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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Humor negro de um crioulo: A lenda




Reza a lenda que Uoxinton chutava bastante já dentro da barriga da mãe, mas chutava com estilo- nada de força. A mesma lenda também conta que ao nascer sua mãe disse "Que lindo!", o pai disse "Meu filho!" e o medico ficou calado. Mas, a verdade é que a mãe pensou "Que fofo", o pai pensou "Pelo menos é macho" e o médico riu - só que ninguém pôde ver por causa da máscara cirúrgica- e pensou que já havia visto piores.
A lenda diz que sua primeira palavra foi 'gol', que no dia do seu segundo aniversario ganhou a primeira bola, que aos dois anos já conseguia fazer embaixadinhas e no dia seguinte marcou o seu primeiro gol. Aos sete anos, já reproduzia todos os dribles que assistia na TV, aos oito começou a inventar os seus próprios e quando ele tinha nove anos três meses e vinte e cinco dias aconteceu o inevitável. Deixou de falar na primeira pessoa do singular.

Foi meio confuso no começo, por um tempo a mãe chegou a pensar que ele tinha algum tipo de amigo imaginário, o pai até o pastor chamou. Mas foi um tio quem matou a charada enquanto ouvia uma entrevista com um jogador que se dirigia ao vestiário após o jogo, era como se ouvisse o sobrinho falando. 
No dia seguinte falou qualquer besteira com o garoto só pra comprovar sua teoria.
- E aí, Uoxinton? Como vai na escola?
- Bem , tio! Não é fácil, mas a gente vem trabalhando duro e se Deus quiser vamos sair com o resultado.
Não havia dúvidas: O moleque tinha enlouquecido e pensava ser um jogador de futebol, ou tinha sido possuído pelo espírito de algum jogador morto. O tio alertou a mãe, a mãe contou ao pai, o pai tentou resolver à base do cinturão. Não deu certo, ele ficava choramingando 'A gente não fez nada'.
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Ninguém sabia ao certo o que fazer, mas um vizinho teve uma idéia que mudou a vida do nosso herói, levá-lo ao Seu Bill, o treinador do glorioso Bode.  Se o problema do garoto tinha algo remotamente relacionado à bola, Bill saberia como dar um jeito. Chegando lá, o coroa olhou pro garoto, falou umas besteiras que ninguém entendeu e o garoto respondeu outras besteiras que o pessoal igualmente não entendeu. Então Bill, muito calmamente, se dirigiu ao pai e disse saber do que o garoto estava sofrendo, mas que precisava fazer um simples teste para confirmar o diagnostico. 
Antes, seu Bill fez os pais de Uoxinton prometerem que se a suspeita se confirmasse, ele seria o responsável pela cura do garoto. Os pais não entenderam bem, mas prontamente concordaram.

Bill pegou uma bola velha, fez umas mungangas com ela e tocou pro garoto, o pirralho matou no peito, deu de coxa, parou na testa, passou pro nariz, voltou pra testa, rolou pra nuca, voltou pro peito e deu de volta pra Bill. Bill sorriu e disse pro pai que o diagnostico fora confirmado: craque de nascença. E o detalhe da fala seria consertado com algumas tardes de treino no campinho de barro do Bode. Naquele dia Uoxinton ganhou seu primeiro par de chuteiras.

Gostou do sarcasmo e do bom humor deste texto? Seu autor escreve regularmente pelo Dito pelo Maldito na coluna Elemento Suspeito, onde estão seus outros trabalhos já publicados. Deleite-se nas palavras ditas pelos Malditos!
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