{lang: 'en-US'}

Mostrando postagens com marcador Ficção-Científica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ficção-Científica. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Review de Westworld S01E03: quando o caos se anuncia.



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Leiam antes as resenhas dos episódios anteriores:  S01E01 e S01E02

A trama desse terceiro episódio ganha uma bela referência à Alice no País das Maravilhas. Aliás, é esse livro que Dolores ganha como presente, algo que aguça as memórias dela, inclusive as que deveriam ter sido apagadas.
Reencontramos alguns personagens do segundo episódio cuja pertinência à história ganha realce. Dolores e a prostituta dona do Saloon Mariposa são apenas alguns exemplos.
Tal como Alice que vive suas aventuras e pensa estar sonhando, assim são os personagens robóticos que vivem para entreter, mas, em um recanto escondido de suas “almas”, querem acordar e ter suas vidas para si.

A cena abaixo é a que mais apareceu em todos os episódios até agora. Essa cena serve para evidenciar o papel real dos androides como meros atores em um gigantesco e grotesco teatro. As máquinas são meros objetos de diversão, não importa o quanto ‘sofram’ para manter a encenação.



“Em tempo: o termo ciborgue serve para designar um híbrido entre máquina e homem, seja por meio de aperfeiçoamentos ou alguém com peças que substituam membros. Já o androide é, especificamente, uma máquina com aparência humana. Logo, Westworld tem androides, não ciborgues.”

Há um ponto ainda obscuro na trama: o papel dos funcionários do parque nessa silenciosa revolução que está afetando as máquinas. Desde Ford até Bernard, parece que muita gente está direta e indiretamente envolvida nessa sutil mudança de comportamento dos androides.

Detalhes dos papéis de Teddy e Dolores são revelados. Um novo elemento do passado de Teddy é acrescentado por Ford; um elemento que irá trazer o caos à vida do cowboy. Um vilão que faz parte do passado dele e voltou para atormentá-lo. Alguém mais violento e cruel que o Homem de Preto. Seu nome: Wyatt.

Mas as surpresas não param por aí. Um fantasma do passado retorna para atormentar a equipe de Westworld. Pequenas falhas foram diagnosticadas, mas o problema maior está em haver “vozes” nas mentes dos androides. A voz é de alguém muito importante para o projeto, um homem ainda desconhecido do público, mas vital para a idealização do parque temático. Alguém distante há anos que teria conhecimento suficiente para implantar uma janela de programação, algo muito próximo a uma falha programada ou um acesso a um programador específico. Será?


Nesse intervalo, Teddy e uma visitante, acompanhados por homens da lei, partem para capturar Wyatt. Enquanto isso, outra perseguição acontece, já que uma equipe de técnicos do parque descobre um anfitrião em fuga.

Novos detalhes sobre a metodologia de trabalho dentro de Westworld, o parque, são revelados. Aparentemente os funcionários vivem em um regime de trabalho bem próximo ao que conhecemos em plataformas de petróleo ou em centros de pesquisa na Antártida ou outro lugar distante. As pessoas ficam em um regime fechado, por um período determinado, podendo se comunicar apenas por meio de um programa próprio com seus familiares. Logo, a dedicação para estar entre os responsáveis pelo projeto é muito maior do que imaginamos.

Para melhorar ainda mais o episódio, que começou cheio de tensão e ação, há uma pequena passagem onde são revelados mais detalhes sobre a estrutura dos androides. Sensacional.


Voltamos às caçadas: por Wyatt e seu bando e, ainda, pelo anfitrião desgarrado. Tudo que poderia dar errado acontece, fatos que por si só mostram a instabilidade dentro do parque. Não há nada que possa ser previsto à perfeição. Erros existem. Isso sem contarmos com um fator que está presente desde a primeira aparição do Homem de Preto: a liberdade que certos convidados compraram.


Então, meu amigos, finalizo com um aviso: mudanças estão ocorrendo em um ritmo acelerado. Mudanças para o bem e para o mal. Mudanças que não estão incluídas no organizado universo planejado que conhecemos por Westworld. Logo, a engrenagem pode quebrar a qualquer momento.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Westworld: análise do filme de 1973 que é a base para a série da HBO



Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.

Westworld: onde ninguém tem alma. 1973.

O filme escrito e dirigido por Michael Crichton mostra um novo lazer para os que podem pagar. Trata-se de uma colônia de férias onde é possível viver no mundo da Roma antiga, ser um habitante da Idade Média ou sobreviver às agruras do Velho Oeste.
O ritmo inicial da narrativa é arrastado, lento, principalmente se você estiver acompanhando a série Westworld. Aliás, um ponto diferente é que esse parque de diversões tem três tipos de áreas, enquanto na série há apenas o Velho Oeste.
Os diálogos do filme também são, inicialmente, maçantes. Mesmo com os disparos e a ambientação não há muito que obrigue o espectador a acreditar que está vendo realmente o Oeste bravio do fim do século XIX.
As interações entre homens e máquinas são sutis. O diretor se valeu de um recurso para evidenciar que uma máquina está em cena: os olhos brilham.
Um ponto em comum com a série de 2016 está nas equipes de emoção, responsáveis por recolher os corpos dos robôs após algo que os tire de ação. Os reparos são bastante simples, algo esperado, já que se trata de um filme de 1973. São 43 anos de diferença entre uma produção e outra. 43 anos de avanços tecnológicos que permitem ao espectador de hoje uma sensação de veracidade maior.

Os problemas.

Assim como estamos vendo na série da HBO, Westworld começa a dar indícios de problemas com as máquinas. Teoricamente tudo está dentro do previsto, mas...
“Em alguns casos, os robôs foram projetados por outros computadores. Não sabemos exatamente como eles funcionam.”
Há uma coerência ainda não observada na série. Os atos dos convidados são postos sob questionamento. Logo, se há uma morte provocada por um convidado, o mesmo será preso, exceto em casos onde a lei o ampare. Existe um xerife para impor a ordem e isso é feito.
O uso de humor em algumas cenas não me agradou. A narrativa era para ser tensa e isso não tem efeito quando estamos diante de um pastelão. As lutas foram prejudicadas por esse tom humorístico.
Então, de forma inesperada, as máquinas passam a ter controle sobre si mesmas. Mais do que isso, elas aparentam ter raiva de quem lhes fez mal anteriormente. Há um massacre e nada pode ser feito pelos técnicos e engenheiros que controlam o parque.
As interpretações são limitadas pelos conhecimentos e noções do que seriam robôs ou ciborgues à época. Algo que não apreciei foi a desativação de todas as máquinas, exceto o cowboy interpretado por Yul Brynner e uma outra que serve apenas como figuração. No final, a aparência que temos é a de um teatro, não um filme. Algumas coisas poderiam ser aprimoradas, mas o que permanece é o legado de um filme de ficção onde o Velho Oeste é o ambiente principal.
Westworld é uma amostra do talento de Michael Crichton e do potencial da trama que, apenas agora, foi explorado em toda a sua magnitude.

O filme é bem simplório, porém serve como uma noção daquilo que teremos – em maiores proporções – na série da HBO. 

P.S.: o subtítulo em português (onde ninguém tem alma) é uma clara referência ao comportamento desregrado e amoral dos visitantes. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Westworld. Uma das mais promissoras séries da HBO. Análise do primeiro episódio.


Por: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.



Uma localidade do Velho Oeste norte-americanto. Uma mulher cercada de aparatos tecnológicos avançados. O que têm em comum? Esse é o mistério inicial de Westworld.

A narrativa é feita em off por uma mulher que é questionada, interrogada por alguém. Essa mulher é um dos alicerces da trama. Atenção à participação dela.

Cuidado! Spoilers em profusão a partir de AGORA.

Westworld é um parque de diversões. Sim, um parque onde ciborgues (esse é o termo mais próximo daquilo que são, já que não há um organismo vivo anexado à máquina, mas uma máquina moldada pelo homem para imitar à perfeição um ser humano) dão aos visitantes a ilusão de estarem de volta ao Velho Oeste. Uma terra sem lei, governada por mãos de aço (como diria o Pica-Pau). A diversão consiste, basicamente, em desfrutar de uma era extinta. Ser um cowboy, um rancheiro, uma madame, uma prostituta, um ladrão... são muitas as possibilidades por trás desse universo recriado.
A reconstrução desse mundo passado é dispendiosa, cara e moralmente discutível. Homens e mulheres pagam para ter seu dia nesse mundo. Uma vez lá, são intocáveis para os habitantes costumeiros e podem, literalmente, fazer o que lhes aprouver. Desde um simples contato, uma conversa ou até mesmo estupro e assassinato. Não há limites morais para os “visitantes” de Westworld.
As máquinas interagem e se adaptam aos visitantes. Eles não têm consciência de sua real condição, fato que promove uma maior imersão aos visitantes. A diferenciação entre um humano e um “anfitrião” é  praticamente impossível.
O que é ético ou não fica em suspensão todo o tempo. Ver máquinas com aspecto 100% humano é algo impactante. Como tratar alguém que é, aos olhos, tão humano quanto nós? O grau de interação entre homens e seres com inteligência artificial é uma opção que pode ser controlada. O que não pode ser previsto é o grau de adaptabilidade das máquinas, os limites da inteligência artificial, sua capacidade de armazenar experiências e, principalmente, os freios morais (ou a inexistência deles) das pessoas.
Nesse primeiro episódio é preciso destacar a presença de Anthony Hopkins, interpretando o Dr. Ford (talvez uma homenagem ao gênio industrial Henry Ford), o responsável pela criação dos ciborgues. Ele vive em um mundo tão isolado quanto as criaturas com IA. Há, aparentemente, uma dependência dele para com as máquinas. Isso deverá ser mais explorado nos episódios seguintes.

Nota: assistir Westworld e não lembrar de Blade Runner e os replicantes é quase impossível. Desde o primeiro segundo da narrativa é possível sentir o cheiro adocicado da tragédia. Aliás, a abertura já anuncia que nada é tão perfeito. Vejam abaixo:



O que se segue não difere, como disse acima, da trama de Blade Runner. Os anfitriões – ciborgues com maior poder de interação – passam a apresentar pequenos problemas. Até onde esses erros podem ir é algo que não fica explícito. Mas o potencial destrutivo disso fica pairando na atmosfera. 


Um ponto desprezado pelos idealizadores do projeto está em um ser humano (?): Ed Harris. Ele interage diariamente como um vilão, um bandido. Seu prazer está em praticar o mal contra os ciborgues.  Ele quer se aprofundar no “jogo” e isso é uma variante com a qual os criadores de Westworld não contavam. O personagem de Harris é frequentador do “parque” Westworld há trinta anos.
O dilema moral de Westworld é sobre a velha mania do homem de brincar de ser Deus. Dolores é uma das personagens que mais sofre com as brincadeiras nesse universo criado. Ela sofre por amor, por medo, violência e pela constante perda de tudo que ama. Essas perdas vão, ao longo dos tempos, marcando o inconsciente dela. Mesmo sendo uma criatura feita pela inteligência do homem, hipoteticamente insensível aos males que passa, ela sofre.
Tal como vimos e lemos em Frankenstein, a criatura não está e nunca estará sob o total controle do criador. Essa é uma regra que os homens deveriam ter aprendido há muito tempo, porém fazem questão de esquecê-la.
Não há programação perfeita. Com tempo e esforço, as barreiras e códigos podem ser quebrados ou alterados. Essa é uma verdade com a qual nós, humanos dessa era, convivemos e aprendemos a lidar. Essa controvérsia também é bem explorada no primeiro Matrix e em alguns episódios de Animatrix. Máquinas com comportamento e sentimentos humanos são controláveis até que ponto?

Nota: prestem atenção à reação dos anfitriões quando moscas pousam neles. Essa é uma dica bem legal para entender um pouco da amplitude da inteligência artificial e sua adaptação aos fatos novos...


P.S.: A presença de Rodrigo Santoro ficou muito boa. Ele é um dos vilões da trama (Hector Escaton), porém, se raciocinarmos um pouco, todos os seres criados só são bons ou maus conforme assim lhe determinam. Então, o que dizer da maldade humana cujo alcance está limitado pela moral existente na pessoa?
P.S.2: Westworld é baseado na obra homônima de Michael Crichton – com o subtítulo “onde ninguém tem alma”, escrita e dirigida por ele em 1973. O filme é estrelado por Yul Brynner, ator consagrado no gênero de Faroeste. A trama, apesar de ser mais resumida, mostra pessoas interagindo com máquinas que simulam ambientes e situações históricos. Além do Velho Oeste, há também Roma e a Idade Média. A trama original dá indícios do caos que nos aguarda na série.
P.S.3: A equipe que gerencia, cria e programa tudo para as encenações de Westworld também é afetada pela presença dos humanos por eles construídos. É impossível se manter apático diante de seres tão perfeitos. O Dr. Ford e Bernard, um dos principais responsáveis pela manutenção do projeto, são discretamente ‘modificados’ pela interação direta e indireta com os ciborgues. Isso, certamente, ainda dará muito pano para a manga. Um fato interessante está no jogo disputado entre os integrantes da equipe; um jogo por poder.

Nota final: a HBO mostra coragem e adequação ao apresentar o processo de construção e descarte dos humanos cibernéticos. As cenas de nudez são adequadas ao contexto e evidenciam, sobretudo, a escolha correta do elenco. Não é fácil encenar ser uma máquina sem sentimentos... ou uma que está começando a tê-los.

Elenco da produção da HBO:
Anthony Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood, James Marsden, Thandie Newton, Jeffrey Wright, Jimmi Simpson, Rodrigo Santoro, Shanno Woodward, Ingrid Bolsø Berdal, Ben Barnes, Angela Sarafyan, Clifton Collins Jr.


Direção: Jonathan Nolan.



sábado, 25 de abril de 2015

Darkside apresenta: O exterminador do futuro. O livro em duas versões.


O Exterminador do Futuro
por James Cameron, Randall Frakes e Bill Wisher
A gênese de um clássico da Ficção Científica

Prepare-se para viajar no tempo e reviver uma das maiores aventuras dos últimos 30 anos
Em 1984, um ciborgue chega em Los Angeles com uma missão: assassinar mulheres. Suas vítimas têm em comum apenas o nome: Sarah Connor. A última Sarah é resgatada por um soldado que alega vir do século XXI. Tem início uma perseguição que põe em risco o destino da humanidade.
O ciborgue é um T-800, perfeita máquina de matar, incapaz de sentir pena, medo ou dor. Nada o fará desistir enquanto não eliminar o líder da resistência humana antes mesmo do seu nascimento. Sem a existência de John Connor, estaremos completamente à mercê da tirania de máquinas inteligentes num futuro sombrio, e cada vez mais próximo.

2029, o Ano da Escuridão.

Bem que ele disse que voltaria. O Exterminador do Futuro está chegando aos leitores brasileiros, trinta anos após o lançamento do filme que projetou as carreiras de James Cameron e de Arnold Schwarzenegger. O livro, versão em romance do roteiro original, é assinado pelo próprio Cameron, em parceria com o roteirista Bill Wisher e o escritor Randall Frakes.
Aclamado pela crítica quando estreou em 1984, O Exterminador do Futuro tornou--se um clássico instantâneo, frequentou as listas dos melhores filmes do ano. Em 2008, foi considerado pela Biblioteca do Congresso norte-americano uma obra de significância “cultural, história e estética” e selecionado para ser preservado no National Film Registry dos EUA.
É possível que você já tenha perdido a conta de quantas vezes assistiu ao filme. Chegou a hora de se aprofundar na história. Deixe-se surpreender com O Exterminador do Futuro.
Hasta la vista, baby!
James Cameron (1954) é um premiado cineasta, produtor, roteirista e editor canadense. Bacharel em Física pela Universidade da Califórnia e também explorador dos fundos oceânicos, é considerado um dos maiores cineastas a trabalhar com efeitos especiais e dirigiu clássicos da ficção científica como Aliens (1986), O Segredo do Abismo (1989) e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991), primeiro filme a ultrapassar o orçamento de US$ 100 milhões. É dele a direção das duas maiores bilheteiras da história do cinema: Avatar (2009) e Titanic  1997).
Randall Frakes é autor de livros e filmes de ficção científica. Escreveu O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Seu primeiro trabalho no cinema foi como cameraman de efeitos especiais para Roger Corman. Bill Wisher é o roteirista que trabalhou com Cameron nos dois primeiros filmes da franquia, O Exterminador do Futuro e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final. Fez pequenas participações em ambos: um policial que tem a cabeça esmagada pelo T-800 no filme de 1984, e um fotógrafo arremessado pela janela, na sequência de 1991. Bill escreveu ainda os roteiros de Judge Dredd e das duas versões do prequel de O Exorcista.

Ficha Técnica
Título | O Exterminador do Futuro
Autor | James Cameron; Randall Frakes; Bill Washer
Tradutor | Dalton Caldas
Editora | DarkSide®
Especificações | 336 páginas, Capa Dura e Brochura
Dimensões | 14 x 21 cm
ISBN | 978-85-66636-41-3 | Capa Dura
978-85-66636-42-0 | Brochura
Lançamento | Abril de 2015
Mais informações


sexta-feira, 27 de março de 2015

Interestelar: análise de uma obra primorosa da ficção cientifica.


Por: Franz Lima

Interestelar é a superação de um gênero. A ficção científica foi desprezada por muito tempo por ser considera simples entretenimento. Entretanto, filmes como Gravidade e o próprio Interestelar mostram-se muito mais complexos e corretos cientificamente do que seus antecessores. Talvez o fato de não haver a ação desvairada e sem propósito de alguns filmes seja o motivo por trás do grande sucesso que esses dois filmes fizeram, em especial este que agora abordo.
 


A direção primorosa de Christopher Nolan (mais conhecido por seus trabalhos na trilogia Batman e A Origem) ganha força similar à de um buraco negro, principalmente por causa das interpretações marcantes de astros como Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Michael Caine, Jessica Chastain e Wes Bentley, apenas para citar. O elenco, verdadeiramente, apresentou interpretações consistes, emocionantes e críveis que, somadas aos ambientes criados pela computação gráfica, tornam este longa-metragem um filme único.
 


A trama se resume à busca pela salvação de uma Terra condenada por um ciclo de alterações climáticas e uma drástica redução da população do planeta. Na busca de uma alternativa para colonizar outros planetas, o professor Brand (interpretado pelo genial Michael Caine) convoca sua própria filha, Cooper (McConaughey), Doyle (Wes Bentley) e Rom (David Gyasi). Juntos, eles irão buscar o desconhecido e enfrentar a solidão de uma forma que ninguém mais experimentou. Aliás, é dentro desse limbo que os universos (o conhecido e os desconhecidos) despertam o que há de mais humano nos tripulantes. Alguns abandonaram a família e outros partiram para tentar realmente salvar a Terra, mas nenhum deles estava preparado para a jornada que seguiria. 




Os roteiristas se destacaram e transformaram o filme em um épico pela inserção do elemento humano nele. Mesmo com toda a tecnologia, os efeitos e os cenários incríveis, é nas interpretações e nas emoções despertadas por elas que temos o ponto alto de Interestelar.

Desde o início somos levados a compreender uma realidade caótica, onde o fim de um planeta está próximo. Desde o início somos levados a gostar das personagens por sua força, pela gana de sobreviver. Este é um ponto interessante da trama: enquanto uns lutam para viver na Terra, os astronautas lutam para sobreviver ao insondável. Os dramas das duas realidades estão intrinsecamente ligados. Viajamos pelo espaço sem que nos desliguemos das pessoas de nosso planeta. 
Christopher Nolan conseguiu criar uma obra onde a emoção supera a ação, onde a inteligência de um roteiro muito bem escrito, pleno de ciência e teorias, consegue conviver harmoniosamente com as mais primais emoções do homem. Vocês irão acreditar em T.A.R.S. e se emocionarão com ele, sem que de nada importe o fato de ele ser uma máquina robótica. 
Sobretudo, Interestelar é uma preciosidade por nos levar a meditar, refletir, sobre a importância de nosso mundo, o valor que damos às pessoas que amamos e sobre nossa capacidade de sobrevivência. A tecnologia é um dos grandes trunfos deste filme, porém o elenco é a peça sem a qual nada teria ocorrido. Interpretações fortes, convincentes e emocionantes deram sustentação a algo que sempre questionamos: o que há além do que conhecemos?
Assista a este filme e prepare-se para pensar sobre o amor familiar, a solidão, a traição, a morte, a vida, o infinito que nos engloba e, principalmente, sobre a grandiosidade da fé, pois é pela busca da possibilidade de sobreviver que saímos de nossa pequenitude. Prepare-se para chorar e rir sem a vergonha de fazê-los.
Os méritos são muitos nessa obra cinematográfica que mudou minha visão de ficção-científica. Entretanto, os esforços deverão dos filmes futuros deverão ser redobrados para que não sejam uma pálida tentativa de chegar ao mesmo resultado de Interestelar. 
Este já é um clássico... pela coragem, direção, interpretação e o roteiro impecável. 
Poderia dissertar sobre os buracos de minhoca, viagem temporal, buraco negro, robótica, a infinitude das galáxias e muitos outros assuntos relacionados ao filme, porém o que mais importa é: este é um filme único! Creio que Albert Einstein teria ficado feliz em vê-lo...
 Curta a fanpage do Apogeu: facebook.com/Apogeudoabismo

sábado, 14 de março de 2015

Saudades da Isaac Asimov Magazine? A sexta edição da revista Trasgo já está online.


A sexta edição está no ar! Mais em trasgo.com.br.
Caso você tenha mais de 30 anos ou seja um fã de ficção científica dos mais exaltados, provavelmente já leu algo sobre a extinta Isaac Asimov Magazine. Uma das mais respeitadas revistas sobre o assunto de sua época, ela foi sucesso no Brasil e em muitos outros países. Escritores nacionais e estrangeiros publicaram através da Isaac, porém o mercado literário e outros entraves levaram-na à extinção. 
Felizmente, muitos anos após, somos surpreendidos por uma revista com teor igual e qualidade ímpar. A Trasgo é um prêmio para os leitores brasileiros - e, por que não, internacionais - que agora dispõem de uma literatura de alto nível, responsável pela divulgação de escritores já consagrados e, óbvio, outros que estão despontando no mercado literário.
Desfrutem de cada linha. A Trasgo veio para ficar...

Bem vindos, mechas gigantes caçadores de sacis! A sexta edição da revista Trasgo traz contos de autores conhecidos do gênero, além de estreantes promissores. Este mês tivemos uma breve reformulação do site, com mais destaque para a edição atual. Comentários são muito bem vindos no Twitter @revistatrasgo ou no fb.com/RevistaTrasgo.
Para esta edição temos um conto exclusivo de Luiz Bras, um dos grandes expoentes da ficção científica contemporânea no Brasil. “A Última Árvore” é um conto descrito pelo autor como um “quase conto de fadas futurista” e traz um toque de surrealismo e metalinguagem. Uma favela. Um labirinto. A tão inquetante questão da segregação socioeconômica. “A Última Árvore” é o conto exclusivo no e-book desta edição, que não será publicado no site.
Cão 1 está desaparecido” é um conto de ficção científica pós-apocalíptica escrito por Lady Sybylla, com mechas gigantes, nanorobôs e todo o arsenal do estilo. Com bastante ação, nos apresenta a protagonista, Sashi, vasculhando o campo de batalha em busca de Cão 1, enquanto se preocupa com soldados
inimigos, radiação nuclear e possíveis sobreviventes.

O Último Grito da Carne” se passa em Nordara, universo de “O Baronato de Shoah”, construído pelo autor José Roberto Vieira em dois livros e alguns contos, que tem como destaque um clima steampunk, onde magia e tecnologia se misturam quase indistinguíveis. Neste conto acompanhamos o último teste de Khalin
antes de ser aceito na elite militar, a Kabalah.

Zé Wellington, mais conhecido no círculo de HQs, traz um conto sobre universos paralelos e um tanto de insanidade em “Tantruss, dadograme e barbatanas”. Francis é apenas um psicólogo frustrado quando entra em seu consultório um detetive pedindo ajuda para voltar ao seu próprio mundo.
Nesta edição temos pela primeira vez um autor internacional! O português Nuno Viegas nos apresenta “Os Mercadores de Gullian”, uma space-opera com uma trama política, que envolve corporações armamentistas e uma inteligência artifical que pode mudar o rumo das civilizações.
Por fim, “Os Delírios Atômicos do Professor Freund” é um conto de Victor Bertazzo, com incríveis personagens criados a partir dos desvarios do professor e sua obsessão em criar sua bomba-colher, enquanto é atormentado pelo terrível tubarão com chapéu de festa a mordiscar-lhe os calcanhares.
Recadinhos
– Que tal comprar ou dar de presente o pacote Trasgo: Ano 2? Você recebe as edições 5, 6 e (futuramente) 7 e 8!
– Anuncie na Trasgo! Saiba mais em trasgo.com.br/midiakit.
– Imagens e releases para postar em seu blog estão em trasgo.com.br/imprensa
Boa leitura!
Rodrigo van Kampen

domingo, 7 de dezembro de 2014

Conheçam 'Chappie', do mesmo diretor de Distrito 9. Watch the trailer.


Texto: Franz Lima.

Uma das mais aguardadas produções cinematográficas de 2015 não é - na minha opinião - Vingadores ou Batman v Superman. Também não é a conclusão de Jogos Vorazes ou algo similar. Na verdade, o filme que está fazendo com que o tempo pareça passar lentamente é Chappie.


Dirigido por Neill Blomkamp e estrelado pelos ótimos Dev Patel (Quem quer ser um milionário), Hugh Jackman (Wolverine) e Sharlto Copley (Elysium). Acrescente a isso a dupla de rapper do Die Antwoord. 
A produção conta a história de Chappie, um robô com inteligência artificial tão aguçada que a máquina passa a adquirir sentimentos. A narrativa conta a evolução de Chappie - seu aprendizado - até as consequências desta evolução diante de uma humanidade que não aceita o diferente. Há uma conotação com Pinocchio não só na criação do robô pelo personagem de Dev Patel, como também pelo temor diante dessa novidade.

Tal como vimos em Distrito 9, a crítica social é forte e contundente, fato que por si só já torna o filme interessante. Mas não é apenas isso.
Chappie ganha vida e veracidade com a atuação fantástica de Sharlto Copley, o mesmo ator que interpretou um agente governamental em Distrito 9 e acabou pagando um alto preço por sua arrogância. Em Chappie, Sharlto é o próprio robô. Ele insere muito humor e drama à personagem, fato que cativará o público.
Eu aposto alto neste filme. Não só pelo elenco e direção, mas pela coragem em abordar temas tão controversos em uma produção de ficção-científica. 
O lançamento está previsto para 16 de abril de 2015. Veja o trailer abaixo e diga se concorda comigo...



segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Resenha de Lucy, ficção-científica com Scarlett Johansson e Morgan Freeman


Por: Agnello, o Escriba.

O filme se resume em mostrar como seria na realidade uma das teorias do uso de 100% do cérebro.

ATENÇÃO: SPOILERS!
Lucy é uma mulher que vive em Taiwan com uma amiga e se envolve com um cara que conheceu numa balada. Ele a leva a fazer uma entrega que era serviço dele e ela é capturada pela máfia local.
Depois que Lucy acorda, descobre que sofreu uma cirurgia, ela e mais três estrangeiros. Eles estão agora com um saco cheio de uma nova droga sintética implantado no abdômen. Se tornaram "mulas".
Antes do embarque para os EUA, um dos capangas tenta abusar de Lucy e ela o rejeita. Por causa dessa rejeição, ele lhe dá uma surra, chuta sua barriga e a deixa lá.

O saco se rompe e a droga entra em contato com o organismo de Lucy, causando várias reações nela. A partir daí, começa uma evolução no corpo e mente de Lucy.
Essa é história criada pelo autor para explicar a evolução. Essa evolução é embasada pela atuação de Morgan Freeman como um cientista capaz de explicar os termos dessa "ascensão genética"
.

A trama flui entre Lucy querer respostas sobre o que está acontecendo com ela, e para isso procura um especialista; ela querer mais da droga para ir até o limite; e a máfia querer reaver a droga.
O filme tem boas cenas de ação e de efeitos especiais. Para entender, mantenha a mente aberta para receber as informações e não ligue se algumas confrontarem com a realidade, é só uma das teorias do uso de 100% do cérebro.
 
Lembre-se: "Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência".




domingo, 15 de junho de 2014

A terceira edição da revista Trasgo já está disponível online. O que está esperando?



A terceira edição da revista de ficção científica Trasgo já está disponível online. Organizada por Rodrigo van Kampen e contando com diversos autores de altíssimo nível, esta nova edição marca o anúncio de uma nova fase. Mas as novidades devem ser anunciadas por quem é responsável por elas...

Leia mais no release abaixo, porém tenham certeza que essa novidade literária está à altura das antigas e incríveis Isaac Asimov Magazine e Heavy Metal. Baixem as edições disponíveis e tenham uma ótima leitura.
Franz.

Salwaan, e bem vindos à 3ª edição da revista Trasgo!
Recebemos muito material estes meses, tanta coisa boa que até separamos uma parte para a próxima! É ótimo receber belos contos, a Trasgo está sempre de portas abertas para autores novos e profissionais. Veja como nos enviar um conto em nosso site.
Antes de falar do bom conteúdo que temos aqui, gostaria de contar que para esta edição fizemos uma pequena promoção: os assinantes da newsletter da Trasgo receberam, além da revista, um conto extra, de minha autoria. Como alguns distraídos podem alegar que não sabiam, darei uma segunda chance: quem se inscrever na newsletter até o final de agosto também receberá este conto, aproveite! Basta deixar o seu e-mail em trasgo.com.br/news.
Também anunciamos uma ótima promoção para blogueiros e produtores de conteúdo: aqueles que postarem quatro artigos contando das primeiras edições em seus blogs, levarão de graça as quatro edições seguintes (números 5 a 8), que serão pagas. Leia as regras em trasgo.com.br/promocao e participe! Lembrando a todos os divulgadores que as imagens em alta qualidade estão em trasgo.com.br/imprensa.
Chega de anúncios e vamos ao conteúdo da terceira edição da Trasgo, com a linda ilustração exclusiva de Kelly Santos na capa. Gael Rodrigues abre com “O Empacotador de Memórias” seguido por “Rosas Brancas” de Roberto de Sousa Causo, primeiro conto da série Shiroma, Matadora Ciborgue. Em seguida saímos da FC rumo ao onírico em “Feita de um Sonho” de Caroline Policarpo Veloso.
“Invasão” de Claudio Parreira, traz um punhado de insanidade à sua leitura, seguido por “Viral” no qual Tiago Cordeiro aborda o universo zumbi com criptografia. Fechando com chave de ouro, uma noveleta de Liége Báccaro Toledo: “O Vento do Oeste” o transportará para Sawad, uma terra desértica de deuses, homens e lendas.
Este mês também estreamos uma página no Google+, para quem prefere acompanhar as novidades nesta rede. Além disso, também batemos um papo no FacebookTwitter e em nosso blog. Sigam-me os bons!
Antes de deixá-los aos contos, um agradecimento especial aos autores e voluntários que trabalharam para aparar as arestas e entregar esta edição a vocês, todos devidamente creditados abaixo.
Boa leitura, safiah din naan!
Rodrigo van Kampen

Créditos da edição
Organização: Rodrigo van Kampen
Revisão: Lívia Carvalho e Thiago Toste
Ilustração de capa: Kelly Santos
Manutenção do site: Fábio Scaico
Entrevistadores: Stefano Sant’ Anna e Rodrigo van Kampen
Autores: Caroline Policarpo Veloso, Claudio Parreira, Gael Rodrigues, Liége Báccaro Toledo, Roberto de Sousa Causo e Tiago Cordeiro.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Trasgo, uma nova revista de Ficção-Científica e Fantasia, já está disponível gratuitamente. Prestigiem!!!



Primeira edição no ar! 
É uma grande honra comunicar que a primeira edição da revista Trasgo acabou de ir ao ar! Você pode sair correndo para ler no site trasgo.com.br ou baixar nos formatos disponíveis e curtir uma fantástica experiência literária. 

Para este piloto temos um belo conto dieselpunk, “Ventania”, um Mad Max no nordeste nacional, escrito por Hális Alves. “Azul”, da escritora Karen Alvares* é um pequeno conto de terror que fará você nunca mais enxergar o Blue Man Group da mesma maneira. Também apresentamos “Náufrago”, de Marcelo Porto, um conto urbano com um toque sutil de ficção científica e “Gente é tão bom”, um conto de ficção científica no qual Cláudia Dugim destila todo o seu mau humor de modo bastante divertido. Fechando esta edição temos “A Torre e o Dragão”, obra de Melissa de Sá que brinca com esta estrutura clássica dos contos de fadas nas narrativas de fantasia. 

A capa ficou sob a responsabilidade do incrível Filipe Pagliuso.

A revista está disponível para ler toda pelo site, ou você pode baixar  os e-books em .mobi ou epub. Esperamos que gostem e por favor nos digam o que acharam no nosso Facebook ou Twitter. Apertem os cintos, selem seus cavalos e muito bem vindos à primeira de muitas edições da revista Trasgo!

Acessem agora! http://trasgo.com.br 

Um abraço do editor, Rodrigo van Kampen

* Karen Alvares foi uma das colaboradoras do projeto Um Ano de Medo.

domingo, 3 de novembro de 2013

Divulgação: livros para os fãs mais ávidos de Star Wars serão lançados.



Fonte: O Globo. Comentários: Franz Lima.

RIO - A série Star Wars, uma das mais lucrativas da história, movimenta uma legião de fãs ao redor do mundo. Enquanto os admiradores da saga aguardam ansiosos pelos sétimo episódio da série, o lançamento de dois livros nos próximos meses promete trazer inúmeras curiosidades sobre alguns dos personagens mais famosos da franquia. “O caminho Jedi” (Editora Bertrand), do americano Daniel Wallace, funcionará como um manual fictício de treinamento da Ordem, e trará textos escritos por Jedi lendários. No volume, serão apresentados os maiores mestres, a história dos clãs, os armamentos, o vestuário, os golpes de lutas, entre outros.
Apesar de não fazer referência aos filmes, situações retratadas na telona serão citadas em algumas partes do almanaque. Cada exemplar virá com anotações de diversos personagens importantes da saga, como, por exemplo, Mestre Yoda, Conde Dookan, Obi-Wan Kenobi, Darth Sidious, Luke Skywalker e Anakin Skywalker, que escreve ainda novo, antes de se tornar o Darth Vader, e já dá sinais de que caminhará para o lado negro da força.
Logo após o lançamento de “O caminho Jedi”, em fevereiro do ano que vem chegará às livrarias o “Livro dos Sith”, um manifesto do lado negro da força — também de Daniel Wallace. O volume trará documentos escritos pelos Lordes Sith, que registravam em cadernos suas filosofias e seus esquemas para dominar a galáxia. Neste trabalho, serão apresentados os maiores mestres, o surgimento do clã, os armamentos, o vestuário, os segredos obscuros e todas as informações necessárias para entender melhor a mente desses mestres do mal.

Franz says: a saga Star Wars já conta com muitas, muitas obras que abordam de forma quase inequívoca tudo que já foi visto nos filmes e bastidores das produções, além das versões animadas. Creio que estas duas obras estão pegando o vácuo das notícias do sétimo filme, fato que, aliás, é muito comum. 
Cabe aos fãs descartarem em caso de obra duvidosa ou, ao contrário, abraçar os mais novos livros sobre a obra máxima de George Lucas.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Star Trek: resenha do melhor Reboot dos últimos anos.


Por: Franz Lima.

A sensação de que algumas obras são definitivas não é incomum. Muitos são os defensores da manutenção de certos filmes, livros e outros produtos por conta do impacto que tiveram em uma geração, passando, inclusive, para outras que se seguem. Star Trek (Jornada nas Estrelas) é um desses exemplos. A franquia já teve muitas versões - ainda que algumas não tenham agradado tanto -, mas é inquestionável que a tripulação original (Kirk, Spock, Scotty e outros) foi a mais marcante. O carisma desses personagens ultrapassou décadas e angaria fãs até os dias atuais. E é esse mesmo carisma que me levou a olhar com desconfiança para o reboot de Star Trek, um novo filme onde seria "recontada" a origem e os primeiros dias da tripulação da USS Entreprise. 
O filme é de 2009 e eu levei quatro longos anos para dedicar um pouco de atenção à trama. Confesso: eu me arrependi. Me arrependi de ter esperado tanto tempo para conhecer uma obra tão primorosa. Agora, resta-me explicar o que torna o novo Star Trek tão bom.


Respeito à obra original.

Esse é um dos pontos a se destacar. A nova produção respeita de forma admirável o que foi idealizado por Gene Roddenberry. Tal como na série, temos personagens com grande carisma e interpretados de forma convincente por atores que, pelo que pude ver, entenderam a responsabilidade que lhes foi conferida. Cada um se encaixou de forma ímpar aos personagens e ao contexto da história, mantendo elos que seus antecessores criaram... ou melhor, melhorando-os.

Realidade alternativa.

Verdade seja dita, esse novo filme é ideal para antigos fãs e, logicamente, para os novos. A essência de Star Trek foi mantida, o que não impediu o diretor J. J. Abrams de adicionar elementos capazes de cativar um público mais novo e exigente. Star Trek tem ação, humor, efeitos especiais de primeira e, logicamente, uma narrativa bem similar àquela que vimos em outros filmes com James Kirk e sua tripulação. Mas, como todo bom fã, ainda havia a sensação de ausência de uma história que mostrasse os primórdios da equipe da Entreprise. Mesmo que um ou outro personagem não tenha recebido uma atenção tão grande quanto Spock, Kirk, Dr. McCoy, Uhura e Sulu, isso não minimiza o brilhantismo do roteiro feito por Roberto Orci e Alex Kurtzman. Eles, aliás, valeram-se da ideia de uma realidade alternativa para não ficarem restritos aos acontecimentos registrados nos outros filmes, o que proporcionou - a partir do segundo filme - uma maior liberdade para o diretor e os roteiristas.


Passado.

As origens ou parcelas do passado de alguns personagens são reveladas. Não acompanhei todos os episódios da série de TV e também não pude - ainda - ver todos os filmes da franquia, fatores que não me impedem de afirmar que foi feita uma abordagem nova e coerente sobre os principais tripulantes da Enterprise e os acontecimentos que levaram à formação dessa equipe. 
J. J. Abrams orquestrou um filme onde é possível perceber as motivações e as nuances que moldam o caráter de cada personagem. Os roteiristas obtiveram sucesso ao compor uma trama que mostra como pessoas tão diferentes puderam se unir.


Interpretações.

Não espere que haja uma cópia fiel dos personagens da consagrada série de TV. Há muitas semelhanças, porém foi garantida a cada um dos atores a liberdade de acrescentar detalhes que lhes facilitasse a interpretação e, principalmente, trouxesse maior credibilidade às cenas e à trama. 
Acompanhei diversos episódios da série original e, contrariando minha desconfiança inicial, pude ver e identificar trejeitos, ações e o caráter de cada um dos 'heróis'. Percebi, ainda, que a trama buscou homenagear cada um deles, mas também valorizar os novos atores que, com merecido talento, ganharam os corações dos fãs trekkers.


Spock e Kirk: antagonistas ou amigos?

Esse é um trunfo que J. J. Abrams usou magnificamente. As infâncias dos dois e os fatos que levaram seus destinos a se cruzar dão intensidade e verdade à narrativa, além de reforçar a simpatia dos espectadores por eles. Creio que a maioria dos leitores já saiba que indivíduos tão diferentes rendem ótimas passagens e, neste filme, não poderia ser diferente. Divergências à parte, a trama irá colocá-los em rota de colisão, mas esse confronto será extremamente positivo no futuro.

Ação e um roteiro bem elaborado podem coexistir?

Se você ainda não viu essa obra e tem em mente apenas as imagens e a ação dos filmes baseados na série de TV e, logicamente, nela propriamente dita, prepare-se para uma gratificante surpresa. 
Tudo aquilo que não pudemos ver durante os episódios e os filmes em função da limitação tecnológica, será mostrado nesse novo Star Trek. Planetas e criaturas alienígenas realistas, ação em doses corretas, uma nave mais próxima daquilo que nós, hoje, imaginamos e uma narrativa absolutamente cativante. 
Os méritos do passado não ficarão esquecidos, porém é inevitável olhar para essa nova obra e enxergar o quanto a tecnologia aprimorou um conceito bacana, transformando-o em uma verdadeira obra de arte.
A ação e o roteiro perfeito coexistem...

Star Trek vs Star Wars.

Inevitável comparar as duas franquias. São grandes obras que já contam com milhões de fãs por todo o mundo. Entretanto, esse novo Star Trek começou de forma muito positiva. Ao contrário da trilogia que se sucedeu aos filmes 4, 5 e 6 de Star Wars, essa versão nova de Jornada nas Estrelas obteve a inacreditável média de 8.1 no Rotten Tomatoes, com 89% de aprovação do público. 
Apesar de grandes sucessos, Star Trek parece estar no caminho correto, ao passo que Star Wars necessita de alguém que evite o deterioramento da obra. Será que J. J. Abrams será o nome que revitalizará Star Wars, tal como fez com Star Trek?




Inimigos.

Logo de início somos apresentados aos inimigos que irão marcar as vidas de Kirk e Spock: os Romulanos. Motivados por um problema que, teoricamente, ainda não aconteceu, os guerreiros provocam a morte de milhares e dão a motivação necessária para que pessoas tão diferentes como Jim Kirk e Spock se unam. O que parecia improvável acontece: eles são direcionados a um destino comum que nós, fãs da série, conhecemos bem.
O líder romulano é interpretado por Eric Bana e, com o decorrer do filme, há ocasiões onde o espectador terá raiva dele e, em outros, pena. Não criaram um vilão sem motivações. Nero é um personagem movido pela angústia da morte. Para ele, isso basta.

Trilha Sonora.

Michael Giacchino compôs as músicas que dão consistência às grandes cenas do filme. Fã da série original, Michael sentiu o peso da responsabilidade de dar uma nova trilha ao filme que prometia reiniciar a franquia e, como constatamos, obteve sucesso na empreitada. A orquestra com quase 150 pessoas trouxe o complemento que o filme merecia e manteve, inclusive, o tema original ao final da obra cinematográfica.

Continuação.

Star Trek teve uma continuação que, na minha opinião, é melhor que seu antecessor. Também dirigido por J. J. Abrams, o filme complementa e dá sequência de forma incorrigível à trama inicial, mantendo todo o respeito e, novamente, prestando singelas homenagens à série que deu origem a tudo.

Nota final.

Esse, repito, é um filme do qual me arrependo de não ter visto antes. Uma obra-prima da ficção científica, feito com muita pesquisa, dedicação dos atores e dos produtores, além de ser responsável pela revitalização de uma franquia que oscilou por alguns anos em função de filmes razoáveis. Mais do que isso, esse novo Star Trek tem o comprometimento de agradar aos fãs, os verdadeiros responsáveis pela longevidade de uma ideia e um ideal.
Um dos melhores filmes que vi até hoje... sinceramente.

Elenco:

Chris Pine - James T. Kirk
Zachary Quinto - Spock
Leonard Nimoy - Spock original
Karl Urban - Leonard McCoy
Zoë Saldaña - Nyota Uhura
Simon Pegg - Montgomery Scott
John Cho - Hikaru Sulu
Anton Yelchin - Pavel Chekov
Eric Bana - Nero
Bruce Greenwood - Capitão Christopher Pike
Ben Cross - Sarek (pai de Spock)
Winona Ryder - Amanda Grayson (mãe de Spock)


Proxima  → Página inicial