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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A Era da Fofoca. Cuidado com o que divulga!



A foto acima pode impactar à primeira vista por incluir mulheres usando cocaína e ainda ter a presença do ilustre e respeitado ator Tonico Pereira (A Grande Família, Sai de Baixo, Sítio do Pica-Pau Amarelo, várias novelas, filmes como O Palhaço, e muito mais). Não que um ator não se envolva com drogas, pois o ser humano pode ir do 100 ao 0 em pouco tempo. Mas o fato é que a foto acima e outras divulgadas não eram reais, apenas cenas fora do contexto de um clip dirigido por Marcelo Yuka. 

Texto: Franz Lima. Curta nossa fanpage: Apogeu do Abismo.
Foto feita durante a gravação do clipe do Marcelo Yuka
Tonico mostrou sua indignação ao criticar os irresponsáveis que divulgaram as imagens. O fato, contudo, é que isso não será apagado tão cedo. Pessoas desprovidas de senso crítico, preguiçosas por natureza e até as que são ruins pelo simples prazer de ser ruim irão continuar a usar essas fotos para propagar a fofoca, a maledicência.
Ele, caracterizado como Papai Noel, e seus filhos como duendes
Então alguém pode dizer: "E daí? Isso não pode afetar um homem com quase 70 anos. Ele vai passar essa tempestade na boa.". Sim, ele pode até ter passado por uma breve crise de raiva e isso, com o tempo, diminui. Entretanto, a notícia de que ele estava envolvido com prostitutas e drogas ainda circula, atingindo novamente não o Tonico - já ciente das prováveis idas e vindas dessa mentira -, mas sua família. Tonico tem um casal de gêmeos com pouco mais de 10 anos. São crianças que terão que aprender a lidar logo cedo com a maldade humana. Ninguém gostaria de ver o pai envolvido em uma polêmica absurda como essa.
A inocência dele já foi provada e isso deveria bastar para que as pessoas tivessem um mínimo de decência para não continuar passando a falsa notícia e as fotos. Deveria...
E não paramos por aí. O uso irresponsável das redes sociais gera constrangimentos diários. São fotos de pessoas supostamente desaparecidas, correntes, crianças doentes e uma infinidade de outras variações de temas que causam impacto a quem as recebe. O maior impacto, infelizmente, assim como ocorreu no caso do ator Tonico Pereira, recai sobre as pessoas envolvidas nas mentiras. 
Eu uso as redes sociais e recebo muitas mensagens de desaparecidos. Nunca divulguei nenhuma sem buscar a veracidade da informação. Aliás, quando há o número de telefone para contato (em caso de sequestro, roubo ou seja lá o que for), entro em contato para ver se a pessoa foi encontrada, o produto roubado foi recuperado. Quero dizer com isso o seguinte: vamos ter o mínimo de preocupação com a verdade. Disseminar falsas notícias pode prejudicar vidas. Em um dos contatos que fiz, descobri que a notícia era falsa e atingia diretamente um policial e sua família (foram divulgados os números do celular e da residência). Quando a divulgação é de vídeos íntimos, principalmente de menores, o indivíduo também está cometendo um crime, além de ser um provável colaborador para uma tragédia.
Para dirimir dúvidas sobre o potencial negativo e trágico das notícias falsas e vídeos denigrindo a imagem de alguém, leiam a notícia abaixo:

Suicídio de mulher que teve vídeo sexual exposto na web choca a Itália

Tiziana, de 31 anos, se enforcou na casa de sua tia. Após vídeo circular, ela sofreu humilhação na forma de memes e hashtags.
Fonte: O Globo

Está mais do que na hora de refletir sobre o assunto. A Era da Fofoca é uma das fases mais vergonhosas e malignas que a humanidade já passou. A vergonha está em se divertir com a mentira e a desgraça alheia. A malignidade está no potencial destrutivo dessas farsas. Valer-se do anonimato para propagar o mal é de uma covardia extrema.
Ajudem a conscientizar o máximo de pessoas possível. Gostou do texto e quer colaborar? Então, divulgue-o. O resultado será muito melhor do que passar correntes, fotos falsas e vídeos de sexo que podem incitar ao suicídio ou destruir vidas.




terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Novo conto: A pedra.


Por: Franz Lima.

Quase nove da noite. O tempo está frio de novo. De novo também estou sem agasalho.
As pernas doem. Passei o dia catando sucatas. Só comi uma coxinha e bebi água. Nada mais.
Cheguei cedo ao beco. Cumprimentei uns conhecidos e me sentei no lugar de sempre. Há regras aqui e uma delas é muito respeitada: o lugar onde alguém vai fumar, depois de marcado, não pode ser tomado.
Já deve ter uns oito meses que estou nessa. Não vou culpar a pobreza ou a família que não me ama. Nunca fui pobre e amor não faltou. Mas o pó já não bastava. A pedra era a única coisa que me dava onda. Então, um dia, eu me dei conta de que havia abandonado tudo. Foda-se tudo. Só fumar me interessava.
Sei onde minha família está. Já passei em frente da casa umas dez vezes, de madrugada, só para ver se a coragem de voltar batia, mas a vergonha sempre foi maior. Eu decepcionei tudo e todos.
Uma garoa bem fina começa. O frio aumenta e dá pra ver os cachimbos sendo acesos. Algumas pedras para dormir e sonhar.
Meu amigo mais chegado apareceu. Está muito mais magro que eu. A fome estampada nos olhos. Mas, como já disse, fumar é prioridade.
Acendemos juntos. Isso é o mais próximo de amizade que me restou.
Alguns passam na nossa frente e olham. Eles querem fumar, porém terão que batalhar a grana pra isso. Uns roubam nas redondezas, outros matam. Tudo é questão do nível do vício. Eu, confesso, só roubei uma vez.
Dou a primeira tragada e a onda me arrasta para um lugar mais calmo. A fome e a vergonha somem por breves momentos. Não vejo mais meu amigo, apesar de saber que ele também embarcou.
A luz do cachimbo ilumina meu rosto. A alma continua escura.
O resto aconteceu muito rápido. Um cara chegou e tentou tomar as pedras que não usei. Eu resisti, mas algo furou minha barriga. A dor é breve. Olho para o lado e meu amigo está morto. Os outros não fazem nada para nos ajudar. Os ladrões são rápidos e covardes. Péssima decisão a nossa de ficar no canto mais isolado. Péssima decisão.
Olhei para a camisa e percebi a mancha vermelha aumentando. Mijei de medo. Nestes rápidos minutos, mesmo tão perto da morte, percebi que as luzes dos cachimbos continuavam a oscilar, iluminando as faces dos desesperados. Ainda assim, lamentei não poder dar mais uma tragada.
Logo, todas as luzes cessaram.

Acordei com a chuva no rosto. O frio estava muito mais forte e eu tremia. Não olhei para baixo por longos segundos. O furo seria muito grande? Não sentia as pernas. Olhei e não havia buraco ou sangue. Então, percebi que algo estava em cima da minha mão. Olhei para o lado e vi meu amigo, realmente morto. A barriga cortada e sem suas coisas, assim como eu. Fomos roubados e, por algum motivo, me pouparam.
Afastei minha mão da dele. O frio do seu corpo era maior que o da chuva.
Levantei e olhei ao redor. Desolação e sujeira sem fim. A morte me visitara.
As mãos tremeram e uma tontura forte me atingiu. Vomitei. Melhorei.
Meu amigo estava no chão e, enfim, em paz.
Saí do beco e andei sem rumo. Fui poupado da morte, porém vivi cada segundo da agonia dele. Eu vivi sua partida, talvez quando em desespero ele agarrou minha mão.
Caí numa calçada e lá chorei por tudo que perdi. Chorei pela família, por meu amigo assassinado a troco de nada, por minha dignidade e o futuro abandonados.
Será que ainda haveria esperança?
Caminhei bastante, mesmo fraco e com fome. Parei em frente a uma porta branca e lá fiquei por longos minutos. Adormeci.
Uma mão me tocou e despertei com medo. Será que os assassinos voltaram?

Ouvi uma voz suave e a reconheci na hora. Acima de mim, olhando para meus olhos, estava minha mãe. Ela tinha no rosto a expressão de quem não acreditava no que via. A dó estava entranhada em cada centímetro de sua face.
O que fez a você? - ela sussurrou.
Suas mãos tocaram meu rosto e removeram uma parte da sujeira. Eu chorei e me senti algo desprezível. Ela, contudo, só sentia pena, pois as mães sempre sentirão compaixão por seus filhos.
Sem que precisássemos dizer uma única palavra a mais, ela me ajudou a levantar e me pôs para dentro da casa. Muito havia para ser dito. Muito havia para ser consertado. 
Nos braços dela, finalmente protegido, lamentei a morte do único amigo que tive naquele inferno. Sua jornada havia acabado, mas a minha apenas começara. Seria um longo e tortuoso caminho para sair do vício. Eu agradeci por mais esta oportunidade. E eu não retornaria ao valão de onde vim, isso era uma promessa...

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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

American Horror Story - Hotel. Review do primeiro episódio.




A quinta temporada da série American Horror Story chegou... de forma impactante.
Além de trazer a estrela da música pop, Lady Gaga, também fomos presenteados com um elenco competente e de renome, incluindo Kathy Bates, Angela Basset, Wes Bentley. 

O primeiro episódio...

A trama funciona em ritmo linear, mas apenas em algumas partes. A narrativa funciona, principalmente quando os flashbacks são inseridos de forma competente.
Logo de início somos apresentados a duas beldades russas (creio), cujo único interesse é diversão. São turistas que escolhem seu hotel pela internet. Como não poderia deixar de ser, descobrem que certas escolhas acabam custando caro.
No decorrer da história somos apresentados a outras personagens. Algumas podem parecer vazias à primeira vista, mas não se deixe enganar. Cada uma tem seu papel nessa intrincada teia. Em pouco tempo vocês irão adquirir empatia com as personagens. E é isso que irá provocar uma desagradável sensação de proximidade com o mal.

O Hotel...

A localidade, o hotel em si, é uma das peças mais sombrias da trama. Sua arquitetura é antiga, plena de linhas retas e corredores longos. O saguão é adornado por candelabros gigantes, imponentes. Ele é uma espécie de Triângulo das Bermudas, já que muitos de seus visitantes nunca mais são vistos novamente.
Apesar disso, o luxo do Hotel Cortez é bem visível, assim como o mal presente é palpável.

O policial...

Interpretado por Wes Bentley, o policial John Lowe é um homem obcecado por reparar um erro. Em função disso, boa parte de seu tempo é dedicado ao trabalho, como uma penitência. Suas aparições na trama sempre são cerceadas por fatos terríveis, ainda que isso não impeça as cenas onde seu lado "família" é exposto. Mesmo com dilemas e traumas, Lowe ganha espaço no episódio e será, acredito, fundamental no restante da temporada. 
Sua busca por reparação é permeada ainda por um maníaco com alto conhecimento tecnológico. Esse maníaco não se mostra no episódio, o que não impede que sua participação seja importante.

A atendente e Elizabeth Taylor...


Esses são duas personagens mostradas bem cedo no episódio. Entretanto, muito resta a ser revelado, incluindo os fatos que os levaram até o Hotel.
Kathy Bates interpreta a calma recepcionista Iris, uma mulher que oculta um passado de dor e morte. Elizabeth é o papel atribuído a Denis O´Hare. Sua aparência lembra uma drag queen e sua participação é bem velada, fato que não o impede de estar quase sempre envolto em mortes e mistério.

Lágrimas...

Uma personagem surge com um único propósito: torturar para arrancar lágrimas de suas vítimas. Pode parecer estranho, porém essas lágrimas, de alguma forma, trazem conforto a ela. Sua ligação com a atendente (Kathy Bates) é cheia de rancor.

O ritmo narrativo...

Em alguns momentos a história ganha ares de videoclip. As cenas são aceleradas ou passadas em câmera lenta. Muitos podem estranhar isso, mas eu achei importante para destacar personagens e situações. Tal como em uma peça teatral, cada item ou pessoa focado é uma "dica" do diretor.

As crianças...

Elas ainda são um mistério. Surgem de forma a lembrar o clássico filme O Iluminado, de Stanley Kubrick. Mesmo com visual de estudantes e sem dizer uma só palavra, é fácil compreender que não há a bondade típica da infância nelas. Uma delas tem ligação com a filha de John Lowe, Scarlett.
E algo me leva a crer que esses pequeninos são vistos pela Condessa (Lady Gaga) como seus filhos de sangue... literalmente.

Lady Gaga...

É uma mulher envolta em mistério. Sedutora e fatal, sempre acompanhada por um parceiro, sua presença traz medo até aos mais sombrios moradores do Hotel Cortez. Ela é uma assassina que se deleita com sexo e sangue em doses altas, algo mostrado com um pudor desnecessário, como se para proteger a imagem da cantora.

A camareira...

Ela surge em ocasiões variadas. Entretanto, sua presença é a total garantia de que haverá mortes. Sua especialidade? Remover manchas de sangue das roupas de cama. Os episódios seguintes irão esclarecer sua origem e os motivos por trás de sua mórbida função.


Uma inesperada reviravolta para os moradores...

O surgimento de Will Drake e seu filho levam alguns moradores a temer a saída do Hotel. Entretanto, mais do que um incômodo, Drake e seu filho ganharão importância nos episódios seguintes. 

Uma mãe perdida...

A esposa de Lowe sofreu uma grande perda. Essa parte de sua vida é mostrada em flashback, mas fica uma lacuna sobre o que ocorreu. Goste ou não, tal fato abalou seu relacionamento de forma brutal, rompendo alguns laços que dificilmente irão se reatar. Ela terá papel muito importante em um episódio futuro.
O amor de uma mãe é capaz de tudo.


Finalizando...

American Horror Story é uma série que caiu no gosto popular não à toa. Essa quinta temporada teve um começo bom, com cenas marcantes e atuações dignas do elenco que tem. Gostei da ambientação e da forma como as personagens vão se entrelaçando, fato que destaca um roteiro bem pensado e sombrio, conforme esperávamos. 
Um outro fator importante está na evidenciação de uma verdade que poucos gostam de ouvir: todos, sem exceção, guardam segredos e pecados. Os níveis podem variar, mas todos escondem e pecam. Com essa premissa e os demais fatores citados neste post, temos uma promessa de que essa série brilhará tanto quanto as temporadas anteriores.
Em breve, novas avaliações dos capítulos que se seguem...
P.S.: parabéns para a inclusão brilhante de uma música clássica nas cenas finais. Ela se encaixou perfeitamente ao título da série.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Primeiras impressões da série Lúcifer.



Por: Franz Lima

Muitas séries foram interrompidas após a apresentação de seu episódio piloto. Honestamente, espero que Lúcifer não seja cancelada pois apresenta muito de sua fonte de inspiração - no caso as histórias em quadrinhos do selo Vertigo -, ainda que haja diferenças que agradarão ao público que não conhece a trama original e, em contrapartida, trarão uma leve desconfiança para os leitores das revistas.

Ao final do post deixei um link para que leiam todas as edições das Graphics Novels em português. Espero que curtam!

Lúcifer segue a mesma premissa das graphics novels onde o Diabo resolve abandonar o inferno para viver e conviver conosco, os humanos, na Terra, longe das obrigações impostas a ele por Deus. Uma das ironias da trama está na localização do lugar que ele escolhe para morar: Los Angeles, a cidade dos anjos. 
Vivendo como um humano "normal", Lúcifer (Tom Ellis) gerencia uma boate que tem um seleto grupo de frequentadores. Tal como nas HQ, a boate foi nomeada como Lux (luz em latim) e é o palco da primeira cena de ação que irá colocar o protagonista em rota de colisão com a detetive Chloe (Lauren German). Na Lux também ocorre a primeira aparição de Amenadiel (um enviado de Deus interpretado por D. B. Woodside). O ódio entre o anjo e o Portador da Luz é facilmente percebido pelo espectador.
O episódio piloto mostra um Lúcifer mais ameno, com sotaque britânico e sedutor, algo pouco visto nas edições que li. Em contrapartida é mantido seu poder de influência, a força e a "honra" que só o próprio dono do inferno teria. 



Pequenas nuances entre a série de TV e as graphic novels.

Mazikeen  é a guarda-costas do Diabo. Ela é retratada de forma diferente dos quadrinhos, incluindo a grafia do nome, Maze, que indica uma abreviatura ou apelido. Interpretada por Lesley-Ann Brandt, a personagem tem um comportamento menos soturno que a versão dos quadrinhos e, até o momento, não apareceu com a máscara.
Sua participação no primeiro episódio foi pequena, impossibilitando identificar maiores traços em comum com sua versão quadrinizada. 
A ambientação, como dito no início, está bem próxima da que existe nas HQ, porém ainda não foi possível ver todo o potencial sombrio da história se compararmos com a narrativa original.
Uma pequena parcela dos poderes do protagonista foi mostrada no episódio piloto, mas, se você é um leitor das graphics sabe que os "truques" do Senhor do Inferno são inúmeros.

O que esperar no futuro?

Lúcifer está na Terra após abandonar, literalmente, seu posto no Inferno. Para simbolizar sua saída, nas HQ, ele pede a Morpheus (o Sandman) que o ajude a arrancar suas asas. Mais do que um ato brutal, isso é uma afronta direta a Deus, um recado para evidenciar que o abandono de sua função não terá retorno. 
Como podem ver, se o Sandman apareceu, então a probabilidade de termos a presença dos Perpétuos é enorme, incluindo a própria Morte. 
A menos que eu esteja muito equivocado, há um grande potencial de surgir uma nova série com os próprios Perpétuos, isso no caso de ocorrer o sucesso de Lúcifer.
As histórias envolvendo as hostes celestiais e os demônios que vivem na Terra também podem render ótimos episódios, porém eu espero que o tom da série fique mais sombrio, mais próximo do que lemos nos quadrinhos.
Outro ponto positivo em Lúcifer está nos criadores deste universo: Sam Kieth, Mike Dringenberg e Neil Gaiman. A simples menção do nome de Gaiman já indica o potencial criativo das tramas. Óbvio que a censura imposta pelos produtores e o próprio tom mais ameno do episódio piloto podem ser indícios de que minhas esperanças são vãs.

Conclusão

Lúcifer é uma boa pedida para os fãs de Gaiman e das nuances de suas histórias. Caso a série siga os mesmos moldes das HQ, teremos um sucesso avassalador. Mas se os produtores não optarem pelo tom extremamente sombrio, algo que parece que não ocorrerá, ao menos será possível curtir uma trama divertida, com tons fortes de humor negro e uma ironia incrível. 
Como ainda há muito a ser mostrado, não há como julgar plenamente a série, mas é nítido que o potencial, caso sigam o mínimo dos quadrinhos, é gigantesco. Que Lúcifer, literalmente, ganhe asas!
Aproveitem e leiam as histórias publicadas no Brasil através da HQ Online. Divirtam-se e não se esqueçam de curtir a fanpage do Apogeu do Abismo.



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Crônica sobre a intolerância.



Viver é um ato simples que requer apenas foco em sua própria vida, tolerância (pois todos têm diferenças entre si) e respeito pelo próximo. Com estas três atitudes, certamente o mundo será muito melhor.
Entretanto, a realidade tem se mostrado infinitamente diferente. As vidas alheias provocam repugnância, ainda que nada tenhamos a ver com elas; simples gestos são vistos como ofensas e tratados como tal. A felicidade dos outros é interpretada como uma agressão e, por isso, retaliada. Mas, observem, não estou falando da Idade Média ou de países onde o Estado Islâmico dita as regras. Essa é a realidade do Brasil, um país miscigenado, banhado por culturas de incontáveis países, construído com o suor e sangue de escravos, embasado no trabalho das regiões mais pobres (a mão-de-obra ainda é proveniente, em sua maioria, do Norte e Nordeste) e, mesmo com tudo isso, detentor de um racismo e uma intolerância velados, disfarçados por estatísticas e notícias não divulgadas.
Tudo que disse acima é de conhecimento público, mesmo que boa parte vire o rosto para essa realidade. Porém não é a pior parte. Hoje, estamos diante de uma pequena guerra de ideologias. Cristão contra cristão, uma vez que a “minha visão do cristianismo é melhor que a sua”. Cristãos contra demais religiões, seitas ou seja lá como as chamem, já que Deus mandou combater os idólatras.
A inconstância de tais pensamentos pode resultar em qualquer coisa. Diante de pessoas que acreditam deter a “verdade” e querem impô-la aos outros, estamos frente a frente com o caos. A situação ganha a imprevisibilidade das ondas do mar, cuja direção pode mudar em milésimos de segundo. E tudo pode piorar, pois as ondas tomam, gradativamente, a mesma direção. As ondas da intolerância ganham força e velocidade para se tornar um maremoto, um tsunami.

Pode parecer exagero da minha parte, mas é preciso ressaltar que somos criados dentro de uma sociedade com raízes excludentes. Os estereótipos acionam preconceitos adormecidos em nossa alma. Basta que você reflita sobre suas reações e medos diante de um negro encapuzado (afinal, ele não tem como mudar a cor de sua pele e não tem culpa de usar o capuz de seu casaco por causa do frio). Cansei de perceber reações de desprezo e raiva quando nordestinos pronunciam frases com seu característico sotaque. Por que ser diferente incomoda tanto?
A distância virou uma barreira. Assim, as pessoas sentem-se melhores e mais seguras quando estão em seus apartamentos, protegidas da pobreza, violência e dos andarilhos que "podem" querer lhes tirar seus pertences, o conforto e até a vida. Não há mais a preocupação com os desprovidos de recursos e, ao invés de buscar compreender a realidade que os engloba, preferimos isolá-los nas favelas e periferias. Claro que entre os menos favorecidos sempre haverá aqueles que preferem usar a violência para atingir seus sonhos, mas eles não são a regra, são a exceção. Ser pobre não é sinônimo de violência, é sinônimo de luta pela sobrevivência. Milhões de pais, mães, filhos... homens, mulheres e crianças que querem apenas melhorar. Não estão à margem da sociedade por vontade própria ou preguiça - como muitos imaginam -, apenas não dispõem dos recursos que uma minoria tem e retém para si.
Os muitos "marginais" lutam incessantemente para obter uma ínfima parcela daquilo que os ricos detêm, mas são pouquíssimos os que obtêm sucesso. A parcela que fica confinada em uma realidade brutal, pobre e desprovida de esperança merece uma chance de melhora. Contudo, essa chance não deve vir de programas sociais de cunho populista, outra fonte de insatisfação das demais classes que, infelizmente, creem que o dinheiro público está mal empregado. Na verdade, um real investimento em educação - principalmente a fundamental - e um esforço dos governos para ampliar ações sociais realmente pertinentes seriam um ponto inicial interessante. 
Creio que um dia chegaremos ao ponto onde ser pobre não será um indicativo de vergonha, mas uma condição que, com o apoio do governo, esforço do próprio cidadão e investimentos socioeducativos reais poderá ser superada. Além disso, se a tolerância é tão pregada em mídias e redes sociais, o que impede de transpô-la para a realidade? Será difícil aceitar as diferenças? Será difícil compreendê-las e lutar para minimizá-las? As respostas ficarão sob nosso jugo, pois somos a base para uma sociedade mais igualitária, justa e tolerante. 
Caso você seja um dos que discordarão deste texto, pense em uma situação hipotética: você se negaria a receber o sangue de alguém que poderia salvar sua vida, apenas por causa de sua cor, credo, raça ou religião? Eu, honestamente, duvido...


domingo, 6 de setembro de 2015

Família Addams: arte, inteligência e humor negro em doses massivas.



Por: Franz Lima

Os Addams são uma família cujos hábitos macabros e visual sombrio escondem pessoas com uma ótima índole. Criados na década de 1930 pelo cartunista Charles Addams, eles criticam os valores da tradicional família americana (incluindo seus preconceitos) através de uma alta dose de humor negro.
Apesar de assustadores, a família Addams é dotada de um senso incomum de fidelidade, cujos laços familiares ultrapassam até a morte.
A visão de Charles Addams foi alterada em sua essência, pois sua criação era voltada a chocar o leitor com um humor negro extremado, algo que incluía uma janela com moldura que dava para um cemitério, decapitação de brinquedos, provocar acidentes de trânsito e outras cenas bem macabras.
Hoje, contudo, apesar de mantido o visual sinistro, não há mais uma maldade intrínseca em seus comportamentos, restando apenas uma família excêntrica que, apesar da aparência, é muito mais normal que a maioria das famílias.
Presente nos quadrinhos, cinema, teatro, cartoons, games e muitas outras formas de mídia, os Addams são um sucesso incontestável, cuja crítica social permanece pertinente até os dias atuais.
P.S.: assisti a série de desenhos da década de 1970, da Hanna-Barbera. Meu sonho era morar em um carro-mansão como o deles...









































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