57#] LEYA BRASIL
 3
Uma Breve História do Cristianismo
Geoffrey Blainey [5 | 8#] FUNDAMENTO
 3
O X da Questão
Eike Batista [5 | 26] PRIMEIRA PESSOA
 4
Jogos Vorazes
Suzanne Collins [7 | 15#] ROCCO
 4
Getúlio 1882-1930
Lira Neto [4 | 4] COMPANHIA DAS LETRAS
 4
Nietzsche para Estressados
Allan Percy [4 | 46#] SEXTANTE
 5
O Prisioneiro do Céu
Carlos Ruiz Zafón [3 | 3] SUMA DE LETRAS
 5
30 Minutos e Pronto
Jamie Oliver [6 | 6] GLOBO
 5
Desperte o Milionário Que Há em Você
Carlos Wizard Martins [2 | 6#] GENTE
 6
Um Homem de Sorte
Nicholas Sparks [5 | 17#] NOVO CONCEITO
 6
Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil
Leandro Narloch [3 | 124#] LEYA BRASIL
 6
O Poder dos Quietos
Susan Cain [6 | 5] AGIR
 7
O Festim dos Corvos
George R. R. Martin [9 | 20] LEYA BRASIL
 7
Steve Jobs
Walter Isaacson [0 | 30#] COMPANHIA DAS LETRAS
 7
É Tudo Tão Simples
Danuza Leão [7 | 29] AGIR
 8
Em Chamas
Suzanne Collins [0 | 12#] ROCCO
 8
Mentes Ansiosas
Ana Beatriz Barbosa Silva [10 | 34] FONTANAR
 8
O Monge e o Executivo
James Hunter [10 | 373#] SEXTANTE
 9
Branca de Neve e o Caçador
Lily Blake, Evan Daugherty, John Lee Hancock e Hossein Amini [4 | 2] NOVO CONCEITO
 9
O Livro da Filosofia
Vários [7 | 18#] GLOBO
 9
A Vida Sabe o que Faz
Zibia Gasparetto [0 | 38#] VIDA & CONSCIÊNCIA
 10
O Melhor de Mim
Nicholas Sparks [0 | 11#] ARQUEIRO
 10
Guia Politicamente Incorreto da América Latina
Leandro Narloch e Duda Teixeira [9 | 23#] LEYA BRASIL
 10
A Parisiense
Ines de la Fressange [9 | 21#] INTRÍNSECA
 11
A Esperança
Suzanne Collins | ROCCO
 11
Memórias de Uma Guerra Suja
Cláudio Guerra, Marcelo Netto e Rogério Medeiros | TOPBOOKS
 11
Meu Jeito de Dizer que Te Amo
Anderson Cavalcante | GENTE
 12
A Tormenta de Espadas
George R. R. Martin | LEYA BRASIL
 12
Mentes Perigosas
Ana Beatriz Barbosa Silva | FONTANAR
 12
Os Segredos dos Casais Inteligentes
Gustavo Cerbasi | SEXTANTE
 13
O Colecionador de Lágrimas
Augusto Cury | PLANETA
 13
Anderson Spider Silva
Anderson Silva | PRIMEIRA PESSOA
 13
A Arte da Guerra
Sun Tzu | VÁRIAS EDITORAS
 14
A Fúria dos Reis
George R. R. Martin | LEYA BRASIL
 14
1808
Laurentino Gomes | PLANETA
 14
Os Segredos da Mente Milionária
T. Harv Eker | SEXTANTE
 15
Apaixonados - Histórias de Amor de Fallen
Lauren Kate | GALERA RECORD
 15
Mundo Singular
Ana Beatriz Barbosa Silva | FONTANAR
 15
Receber com Charme
Renata Rangel e Cláudia Pixu | GLOBO
 16
Querido John
Nicholas Sparks | NOVO CONCEITO
 16
A Cozinha Rápida de Ana Maria Braga
Ana Maria Braga | AGIR
 16
O que Realmente Importa?
Anderson Cavalcante | GENTE
 17
Diário de uma Paixão
Nicholas Sparks | NOVO CONCEITO
 17
A Carne e o Sangue
Mary Del Priore | ROCCO
 17
Casais Inteligentes Enriquecem Juntos
Gustavo Cerbasi | GENTE
 18
O Pequeno Príncipe
Antoine de Saint-Exupéry | AGIR
 18
Paris - A Festa Continuou
Alan Riding | COMPANHIA DAS LETRAS
 18
Mulheres Inteligentes, Relações Saudáveis
Augusto Cury | ACADEMIA DE INTELIGÊNCIA
 19
Um Amor para Recordar
Nicholas Sparks | NOVO CONCEITO
 19
1822
Laurentino Gomes | NOVA FRONTEIRA
 19
Por que os Homens Amam as Mulheres Poderosas?
Sherry Argov | SEXTANTE
 20
A Última Música
Nicholas Sparks | NOVO CONCEITO
 20
Nas Entrelinhas do Horizonte
Humberto Gessinger | BELAS LETRAS
 20
Amo Você!
Paula Ramos | PANDA BOOKS
[A|B#] – A] posição do livro na
semana anterior
B] há quantas semanas o livro
aparece na lista
#] semanas não consecutivas


Fontes: Balneário Camboriú: Livrarias Catarinense; Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Betim: Leitura; Blumenau: Livrarias Catarinense; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva; Campinas: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura; Campo Grande: Leitura; Caxias do Sul: Saraiva; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense, Saraiva; Fortaleza: Cultura, Laselva, Saraiva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Governador Valadares: Leitura; Ipatinga: Leitura; João Pessoa: Leitura, Saraiva; Joinville: Livrarias Curitiba; Juiz de Fora: Leitura; Jundiaí: Leitura; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Mogi das Cruzes: Saraiva; Navegantes: Laselva; Petrópolis: Nobel; Piracicaba: Nobel; Porto Alegre: Cultura, Fnac, Livrarias Porto, Saraiva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Ribeirão Preto: Paraler, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; Salvador: Saraiva; Santa Bárbara d’Oeste: Nobel; Santo André: Saraiva; Santos: Saraiva; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Livraria da Vila, Martins Fontes, Nobel, Saraiva; Sorocaba: Saraiva; Vila Velha: Saraiva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino

quarta-feira, 21 de março de 2012

Análise de "Jogos Vorazes" indica divergências entre livro e filme


Por: Cauê Muraro

Passado no futuro, 'novo Harry Potter' mistura mitologia e reality show.
Adaptação do livro infanto-juvenil de Suzanne Collins estreia no dia 23.

O divórcio entre o filme “Jogos vorazes” e o best-seller homônimo que lhe serve de inspiração acontece logo na cena inicial do primeiro. Num estúdio de tevê futurista, avistamos dois homens, de traje e aparência extravagantes, conversando sobre a competição que virá. O que acompanhamos na tela, assim, se passa distante dos olhos da protagonista, e este é um dado fundamental: a versão literária era narrada todo o tempo pela personagem central, e ao leitor só era dado ver aquilo que ela enxergava e contava.
Mas isso não significa que a tônica desta adaptação cinematográfica será a do atrevimento. As ousadias serão raras ao longo da projeção, e a reconciliação entre uma obra e outra não tarda, a ponto de a “fidelidade” do longa ao material de origem ser talvez seu traço mais marcante. Com estreia agendada para o dia 23, o filme conforta-se em ilustrar com imagens em movimento o conteúdo das páginas, com direito a liberdades escassas. A opção, por si só, não implica um equívoco. Mas ilustrar difere de simplificar. A literatura de Suzanne Collins é trivial – ainda que seja atraente e tenha estofo –, só que resulta mais contundente que as sequências oferecidas pelo diretor Gary Ross.
Foi no final de 2008 que Suzanne Collins lançou seu “Jogos vorazes”, episódio inaugural de uma trilogia de inegável apelo, sobretudo entre o público infanto-juvenil. O que se propõe é um enredo que agrega mitologia, reality show, guerras, história e comentário político (regimes totalitários, em suma). A ação tem lugar numa América do Norte de um futuro pós-apocalíptico. Nessa nação, batizada Panem, acontece um torneio anual de que participam 24 adolescentes, com idade entre 12 e 18 anos – ganha quem restar vivo, e tudo é transmitido pela tevê. A seleção dos gladiadores se dá por sorteio, e a absoluta maioria dos elegíveis, por razões óbvias, vê com temor a ideia da convocação.
Por vias tortas, Katniss Everdeen (no filme, vivida por Jennifer Lawrence), a protagonista, acaba sendo chamada à 74ª edição dos Jogos Vorazes. É esta a narradora: uma menina pobre de 16 anos que, uma vez órfã de pai, assume o papel de arrimo da família. Ela se garante graças às habilidades com o arco e flecha.
A narrativa de Suzanne Collins poderia ser descrita como direta, franca. Ou carente de recursos. Fato é que ela usa a seu favor a ausência de artifícios. Para garantir o interesse e a atenção, privilegia o conteúdo oferecido, em vez da forma. O tempo verbal é o presente, praticamente sem recuos ao passado nem subtramas, e o objetivo é provocar suspense e fazer o leitor partilhar dos dramas que Katniss vai conhecendo. Há a desconfiança com relação aos companheiros de batalha, a necessidade involuntária de exterminá-los, as questões amorosas. E a probabilidade de encontrar a morte, ocorrência frequente na história.
Como também é no filme, e o potencial de repulsa agora é, em teoria, maior: existe um risco mínimo na proposta de mostrar adolescentes assassinando uns aos outros, seja por falta de opção ou por crueldade. Gary Ross, o diretor, acerta ao não tornar o sangue um fetiche. Ou ao menos não apela, na medida em que os embates, embora violentos, não se apresentam em detalhes escatológicos. Na arena, morre-se, e morre-se com brutalidade. Nada de levar plateia às náuseas, entretanto: o alvo é o sentimento de quem assiste, e não propriamente o estômago.
Mas Ross acerta mais – e aparentemente com aval de Suzanne Collins, coautora do roteiro – quando atribui novidades à obra. Quando insere na trama elementos que não estavam no livro, o que acontece não mais que meia dúzia de vezes. O desfecho do controlador da competição, papel de Wes Bentley, é um exemplo. O furor despertado pela morte de uma das pessoas mais próximas a Katniss, outro. Nenhum dos dois supera, porém, o discurso final do mais perigoso dos jovens gladiadores. Aquilo talvez faça o filme gerar uma comoção da qual o livro apenas chega perto.

O “Jogos vorazes” do cinema não é desprovido de valores básicos de produção. Ross não filma com descuido, sua câmera trepidante é, ou parece ser, proposital. Os efeitos visuais funcionam, na maioria das vezes. O elenco secundário é digno de nota, com nomes como Donald Sutherland (o tirano da república), Stanley Tucci (o apresentador do programa), Woody Harrelson (o tutor de Katniss e de Peeta, parceiro dela) e Elizabeth Banks(mestre de cerimônia do sorteio). E os novatos, a começar por Jennifer Lawrence (indicada ao Oscar em 2011, por “Inverno da alma”), cumprem com o dever – Peeta foi entregue ao ator Josh Hutcherson, e a outra ponta do triângulo fica com Liam Hemsworth. Mas o uso que se faz desses elementos desemboca num produto aquém da possibilidade aparente.
Os afetados cenários futuristas da capital de Panem são clichês. E os coadjuvantes citados, com exceção de Sutherland, cedem à facilidade de compor nada além de caricaturas, que servem mais à diversão própria e rasa do que aos respiros de humor. Salva-se, inesperadamente, a discrição de Lenny Kravitz (o estilista de Katniss), de quem pouco se poderia cobrar.
A determinação de “Jogos vorazes”, tudo indica, era respeitar sua fonte, e não se pode culpar o filme por ele não ser o que sequer pretendeu ser. Mas, no cômputo final, restarão poucas sequências na memória do espectador – neste particular, o livro é mais bem-sucedido. O detalhe essencial é que o cinema depende fundamentalmente de imagens, e não de diálogos comoventes reproduzidos com fidelidade e empenho.

Fonte: G1


Proxima  → Página inicial